Notas iniciais
Olá, pessoas! owo Desculpem por estar tudo meio 'sem ação' por enquanto, mas prometo que logo isso irá mudar, hehe. Este capítulo é um pouco maiorzinho, pretendo fazer os próximos assim também. x3 Anyway, o que estão achando da história até então? Críticas são bem vindas!

E, simpes assim, como impulsivamente, as palavras saíram. Caroline não acreditava realmente tê-las dito; parecia mais que haviam fugido de sua boca, sem permissão, enquanto sua guarda estava baixa. Mas havia feito sua decisão, e não voltaria mais atrás.

Agora, começava a acalmar-se; sua respiração tornavasse mais leve e seus batimentos cardíacos voltavam a seu passo normal. Fechou seus olhos por alguns breves segundos, refletindo sobre o que acabara de fazer, e questionando-se se aquilo realmente era o certo, mas rapidamente abriu-os novamente, como que para se livrar daqueles pensamentos. Sua escolha já havia sido feita, e ela não se arrependeria — pelo menos, não antes mesmo de começar a sofrer suas consequências.

–Então, todas vocês aceitam. -a professora abriu um sorriso radiante de orelha a orelha; os resultados haviam sido melhores do que esperados. Certamente, não acreditava que as três jovens se colocariam em tal risco, mas isso havia ocorrido. -Isso é muito bom pois, a partir de agora, precisarão se unir. Assim serão mais fortes.

As meninas se entreolharam por um momento. Amy possuía um olhar determinado; certamente era a que tivera mais facilidade em tomar sua decisão e não transparecia incerteza alguma. Alyss tinha um ar mais preocupado, embora também sério, mostrando-se pronta para enfrentar o que viesse. Caroline, por sua vez, mesmo que agora mais tranquila, ainda demonstrava-se um pouco incerta. No fundo, dizia para si mesma que estaria pronta para tudo, embora não tivesse certeza disso. Sua única real preocupação agora era como contaria isso para Firestarter.

–Bem, é claro que não as lançarei nessa jornada de mãos vazias. -a mulher deu uma piscadela com seu olho direito, logo dirigindo-se até a única mesa que possuía máquinas diversas ao invés de tubos de ensaio. Seus pequenos pokémons a seguiram, prontos para ajudá-la de qualquer forma que pudessem. Em apenas alguns segundos, Juniper virou-se de volta para o grupo segurando uma caixa de tamanho mediano em seus braços, enquanto seu Phantump carregava uma segunda, idêntica a primeira, e Minccino ajudava Lillipup a empurrar uma terceira pelo chão. -Acredito que esses aparelhos serão muito úteis para vocês. -completou ela, abrindo lentamente a caixa que segurava, como que para fazer suspense.

Caroline observou com cautela o primeiro objeto retirado pela mulher; assemelhava-se à uma espécie de Ipad, sendo apenas um pouco menor do que um — talvez por isso parecesse tão familiar para a menina. Era vermelho com alguns círculos pintados em suas quatro pontas e, em ceu centro, havia uma esfera maior, como um 'corte' circular, e uma faixa que o envolvia; nesse aspecto, lembrava muito uma pokébola e seu botão central.

–Este é, provavelmente, um dos mais importantes. -a mulher de cabelos roxos começou. -É uma Pokédex, que eu mesma programei, aqui no laboratório. É a mais moderna que existe, portanto, poderão identificar a maioria dos pokémons.

–Já ouvi falar em uma. -comentou Alyss, fitando o dispositivo. -Podemos descobrir as características dos pokémons com ele, certo? -indagou.

–Sim. -respondeu a mulher. -E, além de obterem uma breve descrição do pokémon para qual apontarem a Pokédex, ela também lhes fornece todos os movimentos conhecidos por aquele pokémon, além de dados como sua altura, peso, habitat e, é claro, uma imagem deste. Vejam. -ela explicou, logo depois apontando o peculiar aparelho para seu Minccino.

–Minccino, o pokémon Chinchila. -uma voz robótica soou, oriunda da Pokédex. -Minccino adora objetos brilhantes e usará sua cauda como espanador para limpá-los, caso estejam sujos.

Virando o dispositivo para as meninas, mostrando-lhes as informações que apareciam em sua tela, a professora explicou-lhes cautelosamente sobre cada uma de suas funções, adicionando também dicas de como utilizá-la de maneira correta e rápida, de odo a satisfazer suas necessidades.

–Interessante. -murmurou Caroline, maravilhada com tamanha tecnologia. Achava incrível como um aparelho tão simples era capaz de armazenar e fornecer tantos dados e mal podia esperar para utilizá-lo.

–Sim. E não paramos por aí! -sorriu Juniper, tirando mais alguns objetos da caixa misteriosa. -Estas já devem conhecer; são pokébolas. -levantou um dos dispositivos vermelho e branco para que as jovens pudessem vê-lo. -Podem ser úteis quando precisarem retornar seus pokémons enquanto estiverem passando por cidades ou outros lugares onde não seja seguro deixá-los a vista. Embora não lhes aconselhe a utilizá-las "à moda antiga", batalhando com o pokémon antes de capturá-lo; isso pode ser fatal na época em que estamos, já que o sistema imunológico dos pokémons está bem fraco.

Naquele momento, a garota de cabelos negros começou a imaginar que tipos de pokémon encontraria em sua jornada. Estava muito animada com tudo aquilo; ter um time e conhecer novas espécies daquelas criaturas intrigantes era algo que imaginara apenas em seus sonhos, jamais achou que aquilo pudesse acontecer de verdade.

–E este é um XTransceiver. -disse a cientista, retirando da caixa um dos últimos objetos nela presentes. Assemelhava-se a um relógio, mas com certeza era mais complexo do que um. Era marjoritariamente preto, com apenas alguns detalhes em vermelho, e apresentava um pequeno botão de mesma cor em sua lateral, quase imperceptível. -Além de executar a função básica de um relógio — mostrar as horas -, o XTransceiver pode ser utilizado para comunicação. Será útil para que possamos manter contato; dessa forma, poderei informá-las sobre quaisquer eventos pokémon que venham a acontecer em certa cidade e coisas do tipo. Além disso, poderão conversar entre si, é claro. Sempre que alguém estiver ligando, ele irá piscar e emitir um som agudo; basta apertar este botão para atender ligações, e uma imagem da pessoa aparecerá na tela principal, enquanto uma sua aparecerá na tela secundária. -explicou.

A cada momento, as jovens pareciam mais admiradas e curiosas com tudo aquilo; parecia que qualquer resquício de arrependimento ou incerteza presente nelas havia desaparecido completamente, como se nunca tivessem se sentido tão nervosas e pressionadas. No momento, só desejavam sair logo para aprender a mexer nos novos aparelhos que lhes seriam concedidos.

–E, por último, temos o que eu considero mais interessante. -ela retirou uma pequena cápsula de formato esférico da caixa, deixando-a completamente vazia, enquanto Mincinno segurava os objetos que já haviam sido devidamente apresentados. -Este dispositivo é um transportador, que vem em pares. Coloque o que deseja enviar em um deles -ela fez uma pausa, entregando uma segunda esfera para Phantump e colocando um anel que retirara de seu dedo dentro de sua cápsula. -e ele será enviado para a pessoa que possuir o equivalente. -fechando o aparelho, logo um som similar a um apito foi ouvido e, assim que o pokémon negro abriu a cápsula em suas mãos, esta revelou o anel que estava antes nas mãos de Juniper, arrancando exclamações de surpresa de todas as meninas.

–Isso é incrível! -disse Amy, animada. -Então podemos transportar qualquer coisa através deles?

–Sim, qualque coisa. -assentiu a mulher, ainda sorrindo. -Eu estarei com o par de cada um deles, assim poderei enviar-lhes certos artigos que precisarem, e vocês podem fazer o mesmo. Até mesmo pokébolas podem ser transferidas por aqui.

Ao finalizar sua detalhada explicação, a cientista dirigiu-se a cada uma das meninas, entregando-lhes os dispositivos que acabara de mostrar. Cada uma das jovens guardou-os rapidamente dentro de suas mochilas de viagem, cada vez mais ansiosas para deixarem o laboratório e iniciarem sua jornada.

–Agora, só precisam de mais uma coisa. -a mulher de cabelos roxos virou-se, seguindo até uma prateleira com alguns livros, a qual Caroline não havia notado até entã. Voltou com três rolos de papel em mãos; mapas. -Estes são mapas da região de Unova. Marquei neles a localização de ginásios pokémon e mercados negros, além de mais alguns locais que podem ser de seu interesse. -ela estendeu um dos mapas sobre uma mesa vazia, explicando suas legendas e anotações. Parecia haver um grande número de Mercados Negros espalhados por diversas cidades e rotas abandonadas, o que seria últil caso precisassem de algum item para seus pokémons, o que certamente ocorreria.

–Obrigada. -disseram as três, quase em uníssono, guardando também o mapa que lhes havia sido entregue.

–Bem, agora sim estão prontas para ir. -a cientista sorriu, estufando o peito, orgulhosa como uma mãe que finalmente entrega suas filhas ao mundo. -Vocês devem seguir para a Rota 1 ao cair da noite; assim, será mais difícil serem encontradas. E lembrem-se; caso precisem de qualquer ajuda, só precisam me chamar.

As três assentiram. Agora, todas mantinham uma postura determinada, deixando transparecer também a alegria que sentiam o que, de certa forma, parecia errado; no fundo, sabiam que aceitar a proposta de Juniper fora, provavelmente, o maior erro de suas vidas.

****

Estava frio, uma vez que o sol não mais estava no céu. Em seu lugar, jazia a lua cheia que, embora extremamente radiante, não podia ser comparada a intensidade do astro. Além desta, várias estrelas estavam salpicadas no manto azul marinho, o mais próximo que as jovens tinham de um teto. Apesar de toda a luz que refletiam, era difícil enxergar o caminho naquela floresta negra, composta por árvores altas, algumas parecidas com pinheiros, enquanto outras possuíam folhas mais largas.

Caroline olhou para seu pulso, fitando seu novo relógio e identificando as horas; meia noite e sete. Não havia caminhado muito até chegar lá, mas parecia já estar tão dentro da floresta densa floresta que não se lembrava nem mesmo de onde havia vindo. Embora estivesse cansada, mantinha-se ativa por estar extremamente ansiosa, mesmo que um pouco receosa com relação ao que estava acontecendo.

Finalmente parou, em um local que parecia ser uma clareira; um círculo contornado por árvores, onde a única vegetação era a grama baixa. Ali era mais iluminado, uma vez que as folhas não bloqueavam a fraca luz da lua. Olhou para os lado, receosa. Queria ter certeza de que ninguém a havia seguido. Em seguida, retirou uma pequena pokébola de sua mochila, lançando-a ao ar.

Irradiando um feixe de luz intenso, o dispositivo libertou o cavalo de crinas de fogo azul. Percebendo o frio e falta de iluminação ao redor, respirou fundo e bufou, aumentando facilmente a intensidade das chamas que percorriam seu corpo.

–Obrigada, Fire. -a menina sorriu, acariciando o pescoço do pokémon.

–Então este é o seu pokémon? -indagou uma voz conhecida; Caroline reconheceu ser de Amy.

Por um breve momento, havia esquecido-se completamente de que estava junto as outras duas garotas. Diferentemente de horas atrás, quando dirigiam-se até a casa de Juniper, estavam agora mais caladas; talvez por isso houvesse sido mais fácil esquecer de sua presença.

O Ponyta virou-se para observar os outros a sua volta. Estava um pouco confuso, uma vez que não havia conversado com sua treinadora desde aquela manhã, quando estavam ainda no hotel; agora, pareciam estar bem distantes dele, em uma Rota desconhecida pelo pokémon. Certamente não haviam passado por lá enquanto iam para Nuvema Town. Analisou então as outras duas jovens a sua frente, perguntando-se quem eram e por que estavam ali, junto a sua treinadora. Geralmente, ela preferia ficar sozinha. Mas resolveu não começar um interrogatório naquele momento; iria fazê-lo mais tarde, quando estivessem sozinhos.

–Sim. -ela respondeu, abrindo um meio sorriso tímido. -Este é Firestarter. -abanou a mão em direção ao Ponyta, que assentiu, sorrindo também.

–Ele é... Shiny? -Alyss arqueou uma de suas sobrancelhas, fitando as chamas azuis que dançavam nas costas e cabeça do pokémon.

–Uh, sim. -Caroline deu de ombros. Pensou em explicar que Firestarter havia sido o primeiro Ponyta shiny nascido em sua fazenda, mas lembrou-se de que, para fazê-lo, teria de contar-lhes de onde vinha, e não confiava nas garotas o suficiente para isso ainda. Portanto, resolveu manter-se quieta.

–Oh, é claro! -murmurou a jovem de cabelos castanhos ondulados, mexendo em sua mochila sem muita preocupação. De dentro dela, retirou uma pokébola semelhante à do cavalo de fogo e lançou-a ao ar. -Esta é... -ela fez uma pausa misteriosa, esperando o brilho emitido pelo dispositivo cessar e revelar o que estava dentro dela. -Kairi!

A pokémon estava de braços cruzados e olhos fechados, não parecendo ter qualquer intenção de abrí-los para observar os estranhos a sua volta. Ao invés disso, mantinha uma postura séria, demonstrando-se não se importar com o que estava a seu redor.

Seu corpo era marjoritariamente de um tom azul um tanto acinzentado, com exceção de uma máscara negra em seu rosto e marcas de mesmo tom em suas patas e na ponta de seus dedos, além de uma um pouco maior em sua barriga, que tinha início em um colar de pelos cor de creme. Possuía também longos pelos no topo de sua cabeça e dorso, assemelhando-se a cabelos, de um tom um pouco mais claro do que o resto das marcas pretas em seu corpo. Vestia longas luvas de um tom azul um pouco mais escuro do que o de sua pele, que iam até um pouco depois de seus cotovelos e deixavam os dedos visíveis. Utilizava também uma saia azul marinho e um sarashi, uma espécie de blusa composta por faixas brancas que envolviam seu peito.

–É uma Riolu, certo? -disse a garota de cabelos azuis, parecendo reconhecer a pokémon a sua frente.

–Sim. -respondeu alegremente Amy.

Por um momento, Caroline pensou em retirar sua recém-ganha Pokédex para analisar a pokémon desconhecida, mas não o fez. Teria de guardar sua curiosidade para outro momento, uma vez que seria um pouco estranho fazer isso naquela hora, enquanto todos ainda estavam se conhecendo. Mas havia mais uma pergunta em sua mente.

–Uh... E o seu pokémon, Alyss? -indagou a menina de cabelos negros, um tanto ansiosa, mas tentando ao máximo não deixar isso transparecer.

–Ah, sim! Já ia me esquecendo. -ela soltou uma leve risadinha antes de prosseguir. -Pode aparecer, Damen.

Dito isso, uma luz rosa apareceu em seu ombro esquerdo, transformando-se em uma silhueta que logo cedeu lugar a um pokémon de longos pelos roxos, tendo a ponta de suas orelhas, patas e cauda, além de uma listra fina em suas costas, de um tom um pouco mais escuro. O que mais chamava atenção na pequena bolinha de pelos eram seus olhos; suas pupilas eram brancas, o que fez a menina pensar que deveria ser cego. Ele arfava, como se estivesse usando uma de suas habilidades psíquicas para tornar-se invisível mas, fora isso, era tão inexpressivo quanto a Riolu.

Este Caroline conhecia.

–Um Espurr. -ela murmurou, em um tom quase inaudível, incrédula. Não havia visto um pokémon de Kalos em tantos anos; na verdade, não havia tido contato com quaisquer pokémons além de Ponytas e suas evoluções durante muito tempo, mas encontrar um pokémon de sua cidade natal a surpreendia. Tantos pensamentos invadiram sua mente; memórias de quando ainda morava em Vaniville Town, dentre elas, as que tentava evitar ao máximo. Lembrava-se claramente de sua mãe chorando enquanto saía de casa; podia ouvir os gritos furiosos de seu pai como se ele estivesse ali. A lembrança a atormentava.

Percebendo a postura da treinadora, Firestarter, empurrou-a levemente com seu focinho, arrancando desta um sorriso. Sabia por que ela se sentia daquele modo, mas detestava vê-la assim. Em seguida, lançou um olhar frio para o Espurr, como se o culpasse, mas este não pareceu se importar.

–Sim, ele é um Espurr. -assentiu Alyss, acariciando a cabeça do pequenino.

–Bem, já que estamos finalmente aqui, já podemos começar a treinar para enfrentar o governo! -a menina de longas meias negras cantarolou, como se fosse algo muito entusiasmático o que, certamente, não era o caso.

Um silêncio estranho se instalou no ar por poucos segundos. Pokémons e treinadores se entreolhavam, nervosos.

–Enfr... Estão malucas?! -rosnou a Riolu, até então calada, finalmente abrindo seus olhos verdes como esmeraldas. -Vocês vão se matar! Vão NOS matar! -exclamou, olhando furiosamente para sua treinadora.

–Ah, eu sempre falo na hora errada. -Amy colocou sua mão em seu rosto, arrependida pelo que acabara de dizer.

–Vocês vão... O que? -Firestarter virou-se para Caroline, como se esperasse por respostas. Não acreditava no que acabara de ouvir.

Damen, o Espurr, parecia ser o mais calmo dentre os pokémons presentes. Não havia mudado sua expressão ou feito qualquer pergunta até então; parecia não estar surpreso ou apreensivo, nem ao menos curioso — ou, se estivesse, sabia esconder muito bem.

–C-calma! -disse, finalmente, a menina de cabelos negros, tentando manter a paz no local, e conseguindo a atenção de todos. -Nós não faremos isso. Pelo menos, não agora. Vamos treinar, ficar fortes... E, quem sabe, nos tornar poderosos o suficiente para enfrentar o governo. Mas não agora. -ela repetiu, assegurando-se de que havia sido compreendida.

–Isso. -afirmou Alyss, observando os pokémons a sua volta. -É apenas uma ideia. Não um plano fixo. -completou.

–Quer saber? Façam o que quiserem. -resmungou a Riolu, evidentemente ainda nervosa, virando-se para trás. -Mas se quiserem sobreviver para concluir essa sua 'ideia' -ela fez aspas no ar, encarando a jovem de cabelos azuis -é melhor criarem uma fogueira. Está ficando frio.

Ela certamente tinha razão. As três meninas se entreolharam, verificando se todas concordavam. Estavam em um bom lugar para montar acampamento; a clareira era larga o suficiente para todos se deitarem, sobrando espaço ainda para uma fogueira no centro. O único problema seria estarem vulneráveis à chuva, mas o céu estava limpo e várias estrelas podiam ser vistas; parecia que o tempo se manteria estável, pelo menos até a manhã seguinte.

–Eu vou procurar lenha. -ofereceu Caroline. Se não a conhecesse, Firestarter diria que estava apenas querendo ser gentil e prestativa mas, no fundo, sabia que ela queria apenas um momento sozinha para poder explicar a situação para ele, e isso foi comprovado quando ela chamou o pokémon. -Vamos, Fire.

Ela era tão previsível. O Ponyta balançou sua cabeça, rindo levemente, mas não hesitando em seguir a garota. Realmente queria ouvir o que a treinadora teria a lhe dizer, queria explicações do que havia ocorrido enquanto ele estava em sua pokébola.

–Tudo bem, obrigada. -agradeceu Amy, sorrindo amigavelmente para a menina de cabelos negros e sentando-se no chão, logo sendo seguida por Alyss, que abraçava o Espurr, como que para escondê-lo do frio.

****

–Eu espero que não esteja bravo comigo. -sussurrou a menina, não ousando olhar para o Ponyta a seu lado.

Com a ajuda de Firestarter, a garota já havia recolhido uma quantidade considerável de gravetos; conseguira encontrar alguns secos, o que serviria para manter a fogueira acesa durante toda a noite, caso alguém continuasse repondo a lenha, o que não seria um grande problema. Havia também explicado toda a história a seu companheiro, que nada havia dito até então, apenas concordado com a cabeça às vezes.

–Bravo? Por que? -indagou o pokémon, confuso.

–Por estar te colocando em risco. -seu tom era um tanto culpado. -Eu deveria ter perguntado para você antes. Mas imaginei que você fosse querer... Você sempre disse que queria se aventurar pelo mundo. -ela pausou por um momento, suspirando, e logo abriu um meio sorriso. -Essa é a nossa chance.

–Eu sei que você jamais me colocaria em risco. -o cavalo respondeu, retribuindo o sorriso, e olhando com sinceridade para a treinadora. -Confio em você, Care. Sei que fará o melhor.

–Obrigada por entender, Fire. -a menina acariciou o topo da cabeça do pokémon, passando sua mão por entre suas chamas azuis; embora já estivesse familiarizada com a sensação, nunca deixava de ser surpreendida por não ser queimada ao tocar no fogo. -Acho que devemos voltar. Os outros estão esperando por nós.

Assim que a menina virou-se para retornar pelo caminho pelo qual viera, percebeu o cavalo estremecer. Suas orelhas mexiam-se para cima e para baixo, enquanto ele olhava para os lados, como se captasse algum som. Mas antes mesmo que pudesse perguntar o que estava acontecendo, pôde ouvir uma voz masculina, porém não muito grossa, chamar por ela.

–Ei! Vocês! -gritou.

Virando-se para trás, Caroline deparou-se com uma criatura que nunca vira antes. Estava de pé em suas duas patas traseiras e balançava alegremente sua cauda, que perto do fim dividia-se em duas. Embora fosse difícil enxergar na escuridão da noite, era possível dizer que a maior parte de seu corpo era de um tom alaranjado, exceto por uma grande marca mais clara, que começava em seu focinho e descia até sua barriga. Ambas as pontas de sua cauda possuíam esta mesma cor. Duas pequenas listras negras, como aquelas pintadas no rosto antes de uma guerra, estavam em suas bochechas. Tinha uma longa franja de pelos bagunçados que quase cobria um de seus olhos, que assemelhavam-se a pérolas negras de tão reluzentes. Na lateral de seus braços estavam duas nadadeiras azuis, o que fez a menina pensar que seria um pokémon do tipo aquático. Em volta de seu pescoço, vestia uma gravata borboleta preta.

Admirada e surpresa por finalmente encontrar um pokémon após tantos dias de viagem, a menina quase esqueceu-se do dispositivo que lhe havia sido entregue pela cientista. Curiosa para identificar qual seria sua espécie, Caroline vasculhou sua mochila rapidamente, segurando a Pokédex e apontando-a para a criaturinha a sua frente.

–Buizel, o pokémon Doninha do Mar. -começou a voz robótica do aparelho, logo continuando. -Buizel é capaz de armazenar ar na boia em seu pescoço e utilizá-la para flutuar sobre a água.

–Boia? Que boia? -o pokémon arqueou uma de suas sobrancelhas. -Acho que esse negócio está errado.

Observando com cautela o Buizel, podia-se perceber que ele era diferente daquele mostrado e descrito pelo dispositivo. Em seu pescoço, não havia nada além de sua gravata borboleta mas, de acordo com a Pokédex, deveria haver algo similar a uma boia em seu lugar.

–Quem é você? -Firestarter deu um passo a frente, colocando-se entre o desconhecido e sua treinadora, mas foi logo repreendido pela menina, que murmurou algo sobre não haver necessidade para tanta proteção. Ainda assim, teimoso, o cavalo ali permaneceu.

–Eu? Sou Leroy. -ele sorriu e estufou o peito orgulhosamente, colocando as mãos em sua cintura. -E vocês?

–Eu sou Caroline. E esse é Firestarter. -a garota sorriu. Estava realmente animada por conversar com um pokémon além de seu Ponyta.

Por um momento, estranhou o fato do Buizel ter se aproximado dela de maneira tão extrovertida; Pokémons selvagens não deveriam ter medo de humanos, e evitar ficar perto deles ao máximo? Certamente não era isso que Leroy pensava, e a menina não compreendia por que. Talvez, por estar junto a outro Pokémon, trouxesse mais confiança, mas ainda assim; a maioria das criaturinhas fugiria ou atacaria na primeira chance que tivesse, mas o Buizel não parecia encaixar-se em nenhuma das opções.

–O que estão fazendo por aqui? Vocês tem comida? -Leroy perguntou, aproximando-se um pouco mais, com um olhar curioso.

Rindo de leve, Caroline assentiu, e o Ponyta teve de deixar seu disfarce sério de lado para juntar-se à treinadora. Perguntou-se como aquele ser havia sobrevivido até agora comportando-se daquele modo. Afinal, havia vivido nas sombras durante sua vida toda e aprendera que deveria ficar o mais longe possível de qualquer humano. Como um pokémon selvagem poderia não saber disso?

–Você pode vir conosco até nosso acampamento. Lá temos um pouco de comida. -respondeu, esperando o Buizel assentir ansioso para finalmente virar-se e seguir de volta ao local onde as outras garotas esperavam.

Não muito tiveram de andar para chegar, uma vez que Caroline não quisera distanciar-se muito do local onde montaria acampamento para evitar de acabar perdendo seu caminho. Deparou-se com Amy deitada sobre a grama, sonolenta, com sua Riolu sentada de braços cruzados a seu lado. Alyss parecia conversar alguma coisa com Damen, mas ao invés de responder, este apenas assentia. Será que, além de cego, era mudo também?

–Ah, você é rápida. -murmurou a jovem de cabelos azuis, fazendo com que Amy acordasse e se sentasse, fitando Caroline. Seus olhos ainda estavam cansados, mas pôde ver um borrão alaranjado ao lado da menina. Tendo uma idéia do que seria, esfregou as mãos em seu rosto para poder enxergar com clareza, confirmando sua hipótese.

–Um pokémon?! -exclamou, surpresa, fitando o Buizel. -Achei que não fosse tão fácil encontrá-los.

–Ele que me encontrou, na verdade. -a menina de cabelos negros deu de ombros. -Ele está com fome.

–Muita fome, na verdade. -corrigiu o pokémon, aproximando-se do resto do grupo e apresentando-se. -Meu nome é Leroy.

–Ótimo, mais uma boca para alimentar. -resmungou Kairi, revirando os olhos. Parecia detestar a presença dos outros a sua volta; provavelmente, preferia ficar sozinha.

–Kairi, comporte-se! -repreendeu a garota de cabelos castanhos ondulados, logo tornando-se para o Buizel mais uma vez. -Eu sou Amy!

–Me chamo Alyss, e este é Damen. -ela apontou para o pequeno Espurr em seu colo.

Caroline colocou os gravetos que segurava no chão, começando a montar a fogueira, enquanto os outros conversavam. Observou o quão extrovertido era Leroy perto do grupo, o que achou surpreendente. Será que já havia visto treinadores por lá? Talvez elas não fossem as únicas que desejavam lutar pelos pokémons.

–Fire, pode me ajudar aqui? -a menina sussurrou para seu Ponyta, que prontamente assentiu, estufando o peito e disparando algumas brasas em direção aos gravetos, acendendo a fogueira. O calor irriadiado por ela não era muito mas, felizmente, era suficiente para manter o grupo aquecido durante a noite.

Ao terminar seu trabalho, a jovem juntou-se às outras duas meninas e seus pokémons. Pegou, de dentro de sua mochila, um saquinho de pokéblocos, entregando-o ao Buizel faminto. Leroy parecia ter muitas perguntas, e afirmou nunca ter encontrado nenhum humano por aquela rota antes, o que apenas deixou a menina ainda mais intrigada.

–Vocês são treinadoras? -o pequenino perguntou. -Digo, do tipo que treinam pokémons, de verdade?

–Uh... Agora, oficialmente, sim. -respondeu prontamente Caroline.

–Bem, eu gostaria de ser Coordenadora também. -disse Alyss, mostrando conhecer o assunto, o que chamou a atenção da menina de cabelos negros. Ela havia pensado sobre se apresentar em Contests também, por causa de sua mãe, que sempre participava desses eventos ilegais, mas era apenas uma idéia. Por outro lado, com certeza seria uma Treinadora de verdade, e enfrentaria ginásios; este seria o único modo de ganhar experiência.

–Legal. -murmurou o Buizel, interessado.

Contrariando suas expectativas, desde que saíra em sua jornada tudo estava ótimo. Não achava tão ruim ter as outras duas garotas por perto, embora ainda não confiasse muito nelas, e havia acabado de conhecer um pokémon diferente. Ela estava realmente feliz.

A conversa do grupo foi interrompida pelo Espurr, que pôs-se de pé sobre as duas patas traseiras bruscamente. Suas orelhas se mexiam rapidamente, assim como as de Firestarter momentos antes de encontrarem Leroy. Ele virava sua cabeça de um lado para o outro, com seu focinho apontado para cima. Todos se calaram.

–O que foi, Damen? -perguntou Alyss, aflita.

–Tem... Mais alguém por aqui. -ele murmurou, derrubando a hipótese de Caroline sobre o Espurr ser mudo. Sua voz era rouca e baixa. -É um... pokémon. -completou, surpreendendo aos outros. Embora cego, parecia ter sentidos aguçados, o que compensava por sua falta de visão.

As meninas, assim como Kairi e Firestarter, olhavam em volta, mas não conseguiram identificar nada além das altas árvores que rodeavam a clareira. Leroy, porém, não parecia tão surpreso; continuava a comer com extrema tranquilidade, até que, finalmente, resolveu quebrar o silêncio.

–Eu disse que eles não eram perigosos, Maiko. -disse, com um sorriso de vencedor em seu rosto, revirando os olhos.

–Mas poderiam ser. O que você fez foi extremamente idiota. -uma voz doce feminina ecoou.

Em um salto, a criaturinha jogou-se da árvore na qual se escondia, dando uma cambalhota no ar e caindo sobre três patas no chão, utilizando sua mão esquerda para equilibrar-se. A maior parte de seu corpo era azul turquesa, começando em seu pescoço e descendo até seus joelhos. Seu rosto e braços eram brancos, e ela possuía uma longa franja com mechas de um tom mais escuro de azul que cobria por completo seu olho direito, deixando apenas o esquerdo visível, que era de uma cor verde esmeralda. A ponta de suas orelhas, dedos e patas traseiras tinham a mesma cor que suas mechas. Possuía também uma pequena cauda, quase imperceptível. Vestia um sarashi, muito parecido com o de Kairi, que encobria parte de uma grande cicatriz em seu tórax, e um cinto marrom, com um bolso onde estava guardada uma concha bege. Não aparentava ter mais de meio metro de altura.

Caroline estava prestes a pegar sua Pokédex para analisar a pokémon desconhecida, mas Alyss foi mais rápida, sacando o dispositivo e apontando-o para a pequenina.

–Oshawott, o pokémon Lontra do Mar. Oshawott ataca e se defende utilizando sua concha. -relatou a voz robótica e, assim que terminou, foi arrancada das mãos da menina de cabelos azuis e lançada ao chão pela concha da pokémon.

–Não apontem essas suas máquinas para mim! -reclamou a pokémon, enfurecida.

–Relaxa, Maiko! -o Buizel se levantou, aproximando-se da amiga. -Elas não fazem nada.

Repentinamente, a Riolu que, até então, estava sentada, levantou-se, virando-se para trás para fitar a recém-chegada. Seus olhos se arregalaram quando ela se deparou com um rosto familiar.

–...Maiko? É... É você mesmo? -indagou, sua voz trêmula e incrédula.

A Oshawott fitou a Riolu, tendo sua expressão séria substituída completamente por uma surpresa.

–K...Kairi? -respondeu, boquiaberta, mas antes mesmo de ouvir uma resposta, correu em direção à Riolu. As duas se abraçaram, como grandes amigas que não se viam havia muito tempo.

–Vocês... Se conhecem? -indagou Amy, arqueando uma das sobrancelhas.

Caroline observava toda a situação um pouco confusa. Fazia poucos segundos, havia trocado palavras com Leroy, então certamente o conhecia, o que não era muito estranho; os poucos pokémons restantes deveriam se unir para tornar-se mais fortes, cuidar um do outro. Mas como ela conhecia Kairi? Virou-se para o Buizel, procurando respostas, mas este deu do ombros; parecia estar entendendo aquilo tudo ainda menos do que a menina.

–Nós... Somos... -começou a Riolu, com lágrimas rolando de seus olhos.

–Irmãs. -completou Maiko, ainda abraçando a outra.

Afastaram-se para que pudessem observar uma a outra e desataram a conversar, ignorando o resto do grupo. Murmuravam coisas do tipo 'você não mudou nada' e 'senti sua falta'. Pareciam ter muito o que colocar em dia.

–Irmãs? Você nunca me disse que tinha uma irmã! -surpreendeu-se a treinadora da Riolu, como se esperasse respostas, mas não as obteve.

A garota de cabelos negros também estava perplexa. Podia não entender muito sobre aquelas criaturas misteriosas; afinal, nunca os estudara de fato, e sabia apenas o básico. Mas como pokémons de espécies diferentes poderiam ser da mesma família? Não parecia fazer sentido algum, mas também não parecia que as duas estavam mentindo ou fazendo algum tipo de brincadeira. Fez uma nota mental para lembrar-se de pesquisar sobre aquilo assim que tivesse a chance. Enquanto isso, observava atentamente os outros, tentando recolher informações.

–Bem, parece que tem muito o que conversar. -Amy sorriu, mas lançou um olhar ameaçador para a Riolu, como se lhe dissesse que aguardava explicações. -Por que não se senta conosco, Maiko?

A pokémon se virou para a menina de cabelos castanhos ondulados, e então para Leroy, que assentia, como se dizendo para a Oshawott qual era a resposta certa. Suspirou, antes de finalmente concordar.

As três jovens e seus pokémons, com a adição de Maiko e Leroy, sentaram-se ao redor da fogueira, começando a conversar sobre diversos assuntos. O Buizel fazia algumas piadas de vez em quando, sendo muitas vezes repreendido pela Oshawott, mas ignorando-a. O grupo parecia haver se esquecido completamente do cansaço, e não mais ansiavam por seu descanço. Os sacos de dormir estavam estendidos no chão, mas ninguém parecia ter intenções de dormir.

–Ainda consegue fazer aquilo com sua concha? -indagou Kairi, fitando a Oshawott.

–Consegue sim. -respondeu Leroy, com um olhar um tanto preocupado.

Sem hesitar, Maiko retirou sua concha do bolso em seu cinto e começou a movimentá-la rapidamente, cortando o ar diversas vezes. Esta adiquiria cores diferentes, variando de azul para vermelho.

–Isso é incrível! -sorriu Alyss, e todos concordaram.

–É, seria mais incrível se ela não perdesse essa arma dela a cada cinco minutos. -gozou o Buizel, recebendo um olhar ameaçados da Oshawott.

–Acho melhor não brincar com ela, rato d'água. -riu Firestarter.

Passou-se uma hora, talvez duas — ninguém estava de fato contando — antes de o falatório cessar e todos adormecerem. Naquela noite, pela primeira vez em muitos anos, Caroline tivera bons sonhos, e estes eram tão doces quanto sua atual realidade — pelo menos, por enquanto.

****

A manhã chegou rápido e, mesmo tendo dormido pouco, Caroline sentia-se renovada e descansada. Abriu seus olhos lentamente, observando o resto de seu grupo já acordado; Amy conversava animadamente com sua Riolu e a Oshawott, enquanto Alyss mexia em sua mochila. Leroy conversava com Firestarter, o que colocou um sorriso no rosto da menina; estava feliz por seu pokémon estar finalmente conhecendo novas pessoas, assim como ele queria. Levantou-se, disposta, passando suas mãos em suas roupas para desamassá-las, refazendo também o nó de sua gravata vinho, que estava frouxo. Murmurou um 'bom dia' para as meninas e os pokémons, que a responderam.

–Já vamos seguir? -indagou, observando a garota de cabelos azuis ondulados colocar sua mochila nas costas.

–Quanto mais cedo, melhor. -respondeu. -Pensei que podíamos chegar a Accumula Town ainda hoje, e dormir em uma cama.

–É uma boa ideia. -a menina riu de leve.

De repente, ouviu uma reclamação de Maiko, virando-se para ver o que estava acontecendo. Ela estava de braços cruzados, enquanto sua suposta irmã a encarava, franzindo a testa. Parecia que estavam discutindo.

–Você é minha irmã! Como assim não vai seguir viagem conosco? -falou, frustrada, a Riolu.

–Justamente por causa disso! -contra atacou a lontra. -Isso nos faz rivais por nascença, e eu me recuso a ser parte do seu time.

–Amy, fale alguma coisa a respeito! -Kairi rosnou para sua treinadora.

–E-eu não vou obrigá-la a vir conosco, Kairi... -respondeu a menina, encolhendo os ombros.

–Hm, bem... -Alyss entrou na conversa, mostrando-se presente. -Você pode seguir comigo, se quiser. -deu de ombros, mas sorria.

–Com... você? -os olhos da Oshawott brilharam, mas ela rapidamente os fechou, fazendo uma pose pensativa. -Hm, tudo bem, eu aceito. -porém, antes mesmo que a jovem pudesse comemorar, ela continuou. -Se você se mostrar uma treinadora forte. Me derrote em uma batalha e seguirei com vocês! -ela disse, colocando-se em posição de ataque.

–O que? -a menina arqueou uma das sobrancelhas, surpresa. Em tempos como aqueles, a maioria dos pokémons preferia evitar ao máximo batalhas, que poderiam ser fatais. Porque Maiko queria se submeter a tal risco? Talvez quisesse surpreender a irmã, mostrando que era forte, mas isso ainda não fazia muito sentido. Além disso, ela própria não queria correr o risco de machucar Damen, seu único pokémon. Ele estava com ela desde o início, e confiava nela. Mas, por outro lado, se quisesse sobreviver àquela aventura insana, teria de se tornar mais forte, e o único jeito de fazê-lo seria batalhando.

–Você é tão imatura. -A Riolu bufou, revirando os olhos, mas a Oshawott a ignorou por completo, ainda aguardando a resposta de Alyss.

–Tudo bem. -a garota suspirou. -O que você acha, Damen? -fitou o pequeno Espurr, que apenas assentiu e deu alguns passos à frente, posicionando-se e aguardando que a outra começasse.

Alyss não sabia muito sobre batalhas — na verdade, aquela seria sua primeira. Porém, havia estudado sobre os tipos de pokémons e suas vantagens em livros que lera, além de ter checado os movimentos de Damen na noite anterior, enquanto a garota de cabelos negros juntava lenha. Por isso, sabia que tinha uma carta na manga, a qual não hesitaria em usar. Ainda assim, estava receosa; tinha medo de que seu Espurr fosse se ferir, ou que, por nunca antes terem treinado, algo pudesse dar errado. Mas resolveu afastar esses pensamentos de sua mente e concentrar-se na batalha. Era a primeira vez que faria aquilo, mas certamente, não para Damen.

Os outros afastaram-se, dando espaço para a batalha ocorrer, observando tudo curiosamente. Caroline estava ao lado de seu Ponyta; queria prestar atenção em tudo que aconteceria, para poder aprender ao máximo. Também nunca havia tido uma batalha antes, nem ao menos assistido a uma, e estava muito animada.

Sem hesitar, a Oshawott sacou sua concha e começou a correr em direção ao pequenino. No caminho, esta começou a brilhar em um tom azulado e ela saltou. Damen tentou saltar para o lado para esquivar-se, mas a lontra foi mais rápida, atingindo-o e lançando-o alguns metros para trás.

–Damen! -a treinadora gritou, mas acalmou-se ao ver seu pokémon levantar e acenar com a cabeça, dizendo que estava bem. Pensou então em qual movimento usaria. -Aproveite a proximidade e use o Scratch!

As garras do pokémon tornaram-se maiores e brilhantes, e logo ele desferiu um arranhão certeiro no rosto de Maiko, que grunhiu e recuou, encarando-o logo em seguida. Novamente, sua concha começou a brilhar, dessa vez em um tom vermelho, e ela seguiu em direção ao Espurr.

–Rápido, pare-a com o Psychic! -ordenou.

Uma aura rosada envolveu Damen, e logo a Oshawott adquiriu a mesma coloração. Foi então, contra sua vontade, obrigada a parar e lançada contra o chão pelos poderes psíquicos do Espurr.

–É a nossa chance! Thunderbolt! -gritou a menina, para que pudesse ser ouvida por seu pokémon.

Obedecendo a sua treinadora, o Espurr colocou-se sobre suas quatro patas e preparou-se para executar o golpe. Não tinha total controle sobre este, uma vez que não o utilizara muito, por isso tinha de se concentrar ao máximo. De repente, Maiko começou a correr em direção a ele, pronta para atingí-lo com uma investida, mas foi atingida por um raio desferido por Damen no meio do caminho, sendo eletrocutada. Por alguns momentos, ela permaneceu no chão mas, com certo esforço, levantou-se, e sua concha começou a brilhar novamente.

–Já chega! -exclamou Alyss, perplexa pela determinação da Oshawott de lutar até vencer. A batalha começava a se tornar perigosa, e tinha de pôr um fim naquilo antes que um dos pokémons acabasse gravemente ferido. -Vocês dois já estão cansados, não iremos mais atacar você.

Maiko parecia surpresa; queria continuar a batalha. Admirou-se pela preocupação de Alyss com ela, mesmo que não se conhecessem bem. Talvez, ter alguém que cuidasse e se importasse com ela não fosse ruim. Após alguns segundos pensando, finalmente disse algo.

–Tudo bem, vocês me convenceram. -ela suspirou. -Eu seguirei com vocês.

Dito isso, a menina de cabelos azuis sorriu alegremente, retirando uma das pokébolas entregues pela Professora de sua mochila e lançando-a em direção a Oshawott. O dispositivo balançou, piscando algumas vezes antes de anunciar que a captura havia sido feita — mesmo tendo concordado em se juntar ao time de Alyss, Maiko parecia relutante, como se não quisesse mostrar que aceitaria ser capturada fácil. Logo após, a jovem a libertou novamente.

–Foi uma ótima batalha! -disse Caroline entusiasmada. Não queria ver Firestarter machucado, mas gostava da idéia de treinar e batalhar.

–Obrigada. -Alyss sorriu timidamente.

–Você já foi mais forte, Maiko. -Leroy brincou, recebendo um olhar repreendedor da amiga, que o fez calar-se.

A Riolu, porém, ainda parecia fitar sua irmã com certa frieza, como se reprovasse suas ações; parecia desapontada, mas a Oshawott não se importava. Estava animada com a ideia de fazer parte de um time, onde poderia se tornar mais forte e lutar contra sua irmã.

–Bem, acho que devemos seguir agora. Sabe, antes que fique tarde. -Amy deu de ombros, e as outras concordaram.

Caroline despediu-se de Leroy antes de seguir viagem. Este parecia um pouco desanimado por ver o grupo, juntamente a sua amiga, partir. Até mesmo o Ponyta parecia ter criado laços com o Buizel, e claro que a menina gostava dele. Mas não iria obrigá-lo a vir; estava incerta sobre ter capacidade de cuidar de mais de um pokémon, e não queria submeter mais ninguém aos riscos de sua aventura.

Tiveram de caminhar por algum tempo antes de chegarem a uma parte onde a floresta era menos densa; as árvores, embora ainda em grande quantidade, tornavam-se mais escassas. Ainda não conseguiam ver a cidade mas, de acordo com o mapa, esta estava próxima. O sol começava a ser coberto por nuvens de chuva, o que tornava difícil identificar as horas através dele mas, felizmente, agora Caroline possuía um relógio; este marcava duas horas e vinte. Haviam caminhado por pouco mais do que duas horas, chegando no tempo esperado aonde queriam; ali, deveriam retornar seus pokémons que, até então, andavam ao lado das meninas, para evitar serem vistos por outros.

–Chegaremos ao hotel logo; lá você poderá ficar fora da pokébola novamente. -disse a menina, sorrindo, e apontando o dispositivo vermelho e branco para seu Ponyta. Porém, antes de retorná-lo, foi surpreendida por uma voz conhecida.

–Esperem! -era Leroy, que gritava de não muito longe, arfando.

A menina de cabelos negros arqueou uma de suas sobrancelhas, surpresa. Não esperava rever o Buizel. Talvez ele quisesse pedir por um pouco mais de comida, o que ela lhe entregaria com prazer, ou trouxesse algo que esquecera no acampamento, embora não sentisse falta de nada. Firestarter também se virou, feliz por poder vê-lo mais uma vez antes de partir.

–O que houve? -perguntou Caroline, fitando o pequeno pokémon laranja com uma expressão confusa.

–Será que eu... Será que eu posso ir com vocês? -disse, ainda com a respiração pesada, transparecendo cansaço. Parecia que ele havia corrido até lá só para lhe fazer aquela pergunta.

A garota ficou ainda mais surpresa. Não esperava por aquilo. Na verdade, havia pensado em fazer aquela mesma proposta ao pokémon, mas não achou que ele fosse aceitar. Porém, ele parecia determinado a seguir com ela. Caroline não precisou pensar muito.

–Claro. -sorriu, observando o Buizel fazer o mesmo. Vasculhou sua mochila em busca de uma pokébola e, assim que a encontrou, o próprio pokémon apertou seu botão central, sendo imediatamente capturado, mas logo em seguida foi liberto pela menina.

–Bem vindo ao time, rato d'água. -brincou o Ponyta, empurrando o novo companheiro com seu focinho.

–É, pônei, parece que somos um time agora. -Leroy respondeu, rindo.

Maiko murmurou algo sobre querer lutar contra ele oficialmente depois, o qual ele aceitou rapidamente. Logo depois, as três treinadoras retornaram seus pokémons e prepararam-se para continuar seguindo; em poucos minutos, já poderiam ver a cidade.

Caroline não poderia estar mais feliz; acabara de fazer mais um amigo, e sabia que seria ótimo ter Leroy no time. Isso a fez pensar que logo deveria começar a treinar, uma vez que deveria estar pronta para enfrentar o que estava por vir. Mas sua felicidade foi arruinada quando, ao finalmente chegar à cidade junto as outras duas, deparou-se com algo que a fez estremecer.

Algumas pessoas começavam a se reunir em volta de um pequeno palco de pedra, onde pôde identificar dois homens altos de terno — agentes do governo. Entre eles, havia um rapaz musculoso de longos cabelos negros e, a sua frente, um homem de joelhos algemado e uma pequena bolinha de pelos cinza, muito familiar, também acorrentado — um pokémon.

A garota, assim como Amy e Alyss, arregalou os olhos, parando onde estava, sem ter forças para dar mais um passo sequer. Não sabia o que iria acontecer, mas tinha um pressentimento de que não seria nada bom.

Notas finais
É isso, espero que gostem o/