Pokémon Uma Nova Jornada
17 Capítulo 17 - Sentimentos de um amor.
Já fazia uma semana desde o acidente com o Kyogre, Mamoru já havia saído do hospital, mas ainda não podíamos sair de Vermilion devido ao seu estado atual. Todas as atividades de Vermilion foram voltadas para a reconstrução da cidade, o ginásio estava fechado desde o dia do acidente, e a líder estava focada em ajudar os cidadãos da cidade. No final todos nos estávamos esgotados emocionalmente, Mamoru mesmo já estando livre do hospital ainda estava em reabilitação, Steven decidiu que não iria sair da cidade ate que seu irmão estivesse completamente recuperado, Ana, Maria e Haru também haviam decidido ficar mais um tempo na cidade. Há algumas horas atrás Wallace em pessoa veio ate o Centro Pokémon me entregar os prêmios do torneio, ele me entregou a minha fita e o ovo de Pokémon, ele explicou que aquele ovo não era de um Pokémon aquático porque o ovo que eles iriam entregar foi roubado, então eles tiveram que arranjar um ovo de ultima hora, de um Pokémon surpresa, ele perguntou se eu me importava e eu disse que não, que estava tudo bem com aquilo e foi embora se desculpando por ter aparecido sem avisar, ele era muito gentil.
Dentre todas as coisas que aconteceram e que estavam acontecendo o estado de Calvin era o que mais me preocupava, ele parecia estar sempre distante de todos nos nessa semana, ele sempre estava com um rosto serio parecia que algo estava o preocupando desde o Torneio, mas sempre que perguntávamos o que havia de errado ele dizia que não era nada de mais e desconversava, aquilo estava me deixando aflita, eu tentei leva-lo para um encontro, mas mesmo no encontro ele parecia distante.
— Calvin esta tudo bem com você mesmo? – Perguntei.
— Ahn? – Ele estava distraído. – Sim, eu já disse, não é nada de mais não tem com o que se preocupar. – Ele sorriu.
Ele não me parecia estar bem, ultimamente ele estava tendo muitos pesadelos, e o intervalo entre eles diminui cada vez mais, ele também estava começando a ter olheiras, e agora alguma coisa o estava preocupando, e eu não conseguia o ajudar, ele parecia estar tão distante.
— Os exames do Moru irão terminar amanhã, certo? – Ele perguntou.
— Sim, por quê?
— Vamos comprar um bolo para comemorar.
Aquilo me surpreendeu, acho que eu estava me preocupando de mais.
— Sim. – Respondi sorrindo. – Mas que tipo de bolo?
— Na verdade eu estava pensando em comprar uma torta de limão pra ele, ele vai gostar mais do que um bolo.
— Eu sei de um lugar que vende, só precisamos saber se eles estão abertos. – Sugeri.
— Certo, vamos lá. – Ele segurou minha mão enquanto sorria.
Talvez eu realmente estivesse me preocupando atoa, talvez ele só estivesse preocupado com o Mamoru, mas algo me dizia que minha preocupação não era atoa, ele realmente estava escondendo algo, mas por hora eu acho que deveria aproveitar o nosso tempo sozinhos, não tínhamos muitas chances para agirmos como namorados, então esse momento era importante pra mim, e sei que pra ele também era.
Caminhamos pela cidade, e vimos as obras que nela ocorriam, os cidadãos estavam realmente empenhados em reconstruir sua tão amada cidade, era tão bonito ver todas aquelas pessoas trabalhando em um mesmo objetivo, demoramos um pouco para chegarmos em nosso destino, por sorte a loja estava aberta, parece que os ataques do Kyogre não afetaram tanto essa parte da cidade que era mais afastada das docas. A loja era simples, ela possuía um letreiro na frente escrito “SLURCAKES” obviamente era um trocadilho com o Pokémon Slurpuff e com o fato dele parecer um bolo. Adentramos a loja e avistamos uma senhora no balcão, era uma velhinha simpática, seu nome era Berenice, e ela tinha um Slurpuff com ela como já esperado, a loja era muito fofa tudo nela lembrava um doce.
Perguntamos a dona Berenice se ela tinha uma torta de limão para nos vender, e ela respondeu que sim com um sorriso no rosto, enquanto ela ia pegar eu pedi para o Calvin avisar ao Steven que iriamos levar uma torta para o seu irmão.
— Ok, eu vou ali fora ligar para ele. – Eles trocaram os números do celular um dia depois do acidente, devido a preocupação de Steven com seu irmão mais novo.
— Certo, estarei esperando aqui.
Ele foi para fora da loja, mas eu ainda o podia ver pela janela. Novamente aquela sensação voltou, eu sentia que podia perder ele a qualquer instante, enquanto ele falava no celular e discutia com o Steven como sempre, eu não pude deixar de perceber novamente em como ele estava pálido, aquilo me assustava muito.
— Aqui esta. – Uma voz serena veio de trás de mim.
— Obrigada Dona Berenice.
— Você pode me chamar só de Berenice meu doce.
— Ok... Berenice você pode embrulhar para presente, é que hoje nos queremos celebrar a reabilitação de um amigo nosso.
— Oh minha jovem. – Ela parecia feliz. – Porque não me disse antes? – Ela entregou o bolo para a Slurpuff que levou para dentro de novo, ela perguntou se o Calvin era o meu namorado, e disse que olhando para nos dois lembrava-se dos seus tempos de treinadora. Não demorou muito para a Slurpuff trazer o bolo de volta, e Calvin entrou na loja no mesmo estante.
— Aposto que seu amigo vai ficar muito feliz.
— Esperamos que sim. – Respondeu Calvin. – Ele realmente esta precisando de algo desse tipo.
Os dois sorriam um para o outro enquanto conversavam, o sorriso dos dois surtia um efeito parecido em mim ambos me tranquilizavam, o da Berenice porque ela parecia uma doce e gentil vovó, e o de Calvin pós era o homem que eu amava. Um pouco antes de sair da loja Berenice me chamou para dizer uma ultima coisa.
— Me desculpe por me intrometer na relação de vocês, mas tome bem conta desse garoto. – Ela disse.
— Ahn?
— Você já deve ter reparado até eu que sou apenas a vendedora de bolos percebi, esse garoto esta carregando algum fardo pesado.
— Você também percebeu?
— Não é muito difícil deduzir isso devido a aparência do garoto, se ele estivesse sozinho eu ate poderia deduzir que poderia ser desgaste de uma jornada. – Ela tinha uma expressão seria no rosto, mas ao mesmo tempo era suave. – Mas como ele aparenta estar bem acompanhado deve ser outra coisa.
— Molly, vamos os outros estão esperando. – A voz do garoto da qual falávamos veio de fora da loja.
— Não esqueça do que eu te falei meu doce. – Ela acenava pra mim enquanto eu saia da porta, a agradeci e fui de encontro a Calvin.
— Do que vocês falavam? – Ele perguntou.
— Segredo de mulheres. – Ele fez uma expressão de desapontado, mas voltou a sorrir em seguida.
Caminhamos de mãos dadas o trajeto inteiro, eu pedi para que parássemos na praça central, lá tinha um enorme chafariz no centro, lembrava muito nossa cidade natal, Calvin parecia ter percebido o mesmo, muitas crianças brincavam por ali como se o incidente de alguns dias atrás nunca tivesse acontecido, o incrível era que aquele ponto era perto das docas e não havia sido atingido, ele continuava firme e forte, como deveria ser. Ficamos um tempo ali apreciando aquela paisagem, mas quando eu me virei para falar com ele eu havia me surpreendido, ele estava chorando, aquilo havia me surpreendido muito, a ultima vez que eu o vi chorando era quando éramos crianças, quando seu pai havia partido em viagem.
— Calvin, esta tudo bem? – Perguntei.
— Ahn? – Ele não havia percebido que estava chorando, eu apontei para o rosto dele e só então ele percebeu. – Nossa, que estranho... – Houve uma pausa. – Eu não choro há muito tempo.
— Calvin o que esta acontecendo com você?
— Não é nada de mais, eu já disse, não tem com o que se preocupar. Isso deve ter sido apenas uma descarga emocional ou algo do tipo, eu tenho estado muito cansado ultimamente.
— Não minta pra mim Calvin. Eu sei que você esta escondendo algo, não tem porque esconder.
— Eu já disse, não é nada...
— Calvin! – Eu acabei gritando com ele. — Eu já disse que não tem porque você mentir para mim, nós somos namorados, você deveria confiar mais em mim.
— Não é uma questão de confiar. –Ele falou baixou, mas eu pude ouvir. – Eu confio em você, por isso que eu já disse que não é nada.
— Você esta mentindo. Eu sei quando você esta mentindo.
— Molly, me desculpa, mas eu não tenho nada para te contar agora.
Em menos de um segundo a expressão em seu rosto mudou drasticamente, de uma expressão seria para uma preocupada.
— Molly... você esta... – Antes que eu me desse conta eu estava chorando, ele ia tentar me consolar mas eu o empurrei e gritei com ele, ele parecia assustado, mas antes que pudesse fazer algo eu sai correndo.
Aquele idiota, nós somos namorados porque ele não pode confiar em mim e me contar o que esta acontecendo, é sempre assim, ele sempre tenta ajudar a todos, mas sempre guarda todos os seus problemas para ele mesmo, por que ele tinha que fazer isso? Eu estou aqui para poder ajuda-lo, e mesmo assim ele guarda tudo pra ele, não só eu, todos nossos amigos estariam dispostos a ajudar, mas ele se recusava a contar seus problemas, quem ele pensa que é? Algum protagonista estupido de anime?
Enquanto eu corria eu esparrei em uma moça, e acabei caindo e a derrubando junto.
— Eu sinto muito. – Me desculpei.
— Esta tudo bem, não tem com o que se preocupar. – Respondeu. – Eu que deveria perguntar se esta tudo bem, você parece afobada. Parece ate que brigou com seu namorado algo do tipo. – Ela riu, mas logo percebeu que era isso mesmo que tinha acontecido e se desculpara.
Ela me ajudou a levantar e então pude ver seu rosto, seus olhos eram dourados e brilhavam com a luz do sol juntamente com seus lindos cabelos brancos como a neve, sua pele possuía a mesma tonalidade parecida, mas que também lembrava a neve, ela me lembrava muito um amigo. Ela era mais baixa que eu, e parecia uma boneca.
— Me desculpe, por ter te derrubado. – Voltei a me desculpar.
— Não precisa se desculpar-me também tive certa culpa. – Obviamente era uma mentira. – Eu também deveria me desculpar por ter rido da sua situação.
— Não é nada, você não sabia, não tem com que se preocupa com os problemas de uma estranha.
Eu fiz uma reverencia pedindo desculpas novamente e passei por ela, para voltar ao meu caminho, mas ela segurou minha mão, quando me virei seus olhos estavam focados nos meus era como se eles estivessem me perfurando, era de certa forma assustador.
— Porque você não desabafa? Sempre é melhor desabafar com esse tipo de coisa, além do mais eu sou uma estranha como você mesma disse, então não tem com que seu preocupar.
Eu relutei antes de me abrir, mas ela tinha um poder de persuasão muito grande, antes que me desse conta eu estava sentada com ela em um banco conversando sobre tudo o que havia acontecido. Ela era extremamente compreensiva e me consolou, quando eu precisei.
— Sabe, eu não acho que ele esteja escondendo algo por mal, ele só deve não querer te envolver nos problemas dele.
— Mesmo assim, eu sempre conto meus problemas para ele e ele sempre me ajuda. Eu queria poder ajuda-lo pelo menos dessa vez. – Resmunguei.
— De mais um tempo para ele, ate que ele possa se abrir, os homens têm disso, eles acham que se abrir para alguém vai os machucar ou algo do tipo...
— Eles são idiotas. – A interrompi.
— Isso mesmo, grandes idiotas. – Ela riu, e eu acabei rindo junto.
— Muito obrigado por me ouvir. – Falei.
— Não tem de que, é sempre bom conversar não acha?
— Sim.
— Sabe, eu também tenho alguém muito importante pra mim. – Ela começou. – Ele é tão importante que o que eu mais quero é poder fazer os sonhos dele se tornarem realidade. Mesmo que entrem no meu caminho, eu quero poder vê-lo feliz.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, dois homens altos e fortes apareceram na nossa frente, eles estavam chamando pela moça. Eles a chamaram de “Senhorita”, pelo que parece ela devia ser de uma família rica ou algo do tipo, ela concordou em ir com eles.
— Me desculpe por ter que sair assim tão de repente.
— Que isso, não é nada, você se dispôs de ouvir meus problemas eu deveria estar te agradecendo.
Ela riu e se despediu. Foi muito bom conversar com aquela garota, foi uma pena eu esquecer pergunta-la seu nome, mas eu sinto que algum dia nós iremos nos encontrar novamente. Agora eu precisava encarar meu outro problema.
Eu só percebi depois que tentaram me ligar, Mamoru, Steven, Ana, Maria, Haru e o Calvin, já estava escurecendo e todos deveriam estar preocupados comigo então decide voltar logo para o Centro Pokémon, não estava muito longe de onde eu estava então não levou muito tempo e assim que eu cheguei eu pude ver que estavam todos me esperando do lado de fora do Centro, menos ele.
— Molly, onde você estava? Estávamos preocupados? – Perguntou Mamoru, que já estava sem o gesso em seu braço, mas que ainda estava enfaixado com ataduras.
— Desculpe, eu só precisava de um tempo para pensar. – Eu olhei para os lados pra ter certeza de que ele estava ali, mas infelizmente ele não estava. – Onde esta o Calvin?
— Faz um tempo que ele saiu, ele saiu correndo para te procurar. – Disse Maria. – Ele veio aqui para ver se você estava aqui, e assim que não te encontrou saiu correndo a sua procura.
Aquele idiota.
— Vamos entrar daqui a pouco ele deve estar aqui. – Falou Ste.
— Eu vou ficar aqui fora esperando.
Todos concordaram e foram para dentro, comemorar a recuperação do Mamoru, eu fiquei ali esperando ele voltar para podermos conversar, demorou mais do que eu esperava e eu acabei caindo no sono.
Eu tive um sonho que no qual eu não tinha há muito tempo, era a primeira vez em que eu conheci o Calvin. Eu havia brigado com meus pais e acabei fugindo de casa, eu era uma idiota tinha apenas cinco anos de idade. Eu acabei me perdendo na grama alta fora da cidade, e já estava escurecendo eu comecei a me desesperar, e acabei me encolhendo em um canto e depois fiquei cansada de tanto chorar e peguei no sono. Foi quando eu acordei com algo quente me aquecendo, eu acordei e vi um garoto com um cabelo negro arrepiado e um sorriso estampado no rosto, ele havia me coberto com um cobertor, e me disse que estavam todos na cidade me procurando. Aquele garoto era o Calvin, ate hoje eu consigo sentir aquela sensação.
— Ahn? – Eu havia acordado, e pra minha surpresa tinha um cobertor me cobrindo, e um garoto sentado do meu lado. – Calvin?
— Desculpa, não queria te acordar. – Ele respondeu.
Eu virei o rosto, não queria falar com ele ate que ele se desculpasse por antes.
— Me desculpa, eu realmente não queria te magoar, é só que, eu não quero te envolver nos meus problemas.
— Você sabe que não tem que guarda-los só pra você, eu estou aqui, você pode contar sempre comigo.
— Eu sei, por isso estou me desculpando. – Ele me olhou nos olhos. – Molly eu realmente sinto muito, eu decidi agora que irei contar tudo pra você.
Ele segurou minhas mãos enquanto me olhava nos olhos e começou a falar de tudo que estava acontecendo. Ele me disse de seus pesadelos envolvendo algum tipo de Pokémon misterioso que parecia uma sombra e seu pai, me disse da garota misteriosa que no concurso, me disse também da equipe da Rocket antes de chegarmos a Vermilion, e me mostrou a pedra que ele havia encontrado. Quando ele terminou de me contar tudo eu pude sentir que ele havia tirado um enorme peso de seus ombros.
Eu o abracei.
— Você não tem mais que ficar se preocupando com tudo isso sozinho, eu disse antes e vou repetir, eu estou aqui com você, eu sou sua namorada, e vou te ajudar com o que quer que seja.
— Obrigado Molly.
Olhamos-nos novamente nos olhos e nos beijamos. No final acabou sendo um longo dia, mas agora que eu sei o que o afligia eu poderia pensar em uma maneira de ajudá-lo, mas eu poderia deixar isso para amanhã, agora eu só queria poder passar mais um tempo com ele.
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