Ponto Final...
2 Sussurros Fatais
Em uma noite fria por conta da neblina, foi quando tudo começou...
Finalmente iria colocar meu plano em ação, e todos os segredos daquela casa iriam ser revelados, inclusive o que me envolvia.
Estava em meu quarto quando ouvi o barulho do carro de Charles, ele havia chegado. Junto a ele estava seus dois filhos gêmeos Bernardo e Benjamin. Estavam animados, entraram em casa e ficaram no andar de baixo, na sala, conversando. Desci as escadas com passos leves e silenciosos, fiquei no corredor próximo a porta da sala ouvindo a conversa, esperando a hora certa para acionar meu plano.
— A empresa filho? Está péssima. Pietro está bravo comigo inclusive, não consegui o dinheiro para pagar ele.
Coloquei o olho pela fresta da porta, Charles falava com um copo de conhaque na mão, sentado na poltrona próxima à porta que dava para a piscina da casa.
— Complicado, ainda mais quando se tem um filho desumilde e metido — Benjamin alfinetou Bernardo, como sempre.
Benjamin e Bernardo não tinham uma boa relação, viviam brigando e discutindo, principalmente pela herança de seu pai.
— Não é mesmo Bernardo?
— O furado falando do rasgado não é mesmo? Até agora pouco estava falando que não via a hora de pegar a sua parte da herança, se é que vai ficar para você...
Bernardo se levantou, pegou suas coisas e veio em direção à porta que eu estava. Gelei. A minha sorte foi que Charles emendou outra frase, fazendo seu filho retornar para prestar atenção dando tempo para eu ir em direção à cozinha.
— Parem com isso, não irei morrer tão cedo, pode ter certeza. Até lá se preocupem com outras coisas
Escutei de longe a frase de Charles, e tive que segurar a risada, pois felizmente, estava mais perto do que ele imaginava.
Charles, Benjamin e Bernardo iam subindo para seus quartos, quando o telefone de Benjamin tocou, ele atendeu:
— Sim, já cheguei!- Disse ele, que parou no meio da escada enquanto seu pai e irmão entravam em seus quartos.
Ouvi sussurros que não eram de Benjamin, mas que completava o que Benjamin falava no telefone.
— Posso ir ai agora? Todos já estão dormindo?
Ouvi o sussurro mais perto da onde estava, comecei a pensar nas hipóteses de quem poderia ser, já que Benjamin só pensava no trabalho.
— Sim, claro, estão sim.
— Estou indo.
— Ok, tchau. –
Benjamin desligou o telefone, e só consegui ver um vulto passando pela janela da cozinha da onde estava seguido por um sussurro:
— Hoje eu finalmente me torno rica...
Sai no quintal à procura da pessoa, queria saber quem era e o que queria. Deixei a porta aberta, procurei, procurei e finalmente achei algo estranho: uma cartela de veneno com apenas um destacado. Olhei para cima e vi duas silhuetas na janela do quarto de Charles, uma se aproximava da outra, e essa se afastava, vi que a porta que deixei aberta estava arreganhada.
Corri para o andar de cima, parei em frente a porta do quarto de Charles e ouvi apenas o suficiente para decifrar o que a pessoa queria:
— Seu dinheiro, se não eu conto tudo que sei para seu filho, e ele não vai gostar nada de tudo o que tenho pra dizer.
A voz estava abafada, provavelmente a pessoa estava com mascara ou touca de bandido.
— Toma, eu te dou um pouco do que tenho, mas não fala nada para ele!
— Não quero um pouco, quero tudo e eu vou conseguir.
Vi que a pessoa vinha em direção a porta corri para meu quarto e fiquei observando para descobrir quem era. Quando a pessoa saiu não tive certeza, mas uma grande suspeita veio em minha mente. A pessoa desceu as escadas e foi embora, infelizmente, foi o que pensei.
Na manhã seguinte, Charles acordou morto. Causa da morte: envenenamento...
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