Pokémon - Reconquest
19 Capítulo 17: Indícios
Notas iniciais
A última a passar pela revista era Ryla. Os três irmãos aguardavam ao lado do tanque enquanto um dos soldados revirava a mochila dela incomodamente. Kristen observava a cena toda, embora seus pensamentos estivessem muito distantes.
- Esse desgraçado virou meu cantil. – resmungou Ryla em voz baixa, se juntando ao grupo – Ainda bem que deixei os livros na sua casa, Kris.
- Vamos logo. – apressou-as Kristen – Estou me sentindo mal sobre isso tudo.
Apertando o passo, o grupo passeou por uma cidade estranhamente deserta. Apesar da ausência de um ginásio descartá-la como uma das cidades-satélites da Liga, Cherrygrove possuía diversos edifícios importantes e uma população razoável. Entretanto, as poucas pessoas vistas pela rua andavam apressadas e direcionando olhares temerosos para tudo que se mexia.
- O que esperava? – perguntou Kaya – Terroristas invadem sua cidade, derrubam um prédio e matam trinta pessoas em menos de uma hora e você acha mesmo que ia sair pra trabalhar tranqüilamente nos dias seguintes?
- Não é isso que me preocupa. – retrucou Kristen – O jornal que eu li não falava em exército. Comentava brevemente que tinham enviado agentes investigativos a nível federal e que estavam monitorando os turistas que entravam e saíam, mas não mencionavam militares armados até os dentes. Isso me preocupa.
- Podemos simplesmente perguntar por aí. – disse Kaya, apontando uma pequena padaria.
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- ...com isso, a polícia aponta que as evidências não deixam dúvida quanto à autoria do ataque. Segundo as declarações do Delegado Dasshal Baromy, comandante da Divisão de Homicídios e responsável direto pelas investigações relativas a esta estranha organização terrorista, diversos elementos da cena do crime denunciaram o envolvimento da FLAK, apesar de ninguém ainda ter assumido a autoria pelo ataque. Vamos conferir:
A repórter jovem e loura que falava em tom sisudo à câmera em frente à delegacia deu lugar ao vídeo arquivado de um homem bigodudo e visivelmente estressado, tão cercado por microfones que não havia conseguido se esquivar sem antes responder a uma dúzia de perguntas.
- Como vimos nos ataques anteriores – ia dizendo Baromy -, esses que se intitulam FLAK são uma organização fundamentalista que pretende provar seu ponto de vista à força. Tudo que reunimos sobre eles sugere que querem destruir a Liga, os treinadores Pokémon e quaisquer outros que, de acordo com a sua opinião, escravizam os Pokémon. Seus métodos são bastante... violentos. – concluiu, após uma pausa hesitante – Até agora temos registro de mais de trinta assassinatos, incluindo treinadores adolescentes, funcionários da Liga e até mesmo um policial. Eles sempre atacam em conjunto com Pokémon que são extremamente violentos contra outros humanos também, além de sempre se vestirem com roupas estampadas com a sigla do grupo, não deixando dúvidas de quem são os autores, o que é típico de grupos radicais. Neste recente seqüestro, a princípio, não ligamos o fato a eles, pois, misteriosamente, as imagens referentes ao período de ataque foram todas apagadas dos registros de segurança do edifício. Apenas dois guardas foram mortos, de forma bastante furtiva, além de que toda a situação foi tão bem executada que nenhum outro funcionário notou. Provavelmente outras pessoas não teriam conectado o crime à FLAK e é provável que alguns dos meus colegas e superiores nem concordem comigo, contudo...
Baromy interrompeu o que dizia para crispar os lábios momentaneamente, deixando bem claro que era contra sua vontade que aquela informação estava vindo a público.
- ...havia dez Pokémon mortos com ferimentos à bala no laboratório do cientista seqüestrado. Conversamos com outras pessoas que trabalhavam no mesmo laboratório, que nos disseram que esses Pokémon faziam parte de um experimento particular do Dr. Tanuri e que estavam todos em estado vegetativo. Um grupo com uma ideologia fundamentalista como a FLAK evidentemente não iria deixá-los ali para serem – segundo o que acreditam – explorados e escravizados por humanos em situação humilhante. Agora...
- Uma pergunta, por favor, Delegado. – interrompeu um dos repórteres, falando apressadamente – Por que eles não mexeriam nos outros experimentos? Eles mataram apenas dez Pokémon, mas com certeza devia haver mais um monte deles pelo prédio...
- Pergunta interessante... – disse Baromy, sem esconder o desgosto por ser interrompido – Acredito que o objetivo deles fosse, de fato, o seqüestro do cientista desaparecido. Por isso entraram e saíram de maneira discreta e não visitaram outros laboratórios. Ele tinha pressa em sair, por isso não foi concluir sua chacina pessoal no resto do prédio, mas não podia ignorar aqueles dez Pokémon vegetando bem debaixo do nariz dele.
- Delegado, por quanto tempo o exército permanecerá nas cidades? – perguntou outra repórter, vencendo as vozes dos colegas.
- Pelo tempo que o governo federal julgar necessário. – respondeu Baromy asperamente – Sou Delegado da Polícia Militar, não respondo pelas Forças Armadas. Agora, se me dão licença, tenho uma testemunha importante para visitar ainda hoje. Sem mais perguntas, senhores.
Baromy empurrou microfones, mãos, câmeras e telefones celulares em meio aos jornalistas que berravam perguntas e pedidos e a emissora cortou novamente para a repórter ao vivo, mas o Coronel desligou a televisão com os dedos trêmulos.
O suor escorria frio por seu rosto e ele não tinha a menor idéia de como se redimir. Apenas outros dois vultos estavam presentes na sala: o pequeno General com sua tradicional roupagem preta e o felino idoso que se lambia, sentado confortavelmente sobre o sofá.
- Meu Deus... – deixou escapar o Coronel – O que foi que eu fiz?
- Pôs tudo a perder, pra variar. – retrucou Meowth num tom de reprovação – Pra que foi fazer aquilo com aquelas Chikoritas?
- Elas... elas estavam vegetando ali. Naquela situação humilhante... eu quis cumprir meu juramento, quis... quis libertá-las, mas o doutor me disse que elas não resistiriam sem os aparelhos. Mas que desgraçado! Me fez perder a cabeça completamente.
- Fico feliz que você tenha resistido à tentação de acabar com os experimentos nos outros laboratórios. – disse o General, com sua voz impessoal.
- Me perdoe... por favor me perdoe! Eu posso consertar isso, eu...
- Esqueça. Não há conserto para o que você fez. Sua segunda missão ficou infinitamente mais difícil agora, com o exército se espalhando pelas ruas feito um bando de Rattatas. Essa testemunha que o Delegado mencionou... é justamente o seu alvo. Nossa fonte dentro do hospital disse que ela consegue se manter acordada com ajuda de aparelhos desde a noite passada. Em breve estará em condições de falar e talvez tenha informações que nos comprometam.
- Eu irei terminar isso! – disse o Coronel decididamente, desesperado por redenção – Eu irei até lá e executarei essa mulher, mesmo que custe minha vida! Depois de minhas falhas, isso é o mínimo que posso fazer pela FLAK!
- Eu não esperava outra coisa. – entoou o General, satisfeito, escorregando para o chão e caminhando até a parede oposta como se flutuasse – Acho realmente difícil que retorne vivo desta missão, embora eu não deseje a sua morte. Você nem sempre toma a decisão correta, mas sua lealdade à FLAK é de muita valia para mim.
- Senhor, por favor... não tente amenizar as minhas falhas. – o Coronel encarava o chão, pessoalmente humilhado – De nada vale minha lealdade se eu não sou capaz de tomar decisões. Tudo que posso fazer pela FLAK agora é terminar esse trabalho, custe o que custar.
O velho Meowth lambia as patas, preocupado com o estado transtornado de seu amigo. Sabia que o General jamais aprovaria, mas ele precisava estar por perto para cuidar d’o Coronel ou tinha certeza de que ele estaria mergulhando de cabeça numa missão suicida desnecessária.
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- O que esses filhos da puta querem com um cientista? – soou a voz de Kaya, quebrando o gelo.
Os quatro sentavam-se numa mesa quadrada, mantendo os olhos fixos na televisão próxima ao balcão. O atendente parecia não se importar muito com o fato de eles serem os únicos clientes; servira seus cafés de forma solícita e agora se mantinha concentrado na atividade de lavar copos.
À pergunta de Kaya, Kristen e Ryla se encararam brevemente, ambos parecendo muito preocupados.
- Conhecemos esse cara. – disse Kristen, por fim – Ele nos ajudou com o problema do Cyndaquil da Ryla em Violet.
- Que problema? Ele está bem? – perguntou Kin.
- Longa história... mas ele está ótimo agora. Mas é uma doença rara e ele tratou de forma bem simples. O homem é realmente bom no que faz.
- Estranho... – Kaya ficou pensativa por um instante.
- Se a FLAK quisesse apenas matá-lo para puni-lo por sua heresia ou esse tipo de coisa, poderia ter feito isso por lá mesmo. Se o seqüestraram, devem precisar chantagear alguém. – teorizou Ryla.
- É uma idéia interessante. Mas a polícia já chegou à mesma conclusão e não avançou muito.
As quatro cabeças se viraram para a voz feminina que se aproximava da mesa. Kristen imediatamente se pôs de pé e ofereceu a própria cadeira, mas a menina ruiva ignorou a gentileza, puxando o assento de uma mesa vizinha e se sentando entre Ryla e Kin num dos vértices da mesa.
- Hã... Kaya, Kin, esta é a agente Lucy, uma das responsáveis por investigar a FLAK. – disse Kristen, sentando-se novamente.
- Muito prazer. Me traz um café gelado, por favor, Sid.
O atendente fez sinal de que havia entendido e todos assimilavam a chegada da nova integrante à discussão. Kin mantinha-se reservada como sempre, enquanto Ryla e Kristen estavam visivelmente desconfortáveis, afinal, da última vez que haviam falado com ela, ela havia acabado de perder o colega de trabalho – que era mais do que isso, segundo as más línguas.
Kaya tinha os dois olhos fixos no decote de Lucy, que complementava a camisa frouxa com um casaco masculino desabotoado que deixava aparecendo propositalmente o coldre afixado à cintura.
- E então, Kristen, veio investigar por conta própria? Achei que já tinha se metido em problemas suficientes. – ironizou Lucy.
- Na verdade, estamos apenas seguindo viagem. Eu não sabia dessa confusão toda aqui em Cherrygrove.
- Claro... mas aqui não tem nenhum ginásio e, ao invés de passarem direto pela cidade, estão aqui sentados numa padaria fazendo suposições. Obrigada, querido. – acrescentou quando Sid depositou seu café sobre a mesa.
- Pois é... já que estamos aqui, não vejo mal em ficar um pouco. Mas então, você dizia que a FLAK não tentou chantagear ninguém com o Dr. Tanuri?
Lucy bebeu demoradamente de seu café, avaliando se deveria realmente abraçar aquela discussão ou não. Mas, no fundo, já havia se decidido desde que entrara na padaria.
- Nenhum contato. Nem mesmo uma simples mensagem. A hipótese de usarem-no como moeda de troca de alguma coisa está indo por terra conforme os dias passam.
- E vocês não têm nenhuma outra suposição? – perguntou Ryla.
- Nenhuma que faça sentido. Apenas teorias desesperadas que não resultaram em nada.
- Talvez... talvez eu possa estabelecer uma conexão. – disse Kaya, sem conseguir deixar de encarar os seios de Lucy – Você me disse que ele é bom no que faz, Kris. Mas o que exatamente ele faz?
- Hã... a moça da recepção tinha mencionado que ele era especialista em iniciais.
- Isso mesmo. – completou Lucy objetivamente – Ele possui uma vasta e respeitada publicação fazendo experimentos clínicos com os seis iniciais de Kanto e Johto, além de ter alguns trabalhos com suas evoluções também.
- Não lhes ocorreu, nem por um momento, que ele possa ter sido levado para tratar de algum Pokémon doente? – perguntou Kaya, parecendo animada pelo bom palpite.
- É um chute... considerando que eles desprezam o trabalho que ele realiza.
- Ora, vamos... será que ninguém aqui lê jornal? – perguntou ela com impaciência – Eles atacaram um centro de criação de iniciais e os médicos declararam que os Pokémon que sumiram da UTI não poderiam ter escapado sozinhos. É óbvio que eles os levaram. Eles também têm um Charizard Shiny gigante. Nenhum policial fez essa conexão?
Lucy tomou mais um gole de café. Apesar de ter lhe parecido forçada, a princípio, a teoria agora fazia bastante sentido. Finalmente havia percebido os lascivos olhares da irmã de Kristen e reparado as mãos das duas gêmeas unidas sob a mesa, mas não a incomodava de fato; descobriu que não tinha o mesmo efeito opressivo do olhar de um homem.
- É uma boa possibilidade. – admitiu, por fim – Na verdade é bem melhor do que todas as que pensamos no departamento. Já pensou em ser agente investigativa?
- Tenho doutorado em História Antiga. – gabou-se Kaya – Trabalho com a Antiga Humanidade do Antropoceno e tenho que mexer bastante com antropologia. Exige uma certa perícia dedutiva, mas essa do cientista foi moleza.
Lucy sorriu sugestivamente para ela e notou que Kin também a olhava, embora de forma muito mais sutil.
- Ah, então foi por isso... – ia dizendo Ryla.
- Sim, foi por isso que eu sabia a continuação do versículo daquela velha maldita. – disse Kaya de forma seca.
- Que velha? – perguntou Lucy.
- Deixa pra lá... escute: se seus colegas não pensaram em nada disso, você pode levar um bom crédito com seu chefe, não? – perguntou Kaya, sugestivamente, aproximando o rosto da mesa.
- De fato... – respondeu Lucy, brincando com a xícara vazia – Por que? Você quer algum crédito pra si?
- Deixe pra lá. Apresente a idéia como se fosse sua. Em troca pode me dar seu telefone.
Kin sorriu para o tampo da mesa, aparentemente habituada ao descaramento da irmã e namorada. Kristen também riu baixo, mas Ryla sentiu as faces se ruborizarem. Lucy ficou inexpressiva por um instante, mas depois deixou escapar um sorriso melancólico, encarando Kaya nos olhos.
- Se é só isso...
Kaya exibia um sorriso triunfante quando Lucy puxou do bolso do casaco uma caneta prateada e começou a rabiscar o número num guardanapo. Mas ela não chegou a terminar os doze dígitos e o barulho contundente de uma explosão lhes chegou aos ouvidos. Todos congelaram no mesmo instante.
- Mas que porra...?
O rádio de Lucy começou a apitar desvairadamente em sua cintura. Largando a caneta sobre o tampo da mesa e já se levantando, ela puxou o aparelho e apertou um botão lateral.
- Agente Lucy falando. O que é isso?
- Temos problemas. – soou a voz metalizada da freqüência de rádio – Um Charizard negro explodiu a base militar temporária que estava em horário de almoço ao norte da cidade. Todas as unidades convocadas para o local!
- FLAK. – disse Lucy com um estalo de língua, prendendo novamente o telefone ao cinto e puxando a pistola – Vocês, fiquem aqui.
- De jeito nenhum, gata. – disse Kaya, se levantando também – Se você vai arriscar esse seu belo corpo, vou estar logo atrás pra te proteger.
- Ah, é? E como pretendem se defender de rajadas de fogo e tiroteios? – perguntou Lucy, já deixando a padaria e sendo seguida de perto pelas irmãs e por Ryla.
- Você não é a única que possui suas cartas na cintura. – disse Kaya enigmaticamente, passando os dedos pela cinta de Pokébolas.
Kristen logo alcançou as quatro meninas na porta da padaria.
- Por que demorou? – perguntou Kaya.
- Tive que pagar o cara, ora essa. Ele já está com poucos clientes, se ainda ficar tomando calotes...
- Fala sério que você perdeu esse tempo todo só pra pagar a conta...
- Oh, meu Deus...
Por entre os edifícios mais altos se via uma longa coluna de fumaça negra ascendente. Um enorme vulto reptiliano e escuro circundava a torre de um prédio antigo atirando rajadas de chamas para um lugar que não podiam ver. Lucy montou no rosto uma expressão decidida e se pôs a correr na direção do caos.
- Merda... – exclamou Kristen – Esses malditos nunca vão parar com isso?
Poucos segundos depois uma imensa sombra encobriu Lucy, fazendo-a parar de se mover.
- Mas o que...?
- Suba aí!
A imensa ave de pedra já trazia os três Jounochi e Ryla montadas sobre a articulação de suas asas. Lucy escalou-a rapidamente e logo teve de se segurar quando o Aerodactyl partiu a toda velocidade.
Rapidamente alcançaram o imenso Charizard e o cenário era de pânico total. Um pequeno grupo de casas populares estava inteiramente em chamas e ele continuava circundando o local e extravasando seu fogo sobre todos os lugares que sua vista alcançava. Jorros de água vinham do chão de encontro aos golpes do Charizard, mas nem sempre eram suficientes, de modo que o dragão atingia casas, árvores e pessoas aleatoriamente.
Finalmente o Charizard pareceu notar aqueles que montavam o Aerodactyl e um veloz lança-chamas veio pelo ar na horizontal na direção deles.
- SEGUREM-SE! – berrou Kaya, pouco antes de Aerodactyl dar uma violenta guinada para um dos lados.
Exceto a própria dona do Pokémon, todos despencaram em queda livre direto para o solo. Aerodactyl desviara-se por um triz, mas de forma muito brusca. Os quatro desciam gritando, esperando um violento impacto que não aconteceu.
Amortecidos por uma grossa camada de gordura, todos rolaram para os lados, caindo sobre o asfalto de maneira tranqüila.
- O que é isso? – perguntou Ryla, aos berros.
- Acorde, Lax! – berrou Kin, fazendo-se ouvir entre os ruídos da batalha.
Ryla, Kin, Lucy e Kristen estavam postados ao lado de um imenso urso redondo de aparência sonolenta. Ao ouvir a voz de sua dona, ele levantou-se pesadamente e soltou um bocejo que mais parecia um rugido.
Ao redor, tinham uma visão ainda mais detalhada da bagunça armada. Apenas um solitário Starmie tentava dissipar os jorros de chamas do Charizard da FLAK com seus próprios jatos d’água. Não estava dando muito certo antes, mas agora que o Charizard tinha que se dividir entre a estrela-do-mar e as rondas aéreas do Aerodactyl, não era capaz de causar mais incêndios.
Um tanque e dois veículos militares encontravam-se carbonizados e cercados de cadáveres uniformizados. Era evidente que o ataque fora primeiro direcionado aos militares para depois cumprir seu objetivo de destruição, fosse ele qual fosse.
- Por que um Snorlax, Kin? O que ele pode fazer contra um Pokémon voador? – perguntou Kristen, também gritando para ser ouvido.
- Não subestime os meus Pokémon!
Agora que se encontrava em batalha, a expressão de Kin era totalmente diferente. Seus olhos estavam focados e ela trazia uma expressão decidida, posicionando-se firmemente atrás de seu Snorlax. Pela primeira vez desde que as conhecera, Ryla notou o quanto ela e Kaya eram idênticas.
- Lax! Precisamos derrubar aquele Charizard, ok?
O obediente Snorlax acenou afirmativamente, olhando para os lados. Movendo-se lentamente até os carros, ele encaixou as duas mãos firmemente em volta do tanque militar.
- Ah, qual foi? Ele não vai fazer isso, não é? – perguntou Ryla.
Girando o tanque no ar como se fosse apenas um modelo de plástico, o Snorlax atirou-o com força na direção do Charizard. Sua precisão não foi das melhores e o tanque passou alguns metros à direita dele, indo espatifar-se com um ruído maldoso na mata além dos limites urbanos.
- Droga! Vamos tentar novamente, Lax!
Ryla observava boquiaberta enquanto o Snorlax apanhava o segundo veículo, este com ainda mais facilidade. Agora, porém, o Charizard estava atento também ao outro grupo terrestre. Após uma guinada sua, Kristen apontou:
- Ali! Tem alguém montado nele! É aquele homem que eu derrubei, tenho certeza!
Lucy ergueu a arma e apontou para o alto, com os olhos estreitos com os de um falcão. Um jorro de chamas preciso do Charizard atingiu a Starmie em cheio e o jovem treinador que se postava ao lado dela gritou e saltou sobre ela.
- Você não vai acertar daqui! – gritou Ryla para Lucy – Ainda mais com ele se mexendo!
Lucy nada respondeu, apenas apertou os dedos com mais firmeza em volta da arma. O carro militar voou certeiro na direção do dragão de fogo, que se desviou com alguma dificuldade. Quando se recuperou da guinada batendo as asas e se virou para encarar o Aerodactyl, ficou com o corpo na vertical de costas para Snorlax e os demais.
O ruído seco do disparo foi ouvido apenas uma vez. Um instante depois um ponto negro despencava pelo ar, das costas do Charizard direto para o chão.
- Inacreditável! – gritou Ryla.
- Não. Eu errei. – disse Lucy friamente, abaixando a arma.
Ao longe, um clarão vermelho denunciava que o Coronel havia usado uma manobra semelhante à de Kin para amortecer a própria queda.
- O que diabos será que ele invocou agora? – perguntou Kristen, enquanto Lucy já corria na direção do inimigo caído – ESPERA! Droga... eu vou atrás dela, antes que ela faça besteira.
- Ela é policial, Kris! – disse Kin, atenta aos movimentos do Charizard solitário, dançando no ar com Aerodactyl, sem obter sucesso em atingi-lo – Ela sabe se virar!
- Você não entende! Isso é pessoal para ela! Ela pode acabar fazendo uma burrada! Eu vou até lá!
Ryla observava cada um focado em suas tarefas e não sabia o que fazer. Olhava de Kin para o céu e de lá para as costas de Kristen se afastando. Colocava a mão na cintura e tornava a tirá-la, lembrando que seus Pokémon não seriam capazes de sustentar essa intensidade de batalha.
- Essa não!
Atingido de raspão pelas chamas, o Aerodactyl fora deslocado em plena manobra giratória. Kaya despencou do céu e Kin já sacava mais uma Pokébola, atirando-a na direção da irmã.
O clarão vermelho moldou o que parecia a Ryla uma grande palmeira de tronco grosso e com três cabeças. Kaya descia girando em silêncio, mas logo estacou no ar, suspensa por uma força invisível.
- Isso!
Kaya flutuou até a irmã como se fosse uma pluma.
- Nunca te vi cair do Aero antes!
- Eu não caí. Estava atrapalhando os movimentos dele, então me soltei, sabia que você ia dar um jeito de me aparar. Esse desgraçado consegue encarar um Snorlax, um Aerodactyl e uma Starmie, todos ao mesmo tempo!
- Sim, ele é bom. Mesmo considerando que Lax não está de fato lutando.
Snorlax atirou o último veículo na direção do Charizard. Este agora desviava-se das lâminas de ar atiradas imprevisivelmente em meio às acrobacias de Aerodactyl e foi atingido em cheio no dorso pelo carro. Soltou um ganido de dor e começou a rodopiar direto para o chão.
O veículo de metal retorcido e carbonizado despencava em direção a um grupo de policiais, que olhavam para cima, pálidos. Porém, ele desacelerou até parar no último instante, rolando sem perigo para o lado.
- Excelente trabalho, Exeggy!
- Kin, onde estão Kristen e Lucy?
- Foram para lá! – apontou Kin – Foram verificar o cara que derrubaram do Charizard!
- O que está fazendo aqui, Ryla-chan? Vá atrás deles!
Um grande jorro de chamas subiu aleatoriamente das casas em chamas em conjunto com um rugido medonho enquanto Ryla corria sem questionar. Todas protegeram o rosto com uma das mãos instintivamente.
- Desgraçado! É resistente também!
- Precisamos de um Pokémon de água!
- Deixa comigo!
Antes que Kaya pudesse liberar o que quer que estivesse em sua Pokébola, um potente bombeamento de água surgiu pela direita, atingindo Charizard em cheio. O imenso dragão berrou de dor, mas a água não parou de jorrar.
Olhando para a direção do golpe, elas viram um Gyarados de escamas escuras montado por uma silhueta envolta numa capa negra.
- Não acredito que ele está aqui! — exclamou Kaya.
- Aquele é o... Lance?
- Sim! Não o vemos desde a nossa festa de quinze anos! Nem ao enterro do papai ele foi!
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Ryla alcançou Kristen, que observava a cena um pouco distante. Lucy mantinha a arma erguida e apontada à altura do ombro, pronta para atingir o Coronel ao menor descuido deste. Ele encontrava-se atrás de um grande e feroz Nidoking, com um dos joelhos apoiado no chão e a mão direita pressionando o ombro que sangrava.
- Você está preso. – dizia Lucy friamente – Temos ordens explícitas para atirar pra matar caso você resista. E acredite: eu não vou hesitar nem por um segundo.
- E quem disse que já estou rendido? – perguntou o Coronel.
De maneira rápida e extremamente precisa, Meowth saltou das sombras, cravando as garras no braço direito de Lucy. A pistola voou vários metros para a esquerda e se perdeu.
A agente gritou de dor e o gato afastou-se alguns metros, encarando o grupo de forma analítica.
- Droga!
- King, talvez seja melhor ir ajudar o Charizard. Eu posso me virar com esses aqui, eles não têm Pokémon muito fortes.
Dando as costas à situação, Nidoking correu até seu aliado, levantando muita poeira. O Coronel ficou de pé, olhando para Lucy e Kristen. Ele segurava o ombro sangrento e Lucy também pressionava o corte profundo provocado pelo Meowth, consumida pelo ódio.
- Você não vai escapar daqui! A polícia e o exército estão em todos os lugares. Pode ter derrubado as unidades daqui, mas logo os reforços estarão chegando.
- Eu tenho uma missão. – respondeu o Coronel com frieza – Se eu cumpri-la, tanto faz o que aconteça comigo. Meowth?
Recebendo um longo miado em resposta, o Coronel alongou o braço ferido, medindo o quanto a bala limitava seus movimentos. Sua própria arma havia escorregado pelo coldre aberto quando a pontaria perfeita de Lucy o derrubara de sua montaria.
- Preciso que mantenha o lutador ocupado. Eu vou me vingar dele depois...
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O Nidoking desembestado atingiu Gyarados frontalmente com uma dolorosa chifrada. O dragão serpentino foi atirado para trás com o impacto, mas suas escamas aguentaram bem e Lance lutava para fazê-lo retomar os eixos com alguma dificuldade.
Nidoking foi repentinamente suspenso no ar pelos poderes psíquicos de Exeggutor. Aerodactyl fazia um rasante em direção ao mesmo para finalizá-lo quando foi engolido por um arroto de chamas impressionante. A mesma torrente mudou de direção, atingindo Exeggutor em cheio e fazendo com que Nidoking desabasse pesadamente no chão atrás da fonte do fogo.
A imensa ave de pedra foi tirada de seu curso e rodopiou até o chão, abrindo uma cratera no cimento. Tentou ajeitar as asas prejudicadas e recuperar o norte, enquanto as três cabeças de Exeggutor urravam de dor. Ele dançava no mesmo lugar com o corpo consumido pelo fogo.
- Mas que merda de Charizard forte é esse? — berrou Kaya enquanto Kin recolhia seu Exeggutor à Pokébola sem hesitar.
- Ele está de pé após quase um minuto de água! Isso é insano! Lax, vá pegá-lo!
Charizard, porém, foi mais rápido. Ao perceber sua aproximação, Gyarados rapidamente parou de se debater e atirou um jato d’água cego contra o dragão. Este se desviou de lado e fez um vôo rasante rente ao chão na direção do Pokémon de água.
Lance pulou de sua montaria no último instante. O impacto foi ainda mais violento que o de Nidoking. As duas irmãs puderam notar que o Charizard trazia vários cortes e demais ferimentos como resultado das lutas, mas as cicatrizes de aparência antiga não deixavam dúvida: ele estava habituado demais para se importar.
Charizard agarrou Gyarados com extrema violência, cravando-lhe as garras dianteiras nas junções das escamas e arrancando uma longa exclamação de dor do mesmo. Este tentou reagir reunindo uma potente esfera de energia entre os dentes, mas Charizard fechou-lhe a boca com uma feroz cabeçada. Um ruído de longos dentes se partindo gelou a espinha de Kin.
Snorlax se aproximava quando teve seu caminho barrado por Nidoking. O mesmo acertou-lhe um potente soco no rosto, mas o gordo urso mal foi movido do lugar, apenas retornando com uma cabeçada com força total que acertou King no meio do corpo. Este dobrou-se, com dificuldade para manter o foco visual no novo oponente. Pelo canto do olho, notou que Lance já estava de pé e se preparava para sacar outra Pokébola, o que complicaria a situação de Charizard. Sem estar totalmente recuperado, ele urrou e ergueu a pata esquerda, reunindo nela força suficiente para esmagar uma bola imensa de concreto. Pisou no chão com força total e as duas gêmeas, por melhores que fossem sua base marcial, sentiram o chão se perder.
Kaya, Kin e Lance rolaram no chão, que tremia e se rasgava em várias fendas com o impacto do terremoto artificial. Os dois dragões também foram derrubados e Charizard levou a melhor, ficando por cima do inimigo. Mordeu-lhe o pescoço e foi atingido numa das asas por uma cauda furiosa, numa demonstração inesperada de elasticidade de Gyarados. Sem dó, Charizard pressionou-lhe a garganta contra o chão com apenas uma das patas dianteiras, enquanto a outra castigava-lhe o rosto com seguidos socos e golpes de garra. Ele lutava com um ódio inexplicável.
Apenas Snorlax conseguiu se manter de pé, apesar de um breve desequilíbrio, mesmo sendo o mais próximo do foco. Era pesado e bem treinado demais para cair com um terremoto improvisado. Ele abriu a boca e despejou por conta própria um jorro de água congelada. Nidoking tentou se defender ficando de lado e colocando uma das patas diante do golpe, mas sua fraqueza falou mais alto. Sentiu as articulações traseiras tremerem diante da fraqueza causada pelo frio, porém aguentou firme de pé.
- Kin! KIN!
Sacudida pela irmã, Kin reparou que ficara desacordada. Embora não pudesse saber, foram apenas alguns segundos. Sentia uma dor insuportável na nuca, onde batera com força no chão.
- Levante, a coisa está feia por aqui!
Kaya puxou Kin até esta ficar de pé e ambas se afastaram tropegamente de Nidoking e Snorlax, que mediam forças com os próprios troncos em contato. Estavam separadas de Lance por uma fenda e ele estava inerte, de borco no chão, perigosamente próximo de Charizard e Gyarados, que agora rolavam e se deslocavam descontroladamente, cada vez mais avariados.
- Essa não! Precisamos acordá-lo ou ele pode até morrer! – alarmou-se Kin.
- Olhe! Aero está recuperado!
O imponente pterodátilo ascendera vários metros para tomar impulso. Agora descia num ângulo de quase noventa graus na direção dos dragões. Charizard notou e afrouxou os duros golpes que aplicava em Gyarados apenas por um instante. Este, cego pelos inúmeros inchaços ao redor dos olhos, reuniu uma grande quantidade de água e cuspiu aleatoriamente. Rolando de lado, Charizard fez com que Aerodactyl fosse atingido em cheio de frente, numa manobra impressionante.
- O QUE?
Charizard ergueu Gyarados pela cauda, girando-o no ar como um gigantesco chicote azul. Finalizou a rotação atirando-o para o alto. Aerodactyl ainda tentava se encontrar em meio à confusão da torrente de água quando o choque aconteceu e ambos começaram a despencar enroscados na direção do chão. Gyarados já estava visivelmente desacordado e Aerodactyl, mesmo revestido de rocha, tinha quebrado pelo menos uma asa, mas Charizard completou o combo abrindo a boca e despejando um enorme artefato de fogo que tomou a forma de uma grande torre antes de se abater sobre seus alvos.
Quando Aerodactyl e Gyarados caíram no chão, carbonizados e bastante maltratados, Nidoking era atirado de costas contra a parede de uma das casas carbonizadas – já com as chamas apagadas por causa da água anterior de Gyarados. Snorlax correu na direção dele, fazendo o chão tremer, e atirou-se contra seu tronco com uma violenta cabeçada. Seus olhos ficaram vidrados por um instante e logo se fecharam, de modo que ele escorregou inerte para o chão.
Snorlax virou-se bem a tempo de aparar as chamas de Charizard com uma das patas dianteiras. Quando o lança-chamas terminou, este abaixou a pata, cuja pele estava apenas meramente avermelhada. O dragão tinha as escamas negras repletas de manchas vermelhas e arroxeadas do rabo à cabeça.
- Esse Charizard desgraçado...
Kaya se adiantou alguns passos, com uma das mãos na cintura, mas Kin barrou-a com um dos braços. Tentando ignorar a dor de cabeça violenta que sentia, ela tomou as rédeas da situação.
- Ele está cansado e bastante ferido, mas parece não ligar pros golpes que recebe. Não importa o que há de errado com esse Charizard, meu Snorlax não será derrotado nem mesmo por ele, isso eu lhe prometo! Vá acordar Lance e cuidar do Aerodactyl! VAI!
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Tyrogue desviou-se habilmente da terceira investida de Meowth, mas nunca conseguia achar brecha para revidar; suas garras sempre passavam raspando pela pele do lutador.
Meowth só conseguia pensar no quanto estava velho. Já no fim da vida, tinha experiência suficiente para visualizar todas as aberturas concedidas por Tyrogue, mas suas articulações mal lubrificadas não respondiam na velocidade que ele queria e isso começava a deixá-lo impaciente.
O perigoso Kabutops brandia suas lâminas, mas tanto Eevee quanto Ponye eram ágeis o suficiente para escapar, embora não para revidar, mantendo-se em situação semelhante à de Tyrogue e Meowth. Ao fundo, o Coronel golpeava Lucy impiedosamente e Kristen não conseguia achar brecha para avançar até os dois sem ser decapitado pelo Kabutops no caminho.
- Precisamos de uma distração! Algo que não dê a ele idéia de onde o golpe virá! – sugeriu Kristen.
- Eu sei o que fazer! Vai, Cyndaquil!
A pequena eqüidna surgiu da Pokébola, já com as chamas irrompendo das costas.
- Precisamos da fumaça, Cyndaquil!
Kristen ouviu satisfeito quando as cabeçadas simultâneas de Eevee e Ponyta atingiram Kabutops através da fumaça.
“Minha vez.”
Aventurando-se entre a fumaça como um Pokémon, Kristen irrompeu diante d’o Coronel, que se postava diante de Lucy, esta curvada e cuspindo sangue. Ele mal teve tempo de arregalar os olhos de surpresa antes de ser atingido em cheio na face por um chute potente.
Kristen virou-se para verificar a situação quando as brasas conjuntas de Ponye e Cyndaquil incomodaram Kabutops o suficiente para este gritar e foi o tempo necessário para que o Coronel se levantasse, ainda ligeiramente tonto.
Kristen aparou seu soco com um dos braços e devolveu-o com um soco curto nas costelas, que o fez dobrar o corpo com uma careta de dor.
- Você é durão. Nem todo mundo leva um chute meu em cheio e fica de pé pra continuar apanhando. – disse Kristen.
- Vai precisar mais do que isso pra me nocautear. – respondeu o Coronel, o sangue escorrendo pelo queixo.
- No momento, estou mais preocupado com outra coisa.
Kristen fez o Coronel recuar, simulando uma movimentação agressiva. Este caiu nas fintas e tentou aplicar um chute. Kristen segurou sua perna habilmente e puxou-o para si, atingindo-o no rosto em cheio com o cotovelo. Aproveitando-se de sua ligeira confusão, Kristen puxou-lhe a máscara com força. Esta se rasgou e ele caiu de costas no chão. Com o pedaço de pano negro ainda numa das mãos, Kristen ficou imóvel ao encarar o oponente caído.
Lucy se recuperara e vinha até eles limpando o sangue do queixo, sentindo que ia vomitar.
- O que houve, Kristen?
- Ele... eu sei quem ele é! Eu sei quem é esse maldito! Agora tudo faz sentido!
Os gritos de Kristen fizeram com que os demais Pokémon voltassem suas atenções momentaneamente para a situação envolvendo os humanos. Aproveitando-se desse momento de descuido, Meowth saltou com leveza e desferiu um amplo arranhão nas vistas de Tyrogue.
Este se moveu no último instante, mas não foi suficiente para evitar totalmente o golpe. Logo estava de lado com três apoios no chão, o sangue escorrendo por todo o rosto e um grito lhe rasgando a garganta.
- TYROGUE! NÃO!
Tyrogue se retorcia de dor e Meowth já preparava as garras para o segundo golpe. Sabia que precisava ser rápido e preciso para conseguir rasgar a traqüéia dele antes que Kristen pudesse alcançá-los.
O Coronel ria, caído de costas no chão. Lucy chutou-lhe os dentes com força para lhe calar enquanto Kristen pelejava para alcançar seu Pokémon, sentindo-se como se uma mão de ferro lhe apertasse o estômago.
Meowth saltou uma segunda vez. Não ia dar tempo. As garras estavam a poucos centímetros de seu alvo quando uma perna milagrosa atingiu-o lateralmente com uma potência absurda. Meowth rolou para longe como um boneco, sentindo, como que em câmera lenta, os ossos se quebrarem pelo caminho.
- Tyrogue, você...
Kristen parou onde estava. Seu Pokémon tinha o lado esquerdo do rosto coberto de sangue, mas o olho direito estava bem aberto e focado em Meowth. Trazia a perna direita ainda suspensa no ar após aplicar no velho gato artrítico um chute capaz de derrubar até um humano treinado.
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