Polaroid
1 Capítulo Único
Ela colocou as mãos no meu pescoço, eu envolvi sua maçã do rosto com uma das mãos e sua cintura com o outro braço. Puxei-a para mais perto com delicadeza, até ficarmos colados. Nossas bocas se encostaram e sua língua estava quente e molhada ao primeiro toque. Ela me empurrou, olhando sensualmente e deitando na cama, me chamando, me provocando para mais, eu deitei por cima dela e começamos a tirar a roupa enquanto nos beijavamos novamente. O celular que estava encima da cômoda começou a tocar.
E eu estava delirando de novo.
Não queria acreditar, mas estava apenas deitado na cama, tocando no meu órgão genital e pensando nela. Como todas as outras noites. Embora essa parecia mais intensa, e por um momento, pude pensar ser realidade.
Eu só gostaria de poder esquecê-la, já que nunca poderia beijá-la de verdade.
O celular continuava a tocar 1957, Milo Greene, eu comecei a odiar essa música depois que ela me despertou do devaneio prazeroso que estava tendo, mesmo assim deixei tocar mais alguns segundos, relutante, para poder atender.
—Alô?
—Alô? Tudo bem? -Pude sentir um sorriso do outro lado do telefone. Madison. Voltei a gostar do toque do meu celular de repente. -Então, desculpe atrapalhar, mas você poderia me encontrar na praia para uma sessão de fotos? Eu sei que estou abusando te ligando esse horário, mas você já viu como está a iluminação da lua? Simplesmente perfeita! Quer dizer, eu acho, não sou eu que entendo dessas coisas e tal... -Ela parecia já estar me esperando no local, pois podia ouvir o barulho das ondas bem intensas e agitadas ao fundo.
—Claro, hã, eu já estava deitado, mas... Claro! Te vejo em meia hora. -Disse, olhando para o relógio e depois para a janela aberta.
—Perfeito! Obrigada, você sabe o quão importante são essas fotos para mim e pro meu futuro, então, obrigada de novo. Até! -Desligou.
Quando percebi, estava sorrindo como uma criança, me vesti correndo e peguei minha polaroid, entrei no carro e dirigi em direção à praia.
Chegando lá, ela estava sentada na areia, vestindo uma saia retrô até os joelhos e uma blusa branca de botões, com o seu final amarrado em um nó, meias 3/4 brancas e um sapatinho vermelho. Conseguia ver o seu sutiã azul pela blusinha um pouco transparente, e rezei para não ficar mais que um pouco corado com a cena.
Ela me cumprimentou, e eu sorri de volta, um pouco ansioso -como sempre.
—E então, vamos começar? -Disse, fazendo-a acenar.
Talvez ela estivesse se aproveitando da minha boa vontade, levando em conta que eu fazia faculdade de fotografia, tirando fotos dela sem cobrar, sempre na hora que queria apenas porque Mad sonhava em um dia ser modelo. Mas a vadia sabia o que eu sentia por ela, no final das sessões, ela sempre me dava um beijinho no rosto e saia cantarolando, apenas isso, e mesmo assim eu não conseguia dizer um não. No final, eu era só um virgem desesperado.
As ondas cantavam quando se chocavam umas com as outras e depois sussurravam quando terminavam na areia.
Eu poderia muito bem ficar louco com a beleza de Madison, ela sorria com aquele batom vermelho, sua tatuagem de âncora entre o cotovelo e o ombro no braço esquerdo reluziam no tom prateado da lua. A grande rosa estilo Alex Vaulse no braço direito também. Elas me chamavam. Eu podia sentir.
Meu deus, como ela era linda! Eu poderia passar todos os dias da minha vida ao seu lado. Sua pele branca estava úmida por causa da maresia, seus olhos grandes semiserrados com delineador eram hipnotizantes, até hoje posso sentir o cheiro salgado do mar como se estivesse presente.
Quando a sessão terminou, levei as fotos para casa, alegando que as digitaria e enviaria por email mais tarde, mas a verdade também ia além disso, as fotos físicas ficavam penduradas na minha parede do quarto -hoje vejo o quão idiota isso soa-, era como um pequeno altar de adoração e masturbação. Ela me deu o tradicional beijinho no rosto, mas não foi embora. Queria uma carona até seu apartamento. Isso nunca havia acontecido até então, e por isso comecei a ficar num tipo de excitaçao com o que poderia vir a acontecer quando chegássemos lá.
—C-claro! -Eu respondi.
Mad sentou no banco da frente de passageiro, tentei ligar o carro, mas ele só pegou na segunda tentativa, talvez até ele sentisse meu nervosismo, engatei a primeira e depois a segunda marcha e parti em direção ao seu apartamento.
Lá, ela desceu do carro e pediu para que eu a acompanhasse até a porta, e obviamente aceitei. O prédio não tinha elevador, então subimos as escadas, "Sem fazer barulho!", ela sussurrou enquanto dava uma risadinha. Ao chegar lá, eu estava quase sem fôlego, ela se despediu, agradecendo e abriu a porta.
Mas então, Madison, a garota que eu pensava todas as noites, pegou em meu pescoço delicadamente, seu hálito tinha cheiro de morango, e gosto também. Ela me puxou para dentro do apartamento apertado, ainda me beijando sem parar. Meu primeiro beijo havia sido no colegial, mas eu não gostava nem de lembrar pois havia sido um tanto... Embaraçoso para ambas as partes. Pensava que havia esquecido como beijar depois de tanto tempo, mas estava enganado, pois agora a garota que gostava que eu tirasse fotos dela me conduzia muito bem até o quarto, desabotoando minha camiseta e mantendo minha boca ainda colada na dela. Com tamanha agitação do momento, deixei minha bolsa com a polaroid cair no chão, mas então o barulho dela sendo amortecida pelo carpete do corredor da parte de fora do apartamento me fez despertar.
E lá estava eu, em frente à porta de número 402, sozinho, olhando para a fechadura, que acabara de fazer um click, sinalizando de que Madison tinha acabado de fechar a porta na minha cara.
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