Police History

13 E13X1: Conflitante


Notas iniciais
Betado por Aisha Andris

A luz do sol irradia pela janela do quarto, despertando a jovem de seu sono. Ela coloca um braço sobre os olhos, tentando ganhar mais alguns minutos, mas lembrou-se onde estava e não se sentia à vontade naquela casa, com dois policiais a acompanhando.

Anne deu um suspiro e levantou-se, indo fazer sua higiene matinal e se trocar, preferindo usar um jeans e uma regata branca, antes de ir até a cozinha para comer alguma coisa. Ali encontrou os dois policiais que ficaram com ela a noite toda bebendo café, oferecendo para ela uma caneca, que aceitou imediatamente.

—Tudo bem, senhorita? –um deles perguntou, de traços latinos e sério.

—Sim. Acho que dormi demais.

—Diante dos fatos, é normal. –respondeu seu parceiro, um homem de cabelos castanhos e sempre sorridente, olhando o relógio.

—Algum problema? –ela questionou, sentando à mesa com eles.

—Não, apenas esperando quem ficará em nosso lugar no segundo turno. –respondeu o policial e sorrindo ao ver que haviam chegado finalmente. –AH, pontuais!

—Sempre fomos pontuais! –respondeu um homem já de meia idade, que suava muito. –Meu parceiro não me deixou atrasar.

—Ah, o novato? –perguntou o latino, acenando discretamente para o jovem loiro que entrou logo atrás do policial mais velho.

Anne não conseguiu deixar de notar o quanto ele era bonito, alto, corpo atlético, rosto que parecia de um modelo com penetrantes olhos azuis e os cabelos loiros presos a um rabo de cavalo.

—Até hoje não consigo acreditar que prefira ser policial ao invés de tentar a vida de modelo... –um deles comentou, pegando o paletó. –Misty.

—Meu avô e meu pai foram policiais, tenho que honrar a tradição da família, Santiago. –disse o loiro, sorrindo gentilmente para Anne e cumprimentando-a.

—Senhorita Raccos. Este são os policiais Robertson. –o policial Santiago apresentava ao mais velho e em seguida ao jovem. –e o policial Lefebvre. Está em boas mãos agora.

Anne cumprimentou os dois policiais e em seguida se encontrava sozinha com eles na casa, e apesar de aparentarem ser tão diferentes um do outro, o mais jovem falava com respeito com o policial mais velho, que se afastou para verificar a segurança no local, deixando-os sozinhos.

—Policial Lefebvre? –Anne perguntou.

—Por favor, pode me chamar pelo primeiro nome.

—Misty. E peço que me chame por Anne então. –em seguida apontando para o rosto dele. –Posso te perguntar, se não for indiscrição, como se machucou assim?

—Oh, reparou mesmo com a base? –ele colocou a mão sobre o nariz, onde um hematoma tentava ficar oculto pela maquiagem. –Bem, foi uma briga de bar.

—Você não tem cara de quem briga em bares.

—Ah, as pessoas costumam me subestimar pela minha aparência. –ele sorri. –Geralmente eu costumo surpreender as pessoas com as coisas que faço.

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Departamento de Homicídios.

—É o nosso suspeito?

Marin perguntou olhando através do espelho falso, o belo homem sentado na sala de interrogatório, parecendo não entender por quê estar ali. –Não parece ser o tipo de pessoa que terias forças para subjugar suas vítimas.

—É ele. -respondeu Milo.

—O que o faz ter tanta certeza? –o capitão perguntou.

—Shaka. –o capitão fez cara de que não entendeu a quem se referia. –O loiro que mexe com os computadores e...

—Ah, Francis. –disse o capitão. –O que tem ele?

—Pedi que Shaka descobrisse o que a Madre Grace tentou nos esconder. –explicava Camus. –Acessou arquivos médicos dos cinco aos quatorze anos dele, Gustav sofria agressões sucessivas dentro do orfanato. Não duvidaria que a maioria tenha sido causada pela nossa boníssima irmã.

—Que horror! Outras crianças devem sofrer também. –Marin parecia chocada.

—Vou passar isso ao Serviço Social. –disse o Capitão. –Ele pareceu agressivo quando o trouxeram?

—Não. –Milo suspirou. –Nos seguiu e parecia confuso.

—Tem algo estranho com ele. Mas sei que é nosso suspeito. –Camus estreitou o olhar.

—Chame Anne Raccos para tentar alguma identificação. –disse o capitão Dohko. –Tentem uma confissão. Sem provas para uma acusação, e com o direito que ele tem a um advogado, logo estará nas ruas!

—Sim, senhor! –disseram os dois ao mesmo tempo.

—Pedirei que busquem a senhorita Raccos. Vou com Aiolia à residência de Bergman para ver se encontramos alguma prova que a perícia deixou escapar. –Marin se ofereceu, saindo da sala em seguida, mas dando de cara com os dois agentes do FBI que tentavam enrolar há horas.

Ela olhou para o capitão, que fez sinal para que ela fosse logo, deixando os agentes passarem.

—Esse rapaz não deveria estar aqui. –um deles apontou para Gustav pelo vidro.

—Ele é suspeito de vários assassinatos, agente..? –Dohko fez uma expressão contrariada.

—Keller! –respondeu. –Levaremos Afrodite sob custódia.

—Ele não vai a lugar nenhum e estou pouco ligando se isso é um caso federal! –determinou o capitão. –Se me provarem que Gustav Bergman não é o nosso homem, podem levá-lo.

—Droga. –o outro suspirou. –Já conversaram com ele?

—Ainda não. –disse Camus.

—Se vão falar com ele, façam logo. –disse o chamado Keller.

Camus e Milo entram na sala de interrogatórios, Camus sentou à sua frente e Milo ficou em pé. Gustav os observou e finalmente falou, um pouco nervoso.

—Eu me lembro de você. –apontando para Camus. –Foi esposo de minha irmã. Praticamente somos da mesma família. Pode me dizer por que estou aqui?

Camus o fitou friamente, abrindo uma pasta e observando o que estava escrito ali.

—Sabe que está com problemas, Gustav?

—Sei que não deveria ter saído da Filadélfia, onde fui colocado no programa de proteção à testemunhas. –respondeu. –Mas me acusar de homicídio eu achei... exagerado.

—Acha isso exagerado? –Camus coloca na frente de Gustav as fotos das vítimas do Cinéfilo.

—Jesus! –Gustav se levantou, verdadeiramente perturbado pela visão. –O.. O que é isso? Não estão achando que eu tenho algo a ver com isso, acham?

—Sente-se. –Camus ordenou.

—Eu não fiz isso!

—SENTE-SE! –Camus elevou a voz e Gustav obedeceu. –Olhe para essas fotos e me diga que não tem ligações com isso? Que não fez isso? Que não atacou minha irmã na noite passada!

—Que? Eu não fiz isso! Estava em casa na noite passada!

—Tem algum álibi que confirme isso? –Milo perguntou.

—Um amigo... a casa onde moro é dele. Ele me aluga um quarto e cuido da estufa para ele, estamos investindo em uma floricultura. –explicava empurrando as fotos. –Por favor, tire isso da minha frente!

—Camus. –Milo fez um sinal para o parceiro o acompanhar até lá fora.

Camus recolheu as fotos e colocou um papel na frente dele com um lápis.

—Escreva o nome desse amigo, vamos verificar seu álibi.

Do lado de fora, o detetive percebeu a apreensão no grego.

—Que foi?

—Não notou nada estranho? –Milo apontou para a porta. –Ele realmente parecia apavorado com as fotos dos crimes. Será que ...

—Ele está encenando. –disse Camus. –Vou ligar para Celeste vir aqui e tentar um reconhecimento, nem que seja de voz!

—E se ele não estiver mentindo?

Camus o fitou e nem respondeu. Tinha plena certeza de que haviam trazido o homem certo até ali.

—Camus?

—Milo, se não tivermos nada, voltamos à estaca zero e os agentes do FBI vão levá-lo. E meus instintos dizem que é ele!

—Certo. Confio em seus instintos. –Milo suspirou e depois se animou. –Sua irmã pode fazer uma identificação. Ela foi atacada, pode ser ele!

—É uma tentativa. -pegando o celular em seguida para fazer uma ligação.

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Era um calor gostoso que irradiava por todo o seu corpo, uma sensação de segurança e paz. Com um sorriso nos lábios, Celeste despertou de um sonho bom. Embora a noite tenha sido exaustiva, e tenha demorado a conciliar o sono, dormiu bem.

Talvez fosse a sensação de segurança que estar ali naquele apartamento que a ajudou a dormir, ou quem sabe, a garrafa de vinho que tomaram com a intenção de lhe acalmar ou... o braço pendente em sua cintura, que a segurava firmemente contra um corpo másculo e bem torneado.

Nesse momento ficou tensa e olhou por sobre o ombro e viu Saga dormindo profundamente.

—Mas... o que..? –ela se perguntou. –O que fizemos?

Tentou se mover e ele deu um resmungo sonolento, seguido de um aperto maior daqueles braços e uma perna jogada de modo possessivo sobre ela.

—Sa-Saga! -ela o chamou, sentando na cama, mesmo com ele protestando sonolento. –SAGA!

—O que? –Ele acordou, esfregando o olho e sorrindo para ela. –Bom dia!

—Bom dia? O que houve? O que fizemos ontem à noite?

—Bebemos e dormimos. Só isso. –respondeu colocando as mãos atrás da nuca e sorrindo para ela. –Infelizmente, mais nada.

—Oh, meu Deus... que vergonha! –ela coloca a mão na testa. –Sou fraca para bebidas...

—Notei. –ele se sentou e beijou seu ombro. –Não vou me aproveitar de você, embora admita que foi a melhor noite de sono que eu tenho há tempos. Com você segura em meus braços.

—Eu... –fitando-o, ligeiramente corada.

—Só faremos se e quando quiser, Celly. E vou esperar ansioso por isso.

Saga a puxou, ficando sobre o corpo dela, e lhe dando um beijo. Celeste ficou estática, depois relaxou e começou a corresponder ao beijo.

—Você estava tão linda adormecida... Que fiquei te admirando quase a noite toda. -e volta a beijá-la. –Com fome?

—Faminta!

—Farei a minha especialidade para o café da manhã. Omelete.

—Hmm... posso te mostrar minhas virtudes na cozinha também.

—Gostaria de ver outras virtudes suas. -então, ele segura o rosto dela entre as mãos e a beija.

Enquanto se beijavam com ardor Akhenaton, o segundo hóspede de Saga, pulou na cama entre eles, fazendo a ruiva rir e se afastar do grego para fazer carinho no exigente gato.

—Agora? Depois do atum que lhe dei é assim que me paga? –Saga fez um carinho na cabeça do animal que ronronou em resposta.

Então, ele gentilmente afasta o gato e investia contra Celeste, na intenção de voltar a beijá-la, mas o celular dela começa a tocar e Saga suspira, se dando por vencido.

—Preciso atender. –ela disse sem graça, vendo o número do irmão. –Alô, Camus?

Saga se levantou da cama e Celeste desviou a atenção do celular e do que o irmão lhe dizia para admirar o grego, usando apenas uma boxer branca e suspirou.

—Tá tudo bem? –o irmão perguntou preocupado do outro lado.

—T-tudo bem! –ela voltou a atenção ao irmão, desviando o olhar para o gato que se aconchegava em seu colo. –Agora? Eu vou o mais rápido possível, tá? Tchau.

—O que foi?

—Prenderam um suspeito hoje cedo, querem que eu tente fazer algum reconhecimento. –respondeu um pouco tensa.

—Eu vou com você, está bem?

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Algum tempo depois, no Departamento de Homicídios.

—Olhe com calma. –Celeste era instruída pelo capitão a observar pelo espelho falso o rapaz sentado na sala de interrogatório. –E me diga se acaso reconhece?

—Capitão, ele estava com rosto coberto. Estava escuro. –dizia a ruiva, olhando atentamente para o rapaz.

—Mas pode ao menos reconhecer a voz? –o capitão voltou a insistir.

—Talvez... olha não tenho certeza.

—Calma. –pediu colocando a mão no ombro dela. –Seu irmão e o parceiro vão conversar com ele agora.

Camus entrou acompanhado por Milo que insistiu em participar do próximo interrogatório e ambos sentaram de frente a Gustav, que suspirou ruidosamente ao olhar para ambos.

—Poderiam me esclarecer quais acusações pendem sobre mim? Sequestro? Assassinato? Isso é ridículo! –ele questionou, fitando a ambos. –Eu sei que deveria estar escondido onde estava, mas...

—Bergman. –Milo fez um gesto para o rapaz se acalmar. –Residia onde, antes de Nova Iorque?

—De novo? Aqui, ali... –deu os ombros. –Alguns meses em Indiana, Filadélfia, outros meses em San Francisco, depois em uma cidade esquecida no Novo México...

—E por que retornou a Nova Iorque? –voltou a perguntar.

—Eu... soube da morte da minha irmã. –respondeu mexendo nervoso nas mãos, fitando Camus que mantinha um olhar duro.

Camus notou que o timbre de voz de Gustav havia se alterado, bem como o olhar. Não aparentava estar mais nervoso ou ansioso de estar ali.

—Bergman. –Camus o interrompeu. –Vamos conversar agora. Há dois agentes do FBI lá fora querendo levá-lo sob custódia. E meu capitão quer indiciá-lo por algo maior. Só quero que diga a verdade ou não poderemos ajudá-lo.

—Gostaria que me dissesse do que me acusam. Não vou responder a mais nada se não me responderem. –o rapaz suspirou. –E quero meu advogado.

Celeste olhava para o rapaz e suspirou.

—Não é ele.

—Não foi ele quem a atacou ontem?

—Não. –Celeste cruzou os braços. –Quem me atacou deve estar com o rosto machucado. Dei uma cabeçada em seu nariz para me defender, devo ter machucado ele, pois sinto minha cabeça latejando até agora. Ele não está machucado!

—Das duas uma, senhorita. –disse o capitão. –Ou ele não é quem procuramos ou tem um parceiro.

Na sala, Camus conduzia perguntas que eram respondidas por Gustav tão prontamente que o detetive começou a achar que realmente o homem diante dele poderia ser inocente daquelas mortes, que haviam armado para incriminá-lo. Sempre um álibi, menos o do amigo misterioso.

—Olha, Gustav.

Milo iria perguntar, mas o capitão abriu a porta e os chamou com um sinal. Os policiais se levantaram e saíram em seguida.

—O que foi? Estamos quase conseguindo algo. –Camus começou a falar assim que fechou a porta.

—Temos que soltá-lo! –disse o capitão. –O FBI tá me pressionando e não vai demorar e logo recebo a ligação de algum figurão.

—O QUE? –os dois policiais disseram ao mesmo tempo indignados.

—Capitão, isso é um erro!

—Ele é o cara que procuramos.

—Assim que a senhorita Raccos chegar ela vai identificá-lo e...

—Sua irmã não o identificou!

—QUE?! –Milo parecia inconformado.

—Ela confirmou que o acertou no rosto com uma cabeçada muito forte. No mínimo ele estaria com o rosto ferido. –apontou para a sala- O rapaz ali está com a pele do rosto intocada. Se não conseguirmos provar que ele tem um parceiro, não temos como mantê-lo preso.

O Capitão Dohko explicou e Camus olhou para trás, ao perceber que ela saiu da sala ao lado, ela parecia constrangida em não poder ajudar.

—Está tudo bem. –disse o detetive estendendo a mão para Celeste que a pegou. –Quer que eu chame alguém para te levar em casa?

—Eu estou acompanhada. –disse a ruiva. –Saga está esperando lá na frente.

—Ah... o...

—Namorado dela. –enfatizou Milo recebendo um olhar reprovador de Camus. –Aceita que dói menos.

—Vou ter que soltar o Bergman, assim que seu mais recente álibi for confirmado. –avisou o capitão.

—Se ele sair da nossa custódia o FBI vai sumir com ele de novo e só Deus sabe quando ele vai atacar novamente! –Camus estava em seu limite.

—Não posso fazer nada. –o capitão se afastou. –Encontrem algo que o mantenha preso, senão nada posso fazer.

—E agora? –Milo perguntou ao parceiro.

—Eu não sei. –Camus olhou para o relógio. –Onde está a Annie?

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Anne estava no quarto, folheando um jornal com desinteresse. Não estava interessada em ler nada sobre crimes e assassinatos pelos próximos dias e não sabia o que fazer para espantar o tédio que sentia agora.

Fazia algum tempo desde que retornou aos aposentos e deixou os dois policiais na sala. Os escutou falando sobre esportes e ligarem a TV para assistir algum programa e desde então estavam silenciosos. Suspirou. Talvez devesse ir a sala e desfrutar da companhia, quem sabe o tempo passaria mais rápido, ou simplesmente ficar o dia todo no quarto.

—Acho que vou dormir mais... –suspirou e notou que havia deixado o celular na cozinha. –Droga.

Foi até a cozinha e viu o aparelho, pegando e percebendo que havia recebido vários telefones de Camus e se perguntando porque não a chamaram ou atenderam. Tentou retornar a ligação e para a sua frustração não havia sinal.

—Oficial Robertson? –Annie o chamou, caminhando na direção da sala e estranhando o silêncio. -Lefebvre? Misty? Posso usar seu celular? É importante!

E novamente não obteve resposta.

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Nesse exato momento em outro ponto da cidade.

—Diz, por que estamos aqui novamente? –Aiolia perguntou a Marin enquanto olhava em cada canto de um dos quartos da casa que abrigava Gustav Bergman.

—Procurando qualquer evidência? –respondeu a japonesa, examinando com cuidado uma gaveta de roupas. –Qualquer coisa que o ligue aos assassinatos.

—Mas não há nada aqui. –Aiolia suspirou. –Psicopatas gostam de deixar seus troféus perto, para se lembrarem de suas vítimas.

—Não acho que ele se encaixe nesse perfil. –a ruiva fecha a gaveta da cômoda e vai até a porta. –Vou olhar o quarto ao lado.

—Tudo bem.

Aiolia nota algo estranho no piso do quarto ao ouvir um som ao pisar na madeira. Ele se abaixa e retira o tapete e vê que ele escondia um fundo falso. Com um pouco de dificuldades conseguiu abri-la e olhou com surpresa para o que havia ali.

—Aiolia! –Marin o chamou e o rapaz saiu correndo até o quarto ao lado, e a jovem observava uma gaveta aberta, retirando uma identificação usada por policiais e mostrou ao parceiro. –O homem que mora aqui é policial.

—Achei algo também. –mostrando para ela uma peruca loira feminina. –Roupas e sapatos de mulher escondidos no quarto em um fundo falso.

—Vamos ligar pra central e ligar também para esse distrito. Quero conversar com esse policial. –entregando ao parceiro um documento com a identificação do mesmo.

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Divisão de Homicídios.

—Droga! –Camus pragueja olhando para o aparelho celular. –Ninguém atende!

—Disseram que enviariam uma patrulha e a trarão aqui. –comentou Milo com uma expressão nada amistosa ao ver Bergman sair escoltado pelos dois agentes do FBI. –Não acredito que eles o levarão sobre custódia!

—Federais... –Camus resmungou guardando o aparelho celular. –Vou até lá pessoalmente. Estou preocupada com Annie.

—É a segunda vez que eu reparo que se refere à ela de modo... carinhoso. –Milo riu ao ver que o parceiro ficou levemente corado.

—Que diabos tá falando, Alessandros?

—“Annie”. Não mais Anne ou senhorita Raccos. –o grego sorriu, dando um tapa amistoso no braço do amigo.

—Não estou bem para suas brincadeiras. –Camus o cortou, observando Gustav e os agentes assinarem alguns papeis para liberarem o rapaz. –Temos dois homens desaparecidos, um provavelmente morto depois daquela exibição na internet e outro que nem fazemos ideia de onde procurar.

—Pedi a Shaka que fizesse uma pesquisa e reduzisse nossa área de busca por prováveis cativeiros e... Camus?

O detetive fitava em silêncio Gustav que olhou para ele e sorriu. Não era mais a expressão assustada e ansiosa que ele exibia na sala de interrogatório diante dele, mas algo pontuado com... arrogância.

—Terra para Camus! –olhou na mesma direção. –Vamos encontrar algo e pegá-lo, parceiro.

—O maldito deve ter algum parceiro.

Milo ia dizer algo, mas calou-se ao ver os agentes e Gustav se aproximando, Camus ainda notava que ele mantinha o mesmo olhar arrogante e percebeu que seus gestos para com os agentes, quando estes lhe retiraram as algemas, eram mais deliciados. Detalhes que começaram a incomodá-lo.

—Não posso dizer que era dessa maneira que queria conhecer o marido de minha irmã. –disse Gustav ao parar diante deles. –Queria tê-lo conhecido em outra ocasião, meu caro.

Camus nada respondeu.

—Não fique se achando. –Milo tomou a palavra. –Vamos te pegar, pode ter certeza.

—Que gentil. –Gustav sorriu e acompanhou os agentes federais, mas para ao dizer-lhes algo. –Sabe, temos algo em comum.

—Temos que ir, Bergman. –Keller o avisou.

—Não temos nada em comum. –disse Milo.

—Como não? –ele viu Celeste se aproximando com Saga e sorriu. -Nós três amamos nossas queridas irmãs, não? Sabe, deveríamos dizer de vez em quando o que sentíamos... aproveita e diga isso a ela, detetive Chevalier. Detetive Alessandros... qual foi a última coisa que disse a sua irmã? Espero que seja algo singelo como um “eu te amo”.

O agente Keller o puxou pelo braço e saíram do prédio em seguida.

—Não gostei do que ele falou.

Milo se afasta pegando um celular para ligar para a casa dos pais e Camus se aproximou da irmã.

—Achei que já tinha ido embora.

—Eu achei que ia precisar de um apoio. –ela sorriu triste. –E agora?

—Agora, se o maldito for quem procuramos ficará sob custódia do FBI. Até quando, eu não sei. –suspirou. –Se ele for mesmo uma testemunha importante em algum caso vão mantê-lo bem vigiado.

—Se o FBI vai fazer isso significa que Celly está segura agora? –Saga perguntou a Camus.

—Não sei. Ele pode ter um parceiro.

—Ele parecia outra pessoa falando com vocês agora. –a ruiva comentou pensativa. –Nem parecia aquele rapaz assustado lá atrás.

—Você notou isso também?

—Eu tive essa impressão.

—Vou buscar Anne e levá-la p... –notando Milo um pouco aflito. –O que houve?

—Parece problemas... –Celeste comentou receosa.

Milo desligou o telefone e parecia preocupado.

—Falei com meus pais e com a Themis. Cora saiu com amigos ontem e não voltou para casa ainda. Eu vou até lá...

—Eu vou atrás de Anne. –ambos saíram rapidamente. –Celeste, fica com seu namorado até eu te ligar!

—Mas... –ela suspira. –Tenho que trabalhar!

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Annie caminhou cautelosa da cozinha até a sala onde viu o policial Robertson sentado a uma poltrona, olhando a televisão, de costas para ela. Achou que estivesse dormindo e colocou a mão no ombro dele.

—P-policial Robertson?

—Hã? –o velho policial abriu os olhos, esfregando-os. –Desculpe, dormi vendo tv de novo?

Annie suspirou aliviada.

—Tudo bem. Posso usar seu celular? Recebi algumas ligações e preciso retorná-las. É urgente!

—Eu deixei meu celular carregando na sala ao lado. Vou pegar para você. –disse o homem se levantando. –Misty, onde você está?

Annie novamente respirou aliviada e pensou que não haveria problema algum estando com aqueles homens.

—Que diabos. Tem ligação da Central. Por que deixou meu celular desligado, Misty? –Robertson apareceu com o aparelho celular na mão e olhou para na direção do corredor para os quartos. –Onde esteve? Não me ouviu te chamando garot...

O som do tiro foi abafado por um silenciador. No instante seguinte ao som do estampido, para o horror de Annie, o policial Robertson cai ao chão com um ferimento mortal em sua testa causada pelo disparo. Annie coloca a mão sobre a boca, abafando um grito e deixando o celular cair.

—Shhh! –Misty fez um sinal com o dedo indicador no lábio, pedindo silêncio a Annie que estava em choque, e em seguida o rapaz exibe um sorriso belo e sádico. –Não quer atrair mais gente para cá e me forçar a matá-las, não é? Vamos sair sem escândalos, tudo bem?

No instante seguinte, enquanto ele a pegava pelo pulso e arrastava para fora da casa, com a arma encostada em seu corpo, o aparelho celular caído novamente começa a tocar insistentemente, exibindo o nome de Camus na tela.

Continua...