Police History
17 E17X1: Season Finale
Correndo contra o tempo, o helicóptero da polícia tentava vencer a distância entre Manhattan e seu destino, uma fazenda abandonada, a quilômetros dali.
Nesse meio tempo, Camus pedia em pensamento que chegasse a tempo, enquanto Anne procurava manter-se acima do nível d’água de sua prisão, que subia perigosamente rápido.
O desespero da jovem era transmitido ao vivo por uma rede clandestina da internet até um fórum, onde um grupo de pessoas assistia entre o prazer e a curiosidade mórbida. Entre eles, um rapaz de traços delicados e olhar inteligente, que aguardava ansioso que suas informações estivessem corretas, e que o socorro chegasse logo.
—Mu, não vou ficar trazendo seu jantar aqui todos os dias. –seu irmão mais velho entrou no porão com um prato contendo duas fatias de pizza de queijo e parou surpreso diante do que o outro assistia na tela do computador. –O que é isso?
—Feche a porta, Shion! Não deixe o Kiki entrar e ver isso! –o rapaz pediu tenso, com as mãos unidas como se orasse, apoiando a boca nelas em um gesto nervoso. –Anda, cara... anda... cadê você? Cadê a porra da polícia que não chega logo?
—Essa garota... –Shion dizia depois de fechar a porta. –Ela apareceu no telejornal, foi sequestrada! Isso é de verdade?!
—Pior que é. –tenso, viu a água preencher quase a totalidade da prisão de vidro de Anne e se levantou furioso, chutando a cadeira que ocupava para longe, passando as mãos pelos longos cabelos, nervoso. –Ela vai morrer, irmão! Merda! Eu não consegui ajudar!
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Um helicóptero pousou em meio a um campo seco da fazenda que pertenceu à família de Misty, e sem esperar que o piloto lhe desse permissão, Camus saltou da aeronave e correu até a casa da família, vasculhando cada cômodo e nada.
Enquanto isso Anne, sentindo que não tinha mais tempo, realiza um ato desesperado para tentar sobreviver. Ela alcança um dos pequenos canos utilizados para proteger a fiação elétrica abandonada da casa, que se encontravam no alto da sua prisão, e reunindo suas últimas forças consegue parti-lo e nota aliviada que dele vinha uma fraca corrente de ar.
Frustrado, Camus sai da casa olhando ao redor. Corre até um velho celeiro e não encontra nada, perguntando-se onde ela estaria escondida.
Em sua prisão, a água preenchia completamente a cela de vidro. Anne coloca o cano na boca e, tentando se agarrar nele, puxava o ar precioso para dentro de seus pulmões.
Do lado de fora, Camus nota um pequeno gerador de energia à gasolina funcionando a todo vapor. Percebe que cabos saíam dele e levavam na direção da casa. Seguindo os cabos parcialmente cobertos pela terra, descobriu que eles terminavam em uma porta de metal escondida no chão, coberta por terra e lixo para se manter escondida. O detetive abre caminho e descobre a entrada de um túnel que se ligava ao subsolo da residência.
Anne sentia suas forças minarem, as mãos não conseguiam manter-se muito tempo segurando o cano que era a única coisa que a mantinha viva. Pela transmissão pela internet, pessoas ansiosas assistiam aos seus esforços. A advogada ora em silêncio por ajuda.
Então, a porta que levava àquela câmara se abre com a força de um chute e Camus aparece, correndo na direção da cela de vidro. Anne se agita ao reconhecê-lo e não consegue ouvir o que ele lhe gritava do outro lado.
—ANNE, SE AFASTA! –pedia fazendo gestos.
A advogada, compreendendo o que ele pretendia fazer, apoia os pés na parede de vidro e se impulsiona para trás, agarrando-se a cama presa no chão. Camus aponta sua arma contra a cela e atira.
Cinco tiros foram disparados em sequência e o vidro resistiu graças à sua espessura. Camus desfere alguns socos contra ele, tentando quebrá-lo. Anne se aproxima dele, colocando a mão em palma contra o vidro e olhando em desalento para Camus, como se quisesse lhe dizer que não poderia salvá-la.
—Não... não vou te deixar morrer! –disse o detetive.
Percebendo desesperado que a jovem advogada parecia não ter mais forças e solta o restante de ar que tentava segurar em seus pulmões pela boca. Ela estava se afogando.
Camus olhou ao redor e percebeu várias ferramentas abandonadas em um canto, entre elas um machado. Pegando o objeto, aproximou-se novamente da cela, lançando um rápido olhar em Anne, que fechava os olhos se entregando à inconsciência. Mirou o local onde por duas vezes as balas de sua arma haviam atingido e ali desferiu um golpe com todas as suas forças.
O vidro, abalado pelos tiros, cede ao golpe do machado e se estilhaça. Milhares de litros de água escapam, derrubando móveis, equipamentos de transmissão e o computador deixado para manter a linha com o fórum, desligando-os e queimando-os no processo. A força das águas derruba Camus, que imediatamente se ergue, procurando Anne em meio àquela cena.
A viu de bruços, com o rosto imerso na água, ainda dentro da cela de vidro.
—ANNE!
Camus se aproxima dela, pegando-a em seus braços e notando que ela não reagia. Ele rapidamente a coloca sobre a mesa que antes estava ocupada pelos equipamentos do sequestrador e verifica seus sinais vitais. O detetive começa a realizar os procedimentos de primeiros socorros, tentando reanimar seu coração com massagens e devolver-lhe a vida soprando o ar em seus pulmões pela respiração boca a boca.
—Acorda, Anne. –pedia enquanto a massageava e pouco antes de repetir o procedimento diversas vezes. –NÃO PODE MORRER ASSIM!
Minutos que pareceram uma eternidade para o detetive passaram, quando finalmente ela reagiu, cuspindo a água que havia engolido pela boca, buscando desesperadamente respirar. Confusa, ela olhou para Camus, que aliviado a abraçou, acariciando seus cabelos molhados e beijando o alto de sua cabeça.
—Está tudo bem... Finalmente acabou, Anne... acabou.
Anne o abraçou e se permitiu chorar, deixando que as lágrimas levassem embora toda a tensão e agonia que vivenciou nesse pesadelo. Ao longe, sirenes da polícia local eram ouvidas e se aproximavam dali.
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Algum tempo depois, em um certo hospital.
Assim que recebeu a notícia de que teve alta, Shura tentava arrumar seus pertences com apenas uma mão para ir embora logo. Queria convencer seu médico e amigo, o Dr. Danvers, a lhe permitir voltar a trabalhar antes do final da licença saúde à qual foi submetido.
Não se sentia tão incapaz pelo tiro que levou no braço. Podia muito bem continuar a clinicar e a atender seus pacientes, achava exagerado os conselhos de tirar alguns dias de férias devido ao “trauma” que sofrera com seu sequestro. Nervoso, deixou a escova de dentes cair da sua frasqueira e não conseguiu pegá-la sem antes derrubar o restante dos objetos de sua higiene pessoal pelo chão do quarto.
—Praga!
O médico resmungou, baixando para pegar os objetos quando notou que mais alguém estava no quarto, ajudando-o a recolher. Olhou na direção do visitante, surpreso, reconheceu-a ali. Era Cora.
—Quer uma mão? –ela perguntou e pegou a frasqueira antes que ele lhe respondesse.
—Cora? O que faz aqui?
—Te visitar. –ela respondeu simplesmente. –Meu irmão me trouxe. Veio se desculpar com alguém que trabalha aqui. Aí, o obriguei a me trazer. Já vai pra casa?
—Sim. Só esperando que me liberem.
—Eu queria te agradecer direito por ter salvado a minha vida. –a morena disse, parecendo nervosa com a aproximação do médico. –Obrigada, doutor...
—Shura... pode me chamar pelo meu primeiro nome. –ele pediu, sorrindo sem graça.
—Obrigada, Shura.
Cora sorriu e, ficando nas pontas dos pés, depositou um rápido selinho nos lábios do médico. O rapaz foi pego de surpresa de início pelo gesto de carinho, mas em seguida a segurou pela cintura com uma das mãos e a puxou para perto de seu corpo, beijando os lábios da morena com carinho, sendo prontamente correspondido por ela. Depois se afastaram e sorriram mutuamente, conversando sobre amenidades e gostos pessoais, para se conhecerem melhor.
Enquanto isso, em outro andar do hospital, o detetive Milo Alessandros se aproximava da área de Ginecologia e Obstetrícia, trazendo consigo um enorme buquê de rosas. Avistou a bela médica ruiva por quem nutria um desejo real de conhecer melhor e, armado com seu melhor sorriso, aproximou-se:
—Desculpas? –ele perguntou, oferecendo as flores. Lara olhou para elas e em seguida para Milo, dando-lhe as costas. –Está brava porque não liguei?
—Marcou um jantar e nem teve a decência de me avisar que não poderia ir por causa do seu trabalho. –ela respondeu secamente, pegando um prontuário para fazer anotações sobre seus pacientes. –Eu até entendo seu trabalho, não é diferente do meu quando me refiro a largar tudo para cumprir aquilo que estudamos para realizar. Mas não me avisar? –furiosa, bateu o prontuário no peito de Milo, que perdeu o ar momentaneamente.
—Eu pedi desculpas, Lara. –Milo esfregou o peito dolorido e se aproximou da ruiva. –Olha, eu sei que vacilei e ...
—Eu sei que era a sua irmã. Que salvou vidas, inclusive a de um amigo meu. –ela foi logo falando. –Mas se da próxima vez não usar esse telefone para me avisar que não poderá chegar em casa e jantar comigo porque está salvando o dia, eu o farei engolir seu celular.
—Isso significa que aceitou minhas desculpas e teremos outros encontros para jantar? –ele perguntou sorrindo.
—Amanhã, às oito. Em meu apartamento. Não se atrase. –ela confirmou sorrindo e lhe dando um beijo carinhoso. –Estou orgulhosa do que fez, senhor Alessandros.
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Em um hospital particular em um bairro nobre da cidade, Saga acordava ao sentir a luz do sol passar pela janela recém-aberta por sua namorada. Sorri ao reconhecê-la e por ver que estava bem, mesmo diante de tudo o que aconteceu.
—Oi. –Celeste aproximou-se e lhe deu um beijo carinhoso, tocando com cuidado o curativo em sua cabeça. –Ainda dói?
—Não, só incomoda. –ele sorriu. –E o médico vem me dar alta hoje? Quero voltar para casa logo.
—Disse que viria mais tarde. Vai te liberar assim que fizer outros exames. –acaricia seu rosto.
—Odeio hospitais!
—Sinto muito pelo que houve.
—Você não tem culpa de um louco aparecer, Agape mou. –tocando o queixo de Celeste. –Agora vai ficar tudo bem.
Saga puxava Celeste pela nuca para voltar a beijar a namorada, quando o som de alguém tossindo atrai a atenção do casal. Celeste arregala os olhos ao ver a cópia fiel de seu namorado, usando um terno perto com uma camisa branca com os botões abertos mostrando o tórax e sorrindo para ambos.
—Quase me tornei filho único, Saga? –ele perguntou rindo. –Que bom que sua cabeça é dura demais até para uma bala.
—Kanon?! –Saga sentou-se na cama, com uma expressão nada amigável no olhar, prontamente notada por Celeste. –O que faz aqui?
—Visitar meu irmão que levou um tiro no hospital. –respondeu com naturalidade.
—Veio se esconder dos seus credores de Vegas? –perguntou estreitando o olhar.
—Quase. –Kanon aproximou-se, passando por trás de Celeste e dando uma olhada nada discreta no corpo da ruiva. –O velho está vindo de Atenas.
—Nosso pai? –Saga sentiu a cabeça doer. –Mas, por quê?
—Você levou um tiro. –Kanon numerou. –Eu quase levei um em Vegas, mas dei meu Lamborghini como garantia da dívida e o texano lá perdoou o que eu devia. O cara é apaixonado por carros velozes! Ah, e você está namorando uma americana ao invés da moça grega que ele escolheu. É, ele vem encher o nosso saco.
—Não contou à sua família sobre mim? –Celeste perguntou olhando para Saga.
—Ele contou para mim. –Kanon levantou a mão.
—Não importa o que o velho venha fazer na América. –Saga falou em um tom impaciente. –Minha vida sou eu quem decido!
—Então se prepara. –Kanon sorriu, parecendo se divertir com a ideia da confusão familiar que se aproximava. –Vai ser uma guerra!
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Distrito Policial. Departamento de Homicídios.
Shaka lia atentamente as recentes notícias sobre crimes envolvendo mulheres na tela do seu notebook, fazendo anotações mentais em um bloco sobre cada caso, como se procurasse alguma coisa. Sua atenção voltou-se para algumas pastas ao seu lado, onde fotografias antigas de uma cena de crime eram parcialmente vistas, e o nome de Lorena Belmont estava em destaque.
Shaka pega uma das fotos em meio a tantas e observa a bela loira ali, sorridente com um bebê no colo. A fotografia tirada dias antes de ser morta e seu corpo encontrado jogado em um beco. O loiro alisa carinhosamente com o polegar o rosto da mulher e em seguida guarda a fotografia de volta no arquivo.
Ele havia acabado de encerrar uma vídeo-chamada com seu amigo Mu, que o ajudava nesse projeto. O rapaz pareceu ficar mais tranquilo ao saber que história do Cinéfilo terminou bem, e feliz por ter ajudado. Então, a porta de sua sala abriu-se, o hacker imediatamente guardou as pastas, escondendo seu conteúdo, e fechou o notebook, sorrindo ao reconhecer a doutora Aisha Andris na porta.
A loira usava roupas que não condiziam com sua profissão. Cabelos presos em um coque alto, vestido preto com uma saia rodada e botas do exército compunham o visual, carregado com a maquiagem e as bijuterias.
—A-Aisha? Oi! –guardando as pastas em uma gaveta. –Em que posso te ajudar?
—Eu vim te convidar para almoçar. –ela respondeu prontamente, para a surpresa do rapaz.
—Quê?
—Você almoça, não é? –ela apontou para o loiro e sorriu. –Não é um encontro nem nada disso. Eu vim entregar alguns relatórios das autópsias que fiz para que o pessoal encerrasse alguns casos, e vi você passando pelo corredor quando cheguei. Aí pensei, é o único rosto familiar que vi por aqui e já está na hora do almoço. Mas se estiver ocupado eu vou entender e...
—Não! Vamos almoçar! –ele respondeu rapidamente, pegando seu casaco e levantando-se. –Importa-se de comer em um restaurante vegetariano?
—Eu gosto de comida vegetariana.
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Departamento de Homicídios. Celas.
Afrodite estava deitado tranquilamente na cama dura de sua cela, olhando o teto e aguardando a hora em que seria escoltado para a localidade de Dannemora, onde iria esperar por seu julgamento na prisão de Clinton Correctional Facility, segundo o que foi dito pelo seu advogado nomeado pelo Estado. Não que houvessse prestado muita atenção ao que ele dizia, já estava conformado com seu destino e o aceitava.
Já não usava as roupas de sua outra parte, e sim o macacão laranja que o identificaria entre os demais como um prisioneiro de alta periculosidade.
Ouviu o som que indicava que alguém abria a porta eletrônica que separava as celas da sala adjacente, onde eram constantemente vigiados pelo sistema de câmeras. Quando percebeu que recebia uma visita especial, sorriu e sentou-se na cama encarando o homem diante dele.
—Boa tarde, Detetive. –Afrodite sorriu para Camus, que o fitava com seriedade. –Vejo que está bem.
—Saiba que a Promotoria pedirá pena de morte para você. –Camus disse com frieza.
—Sabemos que o Estado de Nova Iorque não executa ninguém há muitos anos. –Afrodite sorriu.
—Certamente pegará uma perpétua para cada vítima sua.
—Bem, antes eu do que Gustav.
—Certamente seu advogado irá conseguir te colocar em alguma prisão psiquiátrica alegando insanidade e tentando provar que tem múltiplas personalidades. –o detetive explicou.
—Isso o satisfaz?
—Eu não sei. –Camus desviou o olhar. –Estou inclinado a acreditar que a pessoa que cometeu aqueles assassinatos não é o homem sentado diante de mim. Mas ao mesmo tempo, sou um homem cético e racional e é difícil acreditar nessa história de várias personalidades em uma cabeça só.
—Deloateffi e eu nascemos para proteger Gustav quando ele ainda era uma criança que sofria os mais diversos abusos. Eu tentava mostrar o lado certo, Deloateffi queria se vingar de tudo o que Gustav sofreu.
—De todo jeito podemos dizer que a Justiça será feita. –Afrodite sorri de lado, e Camus ergue uma sobrancelha. –Parece que você não acredita nisso.
—Não vou ficar aqui muito tempo.
—Não sei se percebeu Afrodite, não é? Bem... se não percebeu, acho que passará o resto da sua vida dentro de uma cela igual a essa.
—Como eu já disse, acredito que não.
—Esse merda acertou. –a voz do capitão Dohko atrai a atenção de ambos. –Tem alguns caras do FBI aí. Com um mandato para levá-lo sob custódia.
—Como é? –Camus não acreditava no que ele dizia, até pegar o documento que o capitão levava e o ler, soltando um palavrão logo em seguida. –Não podem fazer isso!
—Eles podem. –o capitão estava visivelmente contrariado. –Mas esse filho da puta atirou em dois agentes federais. A sorte dele é que não morreram!
—Deloateffi nunca soube atirar bem. –Afrodite comentou sorrindo, atraindo os olhares furiosos dos policiais com seu deboche.
—Seu...
—Ele é testemunha de um caso importante para os federais. –Dohko comentou, puxando Camus pelo braço e afastando-o da cela. –Para eles pouco importa os crimes que cometeu agora, só querem seu testemunho para pegar alguém grande. Não podemos fazer nada!
—Não podemos deixar que o levem! Não depois de tudo o que passamos!
—Lamento. –Dohko virou-se e percebeu que um grupo de seis agentes se aproximava. –Eles vão levá-lo daqui agora.
Camus observou o grupo se aproximando. À frente deles havia um homem de cabelos rebeldes e escuros, com uma expressão aborrecida. O homem fitou Afrodite através das grades.
—Finalmente nos reencontramos! –o homem sorriu de modo sardônico. –Não vai fugir desta vez, impiastro!
—Ah, não... você? –Afrodite suspirou, revirando os olhos. –Pensei que enviariam alguém mais inteligente.
—Não vai contar piadas para onde o levaremos.
—Agente “Máscara da Morte”... –Afrodite diz rindo. –Por que te chamam assim nos corredores do Bureau?
—Se eu te mostrar por que, terei que arrebentar seu rosto.
—Tsc... Ainda zangado porque fugi da sua custódia? –Afrodite sorri e se levanta. –Bem, se vamos embora... Poderia providenciar roupas adequadas? E um par de sapatos italianos, tamanho 42. Por favor?
—Quieto!
—Como vai sua linda esposa? Quando nos “despedimos” ela estava grávida, não é? Já faz um bom tempo... É menino ou menina?
—Cale a boca! Se falar delas de novo, eu esqueço que ainda tem alguma serventia e acabo com você.
—Menina. –Afrodite sorri. –Espero que tenha puxado a beleza da mãe.
—Cale a merda da sua boca. –o agente Mastrangelo vira-se para Camus e estende a mão para cumprimentá-lo. –Agente Giovanni Mastrangelo, você deve ser o detetive que o prendeu. Fez um bom trabalho. –vendo que Camus não mexeu um músculo para lhe cumprimentar, abaixou a mão. –Sem ressentimentos, Detetive. Só cumpro ordens superiores. Vamos levá-lo.
Camus não respondeu. Dando as costas para os presentes, saiu daquele lugar a passos duros.
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Do lado de fora, Milo já aguardava o parceiro para fazerem uma ronda. Viu Camus saindo furioso e resmungando alguma coisa incompreensível, passando por ele como um raio. Milo o alcançou antes de sair do edifício e o questionou:
—O que foi?
—Os federais vão levar Bergman com eles! –Milo ia dizer algo, mas Camus não deixava, andando de um lado para o outro, deixando o parceiro tonto. –Eles não podem fazer isso! Não depois de tudo o que passamos, do que sua irmã, a minha irmã e Anne passaram! O que direi à Celeste quando ela souber que o maluco que atirou em seu namorado não vai a julgamento?
—Calma...
—Precisava ver a arrogância do Agente que veio buscá-lo! Ele teve a pachorra de me cumprimentar por meu “bom trabalho”.
—Ainda usam a expressão “pachorra”? –Milo ficou com as mãos na cintura, olhando o parceiro andando de um lado para o outro furioso. –Quem ainda fala pachorra nos dias de hoje? Só pode ser você.
—Está me ouvindo? –Camus parou e o fitou.
—Desculpe. Depois de “eles não podem fazer isso...” só ouvi blá, blá, blá, blá...
—Seu... –Camus apontou o dedo para o parceiro, que sorria. –O que faz aqui ainda?
—Somos parceiros, pelo que eu ainda sei.
—Ainda não aceitei isso. –saindo do prédio e parando diante da porta do lado de fora ao ver Anne o esperando encostada em seu carro. –Desde que hora ela está aqui?
—Chegamos juntos, entrei para te chamar e você veio cuspindo fogo. –Milo sorri e cutuca Camus com o ombro. –Vá lá falar com ela. Desde que a salvou eu sei que não conversaram ainda.
—Não é assim tão simples...
—É sim. –Milo piscou, acenando para Anne e empurrando Camus na direção dela.
Camus olhou para trás, furioso com Milo, e depois se recompôs, aproximando-se da advogada.
—Como está? –ele perguntou, recebendo um sorriso dela.
—Melhorando.
—Tem certeza? Muitas pessoas demoram a se recuperar de uma experiência como aquela.
—Não se preocupe. Sou mais forte do que aparento!
—Eu sei. –Camus sorri, sabia que estava diante de uma mulher guerreira.
—Eu vim lhe convidar para tomar um café. –ela falou sem rodeios. –Isso é... se não estiver ocupado, nem nada.
—Não. Hoje está tranquilo até. –Camus virou para trás, sabendo que era alvo dos olhares de Milo, que respondeu fazendo sinais positivos com os polegares das duas mãos ao mesmo tempo. –Eu conheço um lugar aconchegante perto daqui. Bem simples, mas preparam uma torta de maçã deliciosa! A melhor de toda Nova Iorque!
—Claro. Vamos?
Camus oferece o braço a Anne, que o aceita. Ambos descem a rua principal devagar, conversando sobre coisas banais, aproveitando o raro momento de paz para se conhecerem melhor. Milo volta assoviando para o prédio, tinha muitos relatórios a terminar e uma nova semana estava começando. Como amava aquele trabalho!
Fim da primeira temporada.
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