Poltrona 19

19 E daí? Eu quero a Isabelle


Notas iniciais
Oi, meus lindos! Eu sei. Eu disse que seria rápido. Eu sei. Demorou pra caralho. Mas sabe de algo que vocês não sabem? A universidade está me enlouquecendo. Juro. Eu preciso de um tempo desse curso. Aliás, eu preciso de um tempo da vida, pra respirar e organizar meus pensamentos. Concertar alguns erros. Resolver alguns problemas. Dar um jeito em tudo. Algum psicólogo por ai? To precisando de um. Se não daqui uns dias vou ter de procurar é um psiquiatra. Enfim, espero que gostem do capítulo! Estou com saudade de vocês!

O show não acabou com “Live Forever”, a banda ainda tocou mais umas três músicas e quando anunciaram o fim, a galera suplicou por mais uma, que eles tocaram. Depois eles agradeceram pela quantidade de pessoas que foram ao pub para vê-los e afirmaram que tudo aquilo era realmente muito importante para eles. Eu imagino que seja. Chuto que três em cada dez bandas conseguem a oportunidade de se tornarem bandas profissionais. Dessas três, uma não vai dar certo por causa da falta de sintonia entre os integrantes, a outra não vai ter sucesso o suficiente para se manter e apenas uma terá tudo isso e conseguirá vencer.

A pior parte é que sete dessas dez bandas foram formadas por amor à música, que levou os integrantes a terem um sonho em comum. Seis sonhos serão cruelmente destruídos. Sim, seis, porque a banda que vencerá também faz parte desse grupo. Uma banda que foi construída apenas almejando a fama – que são as três restantes –, nunca dura. Retomando, considerando que cada uma dessas seis bandas tenham cinco integrantes, trinta pessoas carregarão consigo uma decepção e serão obrigadas a trabalharem num lugar qualquer, fazendo todos os dias, algo que elas não amam. É realmente triste. A propósito, você já se perguntou quantos adultos amargurados, não são assim por sonhos destruídos pela vida?

Depois de “Live Forever” eu fiquei tão eufórica, tão entusiasmada e tão feliz, que até me surpreendi. Cantei as últimas músicas tão alto, que tive certeza de que no dia seguinte eu ficaria rouca. Minha garganta praticamente suplicava para que eu parasse de maltratá-la. Fiquei chateada pelo show ter acabado, mas eu nem tive tempo para reclamar, pois em seguida voltou a tocar músicas boas. E quando acabou, eu estava naquele estágio de bêbada que se chama “não ligo pra nada”. E foi por isso que sai andando sozinha pelo pub, rumo ao bar, coisa que eu nunca faria sóbria, por vergonha.

Cheguei no bar e pedi uma caipirinha, fiquei observando as pessoas enquanto esperava o garçom trazê-la. Tinha muito cara bonito ali, eu podia ficar com alguém. Ou não. Sinceramente to com preguiça de me envolver. Quando o garçom voltou com minha bebida, saí andando pelo pub analisando os caras e tentando tomar uma decisão, eu admiti para mim mesma que estava bêbada, quando percebi que estava cantando e dançando sozinha. Outra consequência do estágio “não ligo pra nada”. Nessa, eu acabei me esbarrando em alguém e quando fui me desculpar, percebi que era a Novata com as duas amigas que ela levou.

– Ei, olha você aqui. – disse Lorena. – Por que sumiu? Os meninos te procuraram.

– Porque queria ficar longe de você. – respondi sorrindo.

– Ta bêbada, Isa? – ela indagou assustada com minha resposta.

– Na verdade, sim. Mas acredite, eu só to falando a verdade.

– Isabelle, me faz um favor... – Novata começou a dizer, visivelmente irritada. – Aceite logo que eu faço parte desse grupo agora, que doerá menos.

– Não, você não faz.

– Eu não só faço, como praticamente já te substitui. Aliás, você já notou isso, né? – ela perguntou sorrindo irônica.

Acredito que provavelmente, no início da festa, eu teria deformado a cara dela ao ouvir aquilo. Teria explodido de raiva. Teria agido por impulso e feito muita merda. Mas eu estava me sentindo leve e feliz, e por incrível que pareça, eu apenas ri. Dei uma longa e sincera risada, que a deixou completamente confusa. Assim como suas amigas que assistiam a cena.

– Pobre Lorena. – disse balançando a cabeça inacreditada. – Entenda uma coisa, você nunca me substituirá. Sabe por que? Eu tenho personalidade própria, ao contrário de você, que praticamente acabou de entregar que tenta ser uma cópia de mim, para roubar o meu lugar. Estou lisonjeada, sério. Mas não perca seu tempo, primeiro porque você não vai conseguir ser metade do que eu sou, depois porque meus amigos me amam.

Ao terminar de falar, eu virei o resto da bebida que tinha em meu copo e estendi minha mão para ela, que pegou o copo sem entender nada.

– E me faz um favor... – pedi. – Pega esse copo e enfia no cu.

Dito isso, sai dali sorrindo satisfeita. A tal Novata é mais escrota do que eu pensava e de repente, não sinto mais a necessidade de me preocupar com ela. Eu realmente sei que ela jamais conseguirá tirar de mim, as pessoas que mais amo no mundo.

Eu sai andando rumo ao bar, disposta a pegar mais uma bebida e depois procurar meus amigos, precisava falar com eles. Porém, abaixaram o volume da música que estava tocando e uma voz me chamou a atenção. Era o vocalista da banda que tinha tocado mais cedo, novamente em cima do palco, falando no microfone. Resolvi seguir rumo ao mesmo, para saber o que estava acontecendo e ao me aproximar, vi que ele havia trocado de roupa, provavelmente por ter suado durante o show. Estava usando uma camiseta escrita “Bazinga”, a palavra mais famosa da minha série de TV preferida, The Big Bang Theory. Eu pirei na camiseta dele.

O vocalista estava usando o microfone para convidar as pessoas à se aproximarem do palco, e após conseguir isso, começou a explicar o que estava fazendo ali:

– Vocês não devem estar entendendo nada, mas eu explico. Eu vou escolher três garotas para subirem aqui no palco e dançarem uma música clássica, não há quem não a conheça. – ele anunciou – Mas a melhor parte de tudo, é que vocês vão escolher uma dessas garotas, para ser a vencedora de uma garrafa de vodka. – assim que ele terminou de dizer, ouvi gritos de aprovação por toda parte.

Naquele momento não foi eu que agi, tenho certeza que foi o álcool, mas ao ouvir "uma garrafa de vodka", com muita dificuldade, eu subi em cima do palco e fiquei em pé, causando um alvoroço no pub inteiro. De imediato um holofote de luz se virou em minha direção e eu fiquei quase cega, tive de colocar a mão na frente do rosto até me acostumar com a luz. Eu nem sabia que tinha holofote nesse pub.

– Wow, alguém parece bem disposta a participar. – disse o cara no microfone, enquanto a plateia ainda gritava. — Eu ia escolher, mas só pela atitude, acho que você ta dentro. Qual seu nome? — perguntou se aproximando.

– Isabelle. – respondi pegando o microfone para mim. O cara ficou surpreso, mas permitiu que eu prosseguisse. – Só que eu tenho uma proposta à fazer. Se eu ganhar não quero só a vodka, quero sua camiseta. – afirmei apontando para ele.

Assim que terminei de falar, devolvi o microfone pra ele e ouvi ainda mais gritos.

– Mas porra, a camiseta é minha! Tu quer que eu fique sem ela? – ele perguntou.

– Eu acho digno! – ouvi alguém da plateia gritar. Quero abraçar esse indivíduo, seja lá quem for ele.

– Dá a camiseta pra ela. – gritou outro. Tudo bem, eu quero abraçar todo mundo. Sugiro um abraço coletivo nesse exato momento.

– Ta certo, ta certo. – ele concordou. – Se você ganhar, a camiseta é sua.

Dei alguns pulinhos enquanto sorri satisfeita, mas fui interrompida por uma voz conhecida me gritando. Olhei para baixo e vi absolutamente todos os meus amigos, parados em frente ao palco, com expressões indecifráveis. Eu gargalhei. Enquanto isso o tal vocalista estava escolhendo minhas duas concorrentes.

– Você ficou louca, Isabelle? — perguntou Leticia encostada no palco e eu apenas ignorei.

Olhei para frente e avistei a multidão que estava nos olhando, gritando, rindo e totalmente animados. Eu deveria ter sentido vergonha, nervosismo ou qualquer coisa desse tipo, mas muito pelo contrário, eu me senti mais motivada ainda, me senti animada, senti a adrenalina nas veias. Sorri abertamente ao sentir a emoção de ser adolescente e fazer coisas sem medir consequências, porque esse é o momento de fazer loucuras, esse é o momento de viver intensamente. São da nossa juventude as melhores lembranças que carregamos pelo resto da vida e eu sei que essa será uma delas.

Se eu conseguir me lembrar de algo amanhã.

– Desce daí e acaba com essa palhaçada. – ordenou Arthur, chamando minha atenção novamente para eles. Olhei para ele com a maior cara de “ponto de interrogação” do mundo. Desde quando ele acha que manda em mim?

Eu ia responder, mas nem tive tempo. Bruno surgiu no meio da multidão, correndo até o palco e quando alcançou o mesmo, tentou controlar a respiração para conseguir falar.

– Eu só preciso dizer uma coisa, Isabelle... – disse Bruno pausadamente. — Eu te amo, loira! Eu te amo! – ele gritou e eu gargalhei. É, Bruno, eu também te amo.

Eu avistei Gabriel parado um pouco atrás de todo mundo, com os braços cruzados e me observando. Eu queria saber o que ele estava pensando, então sorri de modo provocativo para ele. No mesmo instante ele tirou o celular do bolso e só desviou o olhar do meu para digitar algo no mesmo. Assim que ele guardou o aparelho de volta no bolso, senti o meu celular vibrar. O peguei rapidamente e a mensagem era a seguinte: “Se você ganhar essa garrafa, eu te pago outra”.

Eu nem sequer respondi a mensagem, apenas guardei meu celular e olhei para o lado avistando minhas concorrentes. Uma ruiva baixinha e uma morena cheia de tatuagens legais. Ouvi o vocalista dizer que escolheu três garotas com cabelo diferente propositalmente, bem espertinho ele. As duas eram bem bonitas e pareciam legais. Lamento, agora era uma questão de dignidade. Eu ganharia essa merda a qualquer custo.

– Prontas? – perguntou o cara. Nós assentimos e então ele colocou o microfone de volta no pedestal e se direcionou até a lateral do palco.

Ouvi "I love Rock and Roll" da Joan Jett começar a tocar e imediatamente gargalhei. Ele não brincou quando disse que seria uma clássica. Eu tentei raciocinar o mais rápido possível, enquanto as outras garotas já começavam a dançar ao som da música e os gritos da multidão aumentavam, porque sinceramente, não esperava conseguir ganhar apenas dançando. Seria uma questão de “quem é a mais gostosa?”, na hora de escolher a vencedora. E nem bêbada eu tenho o ego grande o suficiente para pensar que seria escolhida.

Então uma ideia genial surgiu em minha cabeça. Primeiro eu corri até a beirada do palco e tomei da mão da Leticia um copo que esta estava segurando, virei a bebida de uma vez, sem nem me preocupar com o que era e depois me direcionei até o pedestal, me posicionando em frente ao microfone. Foi nesse momento que pensei que talvez, essa não seja uma ideia tão genial assim, mas prossegui. Comecei a cantar junto com a música e foi o momento em que os gritos ficaram mais altos. No início minha voz falhou, mas eu me mantive firme quando percebi que as garotas me fuzilaram com o olhar. Eu estava raciocinando certo.

Taquei o copo num canto qualquer e segurei o microfone em minhas mãos continuando a cantar. Era simples, eu precisava de confiança e determinação, tudo era uma questão de ganhar o público. Então reuni toda minha coragem, sorri abertamente e nem acreditei no que estava acontecendo, mas eu cantei e dancei na frente de todas aquelas pessoas. A única vez que cantei na frente de alguém foi numa apresentação da escola na segunda série, fora isso, só meu chuveiro presenciava meus shows, mesmo que eu adorasse cantar. E dançar, bom, eu realmente só faço isso bêbada.

Eu consegui a atenção da plateia para mim e surtei de euforia quando estiquei o microfone para eles e estes cantaram ainda mais alto. Meu dia de rock star, realmente hilariante e inesquecível. Cheguei a roubar o copo de várias pessoas durante a apresentação, que não reclamaram. Eu me senti tão feliz que queria gritar que aquele era a porra do dia mais feliz da minha vida.

Quando a música acabou comecei a pular de tanta euforia, ouvindo gritos, assovios, palmas e tudo mais. Olhei para minhas concorrentes e soube pela expressão delas que eu havia ganhado aquela porra. Gargalhei bem alto, enquanto o vocalista se aproximava de mim. Estava tão distraída curtindo o momento e observando as pessoas, que demorei a perceber que ele estava em pé ao meu lado esperando que eu lhe entregasse o microfone. É claro que eu ri disso, porque eu estava rindo de tudo, mas entreguei o microfone para ele.

– Surpreendente. – disse o cara no microfone. – Estou impressionado, sério. Achei que foi jogo sujo, sabe, mas tudo bem. – completou olhando pra mim. Eu ri novamente. – Vamos lá, pra escolher a vencedora vai ser bem simples, eu vou dizer o nome da concorrente e vocês fazem barulho. A que causar o maior alvoroço, ganha.

Ele começou pela ruiva, dizendo o nome dela que só então eu descobri ser Maria Clara, pois não estava prestando atenção quando elas subiram no palco. Fizeram muito barulho e aí eu abaixei a bola, já tava me dando por vencedora, mas talvez não ganhasse nada. Quando ele disse o nome da segunda, Bruna, o barulho foi menor. E quando ele se aproximou de mim meu coração quase saltou pela boca, mas ao anunciar meu nome e ouvir o barulho extremo causado no pub, eu suspirei aliviada enquanto batia palmas e pulava de animação.

– Acho que temos uma vencedora... Isabelle! – anunciou o vocalista.

Um cara surgiu no palco trazendo um balde de gelo com uma garrafa de vodka e eu surtei, mas antes dele me entregar o mesmo, o vocalista voltou a falar no microfone.

– Bom, negócio é negócio. Deixa eu cumprir minha parte. – disse e entregou o microfone para o mesmo cara que estava segurando o balde.

Então, ele retirou sua camiseta causando mais gritos do que eu e as outras duas garotas conseguimos juntas. Reforçando: juntas. Eu nem estava me lembrando que exigi sua camiseta, mas me senti feliz por: 1) Estar ganhando a camiseta; 2) Estar vendo aquele cara sem camisa. Puta que pariu, que visão do paraíso.

– Eu deveria te desclassificar do jogo. – ele disse me olhando. – Era pra dançar e não cantar também. Você trapaceou! E eu adoro essa camiseta!

– Você não faria isso. – respondi rindo e ele estendeu a camiseta para mim, mas quando fui a pegar, ele não entregou.

– Então, Isabelle, qual a chance de você ficar comigo? – ele perguntou me surpreendendo. Demorei um bom tempo para digerir a informação e responder.

– Quase nulas. – respondi. – Não curto muito essa pergunta, prefiro caras de atitude.

Ele entendeu o recado, porque se aproximou de mim e me beijou. Me beijou na frente de todo mundo. Eu esperava que nós descêssemos do palco, tivéssemos uma conversa maneira e ai quem sabe rolasse. Ou não. Eu só esperava que saíssemos dali e nos pegássemos em outro lugar, não em cima de um palco. O engraçado é que eu não fiquei com vergonha por cantar na frente daquela gente toda, não fiquei com vergonha por dançar na frente daquela gente toda... Mas me senti completamente constrangida por ser beijada na frente daquela gente toda. Só que de jeito nenhum deixei de corresponder.

Quando finalizamos o beijo, peguei minha camiseta e sem dizer nada, corri até o cara com o balde de vodka e o peguei, então me virei para trás e apenas gritei “a gente se vê por aí”, antes de descer por uma escada na lateral do palco. O vocalista cujo nem sequer soube o nome, ficou parado no lugar sem entender, mas depois riu muito. Acho que as pessoas devem pensar que sou completamente louca. Talvez eu realmente seja.

Corri até meus amigos e praticamente pulei sobre Leticia, envolvendo-a em um abraço.

– Você é louca, Isabelle! – afirmou Leticia rindo. – Você sabe que isso vai estar no youtube amanhã, né?

– Foda-se, eu sou demais! – respondi gritando.

– Sim, você é, porque você pegou o vocalista maravilhoso. – intrometeu Amanda. Sem soltar meu precioso balde, a puxei para se juntar ao meu abraço com Leticia. Eu estava rindo muito.

– Amo tanto vocês. – gritei. – Vocês são as melhores amigas do mundo!

– Achei que estivesse grilada com a gente... – disse Leticia desfazendo o abraço.

– Coisa boba, passou. Sabe por que? Porque nada nesse mundo vai separar nós três, nada! A gente é tipo as três espiãs demais, entendeu? As meninas super poderosas. As panteras. – disparei a falar enquanto elas gargalhavam.

– Ela está muito bêbada. – ouvi Arthur comentar e olhei para o lado. Ele e os meninos estavam parados ao nosso redor, observando a cena.

Entreguei o balde com a garrafa e pedi para Leticia o segurar, então fui até Arthur e o envolvi num abraço tão forte, que ele ficou nitidamente surpreso.

– Eu te amo, Arthur. – gritei praticamente pendurada em seu pescoço. – A gente vai casar um dia, porque você é o melhor dos melhores. Você me deixa louca as vezes, mas eu te amo. – disse e o dei um beijo no rosto.

Sem nem sequer deixá-lo responder, o soltei e me joguei sobre a próxima vítima, que foi Leandro. Gritei que o amava e o agradeci por ser tão compreensível. Depois abracei Alexandre e disse que o amava por ser a pessoa mais fofa do universo. Mas foi na vez de Pedro que todo mundo chorou de rir pelo que eu disse.

– Eu te amo por ter me dado meu primeiro orgasmo, tenha certeza que eu jamais me esquecerei disso. – disse o enchendo de beijos no rosto.

Eu estava tão eufórica, que não deixei ninguém responder e quando me soltei de Pedro, corri direto até meu segundo grupo de amigos, deixando o primeiro ainda em gargalhadas por minha confissão. Bruno percebeu o que estava acontecendo e abriu os braços para que eu o abraçasse, mas se existe alguém capaz de te roubar a fala, esse alguém é ele.

– Você ganhou. Caralho, você tava muito sexy. Você cantava e dançava e nossa, eu fiquei até excitado. Você é muito foda. – Bruno disparou a falar antes de mim, me deixando apenas a opção de rir enquanto ouvia. Preciso de mais gente assim na minha vida, gente que entenda minha mania de agir por impulso.

– Eu te amo, Bruno, porque você é louco e faz parecer que minhas maluquices são normais. – respondi.

Eu soltei Bruno e abracei forte Carol, que devolveu o abraço com a mesma intensidade.

– Eu te amo por ser você, por ser igual a mim, por também ficar loucamente bêbada e por muitas outras coisas. – afirmei e desfiz o abraço na intenção de seguir com o objetivo.

Ao me soltar de Carol puxei Gustavo para um abraço e ele se sentiu completamente surpreendido, mais do que qualquer outro. Mesmo que tenha percebido o que eu estava fazendo, ele provavelmente não imaginava que seria uma das vítimas, pois me abraçou de volta de um jeito completamente desengonçado.

– Eu te amo por ser tão único, por me fazer sentir parte de vocês. De verdade, Guga, você é um cara especial.

Ao terminar de dizer, percebi que ele se sentiu mais seguro para me abraçar e até me senti mal por ter que o soltar, mas o fiz e ele estava sorrindo. Então me joguei impensadamente sobre a última pessoa, Gabriel. Envolvi meus braços em seu pescoço e o abracei muito forte, sorri ao sentir seus braços envolvendo minha cintura, mas me senti tensa no momento em que abri a boca para dizer algo. Seria constrangedor dizer qualquer coisa à ele e na verdade, eu nem sabia o que dizer. Ele começou a rir e eu consequentemente também.

– Você está me devendo uma garrafa de vodka. – lembrei.

– Você está me devendo uma declaração. – rebateu Gabriel.

Respirei fundo e tentei formular algo coerente, mas resolvi apenas falar o que viesse à tona.

– Eu te amo por não ter me zuado pelo meu jeito estabanado, por ter me apresentado sorvete de ninho trufado e dado um novo significado à Live Forever. Por ter me embebedado várias vezes e ter curado minha ressaca. Por ter amanhecido na porta da minha casa ou dentro da minha casa. Por ter me apoiado em um momento difícil e fazer parte das minhas últimas melhores lembranças. Ah, também por ser estranho e inconstante de um jeito incrivelmente atraente.

– Definitivamente não sei se te conhecer foi algo bom ou ruim. – respondeu Gabriel.

– Retiro o que eu disse. – retruquei e ele riu.

– Você é especial, Isabelle. – afirmou. – Agora vamos buscar sua vodka.

Fiquei completamente chateada por ter de desfazer nosso abraço. Quase disse algo como: Não, deixa essa vodka pra lá, fica aqui me abraçando mesmo, que seu perfume ta me causando o mesmo efeito da vodka. Mas não disse, apenas o soltei e corri até Leticia em busca do meu prêmio.

Nós fomos até o bar e o pessoal nos seguiu, Gabriel comprou a prometida vodka e colocou no mesmo balde que estava a que eu ganhei. Eu poderia ser egoísta, sair correndo com as duas e beber sozinha. Acho que qualquer bêbado na minha situação faria exatamente isso. Mas eu não sou egoísta – e tenho a consciência de que eu entraria em coma alcoólico –, então pedi um copo para cada um de meus amigos e os servi.

– Concordo com o Bruno. – disse Gabriel enquanto eu enchia seu copo.

– Concorda com o que? – perguntei confusa.

– Foi sexy e excitante. – afirmou. – Mas precisava daquele final?

Dito isso ele saiu de perto. Meu cérebro estava lento para raciocinar sobre qualquer coisa e eu demorei a entender do que ele estava falando. Primeiro ele se referiu à minha apresentação. Depois, ao meu beijo com o vocalista.

Me encostei no balcão e comecei a observar as coisas ao meu redor. Meus dois grupos de amigos meio separados, meio juntos. Gabriel e Arthur estavam visivelmente ignorando a presença um do outro, mas sorri satisfeita ao ver que pelo menos, eles estavam se esforçando para não estragarem tudo. Gabriel estava conversando com Leticia e Amanda, fiquei completamente surpreendida com isso. Leticia nunca mediu esforços para deixar claro sua apatia por ele e agora estavam conversando civilizadamente.

Carol e Gustavo estavam numa conversa entre si e Bruno estava no meio dos meninos. Isso me surpreendeu muito mais. Bruno conversando com Pedro, Alexandre, Leandro e Arthur. Todo mundo sabe que o Gabriel e o Arthur se odeiam e todo mundo também sabe que o Bruno é o melhor amigo do Gabriel, logo, o Bruno conversando com todos eles foi informação demais pra minha cabeça.

Não pude deixar de sorrir ao pensar que a melhor parte de tudo, era que Lorena não estava ali. Eram apenas eu e as pessoas mais importantes da minha vida. Quando exatamente Carol, Gustavo, Bruno e Gabriel se tornaram parte delas, eu não sei, mas tenho certeza que se eles não estivessem ali, nada estaria completo.

Acabamos rapidamente com a primeira garrafa de vodka e me assustei quando percebi que a segunda também já estava no fim. Eu que fiquei vigiando elas o tempo inteiro, acabei bebendo muito mais que todo mundo. Talvez isso tenha influenciado para o grau alcoólico em que eu fiquei. E qual foi ele? Eu estava sentada em um dos bancos do bar, quando resolvi ir sozinha ao banheiro. Eu quase caí no momento em que fiquei de pé e em literalmente todas as vezes que dei um passo. Eu queria arrancar meus sapatos de qualquer jeito, mas não podia. Custei achar o banheiro, esbarrei em diversas pessoas e não estava sequer enxergando direito, mas a pior parte foi quando eu saí do banheiro. Eu me encostei na parede do lado de fora e fiquei paralisada, porque eu realmente não sabia como voltar ao bar e nem tinha condições para isso.

Fiquei olhando para as pessoas com a cabeça totalmente vaga. Se me perguntassem meu nome naquele momento, acho que eu demoraria muito tempo para conseguir lembrar. Pensei em pedir ajuda para alguém, mandar chamar algum de meus amigos ou qualquer coisa desse tipo, mas graças aos deuses olimpianos, ouvi a voz de Bruno perto de mim.

– Ta tudo bem, loira? – ele perguntou segurando meu rosto.

– Eu to muito bêbada, Bruno, extremamente bêbada. Ta tudo tão... insano. – respondi fechando meus olhos e encostando a cabeça na parede. Ele riu.

– Repara uma coisa... – pediu Bruno. – Em como as luzes ficam mais vivas. – Quando ele disse isso abri os olhos e olhei para cima, as luzes do pub realmente pareciam mais vivas, mesmo que estivessem embaçadas. O vermelho estava tão lindo que eu queria alcançá-lo, tanto é que levantei a mão numa tentativa falha de fazer isso. – Repara também em como tudo parece mais lento, como se o mundo estivesse em câmera lenta, como se te pedissem pra ir mais devagar com tudo na vida. – Eu olhei ao redor e percebi que cada vez que mexia minha cabeça, era como se minha visão demorasse a se adaptar ao local, como se eu virasse a cabeça para direita e apenas cinco segundos depois eu realmente enxergasse o que estava a minha direita. Era como se tudo estivesse realmente mais lento. Um mundo em câmera lenta, uma vida em câmera lenta. – Ouve a música e perceba como você consegue a sentir melhor. – Estava tocando "Psycho Killer"e eu realmente conseguia senti-la, sentir o peso de cada acorde sobre mim e o impacto de cada palavra.

Eu olhei para Bruno e estávamos tão próximos, que agindo por impulso, selei nossos lábios. Foi nesse momento que percebi que meus sentidos estavam todos aguçados. Eu agarrei a barra de sua camiseta e o puxei para mais perto, preenchendo o espaço que havia entre a gente. Me senti melhor ao sentir seu corpo completamente colado ao meu, enquanto ele me beijava intensamente.

Eu perdi a noção do tempo enquanto estávamos ali, mas sinceramente, não tava ligando pra mais nada. Esse é o lado positivo de estar bêbada. Aliás, é incrível o poder do álcool em deixar as coisas melhores.

– Eu queria que o efeito do álcool fosse eterno, a vida seria algo mais feliz. – afirmei.

– E eu realmente só queria você de quatro na minha cama. – respondeu Bruno. Procurei por qualquer vestígio de humor em seu tom de voz, que comprovasse que ele estava apenas brincando como sempre, mas não encontrei. Assim como não encontrei sanidade em minha resposta.

– Então me coloque de quatro na sua cama. – pedi. Nesse instante ele me beijou novamente, mas não foi um beijo longo e quando se virou para sairmos dali, ouvi a voz de Gustavo.

– O que são duas loiras se pegando? – perguntou Gustavo. Ele estava encostado na parede ao nosso lado esquerdo.

– Duas lésbicas? – disse alguém do nosso lado direito. Me virei rapidamente para me certificar de que aquela voz era mesmo de quem eu estava pensando e era, Gabriel. Ele estava da mesma forma que Gustavo, mas com os braços cruzados na frente do peito.

– Não, Isabelle e Bruno. – respondeu Gustavo e os dois riram.

– Vão se foder e sumam daqui. – disse Bruno visivelmente irritado. – Eu estou indo embora pra minha casa com a Isabelle e ninguém vai me impedir. – completou dando ênfase ao ninguém, enquanto revezava o olhar entre Gabriel e Gustavo.

– Acho que não. – respondeu Gustavo.

– Não mesmo. – disse Gabriel. – Ou você ta se esquecendo de alguma coisa?

– Sem essa, Gabriel. Vamos fingir que eu não vi você ficando com ela. – rebateu Bruno ironicamente. Gabriel ficou surpreso com a resposta dele, mas definitivamente não tanto quanto Gustavo.

– O que? – gritou Gustavo. Gritou mesmo. Muito alto.

– Ele ta mentindo, Gustavo. – disse Gabriel.

– Olha pra minha cara e vira homem, Gabriel. – ordenou Gustavo tão alterado que me assustei. – Tu pegou a Isabelle ou não?

– Sim. – respondeu Gabriel com receio. – Mas foi só uma vez e antes de termos aquela conversa, cara.

Gustavo passou a mão pelo rosto como se estivesse tentando manter a calma e respirou fundo várias vezes.

– Eu quero que vocês vão tomar no cu. – disse Gustavo olhando para os dois.

– Eu já disse, foi uma vez, caralho. Foi na primeira festa que encontramos com ela. – mentiu Gabriel, com tanta naturalidade que fiquei um bom tempo o encarando. Ele percebeu, mas estava preocupado demais em resolver seu próprio problema.

– Ta. – respondeu Gustavo. – Mas e você, Bruno? Que desgraça, olha o tanto de mina nesse lugar!

Bruno se afastou de mim e quase cai, só então percebendo que eu praticamente só estava conseguindo parar em pé por estar pressionada entre ele e a parede.

– E daí? Eu quero a Isabelle. – disse como se fosse óbvio. Todos me querem. Senti vontade de rir com esse pensamento, mas fiquei quieta, o clima estava pesado. Bruno enfiou a mão no bolso e tirou sua carteira de lá, então pegou uma nota de cinquenta reais na mesma e bateu contra o peito de Gabriel.

– Agora me deixem em paz. – disse me puxando pela mão, eu estava cambaleando e não entendi porra nenhuma. Por que o Bruno deu cinquenta reais pro Gabriel? Eu estava bastante bêbada, mas aquilo me intrigou muito e eu parei de andar. Bruno me olhou sem entender e quando eu ia dizer algo, ouvi a voz de Gabriel.

– Você não vai fazer isso, Bruno. Eu to falando sério. – afirmou Gabriel.

– Não mesmo. – completou Gustavo. – E olha o tanto que ela ta bêbada! Tu não sai com ela daqui nem por cima do meu cadáver.

– Não seria muito difícil. – rebateu Bruno.

– Puta que pariu, a gente ta discutindo por mulher, Bruno! – reclamou Gabriel. – Para com isso.

Todo mundo ficou em silêncio e eu estava começando a ficar muito irritada por vê-los conversando como se eu não estivesse ali e principalmente, decidindo minha vida como se eu não fosse capaz de fazer isso sozinha.

– Deixa ela melhorar e se aí ela quiser ir embora contigo, te deixo levá-la pra qualquer lugar. – disse Gabriel. Bruno ficou pensativo por um tempo e então concordou com a cabeça, soltando minha mão. – Eu vou levá-la até alguma das meninas.

– E nós vamos conversar. – afirmou Gustavo olhando para Bruno.

Gabriel me puxou pela mão e estava andando com bastante pressa. O xinguei mentalmente, porque eu mal conseguia parar em pé, quem dirá andar rápido daquele jeito. Ele me guiou até o bar onde chamou o garçom e pediu uma garrafinha de água, quando o cara voltou com a mesma, continuou me puxando para outra direção. Ele me levou para um canto mais isolado e me fez sentar num banco.

– Bebe – ordenou me entregando a garrafa. Ele não estava com uma cara legal.

– Não quero. – respondi.

– Eu não perguntei se você quer, eu mandei você beber. – ele rebateu me olhando tão sério que eu fiquei com medo.

– Grosso. – reclamei.

– Puta que pariu, Isabelle. Minha vontade é de te te mandar tomar no cu. Tu acha que eu banquei o bonzinho pra tu ir lá e fazer uma merda maior ainda? – ele perguntou gritando. – Eu mandei não deixar que te empurrem pra baixo e ai tu vai lá e faz isso sozinha? Tu tá ligada na porra que tu ta fazendo? O Bruno é cinco vezes pior que eu, Isabelle. Se for pra se enfiar na merda, vamos pra minha casa que eu mesmo te fodo. Que inferno. Eu não te dei um fora pra tu cair na do Bruno. Sério. Na do Bruno. Eu quero espancar alguém.

Eu fiquei caladinha enquanto ele gritava e abri minha garrafinha de água com calma. Achei melhor fazer o que ele pediu porque ele estava muito, muito, muito nervoso. Gabriel estava andando impaciente de um lado pro outro e eu que já estava tonta, tava ficando mais ainda.

– Uma vez quando era criança, cismei que minhas veias do pulso eram riscos de canetinha. Tentei lavar e não saia de jeito nenhum, então pedi socorro pra minha irmã, que inventou que era canetinha definitiva pra pele e que nunca mais sairia. Eu era criança, chorei por quase duas horas. – contei. Gabriel parou de andar e me olhou como se eu fosse louca.

– Canetinha definitiva pra pele... Pra que pagar pra fazer tatuagem, né? – ele disse zombando.

– E uma vez ela colocou tinta provisória no meu condicionador, fiquei uma semana com o cabelo rosa. Eu odeio rosa. – contei mais uma história e ele permaneceu com a cara séria. – Mas uma vez quando fomos num acampamento, ela fugiu com minhas roupas e minha toalha enquanto eu tomava banho. Tive de correr nua até nosso chalé, que era do lado dos vestiários, mas foi muito constrangedor.

Dessa vez ele não aguentou e riu, então me olhou e balançou a cabeça negativamente.

– Vem. – ele disse estendendo a mão para mim e me ajudando a levantar. – Nós vamos embora e nem adianta rebater, já são quase 5h da manhã. – Eu me assustei com isso, ainda parecia umas 3h. Resolvi não reclamar, já tava mesmo na hora de ir, se eu bebesse mais um pouco perderia a consciência de vez.

Nós andamos até a saída e paramos na fila do caixa para pagar. Gabriel parecia preocupado olhando para os lados sem parar. Eu entendi o que devia estar acontecendo. Ele ia entrar numa encrenca das boas se os amigos dele o vissem me levando embora.

– Eu digo que estava tão bêbada que supliquei pra me levar embora, antes que eu desmaiasse aqui mesmo. – disse encostando minha cabeça em seu ombro. – O que de certa forma é verdade, eu to custando parar em pé.

– Eu percebi. – ele respondeu me abraçando e eu encaixei minha cabeça na curva do seu pescoço.

No tempo em que esperamos a fila andar, percebi que Gabriel ligou pro número de um táxi e quando chegou nossa vez, ele pagou sua conta e pegou minhas coisas no meu bolso, para pagar as minhas. Eu não sei se o dinheiro deu ou não, mas ele não disse nada. Quando saímos do pub, não demorou muito para o táxi chegar. Eu e Gabriel sentamos no banco de trás e ele passou meu endereço, então permanecemos o caminho inteiro em silêncio e novamente encostei minha cabeça em seu ombro, mesmo que não estivesse com sono ou qualquer coisa do tipo. A grande verdade é que eu estava apenas me aproveitando para ficar tão perto dele.

Quando o carro estacionou na porta da minha casa quase chorei, não queria me despedir dele. E não me despedi. Ele pagou o taxista e desceu do carro, me ajudando a descer logo em seguida. Assim que o táxi saiu dali, andei até a entrada e me sentei encostada no portão. Gabriel ficou parado no passeio, me observando.

– Não vai entrar? – perguntou.

– Não vai embora? – rebati.

– Depois que você entrar.

– Então não vou entrar. – afirmei olhando para ele. – Aliás, por que você não foi com o táxi?

– Porque eu sabia que você não ia entrar. – ele respondeu e eu fiquei calada.

Gabriel retirou um maço de cigarros do bolso e pegou apenas um dentro do mesmo, então guardou o restante. Em seguida retirou um isqueiro do outro bolso. Ele colocou o cigarro em sua boca e o acendeu, então deu um longo trago antes de guardar o isqueiro de volta em seu lugar. Eu fiquei paralisada observando a cena e totalmente frustrada. Primeiro porque eu odeio cigarros e segundo porque odiei a forma com que amei o quanto ele ficou extremamente sexy fumando aquela coisa que eu odeio.

– Você fuma? – indaguei perplexa.

Ele tragou mais uma vez, antes de sorrir e me olhar.

– Você não? – rebateu.

– Por que eu fumaria? Você sabe quais são os malefícios dessa coisa? Existem milhares de substâncias tóxicas e cancerígenas no cigarro.

Ele pareceu não ouvir o que eu disse, pois levou o cigarro novamente até sua boca, que pareceu se encaixar perfeitamente entre seus lábios.

– O cigarro pode causar hipertensão arterial, infarto do miocárdio, aterosclerose, bronquite crônica, enfisema pulmonar, tuberculose, sinusite, acidente vascular cerebral... – eu dizia indignada, enquanto um sorriso em seu rosto se alargava cada vez mais. Então ele começou a caminhar em minha direção. – Sem contar os cânceres de pulmão, boca, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, bexiga, rim, faringe, colo de útero, intestino... – Gabriel se sentou ao meu lado e disparou a rir.

– Você é inacreditável. – afirmou me interrompendo.

– Você é inacreditável. – rebati.

– Como você se lembrou do nome de todas essas coisas?

– Uma vez cheguei em casa fedendo a cigarro e minha mãe me obrigou a fazer uma pesquisa sobre os malefícios do cigarro, para eu pensar 4.700 vezes antes de colocar um na boca. – expliquei e ele gargalhou. – 4.700 era o número de substâncias tóxicas e cancerígenas que o site indicava conter no tabaco. – completei e ele gargalhou ainda mais.

Quando Gabriel conseguiu parar de rir, repetiu o gesto de levar o cigarro até a boca para tragar e assim que ele o fez, o repreendi com um olhar furioso.

– Você ouviu o que eu disse? – perguntei tomando o cigarro de sua mão, o joguei no chão e pisei em cima do mesmo.

– Ei! – protestou Gabriel – Isso não foi legal.

– Fumar não é legal.

– Eu não fumo sempre, Isabelle, só quando tem alguma coisa bem errada. – explicou. – Comecei com essa mania depois que Alice morreu.

Eu não sei porque exatamente aquilo me incomodou tanto, mas me levantei no mesmo instante e quando percebi já havia explodido de raiva. As palavras simplesmente saltaram da minha boca.

– Gabriel, acho que ta na hora de alguém te lembrar que foi Alice quem morreu na porra daquele carro, não você. A vida dela acabou naquele dia, não a sua. E se tu acha que não, é porque tu é um grande de um desgraçado egoísta, porque eu tenho certeza que se ela pudesse ter uma chance de viver, não a desperdiçaria como você faz. – gritei olhando no fundo de seus olhos.

Eu sentia raiva pela forma com que Gabriel começou a agir depois da morte de sua irmã, como se nada mais valesse a pena, principalmente a vida. Com certeza deve ter sido extremamente difícil, mas odeio como ele consegue ser tão ingrato, quando viver é tudo que muitas pessoas queriam. Inclusive Alice.

A expressão que surgiu em seu rosto fez com que eu me sentisse mal no mesmo instante. Eu não consegui decifrar se era raiva ou tristeza, mas era algo realmente ruim. Provavelmente as duas coisas juntas. Sem dizer nada, ele se levantou e saiu andando, sem nem olhar para minha cara uma última vez. De longe, observei ele acender outro cigarro.

Notas finais
Gostaram? Não gostaram? O que vocês esperam que aconteça depois desse capítulo? Quais são as expectativas de vocês pra história? E o que estão achando dela em geral? Sei que são muitas perguntas, mas respondam por favor. Eu pensei em sugerir pra vocês, de começar a postar um capítulo semanalmente. Combinarmos um dia que agrade a maioria. O que acham? Beijos e até o próximo!