Pokémon - Reconquest
23 Capítulo 21: Inesperado
Notas iniciais
Ele podia sentir as presenças.
A maioria ignorava que a pasta de chamas que o cercava havia se tornado muito mais do que um hábitat; era quase uma extensão de seu próprio corpo.
Após mais de duas décadas repousando estavelmente no mesmo metro quadrado de magma, sem nunca mais ser chamado para uma batalha, ele sabia exatamente quando algo estava fora do lugar.
Ele sabia que havia alguém; que havia duas pessoas.
Haviam encontrado a passagem que divertia seu velho amigo no passado, quando os treinadores se matavam de procurá-la.
Ele sumira para o mundo e selara aquela passagem de forma brilhante desde que seu velho amigo se fora.
Planejava passar seus últimos anos de vida mergulhado naquele lugar.
O único onde se sentia em casa.
O único onde podia pensar em paz nos tempos em que fora feliz.
Aquelas pessoas não tinham o direito de profanar aquele túmulo simbólico.
Será que ele se lembrava como era a sensação de batalhar?
Um estrondoso esguicho de magma se ergueu e se manteve constante por uns segundos, como um chafariz. A massa no meio dele fez um amplo e lento movimento com os dois braços e o magma retornou ao vulcão.
Magmar olhou por cima dos ombros por um instante e viu o tablado de pedra outrora utilizado para as batalhas oficiais enterrado na lava até a metade. Sentiu as lembranças do dia em que o vulcão entrara em erupção passarem diante de seus olhos inevitavelmente e todas as feridas abriram, permitindo-lhe deixar de pensar na fome absurda que sentia.
Dois homens vestidos com uma roupa preta grande e incômoda o encaravam. Inacreditavelmente, eles sorriam ao ver o pato vermelho e amarelo pegando fogo ao vivo diante deles.
– Fomos alertados disso. Antes mesmo de começarmos o trabalho, ele resolveu aparecer.
– Um guardião deveras interessante. Ainda bem que também trouxemos os nossos.
Simultaneamente, ambos sacaram das costas das roupas de proteção suas pesadas armas de aspecto perigoso. Mais lembranças perpassaram a mente de Magmar como uma navalha.
Aquele vulcão costumava ser apenas uma bela montanha que atraía turistas. Em tempos em que a Elite Four não possuía tanta renda nem tanto apelo comercial, Blaine, o próprio líder do ginásio de fogo, ajudava a espalhar os boatos de que o antigo ginásio havia ruído e não existia mais, dedicando, desse modo, mais tempo às suas pesquisas. Quando aparecia um treinador interessante, ele colocava uma peruca ridícula, arrumava sua casa como se fosse uma pousada e o enchia de charadas que acabavam por encaminhá-lo à pequena passagem secreta nas fontes termais, se este fosse razoavelmente esperto.
Em mais um dia comum, mais um treinador que parecia comum passou pela ilha. Pela primeira vez em muito tempo, alguém que não procurava por praias paradisíacas ou pousadas luxuosas, mas sim alguém que procurava por uma batalha Pokémon.
Sob ordens de Blaine, Magmar observou-o à noite enquanto ele era continuamente rejeitado pela falta de vagas em cada hotel da ilha. Somente quando ele e seus dois amigos – antigos líderes de ginásio – desistiram de se hospedar e pararam num parque noturno para lamentar as dificuldades, Blaine os encontrou, orientado por Magmar, e ofereceu hospedagem em sua pousada.
Quando finalmente encontraram a entrada para o ginásio vulcânico em meio às fontes termais, Magmar se decepcionou bastante. Do fundo do magma, tudo que viu foi um treinador atrapalhado e de habilidades limitadas. Nem mesmo seu Pokémon de água era capaz de deter os golpes de fogo da lendária Ninetales de Blaine e seu Charizard era poderoso, mas desobedecia-o descaradamente.
O único aspecto positivo que Magmar tirou da batalha foi o fato de Ash interrompê-la antes de seu Pikachu se machucar seriamente. Mal saberia ele que construiria a maior rivalidade de sua vida dentro de poucos dias. Desde então, era a única derrota cuja falta de revanche ele lamentara.
Mas, naquele momento, tudo em que ele conseguia pensar era o motivo pelo qual Ash conquistara o direito a um segundo desafio. Não fosse aquela maldita erupção, não seria necessário que ele tivesse mobilizado seus Pokémon para ajudar Blaine a conter danos graves a uma ilha entupida de turistas. Não fosse por isso, o ginásio teria sido mantido no anonimato e Blaine ainda estaria vivo.
De frente para os criminosos da FLAK naquele momento, os olhos de Magmar faiscavam ao se lembrar dolorosamente de Jessie e James, responsáveis por toda a dor e sofrimento que se seguiram aos anos daquela batalha. Os tempos eram outros, a Liga era outra. Cinnabar era outro lugar. Magmar agora odiava tudo aquilo que havia se tornado. Mas ele sabia que seu velho amigo jamais o perdoaria se ele permitisse que algo de ruim acontecesse à ilha que ele tanto amava e ele tomou a decisão de passar o resto de seus dias evitando que qualquer pessoa indevida se aproximasse do núcleo daquele vulcão.
– Tenha calma. Não aja sem pensar!
O aviso foi inútil, pois o outro agente já havia puxado o gatilho da grande arma de cano grosso que ele precisava apoiar num dos ombros. O estrondo fez tremer a rocha grossa que servia de recipiente para todo aquele magma. Um pequeno míssil despontou da arma e seguiu contra o jorro de chamas cuspido por Magmar. O fogo era tão potente que conseguiu derreter o míssil e relegá-lo a uma pilha de ferro retorcido em queda sobre a lava, não sem criar uma cortina de fumaça expansiva, que Magmar alimentou rapidamente expelindo sua própria fumaça, bloqueando a visão dos criminosos.
– Cuidado!
Era tarde demais para tomar qualquer precaução. Ele ouviu o grito de dor de seu companheiro que havia sido puxado para a lava bem ao seu lado, imediatamente interrompido pela morte dolorosa.
Desesperado, puxou o gatilho uma série de vezes, sentindo o recuo violento da arma no próprio ombro enquanto os quatro mísseis pipocaram em direções distintas, pouco antes de ele ser igualmente atirado na pasta de chamas abaixo deles.
Magmar sugou toda a fumaça para si e travou-a no próprio pulmão, observando ao redor. Havia neutralizado rapidamente os dois criminosos, mas não a tempo de evitar uma tragédia. Pulou para o lado para evitar uma grande rocha do vulcão que caiu sobre o cadáver do segundo homem morto, afundando o que restava dele na lava que borbulhava perigosamente.
Mergulhando apressadamente na lava e expulsando a fumaça por lá, Magmar constatou, bastante preocupado, que a situação era irreversível. Subiu novamente, nadando pelo fogo pastoso com a facilidade de um nadador olímpico numa piscina, utilizando-se do ar quente para flutuar até a boca do vulcão, várias dezenas de metros acima dali. Percebeu, tenso, que as bolhas começavam a se converter numa elevação real do nível do magma, embora bem lentamente.
Empoleirado na boca do vulcão, Magmar olhou nostalgicamente para a cidade abaixo, identificando o novo e luxuoso ginásio de Cinnabar e o imenso complexo de laboratórios no qual trabalhavam alguns dos mais importantes pesquisadores do continente.
Desde que se isolara no interior do vulcão, Magmar se decidira por nunca mais ter contato com humano algum, pelo menos não por livre e espontânea vontade. Mas sabia que se não procurasse alguém dentro de alguns minutos, o desastre seria ainda pior.
Com esse pensamento, ele correu pela parte externa do vulcão, descendo a montanha a pé, já sem o auxílio do ar quente.
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– Fique quieta, assim não consigo te limpar!
Apesar de estar ralhando com ela, Kristen não podia deixar de sorrir com seu jeito brincalhão. Usando a piscina do hotel como uma banheira improvisada, Kristen tentava, em vão, esfregar Lapras com o caríssimo sabão que, segundo seu livro, substituía satisfatoriamente as lambidas bactericidas da mãe nos primeiros meses de vida. Ele não sabia dizer se ela sentia cócegas ou se o fazia apenas para brincar com ele, mas suspeitava que fosse um pouco dos dois. O fato era que ela fazia de conta que ia deixá-lo prosseguir em paz para mergulhar no momento em que ele começava o processo de esfregar, sem falar nas duas vezes em que puxou-o para a água com ela.
Ela ainda estava bem longe de ter o tamanho de um Lapras adulto, mas Kristen se espantou ao constatar que ela havia mais que triplicado de tamanho em pouquíssimas semanas. Embora estivesse cumprindo a taxa de crescimento prevista pelo livro – e confirmada por Joy – não deixava de ser estranho acompanhar o crescimento tão acelerado de alguém.
– Vamos, Lapras, por favor. – dizia Kristen, tentando controlar o sorriso enquanto Lapras espalhava água animadamente – Comporte-se só um pouquinho.
– Kris!
Ryla abrira a porta e estava parada, vermelha e ofegante, no portal. Kristen puxou os pés para fora da piscina, mas Lapras surgiu por trás dele, puxando sua camisa encharcada com a boca, derrubando-o na água. Ele colocou a cabeça pra fora da água, tossindo e resmungando enquanto dava risada, vendo Ryla se aproximar da piscina.
– Estou tentando dar banho na Lapras, como está vendo.
– É sério. – respondeu Ryla, falando depressa – Elas vão embora, Kris! Kaya disse que se você não estiver lá fora em dois minutos, vão sair sem se despedir.
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– Eu disse para não confiar essa missão a eles.
Apesar da habitual ausência de emoção na voz d’o General, era evidente o desconforto e o temor do homem sentado na mesa às costas dele.
– Eu lhe disse para que esperássemos a recuperação do Charizard. Com isso, Magmar poderia ter sido neutralizado e maximizaríamos os danos.
– Senhor, foi tudo feito na calada da noite. O velho Magmar demorou a conseguir fazer alguém entender o que se passava. Tivemos apenas duas mortes, mas muitos prejuízos foram causados.
– Atingiram o ginásio?
– Sim, senhor. Completamente destruído. Uma pena o líder ter sobrevivido, mas de qualquer forma, ele é um velho prestes a se aposentar. Acredito que deva acelerar esse processo agora, por medo de futuros atentados.
– E quanto aos laboratórios?
– Infelizmente a lava não os alcançou. – respondeu o homem, se revirando, bastante incomodado – Aparentemente, a cidade possuía uma tropa de Pokémon aquáticos bem fortes. Parece que, por lei, toda cidade com população a menos de três quilômetros de um vulcão ativo precisa possuir uma tropa semelhante. Quando Magmar finalmente se fez ouvir, eles rapidamente entraram em ação e resfriaram o magma o suficiente para conter a expansão dele.
– E por que não tínhamos acesso a essa informação?
Diante da falta de resposta de um subordinado cabisbaixo, o General deu às costas ao imenso mapa de Kanto que contemplava na parede e andou ao redor do homem bem devagar.
– Me parece que tudo foi mal planejado, Tenente. Não era o que eu esperava quando o nomeei líder dessa operação.
– Sinto muito, senhor. – respondeu o homem em tom apavorado – Farei qualquer coisa que estiver ao meu alcance para me redimir.
– Ao menos nossa mensagem foi passada?
– Está a caminho, senhor. Tivemos que fazer algumas manobras para despistar a origem dela – geograficamente, quero dizer –, mas acredito que estará onde queremos dentro de alguns dias. Talvez até amanhã.
– Tudo bem, tente não falhar nisso. E uma última coisa...
A conversa foi interrompida por uma batida nervosa na porta. A mesma abriu-se sozinha quase que imediatamente, como que forçada por algo invisível. Entrou um homem barrigudo de barba grossa e uniforme padrão da FLAK, parecendo chocado e preocupado.
– Senhor, recebemos uma visita inesperada aqui no Quartel General!
– De quem?
– O Coronel James! Parece que ele conseguiu escapar durante o dia de ontem. Está aqui e garantiu categoricamente que não foi seguido e que precisa ver o senhor agora mesmo!
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– Compre um celular.
– Obrigado pelo conselho.
– É sério, não é um conselho. Você vai comprar um celular ainda essa semana e vai nos passar o número ou eu vou aparecer na sua frente assim que terminar esse serviço e não vou largar do seu pé nunca mais. Vou te seguir feito uma sombra até você fazer uns quarenta anos.
O estranho grupo estava parado num terreno desocupado à beira da Rota 29. Havia um avião de design estranho, apesar de mal ter tamanho suficiente para abrigar seis pessoas, com um piloto de aparência entediada visível pela cabine da frente, esperando pacientemente pelos passageiros.
Kin vestia roupas claras e alegres, além de um par de sandálias que pareciam ser feitas de folhas, de tão leves. Kaya optara por roupas casuais e confortáveis – uma camisa e uma calça simples – com a visível intenção de dormir no voo. Encontrava-se naquele momento ralhando com Kristen por sua total falta de contato quando estavam distantes. Lucy vinha à margem das duas, um pouco envergonhada, trajando um casaco masculino e bermudas de pijamas.
Fazendo sombra ao grupo, estavam Snorlax, ainda cheio de curativos, Exeggutor, com uma extensa bandagem em volta de uma das cabeças, e Aerodactyl, este com uma asa apoiada numa tipóia grande e sólida de gesso.
Ryla ainda usava seus pijamas e acariciava o grande Snorlax, que parecia gostar. Kristen tinha as roupas e cabelos molhados e trazia Tyrogue, recém-acordado, ao seu lado. Lance vestia seu sobretudo de viagem e era ladeado por seu Dragonite, o mais sombrio e distante do grupo.
– Vou sentir saudades, Lax. Você é mesmo incrível. – dizia Ryla, abraçando-o pela pata.
Snorlax bagunçou os cabelos dela com sua mão pesada, mas ela pareceu gostar. Eevee também lambeu-lhe a pata e Tyrogue recebia um carinhoso abraço de Kin.
– Tudo bem, vou dar um jeito de arrumar um celular, prometo.
Alguns minutos depois, despedida devidamente feitas e os Pokémon das gêmeas recolhidos às Pokébolas, o avião levantou vôo de forma vertical como um helicóptero. Quando estava a algumas dezenas de metros do solo, meia dúzia de turbinas se acendeu em cada asa e o avião se projetou para longe rapidamente, deixando um fino zumbido para trás. Em instantes era um ponto no horizonte.
– Uau! – exclamou Ryla – Parece...
– Enjoativo. – corrigiu Kristen antes mesmo de ela completar – Elas duas sempre detestaram voar de avião e eu mais ainda. Já vai, Lance-sama? – perguntou ele, observando que Lance tomava posição atrás das asas de seu Dragonite.
– Preciso retornar à sede e reportar a situação. – respondeu Lance, abatido – É possível que tenhamos subestimado a situação na Elite Four. Precisamos montar um plano mais rígido se quisermos nos defender da FLAK.
– Eu entendo. Provavelmente nos veremos por aí então.
– Sim, Kristen. Até mais. E tenha cuidado na sua viagem.
Dragonite bateu as asas e desapareceu ao leste, obrigando Ryla e Kristen a protegerem os olhos da poeira levantada por um instante. A um canto, Eevee e Tyrogue corriam um atrás do outro, treinando e brincando ao mesmo tempo.
– E agora, Kris? – perguntou Ryla, sorrindo; um dia bonito parecia ter sido suficiente para recuperar os ânimos dela.
– Vamos prosseguir. Não devemos demorar mais do que algumas horas pra chegar na Union Cave. Mas antes, eu preciso... – acrescentou ele sem concluir, apontando a própria roupa.
– Tudo bem, não faz mal, eu espero.
– Aproveite e deixe a turma esticar um pouco as pernas. – disse ele, tirando o cinto de Pokébolas e entregando-o a ela antes de correr na direção do hotel, que ficava a poucos minutos de caminhada – Eu já volto!
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– O que houve, afinal, Coronel?
James havia sido capturado pela polícia em péssimo estado físico, mas sequer se comparava ao que estava passando naquele momento. Mesmo ajudado por um membro da FLAK com habilidades médicas, o rosto de James estava irreconhecível.
Lucy havia quebrado a maior parte de seus dentes, mas agora a situação se agravara: os poucos que haviam sobrado na parte frontal estavam partidos e ele tinha as gengivas tão inchadas que era quase surreal esperar que conseguisse falar. Sua orelha esquerda havia sido cortada pela metade e mesmo o sangue já tendo coagulado, a imensa mancha vermelha que escorria pelo pescoço até metade da camisa era assustadora. Um de seus supercílios estava cortado e o ferimento havia infeccionado, enquanto o outro estava tão inchado que era difícil identificar um olho por baixo dele. Havia sangue seco por todo seu rosto e feias queimaduras no peito e nas costas, todas visivelmente recentes e mal cuidadas, ainda cheias de bolhas.
– Me desculpe, senhor. – respondeu James com a voz enrolada – Não consegui escapar ileso, mas estou desde já pronto pra voltar ao serviço.
– Descanse por uns dias, Coronel. Estou satisfeito de ter tido um saldo tão positivo nessa missão. Estava preparado para perder quase todos vocês e somente Kabutops e Meowth não retornaram. Não tem problema se tiver de esperar um tempo até você e Charizard estarem recuperados.
– Sinto muito por Meowth. Eu...
– Tudo bem, eu também não sabia que ele iria. Ele foi leal a você e eu respeito isso. Mas infelizmente faltou com sua lealdade ao nosso propósito maior, a FLAK.
– Sim, senhor. – disse James, cabisbaixo.
– Agora descanse. – acrescentou o General enquanto o médico tirava a terceira bola de algodão empapada de sangue e iodo das queimaduras – Recupere-se e dentro de alguns dias terei novos serviços para você.
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– Com licença... com licença.
O jovem policial fardado de barba feita e cabelos cortados empurrava as pessoas que se aglomeravam em volta do balcão do Centro Pokémon, erguendo a identificação, embora quase ninguém lhe prestasse atenção.
Quando finalmente alcançou o balcão onde as duas enfermeiras e as três Chanseys se desdobravam para atender a todos, a velha Joy notou-o rapidamente, erguendo uma mão paciente para o garoto sardento que esperava com três Pokébolas na bandeja.
– Posso ajudar? – perguntou com a voz amável de sempre.
– Estou procurando a Agente Lucy. – disse ele na voz mais baixa que conseguiu emitir, ciente de que chamava mais atenção do que deveria – Recebi informações de que ela estaria por aqui e não consigo contatá-la no rádio.
– Nem vai conseguir, querido. Ela está num avião, saiu pra viajar até onde eu sei. Foi aproveitar os dias de folga que o patrão deu a ela. Não pode usar o rádio no avião, eu acho.
– Como assim ela viajou? – perguntou ele com um calafrio.
– Foi acompanhar as irmãs do Kristen-kun numa viagem. Parece que fizeram amizade e levaram a menina pra se distrair.
– Como assim viajando? – perguntou o policial, sentindo um princípio de pânico subir pelo peito – Pra onde elas foram?
– Ah, pra algum outro continente, não sei bem. Elas falaram, mas eu não prestei muita atenção.
– E... elas disseram quando voltam? – indagou ele, agora visivelmente aterrorizado.
– Não na minha frente. – respondeu Joy após pensar um pouco – Com certeza devem ter comentado com o Kristen-kun.
– E onde ele está? – perguntou o homem, ansioso – Preciso muito dessa informação, é uma emergência!
– Erm... ele saiu pra seguir jornada. Faz pelo menos uma hora. Os Pokémon dele todos receberam alta pela manhã.
– Pra que direção? Pra onde ele foi? – perguntou ele, desesperado, já sabendo que provavelmente não obteria sucesso em alcançá-lo, mesmo antes do dar de ombros de Joy.
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– Aqui está bom, acho. – anunciou Ryla, descansando a mochila na grama.
Eevee já andava alegremente ao lado dela, correndo pela grama livre com a felicidade de um filhote liberto do cativeiro. Kristen imitou Ryla, colocando a própria mochila ao lado da dela, enquanto Tyrogue já se alongava a um canto.
O trecho de mata que separava Cherrygrove da Rota 32 era pequeno e possuía árvores bastante espaçadas umas das outras, o que fazia com que as clareiras ficassem povoadas de treinadores. Kristen e Ryla encontraram treinadores batalhando, descansando, conversando e até mesmo trocando Pokémon. Cumprimentaram vários deles e até recusaram duas ou três batalhas, andando a esmo até finalmente acharem uma pequena clareira vazia.
Kristen sabia que tinham se afastado bastante para o sul por causa do ruído do mar açoitando os precipícios além da floresta. Apesar disso, não estava preocupado, pois o sol poderia guiá-los para fora da mata, direto para a rota que levava a Azalea, quando terminassem o treino.
Em pouco tempo, todos os Pokémon corriam e brincavam ao redor deles, exceto por Tyrogue, que levava muito a sério a concentração para os treinos, e por Lapras, que não gostava de ficar em terra firme. Cyndaquil se divertia andando na garupa de Ponye e Poliwag perseguia Eevee até perder a paciência por não conseguir alcançá-la e disparar um jato de bolhas na direção dela.
– Eevee! Poliwag! Não se afastem tanto!
E lá estava ela correndo atrás dos dois em meio às árvores enquanto Tyrogue começava a chutar o aparador sustentado por Kristen. Ponye fazia com que Cyndaquil escorregasse por seu pescoço até a cauda flamejante, atirando-o para o alto e aparando-o com a boca.
Logo Eevee surgiu à direita de Kristen e Tyrogue correndo e parecendo se divertir. Poliwag veio logo atrás, atirando bolhas a esmo alegremente e sendo seguido de perto por Ryla, que parecia brava.
– Eu mandei vocês não irem longe! Será possível que...
Ela parou de falar quando as bolhas atingiram o tronco da árvore mais próxima e um grito fino foi ouvido. Sob os olhares abobados de todos, algo parecido com um pedaço do tronco da árvore se destacou da mesma e se sacudiu. Logo ele tomou a forma de um pedaço de madeira com a expressão dolorida e furiosa, sacudindo os pequeno galhos para secá-los.
– Sudowoodo? – perguntou Ryla.
– Exato. – respondeu Kristen, fascinado; nunca havia visto um pessoalmente – O que vai fazer?
– Poliwag, mais bolhas!
Sudowoodo fez menção de se mexer, mas as bolhas o atingiram em cheio e ele caiu no chão, tremendo e com os olhos rodando.
– ISSO! – comemorou Ryla, destacando uma Pokébola vazia do cinto e atirando.
A esfera descreveu um arco na direção do Pokémon caído, mas uma outra Pokébola surgiu da direção contrária e atingiu-o antes. A Pokébola de Ryla passou no vazio enquanto a Pokébola estranha se revirava no chão, piscando em vermelho no centro.
– O QUE? – gritou Ryla, indignada.
A Pokébola sossegou e um garoto de cabelos cor-de-palha se aproximou, triunfante. Ele se abaixou, pegou a Pokébola e olhou de forma travessa para Kristen e Ryla. Parecia mais novo que ambos e tinha um ar irreverente que dava a impressão de estar encarando um peixe prestes a pular do aquário.
– Ei, eu capturei o Sudowoodo! – exclamou Ryla, indignada – Me devolva ele!
– Desculpe. Acho que é minha Pokébola aqui, não? – riu-se ele – Deveria tomar mais cuidado da próxima vez.
– Eu nocauteei ele! Me dá ele!
– Calma, Ryla. – disse Kristen, com ar tranqüilo – Ele deve estar brincando, vai devolver. Não vai? – perguntou, dirigindo um olhar severo para o garoto.
– Ei, eu conheço você! – exclamou o garoto, arrancando um suspiro cansado de Kristen – Não precisa me bater nem nada, eu só estou brincando!
– Eu não vou te bater. – disse Kristen, desanimadamente – Você vai devolver o Pokémon porque é a coisa certa a fazer, foi ela que capturou.
– Ora, vamos. Sudowoodos são fraquinhos. – suplicou o garoto.
– Pra que quer um então? – perguntou Kristen, começando a ficar curioso com a atitude estranha do garoto.
– Eles são raros! Eu posso fazer uma boa troca em Violet!
– Pokémon não são mercadorias. – disse Kristen, começando a andar na direção do garoto com a mão estendida – Agora seja um bom menino e devolva isso.
– Espera, espera! – exclamou o garoto, recuando aos poucos, começando a ficar assustado – Por que não batalhamos pelo Sudowoodo?
– Já falei que...
O rapaz tombou pra trás, se estatelando de costas no chão e Kristen parou de falar. Tyrogue apanhou a Pokébola que rolara pelo chão e a atirou para trás. Ryla aparou-a no ar e Tyrogue ficou de braços cruzados ao lado do rapaz que coçava a cabeça dolorida, encarando-o de forma inquisidora.
– Vem, levanta. – disse Kristen, estendendo a mão para ele – Como é seu nome?
– É Kron. – respondeu, aceitando a ajuda com uma mão, enquanto ainda esfregava a cabeça com a outra – Droga, isso foi golpe baixo.
– Ele provavelmente só ficou preocupado de você fugir. – retrucou Kristen, acenando com a cabeça na direção de Tyrogue.
– Aqui está.
Ryla havia se juntado aos dois e estendia uma Pokébola para Kron, embora mantivesse a cara amarrada. Ele pegou a Pokébola com pressa, sorrindo radiante.
– Vai mesmo me dar ele? – perguntou Kron, sem conter a emoção – Puxa, obrigado!
– Uma vazia pra repor a sua, pirralho. Eu devia ficar com ela também pra você aprender.
– Ah... – gemeu Kron, abaixando a cabeça.
– Não fique assim. – consolou-o Kristen – Procure direitinho na floresta que com certeza vai achar algum Pokémon interessante. Mas se achar, tente não trocá-lo nem vendê-lo. Treine-o e faça dele seu amigo. Acredite, vale muito mais a pena. – concluiu, com um amplo aceno que mostrava os Pokémon na clareira, todos observando a situação envolvendo o trio de humanos.
– Vou me lembrar disso. – respondeu Kron, ainda parecendo chateado. – Ei! – acrescentou quando Ryla e Kristen fizeram menção de se afastar – E quanto á batalha?
– Eu já disse que não vou lutar pelo Sudowoodo. Ele é meu e acabou. – respondeu Ryla, irritada, virando só a cabeça para trás.
– Não precisa ser pelo Sudowoodo. – retrucou Kron, dando de ombros – Eu queria mesmo batalhar com alguém e vocês parecem legais. Pode ser valendo outra coisa.
– Tipo o que, pirralho?
– Se eu ganhar, você pára de me chamar de pirralho! – respondeu ele, confiante, com um punho erguido na frente do rosto.
– Hum. E se eu ganhar? – perguntou Ryla, se virando totalmente para ele.
– Sei lá. – Kron deu de ombros mais uma vez – Acho que tenho uns doces na mochila. Você pode pegar alguns.
– Muito bem, negócio fechado. – cortou Kristen com ar divertido – Quantos Pokémon?
– Dois! – atropelou-se a responder Kron – Eu só tenho dois. – acrescentou, envergonhado – Mas se quiser me emprestar o Sudowoodo que eu capturei...
– Já disse que o Sudowoodo é meu! – ralhou Ryla – E ele acabou de ser capturado, não pode lutar ainda.
– Nesse caso, dois contra dois. – cortou Kristen mais uma vez – Vamos para o meio da clareira.
Ambos tomaram posições diante de árvores opostas da clareira. Kristen sentou-se na grama, alguns metros distante, formando um triângulo com eles. Todos os Pokémon se amontoavam ao redor de Kristen, exceto por Eevee, que estava aninhada entre as pernas de Ryla.
– Se você vai usar o Eevee, eu vou com este aqui! – anunciou Kron, retirando uma Pokébola do cinto e atirando-a.
O clarão vermelho do recipiente de Pokémon deu lugar a um bicho mais ou menos do mesmo tamanho de Eevee. Igualmente quadrúpede, ele era quase totalmente azulado, possuindo apenas alguns traços vermelhos nas orelhas e na tromba de elefante como diferencial. Ele arrastava uma das patas traseiras no chão, como que tomando impulso, com os olhos fixos em Eevee.
– O que é isso? – perguntou Ryla.
– Vai, Phanpy, investida!
Phanpy trotou até Eevee, que havia se afastado de Ryla alguns metros. Ela desviou-se por pouco, fincando as patas traseiras no chão e usando-as como impulso para saltar de cabeça sobre o oponente. Phanpy desviou, mas ambos estiveram ainda mais próximos de se tocar do que antes.
– Interessante, uma batalha de velocidade. – comentou Kristen para Tyrogue, sentado ao seu lado de pernas igualmente cruzadas – E não vai adiantar muito Eevee atirar areia num Pokémon de terra. Vamos ver como ela se sai.
Tyrogue assentiu, enquanto Phanpy tornava a errar uma investida. Só que, dessa vez, Eevee acertou o contra-ataque: uma cabeçada concentrada na lateral de Phanpy, que o desestabilizou e o atirou no chão.
– ISSO! – comemorou Ryla.
– Hora de rolar, Phanpy!
Phanpy se pôs de pé e uniu a tromba ao rabo, girando como uma roda no mesmo lugar.
– Desvie, Eevee!
Somente quando Phanpy se moveu girando na direção de Eevee, ela notou que havia subestimado a velocidade dele com seu novo movimento. Eevee foi atirada para o alto com um ganido de dor e Phanpy freou no mesmo lugar, continuando a girar e, conseqüentemente, espalhando terra para todos os lados.
Eevee caiu de lado no chão, mas rapidamente se colocou de pé. Havia um feio inchaço avermelhado na testa dela.
– Não desista, Eevee! – gritou Ryla para ela.
Phanpy tornou a girar na direção de Eevee. Desta vez mais esperta, Eevee se esquivou com um impulso lateral, mas Phanpy mudou de direção e atingiu-a com mais força ainda na lateral do corpo.
– Esqueci de mencionar: quando está com o rolamento ativo, ele pode mudar de direção no meio do movimento, então não adianta só desviar uma vez. – mencionou Kron, sorrindo.
Ryla não disse nada, mas tinha a expressão absolutamente preocupada. Notou pela dor de Eevee que o golpe fora ainda mais forte que o anterior e Phanpy continuava girando no mesmo lugar. Kron estampava um sorriso confiante e Ryla não queria nem pensar em ser derrotada por ele. Foi aí que teve uma idéia.
– Eevee, fuja! Não se desvie para o lado, apenas não pare de correr!
A esfera azul veio rolando na direção de Eevee. Kristen observava, curioso, tentando descobrir como ele fazia para se orientar quanto à posição de Eevee, pois ele mudava de direção de acordo com os movimentos dela.
– Uma hora ela vai cansar. – debochou Kron.
– Esqueça o cansaço, Eevee! Continue correndo!
De fato, Eevee mantinha o ritmo cada vez com mais dificuldade, mudando de direção sempre que Phanpy ia alcançá-la, para atrasá-lo por uns segundos, já que ele era mais rápido que ela naquela forma. Mas o cansaço dela era quase palpável, enquanto Phanpy era uma incógnita, já que não era possível ver seu rosto.
– Agora em linha reta Eevee! Até aquela árvore!
– O que? – indagou Kron, parecendo assustado.
Agora quem sorria era Ryla. Eevee mudou a direção, correndo direto para uma árvore de tronco grosso. Phanpy estava cada vez mais perto, mas ela parecia ter entendido a estratégia e mantinha a cabeça erguida e os olhos focados.
Phanpy chegou a tocar o rabo dela, mas ela já havia chegado onde queria. Usando o impulso da corrida, Eevee subiu pela árvore até sua metade, ouvindo o estrondo abaixo de si quando Phanpy enfiou a cabeça na árvore com a força concentrada de várias rotações.
– Finalize, Eevee!
Mesmo antes da ordem de Ryla, Eevee já caía em direção ao solo se ajeitando para golpear Phanpy, que estava estirado no chão com os olhos rodando. A cabeçada o imprensou contra o chão e o deixou desmaiado de vez no chão. Eevee se afastou, cambaleando, enquanto Kron recolhia seu Phanpy, parecendo incrédulo.
– Eu tava pensando em como ele fazia pra acompanhar o Eevee, já que você não dava instruções. Acabei concluindo que girando nessa velocidade toda, nem adiantava dizer nada, que ele não ouviria. Por isso você nem tentou avisar da armadilha, certo?
Kron não disse nada; estava visivelmente chateado. Ryla estava triunfante e ansiosa por continuar explicando sua estratégia genial.
– Como ele é um Pokémon de terra, imaginei que ele se guiasse pelo movimento no solo.
– Sei, sei, já entendi. Agora acabou pra você. Vou usar o meu Pokémon mais forte! – anunciou Kron, mostrando uma Pokébola entre os dedos.
– Manda ver!
Um quadrúpede esverdeado bem maior que Eevee surgiu na grama. Havia sementes escuras e rechonchudas ao redor de seu pescoço que formavam um grande colar natural e uma grande folha torta despontando de sua testa.
– Um Bayleef. Eevee, vá descansar!
Eevee se retirou para perto de Kristen, agradecida. Deitou-se no chão ao lado dele e Cyndaquil caminhou até a clareira, ganindo com entusiasmo. Poliwag despejou água sobre as feridas de Eevee gentilmente.
– Não importa sua vantagem de tipo, você tem o nível menor, não vai ganhar do meu Bayleef!
– É o que vamos ver! Fumaça, Cyndaquil!
Cyndaquil abriu a boca e uma cortina de fumaça encobriu toda a clareira. Kristen rapidamente notou que a fumaça dele estava bem mais potente do que nas últimas vezes em que ele a havia utilizado. Sorriu, satisfeito por ele estar crescendo.
– Não adianta! Folhas navalha!
Encobertos pela fumaça, não era possível ver nenhum dos dois Pokémon. Ryla e Kristen foram obrigados a proteger o rosto com as mãos quando as folhas cortantes saíram por todos os lados da cortina de fumaça. Cyndaquil deixou a fumaça pela lateral, com alguns cortes superficiais.
– Nem sempre é preciso mirar pra acertar! Mesmo com a resistência dele, ele vai se machucar!
– Droga... – deixou escapar Ryla.
Cyndaquil tomou fôlego e fez brotar as chamas de suas costas, firmes e vibrantes como as de um Pokémon com as forças devidamente recobradas.
– Atire na fumaça, Cyndaquil!
O aditivo das brasas de Cyndaquil gerou uma grande explosão, mas Bayleef deixou o raio de ação do local por um triz.
– Agora emende um ataque rápido!
Com uma velocidade surpreendente, Cyndaquil atingiu Bayleef no meio do corpo com uma cabeçada. Bayleef foi arrastado vários metros para trás com o rosto chamuscado pelo contato com as costas de Cyndaquil, mas conseguiu se estabilizar.
“Sem dúvida andaram treinando.” Concluiu Kristen com um sorriso.
– Bayleef, não pare de atirar as folhas!
Bayleef sacudiu a folha em sua cabeça e uma saraivada de folhas cortantes foi na direção de Cyndaquil. Por não ter como desviar completamente, ele abriu a boca e despejou um jorro de brasas que anularam algumas, mas não todas as folhas. As demais passaram direto e cortaram-no em diversos pontos do corpo, embora algumas se abatessem sobre as chamas de suas costas e fossem inutilizadas.
O Pokémon de planta de Kron continuou a sacudir compulsivamente a cabeça e literalmente metralhar Cyndaquil de folhas. Este, por sua vez, se encolheu, gemendo de dor enquanto era continuamente atacado.
– Cyndaquil!
– É melhor desistir, não está vendo que ele está se machucando! – provocou Kron.
– Cyndaquil, reaja! – pediu Ryla, desesperada.
Após mais alguns segundos sendo maltratado pelo ataque de Bayleef, Cyndaquil ergueu a cabeça corajosamente e as chamas em suas costas aumentaram consideravelmente de intensidade. Ele abriu a boca e atirou uma série de pequenas brasas na direção de Bayleef. Elas atravessaram as folhas que vinham pelo meio, mas Cyndaquil simplesmente ignorou as que ainda o atingiam.
Sem tempo hábil para se desviar, Bayleef foi atingido em cheio e seu ataque foi interrompido no mesmo instante. Ele caiu no chão, com o corpo inteiro repleto de partes machucadas e com algumas feias queimaduras.
– Bayleef! Você ainda agüenta lutar, fique de pé!
Bayleef se equilibrou nas duas patas traseiras e ficou de pé, visivelmente tonto pela dor. Agüentou por uns poucos segundos e desabou de novo.
– Acho que não restam dúvidas – disse Kristen, se levantando – sobre quem é o vencedor.
– Tsc. – resmungou Kron, recolhendo Bayleef!
– Conseguimos! – gritou Ryla, correndo a abraçar Cyndaquil.
Cyndaquil apagou suas chamas. Estava repleto de cortes superficiais por todo o corpo, mas parecia extremamente feliz com a vitória. Quando Ryla o tomou nos braços, porém, suas chamas piscaram novamente e ela o soltou no chão, assustada. Ele caiu de pé, porém estava com uma expressão intensa de dor e suas chamas estavam incontroláveis, ora muito baixas, ora surrealmente altas.
– Cyndaquil! Cyndaquil, você está bem?
– Essa não. Será que tem algo a ver com a doença dele? – perguntou Kristen, se aproximando com todos os demais Pokémon.
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