Pokémon RainStorm

45 Side Story – Kali: Determinação


Notas iniciais
Olá amadas e amados leitores! Como estão? Espero que bem. Como prometido, trago um novo capítulo, desta vez, um Side Story focado na Kali, a irmãzinha pervertida da nossa querida protagonista. A Kali é uma personagem que gosto bastante, e quis trazer este capítulo para revelar mais coisas sobre ela, além disso, muitas dicas pro futuro da fic aparecerão neste capítulo, por isso peço para lerem mesmo que não seja necessariamente obrigatório. Antes de me despedir, queria agradecer a todos que continuaram acompanhando a fic ao longo desses anos e hiatos. A resposta do post especial de 4 anos foi melhor e mais rápida do que eu esperava, então, obrigado a todos que leram e comentaram. Eu sei que eu já disse, mas ressaltando que esses capítulos não são obrigatórios para entender a fic, mas são extremamente recomendados, pois além de mostrar histórias importantes sobre personagens secundários importantes da fic, eles também apresentarão fatos que serão mencionados no futuro da fic, assim como personagens novos, além de revelar segredos e mistérios da fic. Ou seja, não é obrigatório ler, mas é extremamente recomendado! Tenham uma boa leitura!

Cidade de Lumiose, 17 de novembro de 3016.

Seu coração estava saudável, mas doía. Tinham acabado de perder algo que não poderia recuperar, pelo menos esta foi sua sensação na hora. A médica que tivera dado a notícia a fitava em preocupação esperando por uma reposta da garota.

— Kali, você está bem? – Foi uma pergunta direcionada para seu físico, pois a médica sabia que emocionalmente a resposta seria não.

A garota respirava forte, não sabia como lidar com aquela notícia.

— Quer dizer que eu não vou conseguir mais andar? – Reuniu força para perguntar.

— Desculpa, Kali. Fizemos o que podíamos, mas os danos nas suas pernas foram graves, os seus músculos e nervos praticamente congelaram, por sorte não necrosaram. Infelizmente é algo muito raro de acontecer que deve ter sido ocasionado pelo Freeze-dry, então não sabemos exatamente como tratar.

— Mas existe alguma chance, mesmo que mínima, para que eu possa voltar a andar? – questionou Kali não por esperança, mas por desespero.

— Não há como afirmar, mas eu recomendaria não se apegar a este sonho.

Aquela resposta foi o suficiente para a garota sentir seu coração ficar pesado, como se tivesse congelado e se tornado um enorme pedra de gelo que a dificultava a continuar respirando. A médica podia não ter negado a Kali, mas o tom de sua resposta foi suficiente para fazê-la cair em um desespero interno.

Mentir é certo? É errado? Eu não sei. O justo é dizer a verdade mesmo que faça a esta pessoa cair em abismo sem fim? Ou o justo seria mentir para que não haja sofrimento, mas, ao mesmo tempo, haverá uma esperança falsa que nunca será atendida? Eu não sei. Não teria como saber. Posso estar sofrendo, posso querer não saber a verdade, mas se soubesse, eu estaria melhor? É uma pergunta inútil, afinal não seremos nós que escolheremos ouvir verdade ou mentiras. Apenas podemos escolher o que contamos, e para Katy, eu escolhi mentir. Não por ela, não para ela não sofrer, mas por mim, que não suportaria vê-la triste ou até mesmo vê-la desistindo de seu sonho por mim. A determinação dela sempre foi algo que admirei, e este algo eu não posso destruir.

Por isso vesti uma máscara, sorrir para ela, disse que estava bem. E assim, ela partiu.

Cidade de Lumiose, 27 de novembro de 3016.

Podia estar em desespero, podia ter medo de tentar, mas mesmo que pequena, uma voz no meu coração me dava esperanças, me fazia querer tentar e por isso eu continue. Continue tentando andar novamente, continue tentando movimentar as minhas pernas, nem que fosse por centímetros, mas sempre que eu tentava, eu caia.

Passei dias me esforçando, afinal eu não poderia desistir, tinha que lutar mais que qualquer uma, mas, mesmo assim, eu caia e caia e caia. Até que comecei a me questionar se valeria a penar se levantar.

Estava sentada em sua cadeira de rodas, sentia uma brisa, não muito forte, em seu rosto. Era um de seus horários livres, algo que tinha de sobra, e passava este tempo no jardim do hospital. Aquele lugar a acalmava um pouco. Segurava seu Dedenne nos braços e olhavam para uma bela flor vermelha a alguns metros de distância. Aquela flor lhe atraia, queria pegá-la e para isto resolveu tentar mais uma vez. Colocou seu Dedenne no chão e usou seus braços para forçar sua saída da cadeira, quando o fez suas pernas não aguentaram e ela desabou no chão batendo sua testa em uma pedra. O ferimento não foi muito grave, mas, mesmo assim, sangrou, se um enfermeiro ou médico passasse por lá naquele momento a retiraria do jardim sem conversa, mas não era isso que ela queria. A garota de cabelos negros queria um momento a sós, pois percebeu que de seus olhos lágrimas eram derramadas.

— De…Dedenne. – Kali esticava sua mão para o pequeno roedor, que se aproximou e começou a alisar sua mão. – Me… me desculpe. Eu não conseguir me tornar uma líder de ginásio.

O pokémon elétrico começou a berrar, era visível a sua insatisfação com aquele comentário. Mas ele não está com raiva de sua treinadora, estava triste com o fato dela não acreditar em si mesma, pois ele tinha certeza que ela conseguiria fazer o que quisesse.

— Dedenne, eu sei que é algo difícil de aceitar, mas o que eu posso fazer? Não importa quantas vezes eu tente, eu sempre caio. Eu não vou conseguir mais andar. Eu não vou conseguir alcançar meu sonho. Não vou conseguir fazer mais nada. Eu sou apenas uma aleijada que perdeu toda a esperança! – Ela berrava em prantos. A dor da pancada não era comparada aquela que ela sentia naquele momento. Kali não queria dizer aquilo, mas estava perdida, não sabia o que fazer. Para ela ouvir aquilo de sua própria boca lhe doía mais que tudo.

Para o roedor aquelas palavras eram mentiras, e ele não suportava aquilo. Com toda sua força correu em direção a sua treinadora e acertou uma investida em sua testa. A pancada doeu, mais sangue começou a escorrer da ferida que abrira.

— Dedenne! Eu já disse! Desista! Não posso mais me tornar uma líder de ginásio… Eu… – Antes que pudesse terminar sua frase, olhou para seu pokémon. Os seus olhos estavam cheio de lágrimas, mas o roedor não se deixava derramar uma. Em sua concepção, ele tinha que ser forte pela sua treinadora, não poderia deixar ela desistir.

Ao ver os negros olhos do Dedenne me senti mal. Podia ter sido o Dedenne que batera em mim, mas quem mais havia se machucado era ele. Eu tinha o machucado. Tinha ferido meu companheiro.

Semanas atrás…

Cidade de Laverre, 12 de outubro de 3016.

Naquele cômodo de tatame, Kali se sentava de joelhos. Genkai e Valerie também estavam lá. Discutiam o futuro da garota de marias chiquinhas.

— Kali, você está preparada para se tornar uma candidata a sucessora. – anunciou Genkai.

— Está falando sério? – Ela estava surpresa, não acreditava que tinha o necessário para isso.

— Você sabe que eu não brinco.

— Mas você tem certeza? Não teria garotas furisode mais adequadas? – questionou Kali.

— Eu que escolhi você como uma candidata, Kali. – Valerie entrou na conversa. – Tenho certeza que você tem um ótimo potencial.

— É como Valerie diz. Apesar de não ser a escolha mais obvia, acredito que possa se tornar uma grande treinadora no futuro. – contou Genkai.

— Eu… – Kali não conseguia responder. Normalmente ela estaria feliz, mas nunca achou que teria a oportunidade.

— Está com duvida? Achei que você quisesse se tornar a líder de Laverre.

— … Eu quero, mas eu sinto que só estou tendo esta chance porque a Katy partiu. – desabafou Kali.

— E qual seria problema? – peguntou Genkai.

Aquele pergunta surpreendeu a garota furisode.

— É verdade então? Só estou me tornando uma candidata a sucessora por causa disso?

— Kali… – Antes que Valerie pudesse concluir, Genkai tocou nela a interrompendo.

A idosa se levantou, não ficando muito mais alta, por causa de sua baixa estatura.

— Eu não disse isso. Eu perguntei que se fosse o caso, qual seria o problema?

— Se fosse o caso quer dizer que eu não fui digna o suficiente para ser escolhida antes. – respondeu Kali.

— Você não é indigna, mas se considera-se assim, é só treinar e ficar mais forte. – argumentou Genkai. – Não há uma joia que não se possa lapidar.

— Mas eu…

Valerie foi até Kali, e a abraçou:

— Eu confio em você, Kali, então confie em si mesma também.

— Valerie… – Os olhos de Kali se enchiam de lágrimas.

Ao ver as duas que considerava como netas, Genkai sorriu e, por fim, indagou:

— Kali, eu finalmente lhe pergunto. Quer se tornar uma candidata a sucessora?

— Sim, vovó, eu quero. – sorriu Kali, que apesar de não chorar, estava muito emocionada.

Valerie se separou da garota furisode e sorriu. Ela então pegou três pokébolas e liberou seus pokémons. Em sua frente, um Klefki, uma Flabébé e um Dedenne apareceram.

— Toda candidata a sucessora tem que ter, pelo menos, um pokémon, e esses 3 chegaram a pouco tempo do laboratório. – informou Valerie. – Kali, chegou a hora de escolher seu primeiro pokémon.

Aquele momento lhe parecia um sonho, uma mentira. Era difícil para ela acreditar que havia se tornado uma candidata a sucessora, ainda mais que finalmente teria um pokémon que seria seu parceiro.

Kali olhou fixamente para o três monstrinhos, não sabia qual decidir.

— É uma escolha difícil, não é? – indagou Genkai.

— Talvez a mais difícil da minha vida. – brincou Kali.

— Se não sabe qual escolher, por que não deixa que o pokémon te escolha? – sugeriu Valerie.

Aquilo pareceu estranho para a garota, mas, ao mesmo tempo, lhe trouxe preocupação. A líder percebeu a ausência da resposta e resolveu explicar:

— Pokémons são criaturas magníficas, de alguma forma, quando conhecem alguém, eles sentem se podem confiar naquela pessoa para se tornar sua parceira. É da nossa tradição, que os treinadores novatos escolham seu pokémon inicial, mas a realidade é que não escolhemos nossos pokémons, são eles que nos escolhem.

— E se nenhum dos três resolver me escolher? – perguntou Kali aflita.

— Eu tenho certeza que isto não vai acontecer. – sorriu Valerie. – Afinal, eu acho que ele já te escolheu.

Quando Kali percebeu, um pequeno Dedenne estava em seu colo fitando seus olhos e sorrindo. Ao ver o roedor, o coração da Kali se aqueceu, não conseguia entender o porquê, era como se a ligação dos dois tivesse sido automática e naquele momento, ela já sabia que aquele pokémon ficaria ao seu lado para sempre. Foi então, que os olhos dela, que já estavam cheio de lágrimas, começaram a chorar.

— Dedenne, você quer ser meu companheiro?

O roedor elétrico sorriu a abraçou a garota, que retribui.

— Obrigada.

...

Cidade de Lumiose, 27 de novembro de 3016.

Quando eu não conseguia confiar em mim, eu tinha outras pessoas que confiavam. Valerie, a vovó Genkai e o meu querido Dedenne, que mesmo agora, continuava confiando em mim. Eu estava sendo egoísta em querer desistir. Estava jogando a confiança de todos fora, mas o que eu podia fazer? A única coisa que conseguia pensar naquele momento, é que ver o Dedenne sofrer me machucava muito mais do que eu poderia imaginar.

— Desculpe, Dedenne. – Kali encostou sua mão no roedor e aproximou de seu rosto como se estivesse abraçando-o. – Desculpe te machucar. Mas agora, eu não sei o que fazer.

— É simples, é só não desistir. – disse uma voz infantil.

Sem que ela percebesse, um menino loiro e de brilhantes olhos azuis estava ao seu lado. Apesar de ser bem baixo, ele conseguiu carregar a Kali em seus dois braços, a colocando em sua cadeira de rodas novamente.

— Obrigada.

— Não me agradeça, estou fazendo apenas meu dever. – sorriu ele.

O seu sorriso tinha um tom infantil, mas era belo, de uma forma que era reconfortante.

— Você ouviu muita coisa? – questionou Kali envergonhada do que fizera.

— Desculpe, mas eu sempre acabo ouvindo essas coisas. – riu ele.

— Você estava falando sério sobre não desistir?

— Eu não costumo mentir.

— Não vai ser tão fácil assim.

— Eu disse simples, mas não fácil. – corrigiu o garoto.

— Como eu me tornaria uma líder de ginásio do jeito que eu estou? Eu não consigo nem andar sem ajuda.

— Desculpe responder sua pergunta com outra pergunta, mas se você pudesse voltar no tempo para impedir de se lesionar, você voltaria e tomaria outra decisão?

— É cla… – A sua vontade de conseguir andar novamente era tão grande que ela quase respondeu por impulso, mas se lembrou que se machucou para proteger sua irmã e isto ela nunca mudaria. – Não. Mas isso ainda não responde minha pergunta.

— Eu acho que você de todas as pessoas deveria saber como. Afinal a atual líder de Laverre é cega. – contou a criança. – Ou só porque ela está dormindo você esqueceu disso?

Aquele menino sorria de uma forma que não podia se ver nenhuma maldade, mas suas palavras eram suficientes para deixar Kali sem saída.

— Eu não sou a Valerie.

— Isto está certo, mas se você quer ser uma líder de ginásio, já sabe o que tem que fazer.

— E se eu não conseguir? – Kali sabia que não podia desistir, mas tinha medo de falhar e decepcionar a todos.

— Em vez de pensar “e se eu não conseguir”, porque não pensa “e se eu conseguir”? – sugeriu ele. – Kali, todos falhamos e isto não é vergonha. Se você quer uma coisa, tente pegá-la, pois se conseguir as recompensas serão gigantes, e se não conseguir, pelo menos tentou e isto já a diferencia da maioria das pessoas.

Aquelas palavras pareciam ter sido feitas para ela, como se aquele menino a conhecesse há muito tempo. Kali sentia que ele estava certo e que ela não poderia desistir, afinal se suas irmãs tivessem lhe ensinado algo, era que nada era impossível.

— Então, o que você fazer? – o menino loiro questionou com um sorriso no rosto.

— Eu vou suceder Valerie e me tornar uma líder de ginásio! – exclamou Kali com convicção.

— Torcerei por você. – Ele deu as costas para a garota e começou a caminhar para fora do jardim.

— Antes de ir, pode me responder uma coisa? – pediu Kali.

— O que foi?

— Quantos anos você tem?

O sorriso do menino desmanchou, ele não aguentou e começou a gargalhar.

— Me desculpe, mas normalmente nessa hora me perguntam quem eu sou.

— É que você me pareceu maduro demais para a aparência. – explicou Kali.

— Posso te afirmar que sim. Sobre sua pergunta, digamos que eu sou mais velho do que aparento.

Ele riu e partiu

Estava fitando a sua irmã que sempre admirou. Toda vez que olhava para Valerie, Kali sentia uma dor peito. Não suportava ver suas amadas irmãs sofrendo.

— Valerie, eu prometo que vou treinar para sucedê-la, vou me tornar a líder de ginásio de Laverre. E quando isto acontecer, eu vou… eu vou… eu vou colocar silicone para ficar com peitões!

Dedenne, que estava em seu colo, olhou para Kali com uma cara de reprovação, mas ficou feliz, pois, em muitos dias, aquela era a primeira vez que sua treinadora brincava novamente.

Nos últimos dez dias, eu estava me lamentando tanto, que não percebi uma resposta obvia estava na minha frente. Eu queria poder andar novamente com minhas pernas, mas se eu não conseguisse mais, eu tinha que me adaptar. Me doía pensar nisso, não era algo fácil, mas se eu queria realizar minha promessa e para isso eu não podia desistir.

Voltei a meu treinamento que fazia em Laverre, tinha que melhorar minhas habilidades de batalha ao lado do Dedenne, e era isto que eu estava fazendo. Todo dia ia para o jardim e usava como um campo de treinamento, algo que não fez as pessoas do hospital muito felizes, sempre reclamavam que eu estava destruindo a local. Eu também passei a estudar muito para aprender mais sobre os pokémons, suas habilidades e estratégias.

Tenho que admitir que não era fácil, em Laverre eu tinha minhas irmãs e avó Genkai para me ajudar, mas em Lumiose era apenas eu e o Dedenne. O Esforço era maior, mas a determinação também. Por algum motivo, mesmo com todas as minhas limitações, eu sentia que podia fazer qualquer coisa. Algo estranho, pois eu nunca foi a irmã determinada. Talvez, no meu último encontro com a Katy, ela tivesse me passado um pouco da força dela, afinal eu sempre a admirei.

Anos atrás…

Cidade de Laverre.

Nós duas eramos muito novas na época, mas mesmo pequena, os sonhos da Katy já eram grandes. Eramos colegas de quarto e naquele dia, ela estava tentando quebrar um recorde mundial.

A corda passava por cima da cabeça e por baixo dos pés de Katherine, enquanto isto, Kali fitava o cronometro com atenção, quando a marcação chegou a 60 segundos, ela avisou:

— Acabou. Quantos pulos foram?

— 61. – respondeu Katy.

— Desse jeito você nunca vai alcançar o recorde de 180 pulos em um minuto. – desacreditou Kali. – Você devia desistir.

— Ontem eu estava fazendo 58 pulos por minuto, hoje foram 61. Se eu treinar bastante, sei que vou conseguir. – sorriu a garotinha loira.

Dias se passaram e Katherine continuava treinando. Para Kali, parecia algo inútil, mas sua irmã parecia estar se divertindo, o que a deixava com inveja.

— Acabou o tempo.

As pernas de Katy balançaram e ela caiu no chão de bunda. Depois, resolveu se deitar para respirar mais facilmente.

— Katy, você conseguiu? – indagou Kali ao ver o sorriso de vitória no rosto de sua irmã.

— Não.

— Então por que está tão feliz?

— Pode não ter sido os 180 do recorde, mas eu alcancei 100 pulos.

— Mas você ainda está longe. Eu falei que você não ia conseguir

— Não tem problema. – sorriu Katherine. – Eu posso continuar tentando e mesmo se não conseguir não tem problema, porque foi divertido.

Eu invejava a Katy, mas então antes que percebesse, esta inveja tinha se transformado em admiração. No fim, ela não conseguiu bater o recorde, mas sei que não se arrependeu de tentar.

Cidade de Lumiose, 12 de dezembro de 3016.

Duas semanas se passaram desde o meu encontro com o garotinho estranho. Já tinha me acostumado a andar com cadeira de rodas. Tentei, andar de muletas, mas parecia algo impossível, não tinha forças em nenhuma das pernas para conseguir me sustentar, mesmo assim, resolvi que deveria continuar tentando, pois, talvez, algum dia eu conseguiria.

Fitava a janela, e através dela, as ruas movimentadas de Lumiose. Mal conseguia acreditar, que já fazia mais de um mês que estava naquela cidade. Talvez, fosse pouco tempo, mas tantas coisas haviam acontecido e mudado que parecia mais uma eternidade. As ruas eram um grande exemplo disso, assim que chegou ao hospital, estavam vazias, provavelmente pelo “trauma” da noite das luzes apagadas, mas agora, mal parecia que a cidade tinha sofrido com algo tão destrutivo há apenas um mês. Lumiose tinha se recuperado, pelo menos, era o que parecia.

A porta de seu quarto abriu, quando virou sua cadeira para olhar, Kali viu sua avó, não de sangue, mas, sim aquela que a criara.

— Vovó Genkai! – exclamou a garota furisode.

— Quantas vezes vou ter que dizer para vocês não me chamarem de vovó? – reclamou a idosa colocando sua mão na testa, como se aquilo já te desse dor de cabeça. Logo, ela abaixou sua mão, e fitou sua neta sorrindo. – Eu senti saudades, Kali.

— Eu também, vovó. – soltou pequenos risos.

Genkai olhou de forma séria, mas resolveu ignorar, pois estava muito feliz em ver a Kali, mesmo que fosse orgulhosa demais para demonstrar.

— Kali, desculpe-me por não ter vindo visitar antes, mas com a ausência da Valerie, tive que assumir o ginásio como líder regente, e isto e toda a burocracia envolvida tem me deixado ocupada.

— Não se preocupe, mas me surpreende que você tenha assumido o ginásio depois de tanto tempo. Afinal, você já tá bem velinha, falta pouco para parecer uma múmia. – comentou Kali.

— Eu vou fingir que eu não ouvi isso. – contou Genkai furiosa. – É verdade que estou velha para isso. Cheguei a pedir para Linnea tomar conta do ginásio, afinal, se não fosse por Valerie, é bem provável que ela teria se tornado a líder, mas foi justamente por isso que ela recusou. – desabafou Genkai, que fez uma cara de nojo e reclamou. – Aquela garota é orgulhosa demais e por causa disso, fica arranjando problemas para mim.

— E quanto a Pietra? Me lembro que ela era uma líder tão forte quanto a Valerie. – questionou Kali.

— Eu não quis importunar ela, Kali. – fez uma pausa para respirar profundamente. – Pietra, tinha sim, muitas habilidades, mas ela nunca quis ser uma líder de ginásio, eu praticamente forcei ela a aceitar. Por isso, quando Valerie assumiu o ginásio, Pietra foi embora.

— Eu não sabia…

— A Pietra fingia bem, sempre sorrindo por fora, mas, eu acredito, que, talvez, eu estivesse a matando por dentro. – Genkai parecia triste. – E pensar que eu faria o mesmo com a Katherine.

— Mas você não fez! – Quase que berrou Kali, intervendo a sua avó. – Você deixou Katy partir e viver a jornada dela. Então não faça essa cara triste!

Genkai soltou um leve sorriso no canto do rosto, mas logo, começou a gargalhar:

— Você está certa. E pensar que vim aqui para ver como você estava, mas sou que não para de falar.

A idosa parou de rir, fitou os olhos de sua neta e indagou:

— O que acha de sairmos para um passeio? Não gosto da atmosfera de hospitais.

As duas passeavam pelas ruas de Lumiose, Genkai queria empurrar a cadeira de rodas da Kali, mas a própria recusou, dizendo que faria mal a coluna de sua avó. Conversavam bastante enquanto viam o movimento das ruas, das lojas e dos restaurantes, era certo, que para as duas, Lumiose era movimentada demais. No meio da conversa, Genkai, percebeu que Kali, havia amadurecido bastante nesse último mês.

— Kali, por que você não volta para Laverre? Seu treinamento de candidata a sucessora precisa continuar. – perguntou Genkai.

— Isso não é problema, eu estou treinando no hospital.

— Eu sei, os enfermeiros e médicos reclamaram muito, muito mesmo, quando eu apareci na recepção falando o seu nome. Parece que certa pessoa, esta destruindo a área externa deles enquanto treina, não é mesmo? – Genkai cutucou sua neta.

— Talvez, nós devêssemos moderar mais. – riu Kali de nervoso. Ela, então, olhou para o seu pokémon no colo e na tentativa de dividir a culpa, disse. – Né, Dedenne?

O roedor olhou para sua treinadora de forma tão fria, que era possível ver a reprovação em seus olhos, afinal era Kali, que mandava ele “explodir tudo” enquanto treinavam.

— De qualquer forma, não quero voltar para Laverre até a irmã Valerie acordar. Acho que seria muito triste deixá-la sozinha. – contou Kali.

— Entendo.

A anciã fez uma cara pensativa. Olhou para o céu e fechou seus olhos. Sentia a brisa do final da tarde batendo em seu rosto, algo que ajudava a pensar.

— Kali, acho que está na hora de eu lhe contar sobre os seus pais. – anunciou Genkai.

— QUE? – Kali fez uma cara tão enigmática que é impossível de descrevê-la.

— Por que ficou tão surpresa? – gritou de susto ao ver a feição de sua neta.

— Eu… eu tenho pais?

— É claro que tem! Todo mundo tem! Como você acha que nasceu? – berrou Genkai sem paciência. – Espera, espera, espera, espera, espera. – Kali fez uma cara pensativa. – Só tem uma coisa que eu quero saber… a mamãe… tinha… PEITOS GRANDES?

Genkai quase caiu no chão com a pergunta.

— Mas qual a importância disso? – reclamou a avó.

— Bem… – Kali colocou as mãos no busto e corou um pouco, enquanto sorria. – Eu não gosto de admitir isso, mas eu não sou muito favorecida quando o assunto é o tamanho do sutiã, então estava pensando, que se minha mãe tinha peitões, no futuro, eu também posso ficar com peitões! PEITÕES! – Os olhos de Kali brilharam.

— Sinceramente, com tanta coisa para me perguntar e a primeira coisa que você fala é isso. – suspirou Genkai de reprovação.

— Então? Peitões? – indagou Kali sorridente.

— Não, ela era uma tábua que nem a filha.

Desculpe mãe, desculpe pai, desculpe irmãs, mas neste dia eu morri.

— Mas que droga que você está fazendo? – questionou Genkai, depois que sua neta se jogou da cadeira e acertou de cara no chão.

Kali usou seus braços para levantar o torso e se virou para a sua avó.

— O que eu estou fazendo? Foi você que tentou me matar! – berrou Kali.

— Mas o que?

Depois de uma pequena discussão, e de Genkai ajudar Kali a se sentar novamente na cadeira. As duas voltaram a conversas sobre coisas mais importantes que peitos.

— Sobre os seus pais, os dois nasceram em Laverre. Sua mãe, se chamava Francine, e seu Pai, Mitsuo. – contou Genkai. – Sua avó era uma garota furisode, mas infelizmente, morreu no parto do Mitsuo, como não tinha ninguém para cuidar dele, ele ficou sob os meus cuidados.

— O que? Um garoto vivendo com as garotas furisodes? – questionou Kali.

— Bem, realmente, é algo incomum. Mas Mitsuo precisava alguém para cuidar dele. E além de mim, as outras garotas furisodes poderiam ajudar.

— Pera, então quer dizer, que o papai tinha um Harém de irmãs postiças? Mas que história adulta é esta que você está me contando? – Kali parecia exitada e intrigada na história.

— Eu acho que eu vou ter que prestar mais atenção no que você anda lendo. – comentou Genkai. – De toda forma, o Mitsuo cresceu dentro do ginásio de Laverre, e bem, como ele tinha muitas meninas rodeadas por ele, acabou ficando bem pervertido. Mas olhando para sua filha, é bem provável que seja algo no sangue. – comentou Genkai ao olhar para Kali. – Apesar de tudo, ele era um menino muito bom, e surpreendentemente educado. Ainda bem novo, ele conheceu sua mãe, Francine. Ela era uma menina tímida, mas bem curiosa. Vivia do outro lado da rua, mas sempre visitava o ginásio de Laverre para ver as batalhas. Ela também se interessava bastante na cultura das garotas furisodes, inclusive, me lembro que pediu um furisode de aniversário uma vez.

— Então a mamãe não era uma garota furisode?

— Não, mas isso não muda o fato que Francine era uma pessoa incrível e a única que conseguia fazer o Mitsuo calar a boca. De certa forma, ela era bem parecida com você, apesar que em personalidade, você puxou o Mitsuo, quase que completamente. – riu Genkai. – Os anos foram se passando, os dois foram crescendo e se apaixonando. Quando me dei conta, os dois já tinham se casado e tido uma filha. – Genkai fez uma pausa e apontou para sua neta. – Você, Kali!

— E o que aconteceu com eles? – perguntou Kali.

Apesar de ter ouvido a pergunta, Genkai ficou calada por um tempo, até que resolveu que deveria contar tudo de uma vez.

— Francine tinha se tornado uma historiadora e por isso fazia diversas expedições. Mais ou menos, um ano após você nascer, Francine, teve que fazer uma expedição nas ruínas de Sinnoh, e infelizmente, o grupo inteiro de pesquisa dela sumiu e nunca mais foram vistos. Mitsuo era obcecado por sua mãe, a amava demais, por isso, não aguentava ficar parado sem fazer nada enquanto houvesse alguma esperança que sua esposa estivesse viva. Foi então, que ele decidiu ir atrás da Francine, eu fui contra, tinha medo que ele sumisse também, mas ele me disse as seguintes palavras: “Eu tenho algo que quero proteger, então eu vou voltar, e voltarei com a Francine. Assim, eu, ela e Kali viveremos os três juntos como uma família feliz. Não se preocupe, pois eu, com certeza, voltarei. Eu prometo.”. – Genkai parou de falar, desviou seu olhar de Kali, para que sua neta, não visse a feição triste que fazia. – Infelizmente, essa promessa foi a única que Mitsuo quebrou.

Kali não sabia o que dizer, até pouco tempo, nem sabia o nome de seus pais. Não sabia nem o que sentir, mas aquela atmosfera calada, a incomodava.

— Vovó… eu… eu vou me tornar a próxima líder de ginásio de Laverre. Eu prometo. – Kali não sabia o motivo, mas aquelas palavras foram as únicas que saíram de sua boca.

Genkai riu.

— Não faça promessas que não tem certeza que pode cumprir. – comentou Genkai sorridente. – Tal pai tal a filha.

A garota furisode se sentiu feliz, por um lado era triste não poder mais ver seus pais, mas, ao mesmo tempo, era bom saber que foi e é amada. Kali sorriu:

— Eu estou falando sério.

— Eu sei. – Genkai sorriu de volta.

O momento, tristemente, durou pouco, pois as duas ouviram um grito vindo de perto. Havia sido uma senhora que tivera a bolsa roubada. Kali viu o ladrão e resolveu segui-lo, apesar de não poder andar, sua cadeira de rodas, se bem controlada, podia ser bem rápida.

— Vovó fique aqui, você é velha demais para ficar correndo! Eu vou atrás dele, enquanto isto, chame a polícia! – ordenou Kali ao disparar em direção ao ladrão.

Kali manejava as rodas de forma rápida e eficaz, tentava se aproximar do criminoso que entrava em becos cada vez mais escuros. Talvez, ele estivesse assustado ao ver uma cadeira indo em sua direção e se descuidou, pois acabou entrando em um beco sem saída. Logo, Kali, chegou na frente do ladrão, impedindo que ele fugisse.

— Agora, você não tem pra onde ir. A polícia já está vindo, então se renda. – mandou Kali.

— É só uma garota deficiente. E eu que estava com medo, achando que era uma cadeira fantasma. – riu o homem. – Vamos, saia da minha frente que eu não te machuco.

— Você está me ameaçando? – Kali ficou furiosa. – Dedenne, use Nuzzle!

Energia amarela cobriu o corpo do roedor que pulou, do colo de Kali, em direção ao bandido, como um raio.

— Gastrodon, me defenda! – ordenou o ladrão, que havia liberado um pokémon lesma marinha de coloração azul e verde.

O pokémon de água e terrestre pulou na frente de seu treinador recebendo o ataque do Dedenne, que esfregava suas bochechas no Gastrodon liberando choques elétricos, mas por causa da tipagem da lesma marinha, o dano que infligia era nulo.

— Agora, use Mud Bomb! – mandou o criminoso.

Dedenne ainda estava surpreso pelo seu movimento não ter tido efeito, por isso, não teve nenhum tempo de reação quando o Gastrodon cuspiu uma bola de lama em sua direção que explodiu assim que o acertou, o arremessando para os braços de sua treinadora.

— Dedenne! Você está bem? – indagou Kali preocupada.

— Gastrodon agora acerte a garotinha!

O roedor e Kali não tiveram tempo para conversar. A lesma marinha já havia disparado outra bomba de lama em sua direção. Kali, viu que não teria como desviar, então abraçou o Dedenne o protegendo com seu corpo. Assim, que a bomba acertou Kali, ela explodiu derrubando a garota furisode da cadeira, que acertou o chão com a cara, mas, ficou feliz por conseguir proteger seu pokémon.

— Que bom que não se machucou. – sorriu Kali pra Dedenne, que ficou triste ao ver sua treinadora sagrando novamente.

O roedor se soltou dos braços de sua treinadora e resolveu atacar o ladrão e o Gastrodon novamente.

— Não, Dedenne! Pare! – pediu Kali, ao ver que os seus golpes não funcionariam e seu pokémon só se machucaria.

Apesar de sua súplica, o pokémon elétrico não ouviu sua treinadora e continuou o ataque, apenas para receber outro golpe do seu adversário. Aquilo se repetiu mais algumas vezes, Kali queria levantar para proteger seu parceiro, mas não conseguia, suas pernas não se moviam.

Depois de um tempo, Dedenne não tinha mais forças para levantar, e estava completamente nocauteado no chão ao lado de sua treinadora, que esticou a mão para acariciar seu pokémon.

— Desculpe, Dedenne. Eu prometo que não vou deixar seu esforço ser eu vão. – sussurrou Kali.

O ladrão viu que não tinha mais contra quem lutar e retornou seu pokémon. Foi em direção a saída do beco, mas para sua surpresa, teve a perna agarrada por Kali, que havia rastejado até ele.

— Você não vai fugir. Eu não vou deixar. – informou Kali.

— Quem você pensa que é garota? Hein, acha que eu sou qualquer merda pra perder pra uma aleijada? – berrou o criminoso. – Agora, me solte!

Kali segurava a sua perna esquerda, foi então, que ele começou chuta-la com sua perna direita. O primeiro chute foi no rosto, doeu bastante, mas, mesmo assim, Kali não o soltou. Os seguintes também doíam, mas a cada pancada ela se acostumava com a dor.

— Se você não me soltar, eu vou continuar te chutando até a morte, sua desgraçada!

A garota furisode estava ensaguentada, talvez tivesse quebrado algum osso, mas mesmo, assim não soltou. O criminoso continuava a chutando, mas Kali se recusava a soltar. Apesar disso, a cada chute, o mundo da garota se escureciam, até que tudo era escuridão.

Eu não sabia onde estava, não conseguia enxergar nada, nem ouvir, muito menos tocar. Parecia que estava em um vazio completo, como se estivesse mergulhando nas profundezas do oceano. Não sei quanto tempo fiquei ali, aquele momento pareceu uma eternidade. Até que eu ouvi algo. Uma voz infantil.

— Por que você não solta ele? É apenas uma bolsa. – questionou a voz.

— Não é pela bolsa. Eu apenas decidi que eu pararia ele e que entregaria a bolsa de volta para dona. – respondeu Kali.

— Mesmo assim, não seria melhor desistir. Afinal, você está sofrendo demais, por algo tão bobo.

— Não é bobo! – gritou Kali. – O Dedenne também se esforçou para pará-lo, e eu prometi a ele que eu não vou deixar o esforço dele ser em vão.

— É só uma promessa, eu sei que ele vai entender se você quebrá-la. Afinal o que você prefere, sua vida ou essa promessa?

— Não, essa pergunta está errada. Não é o que eu prefiro, mas sim o que eu quero. E eu decidi que não vou desistir.

A voz riu:

— Mas você não pode fazer nada. Independentemente do que acontecer, você vai quebrar sua promessa, o ladrão vai fugir e vai levar a bolsa com ele. É um esforço inútil.

— Você está errado. Não é inútil. – falou Kali. – Posso até não conseguir parar ele, mas isso não vai mudar o fato que eu vou dar meu máximo, que eu não desistirei, que eu vou manter minha promessa até o fim. Mesmo que ele fuja nada será inútil, pois eu terei feito o que eu acho certo e o que decidi que faria. Não importa o que você diga ou o quanto eu me machuque, não quero desistir, não vou desistir. Não mais. Foi isso que eu decidi.

Dessa vez, a voz gargalhou:

— Você é bem interessante. As garotas furisode são realmente surpreendentes! Kali Fée, eu te reconheço como digna.

Foi então, que eu vi uma luz.

Kali abriu seus olhos. Não tinha entendido o que acontecera, talvez, fosse um sonho, talvez, outra coisa. Olhou ao seu redor, e viu o bandido desacordado no chão. Ela continuou olhando, até que viu seu Dedenne deitado no chão, ele não parecia mais machucado, apenas estava dormindo. Foi então, que percebeu que não estava mais sentindo dor, quando tocou em seu rosto para conferir, suas feridas haviam sumido.

— Que estranho. – comentou Kali.

Ela foi até seu Dedenne, o pegou no colo e sem que percebesse se levantou.

— Não pode ser.

Kali estava em pé, sentia suas pernas novamente.

— Eu… eu… eu estou andando! – gritou de felicidade, foi tão alto que acordou seu pokémon. – Dedenne, eu estou andando!

Ela abraçou seu roedor fortemente. Ele não entendia o que acontecia, mas não se importava, pois estava feliz por sua treinadora.

— Dedenne, agora a Kali está de volta a ação! Finalmente, vou poder voltar a atacar os peitos das minhas irmãs sem que elas percebem! Você sabe, né? Na cadeira de rodas, eu fico numa altura muito baixa para conseguir pegar nos peitos delas por trás. – Kali começou a rir maleficamente. – Katy e Blossom que se preparem! Vou descarregar minha raiva de ser tábua nos peitos delas! Muahahah! Muahahhaha!

Mais uma vez, Dedenne olhava para sua treinadora com cara de reprovação.

— Não me olhe com essa cara. – pediu Kali.

Dedenne atendeu o pedido, mas internamente continuava reprovando aquelas ações.

— Agora, nós temos que devolver essa bolsa e contar a notícia pra vovó. – anunciou Kali.

Ela começou a andar e depois de alguns passos caiu no chão.

— Ai, minha bunda! – reclamou Kali. – Talvez, eu precise me reacostumar, mas não tem problema.

Kali se levantou novamente, e sorriu:

— Afinal, Dedenne, esta é nossa determinação.

A máquina fazia beeps, indicando os batimentos do coração de Valerie. O garoto loiro se aproximou do corpo dela, que continuava em sono profundo.

— Você tem uma irmã interessante. – comentou ele. – Na verdade, mais de uma.

Ele fitou os rosto de Valerie.

— Eu sempre achei seus olhos bonitos. É uma pena que estejam fechados agora. – continuou ele. – Indo direto ao assunto, as engrenagens do destino voltaram a se mover, dessa vez, para o embate final. Infelizmente, o futuro é nebuloso e eu não sei o que vai acontecer. Por isso, eu preciso que você acorde. Por favor, Valerie…

Acorde.

Notas finais
O que acharam do capítulo? Espero que tenham gostado! Muitas coisas foram reveladas e mais mistérios apareceram para batucar em suas cabeças rsrsrs. O que aconteceu com os pais da Kali? Quem é Pietra? O que vai acontecer com Valerie? E quem é o menino loiro misterioso? Eu sei as respostas para essas perguntas, mas por enquanto, não vou revela-las rsrsrs. É isso. Espero que tenham gostado do capítulo! Comentem o que acharam! Tudo de melhor e até mais!