Ponto De Vista
1 Ponto de Vista
Notas iniciais
E oneshots são legais, a pessoa nunca vai poder reclamar que você não terminou. huAUHAuhaUHAuha XD
Mais informações sobre Billy e Julie, ler a minha fic "Convívio"
Fazia uma semana desde que Andrew havia conhecido William — ou melhor, Billy, ele odiava não ser chamado pelo apelido. O garoto magricelo de 18 anos se aproximara dele numa feira de games. Nem ele próprio sabia o porquê, mas se interessou pela mente louca do garoto quando ele disse que estava tentando montar uma máquina do tempo, com um carrinho de supermercado.
Billy era loiro, com os cabelos bem bagunçados, usava óculos fundo de garrafa, tinha olhos castanhos, e usava roupas tipicamente nerds. O que o fazia ter ainda mais certeza de que ele era meio louco. Ou talvez até totalmente. Andrew era programador e hacker, e por conta disso, o garoto achava que ele seria a ajuda ideal para seu projeto. Estavam a caminho da casa dele, quando o loiro lembrou-se de que havia esquecido seu notebook em algum lugar cujo nome não prestou atenção. A caminhada não fora muito longa, felizmente.
— Chegamos. — Ele anunciou, animado. O hacker, entretanto, sentiu-se obrigado a parar e encará-lo nos olhos logo após ter lido o nome na enorme placa neon.
— “Devil May Cry”? Que tipo de lugar é esse? — Ele arqueou uma das sobrancelhas. O letreiro parecia de puteiro, apesar da estrutura do lugar claramente apontar que não era um. E também não parecia um restaurante. Talvez fosse um bar ou algo do gênero, mas a pessoa à sua frente não parecia um frequentador de bares.
— Ah, não precisa ter medo. Apenas venha! — Fez um sinal com a mão para que ele viesse logo, e abriu a porta. Andrew coçou a nuca e o seguiu, receoso.
A primeira coisa que viu assim que entrou, foi um homem sentado atrás de uma mesa, com os pés em cima do móvel. Ele tinha uma revista em cima do rosto. Quando finalmente analisou suas roupas, teve quase certeza de que era um cosplayer. Mas por que ele estaria dormindo com aquela roupa? Só se ele estivesse realmente muito cansado de algum evento.
— DANTE! — Billy gritou, fazendo o homem resmungar. Ele foi até a mesa e apoiou-se sobre o móvel. — Dante, eu esqueci meu notebook aqui, hoje mais cedo. Você viu? — O homem tirou a revista de cima de seu rosto e olhou para o nerd como se estivesse prestes a assassiná-lo. Ele nem se afetou.
Andrew, entretanto, estava com os olhos arregalados. Aquele, com certeza, era o cosplay mais foda que já havia visto em sua vida, o cara tinha até pintado o cabelo de branco! Isso exige uma dedicação além dos limites!
— ... Qual o problema do seu amigo? — Quando voltou ao mundo real, notou que Dante estava com uma das sobrancelhas arqueadas, e ele automaticamente ficou sem graça, notando que o homem havia percebido seu espanto.
— VOCÊ É O COSPLAYER MAIS FODA QUE EU JÁ VI! — Gritou repentinamente, e arrependeu-se logo em seguida. Billy o encarava com os olhos arregalados, como se o mandasse calar a boca, e o homem de cabelos brancos franzia o cenho.
— Como é que é? — Perguntou, parecendo confuso. — Quer dizer, que eu sou foda, eu sei. Mas você me chamou do quê?
— ... Cosplayer. — Repetiu lentamente, e o garoto ao seu lado parecia rezar para todos os santos e Deuses que existiam em todas as religiões. Não entendeu seu desespero, o cara era alto, certo. Era bem musculoso, certo. Um soco seu provavelmente faria um bom estrago, certo. Mas cérebro sempre vencia músculos... Certo? Sem contar que todas aquelas armas atrás dele deveriam ser cênicas...
— Eu não faço ideia do que você tá falando. — E olhou Andrew como se ele fosse algum louco. — E pirralho, pergunte pra sua prima, porque eu não vi nada.
— E cadê ela? — Antes que o outro pudesse responder, uma mulher desceu as escadas. Ela era um pouco mais alta que a média, branca e com os olhos verdes. Seu cabelo era castanho, longo e repicado. Usava uma regata branca por baixo de um colete de couro negro, legging jeans escura e botas de couro negro de cano e salto alto.
— Tá aqui seu notebook. Mesmo que eu estivesse na Inglaterra, eu teria ouvido seu berro. — Respondeu à pergunta muda do garoto, meio que rindo. O hacker sentiu seu coração derreter ao ver seu sorriso.
— Obrigado, prima! — Ele a abraçou. — Ah, esse é o meu amigo, Andrew!
— Prazer. — Ela esticou a mão em sua direção, e ele automaticamente sentiu a necessidade de ajeitar sua postura antes de apertá-la. — Julie.
Ele tentou responder, mas sentia que iria gaguejar caso o fizesse, porque a única coisa que ele conseguia fazer era olhá-la nos olhos, boquiaberto. Por uma fração de segundo, acabou olhando na direção do homem de cabelo branco, e notou estar recebendo um olhar mortal. Sentindo a necessidade de desafiá-lo, levou seus lábios até a mão da morena.
— Acho que você é o primeiro cavalheiro que passa por aqui em anos. — Comentou, e Dante girou os olhos.
Andrew sorriu. Pensou até que teria alguma chance. Quer dizer, ele não era de se jogar fora. Não era magricelo como o loiro ao seu lado, mas também estava longe de ser musculoso. Tinha cabelo castanho escuro, e olhos cor de mel atrás de seus óculos com armação preta.
Pensando bem, era melhor confiar apenas em sua inteligência.
— Eeenfim, acho melhor irmos logo pra casa, Andrew. — Ele deu um sorriso amarelo e o arrastou para fora da loja. Quando aproximaram-se da porta, mais duas mulheres entraram no local: uma loira e uma morena. E então teve certeza que se tratava de cosplayers, uma delas até usava lente de contato vermelha em um dos olhos! Sem contar que eram inacreditavelmente gostosas.
— Uau. — Deixou escapar, analisando-as de cima a baixo. Billy deu-lhe um puxão, e quase caiu em um dos degraus. Talvez aquela “Devil May Cry” não passasse de um lugar para uma reunião semanal de RPG de mesa.
Uma semana depois, Andrew caminhava calmamente pelas ruas, apesar da madrugada fria e o estranho silêncio. Estava com as mãos no bolso, cantarolando uma música qualquer, imaginando o quão bom seria chegar em casa e jogar seu corpo cansado sobre a cama após um bom banho.
Até que ouviu um barulho. Mais precisamente, um rosnado. Não parecia um cachorro, nem qualquer outro tipo de animal, mas algo... Sobrenatural. Ele olhou ao redor desesperadamente, e imaginava se a situação ficaria pior caso decidisse sair correndo. Sem opções, decidiu arriscar.
Não percorreu nem quatro metros quando sentiu algo segurar seu tornozelo direito. Faltou-lhe coragem para olhar, principalmente ao sentir as enormes garras. Seu tornozelo foi puxado para trás e caiu pesadamente no chão, batendo o queixo. Então, sentiu seu corpo ser arrastado e as garras rasgarem sua carne. Respirou fundo e decidiu tentar enxergar seu predador, soltando um grito de puro horror ao conseguir.
Era um monstro. Tinha um corpo magro, humanoide, e tinha longos braços e pernas. Sua pele era de um vermelho desbotado, seus olhos brilhantes e amarelos, e dentes extremamente longos e afiados. Ele parecia sorrir, satisfeito com seu sofrimento. O humano gritou novamente, como se aquilo fosse espantar a criatura. Porém, o deixou ainda mais feliz. Puxou seu tornozelo para cima, o deixando de ponta cabeça, com seus olhos na mesma altura dos dele.
Andrew fechou os olhos, aquele era seu fim.
— Ei! — Ouviu alguém gritar atrás do monstro, o fazendo rosnar. — Nunca te ensinaram a não brincar com a comida?
— Não achei que fosse conseguir encontrar o filho do traidor tão cedo. — Ele soltou sua presa, que caiu violentamente de costas no chão, e virou-se, dando de cara com os olhos do caçador.
O humano arrastou-se, aproveitando a distração da criatura. Para o seu espanto, quem conversava com ele era ninguém mais e ninguém menos que Dante, o cosplayer conhecido de Billy. Ou melhor, o não-cosplayer.
— Quer um autógrafo? Quem sabe assim você decora o meu nome. — E sorriu, o provocando.
O demônio imediatamente rosnou e partiu para cima dele. Num movimento absurdamente rápido, o homem de cabelos brancos sacou um par de pistolas. O primeiro tiro atravessou a cabeça da criatura infernal, e em seguida houve uma chuva de tiros, até que ele caísse morto no chão, com uma enorme poça de sangue ao seu redor.
— Tudo bem aí? — Perguntou e guardou as armas. E então, olhou pela primeira vez naquela noite para o moreno, franzindo o cenho assim que o reconheceu. — ... Você é o amigo do pirralho.
— Sim! — Respondeu e levantou-se imediatamente, com medo de levar um tiro caso demorasse. — O-obrigado! — E apressou-se para pegar o caminho de volta para casa, não vendo o caçador arquear a sobrancelha com sua atitude esquisita. Apenas ouviu sua risada quando já estava a alguns metros de distância.
Prometeu a si mesmo que nunca mais cruzaria o caminho daquele cara e muito menos o provocaria.
Notas finais
O QUE O LEVA A ACHAR QUE O PESSOAL DA DMC É TUDO COSPLAYER? @_@
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