Policial Sujo
37 Últimos Segundos
Notas iniciais

♠ 10:00 a.m. ♠
– M-Mas do que você tá falando? Que história de mensagem é essa?!
Luffy continuava a se perguntar incansavelmente enquanto assistia ao namorado perder a cabeça completamente, gritando e até mesmo o agredindo fisicamente. Law havia começado a ameaçá-lo de morte após ler uma mensagem recebida em seu celular.
– CALA BOCA! – Gritou, jogando o pobre garoto contra a parede mais uma vez, segurando em seu pescoço. Luffy apenas virou o rosto e ficou tentando afastá-lo, sem sucesso. – Não me obriga a fazer o que eu não quero, não tira a minha paciência desse jeito!
– M-Mas e– Tentava falar, mas tinha sua garganta pressionada com força. – E-Eu... não faço ideia do que...
– Você quer mesmo tentar me fazer acreditar que não sabe de nada? Vai à merda! Já não tá satisfeito em mentir tanto?
– Torao, eu... não se–
– Eu já tolerei muitas coisas, mas eu nunca pensei que uma delas viria logo de VOCÊ! – Trafalgar aperta o outro com mais força, porém, utiliza a mão que estava livre para preparar um soco, deixando-a à distância para pegar impulso.
– P-Para, eu... arfh...
– EU VOU ACABAR COM VOCÊ!
Após ameaçar fisicamente disferir outro soco no menor, Trafalgar grita, fazendo com que Luffy apenas fechasse os olhos e ansseasse o pior acontecer. Law, enfim, acaba não esperando mais e dirige seus punhos cerrados com tudo na direção do chapéu de palha! Porém, acaba errando seu alvo e apenas dá um soco na parede, ao lado do rosto do outro, sem o atingi-lo, indo em seguida com seus lábios na direção do ouvido de Luffy, sussurrando.
– Me empurra e sai daqui, rápido.
Depois de ouvir a voz do médico que acabou afrouxando a mão que segurava seu pescoço, Luffy institivamente faz o que ele pede: o empurra e sai correndo em direção à porta, indo embora do apartamento e a fechando com força. Ele estava terrivelmente apreensivo, assustado e, por tanto, nem se preocupou em saber dos motivos do mais velho.
O garoto então, não perde tempo. Por mais que seus olhos estejam embassados pelas lágrimas, ele desce as escadas do hotel e vai até a rua, onde estava com seu carro estacionado. Entra no automóvel, segura o volante, tenta se acalmar o máximo possível e começa a dirigir em direção à sua casa, tentando imaginar o que poderia ter acontecido.
Ao mesmo tempo, Trafalgar estava se sentindo a pior pessoa possível. Depois da saída de Luffy, ele colocou a mão na parede, deitou seu rosto na mesma, olhando para o chão, e ficou culpando-se mentalmente, com bastante raiva. Lágrimas até mesmo escorriam levemente de seu rosto ao pensar no que viria a acontecer.
– Droga... – Dizia para si mesmo, odiando cada segundo de sua existência.
Por mais que sua vontade fosse estravazar sua raiva, ele sabia que uma terceira pessoa o estava observando. Não é de se espantar que precisou armar toda confusão de improviso, visto que havia recebido a seguinte mensagem:
“Tem um atirador à distância com a mira em sua janela, nem se atreva a olhar, apenas dê um jeito de expulsar o Luffy do seu apartamento. Você sabe que ele é descartável, o Joker não gosta dele.”
– Há quanto tempo, Law. É sempre bom te ver.
A terceira pessoa, que já estava preparada observando tudo, entrou pela janela do médico, ficando sentada com as pernas cruzadas no parapeito da mesma. Law logo notou sua presença, interrompendo o choro e olhando com raiva na direção dela, falando com uma voz grossa e impaciente.
– Seria tão bom se eu pudesse dizer o mesmo... Nico Robin. Ou seja lá qual for o seu nome.
– Não precisa ficar na defensiva sempre que me vir, eu não sou tão má assim.
– Me diz logo o que você quer.
– Me surpreendeu você ter expulsado o Luffy dessa maneira tão brusca. – Robin sai do parapeito da janela, andando lentamente em direção ao outro. – Eu não esperava que você chegasse a o agredir.
– … se eu não tivesse feito aquilo, o Luffy nunca iria embora sem motivos por vontade própria.
– De fato, foi a melhor solução.
– Agora chega de enrolação e me diz logo! Quem é você, afinal?
– Eu? – Robin se aproxima de Law, olhando em seus olhos com um leve sorriso irônico e descontraído. – Meu nome é Nico Robin, eu sou acompanhante de luxo.
– Só?
– Não está satisfeito?
– Qual é a sua ligação com o Joker?
– Bem... isso você vai descobrir com o tempo, “Corazón”.
– Tsc, não me chame assim.
– Só vá nesse endereço daqui há duas horas em ponto. – Robin entrega a ele um papel.
– E se eu não for?
– Eu recomendo que você vá. – Em seguida, ela vai em direção à porta, saindo do apartamento.
Sem ter muitas opções disponíveis, Trafalgar acaba decidindo fazer o que Robin diz por estar preocupado com a segurança de Luffy. Estava ansioso e estressado, então decidiu tomar um longo banho de banheira, mas não sem antes enviar uma mensagem à Penguin.
“Me encontra no porto daqui há duas horas.”
♠ 10:26 a.m. ♠
Luffy havia acabado de chegar em sua casa, mas ainda estava aflito e confuso pelo que acontecera no apartamento do namorado. Peter percebeu seu estado incomum e foi logo em sua direção, tentando pular em cima dele, abanando o rabo com a língua para fora.
– Rawr, rawr! – Tentava animá-lo o máximo possível.
– Oi, Peter. – Mas não adiantou, visto que o garoto estava realmente mal.
Sem saber muito o que fazer, Luffy ficou andando sem direção por sua casa pensando no que havia acontecido até acabar sentando no chão, encostado na parede. Seu cachorro ficou o tempo todo consigo, lambendo sua mão para tentar animá-lo.
Luffy P.O.V
Por que o Torao fez tudo aquilo? Eu realmente quero entender esse lance da mensagem, mas eu não lembro de ter feito nada demais! Se bem que eu continuo achando essa história estranha. Teve uma hora que ele me segurou fraco e me mandou fugir dali, sussurrando no meu ouvido. Pode ter sido encenação? Mas por que seria?
Arh, são muitas coisas de uma vez só e eu nem sei mais o que fazer... eu não acho que tenha sido uma boa ideia deixá-lo sozinho, principalmente do jeito impulsivo que ele anda ultimamente. E se eu voltar lá? Mas se ele me expulsou é porque tem um motivo. Além disso, ele ainda usa uma tornozeleira de rastreio, então eu posso saber onde ele está.
Bom, eu também não posso ficar parado aqui e eu também tô com fome, mas o Torao é mais importante que comida agora. E se eu ligar pro Zoro e pra Nami? É... se eu não posso ir lá, eu posso mandá-los no lugar pra ter certeza de que o Torao não faça nenhuma besteira. É, eu posso fazer isso!
Luffy P.O.V off
Sem mais, o garoto decide pegar seu celular para ligar para os amigos, porém, ao fazê-lo, percebe uma coisa estranha. Seu celular estava sem sinal.
– Tá sem sinal? – Luffy indagou a si mesmo, achando aquilo estranho. Como não conseguiu ligar para Nami e Zoro do aparelho móvel, resolveu usar o fixo de sua casa, porém... – O telefone tá sem sinal também!
Primeiramente ele culpou as linhas telefônicas de seu país, ficando ainda mais impaciente. Mas logo se surpreendeu ao notar que não era só o telefone, mas toda a sua casa que estava sem energia. As luzes não estavam acendendo, as tomadas não estavam funcionando... tudo estava apagado.
– O que houve aqui?!
– Rawr, rawr?
– Por que a minha casa tá sem energia? Eu tenho certeza que eu paguei todas as contas... como eu vou falar com a Nami e com o Zoro agora?
– Rawr, rawr...
– É, não tem muito o que fazer, eu vou precisar ir pra lá.
Sendo assim, o garoto levantou-se e foi até a porta de sua casa, se preparando para sair e encontrar os amigos. Entretanto, assim que abriu a mesma, acabou levando um susto pois outra pessoa já estava do outro lado, prestes a tocar a campainha.
– Hancock/Luffy! – Ambos exclamaram ao se verem.
– O que você tá fazendo aqui? – O menino perguntou. – Eu ia sair agora.
– Ahn, eu tentei te ligar, mas o seu celular não tava atendendo então eu vim aqui.
– E por que você veio?
– Eu preciso falar com você.
– Agora não é uma boa hora, sério...
– É importante, eu juro.
– Não pode ser depois?
– Não, precisa ser agora.
– Dá última vez que você tinha dito que ia me dizer alguma coisa importante não era nada demais.
– Mas agora é! Envolve você e eu me preocupo, por favor, só escuta o que eu tenho pra dizer.
– É sobre o quê?
– É sobre o Drake.
♠ 10:58 a.m. ♠
Kaidou Lovato, atual Chefe-Diretor da Yard, era mais um dos que estavam sem muitas alternativas do que fazer. Recebia inúmeras ligações de Nami e Zoro querendo conversar sobre Drake, mas ignorava todas por achar que não deveria falar com eles sobre o assunto. Sentindo-se pressionado, resolveu dar uma volta pela rua.
Seu maior objetivo era conseguir falar com Drake, mas como o ruivo havia jogado seu celular fora e fugido de casa, não sabia onde encontrá-lo. Contudo, entretanto, toda via, enquanto caminhava, acabou vendo um carro estacionado próximo a uma rua movimentada. Levou um susto ao perceber que aquele era o carro de Diez e foi até ele, mas estava vazio. Kaidou, então, decide esperar ali mesmo, onde tinha certeza que o ruivo voltaria para o carro.
♠ 10:48 a.m. ♠
Dez minutos antes, em uma rua que não costumava ser muito movimentada, uma grande espécie de atração estava acontecendo. Graças a isso, naquele momento atípico, as avenidas estavam lotadas; principalmente dentro de um certo laboratório, onde o acúmulo de pessoas se encontrava. Este estava tão cheio que faziam filas na rua para adentrá-lo.
E o motivo para que o laboratório, cujo dono agora era Brad Pittyson, estivesse tão cheio naquela manhã incomum era que Nicolle Guilles, uma cantora já bastante conhecida, estava lá dentro. Aliás, o lugar em si já estava bem diferente.
Há alguns anos, desde sua origem, aquele laboratório sempre esteve com paredes cinzas, com um aspecto mórbido e diversos remédios em estantes pesadas; porém, agora estava ao contrário. Luzes vivas, paredes verdes, um bistrô com mesas para lanche, itens para fumo bem coloridos e decorados tais como narguilé, etc, à venda, e diversas outras coisas que contribuíam para ser um lugar bem vivo.
– Argh, sai da minha frente, eu quero passar! Saaai! – Drake apareceu no laboratório, querendo ir em direção à bancada, onde estava Brad Pittyson, também empurrando todo mundo que estava em sua frente. – Por que essa merda desse lugar tá tão cheio?
– Ei, não empurra! – Disse uma terceira pessoa que foi esbarrada pelo ruivo. – Não sabe esperar, não?
– Esperar o caralho, eu não frequento filas. Além disso, essa porra ainda é da minha família, eu tenho meus direitos! – E assim, Drake prosseguiu empurrando as pessoas até finalmente se espremer e conseguir ir até a bancada, encontrando o homem de dreads. – Até que enfim...
– Ei, ei, calma lá! – Brad exclama, vendo a situação. – Eu percebi que você está furando fila. “A gata apressada muitas vezes pare gatinhos tísicos.”
– Não começa a vir falar de gato pra cima de mim que já me lembra uma pessoa que eu preciso evitar. E que merda de ditado é esse..?
– Hm, pelo visto temos alguém sem a paz de Oxalá no coração. Acho que você está precisando de um chá de Ayahuasca para entrar em conformidade com a sua mente.
– Nossa, esse lugar mudou bastante mesmo. Virou uma tabacaria? – Drake o ignora, olhando o local com mais calma. – O Joseph iria odiar isso... eu preciso mandar fotos pra ele algum dia.
– Você conhece o mano Joseph?
– Ah sim, eu esqueci de me apresentar. Era eu quem enviava presentes pro Law quando vocês estavam na prisão.
– Hm? – Brad se surpreende levemente, mas logo abre um sorriso receptivo. – Oh, você é a pessoa maravilhosa que dava maconha e padê pra gente de graça! Entra aqui! – Em seguida, abre a portinha da bancada, puxando o ruivo para dentro.
– É, era eu, acho que dispensa apresentações.
– Sim, claro! Nossa, antes do mano Law chegar a prisão era mó chata, mas aí ele surgiu e você começou a mandar umas paradas loucas e a gente aplaudia o por do sol juntos, era muito legal! Hahaha, eu nem sei como te agradecer! Eu ouvi falar muito mal de você.
– Eu imagino que sim... e não precisa me agradecer, só me diz onde tá a Nicolle.
– Ah, ela tá lá nos fundos. O pessoal começou a vir em grande quantidade quando souberam que ela tava aqui, esse lugar nunca esteve tão cheio. Daora, né?
– É, é, daora. Eu vou lá vê-la.
– Tá de boas!
Drake foi até a sala dos fundos, onde tinha um espaço com várias almofadas, puffs e sofás com luz roxa onde geralmente as pessoas poderiam ir para ouvir uma música, porém, agora estava vazia e só havia uma mulher loira com algumas mexas rosas bebendo um vinho e fumando um cigarro.
– Yo.
– Huh? – Nicolle ficou o encarando. – Eu já não te vi em algum lugar?
– Sim, da faculdade. Sou eu, Drake.
– Ah... ah! Lembrei, é verdade. – Ela se levanta, indo até ele e abandonando a taça de vinho com o cigarro. – Há quanto tempo.
– É por sua causa que toda essa gente tá aqui?
– Uhum. Eu vou lá falar com eles, mas eu não sei lidar muito bem com multidões antes do meio dia.
– Entendi. Quer dar uma volta por aí até dar meio dia, então?
– Dar uma volta?
– É, pra matar as saudades. A não ser que você se importe.
– Ahn, não, quer dizer... eu não me importo, na verdade eu tava querendo mesmo rever o pessoal de anos atrás.
– Então vamos?
– Mas a gente vai sair com toda essa gente aí?
– Tem uma porta secreta aqui, atrás de uma parede falsa. Vem. – Drake segura o punho dela e a arrasta para até a porta escondida, que os levou diretamente para a rua de trás. Ninguém os viu. – Viu só?
– Nossa, que louco!
– Pois é, agora vamos pro meu carro.
Ambos vão andando em direção ao final da rua, tentando se esquivar o máximo das pessoas que poderiam vir a reconhecer a loira, até avistarem o carro do ruivo. Contudo, Drake para de andar assim que percebe a presença de uma terceira pessoa, que também acaba o vendo. Seus olhares se cruzam.
– Você!
– K-Kaidou?!
– Fica bem paradinho aí pra eu poder MATAR VOCÊ! – Kaidou sai de onde estava e começa a correr na direção do ruivo, gritando.
– Beleza, agora fudeu. – E ele segura a mão da loira mais uma vez, correndo agora na direção oposta, fugindo de Lovato. – A gente precisa ir embora daqui o mais rápido possível, vem!
– VOLTA AQUI! – Não existia ninguém naquele momento com mais raiva que Lovato, que corria o mais rápido possível na direção dos dois. Drake estava apavorado, uma vez que conhecia a força do outro, então continuou a correr sem rumo.
– P-Por que estamos correndo?! – Nicolle se assustou enquanto era arrastada. – Quem é aquele cara? E por que ele quer matar você?
– Longa história, só corre! – Ambos foram descendo a rua, até novamente estarem perto da multidão que se alastrava na entrada do laboratório. Corriam em tanta disparada que chegavam até a quase tropeçar, mas continuavam sem cair graças ao medo do ruivo. – Aaaaaaaaaargh, para de me perseguir, Kaidou! – Gritou, sem nem olhar pra trás.
– Perseguir? Imagina, eu só tô com saudades! – Kaidou serrava os dentes enquanto gritava de volta, com um olhar verdadeiramente assassino que nem era de seu feitio. – Fica paradinho pra gente tomar um café e bater um papo, fica!
– Não! Você vai me bater, e-eu não quero apanhar! – Drake continuou a correr com Nicolle até que a multidão os notou.
– Olha, a Nicolle tá ali! – Disseram os fãs em grande quantidade, apontando na direção da loira e chamando a atenção de todos. – Vamos atrás dela!
– Ih..! – Quando notaram os fãs vindo em sua direção, Drake e Nicolle tiveram que parar de correr por um curto segundo que não durou muito tempo por Kaidou estar logo atrás deles. O ruivo precisou pensar rápido e atravessou a rua, que estava toda movimentada e cheia de carros, tendo que pular em cima de um deles para não ser atropelado. A loira foi obrigada a fazer o mesmo. Nisso, ambos dobraram a esquina.
– S-Será que deu pra despistá-los? – Drake pergunta, se escondendo em um beco.
– Não mesmo, e não adianta ficar escondido em becos, experiência própria! – Dessa vez, a loira o puxa pelo braço e volta a correr com ele sem um rumo definido. Não demorou muito para que a multidão voltasse a persegui-los. – Só corre sem olhar pra trás!
– Nicolleee! – E gritavam.
– Volta aqui, desgraçado! – Kaidou também estava entre a multidão, inclusive era o mais rápido devido a sua fúria que lhe proporcionou adrenalina e franzia fortemente o cenho. – Eu não vou te bater, eu só quero ter uma conversinha pacífica sobre a pessoa maravilhosa que você vem se tornando ultimamente!
– P-Para com isso, não é assim que as coisas funcionam, Kaidou! – Drake corria em zigue-zague, atravessando a rua e dobrando ainda mais esquinas, tudo com intenção de despistá-lo, arrastando a menina consigo. Tentava entrar em alguns locais e corria até a porta dos fundos, mas nada dava certo; pelo contrário, o caos na cidade só aumentava. – Eu vou conversar contigo, eu juro, mas não agora!
– É isso que você sempre diz! – Uma boa parcela dos fãs até mesmo já tinha deixado de seguir a loira, mas Kaidou continuava intacto. Entrava nos mesmos locais e também saia pela porta dos fundos, tentando pegar cada vez mais velocidade. – Você sempre diz que vai me ligar, vive dizendo que vai ter uma conversa séria comigo, mas sempre some no dia seguinte! Você acha que eu vou cair nessa de novo?!
– S-Só mais dois diaszinhos, é só isso que eu te peço, depois disso eu converso por quanto tempo você quiser! – Drake conseguiu virar em um beco e fazer Kaidou ficar parado, por milésimos de segundos enquanto tentava procurar o ruivo com os olhos, aproveitando também para recuperar a energia. Logo, o moreno foi no mesmo beco e continuou a perseguição.
– Dois dias é tempo demais! – Os fãs já haviam desistido de segui-los, apesar de alguns fotógrafos ainda estarem atentos. Kaidou conseguiu pegar um atalho virando uma rua próxima, que o fez ficar mais perto dos dois que, ao perceberem, apertaram o passo. – Quem me garante quantas merdas você vai fazer nesse intervalo de tempo?
– Deixa disso, eu não vou fazer nada demais, eu tô te prometendo, dessa vez é sério! – Já suavam de tanto correr e o coração dos três batia em um ritmo acelerado, mas não pararam. – Só me dá mais uma chance, tudo isso é pro nosso bem! Nós não tinhamos feito vários planos e promessas juntos? Então!
– Promessas e planos que você SEMPRE dá um jeito de descumprir ou adiar! – Mesmo já cansado, não parava de correr. Já haviam chamado atenção de Londres inteira, visto que não hesitavam em pular em cima de carros para despistar ou se aproximar um do outro. – Como você quer que eu confie em você se a nossa relação inteira até agora foi com você fugindo e fazendo coisas pelas minhas costas?!
– Eu sei que eu errei com você, eu errei feio, mas você sabe dos motivos! – Já estavam tontos de tantas esquinas que precisavam dobrar em velocidade máxima, e a pressão dos três também já havia caído bastante, mas não desistiam. – Depois que essa confusão acabar eu converso com você o tempo que você quiser, eu prometo, eu até volto a levar seus gatos pra passear!
– Você não ouse nem pensar em tocar nos meus gatos com essas mãos sujas! – Kaidou já estava suando dos sapatos à cabeça, mas continuava correndo. – E a próxima conversa que nós dois vamos ter se você não parar agora é na PRISÃO!
– Para de ficar me ameaçando, que saco, nossa relação nunca deu certo porque você ficava toda hora colocando essas paradas jurídicas no meio!
– Nossa relação nunca deu certo porque você é um IRRESPONSÁVEL que só faz coisa errada toda hora, fica fazendo merda, jogando a culpa nos outros, mentindo, criando caso por coisas que não existem, fazendo planos horríveis, sequestrando pessoas inocentes, escondendo coisas de mim, atirando pra tudo quanto é lado, perseguindo pessoas, perdendo a cabeça, fazendo barraco... enfim, você só faz besteira, eu te odeio e já cansei de te aturar há muito tempo! Você vai pra prisão!
– Eu também te amo e eu não vou não!
– Wow, você é procurado? – Nicolle perguntou e também era a que menos estava cansada, gostando e achando até mesmo divertido correr pelas ruas. – É por isso que estamos fugindo?
– Não! – Drake respondeu já praticamente correndo de olhos fechados devido a fadiga. – Nós estamos correndo por quê... argh, por que você tá menos cansada que eu?!
– Por que eu tô acostumada a fugir de muitas pessoas.
– Enfim, a gente tá correndo por que o Kaidou tá puto comigo.
– Então vamos despistá-lo! – Nisso, ela segura o braço dele e entra em outro beco, porém, antes de Kaidou conseguir segui-los, Nicolle abre um bueiro e se atira dentro dele.
Quando Kaidou dobra o mesmo lugar que eles haviam entrado anteriormente, acaba não percebendo a existência do bueiro e atravessa o beco inteiro, indo para do outro lado da rua. Lá, viu todas as pessoas andando tranquilamente, sem sinal dos outros dois e fica momentaneamente sem saber o que fazer. Começa a olhar para os lados e já os havia perdido.
– Tsc... que droga!
♠ 11:27 a.m. ♠
– Urgh, que nojo, que nojo, que nojo! Eu não acredito que você me obrigou a entrar nesse lugar imundo, fedorento e cheio de germes e ratos e baratas! Argh...
– Pensando bem você sempre foi o mais fresco de nós, agora que eu lembrei.
– Que mentira absurda. – Depois de esperarem um tempo no bueiro, voltaram ao beco. – Eu preciso encontrar uma pessoa daqui há pouco e não quero ir com cheio de esgoto, só isso.
– Já são quase onze e meia, eu preciso avisar ao Brad que eu vou me atrasar. – Ela diz, depois de olhar as horas em seu celular.
– Pois é, pois é.
– Mas por que o seu marido ficou nos perseguindo?
– Porque ele é muito inseguro e toda hora cisma que eu fiz alguma coisa err... Ele não é o meu marido! De onde você tirou isso?
– Ah, não é? Eu achei que ele tinha ficado com ciúmes depois de ver nós dois juntos e queria tirar satisfações com você.
– Que seja, isso não importa agora, só bebe isso daqui. – Drake tira de seu casaco uma vodka e entrega a ela.
– Eu não posso beber isso, eu tô grávida. – Ela responde, mas já estava com a garrafa na boca.
– Não precisa ser muito, só bebe um po... você já tá bebendo...
– Ah, é... quer também?
– Não, pode tomar sozinha.
– Sério? Valeu! Mas que estranho... ela tá com um gosto diferente.
– É que é importada.
– Hum, legal.
– Vai, bebe mais. – Ele entorna a garrafa na boca dela.
– C-Calma, isso tá forte.
– Que bom. Eu preciso ligar pra uma pessoa agora. – E pega seu celular, ligando diretamente para Robin.
“Eu já estou no porto. Onde você tá?”
– Robin, longa história, eu tô sem meu carro, eu preciso que você venha me buscar aqui e também preciso que você traga o máximo de gel antibacterianos que você tiver. Ah, e um bom perfume.
“O que houve?”
– Essa maluca me jogou num bueiro, eu tô com cheiro de pobre!
“Tadinho.”
– Vem logo. – Ele desliga o telefone e em seguida, liga para Hancock.
“Ah, você demorou pra me ligar.”
– É, pois é. Já tá com o Luffy?
“Sim, eu já o amarrei. Ele tá aqui numa cadeira, do meu lado.”
– Ótimo, tá tudo dando certo.
“Dói tanto ter que fazer isso... posso soltá-lo agora?”
– Não, só a hora em que eu disser. E não se preocupe, o Luffy não vai sofrer dano nenhum. Eu só vou me livrar do Law, depois disso vocês podem ficar juntos. Amarrar o Luffy foi só pra ele evitar que o Law vá embora.
“Eu só fiz isso porque realmente era um bom motivo, mas eu não quero que nada aconteça com ele! Entendeu?”
– Tá, tá, só faz o que eu mandar. – Ele desliga o seu celular. – E aí, Nicolle, como é que você tá?
– Eu tô... com soninho...
– Perfeito, boa menina. Adoro gente obediente.
♠ 12:06 p.m. ♠
– Argh, esse cheiro não sai nunca! E já passou até da hora.
A contagem regressiva, enfim, tinha chegado ao final. Drake e Robin estavam juntos, em um porto onde várias barcas costumavam sair, mas que no momento estava interditado e nenhuma outra pessoa entraria lá, podendo os dois ficarem sozinhos a hora que quisessem. A morena já estava cansada de passar perfume no ruivo, mas o cheiro de esgoto não saia.
Nicolle também estava com eles, mas estava dormindo e completamente amarrada, sentada no chão com seus braços e pernas imobilizados ao lado do ruivo. Robin estava parada, encostada em uma parede um pouco mais distante deles e todos aguardavam Law. Também não havia muito sol no local, por estar nublado.
– Cadê aquele garoto? – Drake ficava olhando o relógio em seu braço. – Ele tá atrasado.
– Ele já deve estar vindo.
– Chegueei! – Depois de um tempo, Law finalmente aparece correndo em direção ao local, sozinho. Ele vai diminuindo o passo à medida que observa Drake ao lado de Nicolle com o mar do porto ao fundo e alguns barcos vazios estacionados, além de Robin, que estava à sua diagonal. – Argh, esse lugar fica muito longe... difícil de achar.
– Até que enfim você chegou! Que saudades.
– Nicolle... – Law primeiro olha para a garota amarrada e dormindo, mas logo depois volta a encarar o ruivo com ódio. – Tsc, o que é que você quer, afinal? Solta ela!
– Acho que é melhor você se preocupar menos com os outros agora e mais consigo mesmo. – Robin desencosta da parede de onde estava e chama a atenção de Law quando aponta uma arma diretamente para ele.
– Então é assim que vai ser? – Trafalgar pergunta, arqueando o cenho e tentando ficar o mais calmo possível, ainda encarando diretamente Drake nos olhos.
– É isso que você está me obrigando a fazer. – O ruivo responde, também calmo. – Eu pensei que você nem viria mais, mas você veio sozinho inclusive.
– Eu não vim sozinho, meu reforço só não chegou ainda. – Law vai andando mais próximo a ele. – E nem pense que eu vou fazer o que vo–
– Trafalgar. – Mas para de andar assim que Robin o chama, prestando atenção nela. – Não se atreva a ultrapassar a linha.
– Linha?
Havia uma linha no chão bem grande, separando a área em que Law estava da área em que Drake estava. Robin se encontrava entre ela.
– Essa linha é seu limite máximo, são os quatro quilômetros. – Drake explica. – Se você ultrapassar essa linha sua tornozeleira vai começar a apitar e vai emitir um sinal pra todos os agentes da Yard virem pra cá saber por que você tentou fugir e te prender.
– Hm...
– Se eu fosse você ficaria bem paradinho aí.
– Fala logo o que é que você quer! Eu já aviso que me recuso a voltar pro Doflamingo, mas deixa a Nicolle em paz.
– Eu quero ver se você aprendeu alguma coisa nesses anos todos na Yard com o Luffy, então eu vou te dar algumas outras propostas sem ser voltar pro Joker.
– Ótimo, espero que sejam boas.
– A primeira delas, e também a minha preferida, é: eu te mato aqui e te jogo na água que nem você fez com o Dellin.
– Já não gostei.
– Na segunda eu vou ser mais bonzinho: eu deixo de matar a Nicolle, mas te levo no lugar.
– Alguma delas não envolve a minha morte?!
– E finalmente, a terceira: você vem aqui, mata a garota, faz a Yard te rastrear e volta pra prisão perpétua.
– Hm...
– Bom, nessa você não morre, o que é uma pena, mas também vai voltar a ser considerado o mesmo assassino de antes. Só que dessa vez não vai ter Kid pra dividir cela com você.
– Se eu fizer isso o Luffy vai saber que a culpa foi sua.
– O Luffy vai saber que você não hesita em matar ninguém pra se proteger e ela tá grávida, vai gerar mais comoção ainda.
– Eu não ligo pra comoção.
– Eu sei que você não liga, mas lembre-se que eu ainda posso impedir que o Luffy vá te visitar, tem várias formas de fazer isso inclusive.
– Ah não, eu me recuso a ficar naquele lugar com aquele bando de animais sem poder ver o Luffy. Eu não vou aguentar nem dez dias lá! Principalmente depois de ficar tanto tempo na Yard, muitas pessoas de lá me odeiam.
– Bom, ainda tem a quarta opção: ninguém morre e você volta pros braços do Joker, vira o novo Corazón e deixa de birra.
– Tsc... você é chato.
– E aí, o que vai ser?
– Eu não quero nem olhar nos olhos do Doflamingo!
– Então vai matar a garota e o bebê e voltar pra prisão?
– Não, eu prefiro morrer.
– Legal! Vai me deixar te matar e te jogar na água?
– Não! Foi só jeito de falar...
– Então pelo menos morre como um herói e deixa a garota viva. Depois de hoje eu percebi que tem muito mais pessoas querendo ela viva do que você, e desse jeito nem o Luffy nem ninguém mais te veria como um assassino.
– …
– E aí, vai deixar eu ser feliz te matar no lugar da Nicolle?
♠ 13:14 p.m. ♠
Do outro lado da cidade, no apartamento de Luffy, o jovem garoto estava sendo feito de refém por quem ele menos esperava. Hancock havia amarrado seus braços e pés numa cadeira, impedindo totalmente que levantasse ou fizesse qualquer movimento. A luz de sua casa e seu celular também estavam sem funcionar.
– Hancock, pela milésima vez, me tira daqui! – O garoto pedia com convicção.
– Ah, me dói tanto o coração precisar fazer isso... por quanto tempo mais eu vou suportar? – A morena também estava mal e dramatizava, colocando a mão na testa.
– Se você tá mal então para de obedecer o Drake e me desamarra!
– Você não entende, querido. Isso tudo é pelo nosso bem, o Drake vai dar um jeito de se livrar do Law para que possamos ficar juntos para sempre!
– E de que forma você acha que ele vai se livrar do Torao? Você nem sabe o que tá acontecendo!
– O modo não importa, e eu já sei que eles se conhecem desde a faculdade e tudo mais.
– Eu já te disse que o Drake não é quem diz ser! Pòr que você não acredita em mim?
– Luffy, eu era advogada particular dele, nós nos falávamos todos os dias durante anos. Eu conheço o Drake.
– Eu também achava que o conhecia, mas não é só isso. Ele fez um monte de coisas ruins com o Torao na faculdade.
– Pff, isso só me dá mais certeza de que ele é uma boa pessoa.
– M-Mas não é o tipo de coisa que você provavelmente tá pensando, são coisas sérias mesmo!
– Tipo o quê, por exemplo?
– Eu não posso falar...
– Hm.
– Mas acredita em mim! O Drake faz parte do submundo, Hancock, ele é uma pessoa ruim.
– Faz parte do submundo? Sério, Luffy, já chegou a esse ponto?
– Eu tô dizendo a verdade!
– Eu já te disse, eu o conheço bem, ele raramente ficava sozinho antes de deixar a Yard, sempre tava ou com o Kaidou ou trabalhando, ainda tinha a filha pra cuidar. Como ele podia fazer parte do submundo sem que alguém soubesse?
– Eu sei lá, mas me tira daqui!
– Eu vou te tirar.
– Ótimo, ent–
– Quando ele me ligar e deixar.
– Aaargh... não é assim que eu vou começar a gostar de você.
Porém, depois da última frase de Luffy, estranhamente as luzes voltaram a funcionar todas de uma vez! A televisão ligou, a sala de estar estava iluminada e os aparelhos elétricos também sofreram o mesmo destino. Peter até levou um susto e começou a latir para eles.
– Oh, voltou a luz. – Hancock afirma.
– Até que enfim, agora me tira daqui e deixa eu ligar pro Torao!
[Pi pi pi pi pi pi]
– Huh, que barulho é esse?
Um estranho barulho começou a surgir nas calças de Luffy, o que chamou a atenção de Hancock. Se tratava do celular dele que estava piscando diversas vezes seguidas. A morena não hesitou e pegou o aparelho, levando um susto com o que via na tela.
– O que é esse barulho? – Luffy perguntou.
– Que estranho. É o aplicativo da Yard dizendo que o Trafalgar fugiu da cidade... há vinte minutos.
– O Torao fugiu da cidade há VINTE MINUTOS?
– Sim, pelo que parece o último lugar que ele visitou foi um porto, aí a tornozeleira dele começou a piscar.
– Um porto? Ele fugiu de barco?
– Eu não sei, esse porto tá desativado há um tempo.
– Hancock, me tira daqui agora, eu preciso ir pra lá!
– Hm, o Drake tinha dito que eu podia te desamarrar quando a luz voltasse.
Sem pensar duas vezes, assim que foi solto, Luffy foi correndo para fora de seu apartamento, indo encontrar seu carro. Hancock foi junto com ele.
♠ 13:30h p.m. ♠
Correndo com seu automóvel em maior velocidade possível, Luffy finalmente chegou ao porto, onde percebeu que vários carros da Yard já estavam estacionados. Sem pensar duas vezes, ele e Hancock saíram correndo para dentro do local, onde a tornozeleira de Law ainda estava piscando. Ele, teoricamente, ainda estaria lá.
Quanto mais se aproximavam a pé, mais iam percebendo coisas estranhas. O coração de Luffy palpitava, indicando ser um mau sinal. Começaram a ver diversas faixas amarelas da Yard, impedindo as pessoas de adentrar o local. Já até tinha chamado a atenção de algumas pessoas da rua que ficaram em montes, tentando ver o que havia acontecido lá dentro.
Luffy e Hancock conseguiram entrar mostrando seus distintivos e cada vez o cenário ficava pior. Bem ao longe do porto, onde os barcos estavam estacionados, diversos agentes da Yard estavam tumultuados junto com algumas ambulâncias e paramédicos. A primeira coisa que o moreno viu, não entendendo nada do que se passava, era Kaidou de frente para um médico, conversando com ele.
– Tem certeza que foi só isso que aconteceu? – Kaidou continuava a perguntar, nervoso.
– Parece que alguns agentes também encontraram muita pólvora no chão, como se tivesse troca de tiros. Até viram o sangue de um terceiro, mas sim, somente um corpo foi encontrado morto.
O garoto do chapéu de palha estava desnorteado. Via várias pessoas à sua volta e não conseguia direcionar sua visão para um local específico, graças às batidas aceleradas em seu peito. Tinham vários flashes graças aos agentes que tiravam fotos da cena do crime, muitos médicos, sangue no chão, fita durex como marcação... um clima bem intenso formado.
– E-Eu já disse, eu não sei nada do que aconteceu!
Também outra pessoa estava lá, mas sendo pressionada por diversos fotógrafos que a enchiam de perguntas e fotos. Luffy logo redirecionou seu olhar para ela, uma garota de altura baixa e cabelos loiros rosados.
– Nicolle...
– Mas você não viu nada do que aconteceu? Tem certeza? Qual era sua relação com a vítima? – Os fotógrafos continuaram a perguntar, enquanto a menina simplesmente era acompanhada por um dos agentes da Yard até a saída. – O que você pretende fazer em relação a sua carreira depois disso? Vai deixar depoimento?
– E-Eu não sei, eu... acordei agora e não vi nada, eu nem sei quem são essas pessoas... – Nicolle tentava andar o mais rápido possível, desviando dos repórteres.
– Você foi vista hoje correndo pelas ruas com uma outra pessoa. Qual sua relação com ele? Qual a relação disso com o crime?
– Ela não é obrigada a responder nada, parem com esses flashes antes que sejamos obrigados a tirar vocês daqui. – O agente que acompanhava a loira até a saída falou e logo os outros se afastaram.
– Mas o que aconteceu aqui? – Hancock perguntou, já assustada. – Uma troca de tiros?
O garoto continuava não conseguindo engolir tantas informações ao mesmo tempo, até mesmo estando assustado com o que possivelmente viria a descobrir. Seu coração batia aceleradamente rápido e ele foi correndo até onde as ambulâncias estavam estacionadas.
– Chefe-Diretor Lovato. – Um dos agentes foi até Kaidou.
– Sim?
– Analisando a pólvora, parece que foram dados sete tiros no total, mas que acertaram somente duas pessoas. Três no corpo da vítima, um onde não sabemos onde foi atingido e outras três balas que parecem não ter atingido ninguém.
– Seria tão bom se esse “um” tiver atingido quem eu tô pensando... enfim, obrigado pelo relatório.
– O que houve aqui? – Luffy finalmente tinha chegado próximo à uma ambulância, falando com um dos paramédicos. Seus olhos tremiam de tão assustado que estava, mas tomou coragem mesmo assim para perguntar. – Por que estão falando tanto de vítimas e tiros? Quem foi atingido, afinal?
– Foi encontrado um corpo sem vida com três tiros no peito, até onde eu sei trabalhava na Yard.
– Um corpo..?
– Com licença. – Outro agente da Yard, um loiro alto se aproximou dali, falando com o mesmo paramédico que Luffy havia encontrado.
– Sim?
– George Noahn, Agente-Chefe da Yard. Acabamos de receber autorização para a remoção da tornozeleira da vítima.
– Ah sim, pode entrar, só estávamos esperando isso para sairmos com a ambulância.
– Tornozeleira? – Luffy sente mais um aperto em seu peito e sua respiração começa a ficar abafada; seu coração acelerado e seus lábios trêmulos. – Oi... do que vocês tão falando? – Sua visão também vai borrando-se.
– Sobre a tornozeleira da vítima. – O paramédico volta a dizer e depois se volta para o agente loiro. – O senhor pode ir cortar, se quiser.
– Luffy! – Assim que o garoto foi visto por Kaidou, este foi correndo em sua direção, gritando seu nome. Lovato também estava nervoso com o que havia acontecido, não conseguia evitar.
– Huh, você é o Luffy? – O agente loiro, antes de entrar na ambulância, perguntou.
– Han..?
– Luffy! – Kaidou finalmente chegou de frente para ele. – Eu não tinha visto que você tinha chegado, eu acho melhor você não ficar aqui.
– Kaidou... o que aconteceu? Cadê o Torao? – Ele começou a ficar com falta de ar, inflou as bochechas e deixou derramar algumas lágrimas. – Quem tá nessa ambulância?
– Luffy, eu preciso que você seja forte. Aconteceu uma tragédia agora há pouco.
– Luffy! – Mais duas outras pessoas gritaram o nome do garoto, indo em sua direção. Eram Nami e Roronoa Zoro.
– Eu sinto muito! – A ruiva abraça o garoto o mais forte que conseguia, derramando uma série de lágrimas em seu ombro. – Eu não sei como isso foi acontecer, eu até agora não acredito que isso tenha sido possível. Eu sinto muito, de verdade, Luffy!
– Nami, mas... do que vocês... – O garoto não queria sequer cogitar a possibilidade do que aquilo que pensava ser real. Ele apenas sentia o abraço da ruiva e as lágrimas delas escorrendo por suas costas, fazendo-o agravar seu choro.
– Luffy, eu nem sei o que dizer. – Roronoa se aproxima, fazendo o menor olhar para ele com os olhos cheios de lágrimas e lhe dando um abraço também. – Eu... sinto muito por você estar passando por tudo isso, de verdade.
– M-Mas do que vocês tão falando? O que aconteceu? – O garoto se afastou, ainda completamente em choque. – Isso tudo... isso não pode ser verdade...
O garoto se negava a entender tudo o que estava acontecendo, sua mente estava confusa, suas lágrimas não paravam de cair sob seu rosto. Ele entrou em um desespero momentâneo e tentava apagar de qualquer jeito, a dura realidade.
– Kaidou! – Ele imediatamente vai até o Chefe-Diretor, quase não conseguindo falar devido às lágrimas. – Por que tá todo mundo falando como se o Torao tivesse sofrido alguma coisa? Onde ele tá? Eu quero falar com ele... me diz onde ele tá...
– Luffy, ele... – Kaidou apoia uma mão no ombro do garoto, olhando diretamente para seus olhos tristes. – Eu acho melhor você ir ver pessoalmente.
Ambos, tanto Luffy como o agente que seria responsável por tirar a tornozeleira do outro, entraram na ambulância. Logo viram, deitado na cama, um grande saco preto que foi aberto e revelou uma pessoa, cuja vida já não mais existia. O garoto do chapéu de palha arregalou os olhos e ficou imediatamente tonto, não conseguindo sequer respirar direito ou ter uma visão nítida da situação.
– O quê... isso não... tudo menos isso...
– Que ironia...
Deitado na cama, com o pulso completamente sem vida, estava ele, Trafalgar Law, morto com três tiros diretos no peito. O pobre garoto estava pálido e sua mente não conseguia entender o porquê daquilo.
– To... Torao... – Luffy apenas conseguia tampar a boca com sua mão, derramando inúmeras lágrimas de desespero. Sua voz ficou muda diante do choro e os paramédicos decidiram que o melhor era retirá-lo daquele ambiente. – Por quê... por que isso...
– Luffy, me perdoa... – Kaidou voltou a vê-lo assim que saiu da ambulância, também com um enorme aperto em seu peito. – Eu não pude fazer nada pra evitar que ele...
– Não, isso é impossível. – O garoto ainda se recusava a acreditar, mesmo vendo com os próprios olhos e diante de todos os seus amigos, que também estavam tristes. Luffy foi andando para trás, a fim de tentar fugir. – Isso não é real.
– Luffy... – Nami se aproxima com o braço estendido prestes a tocar em seu ombro.
– Não encosta em mim! – Mas ele acaba se afastando e gritando inconscientemente, virando pra trás e fugindo daquele lugar. – Todos vocês estão mentindo, isso não é possível!
Luffy perdeu o controle e correu para longe daquele lugar, sem nem mesmo saber para onde estava indo. Tudo o que queria era parar de ver os fotógrafos, os agentes, os médicos e até mesmo seus amigos. Queria ficar sozinho e principalmente entender o motivo de tudo aquilo estar acontecendo, o porquê da morte de seu namorado, os motivos. Sua mente estava um tumulto impensável onde ele somente conseguia chorar e correr.
– Psssssiu!
Entretanto, Luffy é obrigado a interromper os passos quando ouve alguém sussurrando. Ele tira um pouco de lágrima de seus olhos, parando para analisar onde se encontrava. Já estava em outro ponto do porto, um pouco mais calmo, onde não havia ninguém, teoricamente.
– Ahn?
– Psiiu, Luffy! Aqui!
Novamente ouviu o mesmo barulho, mas dessa vez conseguiu ver de onde o som vinha. Alguém atrás de um arbusto em um gramado qualquer o chamava, disfarçado entre as folhas. Se tratava de um ruivo que ele já conhecia e não gostava muito, apelidado carinhosamente de “Penguin”.
– V-Você...
– Vem pra cá! – Ele o chama e Luffy vai, mais calmo, sentando no gramado de frente para ele.
– Penguin?
– Luffy, o Law me chamou antes de toda essa confusão acontecer, eu vi o que rolou.
– S-Sério? – O garoto atravessou suas mãos no arbusto, segurando veenemente os ombros do ruivo. – Então me diz! Tá todo mundo dizendo que o Torao morreu, mas isso é mentira, não é? É tudo encenação do Drake, né?
– Ahn, eu... eu queria dizer que sim, mas...
– Mas o quê?
– Luffy, eu... sinto muito, eu não consegui fazer nada pra evitar.
Penguin mostra um rosto amargamente triste de arrependimento, fazendo o coração do menor, que esperava algum tipo de alívio, ficar pior ainda.
– Não... isso não é sério, né?
– Desculpa...
– Não... não, isso é mentira! – Luffy se levanta, ameaçando voltar a fugir.
– Espera! – Mas Penguin o impede, saindo do arbusto e segurando em seu ombro. Entretanto... – Arrrrrrgh!
– O-O que houve com você?
A mão direita dele estava coberta de sangue, com uma ferida em pele viva.
– Não, é que... rolou uns tiros e tudo mais. Eu tentei defender o Law, mas não deu muito certo...
– V-Você tá bem? Quer que eu chame um médico?
– Não precisa se preocupar comigo, isso nem dói mais... pelo menos não comparado a dor de não poder fazer nada pelo seu melhor amigo.
– … – Luffy só sentiu mais vontade ainda de chorar.
– Luffy, eu sei que você tem ótimos motivos pra não gostar de mim e da minha relação com o Law, mas nós realmente éramos bem amigos, e esse incidente agora... isso tudo não é fácil de engolir, sabe?
– Então... é verdade mesmo?
– Eu... tentei evitar de verdade, eu sei que deve ser muito mais difícil pra você ouvir esse tipo de coisa, mas o Law fez a escolha dele.
– Escolha..?
– Pra salvar a vida da Nicolle e não voltar pro submundo... ele acabou preferindo a morte. Ele não queria manchar as mãos de sangue e te decepcionar ainda mais.
– Ahn, foi isso mesmo que aconteceu?
– Ele também disse pra eu te entregar uma mensagem.
Penguin entrega a Luffy, um papel com alguns dizeres.
“Luffy, me desculpa pelo nosso último encontro ter sido durante uma briga. Eu não encontrei outra forma de te proteger. Já te envolvi em tantas coisas ruins graças a merda do passado que eu tive e mesmo no presente eu continuava te magoando sem querer. Eu sei que você vai falar que isso tudo não importa, mas a única forma de eu me redimir por tudo o que você precisou aturar era se eu não voltasse a ser o assassino de antes; se eu voltasse a sujar as minhas mãos de sangue, eu sinto que eu te decepcionaria demais e nunca conseguiria viver em paz com essa culpa.
Eu te amo acima de tudo e nunca conseguiria te magoar, mesmo que eu possa estar fazendo isso agora. Obrigado por amar um idiota como eu, espero que um dia você me perdoe por essa atitude egoísta.
Trafalgar Law.”
Luffy tremia os lábios e mal conseguia ler a carta devido as lágrimas que iam surgindo conforme tentava, embassando sua visão. Ao término da leitura, ele somente conseguiu colocar o papel em seu peito, tentando sentir, mesmo que o mínimo possível, a ínfima presença de seu amado.
Penguin ficou extremamente mal ao vê-lo daquele jeito e também só pensava em Law, até não resistir e se juntar ao menor em lágrimas. Ambos choravam pela recente morte de alguém que ia além da amizade e acabaram se juntando em um abraço, querendo conseguir o mínimo de reconforto.
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