Pokémon Mystery Dungeon: Liberators of Fate
13 Dungeon 13 - Seleção Artificial: Parte 1
8 anos atrás
O barulho dos pios de aves indicava o início do dia. Starlys voavam pelo céu da pequena vila de Thornwell. Os aldeões seguiam seus afazeres diários naquela manhã tranquila, conversando entre si e abrindo suas lojas. Ao que tudo indicava, aquele seria um dia bom.
Dentro de uma das casas, em uma beliche estava um pequeno Pokémon, que abria seus olhos, os esfregando com as mãos e bocejando. Ele desceu, ainda sonolento, da cama de cima e esticou os braços. Na cama de baixo, outro Pokémon dormia tranquilamente. A criança que havia acordado se aproximou dele, o chacoalhando.
— Brian! Acorda! É hoje o dia! – ele falou abanando sua cauda e dando um sorriso largo, parecia estar muito feliz.
— Mais cinco minutos Lance... – irmão dele se virava de costas, se embrulhando com o cobertor.
— Não temos cinco minutos! – ele puxou o lençol do Zorua.
Brian deu um grito pelo susto e caiu no chão, se levantando dando um largo bocejo. Lance, vendo que seu plano havia funcionado, o olhava com um sorriso sincero.
— Quando eu tiver empolgado pra alguma coisa eu vou empurrar você...
— Ah! Mas vamos lá! Nós vamos iniciar o treinamento! Mal posso esperar!
— Talvez a gente faça uma viagem mundial! Quem sabe? – ele concordava, dando um leve sorriso como o irmão.
Os garotos saíram de seu quarto, descendo as escadas da casa. Eles conseguiam sentir o cheiro de comida no ar e seguiram diretamente para a cozinha. Sentado na cadeira estava o Pokémon que era o pai dos dois. Como Lance, ele era um canídeo de pelagem azul e preta, mas era alto, seus braços tinham dois espinhos brancos, além de um em seu peito. Ele colocava várias panquecas nos pratos da mesa.
— Bom dia pai! – Lance falou enquanto se sentava, olhando o Lucario.
— Bom dia... – Brian se sentou em seguida, coçando os olhos.
— Bom dia garotos... é hoje, certo? O dia que vão começar o treinamento da guilda... – o pai deles sorriu de canto.
— Sim! Você vai acompanhar a gente até lá? – Lance perguntou, começando a comer.
O adulto abaixou a cabeça, dando um suspiro ao ouvir a pergunta do filho. Ele se sentou em silêncio, pensando no que ia dizer dessa vez.
— Ei... você não vai? – o Zorua resolveu falar, olhando o Lucario.
— Infelizmente eu e seus tios fomos chamados para uma missão... não sei quanto tempo vai levar para voltarmos, mas temos que sair hoje.
— Você tinha prometido... – o Zorua deu uma olhada no irmão e virou o rosto para seu pai.
— Não tem previsão? Eu realmente queria que estivesse com a gente... – Lance abaixava as cabeças, seu sorriso e empolgação de antes foram substituídos por uma tristeza.
— Eu... – ele foi interrompido por um barulho.
Alguém havia batido na porta da casa, e o Lucario se levantou para abrir. Do outro lado estava um Pokémon anfíbio de corpo azul e de quatro membros, tendo barbatanas laranjas em seus braços e pernas. O Pokémon portava um sorriso.
— Bom dia Nick! Como vão os meninos?! – o Swampert falava para seu amigo.
— Shiron... bom dia, eles acabaram de acordar e... eu já falei da nossa missão. – o Lucario passou a mão na sua cabeça.
— Caramba, você podia ter esperado ao menos um pouco... – Shiron falou meio sem jeito. – Bem, eu vou tentar falar com eles...
A dupla foi de volta para a cozinha, vendo os dois irmãos terminando de comer em silêncio. Ao notar o tio, Lance deu um sorriso fraco, acenando para ele.
— Oi Tio Shiron!
— E aí crianças! Como vão meus sobrinhos favoritos?! – o Pokémon aquático deu uma risada.
— Pelo visto vamos ter que esperar o papai voltar da missão para comemorar. – Brian falou, pensativo.
— Eu diria para vocês não se preocuparem, um amigo vai cuidar do processo no momento, ele é um Heracross chamado Alder. Colocamos ele para cuidar dos recrutas pelo histórico. – Nick cruzava seus braços.
— Então... vocês já vão agora? – Brian perguntou parecendo desapontado.
— Se a gente ficar aqui por mais tempo, o Yuu vai acabar dormindo no meio da estrada... – Shiron falou enquanto revirava seus olhos.
— Bom, então... boa viagem... – Lance desceu da cadeira, ainda parecendo triste, mas forçando um sorriso para o pai.
Nick abraçou os filhos e depois respirou fundo, olhando o Swampert. Eles eram um time bastante famoso e por isso constantemente tinham que sair em trabalhos ao redor do continente e em algumas vezes até fora. Ele esperava que a relação com os filhos não se tornasse ruim apesar disso tudo. As crianças ficaram olhando os dois adultos enquanto eles saíam da casa. Por alguns instantes, nenhum dos irmãos quis falar nada.
— Eu odeio isso... o papai age como se não fosse nada toda vez que tem que sair... – Brian quebrou o silêncio, olhando para baixo.
— Dá pra ver que ele não gosta disso também... – Lance comentou.
— Ah é, você e ele podem ver a aura... – ele andou até a porta – Vamos?
Concordando, a dupla seguiu para fora de sua casa. Longe, estava a sede da guilda em que eles entrariam como recrutas. O prédio era de tamanho médio e alguns Pokémons estavam do lado de fora fazendo reformas. Os dois garotos entraram sem hesitação no prédio.
No centro, um Pokémon falava com outros, era visível se tratar de um tipo inseto que era similar a um besouro. Eles perceberam que deveria ser o Heracross que seu pai havia mencionado e se aproximaram.
— Bom dia... – o pequeno Riolu disse, olhando o Heracross.
— Bom dia! – o irmão de Lance falou.
— Ah! Vocês devem ser os novos recrutas... 8 anos de idade? Não acham que estão novos para entrar na guilda? – Alder disse, um sorriso em seu rosto.
— Bem, eu acho que se começarmos cedo vamos terminar cedo! – Lance falou, seu irmão concordando com a cabeça.
— Bem, vamos registrar vocês, podem vir... – ele deu uma leve risada, seguindo para uma sala.
O escritório de Alder era espaçoso, possuindo uma mesa que tinha um rádio, com uma cadeira e atrás, uma janela, além de mais duas do lado oposto. Ele se sentou, e os irmãos fizeram o mesmo. O Heracross pegou uma caneta e um caderno, olhando a dupla.
— Então... vamos do começo, qual é o nome do time?
— Honestamente eu não pensei nisso ainda... – Lance coçou o queixo.
— Liberators! Pra trazer uma mensagem de liberdade... – Brian sugeriu para o irmão.
— Olha, eu gostei da ideia do Zorua! – Alder riu, seus olhos fixados no Riolu.
— Ah, essa é uma boa ideia Brian! Time Liberators! Ah, eu sou o líder! – ele disse abanando sua cauda.
— Bem, nós iremos começar o treinamento de vocês na próxima semana, mas devo avisar, terão que acordar cedo para isso, certo? – ele disse anotando no papel, vendo que ambos haviam consentido. – Ótimo, o Zorua está dispensado, mas você... Lance? Como você é o líder, tenho que compartilhar algumas informações com você.
— Hm... ok! – ele estranhou um pouco, mas confiando no julgamento do pai, resolveu confiar no inseto.
— Bem... eu ainda tô morrendo de sono, tchau. – Brian se levantou, saindo do lugar.
Olhando pela janela, Alder viu o Zorua andar calmamente, até o momento em que ele abriu a porta de sua casa, saindo do campo de visão do inseto. Dando um sorriso, ele ligou o rádio da sala.
— A operação foi um sucesso... podemos levar o garoto. Mande a mensagem para que os outros membros da guilda saiam. – ele disse no aparelho.
— Senhor Alder? Do que você está falando? – Lance perguntou arregalando os olhos, já estando assustado com aquilo.
— Bem, garoto... desculpa, mas seus sonhos de ser um explorador vão ter que acabar por aqui...
Ao ouvir isso, Lance saltou da cadeira desesperadamente, correndo para a porta sem pensar em nada, quando ele bateu com o que parecia ser um corpo, caindo no chão. Olhando para cima, ele viu um Pokémon vermelho, com pernas largas e no fundo, partes amarelas. Sua cabeça tinha uma espécie de "cabelo" comprido, com penas que circulavam o peito. O Riolu se afastou, se rastejando pelo chão, quando foi agarrado pelo Heracross e, antes que pudesse falar alguma coisa, sua boca foi tampada.
— Blaze, vamos levar ele pra longe daqui... eu juro, esse trabalho foi horrível. Infiltrar numa guilda famosa! Se o pai dele descobrisse, eu estaria morto! – ele resmungava, saindo junto do Blaziken.
Ao saírem, viam que o local já estava vazio como planejado. Os dois então seguiam para uma porta dos fundos, longe da vista dos aldeões. Enquanto tudo acontecia, Lance começou a chorar, tentando se soltar dos seus sequestradores a todo custo. O Heracross, irritado, apenas o agarrou com mais força. Eles então seguiam por uma estrada de floresta, ao sul da vila.
— Fica quieto garoto, não é nada pessoal... mas nosso chefe precisa de um Riolu e você é um alvo fácil...
— Acredita mesmo que aquele maluco conseguiu desbloquear uma evolução que ninguém nunca ouviu falar? – o Blaziken comentou enquanto eles andavam.
— Sei lá, quem liga? Contanto que a gente seja pago, é isso o que importa...
— Hmph... Hm! – Lance tentava falar para eles, mas com a boca tapada, não conseguia dizer nada além de grunhidos.
— Esse garoto tá me irritando demais... – Alder comentou, dando um soco na cabeça de Lance, que desmaiava.
A dupla continuou no seu caminho por mais uma hora. Enquanto isso, Brian estava em sua cama de baixo da beliche, dormindo. Ele acordou bocejando e se levantou, esticando o corpo.
— Ótimo, agora eu tô desperto! – ele então foi para as escadas, procurando o irmão. – Ah! Ele tava lá na guilda! Hm, mesmo eu não sendo o líder, vou dar uma passada...
O garoto olhou o prédio de longe, vendo que não havia muito movimento, o que era estranho, havia apenas um Pokémon na entrada. Normalmente haviam vários entrando e saindo. Tendo uma sensação ruim, ele correu o mais rápido que podia, se aproximando e vendo um Pokémon verde que tinha seu corpo circular, ele cruzava os braços, esperando.
— É... oi? – Brian falava após chegar perto.
— O que você quer? – o Quilladin virava seu rosto, encarando o garoto.
— Todo mundo saiu? Meu irmão tava aí... – ele falou parecendo apreensivo.
— O idiota do gerente deu o alarme para sairmos mas... não tinha emergência! Nós voltamos e não tinha ninguém lá!
— Ni... ninguém?! Do que você tá falando?! – ele correu para dentro do prédio, vendo que de fato, estava vazio. Ele então voltou para fora, seu rosto baixo.
— O que foi garoto?! Parece que viu um fantasma! – ele dizia se aproximando de Brian.
— Eu falei! Meu irmão tava lá! O gerente disse que ele tinha que discutir algo com ele e eu saí!
O silêncio que veio em seguida só serviu para confirmar as suspeitas do Zorua. Seu irmão estava desaparecido. Ele caiu de joelhos, desesperado e sem saber o que fazer. Em sua mente, várias perguntas estavam sendo feitas. Onde Lance estava? Qual o motivo de terem levado ele? Ele estava bem? Ele tinha que avisar seu pai! Os questionamentos encheram a cabeça do garoto que então, começou a chorar e gritar.
Aviso do autor: As próximas cenas são fortes e nesse caso, caso o leitor não goste, pode terminar de ler o capítulo por aqui. Do contrário, continue a sua leitura.
O Riolu acordou deitado, seu corpo estava exausto da viagem e ele abria os olhos devagar, olhando o lugar em que estava. Parecia que as paredes eram de metal com uma porta trancada, não havia como sair e, na parede, ele via um alto-falante. Sentindo algo em seu pescoço, ele olhou, vendo uma coleira no local. Assustado, ele começou a gritar, batendo nas paredes.
— Me tirem daqui! Papai! Tio Shiron! Tio Yuu! Socorro! Me ajudem, por favor! – ele tentava sair, desesperado.
De repente, a coleira no pescoço do garoto se ativou e ele sentiu um choque percorrer seu corpo inteiro, o fazendo cair no chão. Em seguida, o alto-falante ligava, saindo uma voz de lá.
— Sinto muito garoto... você vai ficar conosco pelo tempo que for necessário.
Lance não reconheceu quem falava e permaneceu no chão, sem se mexer, sentindo seu corpo inteiro queimar pela descarga. A porta se abria e o mesmo Blaziken de antes aparecia, pegando o Riolu no colo e o levando para outra área do local. Com sua visão turva, o garoto mal conseguia discernir onde estava, vendo somente paredes cinza. Quanto tempo havia se passado desde que ele foi sequestrado? Ele não conseguia responder, sendo carregado pelo Pokémon lutador. Tudo o que podia fazer era esperar e confiar que sua família o encontraria.
Eventualmente, eles chegaram no que parecia ser uma sala cirúrgica, com uma cama de hospital no meio, onde o Blaziken colocou Lance. Do outro lado, estava um Pokémon alto, não era possível ver muito dele, mas ele possuía a pele branca com alguns traços de verde em sua cabeça e braços. Ele estava mexendo em alguns utensílios quando notou o garoto, sorrindo para ele.
— Ah, a nova cobaia chegou! – ele falou, Lance notando que era a voz que falou no rádio antes. – eu me chamo...
A criança não conseguiu escutar o nome dele direito, deitado na maca. O cientista então puxou uma seringa, a injetando no braço de Lance.
— Não se preocupe... garoto... você não vai morrer... bem, eu não pretendo deixar você morrer, mas se acontecer... existem muitos Riolus no mundo! Estou apenas sedando você no momento.
Lance queria gritar, fugir, chamar seu pai. Ele estava com medo, mesmo que seu corpo não pudesse tremer com o efeito do sedativo, que o acalmou aos poucos. Ainda assim, ele ainda permaneceu acordado, mas sem poder se mexer ou falar. O garoto queria permanecer consciente o quanto pudesse para tentar identificar quem havia feito isso com ele. O cientista apenas sorriu, pegando uma faca e começando a cortar o estômago do Riolu lentamente. Apesar de seus esforços, ele perdeu consciência.
Recobrando seus movimentos, ele abriu seus olhos, notando que estava no mesmo quarto de antes, só que dessa vez, havia uma cama.
— Eu não sei há quanto tempo estou nesse lugar... papai... me ajuda... – ele pensou.
A rotina foi a mesma. Acordou, foi para a sala, foi sedado e dissecado pelo médico. Quando tentava fugir, era eletrocutado pela coleira. Quanto mais vezes isso acontecia, mais o garoto começou a perder as esperanças. Onde estava o pai dele? Nick já deveria ter encontrado o esconderijo. Ele estava sendo carregado pelos corredores novamente, mas dessa vez, foi para outra sala, mais larga, mas que não possuía nada além de uma faca no chão e um Pokémon desmaiado, que parecia um cachorro de pelagem preta. O cheiro de sangue pairava no ar, dando uma sensação de enjoo no Riolu, que foi atirado no chão pelo Blaziken.
— Onde... eu tô agora?
— Seja bem vindo ao seu novo teste, cobaia número 10. – a voz do médico falou pelo alto-falante, ele nunca se referiu à Lance pelo nome, apenas por números.
— Tes...te? Por favor, me deixa ir embora! – o garoto gritou, lágrimas escorrendo de seus olhos.
— Vou contar uma coisa interessante do lugar de onde eu venho... nós possuímos um remédio, uma pílula que é capaz de deixar os Pokémons mais... fortes. Ela se chama “Rare Candy”. Infelizmente, ela se tornou um tabu e a fábrica que a fez foi fechada.
— Rare Candy? Eu nunca ouvi falar disso... o que ele tá dizendo? – o garoto pensava, olhando o outro Pokémon no local.
— Claro, sendo um gênio como sou, pude recriar, mesmo estando... em terras primitivas. Claro, ainda não aperfeiçoei. Veja bem, esse Houndoom... foi outra cobaia, infelizmente ele está instável pelo tanto que droguei ele. A sua missão será... sobreviver. Mate esse inimigo e talvez você tenha uma folga de meus experimentos.
— Matar ele?! – Lance não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
Como se fosse a deixa, o Houndoom se levantou, bufando fumaça e olhou Lance, mostrando seus dentes afiados. Ele partiu para cima do garoto, disparando uma rajada de chamas. O Riolu mal teve tempo de reagir, pegando a faca no chão e rolando para o lado, desviando do golpe. Mesmo assim, o cachorro continuou avançando, erguendo suas garras e, pegando Lance distraído, a enfiou no peito do garoto, o barulho de sangue seguido de um grito vindo dele, que foi lançado na parede. Mal conseguindo se mexer, ele usou toda a força que tinha para se manter em pé, até que caiu, seu peito sangrando pelo corte.
— Hm, decepcionante... acabe com ele, Houndoom. – a voz falava.
Seguindo a ordem, o cachorro negro avançou, sua boca aberta e seus dentes flamejantes. Lance, então, gritou, segurando a faca e a enfiando no olho do inimigo após este se aproximar. Sendo atingido, o cão gania, desorientado. A criança não perdeu tempo, esfaqueando ele no outro olho. Dessa vez, quem caiu foi o Houndoom. Lance, ainda irritado, continuou golpeando seu inimigo no corpo, sem se importar com o que acontecia. Ele percebeu que só isso iria fazer ele sobreviver. Depois de várias facadas, Lance caiu no chão, desmaiando pelos ferimentos, a última coisa que ouviu foi o riso do Pokémon que havia feito ele passar por isso.
Despertando novamente, o Pokémon azul estava, novamente, na cama da ala médica, amarrado. Mexendo sua cabeça, ele conseguiu identificar o médico que havia torturado ele todo esse tempo.
— Um Gallade...? – ele pensou.
— Vejo que acordou, criança. – o cientista se virou, uma seringa com um líquido azul na mão dele.
— O que é isso?! – Lance começou a se debater, tentando se soltar.
— Você pensa coisas muito ruins de mim, eu já falei o que é isso quando apresentei o meu amigo canino para você... – ele sorria, se aproximando da cama em que o Riolu estava.
— Sai! Eu não quero isso! Por que está fazendo isso?!
Ouvindo a pergunta do garoto, o Gallade parou por uns instantes, refletindo no que deveria responder. Dando de ombros, ele continuou seu caminho.
— Digamos que... curiosidade científica, garoto. Eu aperfeiçoei o soro... provavelmente. Não tenho como ter certeza até ver os efeitos em alguém, e eu não vou testar em mim mesmo. – sorrindo, ele injetou o conteúdo da seringa no braço de Lance.
Imediatamente o garoto começou a gritar. Com lágrimas saindo de seus olhos, ele sentia como se seus ossos estivessem queimando a cada segundo que se passava, se mexendo descontroladamente, tentando se soltar, balançando a cabeça enquanto chorava. O Gallade apenas observava, seu sorriso permanecia no rosto. Lance já estava ficando sem voz, ele só queria sair dali e ir para o conforto de sua casa, onde tudo estaria bem. Mas, mesmo que essa fosse a sua vontade, nada parecia mudar. Não havia nenhum sinal de que ele fosse escapar tão cedo da tortura que estava passando. Então, finalmente, ele pareceu desistir. Seus movimentos foram enfraquecendo, a dor diminuindo aos poucos, enquanto ele olhava o agressor, ofegando, seu corpo estava exausto de tudo aquilo.
— Parece que o experimento de infusão foi um sucesso... parabéns, cobaia número 10, você ganhou alguns dias de descanso, o próximo teste vai levar um tempo para acontecer...
A cobaia estava com os olhos semiabertos, sua visão turva, e sua mente cansada. Seria o destino dele permanecer ali até morrer? Da última vez que viu sua família, ele queria seguir os passos do pai e se tornar um explorador. Ajudar outros Pokémons o quanto pudesse. Mas agora tudo parecia ter sido tirado de uma vez só. Ele nunca mais veria seu pai ou irmão. Ele nunca iria ver a luz do Sol novamente. Fungando, Lance começou a chorar de novo, as lágrimas descendo como uma cachoeira em seu corpo, até que o cansaço o atingiu, o nocauteando.
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