Pokémon - The Chronicles
1 Prólogo
Calista riu consigo mesma ao ver Diantha enrolar a manta sobre os ombros. Não entendia como a atriz conseguia sentir frio usando aquele suéter enorme.
— Nem comece. — A campeã lhe disse. — Só porque você é imune ao frio, não significa que todos podem ser.
— Não sou imune ao frio. Você é quem é sensível demais.
Diantha revirou os olhos. Calista a ignorou, voltando a se concentrar no livro que lia.
Era uma terça-feira, e a campeã de Kalos havia convidado a irmã de Ash para se juntar a ela na sede da Elite. Não era um evento incomum, e todos os membros da Elite dos 4 kalosiana já haviam se acostumado com a presença da morena.
Naquele momento as duas estavam na enorme área comum, na frente da televisão, assistindo a algum filme de terror ruim. Drasna e Siebold haviam estado com eles, mas a mestra do tipo dragão praticamente arrastara o loiro para fora da sala quando ele começara a reclamar do enredo do filme.
Na verdade, Calista também achava que o enredo era péssimo, e ficara muito surpresa ao descobrir que Diantha gostava daquele tipo de filme. Ela os achava divertidos. Depois de tanto tempo de amizade, a morena havia aprendido a ignorar o que acontecia na tela e simplesmente se concentrar em seu livro.
O som de passos a distraiu da leitura. Era Drasna, trazendo duas canecas das quais subia vapor. O cheiro doce de chocolate invadiu a sala enquanto a mestra do tipo dragão estendia uma delas para Calista.
— Obrigada.
— Disponha.
A outra caneca foi estendida para Diantha, que aceitou com um sorriso de agradecimento, porém não desviou os olhos da tela. Calista tomou um gole, gemendo de prazer. O chocolate quente estava delicioso.
— O vilão vai prendê-los na casa em ruínas. — Uma voz soou. — Todos eles vão morrer em um incêndio.
Calista olhou para cima, vendo Malva recostada contra as costas do sofá, logo atrás de si, com um sorrisinho desprezível nos lábios. Diantha estava tão concentrada que nem se deu conta do que havia sido dito.
O sorriso de Malva se alargou enquanto ela erguia uma das mãos, mostrando três dedos e baixando um deles após alguns segundos. A mulher de cabelos cor de rosa deu um longo passo para trás, tomando distância e baixando mais um dedo. Quando Malva baixou a mão, Calista deu um pulo de susto.
Rápida como um raio, Diantha agarrou a almofada mais próxima e a atirou com pontaria perfeita direto na cara de Malva, que aparou o objeto e retribuiu da mesma forma, saindo da sala antes que a atriz pudesse reagir.
— Vaca. — Diantha murmurou. — Ela sempre estraga tudo.
— Ei! — Calista objetou. — Pegue leve, Di. É só um filme.
— E, como sempre, Malva estragou o final. — A atriz obviamente estava furiosa. — Por que ela sempre faz isso?
Emburrada, a atriz encolheu os joelhos contra o peito e tomou um gole de seu chocolate quente.
— Vamos, Di-Di. — Calista disse, pousando uma das mãos nos joelhos da atriz. — Deixe de ser birrenta. Está dando exatamente o que ela quer.
Diantha simplesmente assentiu, e vários minutos se passaram em silêncio.
— Hey. — Calista chamou. — Posso saber quanto tempo você pretende continuar com essa criancice?
Diantha respirou fundo para se acalmar, e então finalmente cedeu.
— Tem razão, Caly. — Declarou, após uma breve hesitação. — Não vou deixar aquela mulher desprezível arruinar nossa noite.
O comentário fez com que a irmã de Ash lhe lançasse um olhar fulminante.
— Diantha...
— Certo, certo. — A atriz deu uma risadinha apologética. — Desculpe.
Calista revirou os olhos e se permitiu uma risada, se inclinando para colocar a caneca já vazia de chocolate quente na mesinha de centro à sua frente. Diantha fez o mesmo.
Quando a irmã de Ash voltou a se recostar no sofá, a campeã de Kalos deslizou para mais perto, praticamente aninhada a ela. A morena simplesmente revirou os olhos, sem nem se incomodar em protestar. Ser a melhor amiga da campeã de Kalos envolvia se acostumar com aquele tipo de gesto.
Não havia nada que Diantha gostasse mais do que se aninhar com sua amiga enquanto assistiam um filme, quase sempre deitando a cabeça em seu ombro. Calista se surpreendeu na primeira vez, mas logo se acostumou. Os rapazes, especialmente Siebold, costumavam rir e dizer que a atriz estava romanticamente interessada em Calista, mas a morena sabia melhor e nunca deu muita atenção às provocações. Diantha era carinhosa e não tinha medo de demonstrar afeto para aqueles com quem realmente se importava. Esse era um traço de sua personalidade que fazia Calista gostar dela ainda mais.
— Qual é o problema com ela, afinal? — Inquiriu. — Malva parece adorar atormentar você.
— Ela adora atormentar qualquer pessoa. — Foi a resposta. — Aquela bruxa infernal...
— Ei!
Diantha riu ao perceber que estava xingando Malva mais uma vez. Calista também riu, passando um braço ao redor dos ombros da atriz.
— Não ligue para ela. — Disse. — Se quer derrotar uma bruxa...
— Queime-a na fogueira. — Diantha completou. — É, acho que não funcionaria com aquela ali.
— Já chega. — Calista caiu na gargalhada. — Caramba, Din, você é mesmo má!
Foi a vez de Diantha rir, enquanto pegava o controle remoto começava a zapear pelos canais.
— Mudando de assunto... — Disse, algum tempo depois. — Steven já falou com você?
— Sobre o que?
A atriz pareceu arrependida de ter trazido o assunto a tona, e deu de ombros.
— Não importa. É melhor eu deixar que ele mesmo diga.
—Ah, não! — Calista protestou. — Você me deixou curiosa, agora vai ter que me contar tudo.
— Não. — Diantha riu, adorando ver sua melhor amiga tão curiosa. — Eu não vou contar nada.
— Viu? Eu disse que você era má.
Calista riu e começou a acariciar os cabelos da atriz, que estavam soltos naquela noite. E eram bem mais longos do que sempre imaginara, indo-lhe até abaixo dos ombros. Não muito depois, ouviu Diantha suspirar de prazer. Ela adorava quando Calista brincava com seu cabelo.
As duas ficaram em silêncio, assistindo ao programa que estava passando sem prestar qualquer atenção. Calista ainda lia, concentrada, enquanto Diantha digitava algo em seu celular. A atriz subitamente sentou-se ereta, soltando uma exclamação de raiva.
— Diantha! — Calista exclamou, surpresa. — O que aconteceu?
— Eu vou matá-la! — A campeã rosnou. — Agora mesmo. Malva desgraçada!
— Não tão rápido, Maître.
Calista agarrou seu pulso e a puxou de volta para o sofá. A atriz caiu em seu colo e os braços da morena se fecharam ao seu redor, prendendo-a.
— É isso aí. — Declarou. — Você não vai sair daqui até falar comigo. Que diabos deu em você hoje? Nunca a vi agir assim.
— Tem razão. — Diantha cedeu. — Normalmente não ajo. Mas aquela mulher me tira do sério.
— O que ela fez dessa vez?
— Estragou tudo, como sempre. — Diantha cruzou os braços com força. — Steven me disse que ia convidá-la, mas nunca pensei que ela fosse aceitar.
— O que?! Espere, me explique direito. Convidá-la para que?
— Férias em grupo. — A atriz explicou. — No começo pretendíamos convidar apenas você, Ash e Serena. Mas Steven achou que seria uma boa ideia convidar Lance, e ele perguntou se Clair também poderia ir.
— Ah. — Calista percebeu, rindo. — Não é surpresa. Eles nunca se desgrudam, aqueles dois. Mesmo que ela jure que o odeia. Mas admito, é bem irritante o modo como passam o tempo todo discutindo.
— Não acho. — Diantha rebateu. — É engraçado. Quase... Fofo. Dá para ver que se importam de verdade um com o outro.
— Você tem um gosto bem estranho, Di. — A morena provocou. — Mas o que Malva tem a ver com tudo isso?
— Steven a convidou. — A atriz revelou, seus lábios se apertando em uma linha fina de irritação. — E ela aceitou.
— Steven a convidou? Sério? Ela definitivamente não faz o tipo dele.
— Acredite, ele é uma das poucas pessoas no mundo que não quer torcer o pescoço daquela mulher.
— Ei, já chega. — Calista interferiu, abraçando-a com mais força. — Você tem trabalhado demais, precisa mesmo de férias. Prometa que não vai deixar que ela estrague tudo.
A atriz lançou um olhar furioso para a porta, na direção em que Malva havia ido.
— Chérie, eu amo você. — Disse — Mas não me peça para prometer algo tão impossível.
Antes que Calista pudesse responder, Drasna e Siebold se juntaram a elas novamente. Diantha chegou mais perto, enterrando o rosto no peito da melhor amiga.
— Di, se esconder não vai mudar a situação.
— Mas me sinto melhor assim. — Foi a resposta, fazendo Calista rir.
— O que aconteceu? — Drasna inquiriu, em um tom de preocupação quase maternal.
— Não é nada, Drasna. — Calista asseverou. — Diantha só está sendo dramática.
Isso fez Diantha erguer a cabeça novamente, zangada.
— Não estou! — Protestou.
— Está sim. — Calista rebateu. — Sabe que está exagerando.
Diantha não respondeu, simplesmente se acomodou em uma posição mais confortável, dessa vez escondendo o rosto na curva do ombro de Calista. A morena acariciou seus cabelos castanhos novamente, soltando um longo suspiro de frustração. Seriam umas férias e tanto.
Fale com o autor