Policial Sujo
23 Jogos Mortais

Uma excelentíssima manhã de sol na Inglaterra. Assim que despertou, Trafalgar Law saiu do hotel onde morava para ir em direção ao seu local de trabalho, mas logo foi abordado por um ruivo que denominou-se Shanks. Um homem alto e que parecia bem apavorado, segurou o braço do médico e começou a correr como se sua vida dependesse disso.
– Ei, me larga! – E Law não estava gostando da situação de ser arrastado por um estranho. – Quem caralhos é você? Isso é um sequestro?!
– Eu já disse, meu nome é Shanks e não, isso não é um sequestro! Você é médico, certo? Eu preciso da sua ajuda!
O ruivo nem permitiu que o médico pudesse acabar de falar, estava correndo descontroladamente até virar a esquina, entrando em um beco com pouca claridade. Trafalgar estava assustado com tudo que estava ocorrendo e exigia explicações, até que forçou o outro a parar.
– Me solta e me explica o que tá havendo! Isso é algum tipo de brincadeira de mal gosto?
– N-Não, não é nenhuma brincadeira. Me disseram que você é médico e que morava aqui pertinho, então eu pensei que fosse a melhor solução!
– A melhor solução é me arrastar pra um beco?!
– Eu fiquei desesperado, foi mal! É que eu tava bebendo com o meu namorado, aí do nada ele começou a morrer e ficou cheio de marcas espalhadas pelo corpo!
– Cara, eu tô absolutamente pouco me fudendo pros seus problemas pessoais!
– M-Mas você é médico, não é? Me ajuda, por favor!
– Você já pensou, sei lá, em chamar uma ambulância?
– C-Como você morava pertinho eu pensei que seria mais rápido se você viesse, então vem logo!
Shanks, mais desesperado do que nunca, ignora completamente o pedido do médico para deixá-lo em paz e corre mais ainda, indo até o final do beco. Estavam correndo tão desesperadamente que Law nem pôde notar aonde estava e também não conseguiu se afastar do ruivo, que era muito mais forte que ele.
E, assim que adentraram o beco por completo, acharam apenas um homem jogado no chão, ao lado de várias garrafas de cerveja e uma arma. Ele era alto, tinha compridos cabelos azuis e um nariz estranho, mas o mais curioso era o seu estado. Sua respiração estava forte, seus olhos fechados e ele se contorcia, como se estivesse sentido uma dor sem igual. Espalhado por seu corpo, também haviam várias manchas verdes.
– Wow, a situação tá ruim, hein. – Law comentou. – E por que tem uma arma no chão?
– Agora você entendeu porque você precisa me ajudar?!
– Olha, eu vou fazer o seguinte, eu vou chamar uma ambulância pra vocês, tá bom?
– N-Não dá...
– Por quê?
– É que tipo... o Buggy fugiu da prisão e eu também tenho uns problemas com a polícia...
– Puta que pariu...
– Por favor, ajuda a gente, eu pago! Não parece, mas eu tenho muito dinheiro em casa!
– Tá bom, eu vou dar uma olhada nele, mas eu não prometo nada.
Tomado pela súplica do ruivo, Law vai em direção a Buggy e começa a olhá-lo de perto. Estava em uma situação bem grave, não conseguindo falar por sua respiração sair pela boca e seu estado de tontura visível, além de uma temperatura extremamente elevada. O médico abriu alguns botões de sua camisa para ver seu peito e lá tinham centenas de marcas verdes estranhas.
– V-V-Você tem alguma ideia do que seja? É grave? Olha, se precisar de ambulância eu chamo, mesmo que eu vá preso depois! – Shanks estava terrivelmente desesperado e já estava sem unhas de tanto roê-las.
– Ele ficou assim há quanto tempo? – Law apenas arqueou uma de suas sobrancelhas, achando estranho aquele estado.
– Há menos de quinze minutos! Tava tudo normal, nós estávamos bebendo aí do nada ele ficou assim!
– Tinha outra pessoa bebendo com vocês?
– Isso importa? Por favor, faz alguma coisa, eu não aguento ver ele assim! Nós nos conhecemos desde crianças, é muito agonizante...
– Só me diz, qual das garrafas ele exatamente bebeu?
Shanks pega uma garrafa de cerveja que estava no chão e mostra para Law, com pressa, querendo logo saber a resposta de suas perguntas e não aguentando ver o médico naquela calma. Tudo o que o moreno fez foi, estranhamente, aproximar o objeto até seu nariz e cheirar.
– I-I-Isso não é hora de cheirar cerveja, me diz logo o que tá acontecendo com o Buggy!
– Tá com veneno. – Afirma. – Eu tenho bom olfato, alguém pois veneno na bebida dele.
– FILHO DA MÃE! – O ruivo fica com tanta raiva que pega a garrafa das mãos de Law e a joga na parede, indo até ela após, para dar inúmeros socos na tentativa de se acalmar. Seus dentes estavam rangendo de tanto ódio que sentia. – Eu sabia que não dava pra confiar em gente assim!
– Caramba, mas isso é muito legal. – Trafalgar, ao contrário, estava sorrindo estranho. Ficou olhando para Buggy e, cada vez mais surgiam manchas verdes na pele do de cabelos azuis. – Eu nem acredito que isso tá acontecendo...
– O quê? – Shanks vai até Law e segura em seu ombro, o balançando desesperadamente. – Ei, por que você tá sorrindo assim? Qual é a graça? Faz alguma coisa!
– Mano... – Law não conseguia parar de sorrir. – Isso não é um veneno normal, seja lá quem for, a pessoa que fez isso deve ser um cara incrível!
– DO QUE VOCÊ TÁ FALANDO?
– Só existe um tipo de veneno capaz de deixar esse tipo de mancha no corpo de uma pessoa, além de uma temperatura tão grande como essa. Eu não duvidaria se ele estivesse com 42º. Meu sonho de infância sempre foi matar alguém assim!
– NÃO FODE COMIGO! – Shanks fica mais desesperado ainda. – Não fode! – E de seus olhos começam a cair lágrimas sem parar, fora o fato de estar balançando os ombros de Law e até o arranhando sem querer. – De que merda você tá falando? Você é doente!
– Foi mal, eu falei sem pensar, é que isso é incrível! O veneno da Namíbia é o veneno mais raro do mundo, o mais letal e o mais antigo. Dá pra fazer uma série de coisas com ele e ele é retirado de uma flor que já foi extinta há séculos!
– Eu não quero saber disso!
Shanks desiste de segurar os ombros de Law e vai até onde Buggy estava, sentando no chão junto a ele. Cada vez seu estado piorava, seu corpo se enchia de marcas verdes que se intensificavam, quase espalhando-se pelo corpo todo. Os olhos de Buggy não encontravam força para abrir, mas ele estava vivo e respirando, apesar de suar tanto que quase lhe faltava água.
– S-Shanks...
– Buggy! – O ruivo segura a cabeça do outro e fica olhando diretamente para ele, com os olhos cheios de lágrimas. – Vai ficar tudo bem, eu prometo... você vai sair dessa...
– … tá doendo...
– Não fica assim... – Shanks deita seu rosto próximo ao pescoço do outro, escondendo suas próprias lágrimas e tentando soltar um sorriso falso para acalmá-lo, mas não conseguindo totalmente. – Não se preocupa, logo você vai ficar bem, tudo isso não vai ter passado de um pesadelo...
– Eu nunca imaginaria que conseguiria encontrar esse veneno. – Law comenta. – Eu procurei por ele por tantos anos...
– Ei, você! – Shanks encosta o rosto de Buggy novamente no chão, indo até o médico e segurando sua camisa com força. – Você não vai fazer nada pra ajudar? Não tem antídoto nenhum?!
– Existe um antídoto, é uma substância extraída de uma outra flor.
– E onde eu arranjo essa flor?!
– Como eu disse, esse veneno foi extinto há séculos, muitos médicos nem sabem da existência dele. Ele era comercializado pelo submundo e usado como arma, mas há centenas de anos atrás. Eu passei uns vinte anos procurando por ele e nunca achei.
– Então não tem cura, é isso?
– A flor do antídoto é rara, não existe na Inglaterra e é impossível achá-la, fora que ele também não tem muito tempo de vida.
– Não tem muito tempo de vida? Não fala isso...
– Sinto muito, mas é verdade. Com a temperatura elevada ele vai desidratar e o veneno é extremamente letal, eu diria que ele tem uns... dez minutos.
– DEZ MINUTOS?!
– Você tem o contato com a pessoa que o envenenou? Ele pode ter o antídoto, é a única maneira de salvá-lo.
– Não, não tenho! Como assim dez minutos? Não tem nada que você possa fazer pra, sei lá, dar mais um tempo de vida a ele? Se for necessário eu chamo quantas ambulâncias puder!
– Não adianta chamar ambulância, o antídoto é rato. Ele vai morrer antes de qualquer carro chegar.
– AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!!!
Assim que ouviram o grito enorme que veio de Buggy, os dois foram correndo em direção a ele e Shanks estava mais apreensivo do que nunca, arrancando seus próprios cabelos vermelhos e derramando lágrimas como um condenado. Law ficou observando os efeitos do veneno, mas também acabou se preocupando com o estado que o ruivo se encontrava.
– Cara, você precisa se acalmar.
– ACALMAR COMO? – Shanks arregalava os olhos ao falar com o médico. – A CULPA É MINHA! Eu não devia ter saído pra beber de manhã, principalmente confiado em um filho da mãe como esse cara, eu não fazia ideia de que ele era um envenenador desgraçado!
– Exatamente, você não fazia ideia, a culpa não é sua e não vai adiantar de nada você ficar se lamentando. Você já fez tudo que podia pra salvá-lo, se continuar desse jeito é capaz de você acabar ficando doente também!
– EU NÃO ME IMPORTO! Eu não me importo comigo mais do que eu me importo com as outras pessoas, principalmente com ele! Eu tenho dinheiro, eu juro que tenho dinheiro, se você souber de qualquer coisa pra curá-lo me conta, eu imploro!
– Não é questão de dinheiro, eu já te expliquei que é impossível achar o antídoto e nós também estamos sem tempo! Só se acalma, não tem nada que você possa fazer, então não se culpa.
– AAAAAAAAAHHHH!! – Buggy gritou mais alto ainda, se contorcendo com a dor. Cada vez mais manchas verdes apareciam em seu corpo, quase não dando para ver a pele por baixo.
– ELE TÁ SENTINDO DOR! – E o ruivo novamente volta a puxar a camisa de Law. – Pelo menos não deixa ele sentir dor, por favor, faz qualquer coisa!
– Cara, eu tenho uma sugestão, mas eu acho que você não vai gostar.
– O que é? Eu faço qualquer coisa, então me diz logo!
– Olha... não tem saída, não dá pra encontrar um antídoto e ele também já não tem muitas horas de vida.
– O que você tá sugerindo?
– Eu só tô dizendo que, se você não acabar com isso logo, ele vai ficar agonizando em dor até morrer.
– Você... VOCÊ FICOU LOUCO! Eu não vou fazer uma coisa dessas, eu não tenho coragem nem de pensar em um absurdo desses!
– NÃO TEM OUTRA SAÍDA!
– TEM QUE TER!
– Ah é, então qual é? Eu tô te dizendo, é impossível ele sobreviver, ou você deixa ele morrer de dor naturalmente ou...
– EU NÃO VOU FAZER ISSO! Pra você é fácil falar, você é um assassino que não tem remorso, mas eu não sou assim! Você não faz ideia do que é ver uma pessoa que você ama morrer dessa forma!
– Eu sei que é difícil, mas você precisa pensar por todos os lados!
– NÃO, NÃO SABE! Se você soubesse não estaria dizendo pra eu fazer um absurdo desses!
– FAZ ISSO POR ELE! Você disse que não quer fazê-lo sentir dor, certo? Então é a única saída, se não ele vai continuar sofrendo até morrer, é óbvio qual é a melhor escolha!
– EU NÃO VOU FAZER ISSO!
– ÓTIMO, ENTÃO NÃO FAZ. Não faz, eu não tô te obrigando a fazer nada, eu só tô abrindo a sua cabeça pra você perceber que não tem muitas opções! Você tá sendo egoísta.
– Egoísta?!
– Egoísta por fazer ele sentir dor, quando você sabe muito bem o que deve fazer!
Shanks para de falar e fica encarando o médico, tremendo as mãos e os lábios sem saber o que fazer. Lágrimas não paravam de cair de seus olhos e sua mente estava tão vazia, que suas ações eram inconscientes e não sabia direito o que estava fazendo. Andou, devagar e hesitante, até a arma que estava jogada no chão e a pegou.
Foi em direção a Buggy, olhando para o homem que amava e que conhecia desde a infância, estirado no chão, contorcendo-se de dor e soltando gritos enormes. Elevou a mão, apontando a arma diretamente para ele, tremendo bastante e sem ter plena certeza do que estava fazendo.
Ao mesmo tempo, sem querer ver aquela cena, Trafalgar virou de costas e ficou olhando para as paredes do beco, colocando suas mãos no bolso, só esperando o som do disparo. Todos os tijolos estavam com desenhos de grafite, formas geométricas não-identificadas e algumas frases, típico de locais onde geralmente ficam os adolescentes.
Ficou olhando fixamente para a parede do beco por não querer assistir à cena de despedida de Shanks e Buggy, até que algo chamou sua atenção. Existiam alguns símbolos grafitados no tijolo, em tamanho pequeno, mas que ele já conhecera. Arqueou suas sobrancelhas, se aproximando e encarando, tentando entender o significado daquilo.
Foi andando mais em direção a parede, observando os símbolos desenhados. Seus olhos chegavam a tremer e sua boca balbuciar, pois não estava acreditando no que estava vendo. Na parede do beco escuro, feito com tinta normal de grafite, uma mensagem que ele não havia percebido apareceu, escrita diretamente numa língua que somente ele conhecia.
– ESPERA AÍ!
E gritou, correndo na direção de Shanks assim que conseguiu entender qual era a mensagem dessa vez, contudo, já era tarde demais. No mesmo segundo em que gritou, o ruivo puxou o gatilho da arma, disparando um tiro certeiro no corpo de Buggy, que parou de se contorcer com a dor, pois já estava morto.
– Eu fiz... – Shanks imediatamente largou a arma, voltando a chorar mais forte do que nunca. – Não acredito, eu fiz mesmo...
Trafalgar ficou pálido ao ver a cena, mas o ruivo realmente matou o companheiro como ele havia sugerido, para aliviar a dor. Entretanto, a mensagem ainda o preocupava. Percebendo que talvez tenha cometido um terrível erro, Law correu na direção do corpo morto de Buggy, sentando no chão e colocando a mão no bolso de sua calça. Encontrou um objeto e ficou o encarando profundamente.
– Não acredito... – Em suas mãos, ele segurava um tubo de ensaio lacrado, com uma substância roxa dentro. Grudado no vidro, também estava um adesivo com um pequeno dizer escrito.
"Um presentinho pra você, bebê."
– O quê? – Shanks perguntou, tentando parar de chorar, sem mais energia para nada. – O que houve?
– Shanks...
– Hm?
– Qual é o nome da pessoa que fez isso?
– Por que a pergunta? – O ruivo se aproximou. – Ei, o que é isso aí que você tá segurando?
Law estava agachado no chão, segurando o vidro com a substância, com a pele pálida e lábios tremendo devido ao ódio que estava sentindo no exato momento. Ele se levantou, guardando objeto e indo embora, sem falar com o ruivo ou dar qualquer tipo de satisfação, até que foi impedido. Shanks segurou seu braço.
– Espera aí! O que tá acontecendo, tem alguma coisa que você saiba que eu não sei?
– Não é nada.
– O que é aquele negócio que você pegou no bolso do Buggy?
– Como eu já disse, não é nada. Eu preciso trabalhar, tchau.
– EI, ME FALA! – Shanks não o deixa sair, olhando bem no fundo de seus olhos cinzas. – ME FALA O QUE É!
– Eu já disse, não é–
– NAQUELA HORA.... naquela hora você disse... você gritou "espera aí"…
– Eu não disse nada.
– DISSE SIM! – O ruivo o balança pelo ombro. – Você tentou me impedir de fazer o que VOCÊ FALOU PRA FAZER!
– EU NÃO FALEI NADA! Eu só... sugeri.
– Então me diz, por que você olhou no bolso do Buggy?
– Não te interessa.
– INTERESSA SIM!
Shanks se zanga e pega, usando sua força, o objeto que estava escondido agora no bolso de Trafalgar. Um tubo de ensaio com uma substância roxa, que fez com que suas mãos parassem de tremer e ele se acalmasse, pois estava tão em choque, que qualquer reação era impossível de ser feita.
– Eu não queria que você visse isso.
– Isso...
– É o antídoto.
"Olhe no bolso dele"
É o que estava escrito na mensagem encontrada na parede do beco.
Shanks ficou olhando para o vidro, esquecendo tudo que existia ao seu redor e percebendo suas ações se desfazendo, seus sentidos sumindo, sua audição cessando em uma descrença hipnotizante. Derrubou o vidro no chão, graças ao peso em suas mãos, quebrando-o e espalhando sua substância. Em seguida, voltou a segurar a arma.
– O antídoto estava o tempo todo... aqui...
– A culpa não é sua, você fez o que tinha que fazer pra aliviar a dor dele, eu também não sabia que o antídoto tava aqui, então não faz nenhuma besteira e coloca essa arma no chão!
– Eu matei ele... à toa...
– Não, não fala isso, você não sabia!
– Eu não consegui parar...
– Não faz isso!
Elevou o braço que segurava a arma mais para cima, apontando para sua própria cabeça e olhando fixamente para o médico, que tentava falar para ele parar, mas o próprio Shanks não mais o ouvia, seus pensamentos perderam-se há tempos. Puxou o gatilho com certeza, cometendo suicídio.
Trafalgar andou para trás, não acreditando no que havia acabado de acontecer, até bater as costas na parede e seu corpo ir caindo, caindo, caindo até sentar no chão, sentindo um ódio profundo corroendo sua garganta graças a tudo o que viu, as mensagens escondidas e a raiva da pessoa que as mandou. Eis que, seus olhos batem no chão, na direção em que a arma estava.
E notou, de relance, que a arma estava com uma etiqueta. Não sabia se era proposital, nem tinha plena certeza de qual seria o melhor a fazer, só foi até ela e a pegou, olhando para o papel branco que surgiu. Uma outra pequena mensagem, escrita na mesma língua de sempre.
"Você falhou."
(...)
Um tempo depois, porém em outro lugar, Monkey D. Luffy estava na sala de reuniões junto com seus amigos e também companheiros de trabalho. Estavam conversando sobre assuntos aleatórios enquanto não tinham nada para fazer, eis que o moreno toma a voz.
– Onde o Torao se meteu?
– Deve tá dormindo. – Afirmou Zoro.
– E a tornozeleira dele? – Perguntou Nami.
– Nela tá dizendo que ele ficou parado em um beco por muito tempo, mas agora tá em casa.
– Melhor ligar pra ele, deve tá aprontando.
– Eu não, cansei de ficar na guarda dele, só faz besteira toda hora e mente pra mim.
– Eu concordo com o Luffy. – Diz o de cabelos verdes. – O Trafalgar tá com três crimes na cola dele e ainda falta ao trabalho, tem mais é que se dar mal mesmo.
– É exatamente por isso que precisamos ficar na cola dele, poxa! – Fala a ruiva. – O Zoro eu sei que não se importa, mas não custa você ligar, Luffy.
– Pra quê, pra ele inventar uma desculpa qualquer?
– Eu voto em esquecermos o Trafalgar e ir fazer alguma coisa útil. – Sugere Zoro. – Querem ir pegar um cineminha?
Contudo, antes de responderem, o celular de Luffy toca.
– É o Torao! – Ele diz, olhando o nome na tela.
– Então atende! – Exclama Nami.
– Vamos fazer uma aposta? – Indaga Zoro. – Eu aposto vinte euros que ele fez alguma besteira.
– Eu não me arrisco. – Fala Luffy.
– Pois eu aposto que o Trafalgar tem um ótimo motivo pra não vir e não fez nada de errado. – A ruiva se posiciona. – Nós precisamos acreditar que ele tem salvação, né!
– Eu vou atender. – O moreno atende. – Alô, Torao.
"Luffy, eu tô... muito chapado..."
– O Zoro ganhou a aposta.
– Yeah! – Ele comemora. – Pode ir passando o dinheiro, Nami!
– Aff, que seja, eu vou descontar dos oitenta mil euros que você me deve.
– Que oitenta mil euros?!
"Que aposta?"
– Isso não importa, me diz logo o que você fez dessa vez, Torao.
"Ah, eu fiquei nervoso, aí... eu precisei me acalmar, né... aí..."
– Por que você ficou nervoso?
"Você sabe, a vida... ela é muito maluca... aí ela deixa a gente nervoso..."
– Me diz logo o que você fez!
"Quando eu era pequeno eu sonhava em encontrar uma flor... eu gostava de flores... mamãe dizia que eu era uma flor..."
– Você tá péssimo.
"Mas hoje eu encontrei a flor... Luffy..."
– O que houve?
"Eu encontrei um cara doente em estado terminal no beco, ele acabou morrendo aí o namorado dele se suicidou..."
– V-Você tá bem? De onde você conhece esses caras?
"Eu já liguei pro IML e eu não conhecia, foi tipo na hora... aí eu... tô muito chapado..."
– T-Tá, olha, descansa, tá bom? Toma uma água e não use drogas.
"É natural... Luffy... não morre por favor..."
– Eu não vou morrer...
"Eu te amo."
Após terminarem a conversa e desligarem os celulares, Luffy conta para seus amigos o que aconteceu com Trafalgar e fica preocupado imediatamente, sem saber o que fazer ou se deveria ir lá. Os outros se ativeram às preocupações, mudando de assunto para não dar um clima dramático.
– Tá, mas tirando o lance do Trafalgar, até que o dia está sendo ótimo! – Exclama Zoro.
– E como! Tá bem agitado, não? – Confirma Nami.
– O que houve?
– Você ainda não sabe, Luffy?
– Sei do quê? – Estava totalmente distraído por pensar em Law.
– Sobre a decadência do submundo! Estão chamando de "Queda do Rei". – Exalta Nami.
– O pessoal do líder do submundo, Joker, andou meio descuidado e acabaram vazando os nomes de várias pessoas envolvidas em tráfego de drogas e de armas. Foram uns cinquenta presos só hoje! – Exclama Zoro.
(...)
– LAW-NII, EMERGÊNCIA!
– AI MEU DEUS, ESTAMOS SENDO INVADIDOS POR CABRAS GIGANTES COMEDORAS DA VACAS QUE VIERAM ARRANCAR OS LEITES DAS MÃES?
– … Quê? Não...
Já era de tarde. Trafalgar estava sentado em seu sofá, comendo chocolate, pizza e pipoca, com orelhas de Mickey na cabeça, quando Penguin invade sua casa, chutando a porta e dando um grito que foi respondido espontaneamente. O ruivo se acalmou, entrando no apartamento do médico.
– Por que você tá com orelhas do Mickey?
– Porque eu gosto do Mickey.
– Tá, isso não importa, você não vai acreditar no que aconteceu!
– Penguin! – Law abre um enorme sorriso e também seus braços, correndo alegremente na direção do ruivo e o abraçando. – Eu te amo!
– Ok...
– Você gosta de pôneis?
– Law-nii, não é por nada não, mas é assunto sério.
– Eu também tenho um assunto muito sério.
– E qual é?
– Eu aluguei o DVD de My Little Poney, mas eu não tenho Blu ray. O que eu devo fazer?
– Sem querer ofender, mas o meu assunto é um pouco mais sério.
– Impossível. O que é mais sério que My Little Poney?
– Seis amigos meus foram presos hoje graças aos seus amiguinhos do Submundo!
– Eu prefiro pôneis.
– Eles estão vacilando e disseram que não vão liberar os meus vinte e cinco milhões por enquanto!
– Penguin, Penguin, Penguin, você está muito nervoso. Vem comigo. – Law pega a mão do ruivo, arrastando ele até seu próprio quarto e o jogando em uma cadeira qualquer, virando-se de costas e indo até o armário pegar alguma coisa.
– Cara, eu acho melhor voltar em outra hora, você não tá bem. – Comenta, sentado.
– Você precisa de mais cores alegres na sua vida! – O moreno volta do armário, carregando consigo um colar de flores e enfeites de cabelo do mesmo tema, colocando em Penguin contra a própria vontade dele.
– Você... tá estranho...
– Você é muito sério, deveria sorrir mais, a vida é tão curta! – Law gira olhando e com os braços para cima. – Vamos ser felizes!
– Não acredito... que você tá me dizendo isso... logo você...
– Quer ser o meu amigo colorido?
– Não...
– Vamos sair por aí distribuindo paz e amor!
– Você andou falando com o Brad?
– Isso! Vamos chamá-lo e vamos ser todos amigos, porque a amizade é tudo na vida!
– Quê?
Trafalgar fica dando vários giros, levantando os braços para o céu e deixando Penguin cada vez mais assustado, soltando uma risada muito estranha, até que para de girar. Fica tonto no começo, mas acaba andando para trás e caindo na cama, de braços abertos, olhando fixamente para o teto e pensando na vida. Fica pensando tanto que seu sorriso acaba se desfazendo e ele sente um sono muito profundo e depressivo.
– Eu sinto saudades dele...
– Dele quem?
Ficam em um silêncio profundo e nenhuma resposta é obtida, então Penguin levanta da cadeira para ter certeza do que imaginava e percebe que Law estava dormindo profundamente. Não querendo acordá-lo, somente saiu de sua casa, pegando um pouco de pizza e indo embora.
No dia seguinte, acordou com um mal humor incrível e dores fortes de cabeça, se dirigindo até o banheiro e tomando uma ducha gelada, escovando os dentes e descendo para tomar café da manhã, sem nem se lembrar o que fez no dia anterior. Depois de tomar café, dirigiu-se até o local onde trabalhava e chegou na Central.
– Yo!
– Torao! – Luffy o cumprimenta. – Chegou cedo dessa vez, continue assim.
– Trafalgar. – Porém, além do garoto moreno, Boa Hancock também estava presente e seu olhar ameaçador vinha em conjunto. – Não vai se esquecer dos seus compromissos, hein.
– Que compromissos, sua louca?
– Hoje às quatro horas você tem audiência, lembra?
– Puta merda, esqueci completamente! Eu tenho que ver se meu advogado tá aí.
– Se prepara, hoje pode ser o dia da sua prisão. Como se sente?
– Sinto que você vai quebrar a cara, porque eu sou inocente.
– Se tem alguma coisa que você não é, é inocente. Te vejo mais tarde. – E ela dá as costas, indo embora.
– Tsc, mulher insuportável, tinha que morrer engasgada.
– Não fala assim! – Luffy o impede de continuar os insultos. – Tá tudo bem com você? Eu fiquei preocupado pelo lance de ontem.
– Tá tudo bem, não se preocupa.
– Não, não tá tudo bem.
Uma pessoa se aproxima, com passos apressados e pesados, além de uma cara irritada de quem não estava prestes a dar boas notícias. Era Roronoa Zoro, impedindo totalmente Law e Luffy de terem uma conversa pacífica, inclusive os assustando com seu jeito.
– O que houve? – Perguntou Luffy.
– Trafalgar, eu tenho boas e más notícias pra você.
– Isso não tá com um cheiro bom...
– A boa é que você não vai precisar mais de advogado, porque você não será mais processado pela Boa Hancock.
– JURA? – Abre um enorme sorriso. – Que maravilha, melhor notícia! E qual é a má?
– A má é que você está preso.
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