Pokémon Mystery Dungeon: Liberators of Fate

9 Dungeon 9 - A origem do metal: parte 1


Um pequeno Pokémon brincava na frente de sua casa, quicando uma bola com sua cabeça. Ele tinha o corpo quadrúpede e preto, com suas costas e cabeça tendo a aparência de uma armadura branca. Seus olhos azuis brilhavam, ele estava se divertindo.

— Filho! A hora do descanso já acabou... – uma voz feminina dizia, e logo o Aron virava o rosto.

— Victoria, o garoto tem que brincar um pouco, não pode ser treino o dia inteiro... – outra voz comentava

Em sua frente estavam dois Pokémons, a mulher era similar ao garoto, mas bípede e alta, sua cauda batia no chão, mostrando sua irritação. Do seu lado, um enorme réptil roxo estava com os braços cruzados, olhando a esposa.

— Pai, mãe! – o pequeno Aron dizia se aproximando deles.

— Atlas, está na hora do seu treinamento, seu pai é mole demais, não sei como ele conseguiu esse emprego... – ela dizia olhando o brasão de exploradora em seu peito.

— Claramente por eu ser bom nele! – o Nidoking ria, colocando a mão em sua barriga cinza.

— Mas eu ia chamar o Napoleon pra vir aqui... – ele abaixava a cabeça.

— Hmph, aquele garoto é uma péssima influência para você, o pai dele não é muito bom da cabeça...

— Tudo bem... – sua voz estava fraca, ele entrava na casa, seguindo para a parte do fundo, onde estava sua área de treinamento.

Seus pais iam logo atrás dele, em silêncio. O local era largo e o chão parecia ser feito de concreto. Atlas então foi para a ponta esquerda, esperando para ver o que seus pais tinham planejado para o treinamento.

— Bem, Atlas, hoje nós iremos fazer as coisas um pouco diferente... – Victoria disse, um leve sorriso em seu rosto.

— Querida, eu... – o Nidoking tentou falar.

— Calado, Nate. – ela dizia de maneira rigída, rosnando para o Nidoking. – O garoto precisa enfrentar as mais diversas dificuldades se ele for virar um explorador decente!

— Tudo bem... eu vou pegar ele na delegacia... – com um suspiro, o Nidoking saiu do local.

— Pegar quem? Na delegacia? – o pequeno Aron questionava, balançando sua cabeça.

— Hoje você vai ter uma aula prática... mas ao contrário das outras vezes, você vai enfrentar alguém diferente de mim ou seu pai. Capturamos um criminoso, ele é um Infernape e se chama... Wukong...

Os dois Pokémons do tipo aço esperaram por meia hora quando o pai de Atlas voltou, e junto dele havia um animal parecido com um macaco, em sua cabeça estavam chamas e ele tinha o pelo marrom, com algumas partes brancas em seu estômago e cabeça. Ele estava algemado e em seu rosto estava visível uma cicatriz na área da sobrancelha.

— O acordo que fizemos ainda está de pé? – Wukong disse, analisando o local e olhando para Victoria.

— Sim... – ela então olhou para o filho – Esse Infernape é um bandido bem famoso... matou muitos Pokémons e nós fizemos um acordo com ele. Vocês dois irão se enfrentar e... caso ele consiga te matar, ele está livre.

Ouvindo isso, o Aron arregalou seus olhos azuis. Ele não conseguiu acreditar no que estava ouvindo. Sua própria mãe havia feito uma barganha que poderia causar a morte dele! Tremendo de medo, ele se afastou devagar. Sua mãe, vendo isso, franziu o rosto, irritada com o garoto.

— Se você desistir sem nem tentar, eu vou soltar ele imediatamente...

— Eu... aceito o desafio... – o garoto engoliu seco, olhando para baixo.

O Nidoking conhecido como Nate suspirava, tirando as algemas do Infernape. Após ser solto, o mesmo sorria, suas chamas queimando com mais intensidade e o mesmo corria, seu punho brilhando em um tom azul, o mesmo dava um soco no rosto do Aron, com tanta força que a armadura de aço começou a rachar, o lançando contra a parede.

— Isso aí! Desculpa garoto, mas Mach Punch é um golpe com prioridade... – ele falou, balançando sua cauda e sorrindo para o Aron.

Atlas se levantou após o impacto, sua visão turva, ele mal conseguia se manter em pé. Em sua cabeça escorria sangue pelo golpe do Infernape. Mesmo com todos os seus ferimentos, ele andou devagar. Era uma questão de vida ou morte para o garoto.

— Desculpa moleque, mas eu não quero passar a minha vida atrás de grades! – o corpo do macaco se enchia de chamas, ele partia para finalizar a criança.

Atlas ficou paralisado de medo, ele não sabia o que fazer. Desde que era pequeno, seus pais o faziam passar por um treinamento intenso para que ele pudesse ser como eles. O garoto sempre imaginou que tinha que cumprir as expectativas deles, mas não dessa vez. Se entregando completamente, ele fechou os olhos. Por alguns instantes, ele não ouvia nada. Até que um barulho de broca surgiu no ar.

— Horn Drill. – a voz vinha do Nidoking, seu chifre estava girando rapidamente, ele golpeava o Infernape, que imediatamente caía no chão, desmaiado.

— O que você pensa que está fazendo?! – Victoria gritava, bufando e se aproximando do marido. – Eu disse que era para deixar acontecer!

— Você é idiota por acaso, mulher?! Uma coisa é treinar o Atlas, a outra é enviar ele pra morte sendo que tem 15 anos! Garotos da idade dele deveriam se divertir com amigos, não passar por situações iguais à essa!

O Aron suspirou. Por um lado, estava feliz de sobreviver àquilo. Por outro, ele estava preocupado com o que os pais iriam fazer. Aquelas brigas já estavam começando a se tornar comuns na casa do garoto.

— Eu cansei disso... eu cansei de você, é gentil demais! – bufando, a Aggron saía do local batendo forte no chão, causando pequenos tremores.

O Nidoking então se virou para o seu filho, o olhando firmemente. Mesmo que o Pokémon não tivesse sobrancelhas, ele parecia estar cansado de todas as brigas que tinha com a esposa.

— A... mamãe vai embora? – o garoto caiu no chão, exausto da luta.

— Eu não sei, mas vou ficar aqui com você... temos que te levar para o hospital e... deixar o Wukong na cadeia.

— Tudo bem... – concordando levemente com sua cabeça, Atlas pensou no que viria pela frente. Ele tinha que ser forte, por si mesmo e por seu pai.

Um dia depois...

Deitado em uma cama estava um pequeno Pokémon azul, seu formato corporal lhe dava uma aparência de um pinguim. Com a cabeça em seu travesseiro, ele chorava, até ouvir o barulho de alguém batendo na porta de seu quarto.

— Napoleon! Seu amigo está aqui! – a voz masculina dizia e era possível ouvir os passos do dono do som se distanciando.

— Atlas! Pode entrar! – o Piplup se virou, em seu rosto estava um olho roxo.

O Aron entrou no quarto de seu amigo em silêncio, o olhando diretamente. Ele estava com uma faixa na cabeça de onde estava rachado no dia anterior.

— Oi cara... – o pinguim dizia, se sentando em sua cama.

— O que aconteceu com seu olho? Foi o seu pai de novo?

— Eu pergunto o mesmo do seu rosto... – ele falava, concordando com sua cabeça.

— Minha mãe me obrigou a enfrentar um criminoso e ele quase me matou... – o garoto dizia, sua voz carregando um tom de tristeza.

— Um brinde... para famílias disfuncionais... – Napoleon dava uma risada sarcástica, revirando seus olhos.

— Eu queria fazer alguma coisa longe deles, quer andar por aí?

— Oreshard não é exatamente uma cidade muito grande, mas eu vou aceitar. Qualquer coisa pra ficar longe do maluco do meu pai! – ele saltava da cama.

Após os garotos saírem da casa do Piplup, eles andavam pela cidade natal. As casas e prédios ao redor deles eram, em sua maioria, metálicas, brilhando com a luz solar. Os mercados estavam abertos, tendo alguns Pokémons do tipo aço indo e entrando nos estabelecimentos.

— Sabe, você é do tipo água, e ainda mora num lugar que tem a maioria do tipo aço, solo ou pedra... – o Aron comentava, rindo levemente.

— Minha evolução tem essa tipagem... – ele dava de ombros.

— Ah, eu quero te mostrar onde vamos hoje! – ele apontava para uma casa em uma colina, mas ao contrário das outras, ela parecia ser maior, como uma mansão.

— Espera, vamos invadir a casa da família mais rica daqui?! – arregalando os olhos, Napoleon questionava seu amigo.

— Na verdade eu só queria ver como é, ficar longe da minha família nem que seja só por hoje... – ele abaixava a cabeça.

— A curiosidade vai matar a gente que nem um Meowth... – suspirando, ele andava junto do Aron.

A caminhada pelo morro foi feita em silêncio, Atlas tinha muito a pensar. Sua mãe ainda não havia voltado para casa depois da última briga que teve com o pai do Aron e ele estava começando a se preocupar.

— Ei! Atlas, será que a gente vai conseguir entrar? – o Piplup forçava um sorriso, tentando puxar assunto com o amigo.

— Queria ao menos dar uma olhada nessa mansão... cara, deve ser legal morar num lugar desses!

Ao chegarem no topo, viam que a casa tinha uma grade enorme na frente, com um Pokémon de guarda, que tinha o corpo azul e espinhos similares à estalactites de gelo. Ele estava cruzando os braços, vigiando a entrada. Napoleon, então, acelerou o passo, sendo seguido pelo seu amigo.

— O que querem, moleques? – o Sandslash falou os encarando.

— Eu nunca vi um Sandslash assim antes, de onde você é? – o Piplup perguntava, seus olhos brilhando.

— Ele é de outro continente... meus pais me disseram que tem algumas variações. – Atlas chegava, ofegando de tanto andar.

— Não responderam a minha pergunta. Se vieram falar com essa família, o que eu duvido, considerando que são crianças, vão ter que esperar. Eles viajaram.

— Nós só queríamos ver o lugar! – o Aron falou, se afastando devagar.

— Então já viram. Caiam fora daqui! Antes que eu expulse vocês dois eu mesmo!

— Eles são meus convidados. – os três ouviam uma voz.

Atrás do portão estava um garoto como os dois que vieram, mas o animal era bípede e humanoide, tendo o corpo vermelho e preto. Ele olhava o Sandslash, esperando para que ele abrisse o portão.

— Cla... claro, senhor Flint! Desculpe a minha intromissão! – ao falar isso, ele abria a porta para os garotos, que entraram no local.

O jardim em que estavam era largo, a casa propriamente dita ainda ficava no fundo e o local possuía um lago. Acenando para Atlas e Napoleon, Flint seguiu andando, chamando-os. Os dois amigos então seguiram o Pawniard.

— Então, o que traz vocês aqui? Já estou acostumado a ter visitas, mas nunca de Pokémons da minha idade.

— Ah, a gente só queria ver como era aqui... – o Aron disse, seu rosto ficando vermelho de vergonha.

— Hm, vocês iam se machucar bem feio, aquele Sandslash não costuma ser bem piedoso... ou ele já fez isso com você, Piplup? – ele disse apontando para o olho roxo de Napoleon.

— Obrigado por nos ajudar e não, eu já estava com isso desde hoje cedo... – suspirando, ele não queria falar a verdade para o Pawniard.

— Bem, o prazer foi meu. Como disse, é raro ver Pokémons da minha idade. Meus pais insistem que eu devo lidar apenas com a “nobreza”. Me chamo Flint, e vocês dois? – mesmo que não pudessem ver a boca do Pokémon, ele parecia estar sorrindo.

— Eu sou Atlas...

— Napoleon! Fico feliz em te conhecer! – o pinguim estendia sua nadadeira para Flint.

— Meus pais estão viajando, então eu posso ver vocês até o dia em que eles voltarem. Viagem de negócios, então pode levar um tempo. – ele cumprimentou o Piplup.

O recém formado trio de amigos entrou na residência, para conversarem e conhecerem melhor a si mesmos. Pelo resto do dia, eles puderam esquecer sobre os problemas familiares que tinham, relaxando e brincando, como os adolescentes que eram.