Pokémon New Kanto
4 Capítulo III - Amigos
Notas iniciais
Kevin
Mina demonstrava uma grande felicidade ao abraçar seus pais. Pelo que ela me disse, o irmão dela não tinha tido nada grave, apenas alguns arranhões.
Foi bom eu tê-la encontrado ali naquela floresta. Além de ter evitado algo grave e ter conseguido um novo Pokémon, eu consegui uma carona com os guardas e rapidamente cheguei na cidade de Pewter — que normalmente demoraria três dias para que eu saísse da floresta a pé.
Senti a aproximação de Mina e virei meu rosto para olhar para ela. Seus pais estavam logo atrás.
— Mãe, pai... — me levantei. — Esse aqui é o Kevin, o garoto que me ajudou e que ajudou o Kai.
Eles me olharam nos olhos, me senti meio nervoso. Mas, logo a mãe dela me puxou para um abraço e começou a chorar.
— Obrigado por ajudar meus filhos! Eu não sei o que seria de mim se algo acontecesse com eles! — dei um pequeno sorriso. A reação dela foi igual a da filha.
— De nada... — ela me soltou, enxugando as lágrimas em seguida. O pai dela estava de braços cruzados e nem falou nada, mas pelo olhar dele, percebi que estava aliviado, apenas tentava manter a pose.
...
Eu estava sentado no banco do Centro Pokémon, havia acabado de ter notícias dos meus Pokémon. Os danos foram grandes e preciso considerar que nesta cidade há um ginásio. Irei treinar meu Bulbasaur feito um louco. Ele e Growlithe são os únicos Pokémon que posso usar por enquanto, já que irá demorar bastante para que o Scyther me considere como um bom treinador.
— Isso é complicado... — sussurrei, dando um suspiro logo em seguida.
— Falando sozinho, Kevin? — Mina falou, chamando minha atenção. Eu estava tão imerso em meus pensamentos que nem vi ela chegando.
— Kevin. Pode parecer estranho mas... Você tem onde dormir? Esta pergunta de certa forma me pegou de surpresa.
— Ah, tenho sim. Tem um hotel muito bom aqui perto que tem um ótimo desconto para treinadores!
Ela fez uma cara uma cara estranha e deu um suspiro. Depois disso, ela virou o rosto para o lado e vi suas bochechas se avermelharem um pouco.
— É meio repentino mas minha mãe pediu pra eu te chamar pra dormir lá em casa... Sabe, você ajudou muito e ela quer te recompensar por nos ajudar...
Eu não esperava algo desse tipo. Certo que os pais dela podem estar gratos mas... Isso não seria um pouco de mais?
Por outro lado, lá pelo menos eu teria companhia. Só irei poder pegar meus Pokémon amanhã e ficar jogado em um quarto olhando para as paredes deve ser bem entediante.
— Por quê não? — respondi com um sorriso.
...
— Então você é sobrinho do Mark? — o pai de Mina perguntou para mim.
— Sim. Eu morei com ele por quatro anos, antes de sair em jornada! — sorri para ele. Estávamos comendo agora. A mãe de Mina havia insistido bastante para que eu jantasse com eles, e eu aceitei.
Eu recebia alguns olhares de Kai, o irmão da Mina. Ele não falou comigo até agora, não sei por que.
— Quatro anos? E quantos anos você tem, Kevin? — o pai de Mina estava demonstrando uma atitude bem diferente de quando estávamos no Centro Pokémon.
— Modos, John! — a esposa dele gritou. — Não sabe que é falta de educação perguntar a idade dos outros?
— Ah, Monika! — gritou de volta. — Não me enche, estou tentando ter um papo legal aqui com o garoto! Dei uma risada. O jeito que o senhor falava era engraçado.
— Eu tenho dezessete anos, senhor John! — respondi e vi que Mina me deu um olhar curioso.
— A mesma idade que a Mina! — o mais velho sorriu, tomando um pouco do seu café logo em seguida. — O Kai fez quinze mês passado! Mina me olhou querendo perguntar algo, mas parecia estar com vergonha.
— Kevin... — ela chamou e todos na mesa olhamos para ela. — Por quê você não saiu em jornada quando fez quinze anos, como a maioria faz?
Essa pergunta é relativamente comum. Grande parte das pessoas que eu conhecia me perguntava isso.
— Eu não me sentia pronto. Eu era bem franzino quando tinha quinze anos... — dei um sorriso sem graça. — Então eu comecei a treinar fisicamente, para aguentar os desafios que a jornada iria proporcionar. Também estudei bastante para saber mais.
Depois que eu expliquei, o senhor John e a senhora Monika me olharam meio impressionados.
— Você é bem maduro pra sua idade... — Monika me elogiou, sorrindo.
— Obrigado... — dei um sorriso amarelo para ela.
— O que você quer ser? — perguntou Mina. Ela estava começando a se engajar na conversa. — Tipo, treinador, coordenador...
— Eu quero ser um treinador...
— Entendi. Eu e o Kai queremos ser grandes pesquisadores, assim como os nossos pais! — ela abriu um grande sorriso. Eu sorri de volta para ela.
A garota parecia bem animada enquanto falava sobre as aventuras que seus pais tiveram quando ainda trabalhavam com pesquisadores, até que foi bem legal conversar com ela.
Já havia passado um tempo e Kai havia saído da mesa. Eu, Mina e seus pais continuamos conversando sobre várias coisas, mas já tinhamos terminado de comer.
Nós escutamos uns barulhos de passos se aproximando da cozinha, logo Kai adentrou no cômodo.
— Ei, Kevin... — ele me chamou. — Você quer jogar video game?
Era bem estranho ele não não ter falado absolutamente nada, e de repente vir chamar pra jogar vídeo game. Pensei em negar, só por ele não ter dito UM obrigado, mas como eu disse mais cedo para Mina...
— Por quê não? — sorri, tentando parecer simpático.
...
— Você não ganhou uma única partida de mim! — Kai riu alto, zombando da minha falta de habilidade no video-game.
— Ah, mas é claro. Você me deu um controle com defeito! — brinquei.
— Essa é velha, viu? Você só tomou fatality na cara! — ele sorriu vitorioso.
Estavamos jogando no quarto dele e de Mina. Pelo que percebi, Kai não havia falado comigo por vergonha, ele não sabia exatamente o que dizer.
A porta do quarto foi aberta bruscamente por Mina. Ele estava vestindo uma blusa branca, com uns Teddiursas desenhados, também um short rosa, com uma listra branca na lateral da peça. Parecia envergonhada ela minha presença, estava até meia corada.
Ela timidamente passou a mão por seus cabelos loiros, querendo disfarçar a vergonha. Logo, seus olhos azuis se encontraram com os meus, mas logo em seguida ela desviou o olhar para seu irmão.
— Kai... Sua vez de tomar banho... — murmurou.
— Certo... — ele se levantou, pegando uma roupa no guarda roupa e indo para o banheiro.
Mina andou lentamente até a beliche que eu estava sentado, ficando ao meu lado. Nós apenas ficamos em silêncio por algum tempo, eu estava tentando achar algum assunto para puxar conversa.
— Você tava perdendo pro Kai no Pocket Kombat? — ela me olhou, dando um sorriso engraçado.
— Em minha defesa, ele me deu um controle ruim! — repeti a mesma coisa que falei para o Kai. — E além do mais, ele pegou o Kyurem, que deixa o oponente congelado toda hora!
Mina riu alto ao ouvir minhas desculpas esfarrapadas.
— Controle? Essa é velha, hein Kevin? — mais uma vez, minha falta de habilidade no video game foi jogada em minha cara. — E é bem a cara dele, pegar um personagem apelão...
Ficamos em silêncio novamente. Eu estava com o controle do video game na mão, esperando o Kai voltar.
— Você quer jogar uma partida? — inesperadamente ela perguntou.
— Ah, claro!
Apesar de já saber que eu iria perder, não podia correr de um desafio.
...
— Humilhado de novo... — choraminguei, enquanto via Kai e Mina disputando pra ver quem iria vencer.
— Você é bem ruim no video-game! — Kai fez questão de jogar mais uma vez na minha cara o quanto eu sou ruim.
— Verdade Kevin... — Mina riu de mim, enquanto encaixava um belo combo no personagem de Kai, vencendo a partida. — Isso! Três a zero!
— Quem é ruim agora, Kai? — zombei dele.
— Não valeu! O Kevin tinha razão, o controle tá ruim mesmo! — brincou.
Eu ri da cara dele e voltei minha atenção para Mina.
— Cê joga bem, viu? — elogiei.
— Obrigada... — ela agradeceu, meio sem graça.
Ela é bem tímida, pelo que percebi.
...
Estávamos deitados, já preparados para dormir. Mina estava na parte de baixo da beliche; Kai estava em cima, e eu, estava num colchão aos pés da cama.
A gente conversava sem se preocupar com nada. Estava sendo bem divertido ficar ali, admito;
— Kevin, você aguentou lutar com o Scyther sem nem se machucar! — Kai começou a falar. — Você deve ser bem forte...
Eu sorri, lembrando que ele não sabia do que aconteceu.
— Vou contar um negócio pra vocês. Aquele Scyther que o guarda pegou, não é o mesmo que atacou vocês!
Eles me olharam com surpresa, um pouco confusos.
— Eu capturei o outro. — os olhos de Kai se arregalaram.
— Mas você disse que também era um treinador iniciante! Como você conseguiu? — ele quase caiu da beliche, o que me fez rir. — Eu e a Mina lutamos junto com nossos dois Pokémon e nem fizemos cócegas nele! E olhe que o Squirtle dela é nível dez!
Nível dez, hum?
— Na verdade, eu possuo dois Pokémon. Um Bulbasaur, que foi o que peguei como incial... — ri, lembrando que no dia em que vi o Kai e a Mina pela primeira vez eu os ignorei completamente. — E um que eu já tinha antes mesmo de iniciar minha jornada, um Growlithe que... Foi presente do meu pai...
— Entendi! — ele respondeu, se ajeitando na cama.
— Aliás, como seu Squirtle já é nível dez, Mina?
— Eu peguei ele quando fiz quinze anos, para já conseguir formar um laço de amizade mais forte com ele, também treinei ele um pouco. — murmurou. — Aí eu fiquei esperando o Kai para sair em jornada junto com ele.
Então ela esperou por mais dois anos apenas pra sair com o irmão? É uma atitude realmente legal da parte dela.
— Entendi. — respondi num fio de voz.
Me senti meio mal ao lembrar dos meus irmãos. Quando eles ainda eram pequenos, eu brincava bastante tanto com o Silver, tanto com a Ashley. Mas tudo isso foi completamente perdido quando meu pai levou eles para Celadon, me deixando completamente sem notícia.
Me virei de costas pra Mina, me preparando para dormir.
— Desculpa, mas estou um pouco cansado e com dor de cabeça. — menti. — Boa noite, pra vocês!
— Boa noite! — os dois falaram em uníssono.
— Hoje... Foi bem legal. — murmurei alto o suficiente para que me escutassem.
Eles ficaram em silêncio. Eu fui fechando meus olhos lentamente, sentindo o sono chegando.
— Obrigado por hoje, Kevin.
Kai sibilou as palavras. Eu apenas dei um pequeno sorriso, sem nem ao menos me virar para ele.
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