Pokémon - Two Steel Friends
18 Deixe-o Tentar! A primeira Batalha de Sneasel!
Notas iniciais
Eu estava chegando a Ecruteak, passando pela rota 37, famosa por suas muitas árvores de Apricorns. Tinha acabado de parar de chover. Por sorte foi apenas uma “nuvem passageira”. Como Steven detesta água, eu deixei-o dentro da Pokéball enquanto fazia meu percurso. Eu continuava a lembrar de Togepi. Eu não queria ter perdido ele. Será que eu ligo pra perguntar ao Elm se tá tudo bem? Não. Eu não posso ligar assim sem mais nem menos. Mal se passou 3 horas! Togepi está bem. Tenho que confiar no Elm. Olhei para as árvores pela rota. Algumas começavam a ficar amareladas. – O Outono está chegando... – Comentei. Isso também significa que tenho que me apressar. A Liga Pokémon desse ano foi marcada para o outono, isto é, em meados de outubro. Eu já havia coletado 3 Insígnias, só me faltavam 5. Havia um Gym em Ecruteak, então, eu estava á caminho da quarta.
Ecruteak City é uma cidade cheia de história. Uma de suas lendas remete a mais de cem anos atrás. Na verdade, é dito que essa é a cidade mais antiga da região de Johto. Eu não estava me sentindo com saco para batalhar no Gym, então eu decidi passear pela cidade para pegar um ar. Já estava ficando tarde e o céu começara a ficar alaranjado. Eu amava o por do sol. O Céu deixa seu tom azul e deixa que os raios de sol escapando perante as nuvens singelamente pinte-os de tons laranjas, amarelos e rosas. Parei diante do que chamam de Torre Queimada. Eu lembro que já havia estudado sobre essa Torre. Ela tinha o nome de “Torre de Bronze”, mas acabou sendo misteriosamente queimada há 150 anos, provavelmente por um raio que caiu na torre. Eles fizeram outra torre, chamada Bell Tower para não só “substituir” a queimada, mas também chamar um lendário Pokémon. Havia toda uma lenda sobre ambas torres, mas era algo que no momento eu não me recordava. Enquanto olhava a torre, percebi que alguém corria pela calma e vazia rua que dava acesso a torre.
– S... Silver?
– Argh! Você de novo? Está me seguindo ou o que?
– Desculpe, eu nem se quer sabia que você estava na cidade... Mas... Por que a correria?
Silver olha para os lados, procurando saber se alguém o seguia – Tô fugindo da Polícia!
– Da... Polícia... – Meu coração palpitou naquele momento. Silver estava sendo perseguido pela polícia, e isso era parte culpa minha. Eu quem o acusei, dei nome e características. Eu normalmente odeio bandidos. Mas o Silver era diferente. Ele parecia ter uma boa razão pra ter furtado o Totodile – Vai pra torre.
– O que?...
– Vai rápido pra torre antes que eles venham! Eu cubro você!
Silver entendeu e correu para a torre, se escondendo em um dos escombros. A torre é aberta ao público, mas não era todo mundo que ia lá. Era meio perigoso, pois o que sobrou da torre podia a qualquer momento entrar em colapso e desabar. Fora que os locais pareciam não gostar de ter que se lembrar da velha história de 150 anos atrás. Em não pouco tempo, policiais chegaram, junto de dois Growlithes.
– Garoto, você viu um garoto de cabelos ruivos e compridos, camiseta preta, junto de um Totodile?
– Não senhor. – respondi, um pouco nervoso, mas me forçando para não dar nenhuma suspeita.
– Tem certeza? Você não o viu se escondendo?
– Ver eu não cheguei a ver. Deve estar pela cidade.
– Hm... Growlithe, use Odor Sleuth! Você consegue achar o menor infrator pelas redondezas?
O Pequeno Pokémon cachorro começou a farejar as redondezas à procura do cheiro de Silver. Meu peito gelou assim que percebi que ele apontava seu nariz para a torre.
– Tudo bem garoto? — Perguntava o Policial, tentando entender o por que de eu estar tão nervoso pela reação do Growlithe.
Antes que eu pudesse responder, o Growlithe fez uma expressão surpresa, e começou a dar passos para trás. Os Policiais perguntaram ao Pokémon o motivo daquilo, mas ele deu de costas e saiu correndo. O que era aquilo? Um Growlithe correndo ao sentir cheiro de algo? Não é algo tão comum assim... Percebi que o outro Growlithe estava encarando a torre como se estivesse se preparando para o ataque, mas recuando. Os policiais correram atrás do Growlithe que estava fugindo. Não sei se fossem voltar, mas por hora o Silver estava a salvo. Meu plano inicial era camuflar seu cheiro com o cheiro de madeira queimada da torre, o que eu não sabia se daria certo pelo grande poder olfativo de Growlithe, seja como for, contentei-me com o que ocorreu e subi as escadas para entrar na torre e me encontrar com Silver, que estava atrás de alguns escombros.
– Você me... Ajudou...
– Ora, Silver! Claro que sim! Eu não te considero como um bandido. Talvez eu te considere como um... Rival! Isso, um Rival.
– Você me considera como um Rival?
– Sim, ué? Temos o mesmo sonho: Ganhar na Liga Pokémon! Quer dizer, eu acho que você quer...
– Obrigado... Eu acho...
– Olha, se você me contar o por que você roubou o Totodile, hoje Croconaw, eu te tiro dessa encrenca.
– O que? – Silver levantou detrás dos escombros e chegou até mim – Minha vida não te interessa, e eu não pedi sua ajuda para me tirar de nada!
– Silver...
– Sigh... É que... O Sneasel não era forte o suficiente...
– Quem?...
– Sneasel! Meu primeiro Pokémon. Meu pai me deu antes de... Argh... Isso não importa! – Silver parecia bravo quando ia mencionar seu pai. Ele fazia quase a mesma expressão que fazia quando falava da Equipe Rocket. Juntando as peças, eu acho que a Equipe Rocket fez algum mal à seu pai.
– Hm... Mas por que você não o treinou?...
– Ele não aguentava um golpe de um Pokémon Selvagem qualquer! Ele não tinha força alguma! – Respondeu, sacando uma Pokéball do bolso de sua camiseta – E então... Eu vi pela janela do Laboratório do Elm que ele tinha alguns Pokémon que me pareciam fortes... Eu iria... Pedir um, mas... Ele falou que eles eram de sua pesquisa, então eu achei que ele não ia entregar de mão beijada.
– E então você roubou...
– Sim. Eu não pretendia ser pego, então esperei você e ele saírem do Laboratório e os assistentes derem vacilo. Então, eu entrei e peguei o Totodile, mas... O Elm voltou... Por sorte eu consegui fugir pela janela. O resto você já sabe.
– Entendo. – Eu me virei e abri meu Pokégear. Selecionei o número de Elm e esperei para que ele atendesse.
– Alô?...
– Oi! Professor Elm? Sou eu! Sony!
– Oh! Sony! Tudo bem? O Togepi está bem, se for isso. Ele tá dormindo...
– Não era bem isso que eu liguei professor... Liguei pra falar do Silver.
– Silver é aquele garoto que roubou o Totodile?
– Sim. Ele mesmo. Quero pedir que você retire a denuncia que fez contra ele.
– O QUE?? – De longe, foi possível escutar uma voz falando para ele não gritar para não acordar o Togepi – Desculpe... O que você disse, Sony? Retirar a denuncia?
– Sim, Professor.
– Sony! Não posso fazer isso! Ele é um ladrãozinho!
– Ele não queria roubar! Ele achou que você não ia dar o Pokémon pra ele se ele pedisse!
– Tá, eu sei que ele achou que eu... O que?...
– Ele não tinha nenhum Pokémon e quis ser um treinador, mas não tinha Pokémon algum, então foi no seu laboratório. Ele quis pedir, mas achou que se pedisse pra você, você ia negar pois eram de pesquisa.
– Hmm...
– Fora que vai ser difícil devolver. O Pokémon já evoluiu e deve ter criado algum vinculo com ele.
– Hm... Errm... Sony... Você tem razão... Eu retirarei a queixa. Mas ele vai ter que falar comigo e pedir desculpas pessoalmente.
– Claro. Obrigado, Elm!
– De nada. Tenha uma boa tarde!
– Igualmente. Tchau!
– Você viu... O que ele falou? – Perguntou Silver
– Oh, Ele falou que tudo bem, você pode ficar com o Totodile. Ele vai retirar a queixa. Mas...
– “Mas” quê?
– Você vai ter que pedir desculpas pessoalmente pra ele.
– Sigh... Bem, pelo menos eu não vou mais ir pro reformatório.
– E não pense que eu fiz isso de graça.
– Oi? Você vai me cobrar por um favor?...
– Não, cara. Não sou desses. Só quero que você me deixe batalhar com o Sneasel. Quero ver se ele é tão fraco assim. Na verdade, quero mostrar que ele é forte sim, você que não mostra isso pra ele.
– O que?... – Silver hesitava a ideia. Ele claramente não queria batalhar usando o Sneasel – Mas... Ele é muito fraco...
– Vamos, Silver! Nenhum Pokémon é fraco se você deixar ele mostrar sua força! Vamos lá! Isso vai ser como um outro favor pra você e pro Sneasel!
– ... Ok...
– Vem, vamos pra fora da torre. A gente batalha lá fora.
Nos movemos para a rua a frente da torre. Lá não era um campo de batalha Allá Liga Pokémon, mas iria servir. Batalhar dentro da torre seria perigoso, e procurar o campo público da cidade poderia acabar em problemas, já que provavelmente Elm só retiraria a queixa que fez amanhã, ou seja, Silver podia ficar preso até que Elm retirasse a queixa.
– Essa vai ser uma batalha normal, de apenas um Pokémon para cada um de nós. Sem trocas permitidas, obviamente. Combinado?
– Certo.
– Ok. A cortesia é sua.
– Sneasel... – Silver pegou a Pokéball e ficou encarando-a, hesitando em jogá-la no “campo” – Vai!
– Snea, snea! – Gritava o Sneasel. Ele não parecia ser fraco. Aliais, era muito bem cuidado.
– Certo... Como é a primeira batalha dele... Eu vou pegar leve. Learf! É com você!
– Oddish!
– Usando um Pokémon que tem desvantagem pra tentar me dar vantagem na batalha? Que atitude fraca. – Parece que Silver tinha voltado a sua forma convencida como antes, mas sua expressão demonstrava que a frase dele não estava completamente certa. Talvez o Sneasel nem tivesse algum ataque do tipo Gelo.
– As suas honras.
– Ugh... Sneasel! Use... Scratch!
– Hm... Learf! Use... – Me veio na mente que qualquer ataque forte poderia ferir seriamente o Sneasel, fazendo Silver desistir dele. Eu deveria ser cuidadoso. – Sleep Powder!
– Evasiva, Sneasel!
Aquele Sneasel era rápido até. Tinha conseguido escapar de uma nuvem de Pó Sonífero.
– Agora Scratch de novo! – Eu nunca tinha visto Silver comandar assim. Ele parecia agir diferente para com Sneasel e os outros Pokémon.
– Hmm... Use... Mega Drain!
– Ooo... DISH! – Learf começou a absorver a energia de Sneasel, que por pouco não aguenta mais.
– Snea...
– ... Eu... Eu falei... Ele é muito fraco pra batalhar... Você já ganhou a batalha.
– Eu não ganhei ainda, Silver.
– Mas..
– ACREDITE NO POTENCIAL DO SEU POKÉMON!
– Mas...
– Snea...
– ... SNEASEL! ACABE COM AQUELE ODDISH!
– Sne... SEEEEEL! – Sneasel começou a soprar contra Learf um vento congelante. Oddish não aguentou o ataque e caiu.
– ... ISSO FOI UM ICY WIND?
– Icy Wind?... Eu não sabia que... Ele sabia esse ataque...
– Você não sabia por que não confiava nele.
– ... Sneasel, volte. – Silver retornou seu Sneasel e veio até mim – Obrigado, Sony.
– Não foi nada! É pra isso que a... Rivais... Servem, não?
Silver deu um sorriso leve. Era a primeira vez que eu o via sorrir. Pelo menos de uma forma descontraída. E então, um rugido pode ser ouvido dentro da torre.
– Mas... O que foi aquilo?
– Eu não sei. Mas eu vou descobrir. Learf, retorne! – Retornei Learf e corri para a torre.
– Sony! Espera! Isso pode ser perigoso!
Silver e eu corremos para a torre. Nós tentamos ver o que estava havendo no andar de baixo, mas a poeira impedia qualquer coisa. Descemos as escadas e nos deparamos com três criaturas.
– Aquilo é...
– Eu não acredito... Eles são... – Eu ia puxar minha Pokédex, mas ao tentar fazer qualquer movimento, fui percebido pelas criaturas, que rugiram e saltaram para fora da torre, mesmo que um salto para fora do buraco fosse quase impossível.
– O que vocês viram foram nada mais, nada menos do que os Três Cães Lendários. – Dizia um homem misterioso, com uma capa branca.
– Três cães lendários?... É aquela lenda que...
– De que quando essa torre foi queimada, três Pokémon morreram na torre. Entristecido pelas mortes, o Lendário Pokémon Ho-oh trouxe-os de volta a vida como os Três Cães Lendários. — Interrompeu o senhor de capa.
– É. Isso daí.
– Eu me chamo Eusine. Eu sou um perito nesta lenda e um aficionado pelo Suicune. Eu estava vindo à torre para ver se encontrava algum vestígio de sua aparição, e eu finalmente pude encontrá-lo. Mas... Foi tudo tão rápido... Me pergunto o por que de eles terem aparecido aqui...
– Tem gente que diz que os Pokémon lendários testam os humanos deixando eles se aproximarem... – falei
– É... É isso... Eu... Irei procurar por Suicune. Quero que ele me teste. Eu quero fazer dele meu amigo. Adeus. – O homem seguiu caminho para a escada, para sair da torre.
– Cara mais doido. — comentou Silver, girando seu dedo perto da orelha, dando enfase a loucura que ele via no homem misterioso.
– Bem, todo mundo é meio louco.
– Bem, eu to cheio por hoje. Vou procurar algum lugar isolado para dormir.
– Tome cuidado com a Polícia! – Afirmei. Silver apenas acenou e saiu pelas escadas. Eu fiquei refletindo um pouco sobre o que tinha acontecido. Será que foi isso que fez os Growlithes reagirem daquela forma? Eles sentiram o cheiro dos Pokémon Lendários dentro da torre e se assustaram, provavelmente. Saí da torre e me dirigi para o Centro Pokémon para descansar um pouco.
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