Ponto de Ebulição | Zutara

17 Aᴍᴀɴʜã ǫᴜᴇ Sᴇᴍᴘʀᴇ Qᴜɪsᴇᴍᴏs


Notas iniciais
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𝒁𝒖𝒌𝒐

Ocultar a verdade de Katara tinha sido a primeira parte do meu inferno pessoal.

Sokka sabia de tudo, ele sabia que eu entregaria a Resistência a Ozai e seria visto como um traidor apenas para colocar todos dentro da fortaleza. E, mais devastador ainda: ele sabia do Plano B.

Sokka odiou o plano desde o segundo em que lhe contei, mas aceitou carregar o terrível peso de puxar aquela alavanca se fosse necessário, porque nós dois sabíamos que Katara jamais permitiria que eu desse a minha vida pela deles, especialmente por ela.

O verdadeiro inferno, no entanto, não foi matar o filho da puta que fodeu com a minha vida, nem sentir a carne rasgar e queimar na sala de extração. O inferno absoluto foi o momento da falsa traição.

Quando parei ao lado de Ozai e ouvi a voz de Katara falhar, meu instinto foi incendiar a sala e tomá-la nos braços. Eu não podia olhar para ela, se nossos olhos se cruzassem, eu largaria tudo só para não vê-la chorar.

Mas o desgraçado abriu a boca. Imaginar nossos futuros filhos sendo torturados escureceu minha visão. Usei essa raiva para congelar o rosto, canalizei todo o meu nojo por Ozai nas minhas palavras, chamei a mulher da minha vida de "passatempo" e "escória" para garantir que ele não visse valor nela. Vi a esperança morrer nos olhos de Katara, mas não hesitei. Entregá-la aos guardas foi a atitude mais cruel e altruísta que já tomei.

Cumpri o meu papel. Fui o escudo.

Sentei na cadeira de extração banhado no meu sangue e no de Ozai, a morte rápida dele foi uma misericórdia; se pudesse, eu o teria torturado por anos. Mas o fim precisava ser rápido.

Quando a luz dimensional começou a me consumir, olhei para o rosto banhado em lágrimas de Katara, meu peito se apertou. Eu queria mais tempo, queria construir uma vida inteira ao lado dela, mas abracei a morte de bom grado, porque o meu sacrifício era a única garantia de que ela teria um futuro.

Eu esperava o vazio. Esperava o fim.

Mas o universo é um ciclo cruel e perfeito.

Quando abri os olhos novamente, eu não estava morto, eu tinha voltado dez anos, para o dia em que Aang desapareceu. A energia da cadeira de extração não me obliterou; ela me usou como um contrapeso para o rasgo no espaço-tempo.

Meu instinto foi consertar tudo. Eu abandonei o Império e fui direto para ela, nós ficamos juntos, nos tornamos um casal e eu conheci a felicidade absoluta, mesmo em meio à guerra. Lutei abertamente contra o Império, não matei meu tio e nem a Azula.

Mas tudo foi para casa do caralho.

Saber do passado não mudou nada. Ao escolher ficar com Katara, o efeito cascata alterou o destino, e o mundo sucumbiu em meses em vez de anos. Azula assumido o manto de Primeira Comandante, tendo Mai ao seu lado, e eu a vi assassinar o nosso tio a sangue frio. E quando finalmente fomos encurralados pelo Império, fui obrigado a assistir a Katara se sacrificar para nos salvar, morrendo bem na minha frente.

Quando aquela linha do tempo ruiu e a anomalia me puxou de volta para este exato dia em que Aang desapareceu, a verdade mais aterrorizante de todas me atingiu: para ter a chance de mudar o futuro e ficar com a minha Katara, eu precisava recriar o passado.

Se eu mudasse uma única vírgula, se eu não me tornasse o Executor do Império, o destino cobraria o seu preço: nós nos apaixonaríamos, sim, mas ela morreria no final.

Então, eu abracei as sombras. Por dez anos inteiros, cacei rebeldes. Queimei acampamentos. Cada ato atroz rasgava a minha alma, mas eu os executava com frieza, mantendo a linha do tempo exatamente como ela precisava ser.

E, por dez anos, eu nunca cheguei perto dela.Pois se eu a visse... se eu visse seu rosto, eu sabia que não aguentaria. Eu cairia de joelhos e imploraria pelo perdão dela, eu estragaria tudo.

Então, eu fiquei nas sombras, observando de longe.


─── ❖ ── ✦ ── ❖ ───

E agora, o ciclo finalmente estava completo.

Ali estavam eles. Sokka estava agachado ao lado dela. E eu, a olhava sob a máscara com o coração acelerado, o pensamento inevitável escapou: "Como eu senti saudades de olhar seu rosto de perto!"

Durante todos esses anos, eu a monitorei por drones e acabei me tornando um maldito stalker, mas foi apenas por isso que ela e Sokka nunca foram pegos; ou era disso que eu tentava me convencer. Eu os protegia das sombras, apagando seus rastros e desviando as tropas.

Mas vê-la ali, frente a frente... caralho, era dolorosamente real.

O meu plano era simples e suicida: eu apenas seguiria exatamente o que aconteceu antes. Sokka ficaria para trás, mas eu sabia que ele ficaria bem. Uma vez na outra realidade, a sós com ela, eu arrancaria a máscara e explicaria tudo. Explicaria que eu era o Zuko dela.

Parei a poucos metros de distância. Preparei-me para o ódio nos olhos dela, para as lanças de gelo e para as maldições, mas ela não atacou.

Os braços de Katara tremeram e a água que rodopiava ao redor dela perdeu a força e caiu. Os olhos azuis dela, os mesmos olhos que me assombraram e me guiaram por uma década inteira, estavam arregalados.

— Katara! O que você está fazendo?! — Sokka gritou, em pânico com a guarda baixa dela.

Ela deu um passo na minha direção e seus lábios se moveram, sussurrando um nome que o vento quase engoliu.

Zuko...

Meu coração parou.

"Ela se lembrava? Eu teria tanta sorte assim, depois de toda a merda que fiz?"

Quando ela levou a mão trêmula ao pescoço, segurando o colar que ainda estava ali, eu tive a minha resposta. O colar que eu havia moldado com pedra vulcânica da sala de extração, impregnado com a radiação da fenda. Ele não era apenas um presente de despedida; eu havia rezado aos espíritos para que ele servisse como uma âncora, para proteger as memórias dela se a linha do tempo retrocedesse.

Foi um tiro no escuro, uma possibilidade que Sokka havia comentado comigo e na qual eu me agarrei com desespero. Mas, no fundo, eu não tinha esperanças de que funcionaria, pois a Katara que encontrei logo após o meu primeiro salto temporal, não estava com o colar e não se lembrava de absolutamente nada.

Porém, essa Katara estava com o colar, e eu mal podia acreditar: era ela.

Levei as mãos ao rosto e arranquei a máscara, Katara soltou um soluço embargado e correu, não se importando com Sokka gritando o nome dela. Ela se jogou contra o meu peito com uma força que quase me derrubou.

Meus braços a envolveram, apertando-a contra mim com desespero. Enterrei o meu rosto na curva do pescoço dela, sentindo o cheiro da pele, o calor do corpo, a realidade absoluta de que ela estava ali. Eu estava tremendo. Nós dois estávamos.

Zuko — ela soluçou, mas o alívio rapidamente deu lugar à fúria. As mãos dela que antes me abraçavam, fecharam-se em punhos e começaram a socar o meu peito com força. — Seu idiota! Você me deixou! Me fez assistir enquanto você desaparecia na minha frente! Eu te odeio por ter feito aquilo, Zuko! Pelos espíritos, eu te amo tanto, mas eu estou com tanta raiva de você!

Aceitei cada golpe, segurando os pulsos dela com delicadeza antes de puxá-la de volta para mim em um abraço apertado.

— Me perdoe — sussurrei, as lágrimas que segurei por uma década finalmente caindo. — Me perdoe, meu amor. Eu passei dez longos anos sentindo a sua falta, morrendo todos os dias por não poder chegar perto de você. Eu te amo demais, querida. E eu juro... eu nunca mais vou soltar você.

Levantei o rosto dela e tomei a boca dela na minha, foi um beijo desesperado, faminto, minhas mãos desceram pela cintura dela, apertando-a contra o meu corpo com urgência. Dez anos de celibato, de noites em claro imaginando o toque dela, explodiram em minhas veias, eu queria devorá-la ali mesmo, arrancar suas roupas e provar que ela era real, mas...

— ALGUÉM PODE, POR FAVOR, ME EXPLICAR QUE LOUCURA É ESSA?!

O grito histérico de Sokka nos fez separar, embora eu ainda mantivesse Katara firmemente presa a mim. Meu olhar o encontrou, Sokka segurava o bumerangue no alto, o maxilar caído, alternando o olhar entre mim e a irmã.

— Katara! Sai de perto dele! É algum truque mental! Ou então eu adormeci... ou eu morri, porque nada disso faz o menor sentido! — Sokka balbuciou, completamente atônito.

Katara riu, uma risada pura, e encostou a cabeça no meu peito.

— Ele não é o Executor do Império, Sokka — ela respondeu, com a voz embargada. — Ele é... ele é o meu escudo. E nós temos muito para te contar.

Conversar? Onde? No mundo dos espíritos? Porque nós temos que abrir isso e pular, Katara! O Império está atrás de nós! O cruzador dele está cheio de soldados! — Sokka disse, apontando para mim.

Olhei para a fenda ainda fechada. Katara já estava nos meus braços; nós não precisávamos mais atravessar, tampouco precisávamos abrir a fenda. Rezei para que o nosso futuro estivesse finalmente a salvo, restava apenas consertar o presente.

Dei um sorriso de canto e ergui a minha mão livre, revelando um pequeno dispositivo com um único botão no centro.

— Não há inimigos no cruzador, Sokka — eu disse, com a voz calma. — E nós não precisamos abrir a fenda para vencer essa guerra.

Katara ergueu o rosto para mim, franzindo a testa em confusão.

— Zuko, do que você está falando?

Toquei o rosto dela, acariciando a pele macia com o polegar.

— Eu tive dez anos para planejar tudo, amor — expliquei. — Vocês acham que eu deixaria a vitória para a sorte? Antes de trazer o cruzador para este desfiladeiro, evacuei a capital e tranquei Ozai em um lugar especial. O Ministério do Progresso inteiro, até as fundações, está forrado com explosivos.

Os olhos de Sokka quase saltaram das órbitas.

— Você... você prendeu o Senhor do Fogo? — Sokka gaguejou.

— A guerra acaba hoje — eu afirmei, erguendo o dispositivo.

Sem hesitar, pressionei o botão. Não houve barulho imediato, pois o Ministério estava a centenas de quilômetros de distância, mas, em algumas horas, o mundo saberia que a ameaça havia acabado.

Sokka sentou-se no chão, passando as mãos no rosto.

— Eu não entendo nada, absolutamente nada. Mas acho que... nós vencemos? — Ele suspirou, derrotado pela própria confusão.

Puxei Katara para mais perto.

— Sim, Sokka. Nós vencemos — eu respondi, mas meus olhos estavam inteiramente focados na mulher em meus braços.

Katara sorriu, levantando-se na ponta dos pés para sussurrar contra os meus lábios.

— Bem-vindo de volta, Comandante.

Fechei os olhos e a beijei, sabendo que, finalmente, eu estava em casa.

Envolvi minha capa ao redor dos ombros dela para protegê-la do vento e a guiei em direção à rampa do cruzador. E, caralho, eu ia trancar a porta da minha cabine e garantir que Sokka não nos atrapalhasse.

Notas finais
"A guerra acaba hoje." Deixe aqui seu comentário sobre o surto absoluto que foi ver o Zuko apertando aquele botão e revelando que passou dez anos preparando a armadilha perfeita para destruir o Ozai sem que a Katara precisasse morrer! Não se esqueça de favoritar, comentar e acompanhar a fanfic! São essas pequenas ações que ajudam a plataforma a recomendar a história para novos leitores. Nos vemos no próximo capítulo! ─── ❖ ── ✦ ── ❖ ─── Ainda não quer sair desse universo? Me acompanhe no TikTok para ver a estética dos personagens, spoilers e descobrir quando sai o próximo capítulo! Siga: https://www.tiktok.com/@ismrf_author