Pokémon Shining Crystal - o Juízo Final

5 Capítulo 4 - Os Mistérios de Ecruteak


Notas iniciais
Os desenhos deste capítulo são todos antigos. Para ver meus novos desenhos, é só ver meu álbum no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=ls&uid=7106160602203861896 Desenhos nesse capítulo: http://i589.photobucket.com/albums/ss335/ananda_027/sudowoodo_appears.jpg?t=1255638695 http://i589.photobucket.com/albums/ss335/ananda_027/kei.jpg?t=1255652203

O National Park era, de longe, o lugar que eu mais esperava ansiosamente para visitar em minha jornada. Sempre o via na televisão, e assistia assiduamente a Competição de Caça-Insetos (todas as Terças, Quintas e Sábados às 21hrs no Canal 5, o Seu Canal de TV!) com muita expectativa. Já estava começando a entardeçer, e naquele dia não haveria competição. Logo, o parque estava tranquilo e pouco movimentado.

O mato era tão mais verde ao vivo! Os azulejos da praça eram limpos e dificilmente você encontraria uma 'sujeirinha' ecrustada entre eles. Os bancos era branquinhos, as pequenas cercas de alumínio mais decoravam que protegiam o perímetro da praça, ficando a até 30cm do chão. Os pássaros cantavam sob os postes de luz prestes a serem acesos, pequenas criaturinhas brincavam sob os matos baixo e alto da parte central do parque. Algumas pessoas vasculhavam o lugar, alguns treinadores à procura desses pokemons. Eu decidi então descansar um pouco num dos banquinhos antes de prosseguir e, se desse tempo, passaria no ginásio de Ecruteak para batalhar Morty. Dizem que só o ginásio dele fica aberto até tarde...

Quando eu e Croconaw atravessamos a barreira para a Rota 36, logo notamos uma mudança no ambiente. Era como se o parque a alguns metros de nós estivesse a quilômetros da distância. O caminho daria numa floresta cheia de árvores coníferas bastante altas, daquelas que dói o pescoço só de tentar olhar para o topo. Ele friccionou os finos lábios crocodilianos e deu um assovio admirado. Quando voltei a olhar para a estrada, após certo avanço em nota caminhada, noto um casal de crianças sentados numa curva, e pareciam bastante desolados.

Pelo que observei, se tratavam de Estudantes. A garota tinha olhos grandes e expressivos, sentava-se abraçando os joelhos — e provavelmente pela falta de malícia, não se importava de se sentar daquela forma ao usar o micro-vestido azul claro, o que permitiria que certas "roupas íntimas" fossem vistas com um pouco de atenção. O garoto já era mais desleixado, estava sentado com as pernas abertas, suspirando descontente. Claro, coisa que também chamou a atenção foram seus pokemons: um Sandshrew pedia o colo da mocinha, enquanto um Venonat admirava a tristeza do garoto.

Me aproximei deles e Croconaw, com seu jeito um pouco inconveniente, foi logo farejando a grande bola de pelos roxa, que se se sentiu um pouco incomodado com a investida. As crianças se levantaram quando notaram minha aproximação, me olhando de baixo e me alertando:

- Desculpe, moça, mas a estrada está bloqueada. — disse a menina, com a voz infantil.

- Umm? Como assim? — perguntei.

- Ué, você não sabe? — disse o garoto, de forma impertinente — Não assiste jornal não?

- Estou a muitos dias longe de casa, se isso responde sua pergunta...

- Bom, nesse caso, veja por você mesma. — disse a garotinha.

Ela esticou o braço direito e apontou para aquela direção do seu corpo. Eu olhei, mas não estava preparada para o choque.

No encontro da Rota 36 com a 37 — que ligavam as três maiores cidades de Jotho -; havia uma árvore muitíssimo diferente das demais daquela área. Era grande, quase duas vezes maior do que eu. Curvelínea, suas raízes eram estranhas e os ramos mais ainda, sendo duas prolongações com 3 esferas verdes nas extremidades de cada uma, coisa que dificilmente lembraria uma copa... Um prolongamento esquisito saía de seu topo brilhante, que lembrava uma careca humana. Estava rija e inerte, e realmente atrapalharia o fluxo de pessoas por ali — mas não as impedia de passar.

- Mas que diabos?... — exclamei, boquiaberta.

- Dizem que esta aí desde o início da primavera. — ela disse, com as mãos na cintura — E ja tentaram de tudo para tirá-la daí. E ao que parece, isso é mais uma estátua que uma árvore...

- Estátua? Digo, não é um vegetal?

- Os tolos que acreditavam que podiam cortá-la arrancaram lascas dela... — o menino dizia, com os braços cruzados — E quando isso acontecia, ela ganhava vida e esmurrava a pessoa assim! — deu um giro com o corpo, com o braço esticado, como quem dava um poderoso tapão.

Fiquei surpresa com a forma que ele expressou aquilo. Com medo até, diria.

- Algumas moças da floricultura de Goldenrod tentaram usar algumas técnicas para removê-la. — dizia a menina, como quem havia assistido a cena — Mas elas derramaram água sobre as raízes da árvore, e ela começou a dar coices adoidada! — dizia com terror nos olhos, cobrindo as bochechas com as mãos.

- Credo! — exclamei.

- Isso não é nada! — disse o rapazinho, empolgando-se novamente na representação — Um dia eu e a Ana estávamos aqui, quando vinha uma escavadeira derrubar essa árvore. Ela fez o chão tremer e fez pedras caírem encima da escavadeira, por pouco o cara dentro dela e as pessoas ao redor não se feriram...

- Eu consegui ver os olhos abrindo nessa hora.

- Já disse pra você, isso é uma árvore, nao tem olhos!!

- Não foi você mesmo que disse que ela era uma estátua, Renan? Pois é. A gente nem sabe direito o que isso é! — deu língua ao colega, como sinal de desrespeito.

Eu analisei a situação a partir dos relatos das crianças. Me lembrei então do regador de Squirtle que Witney havia me dado em Goldenrod... Teria alguma coisa haver com aquilo? Só podia porque, agora, as peças estavam se encaixando... Pois bem, eis o plano. Disse para as crianças que usaria a água do regador para "levantar" a misteriosa árvore do chão. Quando ela estivesse pronta para atacar, com a ajuda de Croconaw; derrubaríamos a árvore no momento que ela abrisse a guarda para nos atingir. Eu teria que ser extremamente rápida para fugir e Croconaw para atacar: estaríamos colocando nossos reflexos ao limite.

Nunca estive tão insegura diante de um plano. Nossas chances eram curtas, mas as únicas... Pedi então para que as crianças me dessem cobertura, e elas aceitaram afirmativamente com a cabeça pois, por alguma razão, estava extremamente confiantes em mim.

- Você nao é a mina que derrotou os Rockets em Azalea? — disse Ana, sorrindo inocentemente — Pois é, se seu plano deu certo lá, o que poderia dar de errado aqui?

- Qualquer coisa a gente te dá cobertura. — disse Renan. Com todos os olhares sobre mim agora, não poderia desapontá-los daquele jeito...

Me aproximei da árvore cautelosamente. Croconaw tinha passos decididos, mas no mesmo ritmo que os meus. Olhei para ele, e movi a cabeça afirmativamente, esperando o momento que ele a balançasse da mesma forma, mostrando que estava preparado. Os olhos vermelhos se fixaram sobre a árvore. Eu me agachei às suas raízes e, com o regador de Squirtle em punhos, lentamente o virei sobre o caule.

- AAAH!! — ouvi o grito de Ana.

Saltei com o susto que levei, o que causou o regador à deslizar de minhas mãos e despejar toda a água sobre a árvore. Era virou a cintura de forma assustadora, e o jeito que o fez mostrou o quanto parecia irritada. Ergueu o braço para me acertar com aquelas pesadas proeminências verdes, e posso dizer que tenho bons reflexos. Atirei meu corpo para trás, desviando do golpe e vendo seu braço balançar no ar, enquanto Croconaw (no fulgor da adrenalina), apenas se jogou no mato.

A árvore logo enrijecera novamente, como se nada tivesse acontecido. Parecia ainda mais imóvel do que antes.

- Você tá ficando doida, Ana?! — esbravejou o garoto.

- Eu vi, eu vi, ela abriu os olhos de novo!!

Quando eu havia caído de peito no chão, atirada pelos movimentos de ambos, acabei por ligar o rádio da minha PokéGear. Por não usar fones de ouvido, ele era alto o suficiente pra ser facilmente ouvido por todos nos arredores. Pude ouvir a voz malandra do DJ Sanders prestes a botar mais uma de suas músicas doidas no ar: Aê, galera, agora se prepara que vocês vão tirar o pé do chão!

A música que começou a tocar era bastante popular, aquelas de tocar a cada 15 minutos na rádio. Era bem animada, um estilo dance bem movimentado e facilmente reconhecido.

Quando tornei a olhar para a árvore, vi que suas canelas estavam tremendo, como se suas raízes estivessem numa bacia de água fria. Conforme a música progredia, os movimentos se tornavam mais perceptíveis e ritmados, como se ela estivesse... Embalada pelo compasso da música.

- Já disse pra você, Ana, ÁRVORES NÃO TEM OLHOS!

- Imagino que não rebolem, também?

A música estava ficando mais animal. Pelo jeito que ela rebolava todo o curvelíneo corpo e balançava os braços de forma extravagante, era como se, alem de gostar muito da música; ainda soubesse como dança-la de forma perfeitamente natural e num compasso impecável. Quase como se tivesse talento para tal.

Eu estava catatônica. As crianças estavam paralisadas e boquiabertas diante da situação. Algumas pessoas que passavam do lado de Violet ficava nos olhando, sequer piscavam diante da árvore-estátua dançando e rebolando diante deles. E quando menos se espera, como quem se escondiam numa camuflagem sob a pele, surgem os olhos e a boca, brilhando e sorrindo largamente ao chegar no ápice da música.

E lá estava ele. A árvore, estátua, o que fosse, não era nada daquilo. De acordo com o Pokedex, a criatura pulando e dançando diante de nós era um Sudowoodo, um poquemon raríssimo que aparecia naquela região a cada ano, geralmente soltos pela natureza. De onde eles surgiam, ninguém sabia, e tampouco porque aquele estava parado na estrada daquele jeito. Seja o que for, um pokemon anual como esse não podia simplesmente passar despercebido por mim.

- Sudo WO DOO!

Croconaw surgiu de trás da moita, pegando o pokemon dançarino de surpresa ao atingi-lo com as suas pequenas porém afiadas garras na região abdominal. Ele se distanciou, pareceu irritado ao ter sua dança interrompida, apesar daquilo não parecer te-lo ferido quanto Croconaw esperava ter. Este olhou para as garras da mão que usara para atacar com o olhar incrédulo, e saltou assustado para trás quando viu a velocidade incrível que aquele pokemon adquirira para ataca-lo, tentando atingi-lo com as promenimências de seus ramos. Croconaw por pouco não é atingido, e deu graças por isso.

O impacto de seus pesos na terra foi tão grande que fez até buracos com a circunferência das proeminências marcados no chão. Enquanto Croconaw olhava aquele braço enorme preso no chão ao seu lado, arregalou os olhos e rangiu os dentes nervoso. Ao rapidamente olhar para frente, lhe deu tempo apenas de ver o outro braço pegando distância e então atingi-lo em cheio por baixo da mandíbula — a força que ele usou foi tão grande que fez um corpo desenvolvido como o de Croconaw levantar vários centímetros do chão ao ser atingido.

- Croconaw! — eu o chamei, quando o vi atirado no chão e tão machucado com um único golpe.

- Croconaw! — Sudowoodo me imitou chamando pelo meu pokemon, com exatamente a mesma entonação de voz de forma bem verossímil. Quem ouvisse, acaharia que era eu falando!

Se ele fosse atingido daquele jeito novamente, teria poucas chances de sobreviver. O trouxe de volta à pokebola, e no nervosismo, me confundi na hora de pegar as minhas. O pokemon ainda dançava, enquanto as pokebolas contraídas deslizavam em meus dedos. Eu usei a errada, e acabei traznedo Graveler para a luta.

Ele não teria tempo nem de dizer "oi, pessoal". Sudowoodo levou as mãos ao chão e com elas impulsionou seu corpo na direção de Graveler, enfiando-lhe um chute certeiro bem no meio da cara. Assim que seus longos braços tocaram o chão novamente, Sudowoodo girou seu corpo para baixo e deslizou o pé por baixo do corpo de Graveler, fazendo-o tropeçar e cair no chão. Mesmo para quem tinha uma defesa tremendamente elevada, Graveler pareceu sem esperanças contra ataques de sua fraqueza: figthing. O melhor seria trazê-lo de volta.

- Croconaw! — disse o pokemon, me imitando novamente, como se tivesse relacionado a palavra a mim.

Se eu usasse Pigeotto, ele padeceria sob seus golpes de pedra. Enquanto isso, a música ainda bombava em meu rádio... Venonat tentou fazer seu Pólem Paralizante afetar a árvore hiperativa — o que é difícil quando não se tem uma cavidade nasal para se aspirar o pó (sem trocadilhos). Quando fitei seus olhos, eles se arregalaram de forma assustadora. Moveu seu braço em minha direção, e de lá saiu uma esfera de luz branca, que penetrou em meu corpo, transpassando-o.

- Taiko, Taiko!

Quando o fez, não senti mais meus músculos... Não sob meu controle. Já estava dançando, pulando, mexendo os braços de forma vergonhosa, obedencendo fielmente os movimentos de Sudowoodo enquanto ele dançava. Haveria usado o movimento Mimic em mim de forma que eu imitasse todos os seus movimentos sem erro. Ele se divertia conforme a música tocava, e isso me fez pensar no que poderia acontecer caso ela acabasse. Ele repetia a palavra "Taiko" constantemente, e provavelmente havia a relacionado com o fato de dançar — apesar de eu não saber exatamente o que significava a tal palavra...

- Hey, Sudowoodo, escuta! — eu disse, olhando para ele, com nossos corpos realizando exatamente os mesmos movimentos — Qual é, eu sei que você pode me entender!

- Sudo wodo? — me olhou, como uma pessoa normalmente olharia a outra enquanto conversam. Apesar de tudo, ele tinha um pouco de civilizado...

- Você gosta de dançar, né? Gosta de sair, passear, ver o mundo, dançar nos festejos?

- Sudo, Sudo! — balançou a cabeça de forma afirmativa, mudando o passo da música.

- O verão já vai começar. Soube que em Cianwood tem um Festival de Verão onde rola muito Taiko!

- TAIKO?! — ficou muito animado — Taiko, Taiko, Taiko!!

- Você é um baita pé de valsa, Sudowoodo! Você tem muito talento! Não só dançando como batalhando também!

- Sudowodoo tarado... — ele disse, corando muito, envergonhando. Imagino como relacionou esses sentimentos à palavra "tarado"?...

- Então vem comigo, Sudowoodo! — disse, finalmente lançando minha proposta — Se você vier comigo, todo mundo vai te conhecer, e podemos ir ao Festival de Verão juntos! A qualquer lugar iremos juntos. Todo o mundo vai adorar te conheçer... O que você acha?

- Sudowodooo! — disse, animado, o que me fez entender que ele aceitara a proposta, afinal... Ainda bem!

Então, com Sudowoodo realizando os movimentos de um treinador prestes a capturar um pokemon, pude pegar uma pokebola do bolso e atirá-la em sua direção. Concordando em fazer parte do time, não tive dificuldades em capturá-lo. Com o efeito da Mímica acabado, caí de joelhos no chão, exausta. Peguei a pokebola com o Sudowoodo dentro e sorri satisfeita, quando as crianças se aproximaram.

- Nossa, isso foi demais!! — Ana estava empolgada — Você conseguiu capturar um pokemon apenas conversando com ele!! Só você mesmo, senhorita Juri!! — não é bom quando, de repente, todo mundo começa a saber o seu nome...

- Devia tentar uma carreira como advogada. — zombou o garoto — Você mandou muito bem! Virei seu fã!

- Foi muito bom conhecer vocês também, garotos... Mas, se não se importam, eu preciso ir. Estou cansada, e preciso chegar logo em Ecruteak.

- A gente ainda vai ficar aqui por um tempo. — disse Ana — Ainda não podemos começar nossa jornada... Mas quando a gente começar, eu quero ser igual a você! — quase chorei de emoção ao ver seus olhinhos brilhando.

- Que mané igual? — disse o garoto, confiante — Se prepara, hein, quando eu te encontrar, vou estar mais forte que você!

- Assim espero. — sorri.

- Se considere nossa rival, ha ha ha! — riu de forma insana...

- Ooh não, Renan, só se for a sua! — Ana, me defendendo — Você não tem nível pra derrotar o líder de ginásio do videogame, quem dirá ter uma rival de verdade...

- O que?! Olha como você fala, pelo menos eu tenho coragem de lutar!!

- Pelo menos eu nunca perdi pra você! — deu língua novamente.

- O que nao é justo, seu pokemon é forte contra o meu!!

Enquanto eles discutiam, lentamente fui me distanciando para dentro da mata que me levaria à Ecruteak, com cuidado para que eles não ouvissem minha risada abafada e a de Sudowoodo.

- — -

- Seus pokemons estão completamente curados. — dizia a enfermeira atrás do balcão, com seu sorriso impecavelmente simpático — Obrigada e volte sempre!

Por ainda estar consideravelmente fatigada, retornei à sala de espera e sentei num largo sofá branco diante de uma mesinha e uma TV plana na parede, dando uma pausa aos meus pés doloridos. Croconaw se sentou ao meu lado, tendo dificuldades para sentar seu corpo "grande" ao meu lado, sorrindo feliz ao me ver novamente. Também sorri e o abracei com carinho, apertando-o contra mim.

- Hoje estamos aqui na Rota 36, onde algo extraordinário aconteceu! — eu reconheci a voz vinda da TV. Ora se não era Angela, a repórter de Ilex? — A árvore que atrapalhava o fluxo de pessoas nesta rota, na verdade identificada como um Sudowoodo anormal, foi removida hoje à cerca de algumas horas atrás! Quer dizer que vocês viram tudo, crianças? — se aproximara de Ana e Renam, que pareciam envergonhados de apareçer para todo o continente. E eu imagino o que ela quis dizer com "anormal"...

- Ahã, a gente tava aqui o tempo todo! — respondeu Ana.

- E como foi que aconteceu isso?

- A gente tava sentado aqui, quando aquela moça que derrotou os Rockets em Azalea apareceu! — frio na barriga. Pude ver os olhos de Angela brilhando ao abocanharem uma informação como aquela — Aí ela usou os pokemons dela, e no final ela conseguiu capturar o Sudowoodo apenas falando com ele!

- Mas isso é incrível! — ela disse muito empolgada.

Croconaw estava boquiaberto. Enquanto temia ver o resto do programa, ouço uma voz muito familiar do lado de fora. Estico minha cabeça para ver através da janela, de onde pude observar duas pessoas ainda mais familiares, por mais que estivessem longe. Reconheci o jeito de segurar a câmera de Paplo e o jeito jornalisticamente irritante de Angela de interceptar as pessoas. Eles não estavam gravando, e sim pedindo informações. Não havia dúvidas, eles estavam atrás de mim!

Me levantei afoita do sofá, logo seguida por Croconaw e seu jeito desengonçado de andar rapidamente. Me aproximei do balcão da enfermaria, e disse:

- Com licença! Tem repórteres atrás de mim, teria como você me deixar sair pelos fundos?

- Céus, que situação!... — ela respondeu tocada — Muito bem, irei ajudar você... Blissey! Leve a moça até a saída dos fundos!

Da porta surge um enorme pokémon, rosado e robusto como um ovo da páscoa gigante. Porém era meiga e graciosa, e o ovo presente na bolsa sobre seu ventre era bastante curioso (e, cá entre nós, até apetitoso). Ela passou por trás do balcão, e pude ver como andava de forma curiosa, ao balançar a grande estrutura cor-de-rosa ao andar tão rapidamente sobre os pezinhos levemente achatados. Esticou o bracinho para que eu a seguisse. Croconaw parecia admirado: ela deveria ter o dobro do seu tamanho! Nos guiou pelos corredores do interior do centro pokémon até uma porta que nos levaria até a parte de trás do prédio. Sorri e agradeci com a cabeça, assim pude fugir para longe do assédio da mídia.

Mas, quando saí, pude reparar em algo que não havia notado antes. Ao norte da cidade, se aproximando dos bosques e próxima a um grande lago, estava erguida uma torre que parecia ser muito alta, similar à de Violet. Se não fosse uma leve inconveniência...

O segundo andar para cima simplesmente não existia. A torre havia sido queimada e desmoronada, deixando apenas o térreo e o primeiro andar de pé, ainda com vestígios claros de um incêndio. Aquele monumento capturou toda a minha atenção, e mal notei quando estava lentamente me aproximando dele, como se a estranha energia que ele emanava estivesse me atraindo de encontro a ele.

Aos pés da escada, analisei o que deveria ter sido uma rica arquitetura. As pilatras de madeira que pareciam firmes, paredes rijas que pareciam indestruíveis como bambu, e portas pesadas de madeira vermelha com alças de ouro. Ia começando a notar esses detalhes conforme me aproximava cada vez mais dos destroços da torre. Um vento frio e sombriu bateu em minha nuca, mas nem por isso recuei. Estava disposta a investigar o local.

O chão era formado de grandes taubas de madeira laqueada, agora com a grande maioria quebrada e rachada. Olhando para cima, dava pra perceber que o primeiro andar perdera completamente o seu piso. Os escombros estavam intactos, pó e sujeira por todos os cantos, como se a torre nunca mais tivesse sido visitada depois do fogo. Havia um enorme buraco aberto no centro do salão, como se uma grande rocha tivesse sido jogada ali. O buraco era profundo, nao teria como eu entrar por ali... Haviam escadas no canto inferior na sala, que eu usei para descender ao porão da torre. Pedi, por alguma razão, para que Croconaw aguardasse lá encima

O local era como um subterrâneo em forma de funil, com o relevo desçendo em direção a uma porção plana no centro. Quando pus meus pés naquele solo. senti uma sensação esquisita subindo pelo meu corpo. Como se algo ali dissesse "vá embora", "você não é bem vindo", "saia já"... Mas eu não me importei, não dei a mínima. Senti que havia alguém naquela sala, e não só uma pessoa... Eram mais. Não sabia exatamente quantas, mas mais de um. Deitei meu corpo no chão e fui sorrateiramente rastejando, escondida atrás das pedras grandes como uma largatixa bisbilhoteira.

Vi três criaturas grandes no centro do porão. Eram quadrúpedes, cada um emanava uma aura poderosa. Tinham grandes jubas, lhe dando diferentes ares majestosos, feras que jamais veria iguais em toda a minha vida, mesmo se vivesse por 100 anos. Daquela distância, pude notar poucos detalhes de seus distintos físicos: um tinha pelagem azul, juba volumosa e tremulante, grande adorno na testa feito de um cristal azullado; parecia frágil, porém veloz. Outro tinha pelagem dourada e algumas listras no corpo, com garras e presas desenvolvidas e uma juba que lembrava nuvens de uma tempestade. O último era o maior e mais forte, pelos grossos e amarronzados, parecia ter espinhos de pedra saindo das laterais do corpo com uma espessa juba branca entre eles.

Eu ouvia um barulho... Não parecia som de pokemons comuns, parecia, o som de uma fala. Eles podiam falar, e eu podia entende-los. Fui lentamente me aproximando, me esgueirando entre as rochas empoeiradas, sem poder entender sua conversa a quase um nível de cochicho. Estava a poucos metros deles, e minha admiração era maior que meus temores. Temor de ser descoberta, de ser atacada, de que alguma coisa ruim acontecesse...

- Então... Teremos que agir rapidamente. — ouvi a voz doce e suave do azulado.

- Ele nos traiu! — exclamou o dourado, que mostrou-se um pouco esquentado — Devíamos falar cara a cara com ele, todo o mundo não pode ser castigado pela irresponsabilidade de um moleque!

- Acontece, Raikou, que ele não é mais uma criança... — respondeu o sábio azulado — Tantos anos já se passaram, ele apenas deve estar longe daqui... Mas tenho certeza que, no exato momento, ele surgirá.

Estava entretida e envolvida demais na conversa para notar que o maior deles movia discretamente a cabeça para os lados, desconfiando da atmosfera ao redor. De repente, ele se vira em minha direção, me encarando com aqueles olhos em chamas e rugindo com toda a sua ira. Eu gritei desesperada, morrendo de medo. Ao ouvir seu rugido, meu corpo paralisou, meu sangue bombeou 3 vezes mais rápido, meu coração foi parar na minha garganta, minha pele gelou e meus olhos quase saltam para fora do rosto. Tanto medo, tanto medo, nunca tive tanto medo em toda a minha vida...

Os outros dois se assustaram e reagiram muito rapidamente, dando saltos longos os bastante para saltar para fora do buraco, cada um na direção que mais lhe fosse mais conveniente. Caí no chão ao ver o maior pulando até mim, usando a rocha na qual eu estava escondida para pular mais alto e fugir para o oeste da torre. Eu não vi, mas Croconaw ficara desesperado no andar de cima, assustado com toda aquela agitação.

Me levantei, tropecei duas vezes no caminho até a escada. Arfando e ofegante, a subi de forma tão afoita que meus pés ás vezes não se seguravam direito nas barras e minhas pernas passavam pelos vão, as vezes as machucando. Ao esticar meu braço para sair, sinto uma mão grande e fria me puxando pelo pulso, e soltei mais um grito de pavor, me acalmando ao ver que era apenas um homem. Apenas um homem, não... Era Morty, o líder do ginásio de Ecruteak.

- Você está bem?! — ele disse, preocupado.

- E-eu, eu!... Eu não sei, eu não tenho nem idéia!!... — com os olhos arregalados, levei as mãos à cabeça, com meus dedos penetrando em meus cabelos, nervosíssima.

- Você está pálida... Preciso que me diga o que você viu.

- Eu não, eu só... AAaah!... — me abracei na região dos ombros, como se quisesse proteger meu corpo.

- Acalme-se... — ele aproximou seu corpo do meu, ajoelhando-se perto de mim — Escute, preciso que você me conte tudo. Mas nessas condições, não é capaz nem de me dizer seu nome... Quero que vá ao centro pokemon, descanse um pouco, peça à enfermeira que a ajude se necessário... — sua voz calma e terna lentamente começou a me tranquilizar — Depois, peço que compareça em meu ginásio. Suspenderei todas as batalhas por hoje se necessário... Mas preciso que você apareça lá. Por favor...

Seus olhos transmitiam emoções sinceras de um rosto que sequer mostrava marcas da idade. Suas mãos fortes aquecendo as minhas trêmulas lentamente me convenceram. Concordei com a cabeça lentamente.

- Ótimo, então venha. Vou lhe levar até lá.

Tateei meu peito, sentindo a ausência de algo... Do peso nas costas.

- Minha mochila?...

- Humm?

- Minha mochila... Deve ter ficado lá embaixo enquanto eu corri.

- Quer que eu a pegue pra você?

- Não, não se incomode... Eu mesma pego.

- Tem certeza? Eu não posso simplesmente deixar você depois disso... — ele franziu a testa, preocupado.

- Sim, eu insisto... Não se incomode, eu ficarei bem...

Ele pareceu ter uma resposta na ponta da língua, mas deixou por isso mesmo. Olhei para Croconaw ao meu lado, e sua expressão era preocupada e assustada. Coitadinho, ele ainda tremia... Passei a mão em seu focinho, tranqulizando-o. Ele me abraçou pelos ombros, como quem dava graças a deus por eu ainda estar viva...

Havia acabado de pegar meus pertences. Já estava começando a me conformar ao subir as escadas, mas não imaginava que as surpresas estavam longe de acabar.

Entre os portões abertos da torre, havia uma silhueta negra de uma mulher com um canino ao seu lado. Croconaw a encarava de forma intimidadora, e de certa forma, eu também. Lentamente, a figura começou a se aproximar, então pude observar sua estranha aparência.

- Puxa. Parece que aqui teve um show e tanto... Como queria eu estar aqui para presenciá-lo.

- Quem é você? — fui bem direta.

Ela se calou. Sua aparência era bem... Marcante. Usava roupas pretas, porém pareciam feitas para quem realizada muitos movimentos corporais, modelando um corpo não mais velho que o meu, porém curvelíneo.

Um short curtíssimo de material similar à couro, e botas do mesmo material até os joelhos. Uma regata da mesma cor, mas de algodão, e um tipo de cinto envolvendo o pescoço. Cabelos curtos, um piercing na orelha. Mas com certeza suas maiores características eram as ataduras envolvendo quase completamente os braços com apenas os dedos do lado de fora e uma máscara cobrindo completamente seu rosto. Era branca e pintada cuidadosamente, com uma leve protuberância na região nasal e bucal, representando um delicado focinho canino. Os olhos da máscara eram negros e profundos, mas impedidam qualquer pessoa de enxergar além daquele material em seu rosto. E o pokemon ao seu lado, um desenvolvido Jolteon, a acomapnhava de forma leal.

- Isso não lhe cabe saber. Não agora. — ela disse, de forma arrogante.

- Então quem você pensa que é pra falar assim? Você não sabe nada pelo que passei.

- Não me impressiona. — sem expressão, nos olhos, lábios. Isso foi irritante.

- O que você quer com essa conversa, afinal?

- Apenas alertá-la que, apesar de toda a sua imaturidade espiritual — filha da!... — Você tem em mãos uma oportunidade única... Digo, não uma oportunidade. E sim, uma missão.

- Missão?... Mas, o que você tá falando?

- Como disse, não me valerá a pena tentar explicar coisa alguma pra você. Pelo menos por enquanto... — virou-se de costas. Sua pose era muito irritante, mas não estava com a disposição necessária pra arranjar briga com alguém — Tudo que precisará saber até então, ele poderá lhe explicar.

- Ele?...

- ... Morty, sua idiota. — e saiu andando com passos largos, rapidamente saindo do meu campo de visão, seguida pelo Jolteon.

Eu a xinguei de alguma coisa a qual não me lembro mais. Croconaw também espevitou e resmungou alguma coisa, revoltado, quase bufando fumaça pelas ventas, como quem também a xingava em seu linguajar de pokemon. Imagino se ela tentou passar uma boa impressão...

- — -

- Croconaw!! — gritei seu nome — Croconaw, levante-se, por favor!! Não deixe essa Maldição te aflingir!!

- Porque insistiu em batalhar contra mim, mesmo neste estado?... — Ele dizia, sem pose, sem pança... Do jeito calmo e paternal de sempre — Temo em dizer, menina, mas você não está sã...

Aquele era seu último pokemon. Gengar observava, com seu sorriso macabro, Croconaw fazendo o árduo esforço para se erguer sobre duas patas. Estava ferido, com arranhões feitos por cortes superficiais de garras pequenas como as suas, mas que atingiam mais profundamente o seu interior — era o poder das Shadow Claws.

- Eu preciso fazer isso... Acredite!

- Só acreditarei quando conseguir me explicar o porque disso tudo...

- Você tem que entender! — disse, gritando, com lágrimas nos olhos — Nem sempre no que acreditamos há uma explicação racional!!

Ele começou a me ouvir. E eu dizia, enquanto meu Croconaw ganhava forças para voltar à batalha...

- Desde aquele momento, sinto como se as ordens, as obrigações que meu interior manda são ainda mais urgentes! — Vi Croconaw lacrimejando também, mordendo os lábios reptilianos — Como se algo no meu interior despertasse! Minha vontade é de correr, fazer coisas das quais eu não tenho nem idéia do que sejam! Mas você não acha que eu tenho medo?!

- ...Juri, acalme-se...

- Eu tenho medo sim, medo que as pessoas que eu amo se machuquem!! Medo de fazer algo errado, medo que minha consciência pese! Mas eu não posso deixar de tentar... Porque é algo que vem de mim, porém algo que não consigo compreender... Então, por favor, me compreenda! Algo me trouxe aqui!!

- ... Então vamos acabar logo com isso.

O ambiente escuro propiciava as ações de Gengar, acostumado ao escuro. Ele estava distante de Croconaw e, de lá, pôs a língua pra fora da enorme boca e a atirou na direção dele como se ela fosse um torpedo, esticando-se feito borracha. Ele o lamberia... Croconaw desmaiaria com um golpe tão fraco? Acho que não...

Eu gritei, desperada, para que ele não fosse atingido. Quando abri os olhos, vi Croconaw com um olhar sombrio nos olhos e uma expressão taciturna, segurando a língua esticada de Gengar a poucos centímetros de seu rosto. Gengar ficou com uma expressão aflita, com sua língua (?) sob o controle daquele pokemon que, de repente, lhe parecera muito ameaçador e perigoso. Até Morty se surpreendeu, e ele parecia saber o que estava prestes a vir... E sorriu. Seu corpo passaria pela última transformação radical de sua vida.

Seu corpo dobrou de tamanho diante de nossos olhos. Os pequenos e roliços braços agora eram grandes e poderosos. Sua colocação instável de imaturidade, agora era adulta e vibrante. Suas placas vermelhas brotando das costas curvadas, a estrutura desengonçada agora era forte e completamente desenvolvida. As pequeninhas garras agoram afiadas e bem aparentes, e as presas de sua mandíbula possante eram ainda mais carnívoras e completas. Os olhos vermelhos e predatórios buscavam por revanche. Ali nascia O Rei dos Predadores: Feraligator!

Seu urro era alto, grave e ameaçador, rugido tão poderoso que pude ver o suor na face preocupada de Gengar. Feraligator girou a língua já seca do fantasma em seu braço e o puxou de encontro com suas garras afiadas, arranhando-lhe toda a parte frontal de corpo com a mão livre, provavelmente lhe causando muita dor. Um sorriso satisfeito começava a se estampar no meu rosto, e por alguma razao, eu dizia baixinho: eu sabia, eu sabia...

Feraligator não parou por aí. Ainda o segurando pelo músculo mais flexível de seu corpo (como assim eu penso...), o girou, girou, girou, girou, várias vezes em torno do seu eixo. Soltou-o e o fez atravessar a parede do ginásio, sendo um fantasma criatura capaz de fazer estas proezas. Gengar correu furioso em sua direção. Feraligator tinha apenas uma chance, e também correu em sua direção. Morty ficou tenso, não saberia prever o final daquela batalha. Quando Gengar preparou as garras, Feraligator saltou a poucos metros de distância. Um pulo de predador, prestes a nocautear sua presa... Abriu as mandíbulas possantes e em segundos, deu sua dentada massiva e penetrante. Aprenderia naquele momento então, que o Crunch seria para sempre seu maior aliado...

- — -

- Você merece esta insígnia, Juri... — Morty sorriu, mas no fundo ainda podia ver sua preocupação — E sua intuição não estava errada.

- Humm?

- Céus... Você parece ainda pior do que antes. Precisamos fazer isso rápido.

- Fazer o quê? — comecei a me assustar com a idéia de estar num lugar sombrio e escuro como aquele.

- Escute, Juri, nós queremos apenas ajudá-la... O que você leva consigo é um artigo muito poderoso.

- Você... Está falando do sino? — com ele em mãos.

- Já deve ter notado que ele faz certas coisas... Acontecerem, certo?

Ô, se reparei.

- Sim, ele... Atrai pokemons nas redondezas, mais exatamente os selvagens.

- Juri, este sino é muito mais poderoso do que você pode imaginar. — ele segurou minhas mãos sobre o sino — Se está em suas mãos, não há pessoa no mundo mais merecedora dele do que você... Porém, você não está preparada para ele. Muito menos pelo que estar por vir...

- Mas, eu nao entendo! Como vou me preparar se ninguém me explica nada?

- Só preciso que me escute. — ele me olhou nos olhos. Eu comecei a corar de leve... — Este sino está obtendo controle sobre você, fazendo você ter estes surtos emocionais... O que vamos fazer é energizar o seu espírito, para que se torne forte contra o poder deste sino.

- Energizar meu... Espírito?

- Sim. E além de não sentir mais este peso do sino sobre seu peito, você se tornará mais forte, mais saudável... Você perceberá a diferença. Só preciso que confie em nós...

Imagino se ele usa essa ''energização de espírito'' pra ficar gatinho mesmo beirando os quarenta... Gente, que pensamento horrível!

- O que você tem em mãos, Juri, é uma grande missão. Será difícil aceitá-la, mas saiba que nunca lhe faltará apoio, nunca... Mas você precisa estar preparada pra isso. E é assim que nós vamos ajudá-la...

Foi tudo o que eu ouvi antes de fechar os olhos para o mundo real. O que aconteceu depois daí é muito difícil de relatar... Quando acordei, provavelmente HORAS depois, estava num quarto de hospital. O quarto era muito branco e iluminado, de tal forma que consegui identificar as figuras ao meu redor. Minha mãe sentada ao meu lado, Morty no sofá ao lado do professor Elm. Eles sorriram ao me ver acordar.

Senti algo tão forte, um calor tão intenso e aconchegante, que senti que fosse capaz de fazer tudo! Pulei pra fora da cama, senti meu corpo mais leve do que nunca! Morty riu bastante, e disse que havia explicado tudo à minha mãe e o professor. Não, eu ainda não sabia que missão era aquela... Mas foi decidido que, enquanto eu não estivesse forte o bastante, o sino voltaria a ficar na casa de minha mãe, sobre sua proteção maternal. Ela, por sinal, estava orgulhosa.

- Minha filhinha é especial!

- Por favor, nao repita isso... — pedi.

Surge então Sudowoodo por trás, me abraçando (muito) firmemente em seus braços finos, porém fortes. Eu o abracei também, muito alegre e contente. Seja qual fosse essa missão, se foi encaminhada a mim, eu haveria de cumpri-la. Ainda era apenas o começo... Eu ainda tinha muitas dúvidas, e a principal era sobre aquela garota misteriosa. Mas eu tinha com quem contar, eu não estava sozinha... Enquanto tivesse o apoio de Morty, minha família e meus pokemons, tudo haveria de dar certo!

Minha história estava apenas começando... E eu estava preparada para ela.

Notas finais
Essa fanfic já foi publicada no fórum do site Pokémon Mythology. Visualise o tópico aqui: http://www.pokemonmythology.org/fanfics-pokemon-f28/pokemon-ominous-onix-a-testemunha-corrompida-t5224.htm