Pokémon NeoUnova
3 Capítulo 3

O que aconteceu foi inesperado.
Muito inesperado.
Uma vez no pódio, que, se não me falha a memória, era o mesmo lugar onde era anunciada o início da Conferência por um cara de cabelos verdes que pulou de um avião e aterrissou de paraquedas (é, bem chamativo mesmo), eu fui seguido por aquele batalhão metralhado por uma centena de perguntas de uma centena de repórteres. Eu não conseguiria respondê-los todos nem se eu fosse 20, então eu tive que derrubar alguns com a haste da bandeira de Unova para eles sossegarem. Algumas câmeras acabaram quebrando, mas como nunca me cobraram nada, acho que deve ter ido para conta do Alder. Depois de 5 ou 6 câmeras quebradas, eu acho que eles notaram que eu estava pedindo um tempo.
— Olha só, se vocês quiserem ter suas perguntas respondidas, vai ter que ser um de cada vez, estão me ouvindo? Senão eu não respondo ninguém e vão ter que esperar um depoimento oficial que não vai sair tão cedo. Então, UM. DE CADA. VEZ.
Intimidados pelo aumento de voz e pela provável ameaça que eu me tornara com um bastão com a bandeira de Unova na mão, eles se organizaram ao redor do pódio, cada um esperando uma indicação minha para começar com as perguntas. Eram muitas relativas ao ataque, outras em como o governo de Alder ia reagir, e por aí foi. Nada que justificasse toda aquela agitação que eles faziam ao redor do prédio. Aquelas informações seriam ditas pelo próprio Alder em alguma entrevista pública assim que ele se recuperasse.
Eu não sabia como ele iria reagir, mas supus que teria um aumento de forças policiais nas rotas, recrutamento de treinadores por toda a região, reunião dos líderes de ginásio, esse tipo de coisa. E foi o que eu respondi, mas, bem durante a minha resposta dessa pergunta, eu acabei sendo interrompido por um cara louro de óculos escuros e de jaqueta vermelha.
— Se o Alder já tivesse renunciado, não estaríamos nessa situação! — Eu lembrava da figura dele de algum lugar, mas ele não devia ser importante o suficiente para eu gravar o nome, então.... — Esse governo é velho e fraco, e eu, junto com outros treinadores, desafiamos Alder e sua Elite em uma luta pelo posto.
— Você percebe a vergonha que você está passando, seu Zé Ruela? — Mirei a bandeira bem na fuça dele para ver se ele entendia o meu recado. — Você acabou de dizer em REDE NACIONAL que você não tem força o suficiente para enfrentar nem a Elite e nem o Alder sozinho. Você é um fracassado que nem deve ter entrado na Liga, então fica quietinho aí e deixa os adultos conversarem. Agora, PRÓXIMO!!!
Aí ocorreu o inesperado.
Pessoas como aquele Zé Ninguém geralmente não têm coragem pra reagir na hora a algum tipo de ofensa naquele nível, só que, ao que parece, ele era uma exceção à regra. Ele pegou a bandeira que eu tinha começado a afastar de perto dele para apontar para o próximo falante do momento, tomou a haste da minha mão e bateu com ela na minha cara.
Isso, além de quebrar o meu nariz, me desequilibrou e me fez cair em cima de um cameraman, quebrando mais uma câmera e machucando o pobre coitado embaixo de mim. Espero que ele tenha plano de saúde. Levantei-me, meio em choque pela sequência de ações, meio tonto (pela segunda vez no dia, parece que eu virei saco de pancadas), com a mão no nariz, tentando estancar o sangramento do mesmo. O lourinho Zé Ninguém me encarava parecendo furioso.
— Se eu sou tão fraco, me vença em uma batalha. Pode vir com tudo. Ou tá com medo de ser humilhado na frente do país inteiro?
Suas mãos seguravam duas Pokébolas, uma em cada mão, enquanto esperava que eu fizesse o mesmo. Lentamente, eu aproximei minhas mãos em direção a meu Poké-Port enquanto observava a multidão ao nosso redor. As câmeras que sobraram filmavam cada mínimo movimento nosso, prontas para explodir na audiência transmitindo uma batalha não-oficial num dos piores momentos do país. Depois que eu derrotar o Alder, eu vou dar um jeito nesses sanguessugas miseráveis.
Eu, com o rosto ardendo e uma maldita enxaqueca por todo aquele barulho da imprensa, não consegui distinguir naquele exato momento qual das minhas Pokébolas eu havia pegado, só as lancei para batalha. De uma, emergiu Zoroark e da outra, Larvesta. Ok. Essa não vai ser uma batalha fácil.
— E você diz que eu sou o fracassado – ele tinha um alto tom de desdém em sua voz, como se a vitória dele já estivesse garantida. — Você sabe que eu sou o melhor treinador de tipo Trevas em toda a região e usa um Zoroark contra mim? Você é burro ou se finge?
— Você é o único especialista do tipo Trevas em toda a região, e além do mais, mal sabe lutar com seus Pokémon. Por isso, vou te derrotar com alguém de seu próprio tipo. — Ele tinha tirado os óculos como demonstração de sua raiva, mostrando seus olhos vermelhos como o olho de um Dusknoir.
Aquilo me assustava, mas eu não devia demonstrar.
Ele lançou as Pokébolas que havia em suas mãos, que revelaram um Houndoom e um Sableye.
A batalha iria começar.
Pokémon P.O.V. (Point of View)
Eu já estava precisando esticar as pernas há algum tempo.
Tantas horas dentro daquela prisão que os humanos chamam de “Pokébola” me faziam sentir claustrofobia. Assim que liberta, eu pousei com uma pirueta pouco à frente de meu mestre. Ele havia sido atacado, eu sentia o cheiro do sangue dele, o cheiro de seu suor, suando daquela maneira que fazia apenas quando estava eufórico. Olhei pelas redondezas e vi aquele círculo de humanos a minha volta, com câmeras e microfones, prontos para filmar o combate a seguir.
Também senti a luz e o calor do sol sobre meu manto, o que era reconfortante após tanto tempo dentro daquela cápsula escura e entediante. Os sons, as luzes, as cores, eram... Fascinantes. Tantas coisas para destruir e deixar não muito mais que retalhos... Aquilo me deixava ansiosa. Enquanto minha mente e meu corpo deliravam com toda aquela imensidão de sensações, eu percebi que outro parceiro meu também havia sido convocado para luta.
Jeritza vestia uma capa branca sobre suas costumeiras vestes cor de areia, Junto com sua máscara cinza, que encobria seus olhos e parte de seu nariz, deixando a mostra seu rosto da cor de suas vestes. A parte da frente de seu corpo havia um pequeno manto de um vermelho da cor do fogo, preso a roupa por um broche decorado com uma feia pedra cinza. Uma visão quase intimidadora, caso não tivesse menos que 1,60m.
— Jeritza! Há quanto tempo que não batalhamos juntas? — disse enquanto tirava meus punhais e os girava em minha mão. — Como anda a vida? Não muito melhor que a minha, creio eu. Acredito que você já não saía há algum tempo.
Minhas falas foram recebidas apenas com o silencio costumeiro. Jeritza falava muito pouco, e menos ainda comigo. Os únicos membros da guilda a quem dirigia verdadeiras palavras eram a Pyke ou a Hiddan, com o resto de nós era sombria e monossilábica.
Desviei minha atenção dele e observei os adversários que surgiam a nossa frente. Um deles era um garoto de vestes pretas e roxas, com um colar com linda pedra vermelha, que brilhava como se fosse um farol numa noite escura. Usava também óculos, e uma máscara que escondia a parte inferior de sua face. Seu cabelo também era roxo, e ele era um pouco mais alto que Jeritza, talvez com 1,70m ou 1,75m.
Ao seu lado, um homem feito, vestido com uma armadura feita de ossos de todos os tamanhos cobrindo toda a parte da frente de seu corpo. Carregava debaixo do braço um capacete que na verdade era um crânio com dois chifres encurvados para trás. Seus cabelos eram ruivos, da cor dos mantos de Jeritza, o que combinava com o calor que trazia junto com usa presença. Na sua mão direita, havia algo parecido com uma coluna vertebral, que ele deveria usar como chicote.
Ele era lindo. Assustadoramente lindo.
— Curvem-se perante a mim, Asmodeus, senhor dos ossos, e lhes concederei uma morte rápida. — Sua voz era grave e violenta, o que me deixava mais interessada nele a cada minuto. — Desobediência perante o senhor do abismo será retaliada com a punição máxima.
Eu adoraria ser punida por ele.
Os comandos de meu treinador foram ditos. O dele também. Eu avançava com uma de minhas lâminas empunhadas, emitindo a energia sinistra das Shadow Claws. Ele esperou eu avançar, apenas para me estralar com a ponta de seu chicote, que, embutida de pura eletricidade, me presenteou com um golpe perto do estômago. Mesmo depois de ter levado o golpe, consegui avançar o suficiente para golpeá-lo com minhas lâminas.
Mal arranhei sua pele. Sua armadura de ossos tinha sido transpassada, mas a pele não tinha nada além de um corte superficial. Atrás dele, atingi sua nuca com uma Sludge Bomb retirada de dentro de meu manto e o ataquei novamente com as ondas sombrias de um Dark Pulse, jogando-o para frente. O capacete que havia debaixo de seu braço voou para longe, mas ele o puxou de volta com seu chicote e o pôs em sua cabeça.
— Quando eu terminar com você, eu vou me deliciar torturando sua alma – O ódio em sua voz era perceptível. Ele estava ficando realmente irritado. — Seus ossos restaurarão minha armadura.
Uma energia sombria foi concentrada ao seu redor, sendo seguida pela formação de uma Shadow Ball na ponta de seu chicote, lançada com outra. Foi um golpe relativamente fácil de se desviar, mas foi seguido pela onda de fogo de um Fire Blast que me jogou aos pés da multidão.
Uma câmera surgiu acima de mim tentando focar em meus ferimentos e em minha pele nua. A destruí com outro golpe de minhas lâminas sombrias, cortando-a ao meio de baixo para cima. Uma vez de pé, percebi Asmodeus se aproximando, com a ponta de seu chicote estalando com outro Thunder Fang. Ele já erguia sua arma quando foi atingido por um corpo embalado em algo parecido com fios de seda.
Era o corpo inconsciente do garoto que havia sido liberado junto a ele. Seus óculos estavam quebrados, e seu corpo estava mole. O impacto fez Asmodeus errar o ataque, o que me deixou espaço para outro Sludge Bomb bem em sua garganta, seguido de um salto meu para frente.
Ele se encontrava agora não apenas fraco pelo veneno, mas também pelo golpe que havia sido atingido pelo seu parceiro de batalha. Jeritza se uniu ao meu lado, enquanto realizava um estranho conjunto de movimentos corporais. Assim que terminados, ela se abaixou e começou a recolher sua teia, puxando a criança junto com ela e posicionando a cabeça da mesma abaixo de seu pé.
— Como foi a batalha? — Perguntei com uma cotovelada de leve em seu ombro. Notei que havia um leve sorriso em sua cara, que desapareceu no momento em que falei com ela.
— Nem achei difícil — desprendendo a teia do garoto, ela a joga em Asmodeus, atingindo um dos ferimentos superficiais causados pro minhas lâminas. Um brilho verde começou a se esvair do corpo do guerreiro e a tomar conta do corpo dela. Leech Life. Para ela precisar usar esse movimento, não deveria ter sido uma batalha tão fácil assim.
Asmodeus, ainda fraco, se levantou e puxou Jeritza pela sua teia, desferindo um Shadow Ball em sua face assim que chegara perto o suficiente. Seu chicote havia caído, mas ele ainda podia lutar. Percebi seus pulmões inspirando novamente, preparando outro Fire Blast, que com certeza desmaiaria minha companheira, que havia sido posicionada embaixo de seus pés. Nesse mesmo momento, tirei duas esferas de meu manto, uma Shadow Ball e uma Sludge Bomb, que juntas talvez acabassem com ele. Uma acertou seu pescoço, outra sua face, quebrando seu sinistro capacete ósseo.
Ele recuou para o lado, libertando Jeritza de seu pé. Ela o usou esse tempo de distração para acertá-lo com outro String Shot que o derrubou no chão, finalmente. Ele murmurou algo antes de desmaiar, mas foi baixo demais até mesmo para mim.
— Obrigado... Madelaine. Se não fosse por você, poderia ter sido derrotada — ela olhava para baixo, como se estivesse envergonhada por precisar de ajuda de alguém.
— É para isso que serve os companheiros de batalha.
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O Houndoom se encontrava desacordado no chão, em cima de um Sableye também desacordado. Zoroark e Larvesta ainda estavam em boas condições, então nem usei potions antes de retorná-los a suas respectivas Pokébolas. O loirinho estava ajoelhado na frente de seus Pokémon, meio revoltado com eles, meio revoltado comigo.
— Tá passando vergonha em rede nacional de novo, companheiro – disse a ele enquanto via escorrer lágrimas de raiva pelo seu rosto por causa de sua derrota. — Ah, lembrei de você. Você é o tal do Marcos, que apanhou pro Cheren nas quartas de final. Por isso que foi tão fácil derrotar você. Então, mais alguma pergunta dos repórteres?
Marcus, depois de alguns minutos ainda ajoelhado, levantou-se, recolheu seus Pokémons um a um e veio em minha direção. Pela primeira vez eu percebi o quanto os 1,90m dele eram capazes de serem intimidadores perto dos meus 1,75m. Ele caminhava lentamente, e parou a menos de um metro de mim. Eu nem senti o primeiro golpe na hora, só me vi caindo e levando vários chutes consecutivos em meu estômago, peito e até no meu rosto. Eu tentei me levantar, mas ele me pegou pelo pescoço e meu deu uma violenta cabeçada que de novo me jogou no chão. Aquilo me deixaria com um galo mais tarde.
A mídia continuava filmando-me apanhar, sem mexer um único músculo para fazer alguma coisa para impedir. Depois de alguns longos minutos de dor e confusão, eu o senti parar. Eu não o vi parar por estar com os olhos fechados para não entrar sangue, mas senti que os golpes cessaram sobre meu corpo. Abri meus olhos, enquanto me erguia, e vi.
Minha vó, Fantina, estava montada em seu Drifblim com Marcus flutuando por causa da Telekinesis logo a sua frente. Ela olhou para baixo, para mim, e ordenou ao seu Pokémon que me erguesse também, enquanto meu adversário era jogado para o mais longe possível.
— Está em péssimo estado, Hugh. Quem era o loirinho? — Ela me examinava de cima a baixo, percebendo minha testa com uma ferida sangrando, meu olho roxo e os hematomas que cobriam meu corpo. — Por que não reagiu?
— Ele era só um mau perdedor ridículo, nada demais. E eu só não tive oportunidade para reagir. Mas eu estou melhor do que pareço.
O Drifblim me pousou em cima de sua cabeça ao lado de minha vó, para que eu pudesse descansar e me recuperar. Os repórteres que se encontravam abaixo de nós foram expulsos com algumas Shadow Balls, e tomamos um rumo para um hospital com velocidade. Eu disse que não precisava, mas Fantina insistiu, argumentando que eu poderia ter sofrido ferimentos mais graves. Besteira pura. Não morrendo, eu estou bem.
— Conseguiram alcançar os Plasmas? Você e a mamãe?
— Eu tive que voltar para reunir reforços contra os Plasmas, e a sua mãe insistiu em segui-los até além da Cidade de Opelucid. Acha que eles podem ter algum covil por aquelas redondezas. — Ela parou de falar por um minuto, olhando diretamente para mim, como se lesse meus pensamentos. — Você não irá atrás dela até se recuperar, e nem insista em teimar comigo.
Drifblim começou a diminuir a sua velocidade, abaixando sua altitude enquanto isso, se preparando para pousar. O estacionamento do hospital estava quase vazio, o que não nos gerou dificuldades para achar uma vaga para estacionar.
— Venha comigo. — Ela me pegou pelo braço e me puxou até a entrada, não me dando chance de ao menos me equilibrar direito após descer do Drifblim. Velha apressada do caramba. — Não me faça passar vergonha e venha comigo.
Ao entrarmos no Centro Pokémon, eu fui atendido com até que bem rápido, sendo colocado numa sala com uma enfermeira e um Audino. Enquanto eu respondia o que aconteceu e o Audino curava minhas feridas, tudo que eu conseguia pensar era na Enfermeira Joy, que eu havia conhecido depois do ataque. Eu pensava em sua voz, seus cabelos, como ela era não só bonita, mas também simpática... Só percebi que eu estava delirando quando a enfermeira estalou os dedos na minha frente, avisando-me que minhas feridas já haviam sido curadas.
Saí um pouco envergonhado do quarto, e de repente me lembrei de Cheren, que teria que ter sido mandado para um hospital como esse. Perguntei na recepção se Cheren Tevinter havia sido levado para lá, e ela me deu a localização do quarto dele.
Quarto 404, terceiro andar.
Depois de 4 lances de escada, e alguns encontros com alguns outros feridos do ataque, eu consegui chegar a Cheren. Ele estava acordado, com o tronco totalmente enfaixado, enquanto encarava a parede, com um olhar irritado. Um tubo, ligado a um saco de soro, estava em seu braço esquerdo. Estava sem seus óculos, que haviam sido destruídos durante a luta, e parte de seu rosto também se encontrava enfaixada, para que os ferimentos que os Pokémons não puderam curar totalmente tivessem tempo para cicatrizar.
— Uau, você está realmente acabado. Xerxes machucou muito? — Ele olhou com cara feia em minha direção. — Calma lá, foi só uma pergunta.
— Você deve ser cego Hugh, olha pra mim. Eu estou em pedaços e ficarei encarando a comida horrível que dão pros pacientes mais graves por alguns meses mais. — Sua voz estava um pouco fraca, mas a irritação dele era perceptível em sua voz. — Talvez eu já esteja de pé até o PWT do ano que vem.
— Fica tranquilo que até lá você já vai estar melhor. — Me recostei numa das cadeiras ao lado da cama enquanto colocava os pés em cima das costas da outra. — Por que será que os poderes de cura dos Pokémons não funcionam tão bem em nós? Se funcionassem, você já poderia estar de pé agora.
— Para falar a verdade, tem diversas teorias de o porquê de os poderes de cura não funcionarem bem em nós. — Passamos as próximas horas, até o sol se pôr, conversando e discutindo sobre os mais diversos assuntos como uma forma de fazê-lo esquecer da dor do corpo e da dor de ter sido traído pelo Xerxes. De alguma forma, a conversa voltou para aquele assunto.
— E o Xerxes, o que vai acontecer com ele? — Eu não devia ter perguntado, mas a curiosidade foi mais forte que eu. Cheren mudou para um olhar de desanimo, e sua voz abaixou de tom um pouco. — Desculpa, não devia ter entrado nesse assunto.
— Não se preocupe, não foi nada — ele se arrumou na cama com uma visível expressão de dor em seu rosto e começou a olhar na direção da janela, para o sol que já estava baixo. — Eles disseram que ele está agressivo demais para viver nos PCs com meus outros Pokémons e é um perigo para a segurança de todos se ele for libertado na natureza. Então, colocaram a decisão em minhas mãos.
— Os caipiras de Kanto e Johto, quando um Pokémon desobedece a eles ou é muito fraco, eles o comem. — Ele se virou para mim com um olhar de desaprovação. — É só uma sugestão, você também pode fazer um manto de pele com ele. Sopa eu acho que ia ficar muito ruim.
— Ok, Hugh, eu acho que já deu. — Disse uma voz mais velha atrás de mim. Eu me virei e vi Alder, também com o torso enfaixado, parado na porta. — Eu preciso que venha comigo e deixe Cheren em paz. Ele precisa se recuperar.
— Sua ordem é um desejo, Alder. Até mais, Cheren. — Eu fiz um sinal de adeus com a cabeça, que ele retribuiu imitando e se deitando de volta. Acompanhei Alder até um quarto cinza, onde ele se deitou na cama e fingiu dormir, poucos segundos antes de chegar uma enfermeira dentro do quarto. Ela olhou acusadoramente para mim. — Tá tudo bem por aqui moça, ele ainda tá respirando.
Ela estava com uma pilha de toalhas na mão, e saiu da porta com pressa. Assim que ela estava longe, Alder abriu o olho esquerdo
— Ela saiu? — Com a minha resposta afirmativa, ele se levantou e se sentou na cama, com as pernas cruzadas e as costas retas, mesmo estando feridas, O olhar que ele dirigia a mim era quase de desespero. — Então Hugh, eu pedi para você falar em meu lugar na frente da mídia após o ataque, certo?
Assenti com a cabeça
— Quando eles perguntaram que atitude eu tomaria sobre a volta dos Plasmas, o que você respondeu?
— Que você reuniria as forças de treinadores, líderes de ginásio e policiais para tentar combater ativamente os Plasmas. — Eu estava achando aquela conversa estranha demais. Isso, combinado com a tontura que eu estava começando a sentir depois de tanto tempo sem comer, estava me deixando estressado. — Eu vi uma máquina de comida ali atrás, eu vou ir pegar um petisco, ok?
— Espere eu terminar. — Ele não sabia o que era eu com fome. Sentei-me nas cadeiras, na mesma posição que estava no quarto de Cheren. — Como você pode ver, com toda essa agitação em Unova, eu terei que ficar aqui em Vertress tentando acalmar os ânimos. Muitos treinadores aderiram a causa daquele Marcus depois que você o derrotou em rede nacional.
— E qual é a causa dele? — Eu não estava gostando de onde aquela conversa estava indo. — Não pode ser nada tão perigoso assim.
— O objetivo deles é me derrubar e tomar o controle de Unova. — O clima dentro da sala ficava cada vez mais tenso, e eu decidi que EU REALMENTE NÃO GOSTAVA DO RUMO DAQUELA CONVERSA. — E substituir líderes de ginásio, Elite 4, limpar o governo todo e “recomeçar”.
— E o que isso tem a ver comigo? — Perguntei, com um tremor na voz.
— Reunir os líderes de ginásio e recrutar treinadores será tarefa sua. — Um silêncio assustador surgiu na sala. Durou uns dois segundos, até Alder continuar: — Você propôs, você faz.
— EU APENAS DEDUZI O QUE VOCÊ DIRIA! — Meu tom de voz aumentou pelo meu nível de irritação na hora. Eu me ergui num pulo da cadeira, encarando Alder olho no olho. — Eu não vou cruzar a região inteira de novo reunindo todo mundo que vir pela frente! Deve ter alguém mais qualificado para essa tarefa do que eu. Sei lá, QUALQUER UM!
— Você tanto pode, quanto vai. — Ele saiu de sua posição, voltando a deitar e puxou as cobertas para si, fechando os olhos novamente. — E existem pessoas mais qualificadas, mas será você que realizará essa tarefa, garoto. Você que elaborou o que o governo faria, você conduzirá essas manobras na linha de frente. Já está mais do que na hora de tomar responsabilidade pelo que você diz, Hugh. Pode ir comer agora.
Eu encarava suas costas, incrédulo pelo o que ele havia dito, enquanto eu o via adormecer e a mesma enfermeira de antes passar pela porta novamente. Ela olhou mais uma vez acusadoramente para mim enquanto eu saía da sala. Eu já não sabia para onde deveria ir, então segui meus instintos.
Fui até a máquina de comida perto do corredor do quarto de Cheren.
Eu coloquei alguns Pokédollars na máquina esperando conseguir um pacote de biscoitos, uma barra de chocolate, ou alguma coisa do tipo, mas a máquina acabou emperrando e não soltando absolutamente nada. Depois de alguns minutos socando e chutando a lataria da máquina, tomei a decisão mais acertada. Quebrei o vidro e peguei o que eu queria e um pouco mais. Fica na conta do Alder.
Desci novamente os três lances de escadas, voltando para a recepção, e até lá tudo que eu havia conseguido pegar já havia acabado. Fantina me esperava, lendo vagarosamente uma das revistas de moda vindas de Nimbasa. Assim que me viu aproximar baixou a revista e seus óculos de leitura, olhando fixamente para mim.
— Demorou muito. Onde estava?
— Depois da consulta fui visitar o Cheren e tive eu conversar com o Alder. — Ao ouvir sobre o Alder, ela retirou um papel do decote de seu vestido e o ofereceu para mim. – O que é isso?
— Sua passagem de trem. É melhor do que ir andando — Ela deve ter percebido minha expressão confusa no rosto, pois começou a explicar. — Alder ligou para mim enquanto você estava na consulta. Me contou sobre sua iniciativa e a partir daí já comprei sua passagem de trem. Sua primeira parada é Icirrus.
Me sentei ao lado dela, enquanto ria como se ela tivesse me contado uma das melhores piadas do mundo. E havia. Ela e Alder de comunhão já era uma comédia, agora o que eles estavam me pedindo para fazer? Era obviamente uma piada.
— Está rindo do quê? — Ela tinha uma feição intimidadora no rosto, mais do que o normal quando olhava para mim. — Você achando que eu sou o que? Uma palhaça?
— O que vocês querem que eu faça é uma piada. Vocês querem que eu convença Marlon Smith, o líder de ginásio mais arrogante da história da região de Unova, a se unir a nossa causa? É uma piada escrita.
— Marlon já está ciente da invasão dos Plasmas. Disse que cooperaria desde que pudesse ter uma revanche com você. Mas essa não é sua missão principal em Icirrus.
— E qual é?
— Você terá que recrutar um antigo líder de ginásio aposentado, Bryce Declan. Dizem que ele trabalha no Pokéstar Studios. Não deve ser tão difícil encontrá-lo. Agora pegue essa droga desse bilhete e guarde consigo. Seu trem partirá as cinco da manhã. Primeiro trem do dia.
Eu olhei para o relógio do centro. 20:30h da noite. Ainda tinha tempo para mais um lanchinho antes de dormir.
— Ok... Vou registrar um quarto para mim no segundo andar e comer mais alguma coisa, depois eu vou dormir. — Peguei o bilhete da mão de minha vó e já ia para o balcão para começar os procedimentos quando eu senti uma chave colidir com a parte de trás de minha cabeça. — O que foi isso?
— A chave de seu quarto. Registrei um quarto para você em meu nome. O serviço de quarto já deve estar lá já faz umas duas horas. Durma bem. — Ela veio até mim e me deu um pequeno beijo na testa. Em seguida se dirigiu para a saída, jogando a revista de moda que ainda carregava no sofá onde nos sentamos. — Voltarei para Sinnoh agora de noite. Meu avião partira às duas, então eu irei com Drifblim até o aeroporto. Pelo menos lá não temos tantos problemas com terroristas. Adeus, querido.
Enquanto ela se afastava, eu fiquei parado olhando para as escadas do centro que iam para o segundo andar. Por que esse maldito Centro não tem um elevador? Bom, lá vamos nós de novo, a comida nos espera. Peguei a chave que tinha um chaveiro em forma de Chansey e analisei o número gravado: 139.
E lá fui eu mais uma vez novamente subindo as escadas até chegar no quarto registrado no nome da Fantina. Era um quarto bem luxuoso, com uma grande janela que oferecia vista para o resto da cidade.
Dentro dele, um carrinho de comida coberto com um pano branco com um cheiro de bacon de Tepig e de cauda de Slowpoke vindo de debaixo dele. A primeira coisa que fiz foi retirar o pano, pegar uma bandeja de bacon, e comer jogado na cama, depois de jogar meus sapatos para o lado.
Depois de acabada a bandeja, avancei nas caudas de Slowpoke, que vinham acompanhadas de um pouco de um tipo de vinho vindo de Kalos. Logo, adormeci, ainda com o gosto do vinho e das caudas de Slowpoke em minha boca.
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