Pokémon Origens - Ano 1
1 Capítulo 001 - Nova Cidade, Novas Aventuras
Notas iniciais
Aquele dia estaria para sempre marcado na vida de Brendan. Dentro do caminhão, ele ficava imaginando como seria quando ele chegasse em sua nova casa. Claro que seria um pouco estranho, mas ele estava ansioso para isso. Tão ansioso que não conseguia se concentrar em seu jogo. O 3DS já estava com a bateria fraca e o garoto não conseguia se concentrar no aparelho. Ficava olhando para os lados, para as caixas com cada uma das coisas que ele ajudara a empacotar quando deixaram Olivine.
Através do pequeno visor, ele conseguia enxergar a mãe no banco do carona, conversando e rindo com seu pai, que dirigia atentamente enquanto atravessavam a estradinha até sua nova casa, em Hoenn. A paisagem mudava rapidamente, de uma estrada pequena cercada por vegetação de um campo aberto para casas e fios enquanto o verde se tornava cinza e a placa anunciava sua chegada: Vila Littleroot.
Enquanto as casas começavam a tomar conta do cenário e as calçadas cheias de pessoas, aquele dia parecia ficar mais ensolarado e brilhante. Talvez tudo fosse apenas fruto da imaginação de Brendan, mas tudo parecia feliz. Como não poderiam faltar, alguns Pokémon que ele nunca havia visto nas janelas e pelas ruas. Finalmente, o caminhão para e o pai desliga o motor.
– Bem, vou deixar alguns deles aqui para ajudar com a mudança e vou para o Ginásio conhecer as coisas. Divirtam-se enquanto eu estiver fora. – Disse o homem, virando para beijar sua esposa e olhando pelo visor para seu filho. Os cabelos pretos estavam um pouco bagunçados, mas mesmo sorrindo o homem parecia um pouco sério.
– Tudo bem, querido. Boa sorte. E você, vai ficar aí dentro ou vai conhecer a nova casa? – Pergunta a mulher, com seus cabelos ruivos separados em seus ombros e um sorriso travesso no rosto.
Brendan havia ouvido o pai descer e o som de Pokéballs denunciava o sorriso da mãe. A porta do caminhão se abriu e dois Pokémon brancos, levemente corcundas e bem peludos apareceram com suas pequenas presas amostra em um tipo de sorriso torto enquanto suas garras afiadas pegavam as caixas com cuidado e as tiravam do caminhão. Pelo menos foi isso que um deles havia feito, o outro, quando subiu foi direto para o garoto e o pegou no colo, fazendo-o rir e balançar, jogando-o com cuidado no chão, caindo em pé.
– Bem-vindo à nossa nova casa! – Falou a mulher animada enquanto os dois Pokémon rapidamente iam e vinham com as caixas, entrando e saindo da casa. – Nossa, como eles são rápidos! E também fortes, nem precisam de ajuda para carregar as coisas. Acho que os quartos já estão prontos. Quer ir ver o seu?
– Quero! Será que meu computador já está pronto? – Pergunta ele animado.
– Provavelmente não, mas vá dar uma olhada. – Ela responde com uma risadinha, cobrindo a boca delicadamente com a mão.
Ele entra na casa. A cozinha em estilo americano estava sem mobiliada, com alguns armários que eram da própria casa, a geladeira e o fogão já instalados, enquanto a sala estava com a mesa de jantar e uma estante colocadas e logo viriam as cadeiras. Subindo as escadas, ele começa a andar pelo curto corredor, procurando seu novo quarto. Um banheiro, um quarto vazio, o quarto dos pais e, claro, o último é o seu.
A cama está em um canto, ao lado da janela, o colchão mais ou menos no lugar. Uma das televisões está sobre uma cômoda ao lado da escrivaninha, que está vazia. Ou quase. Um pedaço de papel chama a atenção do garoto. Um mapa, ele percebe ao se aproximar. Desenhado nele, está a ilha que agora era sua casa, o grande continente de Hoenn. Ele sorri, animado com a ideia de que vai iniciar sua jornada em um lugar desconhecido.
Olhando em volta, ele percebe que o lugar está vazio. Falta algo, mas ele não percebe o que, até que se lembra: o guarda-roupa. Ele ainda não deve ter subido. Ou não deveria, já que na hora em que ele pensa isso, um dos Pokémon entra carregando a primeira parte do móvel, alegremente balbuciando seu nome.
– Obrigado! Eu estava me perguntando onde estava isso. – O Pokémon faz um som misto de um pedido de desculpas com uma risada e Brendan ri. – Tudo bem. Quando terminar, eu volto aqui, não vou ficar te atrapalhando, certo?
O Pokémon concorda, saindo do quarto rapidamente, e o garoto o segue, mas a criatura de pelos brancos e crina vermelha já está descendo as escadas no final do corredor.
– Que rápido... – Ele murmurou para si mesmo, descendo as escadas, onde encontrou com sua mãe na sala, assistindo à televisão.
– Brendan! Venha rápido, seu pai está na TV! – Ela chama, com gritinhos animados. Ele corre para ver a entrevista, mas a repórter já havia terminado as perguntas e estava agradecendo pela audiência. Brendan só conseguiu ver o pai de relance antes de voltarem para o estúdio com outro repórter dando notícias sobre o Professor Oak estar chamando jovens para suas jornadas Pokémon nas escolas de Kanto. – Mas que entrevista rápida! Acho que seu pai vai ficar um pouco desapontado com isso. Enfim, fiquei sabendo que a casa do lado é de um perito em Pokémon. Ele tem uma filha da sua idade... 12 anos, quem diria! Meu rapazinho já está pronto para se aventurar pelo mundo. Ainda lembro de quando tinha a sua idade, eu estava tão ansiosa para conhecer o mundo!
Os olhos da mulher começaram a ficar marejados de emoção e ele sorri, abraçando a mãe. Ele não queria mostrar, mas também estava emocionado, e uma lágrima quase escapava de seu olho.
– Bom, eu vou lá conhecer eles, tudo bem? – Ele pergunta quando se separam e ela sorri, assentindo.
Ele saiu da casa, olhando ao redor. Várias casas mais ou menos iguais faziam paralelo com a sua, e o garoto podia perceber que em cada casa havia um pequeno jardim, e que a cada quinze metros, mais ou menos, havia uma árvore na calçada. Parecia um bom lugar para se viver. Finalmente, ele começa a caminhar pela pequena trilha sinuosa do quintal de sua casa até a calçada e faz o mesmo percurso à casa ao lado, parando na porta.
Ele bate, ansioso. O que estava esperando? Um homem imponente pronto para fazer um discurso sobre Pokémon? Talvez. Mas uma mulher lhe atendeu. Ela parecia muito... normal.
– Pois não? – Ela pergunta, com um sorriso simpático.
– Olá! Meu nome é Brendan. Sou seu novo vizinho. Minha mãe... – Ele não teve tempo de terminar a frase, a mulher abriu a porta e o chamou para entrar, mais alegre do que antes.
– Ah, bem-vindo! Que prazer te conhecer, Brendan. Eu sou Lyn, seus pais estavam conversando com meu marido mais cedo. Caroline, sua mãe, certo? Entre, por favor. – Ela dá passagem para ele e o garoto limpa os pés no tapete antes de entrar, pedindo licença.
– Isso mesmo. Muito prazer, Sra. Lyn... minha mãe me disse que um perito Pokémon mora aqui e que tem uma filha, mas não falou que conversou com a senhora.
– May, claro. Ela só conta a parte mais interessante para você. – Ela solta um risinho enquanto olha para cima, para as escadas. – May está lá em cima estudando algumas coisas. Ela pretende ajudar o pai quando tiver idade suficiente. Se quiser, pode ir cumprimentá-la. Ela dificilmente desce aqui quando está estudando, mas gosta de conhecer pessoas novas.
Brendan não sabia exatamente o que fazer. Ele deveria subir na casa de desconhecidos e bater à porta de uma garota estranha?
– Está com vergonha? Me desculpe, é que somos muito sociáveis aqui. Eu te levo.
Ela subiu as escadas, e ele a acompanhou, seguindo até onde deveria ser o quarto de Brendan se estivesse em sua nova casa.
– May? – Ela bateu na porta. – Temos visitas. O novo vizinho está aqui.
– Pode entrar! – Uma voz feminina disparou de dentro do quarto, como se cantasse. Brendan olhou para a mulher, que assentiu, com os cabelos castanhos, caindo-lhe sobre os ombros e ele agradeceu, abrindo a porta. – Olá, Sr. Norman... – Ele ouviu.
Olhando para a direção da voz, ele encontrou uma garota com cabelos castanhos presos por uma bandana vermelha, com uma expressão de dúvida que logo sumiu.
– Ah, me desculpe, achei que era o novo Líder de Ginásio. Você deve ser o filho dele, não é? Muito prazer, eu sou a May. – Ela falou, um pouco encabulada, mas ele ainda podia ouvir um som levemente cantado enquanto ela se apresentava.
– Tudo bem, May. Eu sou o Brendan, sou sim filho do meu pai. – Ele deve ter percebido que sua fala não fez muito sentido e logo se corrigiu. – Quer dizer, sou filho do Norman, Líder do Ginásio. Sim. – Ele estava vermelho, e fez May rir. – Sabe, pra mim não faz muita diferença, é a mesma pessoa...
– Eu sei exatamente como é. Sabe, meu pai é um Professor Pokémon, então eu passo pela mesma coisa. É ele quem vai te dar seu primeiro Pokémon quando você sair em jornada. Nossa, eu espero que ele me dê um logo, vou poder ajudar muito mais se eu tiver um Pokémon comigo, não é?
– Acho que sim. Eu vou precisar de vários se eu quiser vencer a Liga. Quero poder treinar quantos forem possíveis. – Ele reparou no espelho que tinha ao lado da escrivaninha onde May estava sentada antes de Brendan entrar e decidiu arrumar sua touca. Uma touca simples branca com a parte do elástico verde. – Você também estuda Pokémon? – Ele pergunta quase que instantaneamente.
– Estudo sim, eu tava fazendo isso agora, olha. – Ela pega o caderno aberto de cima da escrivaninha e mostra algumas anotações simples sobre alguns Pokémon que ele não conhecia, mas ele não queria parecer um novato, então apenas assentiu. – Nossa, meu pai já devia ter voltado... talvez eu passe no laboratório pra ajudar ele mais tarde. Talvez a gente possa se encontrar lá mais tarde, o que acha? Eu gosto de ver meu pai dando o Pokémon inicial para os novos treinadores. E talvez dessa vez ele me dê o meu também.
– Vai ser ótimo! Que horas ele vai voltar?
– Não sei direito. Aliás, acho melhor eu ir atrás dele. Pode ser que ele precise de mim pra ajudar. Quer vir comigo?
– Eu queria, mas tenho que pegar minhas coisas na minha casa antes.
– Então corre lá, eu te encontro no laboratório. Ele fica mais ou menos aqui... – Ela caminha até o lado dele e mostra seu PokéNav Plus, igualzinho ao aparelho que Brendan tinha, um quadrado alaranjado que, ao abrir, tinha uma tela em cima e botões em baixo e fazia basicamente tudo. Apertando um botão, ela acessa um mapa e mostra o caminho. – Essa é minha casa, e essa é a sua. Se você seguir esse caminho, chega aqui. Esse é o laboratório. – Ela traçava o caminho com o dedo mostrando onde ele deveria ir. – É isso.
– Entendi. Parece simples. Qualquer coisa, eu olho no meu PokéNav. – Ele responde, sorrindo.
– Certo. Até mais, Brendan. Boa sorte com a mudança.
May sai do quarto, deixando a porta aberta para ele sair e o garoto o faz, descendo as escadas, encontrando com Lyn, que fala sobre como uma jornada pode ser muito empolgante e deseja boa sorte antes do garoto voltar para sua casa.
Correndo para sua casa, Brendan pega sua mochila e, com a ajuda da mãe, se prepara para a viagem. Algumas trocas de roupa, seu PokéNav, um pouco de dinheiro e comida e logo ele estava pronto. A despedida foi rápida. Eles se veriam de novo várias vezes, e Brendan sempre ligaria para os pais.
Mas Brendan não esperava que o que aconteceria em seguida fosse acontecer. Logo que ele saiu de casa e começou a caminhar, descendo a rua, ele encontrou um garotinho correndo desesperado. O garotinho estava correndo na direção dele, visivelmente assustado com alguma coisa.
– Ei, você! Me ajuda! Vem rápido, o professor precisa de ajuda!
– Professor...? – Brendan não sabia o que estava acontecendo, mas decidiu ajudar. Ele era mais rápido que o garotinho, então correr não era a palavra certa para descrever o que ele estava fazendo para acompanhar a criança.
– Lá! – Ele apontou para a divisa da cidade. O professor está sendo atacado.
– Eu vou ajudar ele. Obrigado! – Brendan nem sequer olhou para trás, apenas continuou correndo, deixando o garoto com uma expressão aflita no rosto.
A divisa da cidade fazia a paisagem mudar rapidamente. O que antes era uma estrada de cimento com casas ao redor, agora era uma longa estrada com um campo aberto se estendendo pelo horizonte. Como exatamente Brendan encontraria o professor? A resposta era simples: Os gritos.
Brendan seguiu o som do homem gritando e não demorou muito para ver uma bolsa jogada há alguns metros de um homem robusto de jaleco que, com um galho, tentava afastar um Pokémon canino selvagem de pelagem cinza.
– Professor! – Ele chamou, sem saber o que fazer. O homem olhou para ele e, por um segundo pareceu aliviado.
– Ei, garoto! Rápido, pegue uma Pokéball dentro dessa bolsa. Me ajude! Calma, bichinho, me desculpe... – Ele movia o galho devagar, tentando desviar a atenção do Pokémon. – Poochyena bonitinho...
Brendan olhou para a bolsa no chão e se ajoelhou, abrindo-a rapidamente. Haviam dois livros, vários papéis e algumas pastas, mas logo na boca havia o que ele procurava. Três esferas vermelhas e brancas que reluziam onde o sol as tocava. Ele não se deu ao trabalho de escolher uma, apenas pegou a que estava no meio, lançando-a ao apertar o botão no centro. Um brilho se instaurou quando a Pokéball se abriu, revelando uma pequena criatura com duas perninhas curtas e plumagens alaranjadas. Um tipo de pintinho?
– O...o que eu devo fazer agora? – O garoto pergunta.
– Espante esse Pokémon! Peça para o Torchic fazer algo!
– Certo... Torchic: ataque o Poochyena! – Ele pediu, sem muita convicção. O Pokémon o encarou com uma expressão um pouco confusa, seu bico parecia formar um “que”, como se o pintinho estivesse tentando falar a palavra.
Mesmo assim, o Pokémon assentiu e soltou algumas chamas do bico, bem fracas, mas que queimaram os pelos de Poochyena e chamaram sua atenção, fazendo o bicho rolar e fugir, tentando apagar o fogo.
– Ah, muito obrigado! – Agradeceu o professor, largando o galho e recolhendo a Pokéball, retornando o pequeno Pokémon para dentro dela. – Eu sou o Professor Birch. Nunca vi você por aqui. Deve ser o Brendan, certo? Filho do novo Líder de Ginásio.
– Isso mesmo, professor. Eu estava indo para o seu laboratório agora, pra falar a verdade.
– Ainda bem que desviou o caminho, então. Você ia pegar seu primeiro Pokémon, certo? Quer uma carona? Eu preciso ir para lá também, de qualquer forma.
– Seria ótimo, obrigado.
– Venha, meu carro está logo aqui.
Juntos, eles foram até uma parte mais adiante da estrada, onde o jipe estava estacionado. No caminho até o laboratório, o Professor Birch explicou que estava fazendo algumas pesquisas quando sem querer assustou o Poochyena, que não ficou nada feliz com a surpresa e começou a persegui-lo.
– Sabe, eu gosto de estudar os habitats dos Pokémon para entender melhor como eles vivem. Era isso que eu estava fazendo. Pesquisando sobre aquele campo aberto. Mas isso não deve ser muito interessante para você, não é? Chegamos.
Eles desceram depois de desligar o carro e entraram no laboratório. Um grande prédio com vários aparelhos que Brendan não fazia ideia de para que serviam, mas ficava impressionado mesmo assim.
Ao chegar em uma sala menor, com muito menos aparelhos e um grande computador, eles encontraram May conversando com um dos vários cientistas que trabalhavam lá.
– May! Que bom que está aqui. Está pronta? – Pergunta o professor, sorrindo para a filha. Ela assente com a cabeça de maneira confiante. – Ótimo. Acho que vocês já sabem como as coisas funcionam, não é? Agora vocês estão prontos para começar uma nova aventura. Agora vocês podem sair pelo mundo conhecendo Pokémon e treinadores, ganhando experiência e aprendendo a conviver e crescer com seus Pokémon, mas para isso, vocês precisam de um primeiro parceiro que irá ajudá-los a conquistar isso. E é agora que vocês escolhem!
Com um sorriso, o professor lança as três Pokéball que estavam em sua bolsa, liberando os três Pokémon que estavam lá dentro. Torchic, um lagarto verde bípede com uma cauda que parecia feita de uma grande folha. Era levemente mais alto que os outros dois. O terceiro, um tipo de sapo azul, era quadrúpede e tinha uma crina que o deixava da mesma altura de Torchic.
– Esses são nossos Pokémon iniciais. Treecko, do tipo Grama; Torchic, do tipo Fogo; E Mudkip, do tipo Água. E então, qual vocês vão escolher?
Os três Pokémon encaravam os garotos, juntamente do professor. A curiosidade estava visível nos olhos dos três Pokémon, que obviamente esperavam ser o escolhido. May olhou para Brendan, que devolveu o olhar. Mesmo sem se conhecerem, eles sabiam o que o outro estava pensando: que aquela era uma decisão difícil de fazer, e que eles poderiam passar o resto do dia pensando até obterem a resposta.
– Eu acho que... – Brendan começou, todos voltando a atenção para ele. – Vou escolher o...
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