Police History

8 E08X1: Time Is On My Side


Na sede de uma grande empresa.

—Senhor Tassouli, assine esses memorandos. -pediu a secretária colocando em frente a Saga alguns papeis.

—Conseguiu o telefone daquela pessoa, senhorita James?

—Sim. -ela lhe dá um papel. -Alguma outra ordem?

—Sim. Avise ao meu irmão que preciso falar com ele. Pode se retirar.

Assim que a jovem secretária saiu, Saga examinou o número de telefone e endereço no papel. Sabia nome dela, que estava solteira, não tinha rivais e agora o endereço. Precisava se aproximar dela agora.

Discou o número do celular e esperou ansioso que ela atendesse. Ao ouvir a voz melodiosa do outro lado, sentiu-se como um adolescente diante da primeira namorada.

—Oi? -ela insistiu.

—Oi. Não sei se lembra de mim. Estava em seu bar...

—Assim fica difícil descobrir. -ela falou meio impaciente.

—Cabelos longos e grego. Lembra?

—Ah... o que precisa aprender a dar cantadas em uma garota?

—Esse sou eu. -achou lindo ouvir a risada dela do outro lado da linha. -Gostaria de poder te encontrar e conversar melhor. Para que tire aquela péssima primeira impressão.

—Hum... não sei. Estou agora no centro com uma amiga e depois vou ao bar. Não tenho tempo para encontros. Principalmente com quem nem sei o nome.

—Saga Tassouli, senhorita Chevalier. -falou o nome com orgulho.

—Hum... Não faço a mínima ideia de quem seja. -respondeu. -Acaso isso é importante?

Ela não sabia quem era a sua família? Isso o espantou. Os Tassoulis eram donos de metade da cidade, e de boa parte da Grécia.

—Olha, tenho que desligar. -ela avisa. –Estou trabalhando.

—Espera! -ele pediu. -Posso ir ao seu bar? Para conversar?

—O bar é de meu pai, é público. Nada te impede de ir.

—Eu realmente gostaria de te conhecer melhor.

Um breve silêncio.

—Tenho que ir. -ela avisou. -Tchau.

Ela desligou. Saga ficou olhando o aparelho em sua mão. Ela não era uma pessoa fácil, deduziu logo. E o melhor, não sabia nada sobre ele. Conquistá-la estava ficando cada vez mais interessante.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

—Quem era? -Annie perguntou a Celeste, as duas andando pelas ruas da cidade na direção do Bar que pertencia a família de Camus.

—Algum desocupado. –respondeu fazendo uma careta. -Agora terei que trocar o número do meu telefone. Vamos tomar um café?

—Não vai falar quem estava ligando?

—Nem. Prefiro que você fale.

—Eu? –Annie assustou-se.

—Não vai falar que tá super interessada em meu maninho?

—Eu não estou!

—Ah, tá... sei. –a ruiva deu uma risadinha.

As duas mulheres continuaram a caminhar e a conversar pelo centro da cidade, e entraram em uma loja de especiarias.

—Tenho que encomendar alguns temperos. Não vamos demorar.

A ruiva explicou e entretidas, nem perceberam quando eram observadas por um homem, rosto coberto por um cachecol.

—Que o show comece. -ele disse pegando seu celular e tirando algumas fotos de Annie e de Celeste. –E o elenco principal aumenta.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

—Sério mesmo? -repetia Milo, ao lado de Camus, observando Shaka que jogava Call of Duty na tela de um computador enquanto esperava o resultado de uma pesquisa em outro. –Como ele consegue fazer isso?

—Na maior parte do tempo ele é um gênio. –respondeu Camus.

—E na outra? Fica jogando games ou brisado?

—Eu não uso drogas, detetive. –Shaka respondeu sem se virar. –Alcanço o barato que minha mente precisa apenas com a meditação.

—Tem algo para mim? –perguntou Camus. –Não podemos nos demorar.

—Eu sei que foram retirados do caso. –Shaka olhou por sobre o ombro. –As notícias correm aqui.

—E tem algo? –Milo insistiu. –Dá pra pausar o jogo e nos responder?

—Não se pausa jogo online! –explica Shaka, mas diante dos olhares dos detetives, largou o controle. –Sim, eu tenho.

O rapaz pega uma pasta e entrega a Camus, enquanto liga a tela de outro computador de sua sala.

—Pesquisei o passado de sua falecida esposa. –Shaka explicava. –A parte de ter sido levada pelo Estado a um orfanato você conhece. Três anos depois ela foi adotada pelos Evans. Mas o irmão dela ficou na instituição. Também listei três ex-namorados que moram atualmente na cidade, um deles teve problemas com a justiça por ser abusivo em um noivado em Denver e...

—Espera aí. –Camus pediu. –Irmão? Liz nunca me falou de nenhum irmão!

—Um irmão. –explicava Shaka. –Certamente não foi adotado por ser considerado um pouco arredio. Como sabe, informações como essas são sigilosas e considerando o tempo muitos registros nem estão online. Tive que pedir ajuda a um parça meu que trabalha no Juizado de menores. –suspirou. –Estou devendo muito a ele por isso. Bem, problemas comportamentais deve ter sido o motivo dele não ter sido adotado.

—Ela nunca me falou disso. –Camus parecia chocado com a informação.

—Talvez nem ela soubesse sobre ele.

—Sabia sim. –Shaka falava. –Registros telefônicos, depósitos bancários foram feitos em nome desse irmão. Ela mantinha contato com ele até... vejamos... os dezesseis anos dele.

—E o que houve? –perguntou Milo.

—Bem, parece que ele morreu. –disse Shaka. –Aí que a coisa fica estranha.

—Estranha como? –Camus insistiu.

—Invadi o sistema da polícia, registros médicos. Diz que ele teve um ataque cardíaco e morreu. Mas o rapaz tinha uma ficha médica impecável! Era super saudável!

—Isso está ficando bem estranho! Qual era o nome dele? –Milo perguntou.

—Christian Larsson. Estou tentado saber mais dele e... –Shaka para de falar quando a tela do computador trava e a imagem do logo do FBI surge. –Merda... merda... merda... merda... merda! E merda!

Os dois detetives ficam sem entender quando o loiro se levanta e puxa os computadores das tomadas, pega suas anotações, coloca pendrives nos bolsos e um notebook, em seguida seu boné com o logo de Pokemon e sai empurrando ambos para fora.

—O que foi isso? –Milo perguntava sem entender.

—O FBI não quer que saibamos quem é o Larsson! –chamando o elevador rapidamente. –Temos que sair daqui rápido! Não dá pra pesquisar mais aqui! Logo isso vai estar cheio de agentes do Bureau.

—Como assim?

—Seu cunhado estava no programa de proteção à testemunhas! –disse Shaka colocando óculos escuros.

—Pra que óculos escuros? –Milo perguntou.

—Pra não ser reconhecido!

—Com coisa que esse cabelão loiro e essas roupas não chamam a atenção. –Milo apontou.

—Programa de Proteção à Testemunhas do FBI? –Camus estava pensativo. –Ele está vivo ainda?

—Certamente. –saindo apressado assim que a porta do elevador abriu. –Vamos visitar um amigo meu! O cara é uma fera nos computadores e já invadiu o FBI mais vezes do que seu amigo grego aqui comeu souvlaki na vida dele!

—Outro nerd que mora no porão da casa da mãe? –Milo perguntou, seguindo para o carro. –Você mora no porão da sua mãe?

—Eu não moro no porão da casa da minha mãe! –Shaka se defendeu. –Ela ajuda a pagar o aluguel do meu kitnet.

—E seu amigo?

—Ele mora no porão da casa do irmão mais velho. –respondeu entrando no carro. –Vamos! Eu não quero ser preso pelo FBI de novo!

x.x.x.x.x.x.xx.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Em um certo bar, do outro lado da cidade. Celeste e Annie chegava com algumas sacolas de compras pelos fundos, e foram recebidas por um rapaz de cabelos loiros, um pouco acanhado de estar ali.

—Hyoga! –ela olhou para o relógio. –Não deveria estar na escola agora?

—Bem... –ele estendeu um papel a ela, envergonhado.

—Suspensão? –ela pega o papel e o fita um pouco desapontada. –O que houve?

—Um professor me provocou. Falando de minha mãe. E eu o soquei. –sem graça.

—Ele vai te processar. –ela suspirou. –Vou ver com o meu pai o que podemos fazer.

—Não fale pro Camus. –ele pediu.

—Não vou falar. –ela olha para Annie. –Se precisarmos de um advogado?

—É o mínimo que posso fazer. –respondeu olhando para o rapazinho loiro, simpatizando com ele.

—Ontem te vi com uns garotos novos. –Celeste comentou, entregando ao seu chef as sacolas. –Não os conheço. Quem eram?

—São legais. Eu os conheci no Centro Comunitário. –respondeu, pegando o avental que a ruiva lhe entregara. –Sabe, nas aulas de artes marciais que temos lá.

—Sei. Quero nomes.

—Vai investigar eles também?

—Certeza. –ela sorri, colocando uma touca na cabeça do rapaz. –Já que só vai poder ir na aula depois que falarmos com o diretor à tarde, vamos trabalhar.

—Sim, senhorita!

Celeste faz um gesto para Annie acompanha-la até a frente do bar, e comenta enquanto andavam:

—Hyoga é um bom rapaz, sabe? Só parece estar perdido desde que a mãe morreu.

—Lamento muito por ele. Se precisarem de apoio jurídico para algo, contem comigo.

—Obrigada!

—Preciso ir aonde eu trabalho. –de repente, Annie parecia aflita. -Não posso sumir assim. Tenho clientes e meus chefes devem estar pensando em me demitir!

—Apesar de achar que não deve parar com sua vida por causa de um demente, é perigoso! -falou a ruiva. –Não acho que seus chefes vão te demitir assim. Eles estão cientes de que está sob proteção policial, não?

—Mesmo assim! –ela suspirou e percebeu que recebeu uma mensagem de Ashley sobre o que pediu para investigar. –Tenho que ir ao meu escritório!

—Não deve andar por ai, sozinha. –disse Celeste, cruzando os braços. –Vou ligar pro meu irmão te levar ao seu escritório.

—Que?! –Annie piscou várias vezes, não acreditando.

—É o mínimo, né? Ou providenciar uma escolta policial. –dizia a mesma, pegando no celular e ligando. –Droga! Tá fora de área!

—N-não precisa se preocupar!

—Preciso sim! –discou novamente, desta vez sendo atendida pelo irmão. –Onde você está, Pinguim?

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Numa rua, entrando em um bairro residencial de Nova Jersey, Camus falava ao telefone.

—Trabalhando. –Camus respondeu. –Aconteceu algo? Annie está bem?

—Quer que eu dirija? –Milo sugeriu, ao ver o automóvel passar um sinal vermelho.

—Acompanhe ela até o trabalho dela! -disse Camus ao telefone. –Não a quero andando sozinha e... eu sei que você... tá, peça que ela espere, vou estar aí o mais rápido possível!

—Problemas? –Shaka perguntou, no banco do passageiro.

—Muitos. –Camus suspirou. –Onde mora seu amigo?

—Suba três quadras e vire a esquerda, é a segunda casa. –o loiro explicou. –É a casa cheia de esculturas de metal na entrada.

Chegaram em uma casa de classe média, antiga, com um gramado bem cuidado e várias esculturas de metal, o que os detetives acharam curioso.

—Ele é chamado de Áries na rede. –Shaka explicava. –Além de ser um gênio com computadores é um artista!

—Não viemos para ver obras de arte. Seu amigo pode ver a identidade que atualmente Larsson está usando? –indagou Camus.

—Burlar o FBI e não ser preso? –Milo completou.

—Certamente! –disse Shaka batendo na porta da casa.

Alguns minutos depois, um jovem de longos cabelos em tom esverdeado, ar austero abriu a porta. Olhou para Shaka e para Camus e Milo que mostravam as insígnias para se apresentarem.

—Senhor, gostaríamos de... –Camus começou a falar.

—MU! –o rapaz gritou um nome abrindo a porta para os três entrarem. –É pra você!

—Quem é? –alguém gritou direto do porão.

—É a polícia! –respondeu o outro, voltando para a sala, pegando o jornal. –Se for preso de novo, não vou pagar a fiança!

—Prazer em te rever, Shion! –Shaka falou, apontando para o ele e sussurrando para Milo. –É o irmão!

—Shion, Puta que pariu! –um rapaz de longos cabelos lisos, presos em um rabo de cavalo, irrompe pela porta do porão. –O que eu te falei sobre falar pra polícia que moro aqui?

—Fala Mu! –Shaka o saudou e Mu parecia aliviado em vê-lo.

—Virgem! –cumprimentando-o.

—Codinome sugestivo. –Milo sussurrou para Camus que o cutucou.

—Ah, são apelidos que nos damos na rede. –Shaka explicava. –Resolvemos de brincadeira nos chamar pelos signos.

—Ah, se for assim eu sou O Escorpião! –Milo falava. –E você?

—Não. –disse Camus.

—Entra na brincadeira.

—Não.

—Aquário!

—Não viemos brincar! –Camus o repreendeu.

—Por que trouxe dois policiais na minha casa? –Mu indagou. –Nada de polícia! Podem ir embora!

—Eles são pessoas boas, Mu.

—Sei. –Mu vê Milo mexendo em um live action do Shurato numa prateleira. –Larga isso que é do meu irmãozinho! Shion, fala pro Kiki não largar os bonecos dele por aí. Depois não pode reclamar se sumir!

—Shion? Mu? Kiki? Que nomes são esses? –Milo pergunta, achando tudo curioso.

—Tibetanos! –respondeu Mu. –Meus avós vieram do Tibet, mas somos cidadãos americanos! Agora... vão!

—Mu! É importante! –disse Shaka.

—Precisamos que nos ajude a invadir o FBI, precisamente os nomes do Programa de Proteção às testemunhas e descobrir o paradeiro de uma pessoa. –enquanto Camus falava, Mu ia retrucar. –Que pode ser um assassino em série.

—Tudo bem. –Mu concorda, voltando para o porão.

Shaka acena para que os dois o sigam e viram que o local era bem mobiliado e equipado com vários computadores de última geração, games e uma mesa de ping-pong.

—Vamos trabalhar! –disse Mu, sentando em uma cadeira giratória e fitando os três. –Sobre meu pagamento?

—Não ser preso deveria ser seu pagamento. –disse Milo ao ver uma planta suspeita no canto.

—É para uso medicinal. –explicou Mu.

—Sei. –Milo fez uma expressão de que não acreditava.

—Faça seu preço. –disse Camus. –Mas só vai receber se eu achar que merece!

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

De volta ao La Luna.

—Ele pediu que o espere. –explicou a ruiva, desligando o celular.

—Mas... ele está ocupado com as investigações. Não quero atrapalhar!

—Não se preocupe. E vocês aproveitam o momento a sós para conversarem mais. –Celeste falou sorrindo, achando graça no constrangimento da advogada. –Está interessada nele?

—Está evidente assim?

—Tá sim. –ela riu.

—Eu não sei se ele pensa o mesmo.

—Bem, pelo jeito que ele a olhou essa manhã. –Celeste dizia, pegando um pano para limpar o balcão. –Ele pensa o mesmo, sim.

Annie não deixou de dar um sorriso com essa perspectiva. Sentir que Camus se interessava por ela havia lhe deixado mais confiante. Nesse momento a porta do bar abriu e um entregador, que trazia um enorme buquê de rosas vermelhas entrou.

—Senhorita Chevalier? -perguntou o rapaz da floricultura. –Celeste Chevalier?

—Sou eu. -Celly se adiantou.

—São para a senhorita. -entregou as flores e saiu.

Celeste ficou sem entender, cheirou as rosas e pegou o cartão, lendo em seguida.

"Não conseguia imaginar nada tão belo quanto você para presenteá-la...essas rosas se aproximam um pouco.

Desculpe... sou péssimo com palavras. Como deve ter percebido outra noite. Ainda quero tirar a primeira impressão sofrível que tem de mim. Aceita jantar comigo?

Saga Tassouli."

—Quem é Saga Tassouli? -perguntou Annie. –O rapaz que te ligou mais cedo?

—Péssimo com as cantadas, mas está se esforçando. -respondeu a ruiva, embevecida com a teimosia do grego em chamar a sua atenção. -Esse buquê deve ter custado uma fortuna! Ele não deveria gastar o dinheiro dele com isso.

—Tassouli? -Annie pensou ao ouvir o nome. –Já ouvi esse nome antes... Já sei de onde o conheço!

—Conhece?

—Ele é um cliente do meu escritório. O meu chefe que cuida pessoalmente de tudo que chega deles lá. –explicava Annie. –Ele é o herdeiro de uma grande fortuna!

—Ele...? -Celeste não terminou a frase, pois outro entregador chegava com mais um buquê enorme de rosas.

—Senhorita Chevalier?

—É ela! -Annie apontou para Celeste.

Em seguida, outros dois entregadores chegaram com rosas. Annie sorriu, pensando que depois contaria a Celeste mais sobre Saga Tasouli. Principalmente a fama dele com as mulheres. Uma coisa ela faria, não deixaria uma pessoa por quem simpatizou e a tinha como amiga se magoar, se necessário fosse, conversaria com o senhor Tassouli pessoalmente.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Horas depois.

Um homem estava sentado numa parada de ônibus vazia, se levantou e fez um gesto, chamando um táxi que se aproximava. O automóvel amarelo parou, dentro dele um homem de feições rudes, mas de olhar simpático o atendeu prontamente. O homem entrou no táxi, sorriu e pediu que ele pegasse um caminho para o centro da cidade. No caminho notou uma foto do motorista, abraçado a dois meninos e uma jovem mulher.

—Sua família?

—Si. -respondeu com sotaque e entusiasmado. -Estão em Porto Rico. Estou mandando dinheiro para que venham para a América.

—Uma bela família!

—Gracias. -e sorriu. -Sinto-me afortunado.

—Sim... -e depois ele se inclinou para frente. -Gosta de filmes de terror?

—Alguns. Prefiro os suspenses policiais.

—Eu também. -sorriu. -Vire naquela rua. Pegue a auto estrada.

—Mas, seňor... por aqui não vamos para o centro. -avisou.

—Mas vamos para um lugar mais privativo, onde poderemos nos divertir.

—O que disse? -o motorista assustou-se ao ver o seu passageiro com uma arma na mão.

—Dirija até a auto estrada e depois vá até as fabricas abandonadas que ficam a vinte quilômetros daqui. -avisou. -E não faça nada heroico.

—Por-por que? -perguntou tremulo, ainda dirigindo.

—Porque não quero atirar em você a mais de 120 km por hora. -e depois acrescentou sorrindo. -Já assistiu O Colecionador de Ossos? Adoro esse filme!

—Si... -respondeu quase chorando, temendo o pior.

—É o meu preferido! Não se preocupe senhor... –observa o nome na licença dele. –Morales. Se não fizer nada estúpido, quem sabe pode rever sua amada família?

—Por favor...

O homem sorri no banco do passageiro, encostando o frio metal da arma na nuca do motorista.

—Só dirija... e ligue o rádio.

Morales liga o rádio como fora ordenado, enquanto dirigia na direção das fábricas, ao som de Rolling Stones tocando Time Is On My Side, e o estranho passageiro cantava junto.

Continua...

Notas finais
Notas: Souvlak: é tipo um churrasquinho, servido no prato ou no pão pita com molho, salada e batata frita. É a versão grega de fast food.