Policial Sujo
48 Epílogo
Notas iniciais

Todos em suas posições, o confronto final chega cada vez mais rápido. As centenas de agentes especiais da Scotland Yard estavam reunidos sob o comando de Kaidou para preparar a prisão de dois jovens, dentre eles Trafalgar Law, que cumpria já liberdade provisória, e Diez Drake, ex-Vice-Diretor.
As tensões naquele lugar, entretanto, só aumentavam drasticamente. Uma pessoa que já fora dada como morta, Donquixote Rosinante, agora conhecido como George Noah, havia sido responsável por prender seu próprio irmão, o até então Joker, e colocá-lo no carro da Yard, formalmente algemado.
— Eu ainda não acredito que você estava vivo durante todo esse tempo.
O clima poderia estar a catástrofe que fosse, a atenção de cada um voltava-se para outros. Duas pessoas civis também haviam chegado ali, representando os piores medos de Kaidou e Drake. Por incrível que parecesse, para esses dois homens, bastava a presença de uma singela mulher sorridente já idosa para que se desestabilizassem.
— C-Como assim ela tá viva? – Kaidou indagava, trêmulo, junto com Drake, esquecendo por um segundo que eram inimigos naquele local.
— E-Eu descobri ano passado, eu até pensei em te contar, mas eu achei que isso só traria más lembranças. Eu jurava que ela tinha morrido!
— Bom, mas ela não só não morreu, como tá bem aqui, idiota!
— Eu esperei tanto pra poder te rever. – Rosinante ignorou seu posto como policial, acariciando o rosto de Law. – Eu odiei ter que me fingir de morto durante todos esses anos.
— Então quer dizer que o George é na verdade o irmão do Mingo? – Luffy perguntou, juntamente reunido com eles. – Pera, isso significa que vocês dois já namoraram?
— O Cora-san foi um dos motivos por eu ter aguentado ficar no submundo e casado com o Doflamingo. – Law explica, abraçado a ele. – Na verdade foi o único motivo.
— Muita coisa mudou naquela época, pra falar a verdade nós nos odiávamos no começo. – O loiro fala.
— Eu não te odiava, você me odiava. Tudo por causa da minha idade. – Retruca, fazendo beicinho.
— E você me odiava porque eu te odiava, então dá na mesma.
— Isso é incrível... – Luffy comenta, ainda curioso. – Bem que eu achei o Mingo parecido com o George.
— Querem biscoito?
Não se sabe o motivo, talvez fosse um dos maiores mistérios, mas uma pessoa tão extremamente dócil foi capaz, há muitos anos, de marcar um trauma na vida daqueles dois que, mesmo sendo já policiais reconhecidos, não poderiam deixar de se intimidar.
— Waaah! – E gritaram de susto quando Amélia, mãe de Law, chegou próximo a eles, oferecendo alguns de seus famosos biscoitos. Até mesmo voltaram a se abraçar.
— Tsc, você só me dá trabalho. – Ao mesmo tempo, o pai de Eustass, casado com ela, foi reclamar com Trafalgar usando seu jeito rabugento de se referir.
— Que que você quer agora, velhote? – E Law responde no mesmo tom.
— Eu não estou falando contigo, marginal. – William se vira para Rosinante. – Você! Não pense que eu vou te perdoar, o meu filho não gostava nem um pouco de você.
— Eu sinto muito pela morte do Eustass, eu fiquei sabendo na época.
— Eu não quero saber das suas desculpas. Então você se tornou policial? Hmpf, uma profissão tão inútil quanto você. De qualquer maneira eu já sabia que cê tava vivo, mas fiquei torcendo pra ser mentira.
— Para de falar assim com o Cora-san! – Law o confronta.
— Hã, como é que é, fedelho? – E em troca, William bate na cabeça dele com a bengala. – Não levanta a voz pra mim! – E bate de novo. – Fui eu quem te criei todos esses anos, seu mal agradecido! – Bate de novo.
— Criou merda nenhuma, tudo o que você fez foi ficar batendo com essa coisa em mim!
— Como é que é?!
“Chefe-Diretor, Kaidou. Chefe-Diretor.” — Ao mesmo tempo, Kaidou recebeu uma transmissão em seu comunicador.
— Ahn? – E ele próprio já havia se esquecido de sua missão, mas logo se lembrou e respondeu. – Ah sim! O que é? Diga.
“Não, é que... chegaram alguns civis aí, nossos policiais ainda estão aguardando ordem para prender os procurados.”
— Claro, claro, eu me distraí por um minuto.
“Podemos tirar os civis daí?”
— Não! Não, se vocês tentarem fazer alguma coisa contra essa mulher, ela vai marcar o rosto de vocês.
“Ahn?”
— Deixa que eu resolvo aqui por enquanto.
Em meados de toda aquela perseguição, Kaidou esquece por um segundo a razão de seus medos e olha diretamente para Drake, que retribui o olhar, ambos ainda não tendo plena certeza de seus feitos ali. Por terem tido um grande passado juntos, por mais que a decisão fosse óbvia, não era tão simples, tampouco fácil.
— Você vai mesmo continuar com isso? – Pergunta o ruivo de olhos azuis, ainda em fase de conformação.
— Você sabe que eu preciso.
Flashback final de Kaidou e Drake
Pouco mais de um ano atrás
Certo dia, na central da Scotland Yard, Kaidou, o Chefe-Diretor, estava trabalhando costumeiramente em sua sala, quando ouviu batidas em sua porta. Deu permissão e um de seus agentes entrou, dando-lhe um comunicado.
— Chefe-Diretor, como o senhor sempre pede informações sobre o Trafalgar, nós temos mais um caso envolvendo ele.
— Ótimo, prossiga.
— Um cadáver foi encontrado e ao lado dele, uma mensagem criptografada com o nome de Trafalgar Law aparecendo. A equipe dele e de Luffy já estão sabendo do caso.
— Mensagem criptografada?
— Aqui.
Eis que, quando Kaidou vai ver, tratava-se de um papel com alguns símbolos estranhos somente dando para ler o nome de Trafalgar no final. Ele, entretanto, já sabia muito bem que era a linguagem que Law e uma outra pessoa usava no período em que estudaram juntos.
— Jesus... ele voltou. – E ao se dar conta, ele fica rapidamente preocupado, colocando a mão na boca em surpresa.
— Ahn, Jesus voltou?
— Tá mais pro retorno de Lúcifer... de qualquer maneira, obrigado, pode deixar que eu assumo daqui.
— Sim, senhor.
Mesmo que continuasse intrigado, Kaidou voltou para sua casa após o expediente visto que não poderia fazer nada com a falta de informações. Contudo, ao chegar em seu destino, notou que havia um envelope com um bilhete na porta de onde morava.
“Por que você tem tantos gatos?” — Dizia o bilhete. Lovato já ficou hesitante em entrar em sua própria casa.
Mas acabou ignorando e entrou, vendo todas as coisas em seus devidos lugares e a casa aparentemente vazia, somente cheia com os muitos felinos que tinha. Ainda sim, ele ficou procurando por algo que poderia estar fora do lugar e acabou notando que tinha outra carta amarrada no pescoço de um dos gatos laranjas que também tinha olhos azuis.
— Filho da mãe, ele entrou mesmo na minha casa.
“Esse aqui é parecido comigo, gostei dele.”
♣ ♥ ♠ ♦
No dia seguinte, quanto estava prestes a sair de casa e ir trabalhar, Kaidou percebeu que, do lado de fora de sua porta, havia um buquê de flores com, novamente, um bilhete entre as rosas.
“Me desculpa.”
— Eu, definitivamente, nunca vi ninguém gostar tanto de bilhetes assim.
Em seguida, pegou seu carro, dirigindo em direção a Scotland Yard. No caminho, acabou tendo que parar em um sinal vermelho, que foi quando uma pessoa desconhecida bateu no vidro de sua janela e pediu pra Kaidou abaixá-la.
— Hm?
— M-Me mandaram te entregar isso. – E a pessoa dá a ele uma outra carta, indo embora correndo logo em seguida.
“51.498546, -0.133026, 8PM“
— Coordenadas?
Mesmo já estando de saco cheio em receber tantos bilhetes aleatórios, Kaidou apareceu onde as coordenadas marcavam no horário escrito. Era uma rua, nada habitada e também com pouca iluminação. No chão, ele encontrou mais bilhetes ainda, todos com pedras em cima para que não se perdessem com o vento.
“Onze passos ao norte.”
— Isso é sério? Caça ao tesouro?
“Treze ao leste.”— Mais bilhetes surgiam quanto mais ele andava.
“Sete ao norte.”
“Três ao oeste.”
Até que, seguindo as indicações dos bilhetes, ele acabou por encontrar um beco escuro com as paredes pichadas. Não era um qualquer, mas sim, o último lugar onde os dois se encontraram antes de se separarem. Lovato andou até o final, onde não havia quase resquícios de luz e tinham algumas caixas quebradas com gatos de rua ao redor.
— Por que você me trouxe aqui? – Perguntou, sem ver ninguém aonde estava, mas tendo certeza de que havia uma pessoa ali. Não demorou muito, logo as caixas vazias começaram a fazer barulho e os gatos se assustaram, saindo correndo. Uma pessoa estava escondida entre elas.
— Porque já faz tempo que eu não venho a Londres. — Eis que, por cima das caixas, uma sombra surge se aproximando de Lovato e permitindo que o último raio de sol que era encontrado naquele beco iluminasse seus cabelos laranjas e mostrasse seus olhos azuis. – Eu não tinha muitos lugares em mente.
— … – Kaidou hesita por um instante, mas ambos acabam trocando olhares, engolindo seco. – Eu não te vejo há mais de cinco anos.
— Desculpa ter sumido tanto tempo sem deixar notícias. – Ele se aproxima, devagar. – E então?
— “Então”?
— Por que você tem tantos gatos agora?
— Você invadiu a minha casa, Drake.
— Eu não invadi, você não trocou a fechadura.
— Usar uma chave que eu te dei há mais de dez anos pra entrar na minha casa sem a minha permissão continua sendo invasão.
— Vai me prender por isso?
— Eu deveria te prender por muito mais coisas. Por que você fez isso?
— Eu não sei de você há anos, eu queria saber como andava a sua vida.
— E a melhor forma de descobrir isso é invadindo a minha casa?
— A casa de uma pessoa é onde ela guarda toda a vida dela. Bom, agora eu reconheço o seu amor por animais.
— Por que você voltou depois de tantos anos?
— É complicado explicar...
— Pode começar dizendo porque você mandou uma carta pro Law, matando uma pessoa.
— Tem a ver com o submundo.
♣ ♥ ♠ ♦
— Então ele não morreu de verdade?
Para continuarem a conversa sozinhos, entraram no carro, onde foram até a casa de Kaidou. Ficaram no sofá, onde o ruivo pôde contar tudo sobre o assassinato de Vergo no submundo, motivo pelo qual ele deveria levar Trafalgar de volta para Doflamingo, onde voltariam a ser casados e o moreno passaria a ser o novo Corazón.
— Não, ele nem faz ideia de que isso aconteceu. – Drake explica. – Eu mandei os dois inúteis pra uma viagem com a família com tudo pago, eles vão ficar longe de Londres. De resto, arranjar uns bonecos pra falsificar a morte deles foi até bem fácil.
— E as pessoas que pensarem que eles morreram?
— Nenhum civil de verdade vai achar isso, só a Yard. As testemunhas também vão ser todas conhecidas por mim, alguns que trabalham no submundo e que usam disfarces de civis. No final, ninguém vai saber que é mentira.
— Tudo isso só pra mandar bilhetes pro Law?
— É um jogo.
— E Buggy?
— Não, ele morreu de verdade, mas era só um vagabundo procurado, não faz diferença. Iria pra prisão do mesmo jeito.
— É incrível como depois de todos esses anos você só continua me dando trabalho...
— Mas e aí, você vai me ajudar ou não?
— Te ajudar como?
— Continua traçando um plano pra destruir o submundo e volta a me colocar como Chefe da Yard.
— Não tem nenhuma chance da última coisa acontecer, pode desistir.
— Então você vai me ajudar a levar o Law de volta pro submundo?
— Quantas pessoas você matou nesses últimos anos?
— Nenhuma.
— Eu não confio mais em você, não depois do que você fez.
— Eu tô tentando provar que eu não sou igual ao que era antes, Kaidou. Eu sei que você tem motivos de sobra pra querer que eu vá preso ou que eu morra, mas... me dá uma chance.
♣ ♥ ♠ ♦
Algumas semanas depois, Trafalgar Law já estava de volta ao submundo, em Dressrosa. Para finalizarem o plano, Kaidou e Drake se encontraram na casa do moreno, onde o ruivo faz uma proposta a Lovato.
— Posso te pedir uma coisa? – Ele pergunta, subindo no sofá e se aproximando de Kaidou, sentando-se praticamente ao seu lado e com o braço envolta de seu ombro.
— O que é?
— Vem morar junto comigo.
— Hã?! – Mas só fez com que ele levasse um susto e se afastasse. – M-Morar com você? Eu não aguento nem te ver todo dia na Yard!
— Ah para, não é possível que esse seu ódio repentino seja tão grande assim.
— Que seja, mas não é o bastante pra querer ir morar contigo. De onde você tirou essa ideia maluca?
— Antes de recusar, pensa no que isso significa. Nós já praticamente moramos juntos uma vez, certo?
— “Praticamente” não é morar.
— E você quer saber de mim o tempo todo pra evitar que eu faça besteira. Certo?
— Sim, mas...
— Então! Se nós morarmos juntos eu deixo você ficar no meu pé à vontade.
— E o que você ganha com isso?
— A sua companhia.
— Ah não... você só quer me matar enquanto eu durmo que eu sei.
— Para com isso, Kaidou. A única coisa que eu quero é me redimir com você! E outra, tem vários arquivos do submundo lá em casa que você ainda não viu. Eu não posso te mostrar, mas eu posso deixar em lugares fáceis de achar.
— Por que será que eu não consigo acreditar nas suas “boas intenções”?
— Por que parece que você recentemente esqueceu de todas as coisas boas que nós fizemos juntos nesses anos todos?!
— Não é bem assim... eu não esqueci.
— Então me dá só essa chance.
— Eu não sei se você merece.
— Se você não gostar é só a gente se separar.
Como resposta, Kaidou decidiu que iria pensar e depois de algumas noites, Drake arrumou suas coisas e levou para a casa do moreno, onde decidiram que iriam ao menos tentar dividir a residência. Já era de madrugada quando terminaram de arrumar os objetos, ambos já estavam vestidos para dormir, no quarto de Lovato.
— Então... eu sei que você não quer muito que eu venha morar aqui. – Drake estava de costas para ele, arrumando os lençóis de sua cama. – Mas não se preocupa, eu não vou te atrapalhar, você nem vai saber que eu existo.
— … – E ele ficou apenas olhando, imaginando se era mesmo o certo a se fazer.
— Eu só vou arrumar mais essas coisas... e eu vou lá pra sala, não precisa achar que nós precisamos dividir o mesmo quarto nem nada do gênero, é só até as coisas ficarem menos estranhas entre nós. Daqui há um tempo você nem vai se lembrar do passado, vai ser como se nós dois simplesmente fôssemos amigos que dividem o apar–
Entretanto, enquanto ele falava, Kaidou se aproximou e o virou, levantando seu queixo e o dando-lhe um beijo demorado, que não só não parecia acabar nunca, como continuava em mais beijos ainda, sem que quaisquer palavras precisassem ser anunciadas ali. Além de tudo, passado-se alguns minutos, Lovato começou a subir a camisa que o ruivo usava.
— Você tem mesmo certeza disso..?
— Se é pra morar junto, então pelo menos que seja direito.
— Mas...
— Só... cala a boca.
Fim do último Flashback
De volta aos tempos atuais
— Então, é isso... acabou.
— É, acabou.
No porto abandonado, uma área localizada à beira do mar, existiam pesados e grandes containers necessários para o transporte de carga que viam e iam nos navios e embarcações. Em cima deles, alguns atiradores da Scotland Yard estavam, os snipers, apontando lasers para o peito dos fugitivos Trafalgar Law e Drake.
Ao redor deles, como já sabia-se, também estavam os grupos de patrulha da Scotland Yard. Law, sua mãe, o pai de Kid, Rosinante e Luffy estavam juntos, um pouco afastados de Kaidou e Drake. Contudo, tiveram que se separar após um comunicado do atual Chefe-Diretor.
— Atenção! Todos aqui conhecem os criminosos. – Ele dizia no transmissor, se afastando do ruivo. – Trafalgar Law ficou com vocês, na Yard, por um período como consultor da equipe do Luffy. E o Drake, como vocês sabem, era até semana passada o chefe comandante do setor de Londres de toda equipe da Scotland Yard.
Todos prestavam atenção, visto que aquele discurso estaria prestes a terminar com toda a história de ambos, e decidir o que aconteceria dali por diante.
— Então está na hora de confessar a todos vocês que esses dois possuem ligações em comum no bando de Joker, o líder do Submundo, que está preso e algemado em um destes carros. Seu irmão, George Noah, é um de nossos agentes especiais enquanto Trafalgar e Drake eram só mais um dos subordinados que trabalhavam para Joker.
Zoro, Nami e Luffy, que já haviam tomado conhecimento da história antes, ficaram se entreolhando, todos curiosos para saber o que aconteceria e qual seria a decisão de Kaidou a respeito da prisão de ambos.
— Eu tenho uma lista. – Lovato retira do bolso de seu terno uma lista que mais parecia com um pergaminho, visto que, quando ele a desenrolou, ela era tão grande que fazia filas no chão e parecia nunca ter fim. Uma verdadeira lista quilométrica que chamou a atenção de todos ali. – Durante mais de quinze anos eu conheço de perto Drake e ele foi me contando tudo o que fazia, e eu fui anotando. Essa lista consta todos os crimes que ele cometeu, em ordem, desde criança.
— Tá de sacanagem? – O ruivo se assusta ao ver a lista. – Esse negócio aí enorme é tudo sobre mim?
— Wow. – A lista tinha chegado até os pés de Law de tão enorme que era e o moreno a pegou pelo final. – É verdade... tem o nome dele aqui.
— Desde os cinco anos com o incêndio de uma loja de doces até os dias atuais, eu ainda preciso colocar algumas coisas que eu soube que você fez no submundo. – Kaidou diz. – No total são dois mil e vinte três assassinatos, sendo cinco familiares, cento e trinta presos inocentes por crimes forjados, tráfico sexual e de drogas e muito mais coisa descrita aí.
— Isso não pode ser sério... – Ele fica espantado e todos os agentes ao redor têm a mesma reação.
— Tem o meu nome aqui! – Law se assusta, ainda vendo a lista.
— I-Isso tudo é sério? – Hancock se assusta. – Eu fui advogada dele por anos!
— Inacreditável. – Nami reage.
— Totalmente inacreditável. – E Zoro faz o mesmo.
— Ele conseguiu enganar todo mundo daqui por muito tempo. – Luffy afirma.
— T-Tira essa lista daqui! – Drake vai em direção a Kaidou e começa a bater na mão dele. – Apaga isso, agora!
— Hã, eu não vou tirar nada de nenhum lugar! – E o moreno reage.
— Sai, eu não te disse tudo isso pra você ficar fazendo listinha e me expor!
— A maioria dessas coisas você nem me disse, eu criei uma CPI secreta pra te vigiar. Você acha que eu passei todos esses anos ouvindo tudo que você me dizia sem tomar nenhuma atitude?
— Isso foi muito baixo, Kaidou.
— Eu não ia te deixar ficar cometendo crimes sem fazer nada!
— Tem nomes de pessoas desaparecidas aqui. – Law continuava olhando a lista, checando todos os nomes e informações.
— Aqui diz que tem aproximadamente cinquenta pessoas desaparecidas por causa dele. – Luffy também fala, olhando junto com ele. – Isso é terrível, não dá mesmo pra acreditar.
— Eu conheço esses nomes...
Enquanto analisavam a lista, Kaidou e Drake continuavam brigando e os policiais da Yard continuavam apontando armas para o ruivo, aguardando mais ordens do Chefe-Diretor.
— Você não pode fazer isso comigo! – Diez continuava furioso. – Seu traidor!
— Me chama do que você quiser. Com todas essas informações, você não tem saída, não adianta dizer que é inocente, tudo se liga até você. Isso é o suficiente pra te dar prisões perpétuas pelas suas próximas vinte encarnações.
— Eu não vou deixar me prenderem, Kaidou.
— Ei! – Eis que Law aparece na frente de Lovato com uma parte da lista rasgada. – Tem uns nomes aqui que eu conheço.
— Você rasgou a minha lista?!
— Só uma parte dela, a parte das pessoas desaparecidas.
— Parte das pessoas desaparecidas? – Drake indaga.
— Você conhece essas pessoas? – Kaidou faz o mesmo.
— Ele sequestrou todas os familiares dos caras que fizeram alguma contra mim quando eu tinha quinze anos. – Law explica. – Eu sei onde essa gente tá.
— Han, ele fez isso?
— Oi? Como você descobriu isso? – Drake fica ainda com mais raiva e reage. – Não era pra você saber disso! – Tentando tirar o papel da mão de Law, batendo nele.
— Ai, para de bater em mim! – Que acaba batendo de volta. – Eu descobri, é só olhar o sobrenome. Você fez isso pra se vingar daquela gente, você disse que ia matar todos eles e sequestrar todas as pessoas que eles gostavam.
— E eu fiz.
— Ele nunca tinha me dito que sequestrou alguém, isso foi a CPI que descobriu. – Kaidou responde a Law, intrigado. – E mesmo assim nunca achamos nenhum desses nomes.
— Se eu disser onde todas essas pessoas estão, eu posso não ir preso? – Trafalgar pergunta. – A maioria eram meninas de uns dez, sete anos na época, filha deles, devem estar vivas ainda.
— Ei, não me use pra conseguir a sua liberdade.
— Não sou eu quem decidido isso e agora também não é hora. – Kaidou se zanga. – Eu ainda não acabei de falar!
— Ei, me solta!
Kaidou deu mais um comando em seu comunicador e um agente da Yard pegou Law pelo braço, o imobilizando e o afastando dali, voltando a deixá-lo onde estava antes, perto de Luffy e dos outros. Outro agente também pegou Drake, o afastando de Kaidou e também o imobilizando. Ambos ficaram com raiva.
— Escutem, os três serão levados diretamente para o tribunal, Trafalgar Law, Donquixote Doflamingo e Diez Drake! – Kaidou exclama para seus subordinados. – De lá, serão julgados, receberão suas condenações e terão que responder por seus crimes durante toda a vida. Todos vocês têm o direito de ficarem calados, tudo o que for dito a partir daqui poderá e será usado contra vocês no período de julgamento.
Todos ficaram mais tensos ainda, se entreolhando. Os agentes da Yard continuavam prestando bem atenção em quais seriam suas missões a partir dali. Até mesmo a mãe de Law estava preocupada com o futuro de seu filho.
— Então, por hora, os dois já deverão–
— ESPERA AÍ!
Entretanto, quando tudo já parecia combinado e todos achavam que enfim Law e Drake seriam levados para o carro juntamente com Doflamingo, um deles grita. Foi o ruivo, que exclamou, e teve todas as atenções voltadas para si.
Em seguida, não satisfeito, ele se virou mesmo com as mãos atadas e chutou rapidamente o agente que o imobilizava na barriga, obrigando-o a soltá-lo para depois bater com o queixo deste mesmo agente em seu joelho, derrubando-o no chão e pegando seu revolver preto de alta precisão.
— Ei! O que você–
E no mesmo segundo que Drake pegou o revólver, antes mesmo dos demais agentes poderem ter qualquer tipo de reação, ele se virou novamente e apontou a arma na direção de Kaidou com os olhos fulminantes de raiva e mãos pesadas sem nenhum traço de hesitação ou fragilidade. No mesmo segundo, todos os policiais da região, incluindo os snipers, apontaram suas armas para ele. Foi ouvido um barulho de várias armas sendo voltadas para uma só pessoa, mas ele tampouco se importou ou mudou seu olhar.
— Ei! Largue a arma! – Os agentes exclamavam.
— Larga, você não tem saída! – E continuaram a exclamar. Zoro, Nami e Hancock assistiam imaginando o que aconteceria, Law e Luffy observavam aguardando o que ele teria em mente e Kaidou não se moveu ou titubeou. Drake continuou apontando a arma para ele, com toda nitidez e precisão.
Eis que, o único movimento que Lovato fez, foi novamente olhar para Drake, sem preocupação, levar o comunicador até sua boca e dar mais uma ordem para seus subordinados, sem oscilar em sua fala.
— Abaixem as armas.
E, como era de se esperar, nenhum deles entendeu a ordem.
— Como é? O que ele disse? – Até chegando a se indagarem.
— Não ouviram? – E mesmo assim, Kaidou novamente ordenou. – Abaixem as armas!
— Mas, sr. Lovato, o senhor tem certeza de que–
— Abaixem as armas! – Exclamou mais uma vez. – Vocês não percebem? Estão cansando seus braços à toa, ele não vai atirar. Ele não tem nem coragem pra isso.
— … – Drake, entretanto, continuava a mirar em Lovato, sem esmorecer, puxando lentamente o martilho com o dedo, carregando-a e preparando-se para a atirar a qualquer instante.
Quando os agentes de comando ordenaram aos atiradores, sob a ordem de Lovato.
— Abaixem as armas, abaixem as armas. – E às suas palavras, todos os atiradores fizeram a ação, deixando novamente o barulho de armas movimentadas tomar conta daquele lugar, todos agora em posição de descanso. Kaidou e Drake continuavam se entreolhando. – Façam como o Chefe-Diretor ordenou.
Em seguida, com passos normais, Kaidou bufou e foi andando até onde Drake estava continuando a apontar uma arma para si, tampouco se importando com o objeto de fogo.
— Tsc, não vem até aqui! — Porém, no mesmo segundo que viu Lovato se aproximando, o ruivo exclama, com raiva. — Não pensa que eu não vou atirar só porque tem meia dúzia de policiais de merda aí!
Lovato continuou não dando importância a ele, andando em sua direção.
— Eu tô falando sério, não se aproxima! Eu não ligo pro que fizerem comigo, eu só me importo com a minha vingança!Você me traiu, Kaidou, você traiu tudo o que a gente planejou durante todos esses anos! Não acha que eu vou ter pena de você ou ter medo de alguma coisa nesse momento!
E continuou andando, sem dar um mínimo de atenção para o que o ruivo exclamava, até chegar bem perto dele. Diez apenas o seguia com os olhos e com a arma apontada. Kaidou, parou à sua frente com um semblante sério, e puxou seu braço, apontando e encostando o cano da arma em seu próprio peito.
— Atira.
Disse ele, sem dúvidas na voz. Drake hesitou por um instante e todos os agentes olhavam preocupados, querendo fazer alguma coisa pra impedir.
— O que você...
— Eu te dei uma ordem. Você não quer tanto atirar em mim? Então atira, eu te dou permissão.
— Você acha mesmo que eu não consigo atirar em você?
— É claro que consegue, eu não entendo como você nunca tinha feito isso até agora.
— E agora tá me dando ordens pra te matar?
— Eu quero ver se você mudou alguma coisa. Se você atirar em mim, então você estaria me obedecendo, coisa que você nunca fez de verdade na vida.
— E se eu não atirar?
— Então você vai ignorar o que eu disse e não fazer nada que eu mandei, agindo sozinho, como você sempre faz.
— Então...
— Mas ao mesmo tempo, se você atirar, todos esses policiais que estão aqui vão te matar como se você fosse um lixo qualquer e tudo o que você fez até hoje vai ser reduzido como se você fosse só mais um marginal que atira em policiais.
— Ah não, eu definitivamente não sou igual a esses lixos.
— Porém, se você for preso aqui, hoje, amanhã todos os noticiários estarão falando sobre como o Chefe-Diretor da Scotland Yard estava envolvido diretamente como braço esquerdo de Joker, o cara mais procurado do mundo.
— Todos os noticiários, é?
— Até os que estiverem na faculdade de criminologia vão fazer teses e artigos sobre você, até mesmo TCCs.
— Vão fazer TCCs sobre mim? – Ele fica menos bravo, com um semblante até mais espontâneo.
— Sim, por que não?
— Isso me lembra até uma coisa... verdade, parando pra pensar eu acabei nunca te contando.
— Mais uma das várias coisas importantes que você “esqueceu” de me contar?
— Eu não esqueci, dessa vez eu só... fiquei com vergonha.
— Vergonha?
— É que... – Ele sorri tímido. – Meu TCC foi sobre você.
— Ahn? – Kaidou reage. – Seu TCC foi sobre mim?
— Na época você tinha me salvado depois do meu primo tentar me matar, depois a gente morou juntos por uma semana e eu voltei pra faculdade... eu só conseguia pensar em você.
— S-Sério? E você nunca me contou?
— É, foi mal... não é uma coisa que eu faço com frequência. Mas eu tirei nota máxima.
— Tá brincando? Eu não vou te perdoar, eu quero ler isso.
— Você não vai ler.
— Por que você diz isso?
— Porque você tinha razão... eu não obedeço nenhuma ordem sua.
Drake se afasta de Kaidou, andando para trás enquanto ainda olhava para ele, abaixando o braço que estava com a arma na mão e voltando a ficar com um semblante sério. Lovato fica com o mesmo.
— Mudou de ideia?
— Eu tô pouco me fudendo pra repercussão ou pro caralho que acontecer comigo, Kaidou, eu não posso te matar, eu nunca conseguiria fazer isso contra alguém que eu amo e que já me salvou tantas vezes. Eu não tenho capacidade nem moral nenhuma pra fazer qualquer coisa contra você.
— … – Ele hesita, deixando seu lado sensível, que não era pequeno, falar mais alto àquela hora, tremendo os olhos.
— Eu te amo.
Ao contínuo, Drake guardou a arma em sua calça e voltou a andar na direção de Kaidou, segurando o rosto dele e jogando-se em seu ombro, o puxando diretamente até seus lábios se cruzarem em um beijo longo e demorado diante de toda aquela confusão no porto, cercado por dezenas e centenas de policiais armados, concomitantemente, sem darem a mínima para quem estivesse ali.
A cena, todavia, não passou despercebida por quem assistia. Os agentes primeiro ficaram em choque com o que viram, mas prontamente, após a onda de impacto, sacaram novamente suas armas e apontaram para onde Drake estava, por verem o ato como uma afronta e ameaça ao líder da Scotland Yard. Novamente, o barulho de muitas armas se mexendo de uma só vez era ouvido por toda região do porto. Os dois, entretanto, apenas se separam.
— Eu vou sentir tanto a sua falta. — Kaidou o abraça, dizendo próximo aos seus ouvidos já com uma fraca voz de choro sussurrante. – Não pensa que é fácil pra mim também.
— Pareceu fácil pra você.— Ele responde, também baixo, retribuindo o abraço de Lovato. – Há quanto tempo você ficou contra mim?
— Eu não fiquei contra você, idiota, eu não fico com ninguém por interesse, até porque eu sei que seria tudo igual mesmo eu se eu nunca tivesse ficado contigo... eu nunca fingi gostar de você.
— Por que você criou a CPI?
— Porque eu não posso deixar o que eu sinto interferir na Yard, na lei, no meu trabalho... você fez muita merda durante esses anos, Drake.
— Eu sei, me desculpa. – Ele o abraça mais forte ainda, forçando os olhos para que deixasse o mínimo de gotas escaparem. – Me desculpa... eu errei muito com você, me perdoa.
— Só tenta... parar de fazer besteira. — Kaidou se afasta um pouco, olhando nos olhos avermelhados de choro dele, acariciando os fios laranjas de cabelo com os dedos. – Pelo menos agora, tenta não fazer mais besteira.
E ele em compensação, mostra um sorriso no canto dos lábios.
— Eu vou sentir falta dos seus sermões.
— Eu vou te visitar na prisão.
— Não precisa... você não vai precisar.
— Como assim?
— Eu já te dei trabalho suficiente.
Lovato fica momentaneamente confuso e acaba sentindo um impacto ao ver Drake se afastando e voltando a esconder o sorriso, ficando com um semblante pesado e sério no rosto e virando de costas para si, pegando a arma que estava em suas calças.
— SOLTE A ARMA! LEVANTE AS MÃOS, DIEZ DRAKE, VOCÊ ESTÁ PRESO! – Gritavam incessantemente os agentes da Scotland Yard que continuavam apontando armas para o ruivo, que tampouco se importava com aquilo.
— CALA BOCA!! — Mas, ele, em troca, exclama e grita mais alto ainda, sem se importar com absolutamente nada ao seu redor, apenas se afastando ainda mais de Kaidou. – Será que vocês não entendem, seus bando de merdinhas inúteis? Vocês não podem falar assim comigo! EU SOU O LÍDER DE VOCÊS!
— O que ele pensa que tá fazendo? – Kaidou murmura para si mesmo.
— NÃO ADIANTA, VOCÊ ESTÁ CERCADO! – Continuavam a gritar os agentes furiosos e impacientes. – Renda-se, levante as mãos, você não passa de mais um criminoso!
— Eu já mandei calar a boca! Que saco, vocês ainda não entenderam? – Se vira para onde estavam a maior parte deles, falando para todos ali. – Eu tô pouco me fudendo pro que dizem, fui eu quem comandei vocês merdinhas por uma década, mostrem o mínimo de respeito e saibam com quem vocês estão falando, seus imprestáveis!
“Chefe-Diretor Lovato, permissão pra ir pessoalmente detê-lo?”
— Não, não... eu quero ver o que ele vai fazer. – Kaidou comenta em seu comunicador.
“Não podemos deixá-lo assim, ele tem uma arma!”
— Só façam o que eu digo, eu conheço ele há muito mais tempo que qualquer um de vocês.
Drake continua, dessa vez andando mais na direção de Law, porém, ainda sim falando com os agentes da Scotland Yard.
— Vocês querem me acusar de alguma coisa? Ótimo, acusem, vão em frente, esse é o serviço de vocês! Como Chefe-Diretor eu digo que vocês devem prender e torturar todos os canalhas marginais que aparecerem nessa nação, é uma ordem!
— Esse cara ficou louco? – Zoro perguntou, também observando.
— Não, não, ele sabe exatamente do que tá falando. – Law contrapõe. – Ele faz esse tipo de coisa quando começa a perder a razão.
— Escutem aqui, TODOS VOCÊS! – Drake continua a exclamar. – Eu vou dizer exatamente o que aconteceu aqui! Eu trouxe a vocês o cara mais procurado do mundo, Donquixote Doflamingo, puis o irmão dele trabalhando com vocês e ainda prendi o marido de ambos, Trafalgar Law. – Aponta.
— Hã?! – E ele se sente atacado.
— VOCÊS DEVERIAM ESTAR ENVERGONHADOS! Quando eu comecei a trabalhar com o Doflamingo, a sede do submundo ficava debaixo dessa merda de chão, no chão do território inglês, o mesmo chão onde fica a base central da Scotland Yard, e mesmo assim, vocês NUNCA o acharam! INCOMPETENTES! Eles sempre riram de vocês lá debaixo, e ainda querem se considerar polícia "metrôpolitana".
— Isso é verdade... – Rosinante diz.
— Agora vocês querem me prender?! – Ele começa a dizer com deboche. – Ótimo, vão em frente, mas não vão seguir essa lista de merda! Os crimes que estão aí, todas essas pessoas que estão aí são todos viados, putas, lésbicas, todos esses bando de lixos imprestáveis que nunca iriam fazer falta ou diferença na vida de ninguém! Se eu matei? Matei, matei muito e mataria muito mais, não me arrependo de nenhuma morte além das rápidas, o meu único erro foi não ter torturado o suficiente antes de atirar.
“Kaidou, podemos acabar com isso? Ele está começando a ficar louco!”
— Não, não tá, ele tá começando a ficar normal, esse tipo de coisa ele diz todos os dias, louco é quando ele finge o oposto.
— Mas mesmo assim vocês ainda querem me prender? – Drake continua com o deboche, mesmo tendo todas as armas apontadas pra si. – Ótimo, um homem de verdade deve sempre confessar seus crimes! Eu digo, com todas as palavras, uma coisa que eu tenho certeza que não tá nessa lista e que vocês canalhas não conseguiram descobrir. EU MATEI UM DOS GATOS DO KAIDOU!
— VOCÊ O QUÊ? – Dessa vez, Lovato sim perde sua famosa calma e paciência.
— Eu fingi que tinha esquecido de levar aquele merda no veterinário, mas fui eu mesmo que envenenei ele. Eu não suportava aquele bicho, você tinha tantos, aquele era o mais inútil, ele só sabia cagar no caralho das coisas!
— V-Você matou o Xico? – Kaidou não só não consegue acreditar como seu lado sensível acaba atacando e ele sente uma pontada no coração, ficando com raiva e chorando. – S-Seu monstro, eu te odeio muito!
— Não foi só o seu! Eu ODEIO GATOS! Puta bicho de mulherzinha, se eu pudesse eu tacava todos nesse mesmo mar de bosta do porto; eu também matei o gato do Law quando ele era criança.
— Ahn? Meu gato? – Law indaga. – Eu tive um gato?
— Eu te dei um gatinho quando você tinha doze anos. – A mãe diz.
— Pera, pera... aquele gato não ficou nem uma semana comigo, eu achei que ele tivesse fugido, nem nome ele tinha. Você matou ele?
— Você só dava atenção pra esse bicho, nem falava mais comigo. Eu precisava da sua atenção só pra mim.
— Hã, eu tinha doze anos, você ficou com ciúmes do meu gato?
— Fiquei. – Diz olhando pra ele, mas em seguida, volta a gritar com os agentes da Yard. – ENTÃO É ISSO, IDIOTAS, FORAM TODOS OS CRIMES IMPORTANTES QUE EU COMETI!
— Diez Drake, pela última vez, largue a arma e levante a mão, você está PRESO! – Eles continuam a exclamar.
— Vocês são só formigas idiotas que cumprem ordens, pra vocês terem noção do quão distraídos vocês são, vocês estão em mais de cinquenta e todas as armas estão sendo apontadas pra mim. Vocês nem ao menos algemaram o Law, ele poderia muito bem ter fugido enquanto vocês me ouviam falar aquelas merdas!
— H-Hã?! – No mesmo segundo, agentes da Yard foram até Law algemá-lo e metade das armas foram voltadas para ele. – E-Ei, me soltem!
— Viu? Eu disse que eles me obedeciam. – Enquanto isso, Drake fala normalmente com Kaidou. – Bastou eu dar uma ordem e eles já foram prender o Law.
— Você não gostava dos meus gatos? Mesmo? – Pergunta decepcionado, ainda em choque.
— Enquanto você, você mandou eles abaixarem as armas e eles apontaram elas pra mim de novo. – Porém, o ruivo o ignora. – Aceita, Kaidou, você não é o chefe deles, eu sou. Você perdeu esse cargo pra mim há muito tempo.
— T-Tem trezentas armas aqui! – Law grita, furioso e impaciente. – S-Será que ninguém pode dar um headshot na cabeça desse infeliz?!
— Ele tem toda razão! – Diez volta a exclamar para os agentes. – Ele é só uma bicha inofensiva e vocês apontam armas pra ele? Qual é, nem algemas precisa, toda a atenção de vocês deveria estar voltada pra mim!
— F-Filho da puta, eu vou.. argh! – Law começa a se debater com os agentes o segurando, querendo correr até Drake para bater nele.
— E se você usar qualquer coisa minha pra conseguir fugir da prisão, eu juro que mando algum subordinado demônio vir te buscar quando eu tomar o trono do inferno.
“Kaidou, que providências precisamos tomar? Nós estamos aguardando as suas ordens!”
— Por enquanto só fiquem atentos...
“Atentos? Ele está tirando sarro das nossas caras!”
— Eu sei, ele faz esse tipo de coisa! – Kaidou gritava com seu comunicador bem nervoso. – Ele é horrível, ele fica diminuindo a sua autoestima, fica te irritando e dizendo esses xingamentos bestas.
— Sabem de uma coisa? Pessoalmente eu ainda acho que vocês deveriam usar todas essas armas pra atirar naquela mulher. – Ele aponta pra mãe do Law. – Ela não vai morrer! Seria um ótimo experimento.
— Ei, vira essa boca pra lá, seu marginalzinho delinquente! – O pai de Kid grita com ele. – Não se atreva a se referir à Ama!
— Tsc, como se eu me importasse com vocês.
O jovem ruivo resmunga, se afastando um poucos dos agentes e indo em direção ao mar, porém, ainda sim, deixando sua retórica com eles, referindo-se aos subordinados da Scotland Yard em alto e bom som e fazendo sua elocução final.
— Eu quero dizer que eu absolutamente não me arrependo de nada do que eu tenha feito na minha vida. Nem de não ter conseguido trazer os documentos, nem nada.
— Quer saber... dê a ele o que ele quiser. – Lovato se acalma, dando uma ordem em seu comunicador. – Apontem todas as armas pra ele e esqueçam Law.
No mesmo segundo, os barulhos de armas foram ouvidos de novo quando todas foram apontadas para o ruivo, ao mesmo tempo. Os lasers dos atiradores também o marcavam.
— O quê? Vão me dar toda a atenção de novo? – E ele exalta. – Ótimo, até que enfim estão aprendendo a priorizar alguém. Foi muito bom comandar todos vocês durante esse tempo.
Ele começou a olhar para todos os agentes, em todos os cantos. Da ponta da esquerda à da direita, todos os cercavam e não havia escapatória. Acima, nos containers, também, ele viu snipers espalhados com, no fundo, bem no fundo, onde ninguém naquele lugar tinha olhado, um pontinho preto com olhos e pele pálida o encarando.
— Submundo ou Yard... – Mas ele ignora. – Não importa de que lado você esteja, é como numa ferradura. Os extremos sempre acabam se encontrando, independente do bem ou mal. Foram os dois que me colocaram no topo e são os dois, que agora, agem contra mim. Chega até a ser engraçado... foram trinta e quatro passos no total.
Drake começa a andar, novamente, se aproximando dos agentes, mas dessa vez, com a arma em sua mão, apontando para algum lugar aleatório ao horizonte, na direção deles, com os olhos dilatados.
— Eeeei, largue a arma!— Exclamavam em uníssono, apesar dele nem mais escutar. – Largue a arma, estamos avisando!
— Se protejam, ele vai atirar em alguém!
No mesmo instante, novamente no céu, centenas de corvos aparecem à noite, deixando a atmosfera negra e chamando a atenção dos subordinados da Scotland Yard, que não hesitaram em olhar para cima e observar o fenômeno.
— C-Corvos de novo?!
— De onde eles estão surgindo?!
— Isso é... – Law também olha curioso.
— Já desviaram a atenção de novo. – Drake para de andar. – Tsc, imprestáveis.
— EII! – Kaidou grita com seu comunicador. – Parem de olhar pra cima, se concentrem na missão de vocês, se querem ver corvos vão ao zoológico!
E, mais uma vez, as atenções de todas as armas se voltaram para uma mesma pessoa que continha um sorriso ácido e sádico no canto de sua face, contrastando com os olhos preocupados e oscilantes de Kaidou, que já esperava o pior por vir.
— Como eu estava dizendo, foi ótimo comandar vocês! – Entretanto, Drake continuava a apontar a arma para sua frente, na direção dos agentes. – É uma pena que vocês sejam tão distraídos. Aproveitem o show dos pássaros! “Se os corvos deixarem a Torre de Londres, o reino ruirá.”
“O que devemos fazer em relação a ele? Não podemos mais ficar só olhando!”
— Você tem razão... – Lovato hesita, mas teme ser a única saída, até mesmo, a saída desejada. Ele olha para Drake, que acaba retribuindo o olhar, mas com um sorriso calmo ao invés de um hostil, junto com o piscar de um dos olhos. – Estão me ouvindo?
“Sim, todos ao seu comando.”
— Preparem para atirar.
Os martilhos foram armados, as munições carregadas. O embate se aproxima, Drake voltou a sorrir com sadismo para a maioria que ainda prestava atenção nele e aumentava seu ego, apontando, como sempre, para o mesmo ponto no horizonte.
— Idiotas... ainda seguem o comando dele. Se vocês querem tanto assim ser capazes de me tirarem do lugar onde vocês mesmos me colocaram, ao menos tenham vergonha de ter deixado-me ficar tão facilmente por tanto tempo. Tolos.
Vai andando pra trás, olhando e falando para todos.
— No momento, eu devo ser o cara mais rico do mundo, todo dinheiro do submundo já foi parar na minha conta, uma boa parte do dinheiro da Yard também... tentem achá-lo, eu tenho muitas contas em muitos nomes falsos. Eu usei a maior parte dele em bebidas e prédios caros! Eu não me arrependo, a cobiça de um homem é também seu maior pecado e seu maior triunfo.
Continua andando pra trás, rumo ao mar, olhando para todos ali. Desde Law aos snipers, até os agentes à sua frente, na direção onde continuava apontando sua arma carregada.
— E também quero dizer que eu não mudei em nada. Eu sou machista, eu tenho nojo de gays e acho mesmo que a única coisa boa em uma fêmea são seus costumes de varrer, limpar e cozinhar. A fêmea que não sabe fazer isso só vai servir pra ser um depósito de esperma por toda a vida.
— Preparem... – Kaidou treme as mãos falando com seu comunicador e todos ali já estavam prontos para acabarem com tudo de uma só vez.
— Eu sou arrogante como todo homem deve ser, e nenhum deles precisaria ter que se mexer dentro de casa se não fosse pela incapacidade das fêmeas de fazerem seu trabalho. O lar deveria ser um local de descanso e o trabalho deveria seguir como sendo o maior triunfo e a maior realização de um homem. E o dinheiro vai continuar sendo idolatrado até que o pobre deixe de preguiça e use sua inveja pra crescer na vida.
Por último, ele eleva seu braço ao céu, apontando a arma diretamente para cima. Os corvos fazem círculo no ar em bando, rodeando para onde a mira de sua arma indicava, sobrevoando sua cabeça. Seus olhos enchiam-se de orgulho e cobiça, seu peito se preparava para gritar e preparou sua voz para exclamar.
— SEUS INÚTEIS! — Ele grita, com retórica. – No momento em que vocês pararem de serem escravos e obedecerem qualquer ordem que receberem, talvez vocês passem a ser alguém na vida! Mas por enquanto... eu vou sentir saudade de vocês.
Todos atentos, suas mãos estavam mais do que preparadas para a ordem final, coçando os dedos devido o arrepio e a vontade que sobressaía. Drake foi apenas respirando mais calmo, olhando ao fundo todos os agentes da Scotland reunidos para saudá-lo, juntamente com a pessoa que ele conhecia há tantos anos e que não deixava-se esquecer.
— … Obrigado.
No litoral do grande porto, os corvos assustaram-se quando a arma fora disparada em direção a eles e dissiparam-se. No mesmo instante, o fogo se abriu, tomando conta da região por completo.
— Atirem.
Ao som de mais de trezentas balas, intermináveis disparos foram dados de uma só vez e os mesmo intermináveis disparos não terminavam mais de suceder-se. Rifles, pistolas automáticas e metralhadoras foram usadas todas de uma vez, em uma mesma direção; na direção de apenas um homem que não tirou o orgulho de sua face em nenhum momento daquela ruína.
Seu corpo sentia o impacto! Balas o atravessavam, pernas, braços, joelhos, peito e cabeça. Por todo seu corpo e por todo seu rosto, tiros eram desferidos, manchando de sangue todo o chão que se guiava até o mar. O estrondo apavorou os corvos, que sumiram ao vento, mas não foi o bastante para sumir com o ódio e fervor que existia dentro de cada um ali.
Ele não caiu; tampouco conseguia, sempre que tentava, os disparos acabavam o levantando. Ao todo foram mais de mil, todos até a munição acabar, certamente mais que um aniquilamento, o genocídio de uma só pessoa. O estrondo assustava com seu barulho e decadência. Kaidou derramava lágrimas e suas mãos não eram capazes de contê-las; Law sentia seus punhos tremerem e um repouso desafogoso em seu peito em ver seu atroz, por fim, aos trinta e quatro anos, sucumbir até a morte.
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