Pokémon RainStorm

33 Side Story: Awaki Desastre


Notas iniciais
Demorou? Demorou, mas saiu. É como dizem, antes tarde do que nunca. Olá amadas e amados leitores! Sei que já tem bastante tempo que não sai capítulo, mas como já havia avisado que por alguns motivos pessoas ficaríamos sem capítulo, não vou perder muito tempo explicando isto de novo. De qualquer forma, o capítulo saiu e dessa vez, como prometido é a Side Story da Awaki. Muitos podem nem se lembrar dela, pois foi um personagem bem secundaria até então, mas estou aqui para relembra-los quem esta garota ruiva é. A primeira aparição da Awaki foi no capítulo 2, onde ela ajuda Kuro a fugir da Gangue Vermelha. Ela também faz uma aparição nos capítulos especiais do Red. Só para deixá-los mais situados, esta Side Story da Awaki se passa antes do capítulo 2 da fic. Bem é isto espero que gostem! Gostaria de lembrar que esses capítulos não são obrigatórios para entender a fic, mas são extremamente recomendados, pois além de mostrar histórias importantes sobre personagens secundários importantes da fic, eles também apresentarão fatos que serão mencionados no futuro da fic, assim como personagens novos, além de revelar segredos e mistérios da fic. Ou seja, não é obrigatório ler, mas é extremamente recomendado! Tenham uma boa leitura!

Cidade de Lumiose, 2003.

A minha primeira memória é muito vaga, me lembro apenas de estar andando pelas ruas de Lumiose por trás de comida. A maioria das pessoas eram frias e me rejeitavam, algumas outras alegavam ter medo de uma pequena criança com fome. Aqueles dias eram terríveis e amargos, pelo menos, é disto que eu consigo me lembrar.

Algum tempo se passou, e um jovem casal, ao me ver andando por aqueles becos sujos, me acolheram. Minha primeira memória feliz nasceu com eles, me lembro de me tratarem bem, me darem comida e presentes. Eles eram o mais próximos do que podia chamar de pais, afinal foram eles que me derem o meu nome, Awaki Musujime.

Infelizmente, essas lembranças felizes duraram pouco. Não me lembro como, nem direito o que ocorreu, mas me lembro de acordar no hospital sozinha com a notícia que o casal que havia me adotado, havia falecido em um acidente de carro, o mesmo que me deixara com uma cicatriz entre meus peitos.

Quando me recuperei dos meus ferimentos, fui levada a um orfanato, passei alguns dias lá, mas não consegui fazer amizade alguma. Não demorou muito até que outro casal me adotou, acredito que tiveram pena de mim, e me escolheram por isto. Havia passado pouco tempo com os Musujimes, com este casal ainda menos. Algumas semanas após ter sido adotada, um ladrão com uma arma nos assaltou em um beco atrás do teatro, ele atirou no casal, roubou as suas coisas e me largou lá sozinha.

De volta ao orfanato, ninguém mais falava comigo, muitos tinham medo e começaram a dizer que eu era amaldiçoada ou algo do tipo. Creio que este tenha sido a razão para ninguém querer me adotar novamente. Foi então que um casal que alegavam não acreditar em maldições, resolveram me adotar. Eles nunca me passaram uma sensação confortável que nem os dois casais anteriores com quem eu vivera. Creio que não me adotaram por quererem uma filha ou por pena, mas sim para provarem que maldições não existem, é uma pena que existindo ou não, o destino deles não foi algo bonito.

Um incêndio, no meio da noite. Não se sabe como ou o que provocou aquelas labaredas, mas o fato é que todos naquele prédio, inclusive o casal que me adotara morrerem naquele dia. Todos, exceto a mim. Como o incêndio teve grandes proporções e matou um grande número de pessoas, a notícia se espalhou pela cidade e aqueles que não conheciam o meu nome, passaram a ouvi-lo. Junto com os dois desastres do meu passado, o incêndio serviu como algo para favorecer ainda mais a lenda de eu ser amaldiçoada.

E foi a partir deste momento, que muitos passaram a acreditar que tudo e a todos que tivessem contato comigo seriam destruídos. Foi assim que ganhei o infame apelido que carrego comigo até hoje, a Garota do Desastre.

Cidade de Lumiose, 2004.

Algum tempo se passou, e eu continuava no orfanato. Mesmo estando rodeadas por outras crianças, eu me sentia cada vez mais sozinha. Pensei em fugir daquele lugar, mas seria uma péssima ideia, apesar da solidão, eu não sentia fome no orfanato. Se voltasse paras ruas, poderia nunca mais comer algo quente de novo. Foi então que outro desastre ocorreu, fui adotada novamente.

Acreditava que isto nunca aconteceria de novo, mas era a realidade, alguém me adotara novamente. Só que diferente das outras vezes, o orfanato não devia ter checado os precedentes do meu novo “pai”, creio que eles estavam ansiosos demais para se livrarem de mim e por isso deixaram qualquer um me levar. Dessa vez que me adotara fora um homem chamado Judge. Na época, ele possuía cabelos castanhos assim como seus olhos, era alto e passava uma aura de onipotência, parecia que nada o poderia abalar. Me lembro que quando conheci ele, o perguntei o motivo dele me adotar, afinal para todos naquela cidade eu era amaldiçoada, a sua resposta me pegou desprevenida, “Porque você é uma sobrevivente”. Na época não entendi que ele queria dizer, mas após todos anos que passaram, percebi que Judge me criara para sucedê-lo.

Judge era um dos líderes de uma grande gangue de Lumiose que estava ficando cada vez mais famosa, todos seus integrantes usavam lenços ou acessórios vermelhos para se identificar, foi dessa forma que ela ficou conhecida como Gangue Vermelha, a primeira das grandes gangues coloridas de Lumiose.

A convivência com Judge não era das melhores, apesar de tentar me agradar, ele me obrigava a treinar diversos tipos de luta todos os dias, sempre acabava me machucando, mas ele dizia que era para me fortalecer e assim aprender a me proteger. Lutas não era a única coisa que Judge me ensinava, ele me dava aulas também, tanto que foi ele que me ensinou a ler.

Cidade de Lumiose, 2005.

Meses se passaram, já estava vivendo com Judge a mais de um ano, e apesar das dificuldades, aquele ano não tinha sido ruim. Mesmo sendo duro, Judge me tratava como uma filha, as vezes, ele até era carinhoso. O maior problema era quando ele tinha que lidar com assuntos da Gangue Vermelha, me lembro muito bem que seu jeito e rosto mudavam completamente, era como se fosse outra pessoa. Mesmo eu não sabendo o que, sabia que ele fazia diversas coisas horríveis quando não estava em casa. Nessa época, eu não tinha contato com a Gangue Vermelha, Judge preferia que eu ficasse de fora desses assuntos, e para falar a verdade eu preferia dessa forma.

Algum tempo depois de ter feito um ano desde que Judge me adotara, ele resolveu me dar um presente, um Absol bebê. De todos os presentes que eu recebi na vida, aquele foi o que mais gostei e fiquei feliz por receber.

Aquele Pokémon combinava perfeitamente comigo, afinal ambos eramos conhecidos pelos desastres que levávamos aonde íamos, mas isto já não me incomodava mais. Cuidei do Absol com muito carinho, assim como ele cuidou de mim, posso dizer que em toda a minha vida ele foi o meu único e melhor parceiro.

Cidade de Lumiose, 2006.

Não sei muito bem o que havia ocorrido, mas me lembro que depois dessa data, Judge havia mudado. Ele parou de me cuidar como uma filha e começou a olhar para mim como uma arma que deveria o suceder a qualquer custo. Só anos depois, que eu fui descobrir o motivo da repentina mudança na personalidade do Judge. A Gangue Vermelha havia sido criada por dois homens, Judge e um outro chamado de Heathcliff, os dois aparentavam ser grandes amigos, mesmo com as discordâncias que eles tinham, foi então que Heathcliff traiu Judge e a Gangue Vermelha, algo que fez o meu “pai” mudar completamente.

Diferente do que antes, Judge começou a me levar para bases da Gangue Vermelha em toda Lumiose, me mostrando como ele era o líder e como deveria tratar seus subordinados, os dominando através do respeito e medo. Eu não gostava de ir paras essas bases, pois além de ver facetas do Judge que me assustavam, a maioria das pessoas que frequentavam eram criminosos de má índole. Claro que nem todas as pessoas na gangue eram da mesma forma, havia aqueles como a mim, que não tiveram muitas outras escolhas a não ser fazer parte do grupo. Isto incluía diversas crianças, que nasceram nas ruas sem conhecer os pais, ou foram abandonadas. Judge gostava de ter crianças na gangue, pois por serem pequenas elas conseguiam entrar em lugares que adultos normalmente não conseguiam, além de que elas poderiam ser “treinadas” para se tornarem membros exemplares no futuro. Posso dizer que esta era a única parte boa em visitar as bases a gangue, pois dessa forma conheci outras crianças com quem me identificava e pude forma amizades, mesmo que muitas delas durassem pouco.

Cidade de Lumiose, 2009.

Alguns anos se passaram, Judge estava cada vez mais rigoroso em relação ao meu treinamento e na forma que ele comandava a gangue vermelha. Ao completar meus 10 anos, ele passou a me levar junto em “missões”. No início, eu tinha medo, mas com o passar do tempo, me acostumei com os membros arrancados e os corpos ensanguentados.

Apesar de todas as dificuldades que eu enfrentava nesses anos, eles não foram de todo mal, fiz algumas amizades, mas uma grande em especial. Era com uma garota chamada Anne, que apesar de estar sempre suja e com roupas velhas e rasgadas, eu achava ela linda, possuía longos cabelos loiros e olhos verdes reluzentes. Além disso ela sempre estava com um sorriso no rosto e cheia de energia, os momentos que passava com ela, era como um grande refugio de tudo aquilo que acontecia ao meu redor. Como Anne sempre era positiva, acho que isto me afetava e sentia esperança, começa a enxergar uma luz naqueles lugares escuros de Lumiose.

Cidade de Lumiose, 2011.

Já havia um tempo que eu participava das missões com Judge e por causa disso, comecei a ficar famosa na Gangue Vermelha, principalmente entre as crianças, que me viam como uma representação delas em um cargo maior. Só que a verdade, é que eu não gostava nem um pouco de ir nas missões. Muitas vezes eu era obrigada a machucar pessoas e ver coisas horríveis. Quanto mais tempo passava, mais Judge ficava cruel, foi então que chegou um dia, onde ele me ordenou que eu matasse um homem, me recusei. Isto deixou Judge com extrema raiva, ele chegou a me espancar naquele dia. Depois disso, tive certeza de algo bem obvio que já devia ter percebido antes, que eu não pertencia aquele lugar. Pensei em fugir, mas então me lembrei de todas as crianças que mantinham suas esperanças olhando para mim. Além disso, eu não poderia deixar a Anne, ele era muito importante para mim, sempre que eu voltava das missões e me machucava, seja fisicamente ou mentalmente, era ela que alegrava o meu dia e me dava uma razão para continuar seguindo em frente.

— Awaki, você não precisa carregar todo esse peso sozinha. — contou Anne, enquanto limpava as feridas de Awaki, após ela ter sido espancado por Judge.

— O que está dizendo, Anne? Eu não estou carregando nada sozinha, afinal tenho você ao meu lado.

— Você é bem forte mesmo. — sorriu Anne um pouco corada.

— Se eu fosse tão forte, meu corpo não se machucaria tão fácil. — contestou Awaki

— Eu não estava falando desse tipo de força. — Anne se aproximou de Awaki e apontou para seu peito esquerdo. — Estava falando da força que você tem aqui, no seu coração.

— Parrrre com essas babo..baboseiras! — gaguejou Awaki corada.

— Sua boca diz uma coisa, mas seu corpo diz outra. — riu Anne. — Eu estou falando sério, Awaki. Você é muito forte e cria esperança para todas as crianças da gangue vermelha.

— Não acho que você está certa, afinal se não fosse por você, eu mesmo não teria esperança. — comentou Awaki bem baixinho.

— Obrigada, mas eu sei que você teria afinal você é a Garota da Esperança. — brincou Anne.

— Eu achava que era do Desastre.

— Nada disso. — Anne segurou a mão de Awaki. — Você continua seguindo em frente, mesmo com tudo que passou. Coisas muitos ruins aconteceram com você, mas você continua aqui, por isso que para mim você é um símbolo de esperança e não um de desastre. Mas acima de tudo você é a minha melhor amiga.

Repentinamente, Awaki abraçou Anne.

— Você que é minha esperança, você que é a melhor amiga. — disse Awaki enquanto chorava de alegria pelas palavras de sua amiga. — Anne, por favor nunca me abandone.

Anne colocou sua mão sobre a cabeça de Awaki e começou a alisar.

— Não se preocupe, eu ficarei ao seu lado para todo sempre, é uma promessa.

Cidade de Lumiose, Novembro de 2015.

Muito tempo se passou, depois daquela promessa, e ao decorrer desses anos, acabamos que nos distanciamos um pouco, afinal quanto mais velha ficávamos, mais responsabilidades tínhamos com a Gangue Vermelha, mas, mesmo assim, sempre que pudéssemos nos encontrávamos e passávamos um tempo juntas.

Eu já possuía 16 anos e Judge cada vez mais tinha esperanças que eu assumisse a sua posição como Líder da Gangue Vermelha, após que ele se aposenta-se, mas quanto mais tempo passava, mais vontade eu tinha de ir embora e nunca mais voltar. Judge não estava mais sendo cruel com apenas os inimigos, ele havia começado a matar pessoas da própria gangue, e isto só havia piorado, depois de Heathcliff, o outro fundador da Gangue Vermelha, reaparecer com uma nova gangue, os Falsos Vermelhos. No fim, Heathcliff foi dado como desaparecido e os Falsos Vermelhos foram desfeitos. Mas isso não deixou Judge mais calmo, muito pelo contrário, ele ficou louco com a volta de seu antigo amigo que o traíra e o pior, Judge nem havia tido a chance de se vingar, antes que ele desaparecesse novamente.

Cidade de Lumiose, 01 de dezembro de 2015.

Awaki estava em seu quarto com Anne, já havia um tempo em que conversaram, por isso, ela estava bem feliz de poder falar com sua amiga outra vez.

— Awaki você ficou bem bonita. — comentou Anne.

— O que es...está di...dizendo, assim do nada? — gaguejou Awaki corada.

— Sinto muito. — riu Anne. — É que quando você era menor, era mais masculino, algumas pessoas até a confundiam com um menino. Mas atualmente, está tão bela que é até difícil imaginar que você e aquela menina era a mesma pessoa.

— Eu não sei se fico feliz ou triste com isso.

— Era para ficar feliz. — De repente a sorridente feição de Anne mudou e ficou mais séria. — Mas por você ter ficado tão bonita, ouço comentário muito maldosos de integrantes da gangue sobre você e o que eles gostariam de fazer com seu corpo.

— Eu não ligo pra isso, deixe que eles se fantasiem, pois nada disso vai acontecer. — contou Awaki.

— Como sempre você é muito forte.

— Nem tanto, cada dia que passa a convivência com Judge piora, ele está cada vez ficando mais louco, não sei se vou aguentar ficar aqui por tanto tempo.

— Claro que vai, afinal você é a Garota da Esperança. — lembrou Anne.

— Faz tempo que não ouço esse apelido, mas continuo gostando dele. — sorriu Awaki.

Foi então que o clima da conversa ficou mais pesado.

— Anne, os comentários maldosos que você disse, não são apenas sobre mim, não é? Há integrantes que falam de você, estou certa? — indagou Awaki.

— Não precisa se preocupar com isso! — exclamou Anne rapidamente.

Awaki se aproximou de Anne e disse:

— Saiba que se qualquer coisa acontecer ou te incomodar é só falar comigo, se lembre que sempre vou estar ao seu lado e te proteger.

— Obrigada, Awaki. — sorriu Anne um pouco corada. — Você sabe que eu te amo!

Awaki ficou completamente vermelha com comentaria da amiga, mas depois de respirar disse ainda corada:

— Eu também te amo, Anne.

A garota loira olhou para o relógio com o vidro quebrado em seu pulso e disse:

— Já está tarde, eu tenho que ir, nos vemos depois?

— É claro, até a próxima, Anne.

Se naquele momento, eu soubesse que aquele seria o último sorriso que veria no rosto da Anne, não a teria deixado ir embora.

Cidade de Lumiose, 25 de dezembro de 2015.

Bastante tempo havia se passado desde a última vez que eu havia visto Anne, como eu estava ocupada eu demorei demais para perceber esta mudança. Só percebi isto, quando chegou o Natal, que como todos anos passaríamos o dia juntas, mas ela nunca apareceu naquele dia. Foi então que percebi que algo estava muito errado.

Cidade de Lumiose, 27 de dezembro de 2015.

Resolvi ir falar com Judge, pois apesar de tudo, ele ainda era o líder da Gangue Vermelha e por causa disso, ele deveria saber o que havia acontecido com Anne.

— Awaki, você queria falar comigo? — indagou ele.

— Sim, eu queria saber se você sabe onde está a Anne, fui procurar ela na base onde ela trabalhava, mas não consegui encontrá-la. — respondeu Awaki.

— Anne? Quem é essa?

— Ela possui longos cabelos loiros, além de bonitos olhos verdes.

— Me lembrei, é a sua amiga?

Awaki assentiu.

— Eu vendi ela. — contou Judge como se fosse a coisa mais comum do mundo.

— O que você disse? — questionou Awaki sem acreditar no que ouvira.

— Não se preocupe, a vendi por apenas trés semanas, no dia 30, ela será devolvida.

— Como você ousa? — berrou Awaki enquanto agarrava o colarinho de Judge.

— Anne é uma jovem muito bonita, é obvio que teriam muitos homens atrás dela, principalmente ela sendo intocada. Me fizeram uma ótima oferta para poderem usar ela por trés semanas, por isso não tive como negar. — respondeu Judge.

— Você não tinha esse direito!

— Muito pelo ao contrário, Anne faz parte da Gangue Vermelha, e como uma integrante, ela deve fazer seu trabalho para assim a nossa gangue ficar mais forte e finalmente alcançar o seu sonho.

— Pare de usar desculpas, ela nunca aceitaria isso!

— E não aceitou, mas era isso ou ela seria expulsa da gangue, e você sabe que ninguém sai com vida.

— Seu desgraçado! — Awaki socou o rosto de Judge. — E a mim, quanto tempo falta até uma “ótima oferta” surgi e você me vender também?

Judge cuspiu sangue e então disse:

— Não se preocupe, eu nunca faria isto com você, afinal, você é minha querida filha.

— Seu mentiroso! — Awaki deu outro soco em Judge e o jogou para longe. — Se algo acontecer com a Anne, eu nunca vou te perdoar!

De repente Judge começou a sorrir.

— Era isso que eu queria ver, esta é a fúria que precisa para se tornar uma grande líder.

Awaki queria bater mais em Judge e xingá-lo muito mais, mas sabia que isto não levaria a nada e apenas deixaria aquele louco mais feliz.

Passei o resto dos dias tentando descobrir para aonde Anne, havia sido mandada, mas infelizmente não consegui encontrar e fui obrigada a esperar o dia que ela retornaria.

Cidade de Lumiose, 30 de dezembro de 2015.

Quando ela finalmente voltou, não era mais mesma, aquela garota que sempre me emanava esperança e sorria, estava com uma expressão de desespero e derrota, era como se sua vida não tivesse mais sentido. Eu tentei conversar com ela no dia, mas ela não disse uma única palavra e foi para seu quarto. Queria muito segui-la, mas sabia que nada o que eu falasse poderia consertar o que já havia sido quebrado.

Cidade de Lumiose, 31 de dezembro de 2015.

Eu continuava triste por tudo que havia acontecido com Anne, sabia que não podia fazer nada, mas queria passar o ano novo a seu lado e nunca mais a deixá-la sozinha.

Quando eu iria até a base onde ela ficava para encontrá-la em seu quarto, ouvi Judge conversando com um homem, em seu quarto, sobre vender a Anne novamente. Naquele momento, eu queria ter invadido aquele cômodo e ter acabado com aqueles dois, mas sabia que não poderia fazer isto. Foi então que finalmente decidi tomar uma decisão que deveria ter feito a muito tempo, escapar da Gangue Vermelha com Anne.

Como era noite de ano novo, Judge faria uma “festa” na base principal da gangue, este seria o momento perfeito para escapar, por isso não podia perder tempo. Peguei uma mochila e peguei tudo que precisaria, inclusive armas de fogo e facas, se alguém tentasse nos deter, apenas o Absol não seria necessário para nos proteger.

Finalmente a noite chegou, como o tempo era curto, não conseguir falar com Anne primeiro sobre a fuga, mas sabia que ela estaria no quarto dela.

Ela estava encarando a porta do quarto de sua amiga, não sabia bem o que dizer, mas sabia que elas tinham que sair dali o quanto antes. Por isso, Awaki teve que tomar coragem e bateu à porta.

— Anne, sou eu, Awaki. Sei que você talvez não queira falar comigo, afinal eu não estava lá no momento em que você mais precisava. — Awaki falava, mas não ouvia resposta. — Eu não posso imaginar o que você está sentindo, mas saiba que a partir deste momento, nunca mais sairei do seu lado.

— Você diz isto, mas ainda está presa a Gangue Vermelha, assim como a mim. — disse Anne através da porta.

Era a primeira vez que Awaki ouvira Anne falar desde que havia voltado, sua voz estava rouca e fraca, sem aquela energia que sempre sentira na voz de sua amiga.

— Não mais. Hoje, deixaremos a Gangue Vermelha. — contou Awaki.

Aquilo pegou Anne de surpresa, ela não sabia o que fazer.

— Você me ouviu, fugiremos deste lugar imundo e a partir de hoje viveremos sempre juntas. — disse Awaki.

Foi então que ela ouviu a porta ser destrancada. Awaki entrou, e a primeira coisa que aconteceu foi um abraço.

— Nunca mais saia do meu lado. — chorava Anne enquanto abraçava Awaki.

— Eu não sairei. Afinal, você é minha melhor amiga. — sorriu Awaki.

Anne limpou as suas lágrimas e sorriu:

— E você é a minha. Awaki, a garota da esperança.

Depois dos abraços, havia chegado a hora da fuga.

— Não temos muito tempo, a festa já começou e deve durar até a virada do ano, vamos aproveitar o momento para fugir. — avisou Awaki e Anne assentiu.

Awaki entregou uma pistola e uma faca para Anne, caso fosse necessário que ela usa-se. Anne não queria aceitar, pois ela não era treinada para isto, mas de tanta insistência na Awaki, ela resolveu levar as armas consigo.

Sair da base onde estavam foi fácil, só precisaram dizer que estavam indo em direção a base principal para a festa, que foram liberadas. Estavam indo em direção a Torre Prisma, onde diversas pessoas e turistas ficavam lá para ver o show de luzes, sabiam que se chegassem na praça central estariam salvas, pois Judge não poderia fazer nada naquele lugar.

Estavam chegando perto, o caminho estava sendo bem tranquilo, só mais alguns metros que elas sairiam dos lugares escuras e finalmente chegariam a Torre Prisma, dessa forma se libertariando da Gangue Vermelha. Mas foi então que toda a esperança que tinham foi destruída pela aparição de Judge.

— Para onde vocês duas estão indo? A festa fica na outra direção. — disse ele.

— Nos não somos muito chegadas a seu tipo de festa, por isso queremos aproveitar de outra forma assistindo o show de luzes. — comentou Awaki.

— Minha querida Awaki, você devia saber que não deve mentir para seu pai. Eu sei que você quer ir embora com a sua amiga. — revelou Judge.

— Como você..?

— Eu sou o líder da Gangue Vermelha, tenho ouvidos por toda parte, sei de tudo que acontece dentro das minhas bases, se escapar fosse assim tão fácil, muitas pessoas já teriam feito o mesmo.

— Não me importa se você sabe, escaparemos mesmo assim! — exclamou Awaki.

— Isto eu não deixarei. — alertou Judge.

— Conhecendo você, já devemos estar rodeados pelos seus capangas, não é mesmo? — indagou Awaki.

— Na verdade não, eu vim sozinho, afinal não é preciso mais do que isto para parar duas crianças.

Judge correu em direção as duas, mas Awaki foi rápida e sacou sua pistola atirando em sua perna.

— Vamos correr para o outro lado! — gritou Awaki.

— Não achem que será tão fácil. — Judge ainda estava caído, mas conseguiu liberar sua Pokébola e dela saiu um Absol, que impediu as duas garotas atravessarem.

Ao ver o pokémon de Judge, Awaki também liberou o seu:

— Absol use Night Slash!

— Use o mesmo — ordenou Judge.

As lâminas da cabeça dos dois Absol começaram a brilhar em um tom roxo escuro. Os dois pularam para se atacar, mas o de Awaki foi mais rápido e conseguiu desviar da lamina do de Judge e o acertar na barriga.

— Seu Absol é velho e lento, não é páreo para o meu. — comentou Awaki.

Judge já de pé e ria:

— Minha querida Awaki, ainda há muito que você tem que aprender.

Judge enfiou a mão no bolso de seu casaco e de lá tirou duas pedras redondas, uma tinha uma azul e a outra era colorida como o arco-íris. Judge jogou a pedra azul para o Absol dele e assim que ele a pegou, Judge apertou a joia colorida enquanto disse:

— Absol, mega evolua!

O corpo do Absol dele estava mudando, ele estava ganhando mais pelos, assim como suas lâminas ficavam mais afiadas, mas o que mais havia chamado a atenção das garotas era o fato dele ganhar duas asas.

— Absol use Razor Wind! — ordenou Judge.

O pokémon de Judge bateu as suas asas fortemente assim como as suas garras, lançado lâminas de ar que voaram na direção do Absol da Awaki que recebeu diversos cortes o fazendo sangrar e desmaiar.

Awaki estava muito preocupada com seu pokémon, mas sabia que para curá-lo precisavam sair dali primeiro, por isso resolveu retorná-lo para pokébola.

— Vocês precisavam ver as suas caras de total desespero, mas não se preocupem. Só usei o Absol para me mostrar, não vou mais apelar. — contou Judge enquanto retornava seu pokémon. — Como disse, apenas a mim, é suficiente para parar você duas.

— Pode ficar achando! — Awaki atirou novamente em Judge que dessa vez desviou e correu em sua direção.

Rapidamente Awaki sacou a sua faca e tentou acertar em Judge que segurou seu braço e a virou a fazendo que o seu próprio ficasse apontado a faca para o pescoço da Awaki.

— Você ainda é muito fraca para me enfrentar. Se eu levantar um pouco mais o seu braço você morre, mas não se preocupe não farei isto afinal, você é minha preciosa filha. — disse Judge. — Mas ultimamente você está muito mal educada, deve ter uma punição, acho que te vender como fiz com a sua amiga, vai te deixar mais obediente.

As ameças de Judge deixavam Awaki angustiada, tanto por ela mesma quanto por sua amiga, foi então que ela ouviu um barulho de tiro. Quando pode perceber era Anne que havia atirado nas costas de Judge, que me soltou e se virou para ela, indo em sua direção como se fosse um zumbi. Neste momento, Anne estava muito nervosa e não sabia o que fazer, por isso começou a apertar o gatilho sem parar. Dessa forma atirando diversas vezes no corpo de Judge criando diversos buracos em seu torso, tantos até que ele caiu no chão.

— Eu matei ele? — repetia Anne tremendo sem acreditar no que havia feito.

Awaki não sabia o que pensar naquele momento, mas sabia que não queria perder mais nenhum tempo naquela rua sem luz.

— Anne, isto não importa você me salvou, agora precisamos sair daqui. — lembrou Awaki que segurou na mão se sua amiga e começou a correr em direção a Torre Prisma, que começava a fazer a contagem regressiva para o ano novo.

10…

9…

8…

7…

6…

5…

4…

3…

2…

1…

Foi então que o som de um tiro foi coberto pelo som dos fogos de artifício.

Cidade de Lumiose, 01 de janeiro de 2016.

Awaki estava sentindo uma dor enorme em seu tornozelo, quando olhou para baixo e viu sua perna coberta de sangue, percebeu que havia tomado um tiro.

— Awaki, você está bem? O que aconteceu? — perguntava Anne extrema.

Quando elas se viraram para trás para ver o que havia ocorrido, viram Judge em pé mais uma vez. Ele foi se aproximando das duas, elas então perceberam que todos os buracos que Anne havia feito em seu torso, estavam completamente curados, deixando, apenas as roupas furadas.

— Isso é impossível! Você é um monstro! — berrou Awaki.

— Eu nunca neguei isto. — Judge levantou uma pistola em direção a Awaki e atirou.

A bala estava indo em direção a peito esquerdo de Awaki, mas Anne se jogou na frente e recebeu o tiro em seu lugar.

— Anne! — berrou a garota.

A garota loira caiu na direção de Awaki que a segurou.

— Anne, eu estou aqui! Não me deixe, fique ao meu lado. — implorava Awaki.

Anne não tinha mais forças para se mexer, mas usou as que sobravam para falar no ouvido de Awaki:

— Sobreviva, minha esperança.

Após essas palavras os olhos de Anne se fecharam e seu corpo ficou solto, como se já fosse uma casca vazia e sem vida.

Diversas lágrimas escoriam pelos olhos de Awaki, suas emoções estavam misturadas, ela estava muito triste pela morte de sua amiga, assim como com muita raiva daquele que um dia ela chamara de pai.

— Judge, seu desgraçado! — Awaki levantou sua pistola em direção a ele e começou a atirar repetidamente. — Morra! Morra! Morra! Morra! MORRA!

Awaki baleou o líder da gangue vermelha por todo o corpo, inclusive na cabeça, algo que fez o corpo dele cair. Mas após alguns segundos fumaça começava a sair dele, assim curando seus ferimentos.

Tristeza, medo e raiva. Esses eram os sentimentos que cobriam o coração da Awaki naquele momento. Ela então em meio ao desespero começou a disparar em Judge novamente, até que suas balas acabaram. Mas mais uma vez, os ferimentos deles, começavam a se curar.

Foi neste momento que as últimas palavras de sua amiga ecoaram em sua mente “Sobreviva”. Awaki, se virou e começou a correr em direção a torre prisma mais uma vez. Ela levar o corpo de sua amiga consigo, mas por causa do ferimento do tornozelo, mal conseguia andar, carregando um corpo, seria impossível, por isso mesmo contra sua vontade, Awaki acabou deixando o corpo de Anne lá e continuou a correr em direção a sua liberdade.

E finalmente depois de muito desespero, ela chegou na praça principal, onde milhares de pessoas estavam comemorando o ano novo, mas ela não, para ela não tinha o que comemorar naquela terrível noite.

Por fim, consegui escapar da Gangue Vermelha. Por algum tempo, pensei em ir embora de Lumiose e seguir em frente, mas a minha vontade de viver não era tão grande quanto a raiva que eu sentia por Judge. Foi então que eu decidi, que não sairia de Lumiose até que eu me vingasse, eu não sairia de Lumiose até que…

…Eu matasse Judge.

Notas finais
Obrigado por lerem até aqui! Espero que tenham gostado! Este capítulo foi bem diferente dos que eu escrevi até então, pois grande parte dele é narrado em primeira pessoa pela perspetiva da Awaki, afinal o capítulo é sobre a vida dela, que como todos puderam ler, não foi muito feliz. De qualquer forma espero que tenham gostado e que estejam ansiosos para as próximas aparições da Awaki na história principal, algo que não vai demorar. E para aqueles que estão preocupados que o capítulo 23 demore para sair tanto quanto este, podem ficar calmos, pois sábado que vem, 09/09, ele será lançado, é exatamente o que lerão, logo, logo ele chega. É isto! Comentem suas impressões abaixo! Tudo de melhor e até mais!