Pokémon RainStorm

39 Capítulo 26: Pelo que eu devo lutar


Notas iniciais
Olá amadas e amados leitores! E finalmente, depois de muito tempo, saiu novo capítulo de RainStorm! Podem soltar os fogos! Rsrsrsrs. Falando mais seriamente, queria me desculpar, pois tinha prometido que ele sairia um mês atrás. A data que eu tinha prometido tinha sido justamente aquela, pois eu sabia que depois dela eu teria semanas bem cheias e complicadas, como não consegui lançar a tempo, tive que dar uma pausa no capítulo para arrumar algumas coisas da minha vida pessoal. Felizmente, a partir de agora, terei um bom tempo livre, então espero trazer o próximo capítulo logo. Agora, falando sobre este capítulo 26 em especifico. Posso afirmar que foi o capítulo que mais me deu trabalho para escrever. Seja pelo seu tamanho absurdo, pelo hiato que ocorreu na fic, ou por diversos outros fatores. O resultado, ao meu ver, foi ótimo, se tornou um dos meus capítulo favoritos, por isso espero que ele se torne um dos de vocês também, mas não quero criar expectativas rsrsrs. Como puderam ver ao acessar, este é o maior capítulo da fic e eu nunca imaginaria isto rsrs. Quando estava escrevendo imaginei que teria no máximo 8 mil palavras, mas acabou tendo 18 mil (Posso dizer que errei por “pouco” rsrsrs). Podem chamar o capítulo de RainStorm – O Filme se quiserem rsrsrs. Pensem nele como um episódio triplo especial rsrs. Por causa do absurdo tamanho, eu cheguei a pensar em dividir o capítulo em partes, mas, não sei explicar o porquê, eu sentia que ele devia ser publicado completo. Acho que porque, para mim, tematicamente fazia mais sentido. De qualquer forma, ninguém é obrigado ao ler o capítulo inteiro de uma vez, por isso resolvi colocar dois marcadores no capítulo para vocês pararem naquele ponto se quiserem e puderem voltar a ler sem ter que ficar procurando onde pararam. Para usá-lo basta copiar o que está dentro das aspas e usar o CTRL+F. Primeiro Marcador: “A LUTA DE CADA UM” Segundo Marcador: “TREVAS E LUZ” Quero dizer, apenas mais duas coisa. Primeiramente, peço a todos que não leram o resumo do arco atual que eu lancei anteriormente, para lerem, pois este é o clímax do arco Luzes Apagadas e lembrar dos acontecimentos recentes vai ajudar muito na imersão do capítulo. Para aqueles que já leram, se sentirem que é bom relembrar, o resumo estará no mesmo lugar para ser lido. Link do resumo: https://fanfiction.com.br/historia/682555/Pokemon_RainStorm/capitulo/38/ Por fim, quero alertar QUE ESTE CAPÍTULO CONTÊM CENAS EXTREMAMENTE VIOLENTAS QUE PODEM POSSUIR CLASSIFICAÇÃO MAIOR QUE A DA FIC. Chega de enrolar e vamos para o capítulo! Espero que gostem! Tenham uma boa leitura!

Em toda história temos o herói lutando para conseguir algo…

Sua pequena mão tentava alcançar o livro que estava na prateleira mais alta. Como ainda era miúda, seu braço não chegava lá. Aquele livro lhe interessava a algum tempo, por isso se esforçava o máximo, mas ainda não era suficiente. Desistir não era algo que normalmente fazia, por isso continuou, até que o livro apareceu em mão.

— É esse livro que você quer, Eve? – indagou o garoto ruivo após entregá-lo a ela.

— Sim! Obrigada, Adol! – sorriu a garotinha abraçada ao livro como se ele fosse escapar.

— Vai ler com o papai?

— Vou, mas não conte pra mamãe. Ela disse que o papai está doente e por isso não pode me ver, mas sei que ele gosta de ficar comigo. Então vou ficar com ele, lendo uma história até que melhore.

Adol se agachou e acariciou a cabeça da garota.

— Não tem companhia melhor que a sua, irmãzinha. Tenho certeza que o papai vai adorar.

Com um sorriso de uma ponta do rosto a outra, Evelyne assentiu.

…Uma meta, um objetivo, um sonho. Sempre há algo a ser alcançado…

— … E assim, mesmo abandonando tudo que tinha, a princesa da luz salvou o pequeno garoto e quando ele estava seguro, ela pode finalmente descansar. – leu o homem doente.

Ele estava sentado em sua cama, apoiando-se na parede ao lado de sua filha enquanto liam um livro.

— Gostou do livro, minha pequena Evelyne? – perguntou ele.

— Acho que sim, mas não entendi direito. – respondeu ela envergonhada.

— Como assim?

— A princesa da história tinha tudo que poderia querer e muito mais, mas, mesmo assim, ela decidiu abandonar tudo para salvar um garoto que ela nem conhecia. – explicou Eve. – Eu não entendi porquê ela fez isto.

— É difícil de explicar, mas fácil de sentir. – contou o pai. – Há coisas na vida que faríamos de tudo para conseguir ou não perder, mesmo que para isto termos que abandonar todo o resto. A princesa da história era uma menina boa e bondosa, por isso ela queria fazer o bem, mesmo que isto pudesse a prejudicar, mas ela nunca ficou triste com isto, pelo contrário, na verdade. Ele ficou feliz, pois sabia que lutava por algo que queria proteger.

A pequena garota fez uma cara de estranheza como se não estivesse entendo nada para o pai.

— Talvez você não entenda até encontrar este algo tão importante para você. Mas quando você encontrá-lo, não solte de jeito nenhum, mesmo que perca tudo que tiver, se não irá se arrepender. Afinal, quando você perceber que encontrou este algo, saberá pelo que vale a pena lutar.

… Eu nunca tive algo assim. Sempre vivi minha vida apenas querendo liberdade. Não que fosse algum ruim. Mas percebi que uma vida sem sonhos e objetivos, é vazia. Por isso, eu sonho em sonhar, em finalmente encontrar algo pelo que eu deva lutar.

Eu quero que você viva. Viva a mais bela e incrível das vidas. Realize os seus sonhos e seja feliz.

Cidade de Lumiose, 14 de novembro de 3016.

— Sylveon use Psyshock!

Flamethrower, Salamence!

Os dois ataque se colidiram como poderosos raios, explodindo de forma que criava correntezas de vento por todo aquele pequeno beco.

— Salamence use Steel Wings! – ordenou Juvia.

As asas do dragão endureceram e brilharam como se tivesse se transformado em metal. Então, em uma incrível velocidade, ele disparou cortando a ventania causada anteriormente.

Valerie conseguia prever o movimento e com suas mãos ordenaria seu Pokémon a desviar, mas antes que pudesse fazer algo, sentiu um movimento cortante em sua direção, o defendendo com os braços. Quando se deu conta, era Juvia que a acertava com o guarda-chuva como se fosse uma espada.

— Não ache que estes truques vão funcionar comigo. – contou Juvia.

Sem as ordens de sua treinadora, a Sylveon não conseguir desviar do ataque sendo acertada em no meio de seu corpo pela asa do Salamence, que ainda a acertando, voou alto girando como uma furadeira, levando a fada as alturas e lhe causando mais dano.

Sentindo sua Sylveon se machucando, Valerie chutou Juvia, que conseguiu desviar, mas foi obrigada a se separar.

— Sylveon use suas fitas na parede do prédio para parar a rotação e arremessá-lo para longe.

Os laços que ficavam no pescoço da pokémon fada, se desataram e suas fitas como bolas de demolição acertaram as paredes dos prédios ao redor e se prenderam, impedindo o Salamence continuar a subir com seu ataque. Por fim, ainda com suas fitas presas, a Sylveon utilizou a força da gravidade para arremessá-lo, como uma catapulta, de volta o chão.

— Use Moonblast! – continuou Valerie.

Ainda se prendendo nas alturas, Sylveon absorveu a energia da lua e disparou uma esfera rosa de energia em direção ao Salamence que estava caindo.

— Salamence use Flamethrower!

O pokémon dragão abriu suas asas para aumentar a área de contato com o ar e diminuir a velocidade que caíra. Quando conseguiu se estabilizar, disparou uma rajada de fogo pela sua boca.

A rajada acertou a esfera, que era mais forte, mas o Salamence não desistira e continuou a disparar seu ataque, até que explodiu a esfera, que mesmo ao não acertar ninguém liberou energia para todos lados, quebrando janelas, vidros e fazendo o pokémon dragão acerta o chão, mesmo que de leve.

Por fim, a Sylveon se desprendera dos prédios e usando suas fitas como teias, conseguiu descer até o chão tranquilamente. O Salamence se levantava e finalmente, os dois se encaravam novamente.

— Não esperava que você fosse me atacar diretamente. – contou Valerie.

— Sinto muito, mas se eu não fizer isto, não terei chances. – sorriu Juvia sarcasticamente.

— Então, eu vou dificultar para você. Sylveon use Misty Terrain.

Os olhos da Sylveon brilharam e suas fitas giraram, como se estivesse invocando toda a uma névoa rosa que aparecera e cobrira o beco por completo. Esta névoa, impedia que os pokémons no chão sofressem qualquer efeito de status negativos e dividia em 2 o poder dos ataques tipo dragão. Além disso, deixava o local, que por ser um pequeno beco, praticamente impossível de se enxergar.

Juvia não conseguia mais ver Valerie nem sua Sylveon. Mas mesmo que parece um momento desesperador, ela lambeu os próprios lábios como uma criança brincando.

— Fazia tempo que não me divertia assim.

O clima estava pesado no quarto em que Evelyne e Ichirin estavam. Elas gostavam de conversar uma com a outra, poderiam se tornar amigas facilmente, se a situação não fosse aquela.

A garota prateada estava colocando um curativo na ferida do rosto de Eve que Judge fizera. Apesar de estarem interagindo, o silêncio era rei do lugar.

Foi então que Sid entrou assustado no quarto.

— Droga, droga, droga! – berrava ele.

— O que aconteceu? – indagou Ichirin.

— A merda polícia acabou de fazer uma transmissão dizendo que a família real não vai pagar o resgate. – respondeu Sid.

A notícia pegou Ichirin de surpresa, mas sua primeira reação não foi pensar na falha do plano, e sim olhar preocupada para sua prisioneira.

— Eve… – Ichirin sabia que Evelyne devia estar se sentindo mal, mas não sabia o que dizer.

— Não se preocupe, eu já sabia que eles recusariam. – A princesa sorriu, mas de uma forma tão fraca que era um dos sorrisos mais tristes que Ichirin já vira.

O clima que já estava pesado, só piorava, mas Sid sabia que a situação era urgente.

— Temos que escondê-la. – contou ele.

— Por quê? – questionou Ichirin de forma ingênua.

— Esqueceu do que aconteceu lá fora? Só não mataram a princesa porque sabiam que ela traria uma recompensa. Agora sem isto, não há mais nada que impeça eles. – lembrou Sid.

— Aonde as esconderíamos?

— Eu sei de um lugar perto da saída da base, você o conhece, Ichirin. Eu usava muito ele para vagabundear sem que os outros soubessem. – contou Sid. – Também precisamos fazer algo em relação a roupa e o cabelo dela.

Sid se referiu a roupa de Pikachu da garota, assim como seus cabelos bicolores.

— Já sei. – Ichirin tirou seu casaco com capuz e entregou para Evelyne.

— Obrigada. – agradeceu ao vestir-se de forma que escondia seu cabelo e roupas.

Por algum motivo, Sid sorriu ao ver o rosto de Ichirin que normalmente se cobriu com o capuz, por causa de sua timidez. Ele se aproximou dela, pós suas mãos em seus ombros e disse:

— Ichirin, você levá-la para o esconderijo. Eu vou atrás do chefe para saber o que faremos, já que o plano deu errado.

— Acha mesmo que o plano deu errado? – Eve se intrometeu na conversa. – Eu não sei o que Judge quer, talvez ele seja só um sádico insano, mas tenho certeza que ela sabia que o resgate não seria pago.

— Você está errada! – contestou Sid que logo desacreditou nas próprias palavras. – Você tem que está.

O homem de moicano se distanciou das duas e abriu a porta olhando para os dois lados. Quando teve certeza que estava seguro, as ordenou sair. Logo eles se separaram, e as duas garotas e o pequeno Eevee continuaram em direção do esconderijo.

Já longe de Sid, Ichirin estava preocupada com a princesa e queria que ela se sentisse melhor.

— Eve, deve ter um motivo para sua família não ter pago o resgate. Afinal, se eu fizesse parte dela, com certeza pagaria.

Evelyne riu com o comentário da garota.

— Sabe, eu nunca esperei que eles fossem pagar, afinal eu sabia que conseguir este dinheiro em pouco tempo era impossível, mas uma parte de mim queria acreditar que eu fosse especial o suficiente para que isto se tornasse possível. – desabafou a princesa. – Parece que eu só sou uma pessoa normal.

— Você é especial! – afirmou Ichirin que segurava o Eevee Shiny nos braços. – Não é de qualquer pessoa que o Lumi gosta, mas ele te adorou. Então, com certeza você é especial.

A garota prateada sorriu de uma forma tão inocente que aquecia o coração de Evelyne.

— Ichirin, antes, quando você me viu, eu queria que você tivesse falado comigo. Tenho certeza que seriamos ótimas amigas. – sorriu Eve de uma forma que completava o sorriso da outra garota.

Atravessava a Avenida Estival correndo o mais rápido que conseguia. A Torre Prisma na praça Centrico era seu objetivo. Apesar de querer ser mais veloz, Shiro tinha que tomar cuidado com as vias destruídas pela explosão da Darkness Arena.

— Tenho que chegar logo na Torre Prisma. – pensou Shiro que se lembrava de uma conversa que tera com Clemont.

Algumas horas atrás

Os dois garotos estavam esperando o aviso para poder invadir a Darkness Arena, por curiosidade Shiro resolveu perguntar:

— Clemont, sabe como foi que a gangue vermelha cortou a maior parte da energia da cidade?

— Bem, eles poderiam ter invadido as usinas e terem impedido a geração de eletricidade, mas acho complicado, pois elas ficam fora da cidade. – informou Clemont. – Talvez, eles tenham destruído os receptores de energia da cidade.

— Como assim?

— A energia de Lumiose é gerada fora da cidade, e então é enviada para os receptores que compartilham a energia para o resto da cidade. No momento, existem 3 receptores ativos, um fica na North Boulevard, outra na South Boulevard, e outro, que você já visitou, fica na Praça Centrico, dentro da Torre Prisma.

— Como ainda há um pouco de energia na cidade, eles devem ter destruído apenas dois receptores. – concluiu Shiro.

— Não necessariamente. Os receptores de Lumiose, não enviam energia para uma determinada parte da cidade, mas sim para toda. O que acontece é que os 3 receptores dividem a quantidade de energia fornecida por toda a cidade para facilitar seus trabalhos, mas apenas um receptor poderia mandar energia para a toda cidade se fosse programado assim, só que ele desgastaria mais rápido e seria menos eficiente. – explicou Clemont. – Além disso, há lugares que possuem seus próprios geradores, e alguns outros podem ter alguma energia extra armazenada e por isso ainda as suas luzes não desligaram. Então, eles podem ter destruído todos os 3 receptores e a cidade ainda ter um pouco de energia.

Atualmente

— Se eu estiver certo, apenas os receptores das duas Boulevard foram destruídos. – pensava Shiro enquanto corria. – Para ter emitido aquele raio da luz da meia-noite, a Torre Prisma deve estar com energia, ou seja, o seu receptor ainda está ligado e se eu programá-lo para enviar energia para toda a cidade, poderia acabar com esta noite sem fim.

Com o fim do dia, Kuro e Awaki corriam mais desesperados sabendo que o tempo era curto.

— Por aqui! – ordenou Awaki, ao virar na rua a sua esquerda.

Kuro a seguiu sem questionar.

— Entramos na área tomada pela gangue vermelha, a partir de agora temos que tomar o dobro de cuidado. – alertou ela.

— Certo. – assentiu Kuro, que logo percebeu algo de estranho. – Que cheiro é esse?

Naquele momento, uma névoa amarela voou em direção a Kuro como se tivesse vida.

— Cuidado! – Awaki empurrou o garoto, o protegendo, mas sendo acertada no lugar dele.

— Awaki! – gritou Kuro ao evitar cair no chão com suas mãos.

— Eu estou be… – Antes que conseguisse terminar a frase, ela sentiu uma onda de choque pelo seu corpo que a impedia de mover ou falar.

Kuro correu para a garota preocupado.

— O que aconteceu? – indagou ele.

— Estou sentindo uma paralisia no meu cor… – A onda de choque a fez sofrer novamente. – Isso é efeito do Stun Spore.

Awaki mal conseguia ficar de pé.

— Muito bem, garota do desastre. Vejo que sua fama não é a toa. – falou uma terceira voz que se aproximava.

— Eu reconhece essa voz. – comentou Kuro.

— Que bom que o pivete desgraçado se lembra de mim. – disse a voz masculina ao sair das sombras. – Assim, o acerto de contas será mais interessante.

Era um homem alto de quase dois metros, seu corpo era puros músculos. Vestia calças jeans meio velhas, e uma jaqueta de couro preta, além de um lenço vermelho no braço. Ele estava acompanhado de uma criatura laranja que parecia um caranguejo, mas com um enorme cogumelo nas suas costas.

— Acho que me enganei, não me lembro de conhecer alguém tão feio. – contou Kuro.

— Seu desgraçado! – berrou o homem. – Sou eu, Komaba. Você e seu irmão me deram muitas dores de cabeça da última vez que estiveram em Lumiose.

— Ahh sim, agora me lembro. – admitiu Kuro.

Por algum motivo, Komaba sorriu.

— Do que você acha de fazermos uma aposta? Para lembrar nosso primeiro encontro.

— O que você quer dizer com isto? – questionou Kuro.

— Uma batalha, um contra um. Se você ganhar, os deixarei passar, mas se perder suas vidas serão minhas. – explicou Komaba.

— Acha que vou aceitar isto? – perguntou Kuro ao pegar uma pokébola. – Mas admito que se eu ganhar, não é uma má ideia.

O garoto de cabelos negros arremessou sua pokébola liberando seu Sneasel.

— Tome cuidado, aquele Parasect parece forte. – pediu Awaki ainda sobe o efeito da paralisia.

— Não se preocupe, vou derrotar ele rapidinho e logo iremos atrás da Eve.

Com os dois pokémons se encarando, Komaba estalou os dedos de sua mão e anunciou:

— Vamos começar! Parasect use Stun Spore.

O cogumelo das costas do inseto se inchou e liberou uma névoa amarela em direção ao Sneasel.

— Desfaça o ataque com Icy Wind. – ordenou Kuro.

O pokémon noturno assoprou uma ventania gelada que dissipou a névoa.

— Agora, use Metal Claw! – exclamou Kuro.

Com suas caras metalizadas, Sneasel correu em direção ao Parasect para acertá-lo.

— Parasect defenda com X-Scissor!

As garras do inseto brilharam, mas era tarde e o Sneasel conseguiu desferir seu movimento, mas não foi rápido suficiente para recuar, sendo acertado pelas garras do Parasect, como se fossem tesouras. Por sorte, o golpe foi de raspão e não o cortou profundamente.

— Sneasel use Quick Attack!

Ainda se recuperando do último movimento, Sneasel começou a correr em alta velocidade e se posicionou ao lado do Parasect, pulando e acertando seu cogumelo com um chute.

— Continue com Feint Attack!

O punho do Sneasel ficou envolto de uma energia negra, desferindo um soco no Parasect que o arremessou para cima.

Metal Claw!

Após um pulo, Sneasel já estava acima da altura que o Parasect tinha sido arremessado, e então com suas garras metalizadas ele acertou o pokémon inseto em cheio o jogando direto pro chão.

— O que está acontecendo? Não vai revidar? – caçou Kuro.

— Eu já revidei. – respondeu Komaba com um sorriso.

Quando Kuro finalmente se tocou o corpo de seu Sneasel estava sofrendo ondas de choques que o impedia de se mover.

— Mas como? – indagou Kuro.

— Deve ter sido o Effect Spore do Parasect, é uma habilidade que… – Awaki tentou explicar, mas o efeito de paralisia não a deixava.

— Não precisa se incomodar, garota do desastre. Eu mesmo conto, não fará diferença mesmo. – sorriu Komaba. – O Effect Spore pode ser ativado quando há contato físico entre o Parasect e o adversário, o cogumelo de suas costas liberam poros que ao serem respirados pelo seu Pokémon o deixa paralisado.

— Admito que é uma desvantagem, mas, ainda assim, tenho certeza que seu Parasect sofreu muito dano. – argumentou Kuro.

— Você está certo, é por isso que eu ordeno que o Parasect use Giga Drain!

Uma energia de luz verde, com formato de um tentáculo foi emitida pelas costas do Parasect.

— Sneasel desvie!

Apesar da súplica de seu treinador, o pokémon noturno não conseguiu se mover e foi pego pelos tentáculos do Parasect que envolveram seu corpo e o apertaram. Ao mesmo tempo que o ataque causada dano no Sneasel, ele recuperava os do inseto. Assim que se sentiu satisfeito, o Parasect arremessou o Sneasel para a parede de um prédio com seus tentáculos.

— Corte-o com Slash.— ordenou Komaba.

As garras do inseto brilharam novamente, logo ele correu de encontro com o Sneasel, mas assim que cortaria o indefeso Pokémon, algo o interferiu.

— Não vou deixá-lo machucar meu Sneasel, assim de graça, seu inseto dos infernos! – gritou Kuro ao defender as garras do Parasect com sua espada.

Apesar do esforço Kuro não conseguiu aguentar o movimento e foi arremessado, batendo suas costas na parede e caindo no chão de joelhos ao lado de seu pokémon.

— Você…está…bem, Sneasel? – ofegou Kuro ao limpar o sangue de sua boca.

O pokémon noturno assentiu, mas logo outra onda de choque passou pelo seu corpo.

— Jogar limpo não vai dar certo. – Kuro levava sua mão até a sua outra pokébola.

Assim que a alcançou, sentiu uma grande dor na sua mão e gritou.

— Nem pense em usar truques dessa vez. Eu disse um contra um. – lembrou Komaba que segurava uma pistola que acabara de disparar uma bala na mão de Kuro.

Kuro apertava sua mão para tentar aliviar a dor, apesar que não funcionava.

— Parece que estamos ferrados. – riu de sua tragédia.

As duas irmãs finalmente chegaram a Praça Rogue, elas sabiam que estavam cada vez mais próximas da Evelyne, mas ao mesmo mais perigos se aproximavam.

— Se não estivéssemos com pressa, esse lugar até que é bem lindo para passear. – comentou Kali ao olhar em sua volta.

A Praça Rogue era um vasto campo aberto redondo, onde diversas flores e gramas cresciam ao redor, no centro dela, havia um grande monumento, um obelisco vermelho.

— Verdade, gostaria que as nossas outras irmãs também pudessem ver. – contou Katherine.

— É por isso que você quis sair numa jornada, não foi? Conhecer e visitar todos os tipos e belos lugares. – perguntou Kali.

— Foi um dos motivos, mas há tanta coisa que nem sei explicar.

Foi quando, as duas sentiram algo se aproximar e desviaram. Eram duas pedras enormes de gelo que tinham sido disparadas em suas direções.

— Desculpe acabar com o momento fofo das duas irmãs. – falou uma voz bem familiar a Katy.

— Yuki. – Katherine cerrou a sua mão de raiva. – Achei que você já tinha desistido de me atacar hoje.

Ao sair das sombrar, era a Yuki sem expressão, ao lado de seu Snorunt.

— Na verdade, apesar de terem sido há apenas algumas horas, eu te ataquei ontem. – brincou ela, apesar de sua expressão continuar fria como sempre. – Além disso, aquele homem não está mais aqui para interferir.

— Eu não consigo entender está sua fixação em mim, Yuki! – berrou Katy.

— Eu já te expliquei, fadinha. Eu só quero te matar. – falou Yuki casualmente.

Aquilo poderia ser normal para aquelas duas, mas para Kali, tudo era muito estranho, não sabia o que fazer e ficou em choque, deixando tudo nas mãos de sua irmã.

Katherine pegou uma de suas pokébolas. Primeiramente ela pensou usar o Goomy, mas lembrou que ele já estava derrotado por causa da batalha anterior com Tetsuya, e então arremessou sua Zubat.

Assim que a pequena morcega saiu da pokébola foi recebida com um Ice Beam na cara e quase que caiu no chão.

— Isto não é justo! – reclamou Katy. – Você tem que esperar ela sair da pokébola primeiro.

— Foi mal, eu não sabia que tinha regras no livro de “Como matar uma pessoa?” – caçou ela sem mudar sua séria expressão – Hahaha.

— Não brinque comigo! Zubat use Wing Attack!

— Snrotunt, Headbutt.

A Zubat voou com suas asas brilhantes em direção ao Snorunt, que pulou de encontro com ela dando uma cabeçada na morcega e fazendo os dois ataques se colidirem e machucar os dois pokémons ao mesmo tempo.

— Zubat use Heat Wave.

Quase não teve tempo desde do último conflito e a Zubat já emitia uma forte onda de calor com sua boca. O movimento pegou Yuki de surpresa que não reagiu e por isso seu Snorunt foi acertado e empurrado 3 metros para trás.

— Não esperava este movimento. – comentou Yuki com seus olhos mortos. – Ele é novo.

— Tem mais, Zubat use Double Team.

— Snorunt faça o mesmo.

Os dois pokémons começaram a se mover rapidamente, criando diversos clones por toda a praça, que antes estava vazia, mas agora parecia um formigueiro.

— Acabe com eles com Heat Wave! – pediu Katy.

— Use Ice Beam, Snorunt. – ordenou Yuki.

Os diversos clones dos dois Pokémons começaram a disparar raios por toda parte, se acertando e se destruindo e as vezes os ataques se colidiam, algo que criou uma quantidade enorme de vapor de água na atmosfera, cobrindo a visão do local.

— Droga, não consigo enxergar nada. – pensou Katherine.

— Adeus, fadinha. – falou Yuki.

O seu Snorunt disparou um raio congelante em direção a garota furisode, que ainda estava perdida em meio aquela névoa. Por instinto a Zubat percebeu e em uma incrível velocidade interceptou o golpe, o recebendo todo pra si. O dano foi tão alto que perdeu o poder de voou e começou a cair.

— Zubat! – gritou sua treinadora ao perceber o que acontecera.

— Snorunt, Headbutt.

O pokémon de gelo pulou em direção a Zubat e acertou em cheio com sua cabeçada a arremessando em direção a Katherine que tentou pegá-la, mas a força era tanto que voou junto caindo no chão. Quando a garota furisode se deu conta a Zubat já tinha desmaiado.

Ice Beam. – ordenou Yuki sem dar tempo para a outra ter alguma reação.

ThunderShock!

O raio de gelo foi disparado em direção a Katherine, mas foi impedido de acertá-la, por outro raio desta vez elétrico, que colidiu causando uma pequena explosão.

— Katy! – exclamou Kali ao chegar ao lado de sua irmã e ajudá-la a ficar de pé.

— Obrigada, Kali. – Foi então que Katherine percebeu o pokémon roedor no braço da outra. – Obrigada, Dedenne.

— Desculpe ter demorado para fazer algo, estas batalhas de vida e morte são novas pra mim. – comentou Kali.

— Isto devia ser o normal. – Katy retornou a sua Zubat para pokébola. – Mas, por algum motivo, eu tenho uma assassina bipolar querendo me matar.

Apesar da brincadeira, Katherine estava falando sério. Ela pegou a pokébola de seu último pokémon e arremessou. Piplup foi liberado.

— Isto não é justo. Duas contra uma não vale. – reclamava Yuki sem nenhuma força na voz de forma que nem parecia uma reclamação.

— Não era você que disse que não havia regras, Yuki? – indagou Katy apenas para provocá-la. Algo que normalmente não faria, mas ao estar no lado de sua irmã, sentia mais coragem e forças.

Antes de retomar a batalha, Katherine se virou para Kali e disse:

— Esta é nossa primeira batalha pokémon juntas, então vamos vencer. – Ela estende seu punho para a irmã.

Kali retribui acertando um soquinho no punho de Katy, e anunciou:

— Irmãs Fée de volta a ação!

Era um pequeno bunker escondido debaixo de um falso bueiro. Não havia muita coisa dentro dele, apenas uma cama e algumas estantes.

— Como foi que Sid encontrou isto? – indagou Evelyne.

— Era o lugar de um amigo dele que faleceu há alguns anos. – respondeu Ichirin.

— Por que ele construir este lugar?

— Sid me disse que ele já estava aqui antes mesmo de seu amigo encontrá-lo. Que este lugar foi construído há muitos anos como um refúgio para um possível guerra.

— Eu não sei de que guerra ele está falando. Mas parece que estamos vivendo uma. – comentou Eve.

— Me desculpe. – disse Ichirin evitando contato visual com a princesa.

— Eu já disse que não é sua culpa. – Tentou confortar a outra garota.

Ela fez uma pausa e respirou profundamente.

— Ichirin. – chamou Eve, que esperou a outra fitar seus olhos para continuar. – Do que você acha de fugir comigo?

A garota prateada ficou surpresa.

— Como assim?

Evelyne foi até a outra garota e segurou sua mão.

— Ichirin, você tem um ótimo coração. Você não pertencer a este lugar de violência e dor. Você merece muito mais do isto.

— Você está errada. – negou a prateada.

— Não, eu estou certa. – contestou a princesa. – Mesmo vivendo neste lugar caótico, mesmo tendo todo os direitos de ser uma pessoa ruim, você continua sendo amável e se preocupando com os outros.

Ichirin começou a corar constrangida e desviou o olhar, fitando o Eevee shiny que segurava em suas mãos.

— Eu estou falando sério, nenhum sequestrador me tratou tão bem na minha vida quanto você. – brincou Evelyne para aliviar a tensão.

A garota prateada riu um pouco, fez uma pausa e contou:

— Eve, eu quero ir com você, mas não posso. Mesmo sendo um lugar ruim, há pessoas que eu gosto e não posso abandoná-las.

— Está falando do Sid?

— Ele é uma delas. – sorriu Ichirin espontaneamente. – O Sid sempre cuidou de mim, me ensinou muitas coisas, me ajudou em tudo que precisava e sempre me protegeu. Ele me disse que eu o lembrava de sua irmã mais nova que tinha morrido de gripe.

Evelyne se chocou por um momento.

— Eu sei, parece algo muito banal para morrer, mas a febre dela ficou muito alta e como não tinham remédios, ela acabou falecendo. – contou Ichirin. – Quando eu era mais nova, também adoeci, o Sid ficou desesperado e tentou arranjar um remédio de qualquer forma, disse para mim que não poderia perder outra irmã. Eu fiquei muito feliz quando ele disse isto, pois antes que eu percebesse, também o considerava um irmão. A única família que eu tive.

Lumi que estava nos braços da prateada, repetiu seu nome chateado.

— Desculpe, Lumi. Eu quis dizer, a única família de humanos. – corrigiu Ichirin ao acariciá-lo.

Aquilo me comoveu como nunca antes. Já tinha presenciado diversos horrores na minha vida, mas foi apenas neste momento que percebi o quanto pessoas boas poderiam ser engolidas pelo caos. Me senti impotente, queria ajudar, mas ainda não possuía o necessário. Foi então, que algo nasceu dentro de mim.

— Então ele vem com a gente. – sugeriu Evelyne.

— Eu falei, não é só ele. – lembrou Ichirin. – Há uma garota também que sempre me ajudou e me deu coragem nos momentos necessários. Seu nome é Awaki, ela era como uma filha para Judge, mas diferente dele nunca foi violenta. Era como um símbolo para a maioria, sempre forte e confiante, tentando ao máximo proteger os outros. Mas então sua amiga Anne morreu e ela fugiu da gangue vermelha. Sei que a Awaki ainda está pelas ruas de Lumiose, mas nunca a encontrei.

Ichirin suspirou.

— Claro, ainda há alguns outros.

Evelyne sabia que para Ichirin fugir era difícil, mas queria convencê-la a todo custo.

— É por isso que quero que vocês dois venham comigo. Sei que não posso salvar a todos, mas posso dar esperança e quero que vocês sejam ela. Uma esperança para eles se agarrarem e não desistirem, para que continuem lutando. Até que eu possa mudar Lumiose, mudar Kalos.

Ichirin continuava relutante, mas se a conversa continuasse cederia.

Naquele momento, Sid abriu o bueiro e desceu as escadas até o bunker, interrompendo a conversa.

— Deu tudo errado. – alertou ele.

Uma de suas orelhas estavam sangrando muito.

— O que aconteceu? – questionou Eve.

— Você estava certa, princesa. – respondeu Sid com uma voz estranha, parecia triste, mas furiosa ao mesmo tempo. – Eu fui até o chefe Judge perguntar qual seria o próximo passo. Quando cheguei em seu escritório a porta estava fechada, mas era possível escutar tudo de fora. Ele estava conversando com um dos integrantes da gangue que chorava de medo por causa da falha do plano e que eles seriam mortos ou presos. Judge só riu e disse que estava indo tudo como planejado. Ele disse que a Gangue Vermelha se tornou um fardo para ele e que se o número de pessoas reduzisse seria melhor.

Sid parou por um momento, como se ele mesmo ainda estivesse processando.

— O homem contestou, disse que se Judge os enganou. Depois, eu ouvi um grito e um tiro. Tomei um susto e acabei tropeçando. Aquele desgraçado ouviu e abriu a porta. Sai correndo mais rápido que um Rapidash, foi então que ele atirou em mim, e por sorte pegou de raspão na minha orelha. – contou Sid. – Que dor infernal.

Ichirin ficou em choque. Já tinha suas suspeitas de Judge, mas sempre quis acreditar que ele era alguém bom.

— Eu sou uma idiota mesmo, não é? Defendi tanto ele, para no fim descobrir o monstro que realmente era. – admitiu Ichirin. – Pior que eu sempre soube, mas nunca quis aceitar. Judge tratava a Awaki como se fosse uma filha, planejava que ela sucedesse ele, mas assim que ela fugiu, ele foi até mim e começou a me tratar melhor. Acho que por isso, quis acreditar nele, mas, na verdade, ele só me via como uma substituta, talvez, pela minha admiração por ela.

A garota prateada não conseguia ficar com raiva naquele momento, sabia que devia, mas era tristeza que tomava conta de suas emoções.

— Vamos fugir. – sugeriu a princesa. – Agora, que Judge sabe que Sid o viu, não há mais lugar para ele na Gangue Vermelha. Além disso, Judge com certeza vai vir atrás de mim e eu não quero ficar aqui para ver isto.

Ichirin entendeu que aquela era a única opção que tinham e assentiu.

Estavam preparados para sair do bunker, quando ouviram algo mexendo na tampa do bueiro.

— Rápido, se escondam debaixo da cama. – sussurrou Sid que se escondeu atrás de uma estante.

As duas garotas fizeram como ordenado. Foi então, que começaram a ouvir o som de alguém descendo as escadas que, logo, alcançou o chão.

— Achou que eu não conhecia este seu esconderijo, Sid? Eu sei que vocês estão aqui, ouvi suas vozes. – disse a voz que eles menos queriam ouvir naquele momento. – É melhor você sair de onde quer que esteja se escondendo e me traga princesa. Se fizer isto, posso poupar sua vida.

Os passos se aproximavam da cama. O bunker era bem pequeno e como não havia muitos lugares para se esconder, Judge os encontrariam facilmente.

— Ichirin, você também está ai? Sei que você é experta diferente de seu amigo, por isso vai me trazer a princesa, afinal eu sei que você quer que o Sid fique vivo.

Judge parou ao lado da cama e começou a se agachar. As duas garotas tentavam prender a respiração para não fazer barulho, mas não adiantava. Quando Judge abaixou sua cabeça para ver debaixo da cama, Sid apareceu por trás e lhe deu um pisão na nuca, fazendo a cabeça de Judge acertar o chão com bastante força.

— Saiam! – gritou Sid.

As duas garotas aproveitaram o momento para sair debaixo da cama.

— Seu verme desgraçado. – disse Judge ao se levantar.

Tentou pegar sua arma, mas Sid correu até ele, o agarrando no torso e o arremessando para a cama. Com isto, Judge derrubou sua pistola e o homem de moicano a pegou.

— Fique ai! – alertou Sid para Judge.

Judge começou a se levantar.

— Você não tem coragem de puxar o gatilho.

— Eu mandei ficar ai! – avisou Sid novamente. – Princesa, Ichirin, subam.

— Como se eu fosse deixar! – Judge pulou em direção a Sid que apertou o gatilho acertando seu peito, algo que fez Judge cair sangrando na cama.

Parecia que o líder da gangue estava morto, mas então ele começou a rir:

— Você realmente puxou. Mas isto não fará diferença.

Quando se deram conta, a ferida no peito de Judge estava se cicatrizando numa velocidade altíssima.

— O que é você? – exclamou Sid assustado.

Judge se levantou e pulou novamente em Sid, que disparou outro tiro, mas desta vez o líder da gangue não caiu para trás e continuou em direção ao outro agarrando seu pescoço com as duas mãos. A dor fez Sid soltar a arma, mas não desistiu e chutou Judge para longe.

— Fujam agora! Eu vou ganhar tempo! – gritou ele.

— Mas… – Ichirin não queria deixá-lo.

— Você tem que fugir Ichirin, eu preciso te proteger. Então vá logo! – ordenou Sid ao socar o rosto de Judge.

Evelyne segurou a mão de Ichirin e disse:

— Eu sei que é doloroso, mas se ficarmos aqui só vamos atrapalhar ele.

Relutante Ichirin concordou e as duas e o Lumi subiram as escadas, fugindo do bunker.

— Você me deixou com raiva. – contou Judge ao socar Sid no rosto com tanta força que arrancou um de seus dentes.

O homem de moicano caiu no chão, e o líder da gangue resolveu ir até as escadas para seguir as garotas. Mas Sid se levantou e correu em direção de Judge o agarrando no torso e empurrando contra a parede.

— Não vou deixar você atrapalhá-las! Ichirin será livre! – gritou Sid ainda segurando Judge.

— Me solte seu verme! – Judge ficava dando cotoveladas na costa de Sid, até que ele não aguentou e o soltou.

Foi então que Judge agarrou Sid no chão e o levantou contra a parede.

— Você está pensado que é quem para me desafiar? – indagou Judge ao socar as costelas de Sid.

A força foi tão grande que quebrou algumas delas, fazendo Sid gritar de dor.

— Sabe eu poderia te matar com um tiro na cabeça, mas assim é mais divertido. – Judge agarrou o pescoço de Sid com as duas mãos e começou a estrangulá-lo.

O coitado não tinha mais forças para se defender, apenas se debatia e se contorcia tentado se libertar, mas era algo inútil.

— Droga. Eu vou morrer. – pensou Sid.

Ele começou a chorar, a falta de ar o incomodava demais.

— Desculpa Ichirin, não vou poder ir com você. Por isso quero que viva a sua vida por mim também. – pensou Sid. – Tenho certeza, que deve achar que eu te protegia, mas era ao contrário, sem você eu já teria sucumbindo a muito tempo a este mundo.

Ele se debatia cada vez mais, sua cabeça começava a ficar roxa.

— Você foi meu raio de sol nesta escuridão, me fez feliz de novo. – pensou Sid. – Você merece uma vida melhor. Merece alguém que te ame. Merece tudo e muito mais. Então se for para eu morrer, te protegendo, te dando uma oportunidade que você nunca teve, eu não me arrependo. Nunca vou me arrepender.

Os olhos de Sid estavam tão vermelhos que suas lágrimas pareciam sangue.

— Eu quero que você viva. Viva a mais bela e incrível das vidas. Realize os seus sonhos e seja feliz.

Quando Judge percebeu, o corpo daquele homem já não possuía vida, mas algo te incomodava. Sid não morreu fazendo uma expressão de dor ou agonia, ele morreu sorrindo.

A LUTA DE CADA UM

Em outro dos becos escuros de Lumiose, Kuro continuava sua batalha com Komaba. Infelizmente, para ele, o seu Sneasel já estava quase no limite, enquanto o Parasect quase não sofrera danos.

— Parasect use X-Scissor.

— Sneasel desvie.

Com suas garras brilhando o inseto partiu para cima do pokémon noturno, que tentou se mexer mais a paralisia estava fazendo efeito. As garras o cortariam como uma tesoura, mas em um ato de desespero, Sneasel conseguiu desviar no último segundo, pulando por cima do Parasect.

— Isto! – comemorou Kuro. – Aproveite a chance e use Icy Wind!

Assim que pousou no chão, Sneasel assoprou um vento frio, que foi congelando o Parasect de forma que o queimava.

— Não ache que um golpe de sorte te ajudará. – disse Komaba. – Parasect use Giga Drain.

— Rebata com Metal Claw.

Mais uma vez, uns tentáculos de energia verde se formaram nas costas do inseto. Os tentáculos dispararam em direção do Sneasel que com suas garras metalizadas estava preparado para revidar, mas outra onda de choque passou pelo seu corpo o impedindo de mover, desta forma, sendo pego pelos tentáculos do Parasect, que o apertaram e depois de satisfeitos o arremessaram para os pés de Kuro.

— Sneasel! – gritou Kuro de preocupação que foi até seu pokémon desmaiado.

— Parece que você perdeu. – sorriu Komaba.

Kuro estava preocupado com seu Sneasel, quando pode perceber, o Parasect estava ao seu lado.

— Mate-o com Slash!

A garra do Parasect veio em alta velocidade preparada para corta Kuro ao meio. Em um rápido reflexo, Kuro conseguiu pegar seu pokémon com a mão esquerda e defender o ataque com sua espada. Ele tentava segurar a garra, mas seu braço direito não tinha força suficiente, de forma que não conseguiu aguentar por muito tempo, até que Kuro foi arremessado pelo chão rasgando suas costas e batendo a nuca na parede.

— Morreu? – indagou Komaba de forma sádica.

A resposta não veio, mas o gangster não queria arriscar.

— Parasect use… – Komaba sentiu um golpe vindo em direção a sua nuca e por sorte se agachou desviando.

Quando olhou para trás, viu que era Awaki que havia tentado lhe dar um chute. Em um veloz movimento, Komaba preparou seu punho e socou o estômago de Awaki, que quase vomitou com a dor. Ainda com seu punho direito enfiado na barriga de Awaki, Komaba desferiu um gancho de esquerda no rosto da garota, que caiu de costas no chão.

— Acha que pode contra mim, garota do desastre?

Awaki não respondeu nada. O efeito de paralisia tinha acabado, mas a dor a incomodava muito. Tentou alcançar sua pokébola, mas falhou ao ter seu braço pisoteado por Komaba.

— Aaaahhhhhhh! – berrou Awaki de dor.

— Você gosta de causar problemas, não é garota do desastre? – questionava Komaba mesmo sabendo que a resposta não seria ouvida.

Com seu outro braço Awaki tentou socar a perna de Komaba, mas ele foi mais rápido e o chutou primeiro.

— Eu preferia quando você não revidada. – comentou Komaba ao se distanciar dela. – Parasect use Stun Spore.

Como ordenado, o pokémon inseto liberou a névoa amarela em cima da garota, que voltou a sentir ondas de choque no seu corpo e se contorcer de dor.

— Nem adianta implorar por sua vida, garota do desastre. Se eu te matar tenho certeza que o chefe vai me recompensar. – sorriu sadicamente. – Parasect corte ela ao meio com X-Scissor.

As garras do inseto brilharam com uma tesoura gigante que se aproximava cada vez mais da garota ruiva.

Awaki estava em desespero, tentava se levantar, mas o máximo que conseguiu foi ficar de joelhos. Ela olhava para as garras do Parasect aterrorizada perdendo suas esperanças de escapar.

Então as garras começaram a fechar como tesouras da morte que cortariam a linha da vida de Awaki. Foi quando, uma última esperança surgiu e a salvou. De um lado Kuro defendia uma das garras com sua espada, do outro apoiava suas cortas que estavam sendo cortadas de forma profunda e dolorosa, mas naquele momento ele não sentia dor, a adrenalina estava muito alta e a única coisa que conseguia pensar era em salvar Awaki.

— Aaaahhhhh! – Era um grito de dor, de desespero, mas, ao mesmo tempo, um grito de guerra que dava forma para Kuro refletir o golpe e empurrar o Parasect para longe.

O espadachim estava sentindo muita dor, quase não conseguia ficar de pé. Sua respiração estava muito rápida, tentava puxar o máximo de oxigênio que conseguia para não desmaiar.

Awaki o olhou com culpa, o corte de suas costas eram muito profundo tanto que quase acertará sua coluna. Além disso, sua cabeça estava cheia de sangue, ela não conseguia acreditar como ele estava de pé.

— Mas por quê? Por que me salvou? – indagou Awaki. – Eu te enganei da última vez e te deixei para morrer. Se eu pudesse, eu teria fugido e te deixado aqui sozinho nas mãos Komaba.

Ele virou metade de seu pescoço, o máximo que conseguia, para trás e disse ao sorrir:

— Você é uma boa pessoa, Awaki. Não tente se convencer que não.

A ruiva não conseguiu responder, apenas não tirava o pensamento de sua mente de como aquele garoto era idiota e como isto lhe queria fazer chorar.

— Pivete desgraçado! – berrou Komaba. – Se quer ser o primeiro a morrer tanto assim, eu vou lhe conceder este desejo!

Cambaleando, Kuro conseguiu se virar para Komaba enquanto segurava sua espada nas duas mãos e apontava para ele.

— Pode vir!

Naquele momento, algo mudou. Uma aura negra saindo de Kuro e sua espada pode ser vista por Komaba, ele não entendeu, talvez estivesse com medo do que acabara de ver, mas não queria acreditar ou admitir isto. Por algum motivo, aos seus olhos a lâmina da espada de Kuro parecia ficar maior, algo brilhava.

— Parasect use Slash e mate esse desgraçado! – berrou Komaba assustado.

Uma das garras do Parasect aumentou de tamanho, energia se reunia em sua ponta. Então, em um movimento de corte, ela foi de encontro a Kuro, que em um movimento de determinação acertou a garra com sua espada e gritou com todas as suas forças:

Night Slash!

Komaba não sabe se foi o seu medo ou não, mas ele, com certeza, viu uma aura negra brilhar ao arredor da espada que lançou um golpe sombrio, destruindo a garra do Parasect e o arremessando em direção a Komaba que voou junto com toda a impulsão e acertou em um latão de lixo onde desmaiou, junto ao seu pokémon.

O garoto quase que desmaiou também, mas impediu de cair-se no chão, ao se apoiar com a espada. Praticamente rastejando, ele pegou sua pokébola e retornou seu Sneasel desmaiado. Depois, se virou para Awaki, estendeu sua mão para ela e prometeu:

— Não precisa ter mais medo, Awaki. Eu vou te proteger.

Assim que concluiu a frase, não aguentou e desmaiou caindo nos braços da garota.

— Não prometa algo e desmaiei logo em seguida, seu idiota. – resmungou Awaki de forma meiga abraçando ao garoto.

Ela então olhou para os becos mais profundos e sem luz onde a base vermelha ficava, assim como Judge. Sabia que estava próxima, mas não conseguiu largar Kuro lá e decidiu voltar para as ruas principais e deixá-lo em alguma ambulância ou hospital por perto.

Após deixar o garoto em segurança, Awaki ficou em dúvidas se deveria seguir sua vingança, mas não quis desistir e seguiu novamente para a base da gangue vermelha.

— Snorunt use Ice Beam.

— Piplup use o mesmo.

— Dedenne use Thundershock.

O pokémon de gelo e o pinguim dispararam raios congelantes de suas bocas, ao mesmo tempo que o roedor disparou um raio elétrico de seu corpo. Os movimentos do Piplup e Dedenne se misturaram, se transformando em um poderoso ataque que acertou o raio de gelo do Snorunt.

A colisão dos ataques fez uma forte ventania que espalhava as gotas de chuvas como uma tempesteada.

— Isso não é justo. – comentou Yuki ao ver que a força dos ataques combinados se sobressaiam a do seu Snorunt.

Como imaginava, o pequeno pokémon de gelo não aguentou a dupla pressão e os movimentos dos outros dois lhe acertaram lhe causando bastante dano.

— Estou ficando com raiva. – anunciou Yuki, apesar de sua expressão não dizer o mesmo. – Snorunt use Double Team e dispare Ice Shard para todos os lados.

Ao ordenar o comando, Yuki se escondeu atrás o obelisco da praça, que era o único lugar que podia, pois o resto do local inteiro era aberto. Ao ver sua treinadora escondida, Snorunt se clonou e começou a formar enormes pedras em suas bocas.

— Isso é sério? Ela realmente quer nos matar. – contou Kali.

— Só temos que impedi-la. – disse Katy. – Piplup defenda com Bubble e rebata com Pound.

— Você diz como se fosse fácil! – exclamou Kali. – Dedenne use Thundershock no Snorunt até achar o verdadeiro.

Com as pedras afiadas de gelo formadas, Snorunt e seus clones dispararam em todas as direções, inclusive onde Katherine e sua irmã estavam. Piplup assoprou bolhas em direção as pedras que acertariam as duas, as protegendo, e para aquelas rochas que se aproximavam dele, usava seus punhos energizados para quebrá-las.

Enquanto isto Dedenne disparava diversos raios pelo se corpo acertando o máximo de Snorunts que conseguia, mas todos eram clones.

— Isto não está funcionando. – comentou Kali.

— Claro, porque o verdadeiro já está atrás do seu Pokémon. – disse Yuki de forma fria, ainda escondida atrás do obelisco.

Quando Kali pode perceber, um Snorunt, que havia se esgueirado pelas sombras, acertou uma cabeçada nas costas do Dedenne, o fazendo colidir com o chão.

— Piplup use Peck!

Com seu bico alongado, o pinguim acelerou para tentar acerta o verdadeiro Snorunt, mas por pouco o pokémon do chapéu de neve desviou.

— Lance um Ice Beam. – ordenou Yuki.

Mais uma vez, o Snorunt assoprou um raio de gelo na direção do Piplup.

— Dedenne use Nuzzle.

Logo após, se levantar do chão, o Dedenne pulou em direção ao Snorunt tentando acertá-lo. O golpe do pokémon de gelo acertou o Piplup, mas como consequência, ele não teve tempo para desviar e foi acertado pelo roedor que esfregou suas bochechas, liberando uma enorme descarga de eletricidade.

O Snorunt foi arremessado de volta para Yuki, que já não se escondia mais atrás do obelisco.

— Não pode ser. – desacreditou Yuki ao olhar seu pokémon próximo aos seus pés quase desmaiado.

— Só mais um pouco e vamos derrotá-la. – falou Kali para sua irmã.

Katherine assentiu e se virou para Yuki antes de anunciar:

— Yuki, sozinha você pode até me vencer, mas, agora, você perderá!

A garota sem expressão no rosto colocou as suas mãos na cabeça e começou a apartar seus cabelos.

— Não. Não. Não. Isto não está acontecendo. Isto não está acontecendo! – berrou Yuki.

Esta tinha sido a primeira vez que Katy vira a Yuki fria gritar, por isso, como instinto deu um passo para trás.

— É tudo culpa sua. É sua culpa, eu ser tratada desta forma. Tudo porque você existe. Tudo porque você nasceu. – Até então, a Yuki que nunca tinha expressado nada em seu rosto, mostrou uma feição de dor, desespero e raiva. – É por isso, que eu tenho que te matar!

A garota furisode não sabia o que, mas tinha certeza que algo em Yuki estava diferente, e este algo a deixava aterrorizada.

— Snorunt, vamos matá-la! Não importa o que precisemos! Está me ouvindo? – Yuki olhava para seu pokémon com uma expressão de insanidade.

O pequeno pokémon de gelo se levantou e assentiu para sua treinadora.

— Tem que ser eu. Tem que ser eu. Mas enquanto Katherine Fée estiver viva, não existirá espaço para mim! – Yuki berrou com todas as forças.

O grito foi tão alto que parecia que toda as emoções que aquela Yuki não demonstravam haviam sido liberadas naquele momento.

Seguindo a frustração e raiva de sua treinadora, algo no Snorunt começou a mudar. Seu corpo brilhou, começou a crescer e sua forma foi se arrendondando até que formasse algo parecido com uma enorme esfera. Foi então que Katherine entendeu o que estava acontecendo.

— Uma evolução… – comentou ela assustada com toda a situação.

Com uma explosão de luz, o pequeno Snorunt havia finalmente se transformado e agora ele era um grande Glalie. Aquilo estava parecendo um desastre para as duas irmãs, mas o que mais amedrontou Katherine foi o que aconteceu depois, a Yuki sem expressão começou a gargalhar como se tivesse tendo um ataque.

— É isso! Este é o nosso poder! Este é o poder que nos foi dado para eliminar esta fadinha de uma vez por todas. – sorriu de uma forma estranha, como se sua boca doesse por não estar acostumada. – Glalie use Freeze-dry.

Como ordenado, o pokémon disparou um raio de gelo colorido e acertou o Piplup em cheio o congelando dentro de uma pedra gelada.

— Piplup! – exclamou Katy preocupada.

— Agora acerte o outro com Ice Beam! – ordenou Yuki.

Thundershock! – pediu Kali.

O Glalie disparou outro feixe de gelo, enquanto o Dedenne soltou um raio elétrico. Os dois ataques colidiram, mas a força do pokémon de gelo era muito superior e facilmente desfez o ataque do roedor, o acertando em cheio.

— Se continuar assim, vou perder. O Dedenne não tem força para competir. – pensou Kali.

Para tentar pensar em uma estratégia melhor, Kali deu dois tapinhas em seu rosto.

— Dedenne use Charge!

— Glalie use Headbutt.

O pequeno roedor começou energia em seu corpo, aumentando o seu poder elétrico. Enquanto isto, o Glalie voou preparado para acertar sua cabeçada em cheio no Dedenne.

— Agora, use Nuzzle!

Assim que o Glalie o acertou, Dedenne se esforçoso para liberar seu ataque, causando uma enorme descarga elétrica no Pokémon, mas não foi suficiente para parar a cabeçada e ele foi arremessado para longe.

— Finalize com Ice Beam!

Com o Dedenne ainda no ar, o Glalie disparou seu raio congelante que acertou o roedor, o nocauteando.

— Dedenne! – Kali correu preocupada até seu pokémon caído.

Yuki foi até seu Glalie e o entregou um Parlyz Heal para curar o efeito de paralisia que o Glalie acabara de entrar, após ser atingindo pelo Nuzzle.

— Agora, vamos finalizar a fadinha. – comentou Yuki. – Glalie use Freeze-dry!

Novamente o Glalie disparou um feixe colorido, desta vez, em direção a Katherine, que ainda estava preocupada com seu Piplup para pensar direito e não desviaria a tempo. Por sorte, Kali conseguiu empurrar sua irmã para longe do movimento, mas acabou tendo suas pernas acertadas..

— Aaaahhhh! – berrou Kali em dor.

A sensação era horrível, apesar de gelado, sentia suas pernas queimarem. Pouco a pouco elas estavam congelando.

— Kali! – Katherine correu em direção a sua irmã caída no chão e tentou levantá-la.

— Katy, eu não consigo sentir as minhas pernas. – Quase que chorrava Kali.

— Calma, vai dar tudo certo. – gaguejou ela.

A garota furisode se lembrou da dor que sentira, quando foi acertada no peito pelo raio de gelo do Snorunt da Yuki, e imaginou o que sua irmã sentia.

— Você não devia ter feito isto. – falou Katy. – Você devia ter fugido, Kali.

Lagrimas começaram a cair pelo rosto de Katherine, ver sua irmã sofrendo era demais para seu coração.

— Desde pequena, você sempre me protegeu, Katy. Então me deixe te proteger dessa vez. – Kali forçou um doloroso sorriso.

— Olha que fofo, as duas irmãs vão morrer juntas. – anunciou Yuki voltando a sua frieza e falta de expressão. – Glalie use Ice Beam.

Se Katherine largasse Kali, conseguiria fugir do feixe mortal, mas nunca abandonaria sua irmã. Foi então, que em um ato de heroísmo Piplup conseguiu se libertar de sua prisão congelante e defendeu o Ice Beam com seu Pound.

— Piplup! – exclamou Katy aliviada, apesar de saber que o Glalie era forte demais.

O pinguim tentou segurar o ataque, mas não conseguiu e foi arremessado para os pés de sua treinadora, levantando, logo, em seguida.

— Continue com Ice Beam. – ordenou Yuki

Mais uma vez, o Glalie disparou o Ice Beam. Piplup fez o mesmo, mas seu movimento era mais fraco, o que fez ele ser arremessado mais uma vez de volta para sua treinadora. Ele estava visivelmente machucado, era possível ver seu corpo todo roxo por causa do frio.

— Eu não posso deixar isto continuar acontecendo. – pensou Katy ao se lembrar do seu primeiro confronto com Meyer quando fez o Goomy se esforçar demais.

Ela levou sua mão até a pokébola do pokémon aquático e o retornaria, mas antes que pudesse, foi acertada pelas bolhas disparadas pelo seu Piplup, derrubando a pokébola.

— Piplup, me deixe pelo menos salvá-lo. – pediu Katherine.

O pinguim repetiu seu nome algumas vezes, como se estivesse dizendo que ainda queria lutar pela sua treinadora até sua morte.

— Você está me atrapalhando. – anunciou Yuki ao mostrar um olhar ameaçador. – Se quer tanto morrer, vou cumprir seu desejo. Glalie o congele com Freeze-dry, desta vez para sempre.

O pokémon de gelo disparou, novamente, seu raio colorido. Piplup revidou com o Ice Beam, que não foi eficaz e se desfez, de forma que o Freeze-dry foi voando em sua direção. Piplup sabia que não podia desviar, por isso preparou seu Pound e com suas pequenas patas acertou o feixe como se estivesse o recebendo. Ele tentava segurar o ataque, mas suas mãos começavam a congelar e seus pés eram empurrados de pouco a pouco para trás.

— Piplup. – falou Katy ao ver seu Pokémon se esforçando e sofrendo. Ela estava com lágrimas no rosto. Foi então que memórias começaram a permear sua mente.

Se lembrou de quando capturou o pequenino e de como ele lutava, mesmo quando suas chances eram quase nulas. Se lembrou de como ele nunca desistia, mesmo que todos dissessem o contra. Se lembrou de quando aperfeiçoaram o Ice Beam juntos, provando a todos que ele poderia se tornar mais forte. Foi naquele momento, que Katherine sorriu.

— Desculpe Meyer, eu sei que se você visse o que eu fosse fazer agora, me repreenderia. Mas não tem como isto ser errado. Eu não posso trair os sentimentos do Piplup. Não posso deixar que ele seja o único a lutar. – pensou Katherine.

Ela olhou fixamente para seu pokémon que se esforçava o máximo. A pele de seus braços já começavam a se desfazer.

— Piplup! – gritou tão alto, que está foi a única voz que o pinguim ouviu naquele momento. – Eu aceitarei o seu egoismo. É por isso, que eu quero que aceite o meu também. Então, se recuse a perder e vença!

As suplicas de sua treinadora deram forças ao pinguim, que sentia o seu corpo queimar, mas não por causa da baixa temperatura, e sim pelo fogo de seu coração. Foi então que seu corpo começou a brilhar, e com todo seu esforço conseguiu rebater o raio congelante para o céu. Pulou, logo, em seguida, voando em direção ao Glalie. Seu corpo ainda mudava de forma, e assim que chegou em frente ao pokémon de gelo com sua nova garra metalizada, desferiu um soco na cara do Glalie, o arremessando para o obelisco que quebrou ao ser acertado.

Ao pousar no chão, o pequeno pinguim que antes era um Piplup, havia evoluído e se tornado um Prinplup.

— Piplup, você evolui. – admirou Katy. – E este movimento de agora, foi o Metal Claw, não é mesmo, Prinplup?

O pokémon assentiu repetindo seu nome.

O Glalie tinha se machucado com o golpe, mas ainda estava apto para continuar a batalha.

— Não pode ser! Você quer me atrapalhar de qualquer forma. – Yuki começava a surtar novamente. – Eu vou te matar, eu tenho que te matar.

— Prinplup, se prepare. – pediu Katherine.

Ao que parecia Yuki atacaria novamente, mas então ela segurou nos ouvidos e começou a conversar sozinha.

— Eu sei que temos outra missão, mas esta é um grande chance. – disse Yuki.

— Está certo. – Yuki começou a respirar profundamente, provavelmente para se relaxar.

— Estou indo. – Ela já havia voltado a ser a Yuki sem expressão de sempre.

As irmãs furisode olhavam sem entender nada.

— Você deu sorte, fadinha. – contou Yuki. – Eu preciso ir. Na próxima vez, eu vou te matar… eu acho.

A Nevasca Bipolar retornou seu Glalie e correu para as sombras da cidade.

— Estamos vivas? – indagou Kali ainda processando tudo que acontecera.

— Sim, Kali. – sorriu Katy para irmã, mas logo ela lembrou de seu estado. – Como estão suas pernas?

— Já estão bem.– mentiu Kali. – Agora precisamos ir atrás da Eve.

— Você não está nem conseguindo mexê-las. Tenho que te levar no médico. – contou Katy.

— Mas e a Eve?

— Vou atrás dela depois de te deixar em um hospital. – falou Katherine. – Tenho certeza, que se a Eve estivesse aqui, falaria para eu fazer o mesmo. Além disso, não posso perder uma irmã, por causa da outra.

— Katy. – admirou Kali.

— É por isso, que colocarei minhas esperanças nos outros e na própria, Eve. Afinal, conhecendo ela, sei que, também, vai lutar até o fim.

Finalmente, Shiro chegou na Torre Prisma. Foi então, que algo passou pela sua mente.

— Droga! – reclamou ele. – Como eu vou redirecionar a energia para a cidade toda se não faço ideia de como fazer?

O garoto estava sentindo uma enorme frustração.

— Além disso, nem sei aonde os receptores ficam. – pensou Shiro ao colocar ao mão em seu rosto mais frustrado ainda.

— O que te incomoda tanto, Cavaleiro Branco? – indagou uma voz feminina familiar no ouvido do garoto.

Shiro tomou um susto e imediatamente se distanciou. Como estava focado demais na sua frustração, não havia percebido a garota de cabelos lilás se aproximar.

— O que você quer, Yuki? – questionou Shiro.

Era a Yuki sorridente que estava ao seu lado, ela sorria sem parar, como se aquilo fosse natural.

— Não se preocupe, não estou aqui para arranjar problemas. – contou ela.

— Você diz isto, mas há poucas horas, você nos atacou. – lembrou Shiro.

— Aquela não era a Yuki de agora. – sorriu Yuki, contrastando com a Yuki sem expressão.

— Não importa se é a Yuki sorridente ou aqui que nunca sorri, você continua sendo louca.

— Assim você vai me ofender. – Yuki tentava fazer uma cara triste, mas só conseguia sorrir.

Shiro já estava preparado para pegar sua pokébola, mas Yuki interveio:

— Você não vai precisar disso. Eu já disse que não estou aqui para causar problemas. Na verdade, eu quero te ajudar.

— Como assim? – indagou Shiro desconfiado.

— Você quer devolver a energia para a cidade, não é? Eu posso te ajudar, sei como configurar os receptores. – contou Yuki.

— Por que eu deveria confiar em você?

— Porque sem mim você não conseguirá fazer isto. – argumentou Yuki sorrindo.

— Você tem um ponto, mas não baixarei a guarda. – Apesar de saber como ela era perigosa, Shiro sabia que precisava de ajuda.

— Yupi! Me dá um abraço, Cavaleiro Branco! – Yuki pulou em direção a Shiro o abraçando.

O garoto quase teve um infarto e a afastou. Começou a se tocar por todo corpo para ver se Yuki não tinha enfiado nada nele.

— Eu não fiz nada, acredite em mim. – pediu Yuki.

Shiro suspirou. Lidar com aquela garota louca era muito estressante para ele, mas pensou pelo lado bom, afinal Yuki não queria matá-lo, pelo menos não ainda.

— Certo. – assentiu Shiro. – Vamos.

O Salamence voava pelo beco tentando acertar a Sylveon que usavas suas fitas como teias pelos prédios desviando de seus ataques. O pokémon dragão disparava seu Flamethrower, mas a fada com instruções de sua treinadora escapava dos movimentos como se estivesse prevendo-os.

Apesar de não acertar a Sylveon, o lança-chamas do dragão acertava as paredes e janelas dos prédios os destruindo. Como a vantagem da névoa rosa por todo aquele beco, a fada se movia livremente, enquanto o Salamence batia suas asas com rapidez para conseguir enxergar algo.

— Sylveon use Moonblast. – ordenou Valerie.

O Salamence não sabia aonde a fada estava, mas conseguia escutar o som do ataque se formando. Começou a bater suas asas rapidamente, e assim que viu a Sylveon, voou para longe para tentar desviar do golpe. Ainda reunindo poder da lua para disparar seu movimento, a fada seguiu o Salamence, acertando suas fitas nas paredes e se arremessando, assim que viu que acertaria o Moonblast, desferiu seu movimento, acertando o dragão em cheio. O Salamence perdeu poder de voou e foi arremessado para uma varanda de um dos prédios. A Sylveon o seguiu, pousando ao seu lado.

— Juvia, não tem como você ganhar, é melhor desistir. – alertou Valerie. – Não quero ter que acabar com a neta da Reine.

— Ela está certa, se continuar assim, eu não vou aguentar o necessário. – pensou Juvia. – Batalhar contra fadas é realmente um saco.

A mulher de cabelo azul, fechou os olhos e começou a respirar profundamente. Se imaginou em um grande escuro vazio, até que sentiu uma luz.

— Achei você. – pensou Juvia.

Ela abriu seus olhos e correu para dentro da névoa enquanto ordenava:

— Salamence use Steel Wing.

— Você devia ter ouvido meu aviso, Sylveon desvie.

Com sua habitual dança, Valerie ordenaria os movimentos para a sua pokémon, mas então sentiu Juvia se aproximar. A líder de gangue tentou acertar a adversária com seu guarda-chuva fechado, mas Valerie pulou para trás desviando. Foi então, que Juvia, velozmente, trocou o guarda-chuva de mão e a acertou no torso. Valerie cambaleou para trás, mas se manteve em pé.

— Não ache que você é a única a poder sentir a Arcana, Valerie. – falou Juvia. – Sua névoa não vai ajudá-la desta vez.

Juvia se preparou novamente para atacar, Valerie estava mais ligada e desta vez desviaria, mas então, como uma chama se apagando, ela não conseguiu sentir mais Juvia. A líder de gangue aproveitou a chance e acertou com a ponta do guarda-chuva diretamente no seu estômago, fazendo Valerie vomitar um pouco e cair de joelhos.

— Além de sentir a Arcana, você também consegue escondê-la. – disse Valerie ao limpar os restos de vômito da sua boca.

— É uma pena, não é Valerie. Eu devo estar te fazendo sentir-se cega novamente. – Juvia correu em direção a líder de ginásio para desferiu outro golpe.

A ponta do guarda-chuva foi que nem um raio em direção ao rosto da Valerie, que surpreendentemente o segurou com as duas mãos, antes que a acertasse.

— Eu não preciso sentir a sua Arcana para te ver. Meu nariz e ouvidos são suficientes. – Valerie chutou o torso de Juvia enquanto ainda segurava o guarda-chuva, de forma que ela foi arremessada, mas o objeto ficou em suas mãos.

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Juvia que estava caída no chão começou a se levantar.

— Você realmente vale a fama que tem. – comentou ela.

A líder cega quebrou o guarda-chuva com suas mãos. Juvia que acabara de levantar ficou furiosa.

— Você faz ideia de quanto custou este guarda-chuva?

— Eu te pago outro depois de te dar uma surra. – prometeu Valerie.

— Eu cobrarei. – Juvia cerrou os punhos e preparou-se para atacá-la novamente.

Enquanto as duas treinadoras brigavam, o Salamence conseguiu acertar a Sylveon com suas asas de aço, o arremessando para dentro do apartamento da varanda que caíram, por sorte ninguém estava dentro.

O dragão voou para dentro para desferir outro golpe, enquanto a fada começava a preparar outro Moonblast. O Salamence cortava os objetos da casa com suas asas e seguia a Sylveon que fugia por dentro utilizando suas fitas. Ela entrou em outro cômodo, mas o dragão não quis saber de passar pela porta e ainda com suas assas metalizadas, disparou um Flamethrower derretendo a parede e passando pelo buraco. A Sylveon foi pega de surpresa e foi acertada, mas enfiou suas fitas no teto e chão do local para se segurar e, finalmente, desferiu seu Moonblast no Salamence o arremessando para uma parede, que quebrou, o levando pra outro cômodo.

O dragão continuava sendo arremessado para longe, mas abriu suas asas para estabilizar o voou e disparou outro Flamethrower em direção da Sylveon que revidou um Psyshock. Quando os dois ataques se colidiram, uma grande explosão aconteceu, destruindo todo aquele andar, algo que causou uma enorme cortina de fumaça.

De volta ao chão, Juvia socava Valerie, que defendia com suas mãos. Quando, a líder azul resolveu desferir um chute enquanto ainda segurava as mãos da outra. O chute estava indo no pescoço de Valerie, que sabendo que não poderia defender, se impulsionou para chão, se escorregando por baixo de Juvia, a obrigando soltá-la. Assim, que passou por pelas costas da outra, a líder cega se virou velozmente e socou a sua adversária na coluna. Juvia cambaleou para frente, mas não caiu e virou-se ferozmente para Valerie, que já preparava um chute no queixo da líder azul, que não desviou, mas em troca acertou a outra com um chute no rosto.

As duas foram jogadas para lados opostos. Elas cuspiam sangue e seus rostos sangravam bastante.

— Você está estragando meu belo rosto. – contou Juvia.

— Desculpe, mas eu nunca pude vê-lo para confirmar. – brincou seriamente Valerie.

Foi neste momento, que a explosão nos andares altos de um dos arranha-céus aconteceu. Quando as duas notaram, seus pokémons saiam cheios de fuligem de dentro de um dos prédios. Assim, que viu seu Pokémon, Valerie ordenou:

— Sylveon use Last Resort!

— Salamence use Flamethrower para se cobrir com o fogo e em seguida utilize Steel Wing!

A Sylveon reuniu as forças que tinham e começou a formar uma enorme estrela de energia na sua boca. Enquanto isto, Salamence cuspia fogo ao seu redor, para que seu corpo ficasse envolto a ele.

Então ele metalizou suas asas e voou girando por dentro do fogo que soltara, de forma que os movimentos se misturaram e ele parecia uma furadeira flamejante voando em direção a Sylveon.

— Sylveon dispare!

A fada disparou a enorme estrela em direção ao Salamence flamejante que voava em sua direção.

— Salamence perfure os céus com FlameDrill!

Os dois movimentos se colidiram, suas forças era absurdas. Foi então, que uma enorme explosão aconteceu, disparando os dois pokémons para lados opostos, os fazendo colidir com as paredes de diferentes prédios, e quebrarem elas, sendo arremessados para dentro.

Segundos depois, os dois pokémons saírem dos arranha-céus completamente machucados, numa batalha normal ele já teriam sido nocauteados, mas os dois sabiam que não podiam perder.

— Juvia, por que você não me deixa passar? Esta briga é sem sentido. – alegou Valerie ao sentir os dois pokémons feridos.

— Só porque você não sabe o seu sentido, não significava que ele não exista. – contestou Juvia.

As duas ofegavam bastantes, estavam cansadas tanto quanto seus pokémons.

— Você não vai aguentar por muito mais tempo. – comentou Valerie.

— Eu posso continuar por toda a noite. – sorriu Juvia.

TREVAS E LUZ

Evelyne e Ichirin continuavam a correr tentando achar um lugar seguro, tinham acabado de chegar na Norte Boulevard, uma das maiores ruas de Lumiose, cheia de árvores e carros. A preocupação da garota prateada era visível, mas a princesa não gostava de vê-la assim.

— Ichirin, eu sei que você está preocupada, mas precisamos continuar.

— Você tem razão. – Foi então que a garota lembrou de algo. Enfiou suas mãos nos bolsos do vestido que usava e retirou alguns intens. – Aqui estão suas coisas. Judge tinha pedido para segurar.

A princesa olhou para seus pertences nas mãos garota e fitou sua luva preta com linhas azuis, como se estivesse pensando em algo. Logo depois, pegou tudo de volta.

— Obrigada. – agradeceu Eve guardando suas coisas.

Tudo estava parecendo tranquilo, mas altos passos alertaram as duas garotas.

— Tem alguém vindo. – sussurrou a princesa.

O som estava ficando mais alto, as duas sabiam que quem estava correndo se aproximava. Evelyne enfiou suas mãos no bolso e preparava para pegar a luva que acabara de guarda. Foi então que a dona dos passos se revelou ao se aproximar. Era uma garota de cabelos e olhos vermelhos, que Ichirin logo reconheceu.

— Awaki!

— Ichirin? – exclamou a ruiva confusa ao vê-la naquele momento. – O que está fazendo aqui?

Antes da prateada poder responder, Awaki reconheceu a garota ao seu lado.

— Então é você a princesa que todos estão procurando. – comentou a garota do desastre ao fitar Evelyne.

— O que quer dizer com isto?

— Seus amigos estão loucos tentando te achar para te ajudar. – contou Awaki. – Você tem muita sorte de tê-los.

Naquele momento, Eve sentiu um calor no peito. A sua família havia recusado a se pagar o resgaste, mas seus amigos estavam atrás dela até o último momento.

— Apesar de tudo, parece que você não precisa de resgate. – comentou Awaki.

— Ichirin e Sid me ajudaram. – disse Eve.

A ruiva olhou para prateada e sorriu, mas logo o sentimento de felicidade se transformou em tristeza.

— Desculpe Ichirin. – falou Awaki.

— Mas por que?

— Eu fugi de Judge e da gangue vermelha sem nem explicar o porquê. Sei que vocês e muitos outros viam alguma esperança em mim, mas eu sumi e deixei-os para trás. – lamentou Awaki. – Depois do que aconteceu com a Anne, eu não tive outro pensamento além de vingança. Se preocupei apenas comigo, enquanto poderia ter ajudado a outros fugirem.

— Não se desculpe. – pediu Ichirin. – Até algumas horas, eu acreditava no Judge, na verdade, eu me forçava a acreditar nele. Mas eu sempre soube que você não tinha ido embora sem motivo, sempre soube que podia acreditar em você e continuo acreditando até hoje.

— Ichirin… – Awaki nunca tinha achado que pudesse inspirar tanto alguém, ao ouvir as palavras da pequena garota, começou a se perguntar se vingança era mesmo o caminho certo, se o que Kuro havia falado para ela tinha razão, se ela poderia achar outra forma de seguir em frente.

— Tem uma delegacia por perto, se chegarmos nela, tudo estará resolvido. – Awaki tinha tomado uma decisão.

— Não achem que vai ser tão fácil. – alertou a voz da pessoa mais odiada naquela noite.

As três garotas se viraram para a direção que ouviam a voz. O que elas viram, mudou cada uma de uma forma diferente.

Judge se aproximava arrastando o corpo morto de Sid pelo chão. Sua mão segurava a cabeça do cadáver, que era arrastado de forma bruta. Ao se aproximar suficiente das três arremessou o corpo sem vida aos seus pés e disse:

— Achei que teria que carregar este lixo por toda a cidade.

Se momentos atrás Awaki estava em dúvida se sua vingança valeria a pena, aquilo tinha sido a última gota que impedia sua raiva de transbordar.

— Judge! – berrou a ruiva quase que estourando suas cordas vocais.

— Que surpresa. Minha pequena Awaki também está aqui.

Enquanto a reação da garota do desastre tinha sido raiva, tudo que Ichirin sentia era tristeza e culpa. Foi até o corpo de Sid enquanto se mergulhava em lágrimas e tentava sacudi-lo esperando alguma resposta que nunca viria.

— Sid! Sid! Por favor, Sid! – berrava aos prantos Ichirin.

Evelyne sentia uma dor no peito ao ver tudo aquilo. Sentia que tudo que acontecia naquela noite era uma parte sua culpa.

— Você duas, vão embora. – ordenou Awaki com uma feição tão assustadora que parecia uma ameaça. – Eu vou matá-lo.

Eu queria ajudar, queria poder fazer algo. Mas eu não conseguia proteger ninguém, era eu quem estava sendo protegida, era eu quem era a princesa a ser a resgatada. Não era isto que eu queria, nunca quis isto. Não consegui proteger o Sid, não conseguir libertá-lo deste mundo violento, mas tinha certeza que ele não poderia morrer em vão, então se era isto que eu poderia fazer naquele momento, eu não desistiria até o fim.

— Ichirin, vamos.

— Não posso ir. Não posso deixar o Sid aqui. – chorava Ichirin segurando o cadáver em seus braços.

— Temos que ir! – insistiu Evelyne, mas Ichirin se recusava a ouvir. – Ele morreu para nós proteger, para termos uma chance de fugir, é por isso que não podemos deixar que a morte dele seja em vão.

— Mas…

— Você tem que viver, Ichirin! Tem que viver pelo Sid e por você mesma.

— E a Awaki? – indagou Ichirin aceitando melhor a ideia.

— Não se preocupe comigo, não vou perder para um velho de quinta categoria. – respondeu Awaki.

Eve estendeu sua mão para a garota prateada que relutante aceitou. As duas se despediram de Awaki com um olhar e fugiram.

Não era isto que eu queria, estava cansada de fugir, mas a única coisa que eu podia fazer naquele momento, era proteger Ichirin. Pelo menos isto, eu tinha que fazer.

As únicas pessoas vivas que sobraram naquela parte da Norte Bouleverd eram Awaki e Judge que se encaravam, como se os dois soubessem que só havia uma forma daquele confronto acabar.

— Vejo que cresceu Awaki. Finalmente está entendendo o que é preciso fazer para se viver neste mundo. – elogiou Judge.

— Não posso dizer o mesmo por você, a meu ver continua sendo a mesma carne podre de sempre. – zombou Awaki.

— Que língua afiada garota. Aprendeu comigo? – questionou Judge.

— A única coisa que aprendi com você é como odiar alguém ao ponto de querer matá-lo.

— Não seja tão cruel, tenho certeza que te ensinei muitas coisas, mesmo que você não queira aceitar.

— Você está errado. O homem que me ensinou a me proteger, a ler, escrever e a amar, já morreu a muito tempo. Tudo que sobrou é um monstro disfarçado de humano. – Awaki sacou sua pokébola e liberou seu Absol. – E eu estou pronta para exterminá-lo.

— Vamos ver o que você aprendeu neste último ano. – Judge arremessou sua pokébola para cima libertando outro Absol. – Será uma batalha nostálgica.

— Mas desta vez, você não vai poder mega evoluir o seu Absol. Afinal, fui eu roubei sua Key Stone. – lembrou Awaki.

— Não se preocupe, eu não vou precisar dela.

As duas garotas continuavam correndo pela Norte Boulevard tentando encontrar a delegacia que Awaki comentara.

— Não adianta. Esta rua é muito grande, sem sabermos a localização nunca vamos encontrar a delegacia a tempo. – comentou Evelyne.

Ichirin que segurava o Lumi nos braços estava perdida em seus pensamentos.

— O que foi? – indagou a princesa.

— Tome conta do Lumi. – Ichirin entregou o seu pequeno Eevee para a outra garota. – Eu tenho que ajudar a Awaki.

— Mas Ichirin… – Antes que Evelyne pudesse completar, a prateada a interrompeu.

— Eu fugi e o Sid morreu, não posso deixar o mesmo acontecer com a Awaki. Eu sei que ela é forte e por isso quero ser igual a ela, mas para isto não posso abandoná-la.

— É perigoso, o mais sensato seria procurar ajuda.

— Eu vivi a minha vida toda questionando se o que estava fazendo é certo, mas, agora, eu sinto que tenho que fazer isto. Sinto que finalmente posso fazer algo de bom, mesmo que seja só torcer por ela. – desabafou Ichirin. – Sinto muito Eve, mas não mudarei de ideia desta vez.

A garota prateada deu as costas para a princesa e começou a correr de volta para onde encontraram Judge.

— Ichirin! – exclamou Evelyne acreditando que sua voz pudesse alcançá-la, mas sabia que não.

A princesa olhou para o pequeno pokémon em seus braços e o acariciou.

— Não podemos deixar ela sozinha, não é mesmo, Lumi? – sorriu Eve, antes de correr atrás de Ichirin.

— Absol use Night Slash! – ordenou Judge.

— Faça o mesmo! – exclamou Awaki.

As lâminas das cabeças dos dois Absol brilharam em roxo, pouco antes deles pularem em direção ao outro, as colidindo como se fossem espadas. A colisão causava faíscas que se espalhavam por todas as direções.

— Absol continue! – pediu Awaki.

Ainda com suas lâminas se tocando, o Absol da Awaki começou a reunir mais energias e se empurrou com toda a força para frente arremessando o Absol do Judge para longe. Apesar de ter sido arremessado, o Absol do Judge pousou em pé e tinha levado poucos danos.

— Nossas forças são parecidas, mas o seu Absol é velho e não vai aguentar muito. – informou Awaki.

— Ele só precisa aguentar o suficiente. – contestou Judge. – Absol use Sword Dance, em seguida Razor Wind.

— Como se eu fosse deixar. Absol use Flamethrower.

Espadas transparentes apareceram em volta do Absol do Judge. Elas começaram a girar em torno dele fazendo seus músculos crescerem, tornando a aparência do Absol mais bestial. Enquanto isto, o Absol da Awaki disparou uma rajada de fogo de sua boca em direção do outro pokémon.

O Sword Dance já estava concluído, mas o lança-chamas do outro Absol, já estava próximo do de Judge, que não teve tempo para desviar, recebendo todo o golpe. Algumas das chamas queimaram seus pelos e pele, mas o Absol tinha acabado de ficar mais forte, mesmo que tenha sofrido dano no processo.

— Use Sword Dance mais uma vez! – ordenou Judge.

— Se vai ficar mais forte, nos também vamos! Absol use Calm Mind. – pediu Awaki.

Novamente espadas transparentes começaram a giram em torno do Absol do Judge, aumentando sua força e músculos. Enquanto isto, o Absol fechava os olhos e meditava de forma que reunia energia em seu corpo, aumentando suas habilidades especiais.

— Agora use Future Sight! – exclamou Awaki.

Os olhos do Absol brilharam e eles mandaram uma luz para o céu.

— Parece que seu ataque não funcionou, Absol use Night Slash! – ordenou Judge.

A lâmina da cabeça do pokémon noturno brilhou novamente que pulou em direção ao Absol da Awaki, que por pouco desviou, mas ainda recebendo parte do golpe que cortou o seu torço, sangrando um pouco.

— Absol, você está bem? – indagou Awaki preocupada.

O pokémon desastre logo assentiu com sua cabeça.

— Muito bem use Calm Mind outra vez. – pediu Awaki.

Novamente o Absol da Awaki fechou os olhos para reunir poder.

— Só vai ficar parada? Absol use Razor Wind!

Com a lâmina de sua cabeça o pokémon de Judge cortou o ar, arremessando ventos afiados em direção do Absol da Awaki.

— Pule! – gritou Awaki.

Ainda de olhos fechado e reunindo poder, o Absol da Awaki pulou desviando do movimento de Judge.

— Você só deixou nosso alvo mais fácil. – comentou Judge.

O seu Absol continuou cortando o ar e enviando seus ventos mortais em direção ao pokémon da Awaki.

— Não vai dar para desviar. Absol defenda com Night Slash! – exclamou Awaki.

— Tarde demais! – sorriu Judge.

Absol abriu seus olhos e tentou reunir energia em sua lâmina, mas não houve tempo e o vento cortante atravessou seu corpo cortando fora uma de suas quatro patas. Com a enorme dor, o pokémon caiu no chão e começou a gritar, se agonizando.

— Absol! – gritou Awaki preocupada ao correr em direção a ele.

Era muito sangue uma de suas pernas tinha acabado de ser amputada. O pelo do Absol, que era branco, estava se transformando em um escuro vermelho. Ao chegar ao seu lado, Awaki tentou colocar suas mãos na ferida de seu pokémon numa tentativa falha de parar o sangramento.

— Sinto muito, Awaki, mas parece que eu ganhei. – falou Judge.

— Você está errado, Judge. É você que perdeu. – disse Awaki com um olhar feroz e coberta de sangue.

— Acho que você bateu a cabeça. – comentou Judge.

— Então olhe para cima.

Antes que Judge percebesse um portal se abriu em cima de seu Absol disparando uma enorme pedra de energia veloz e poderosa.

— Em cima! – alertou Judge ao seu Absol.

O pokémon do Judge tentou desviar, mas foi lento demais. No momento, que pedra de energia o acertou foi uma explosão de sangue, metade de se torso tinha sido atingido causando um enorme oco no seu corpo.

— Desgraçada! – berrou Judge ao ver seu Absol caído quase que morto.

— Você está ficando velho Judge, esqueceu que o movimento Future Sight é uma ataque poderosismo que é disparado no futuro. – informou Awaki.

O Absol da garota estava bem machucado, mas, ainda assim, melhor que o de Judge. Ainda sentia muita dor, mas se esforçando muito, ele conseguiu ficar de pé.

— Eu disse Judge, foi você que perdeu.

— Não fique se achando! Absol use Perish Song!

Apesar de estar gravemente ferido, o pokémon de Judge soltou um grito amedrontador que fazia uma melodia de sofrimento. O som era tão agonizante que causava dor naqueles que ouviam. Awaki tapou seus ouvidos tentando proteger seus tímpanos, mas seu Absol não podia fazer o mesmo e desmaiou. Finalmente o grito havia parado, mas os ouvidos da Awaki sangravam bastante.

Ela retornou o seu pokémon para a pokébola e ainda sem ouvir direito disse ofegando:

— Parece que é um empate.

— Você está errada, eu ganhei! Absol use suas últimas força e use Razor Wind.

Awaki ficou surpresa com a ordem de Judge, o Absol dele não estava em condições de continuar, mas, mesmo assim, o pokémon noturno se levantou e no seu leito de morte disparou seus ventos cortantes em direção da garota.

Ela tentou correr para desviar do ataque, mas escorregou no sangue de seu Absol e começou a cair. Eram segundo, mas aquele momento para ela parecia uma eternidade, olhava para o vento cortante vindo em sua direção, cada vez mais se aproximando. Não tinha mais como desviar, morreria naquele momento. Diversas coisas passavam pela sua mente, se perguntava se ela estava errada em tentar se vingar, se tudo que tinha feito tinha sido em vão, que deveria ter desistido quando podia. Quando se afundava em arrependimentos e não tinha mais esperanças, seu corpo se moveu, mas não por conta própria, ela estava sendo empurrada para longe da eminente morte. Assim que conseguiu virar sua cabeça para ver o que acontecera, viu Ichirin empurrando o seu corpo e salvando sua vida. Mas Awaki não sentiu gratidão, naquele momento, apenas uma sensação de desespero, ao ser empurrada para longe do vento cortante, Ichirin ficava em seu lugar, e naqueles estantes, Awaki viu a sua salvadora sendo acertada pelo vento mortal em sua barriga, de forma que a parte de cima de seu corpo se separava da debaixo enquanto incontáveis litros de sangue eram jorrados.

A garota do desastre acertou o chão e em um impulso olhou para trás para ver o que acontecera. O que ela viu, nunca poderia mais ser desvisto. O corpo morto de Ichirin cortando no meio e banhado de sangue, com suas tripas e órgãos saindo das duas partes.

— Não pode ser. Não pode ser. Não pode ser. – repetia Awaki em negação ao se rastejar pelo sangue até a parte de cima do corpo de Ichirin. – Não pode ser. Não pode ser. Não pode ser!

Ela chegou ao cadáver de Ichirin e abraçou a sua parte de cima enquanto chorava de forma escandalosa.

— Ichirin! Por quê? Por quê? Ichi….ichi…ichi…ichirin.

Ela olhava para o rosto de Ichirin ensanguentado e se arrependia, se arrependia tudo aquilo.

Judge se aproximou da garota do desastre e quando chegou perto apontou uma arma para sua cabeça. Awaki não fez nada, apenas abraçava fortemente o corpo de Ichirin. Para ela, não se importava mais se ela morreria ou viveria, apenas queria que tudo acabasse o mais rápido possível.

— Desculpe-me Awaki. Eu também gostava dela. – lamentou Judge. – O máximo que posso fazer é que acabe rápido.

Ele encostou a arma na cabeça da ruiva.

— Adeus.

A única coisa que Judge sentiu naquele momento, foi a força de um punho em seu rosto o arremessando para 10 metros de onde estava e derrubando sua arma no chão. Awaki tremia e chorava quando olhou para frente e viu a princesa Evelyne a sua frente.

Ela chorava tanto quanto a ruiva, mas sua feição era diferente da de Awaki, mostrava uma mistura de sentimentos de dor e raiva. Estava usando luvas negras com listras azuis que davam um aspecto tecnológico a elas.

Quem apareceu junto da princesa foi o pequeno Eevee Shiny, que correu enquanto chorava até sua amiga sujando suas patas e pelos de sangue.

— Eu nunca vou te perdoar! Nunca! – trovejava a Evelyne.

Judge tinha quebrado alguns ossos com aquele soco, mas estava se recuperando e finalmente se levantou.

— Voltou, princesa?

— Chega de fazer o que é certo. – disse Eve enfurecida. – Se existe céu ou inferno, eu sentarei no colo do próprio Giratina, pois, agora, a única coisa que consigo pensar é em te matar.

Evelyne cerrou os punhos fazendo sua luva especial encolher, as veias de seus braços ficaram forçadas, como se a luva tivesse as puxando e as linhas azuis da luva começaram a ficar vermelhas. Foi então, que a princesa disparou na direção de Judge e acertou outro soco em sua face o arremessando para o chão. Mas desta vez, antes dele poder se levantar, Evelyne foi para cima ficando sentada sobre o seu corpo o impedindo de levantar enquanto o socava continuamente no rosto. As pequenas mãos da princesa pareciam pedras lançadas a uma enorme velocidade que se tingiam de vermelho do sangue de Judge.

— Eu não pude protegê-la! Não pude salvá-la! Não pode fazer nada! E tudo é sua culpa! Sua culpa! – berrava Eve sem parar de socar o rosto de Judge nem por um segundo.

A pequena princesa que sempre mostrava um rosto puro e sorridente, tinha se tornado na personificação da raiva. Sabia que se qualquer um de seus amigos a vissem naquele momento se assustariam, mas nada daquilo importava.

Quanto mais Evelyne socava Judge, mas seu crânio era amassado, sua cabeça já estava irreconhecível, estava quase uma pasta de sangue e ossos. Assim que teve certeza que Judge não respirava mais, finalmente parou. Começou a ofegar bastante, como estivesse gastada boa parte de sua energia, foi então que cuspiu um jato de sangue. O surto de raiva tinha esforçado muito o corpo da Evelyne, sabia que não poderia continuar a usar aquela luva por muito mais tempo. Ela respirou profundamente e olhou para cima, onde as gotas de chuvas pingavam em seu rosto e se misturavam com suas lágrimas. O momento de lamentação não durou muito, pois logo ela ouviu uma risada vindo abaixo de si, quando pode perceber era Judge que estava tendo sua cabeça reconstruída.

— Quer dizer que a nobre família real também fez experimentos na própria filha. Acho que somos mais parecidos do que imaginava. – comentou Judge ao soca a barriga de Evelyne a jogando para longe e libertando o seu corpo.

A princesa caiu alguns metros do gangster, mas não demorou para levantar-se. Judge também levantou, sua cabeça estava de volta ao normal, apesar de apresentar algumas deformações. Ele então fitou para o lugar onde estava e viu a poça de sangue que Eve fizera, assim como a cratera no chão causada pela força dela.

— Não me compare ao monstro que nem você. – rejeitou Evelyne.

— Você está enganada somos parecidos. Ambos sofremos experimentos nas mãos de sua família.

— O que? – indagou ela surpresa.

— Eu não nasci com a capacidade absurda de me regenerar rapidamente. Está benção ou devo dizer maldição foi me dado pela sua família que me prendeu e me forçou a participar de diversos experimentos. – revelou Judge. – Você estava querendo saber o motivo de eu ter causado toda esta noite das trevas. A verdade é que não foi por causa de um acordo que fiz, ou o fato de querer ajudar minha gangue. Eu apenas te odeio. Assim como odeio toda a família real e se for da minha capacidade vou colocar todos de um a um debaixo da terra.

Evelyne cerrava suas mãos, apertando cada vez mais forte.

— Você está entendendo, não é? – questionou Judge. – Tudo que aconteceu hoje, todas as coisas ruins que fiz, eu ter me transformado em um monstro, tudo é culpa sua e de sua família. Se vocês não tivessem feito nada comigo e com a minha família, se aquela noite infernal não tivesse acontecido, nada do que você presenciou hoje teria ocorrido.

A princesa sabia que não podia se responsabilizar pelo que Judge havia feito, mas não conseguia deixar o sentimento de culpa de lado.

— Eu não sou minha família e não sou você. Mas tudo isto não importa afinal a única coisa que posso fazer para compensar tudo que você fez, é destruindo o monstro que você se tornou.– anunciou Eve.

— Sinto muito, princesinha, você não vai conseguir fazer isto. Afinal, não há como você me derrotar, sua família me transformou em um monstro invencível. – argumentou Judge.

— E como você me derrotará? Sendo um saco de pancadas?

O velho homem enfiou sua mão no bolso de sua jaqueta e pegou uma seringa com algum tipo de líquido misterioso dentro. Enfiou ela em uma veia de seu pescoço e apertou. Assim que o líquido entrou em seu corpo, seus músculos começaram a crescer de forma absurda, o crescimento era tão grande que suas roupas começavam a se rasgar.

— Este é um líquido especial que libera e aumenta a produção de testosterona no corpo, normalmente seria mortal se injetado em uma pessoa normal, mas a minha rápida recuperação me permite usá-lo. – explicou Judge após arrancar a jaqueta rasgada de seu corpo.

— Quanto mais te olho, mas fico convencida que você é um monstro. – Evelyne disparou em direção de Judge.

A princesa cerrou seus punhos, fazendo as linhas da luva brilharem novamente em vermelho. Assim que chegou ao lado de Judge o socou no lado direito de seu rosto de forma que o pescoço de Judge quase entortou.

— Você pode ter ficado mais forte, mas ainda é lento. – contou Eve.

Apesar de ter sido um soco extremamente forte, Judge consegui se fixar no chão e não foi arremessado. Ainda com o punho de Evelyne em seu rosto, ele segurou o braço dela.

— Você estava dizendo o que, princesa? – Com a sua mão livre, Judge socou o estômago de Eve fazendo ela vomitar em seu braço. – Você me sujou, sua desgraçada.

O gangster retirou seu punho da barriga da princesa, que ainda estava desorientada pelo último golpe, e segurou sua cabeça pelo rosto, empurrando Evelyne com força para o chão.

A dor de ter sua nuca colidida com o chão foi enorme, por pouco a princesa não desmaiou. Ainda segurando a cabeça de Eve no chão, Judge virou o rosto dela para que ficasse encostando no chão e começou a esfregá-lo com força como se estivesse querendo limpar a rua com ela.

A princesa gritou de dor e em um ato de desespero agarrou o braço de Judge com suas pernas, virando o seu corpo, se libertando e a mesmo tempo quebrando-o.

— Desgraçada! – berrou Judge de dor.

Evelyne se levantou acertando um soco nas costelas de Judge, seguido por outro e, por fim, um chute que o arremessou em direção a uma das árvores, onde ele colidiu a derrubando.

Judge não teve tempo para levantar, pois a princesa já aparecera em sua frente, chutando a sua cabeça ainda no chão. Para evitar mais ataques, Judge agarrou a perna dela e a arremessou em direção a uma placa de pare por perto.

Colidindo suas costas com a haste, Evelyne cuspiu sangue e caiu no chão. Judge correu para se aproximar dela o quanto antes. Ainda de joelhos, a princesa segurou a haste da placa a arrancando no chão, acertando e perfurando o peito Judge como um lança.

Pelo buraco da haste, começou a vazar sangue como se fosse uma torneira. Mesmo acostumado com a dor, aquilo incomodava o gangster. Ele segurou a haste com suas mãos e arrancou de seu peito, acertando Evelyne no torso com a placa de pare do outro lado da haste, a arremessando a alguns metros. Por ter tirado a haste, o sangramento aumento, tanto que o corpo de Judge estava tingido de vermelho. Aos poucos, foi se regenerando, fechando a ferida e parando o sangramento.

Apesar de ter sofrido menos golpes, diferente do gangster, a princesa não se regenerava e por isso estava bem machucada, com poucas forças para se levantar. Judge se aproximou dela, que tentou rastejar para longe, mas não conseguiu e foi pega por ele, que a segurou pelo pescoço. Evelyne tentava se debater para se libertar, mas o homem te apertava com muita força de forma que ela asfixiava. O olhos da princesa começavam a inchar, se aquilo continuasse por mais algum tempo, morreria.

— O que foi princesa, está com dificuldade de respirar? – indagou Judge sarcasticamente.

Em uma tentativa de se libertar Eve segurou os braços de Judge, apertando-o com todas as suas energias, tentado os quebrá-los, mas por causa da asfixia, não conseguia usar a sua luva para ganhar forças e seu esforço estava sendo em vão.

— Eu não vou deixar você matar mais ninguém nesta noite! – berrou Awaki ao acertar um chute no pescoço de Judge, que desequilibrou e caiu, soltando Evelyne.

A ruiva foi até a princesa e a ajudou a se distanciar do gangster, que ainda levantava.

— Temos que fugir. – sugeriu Awaki.

— Não… podemos. – respondeu Eve ainda com um pouco de dificuldade para falar.

— Se continuarmos aqui, vamos morrer. – argumentou Awaki.

— Eu não quero mais fugir! – berrou a princesa, que começou a chorar. – Eu não pude fazer nada pela Ichirin ou pelo Sid.

Lagrimas também caiam do olhos de Awaki.

— Eu te entendo, também estou cansada de fugir. Judge tirou mais de mim do que posso aguentar. Mas aquele monstro, não há como derrotá-lo.

— Do que adianta ser uma princesa, se eu não posso fazer nada! – berrou Evelyne enquanto socava o chão. – Do que adianta ter todo este poder se não posso proteger ninguém com ele.

— E se você morrer vai fazer o que? – indagou Awaki.

— Eu não pretendo morrer.

Judge já tinha se levantado e suas feridas continuavam a se curar.

— Você finalmente resolveu se intrometer, Awaki. – comentou Judge.

— Droga, temos que ir. – contou Awaki para Eve.

— Ainda não, temos que derrotá-lo primeiro. – contestou a princesa. – Preste atenção no corpo dele.

A ruiva fitou o corpo do gangster percebendo que ele estava mais fraco e com mais cicatrizes do que antes, além do mais Judge também ofegava.

— É verdade que ele tem uma cura milagrosa, mas ela não é infinita. Para curar feridas nosso corpo utiliza de energia e nutrientes, uma vez que acabe, Judge não conseguirá mais se regenerar. – explicou Eve. – Ou seja, só precisamos bater nele o suficiente, até sua cura parar.

— Parece um plano bem simples.

— Tem ideia melhor?

— Não morrer. – brincou Awaki.

As duas assentiram e correram em direção a Judge por lados opostos. O gangster tentou se preparar para o golpe duplo que viria, mas prestar atenção em duas pessoas ao mesmo tempo era difícil e não conseguiu defender-se, recebendo um soco de Eve no lado direito do seu rosto e um chute de Awaki no lado esquerdo. Ele tentou segurar os membros das garotas, mas a princesa foi mas rápida desferindo um chute em seu queixo o arremessando para o alto. Foi então que, com ajuda de Evelyne que serviu de apoio, Awaki pulou em direção a Judge aplicando um chute de calcanhar em sua cabeça que o derrubou direto para o chão.

Os ossos quebrados de Judge estavam se curando, mas ela já percebia que estava ficando mais fraco e não poderia estender aquela luta. Se levantou e pegou outra seringa, desta vez de sua calça.

— Ele tem outro daquele líquido! – alertou Awaki.

— Não vou deixar você usar! – disparou Evelyne em direção do gangster.

Infelizmente, ela não foi rápida suficiente, e Judge enfiou a seringa em seu pescoço, aumentar sua força e músculos. Assim que a princesa se aproximou dele, foi recebida por uma cotovelada no rosto que quase arrancou seu olho. Ela berrou de dor e recuou.

O gangster não teve descanso, pois assim que Evelyne recuara, Awaki já se posicionava para chutá-lo com sua perna direita frontalmente no rosto. Por sorte, Judge conseguiu agarrar a perna dela e a forçou para colidir sua parte de cima do corpo com o chão. Ainda segurando a perna de Awaki pisou na barriga dela a impedindo de levantar.

— Você já me atrapalhou demais, Awaki! – berrou Judge ao entortar a perna dela, quebrando os seus ossos.

A ruiva gritou de dor, algo que enfureceu Eve mais ainda. A princesa correu em direção de Judge dando uma voadora nele. O golpe foi tão forte que arremessou Judge até um carro, amassando sua porta na colisão. O gangster estava cansado, e a cada ataque sentia mais dor.

— Acabou pra você, Judge! – gritou Evelyne desferiu um soco em direção a cabeça dele.

Por pouco o gangster conseguiu desviar, fazendo a princesa acertar a porta do carro no seu lugar. O braço de Evelyne atravessou a porta amassada fazendo um buraco nela e se prendendo. Ela conseguiu se libertar, mas foi tarde demais e Judge empurrou a sua cabeça contra porta fazendo a princesa ficar tonta.

Foi então, que ele pegou o corpo da princesa e posicionou ao lado da porta, abriu ela colocou o braço direito de Evelyne dentro e bateu com força, esmagando seus ossos. Como estava tonta a única coisa que ela pode sentir foi a enorme sensação de dor e angustia ao ter seus ossos sendo estraçalhados.

Mais uma vez Judge abrira a porta e preparava para batê-la mais uma vez, arrancando o braço da garota, mas assim que executaria o ato sentiu uma força o acertando nas costelas e o fazendo cair. Logo se levantou e viu o Eevee Shiny atirando uma Shadow Ball em sua direção. Ao ver o pequeno Lumi sentiu raiva e correu em sua direção desviando dos ataques e chutando o pequeno pokémon para uma árvore, onde ele colidiu. Seguiu até o pequenino e começou chutar ele sem parar.

— Morra seu desgraçado! Morra! – gritava Judge ao sujar seus sapatos com o sangue de Lumi.

A princesa ainda sentia muita dor em seu braço direito, mas não aguentava ver aquela cena. Foi então que viu a arma que Judge derrubara há alguns metros e rastejou até ela. Assim que a pegou mirou em Judge com sua mão esquerda e tentou acertá-lo, mas errou o tiro, servindo apenas para alertá-lo.

Após ver o tiro que quase o acertara, Judge parou de chutar o Lumi, que estava todo ensaguentado. Ele se virou para Evelyne e começou a caminhar em direção a ela.

— Você está errando, princesa? Por que não tenta com a mão direita? – sorriu Judge sarcasticamente.

Eve continuava atirando em direção a Judge, mas não acertava um tiro.

— Você disse que bateria em mim, até eu cansar de me regenerar, não foi? – indagou Judge. – Mas você se esqueceu que você também está machucando e cansando, principalmente pelo uso excessivo desta Relíquia. Esta luva está te consumindo por dentro.

Finalmente, ela conseguiu acertar um tiro nele, desta vez no ombro. Mas logo depois, deixou a arma escorregar. Judge riu e disse:

— Não adianta fazer mais nada. Não há como vocês me derrotarem. É só olhar para vocês, ou estão mortos ou tão machucados que quase não conseguem se mover.

Evelyne tentava se levantar, mas sem poder apoiar a sua mão direita não conseguia.

— Está tudo acabado. Todos aqueles que morreram para proteger vocês duas foram em vão. Afinal, enquanto não houver luz em Lumiose, eu serei o rei desta cidade mergulhada em trevas! – exclamou Judge.

Tudo parecia acabado. Eu não tinha conseguido proteger ninguém, não tinha conseguido acabar com este mal. Não tinha mais esperanças, mas, ao mesmo tempo, me recusava desistir, pois depois de muito tempo, eu sabia que aquele era algo pela qual eu deveria lutar. Foi então que tudo acabou, como começou. Com uma explosão.

Enquanto Judge ria com as desgraças das duas garotas, a torre Prisma disparou outro raio de luz para o céu, mas desta vez, ele era diferente.

— O que está acontecendo?– perguntou Judge. – Meia-noite já passou a algumas horas.

Foi então que luzes começaram a acender ao redor da torre Prisma, uma por uma.

— Não pode ser! Não era para isso acontecer! – berrava Judge ao fitar as luzes.

As luzes de Lumiose se acendiam como uma explosão que começara na torre Prisma e percorria até as estremidas da cidade.

Em um dos andares mais altos da Torre Prisma, lá estava Shiro, ao lado da mercenária sorridente. Através da janela, ele olhava para a cidade que a pouco tempo não possuía luz, tendo suas luzes acessas.

— Você está sorrindo mais do que de costume. – comentou Yuki.

— Acho que é normal, eu não sorrir na sua presença. – riu Shiro. – De qualquer forma, obrigado pela ajuda. Sem você não teria conseguido restaurar as energias da cidade.

— Se você continuar falando assim vai fazer a Yuki se apaixonar. – brincou Yuki sorrindo.

— Eu prefiro morrer. – disse Shiro seriamente.

— Mas que frio! – reclamou Yuki. – Não que eu posso falar nada.

Ela começou a rir.

— Yuki, por que você me ajudou?

— Era nosso trabalho, mas a Yuki só faz o que ela quer. – respondeu ela.

— Trabalho? O que quer dizer com isto? – indagou Shiro, mas a resposta não veio.

Ele olhou para trás procurando por ela, mas não a encontrou. Após perceber que ela tinha sumido, Shiro suspirou.

— Agora, só posso esperar que as luzes de Lumiose os ajudem. Estou contando com vocês.

A cada segundo as luzes se aproximavam da Norte Boulevard. Judge ainda estava perplexo com aquilo. Durante a noite toda, as coisas caminhavam ao seu favor, ele se sentiam invencível, mas ao ver aqueles feixes de luz, sentiam sua força sendo drenada.

Diferente do gangster, Evelyne começou a sentir que aquele não era o fim, que ela ainda poderia fazer algo. Por isso, usou todas suas forças restantes e levantou. Quase não conseguia ficar de pé, mas sabia que outra chance daquelas não viria. Com seu último pingo de vigor, apertou sua mão direita o mais forte que podia, independentemente da dor e agustia que sentia. O seu braço direito já estava quebrado e forçá-lo mais não parecia uma boa ideia, mas era a única que ela tinha. A sua luva preta brilhou completamente em vermelho como se estivesse sugando todo o sangue dela e ainda quisesse mais.

Se eu perdesse minha mão, meu braço, ou até mesmo minha vida, não importava. Eu só precisava de forças para acabar com tudo aquilo de uma vez por todas.

Apesar da dor, Evelyne sentia uma grande energia percorrendo pelo seu corpo, aquele seria seu último ataque, por isso, não podia errar. Pisou com forças no chão a ponto de formar uma cratera ao redor de seu pé e então finalmente disparou em direção ao monstro que vira.

— O que foi Judge? Tem medo da luz? – indagou a princesa.

Antes que ele pudesse ter qualquer tipo de reação, ao as luzes atingirem a Norte Boulevard, Judge recebeu um soco no meio de sua face o empurrando contra o chão.

Princess Punch! – gritou Evelyne não por ser o nome de um golpe ou algo do tipo, mas por ser um grito de guerra que lhe dava forças.

O soco foi tão forte que ao Judge colidir seu corpo com o chão criou um enorme cratera. O gangster nunca recebera nenhum golpe tão forte, aquele soco tinha cruzado a linha do que aguentava. Sua coluna se quebrou em dezenas de pedaços, assim como diversos de seus ossos, ao sofrer o impacto da colisão. Ele não conseguia, mas se mover e nem tentou, pois sabia que tinha sido derrotado.

Foi então que Evelyne começou a vomitar sangue. Apesar de ter vencido a luta, ela não estava em boas condições, tinha se ferido muito e para piorar abusou do poder de sua luva especial. Tinha poucas forças para andar, mas conseguia se manter de pé. Ela respirou profundamente e falou para si mesma:

— Acabou.

Após isso, preocupada foi até o pequeno Eevee Shiny, e o pegou com seu braço esquerdo.

— Desculpa não conseguir te proteger, Lumi.

Em resposta ele lambeu os dedos da princesa.

— Desculpe. – Evelyne começou a chorar. – Me desculpe.

As lamentações da princesa foram interrompidas por Awaki que se rastejava em direção a Judge. Ela tinha pegado a arma que Eve derrubara e apontava para a cabeça do gangster.

— Acabou, Judge. – Ela colocou seu dedo no gatilho e começou a chorar.

— Está esperando o que? Atire. Atire quantas vezes forem necessárias para eu não me levantar nunca mais.

— Awaki, não faça isto! – pediu Evelyne.

— Não era você dizendo que ia matá-lo? – ironizou Awaki.

— Você está certa e para falar a verdade, eu ainda quero… – respondeu Eve. – … Mas, não acho que Ichirin gostaria que uma de nós duas sujasse nossas mãos por causa dele. Não vale a pena.

— Ainda assim, por tudo que ele fez…

— Atire! – gritou Judge. – Me mate! Não tenha piedade.

Awaki estava preparada para atirar.

— Se você puxar o gatilho vai provar que ele está certo. Só dessa vez o ódio não pode vencer. – suplicou Evelyne.

A ruiva ouvia as palavras da princesa, sabia que ela estava certa, mas se não atirasse diria a si mesma que toda aquela sua jornada em busca de sua vingança teria sido em vão.

Awaki esteva preparada para se corromper e começou a puxar o gatilho, mas antes que pudesse atirar, sentiu algo segurando sua mão, quando olhou era Anne, sua antiga amiga que morrera nas mãos de Judge. Assim que piscou, Anne desaparecera. Foi então que mais lágrimas percorreram pelo seu rosto e ela finalmente desistiu.

— Vamos embora. – disse Awaki desviando o olhar.

— Vamos. – sorriu Evelyne.

A princesa ajudou a ruiva a se levantar que se apoiou nela para conseguir andar. Antes de partirem olharam para os cadáveres de Ichirin e Sid, sentiam muita dor ao ver aquilo, mas não podia fazer mais nada. Por fim, começaram a caminhar para finalmente descansar.

— Vocês duas vão me deixar assim? – questionou Judge ainda quebrado no chão.

— Logo a polícia vai te encontrar e você vai passar o resto de sua vida na cadeia. – ameaçou Evelyne.

— Vocês sabem que se não me matarem nada vai mudar. – contou Judge.

As garotas ignoraram o homem e continuaram, desaparecendo de sua visão.

— Adeus…pai. – libertou-se Awaki.

Passou-se alguns minutos desde que as garotas tinham ido embora, Judge contava com sua regeneração, mas não adiantava. Ele tinha ultrapassado o seu limite e para se recuperar, isto se conseguisse, demoraria muito tempo.

— Então o grande líder da gangue vermelha foi derrotado. – comentou uma voz familiar ao se aproximar de Judge.

— Scar? Veio assistir minha decadência? – perguntou Judge.

— Claro que não. – sorriu Scar. – Eu vim me certificar que ela aconteça.

— Então você também planejou isto?

— Não, desta vez, sou um mero peão.

— Nunca achei que ouviria estas palavras do autoproclamado rei de Lumiose. – confessou Judge.

— Normalmente, não aceitaria ser peão de ninguém, mas este é um caso especial. Afinal, ele é muito pessoal.

— O que você quer dizer?

— Antes de te responder. Espero que responda a minha pergunta primeiro. – condicionou Scar. – Por que você aceitou sequestrar a princesa? Por que você foi tão longe e causou esta terrível noite?

— Eu odeio a família real, então, simplesmente, queria vingança.

— Mas a princesa não fez nada para você. – contestou Scar.

— Minha esposa e filha também não fizeram nada contra a família real para serem mortas.

— Quanta hipocrisia. – reclamou Scar. – O que a família real fez para você foi terrível, mas isto não justifica o fato de todo o mal que você causou a pessoas que não tinham nada a ver.

— Eu não me importo. Para mim a vida se tornou uma concha vazia, e a única forma que encontro de enchê-la é através do ódio

— Você me decepciona. – suspirou Scar. – Judge, o nome Albert Akari te traz alguma lembrança?

O velho homem negou.

— Então deixa eu refrescar sua mente. – falou Scar. – Era uma vez uma jovem mulher chamada Grace. Ela tinha nascido no interior da região de Kalos e se mudou para Lumiose onde oportunidades tinham surgido Foi então que ela conheceu um jovem rapaz e se apaixonou por ele, mas infelizmente aquele homem estava interessado apenas em seu corpo e a deixou. Do falso amor um menino nasceu e ela o batizou de Albert. Para piorar a situação, foi demitida de seu trabalho e como não tinha família para voltar, precisou arranjar alguma forma de sustentar seu filho, para isto se juntou a uma gangue da cidade e vendeu o seu corpo. Disto uma filha nasceu e o belo nome que ela recebeu foi Serena.

Judge começava a se lembrar daquela história.

— Apesar de todas as dificuldades que enfrentava, Grace sempre amou seus dois filhos e sempre os cuidou da melhor forma possível, sonhando que um dia eles pudessem ter uma vida melhor. Foi então, que um dia Grace saiu para trabalhar, mas ela não voltou. Ela tinha morrido por causa de cansaço, o líder da gangue a forçava trabalhar demais, ela não aguentou e faleceu. Como Grace trabalhava por ela e pelos seus dois filhos, nenhuma das duas crianças podia se sustentar, por isso o líder da gangue as expulsou. As soltando nos becos escuros para morrerem de fome.

O velho homem já tinha consciência do que Scar falava.

— Bem, morrer de fome seria uma das melhores coisas que poderia ter acontecido com as duas crianças. Afinal, existem muitas pessoas ruins no mundo. Apesar de tudo que aconteceu, as duas crianças sobreviveram e cresceram. Sendo que o filho mais velho se tornou um rei.

— Então você era aquele menininho medroso? – riu Judge. – Eu nunca imaginaria isso.

Scar apontou uma pistola para cabeça de Judge.

— Por sua culpa minha mãe morreu e minha irmã quase teve o mesmo destino. – contou Scar. – Eu te odeio, Judge. Desde a primeira vez que o vi entrando no meu escritório, tive vontade de matá-lo. Finalmente a oportunidade surgiu. Por isso se lembre no inferno que aquele te matou foi eu, Albert Akari.

— No fim o ódio venceu. – sorriu Judge antes de ter sua cabeça explodida por uma bala.

Scar continuou atirando na cabeça do outro homem sem parar, de forma que o som dos tiros pareciam uma melodia que ecoava por toda aquela parte vazia da cidade. Foram 2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,13 tiros até que era impossível reconhecer uma cabeça no corpo de Judge, tinha sobrado apenas uma pasta vermelha. Quando teve certeza da morte de Judge e que ele não se curaria mais, Scar parou de atirar e deu as costas para o defunto. Ele percebeu que havia parado de chover, olhou para cima e disse:

— E assim a gangue vermelha acabou.

Aquele alto homem continuava no topo dos prédios mais altos de Lumiose. Ele olhou para o livro em sua mão e fechou.

— Tudo foi conforme as linhas dos destinos. – sorriu OZ. – Felizmente, não tive que interferir desta vez.

Ele fitou o seu livro fechado e indagou:

— Me pergunto qual será o caminho que você escolherá na próxima vez?

As duas mulheres continuavam sua batalha, foi então que Juvia recebeu uma ligação no seu celular e atendeu. A chamada foi rápida, durando poucos segundos. Após desligar, Juvia se sentiu aliviada.

— Deu tudo certo. – suspirou ela.

— Do que você está falando? – indagou Valerie.

— Você me perguntou o porquê de eu não deixar você passar. Foi porque Judge e a gangue vermelha precisavam ser eliminados.

— E a Eve?

— Não se preocupe, a princesa está segura. – respondeu Juvia ao retornar seu Salamence. – Se quiser pode ir atrás por si mesma.

Valerie não sentia mais agressividade vinda dela e retornou sua Sylveon.

— Desculpe não poder terminarmos a nossa batalha. – disse Juvia ao ir embora.

Valerie foi a única que havia sobrado naquele beco. Apesar de Juvia ter dito que Evelyne estava segura, a líder de ginásio ainda estava preocupada e quis se apressar. Foi então que ela sentiu um Arcana peculiar, parecia com a de Eve, mas era diferente. Imaginando que poderia ser aquela pessoa, Valerie a seguiu. Quando se aproximou suficiente, pode sentir quem era.

— Adol! – exclamou ela para o jovem homem de cabelos vermelhos.

— Que surpresa te encontrar nesta situação, Valerie. – falou Adol.

— O que você está fazendo aqui? Achei que ninguém da família real estava em Lumiose.

— Para o plano ter funcionado, era assim que eu queria que todos achassem.

— Plano? Como assim? – assustou-se Valerie.

— Fui eu que contratei Judge para sequestrar a minha irmã. – revelou Adol. – Mas não era para aquele desgraçado ter tentado matá-la.

— Adol? Pode repetir? Acho que não estou te entendendo.

— Você sabe que entendeu, afinal eu não conheço ninguém com uma audição tão boa como a sua.

— Por que você fez isto? Ela podia ter sido morta! – reclamou Valerie.

— Mas não foi.

— Mesmo assim, por quê?

— Desde que meu pai morreu, minha mãe tem servido como a rainha regente. Em nossa família não importa a ordem de nascimento, aquele que assumirá o trono será o que vencer a Batalha de Sucessão, que ocorrerá quando todos os príncipes e princesas se tornarem maiores de idade.

Meus pais tiveram 2 filhos e 3 filhas, de todos Eve é a caçula e logo ela vai atingir a maioridade. Eu quis que ela pudesse ver e sentir o mundo real por si mesma para poder tomar suas decisões e, se quiser, participar da Batalha de Sucessão, para mudar Kalos da sua forma.

— Isto está errado! – gritou Valerie. – Não importas os seus motivos. Você envolveu milhares de pessoas nesta sua loucura. A Eve com certeza passou por coisas terríveis por sua causa!

— Tudo o que fiz foi por ela.

— O Adol que eu conheci nunca envolveria inocentes em seus assuntos, nem usaria sua irmã como desculpa.

— Você está certa, eu não sou mais o Adol que você conheceu.

A única coisa que Valerie sentiu foi uma lâmina atravessando o seu torso. Quando se deu conta, era Adol que segurava a espada que atravessa o seu corpo.

— Me desculpe, Valerie. – ele retirou a lâmina do corpo dela, fazendo o buraco de seu peito jorrar sangue.

— Por…quê? – indagou Valerie segundos ante de…

… Fechar os olhos.

Notas finais
A espera valeu a pena? Eu espero que sim rsrsrs. Bem, muitas coisas, mas muitas mesmo, aconteceram neste capítulo. Teve batalhas, lutas, mortes, evoluções, etc. Como diria o Jack, estripador, vamos por partes. O primeiro núcleo que vou comentar é o do Kuro, acredito que foi a primeira vez que ele teve um momento de brilho só para ele, as interações dele com a Awaki, assim como todo o núcleo foram boas de escrever. Além disso, a forma que o confronto se finalizou foi no mínimo interessante, não é mesmo? Teorias? Rrsrsrs. O segundo núcleo é o da Katy que teve sua revanche contra Yuki, onde tivemos duas evoluções uma por parte do Snorunt da Yuki e uma por parte do Piplup da Katy. Foi a primeira evolução de um pokémon da nossa protagonista e espero que tenha ficado tão forte de emoções quanto eu queria passar. Neste núcleo também teve outras coisas interessante como a relação das duas irmãs furisodes e o surto da Yuki. O que vocês acharam de tudo? O terceiro núcleo que comentarei é o do Shiro que foi bem curto, mas queria relembrá-los dele, principalmente pela a ajuda inesperada da Yuki nele. O quarto núcleo é o da Valerie, onde a batalha dela e da Juvia ocorreu. Devo dizer que foi uma das batalhas mais interessantes para escrever, pois senti que ela foi bem diferente, utilizando muito do cenário, além de ser uma batalha com proporções maiores do costume da fic. Infelizmente, ela não pode ser concluída, mas para vocês quem levou a melhor? Ainda falando deste núcleo, teve a cena final onde a Valerie se encontra o Adol que revela ter sido o responsável por ter planejado o sequestro de sua irmã. Para quem não se lembra, o capítulo especial da Valerie conta quando os dois se conheceram e sua relação. Mas agora está tudo diferente e Adol faz de tudo para fechar o capítulo de forma sacana(Né escritor rsrsrs). Por fim o ultimo núcleo que vou comentar é o da Eve. Que como devem ter percebido foi o foco do arco e capítulo. Ao longo do arco inteiro, a querida princesa, se questiona o que ela quer fazer, o que ela deve fazer, e este capítulo traz muito disso, tanto que desde o capítulo 8, o de estreia da Eve, este foi o primeiro que ela foi a única que teve partes narradas em primeira pessoa. A relação dela com Ichirin também foi algo que foi construido para a princesa finalmente achar o que queria. Infelizmente, nem tudo ocorreu bem, e tanto Sid quanto Ichirin morreram, devo dizer que foram mortes difíceis de escrever e espero não ter estragado o dia de vocês com elas. Awaki também teve grande participação neste núcleo, em especial, sua relação com Judge. Tendo sua revanche e desta vez bem sangrenta. Junto com a Eve, pode se dizer que Awaki foi uma das grandes condutoras do arco e com certeza teve muitos momentos interessantes nele. A luta final entre Evelyne, Awaki contra Judge, foi algo bem diferente de escrever, por ser uma luta entre humanos com habilidades especiais e por ser tão brutal e sangrenta como foi. Sei que esta é uma história de Pokémon, mas este universo é muito grande e acredito que pode ser explorado de muitas formas, claro que os monstrinhos de bolsos continuarão sendo uma grande parte importante da fic. No final de tudo, Judge acabou sendo morto por Scar, que fez uma revelação chocante, ou não rsrsrs, alguns leitores já tinham acertado sobre quem ele era. Antes de me despedir, quero dizer mais uma coisa. Muito obrigado por terem lido até aqui! Muito obrigado por continuarem acompanhando, lendo e comentando a fic, mesmo depois, deste meses de hiato, afinal são vocês me dão forças e vontades para continuar a escrever essas história que tanto amo! Por favor, peço que comentem se sentirem a vontade, afinal tenho certeza que muitos tem muitas coisas para falarem. Espero que tenham gostado do capítulo do fundo do meu coração e que ele tenha lembrado a todos como é ler RainStorm depois de todo este tempo. Sinto que finalizar este capítulo foi uma passagem para eu como escritor, por isso quero que para vocês tenha valido a pena. Mais uma vez muito obrigado por tudo! Tudo de melhor e até mais!