Pokémon Monogatari

1 Capítulo 1: Um novo mundo.


Pokémon, Pocket Monster, Monstro de Bolso. Assim são chamadas as criaturas que vivem nesse mundo. Criados por treinadores de todos os tipos, os Pokémon convivem e batalham entre si, se tornando mais poderosos.

Muitos desses treinadores competem contra treinadores locais, chamados Líderes de Ginásio, para ganhar símbolos oficiais e participar da Liga local. Os ganhadores têm a chance de enfrentar os maiores campeões da região, se tornando mestres Pokémon, o maior objetivo de todos os treinadores.

Porém, o mundo Pokémon não se resume apenas a esta dimensão, e duas pesquisadoras estão prestes a descobrir isso...

:: Striaton City

– Tudo pronto, professora. – diz uma delas, de cabelos longos e azuis, usava um óculos.

– Certo, pode iniciar, Fennel. – fala a outra, de cabelos loiros e olhos verdes, em pé a frente de uma máquina. – Espero que dê tudo certo. – termina a frase com um suspiro. Ouve-se um teclar por alguns segundos, então máquina começa a funcionar. Luzes piscam e certo barulho, maquinário, é ouvido.

Lá fora um grupo de pessoas conversava.

– Espero não ter que explicar novamente. – disse um homem de cabelos verdes e longos, com uma enorme “túnica”. – Lá dentro, Fennel e Juniper criaram uma máquina que leva à Terra dos Sonhos, uma terra que contém uma energia incrível. Precisamos privá-las e a todos os outros pesquisadores da energia, por isso estamos invadindo.

– Sim, senhor! – dizem os outros homens, que, diferentes deste último, estavam vestidos como cavaleiros medievais. Em sua armadura, encontrava-se um pequeno escudo com um “P”. Em seguida, começam a caminhar, entrando pela porta dos fundos da casa.

Já lá dentro, a máquina produzia um raio de luz que ia do topo até o chão.

– Conexão estável. Já está preparado para transportar. – diz Fennel, girando a cadeira e olhando seriamente para Juniper.

– Obrigada, Fennel. – Juniper vira-se e dá um sorriso leve. Depois se vira novamente e dá um passo a frente.

– Espere professora! – interrompe. – Leve isso. – entrega um fone às mãos de Juniper. – Assim poderemos nos comunicar. – Juniper põe o fone, pega uma mochila e entra no portal.

:: Desconhecido

O cenário muda para uma floresta. Uma luz aparece entre as árvores e arbustos, e dela surge Juniper. A mulher observa o cenário em volta.

– Nada anormal... Mas isso – olha para uma figura familiar. – Um Pokémon?! – arreganha os olhos para o pequenino. Era uma pequena cobra verde, com “golas” douradas ao redor de seu pescoço e uma folha no fim da cauda. Tinha pernas e braços.

– Aqui, aqui! – chama-o. – Está vendo, Fennel?

Em sua casa, Fennel escutava “Distance” como uma roqueira. Quando Juniper fala, a garota se assusta.

– C-Claro que estou. É um genuíno Snivy. Isso é incrível! – exclama enquanto tecla, olhando para a tela de seu computador, que abria várias janelas. – Está completamente saudável, em um bom nível e tem uma habilidade diferente. Bem rara, aliás, chamada Contrary.

– Não tínhamos dados de Pokémon vivendo aqui, não é? Preciso estudá-lo. – diz enquanto se aproxima da cobra, que se assusta com a figura incomum. – Não se assuste Snivy. Estou aqui em paz. – agacha, faz um “V de vitória” e dá um sorriso pequeno.

– Espero que saiba que ele não é um ET. – diz Fennel pelo fone. – Mas isso é incrível! Olhe em volta.

Juniper se levanta, segue a indicação da amiga e olha atrás dos ombros. Havia Wurmples, Darmanitans, Poochyenas e muitos outros Pokémon. Todos escondidos por causa da luz, mas ao verem que Juniper era inofensiva, começaram a se aproximar.

– E não são apenas as variedades das espécies: todos eles têm habilidades especiais diferentes das normais. Os Darmanitans, por exemplo, mudam, em batalha, para o Modo Descanso, diferente dos que evoluem na Torre do Deserto. – diz ela muito próxima da tela de seu computador, ajeitando os óculos.

– Incrível, mas não posso sair por aí capturando todos que eu ver pela frente. Por hora, vou checar por aí. – começa a andar. – Vejamos as espécies aqui... – mal termina de falar e vê Minccino. – Oh! – a mulher sai correndo pra ver, com os olhos brilhando. O Pokémon com forma de chinchila, orelhas enormes e cauda longa se assusta.

– Tão bonitinho, parece saudável e seu pêlo é muito brilhante. – vai se aproximando mais e mais, seus olhos enormes de emoção e as mãos juntas encostadas no rosto.

– E, além disso – diz Fennel pelo fone — tem a habilidade Laço de Habilidade, que permite acertar sempre o máximo de golpes possíveis usando ataques repetitivos como Explosão de Rochas. – se afasta do computador e coça os olhos.

* * *

Já fazia tempo que estavam trabalhando. Juniper havia pegado alguns Pokémon, os quais conseguiu conquistar a confiança. A casa de Fennel estava muito silenciosa, silenciosa até demais, achava ela. Sua caneca de café, ao lado do teclado, já estava morna, por isso resolveu pegar outra, mas quando se levanta, ouve passos na escada.

– Não são mamãe e papai – pensa ela – seus passos são mais suaves. Também não é meu irmãozinho, ele saiu com os amigos. – os passos estavam cada vez mais perto, e já chegaram ao corredor. – Ladrões!

Como uma reflexão inconsciente, Fennel tranca a porta e corre para o seu computador. Mas não deu tempo. O barulho da tranca fez os invasores perceberem sua presença, arrombando a porta e arremessando Fennel ao chão.

O homem da grande túnica entra; um sorriso maléfico e largo pousado em seu rosto.

– Q-quem é voc-cê? – Fennel tremia de medo. Dois homens a seguravam pelos braços.

– Ora, sabe tanto sobre Unova, mas não reconhece um dos sete afinal? – o sorriso brilhava em seu rosto. – Ghetsis Harmonia. – diz o homem, observando a cara confusa da moça. – Podem amarrá-la.

Dois homens pegam uma corda e começam a amarrar a garota, que demonstra grande tensão, pensando na amiga, do outro lado da dimensão.

– Não precisamos dela. Sabemos como o mecanismo funciona. – vocifera o homem. – Comecem a trabalhar logo, inúteis! E N... (nessa hora, um homem jovial, de cabelos verdes, vestido de branco e preto, aparece) Você irá entrar primeiro. Certifique-se de... Ajudar Juniper. – o sorriso volta a aparecer em seu rosto.

Cerca de minutos se passaram. Uma mulher de armadura e óculos estava à frente do computador, mexendo em programas.

– Tudo pronto, senhor. – disse ela, girando a cadeira. – Iniciar programa em: cinco... Quatro... Três... Dois...

TEC – o barulho de uma tecla é ouvido e o portal começa a emitir sons e luzes, indicando funcionalidade.

– Vá, meu filho. Irei logo após. – diz Ghetsis com um olhar sereno para N. “Certo.”, ouve-se o murmúrio de N, que entra no portal.

:: Terra dos Sonhos

Um barulho de pássaros voando se ouviu na floresta. Juniper se virou para ver o que era, e viu vários Pokémon pássaro fugindo de um raio de luz.

– Tsc... Vieram até aqui, é? – fazia uma cara de raiva. – Tenho que me apressar. – disse ela tirando o fone, depois pisando nele. – Desculpe Fennel.

E sai correndo. Enquanto isso começa a mexer na mochila até tirar um aparelho cinza e vermelho: uma PokéDex. Depois, tira outro aparelho semelhante a uma cápsula, e, ainda, outro fone. Quando chega numa clareira, a mulher pára.

– Vamos, atenda... – impaciente Juniper bate os pés. – Vamos...

Um barulho de telefone sendo atendido e uma fala “Alô” surpreende Juniper.

– Finalmente... Preciso que ligue o transportador. – se abaixa para pegar outra coisa na mochila. – Rápido. – “Pronto!”, disse a voz pelo fone. – Prepare-se para receber essa carga.

Conectando um fio na PokéDex e outro na cápsula, que é um transportador, fez-se uma conexão avançada.

– O gênio, não é Bill? – dá um sorriso leve e começa a inserir, a cada vez, uma poké bola no transportador. Quando finalmente terminou de enviar as poké bolas, alguém apareceu.

– Ora, ora. Você é a jovial professora Juniper. – N se aproximava da mulher. – Fico realmente honrado em conhecê-la, senhorita. – disse com toda cortesia e sinceridade.

– Tsc... Quem é você, garoto? – respondeu com grosseria.

– Não precisa ser grossa. – fez-se uma expressão de constrangimento em seu rosto. – Eu sou N, Natural Harmonia Gropius. O líder dos salvadores: Equipe Plasma. – disse curvando-se.

– Líder dos salvadores? – estava espantada, a mulher. – Responda-me! O que vocês querem?

– Estamos lutando pela libertação dos Pokémon. E, sinto dizer, que você não faz parte desse plano. Estaremos confrontando aqueles que são contra o plano da salvação. – fez-se silêncio total. Apenas ouvia-se o barulho dos Pokémon ao redor. Finalmente Juniper quebra esse silêncio:

– Impossível. Imperdoável. – seu tom era sombrio. Seus olhos estavam cobertos pela sua franja, caída. – Você vai criar um colapso harmônico! Os Pokémon precisam dos humanos, e os humanos dos Pokémon! – vociferou a mulher. Seus olhos, agora à mostra, mostravam determinação. – Você não vai fazer isso. Se precisar, vou impedir.

N agora fazia uma cara triste, o sorriso desaparecera de seu rosto. Seu olhar mostrava decepção.

– Se os humanos precisam e gostam tanto dos Pokémon, por que... Por que eles maltratam, usam-nos como escravos, brinquedos, ARMAS?! – sua expressão agora era de fúria, os dentes cerrados, os olhos brilhando. – Eu vi a realidade do mundo. Eu vi os Pokémon, como eles se sentem após ter vivido ao lado de um humano. – uma lembrança passou à sua cabeça: um Pokémon parecido com um gorila vermelho, de sobrancelhas fumegantes e sorriso bizarro, estava completamente machucado, no chão. Outro, parecendo um pombo, estava com a asa quebrada e uma pata cortada, a maior parte de suas penas tinha sido arrancada do corpo. Os olhos de N se encheram de pequenas lágrimas. – Eu vou fazer o que for preciso para libertá-los. Por memória daqueles que já sofreram e pelos que ainda sofrem. Purrloin vá! – disse soltando uma poké bola.

Da poké bola um raio azul brilhante saiu, e deste, formou-se um gato roxo e arrogante. Seu nome é Purrloin.

“Ele deve estar sendo persuadido por ele.”, pensou Juniper, “Vou quebrar essa ilusão, preciso quebrar. Assim diria... ele”. E soltou outra pokébola. Dessa, o raio azul se formou numa chinchila de olhos e cauda enormes. Os olhos marrons ocupavam metade da face. Murmurou um “chin”, quando saiu.

“Senhor, N e Juniper entraram em batalha.”, disse a mulher à frente do computador, na casa de Fennel.

– Minccino, é? Veremos o que ele pode fazer, antes de meu gato devorá-lo. – N soltou uma risada maliciosa, até comandar: — Purrloin use seu Night Slash!

Purrloin avançou com uma de suas patas imersa em uma aura azulada.

– Iron Tail! – gritou Juniper, confiante. Minccino saltou e deu uma cambalhota. Sua cauda virou puro aço, colidindo com a garra de Purrloin. A colisão fez ambos voltarem com um impulso.

– Swagger! – disse N num tom malicioso. E o gato mostrou um sorriso com a mesma expressão. Logo seus olhos enormes e verdes começaram a brilhar.

– Rápido Minccino! Echoed Voice! – Juniper se apressou antes que o brilho nos olhos de Purrloin fizesse alguma coisa. E conseguiu o que queria: Minccino fechou os olhos, mas não só eles... Torceu suas orelhas para dentro, abriu a boca e tomou grande fôlego. Depois, soltou um berro ensurdecedor, fazendo Purrloin cessar.

– Droga... – rugiu N. – Purrloin, Fake Out! – N começou a mostrar um ar de tensão, como se já admitisse derrota. Purrloin deu um grande salto, ignorando os berros, e bateu suas patas numa palma, fazendo uma onda de ar acertar Minccino, cessando seu ataque também. – Aproveite! Night Slash! – numa cambalhota, o gato negro conseguiu juntar forças para transformar sua pata numa garra de aura azul, acertando Minccino.

– Minccino, Encore! – gritou Juniper, enquanto a chinchila fazia uma bola de luz e arremessava para cima do gato. A esfera foi arremeçada e Purrloin absorveu-a.

– Se quer meu ataque, terá. Purrloin Night Slash! – disse N num tom de estranha felicidade. “Não faz sentido usar outros movimentos”, pensou ele. Porém, era isso que Juniper estava esperando, pois Minccino desviou facilmente do ataque.

– Echoed Voice. – disse ela num sorriso malicioso. Minccino, ainda no ar, cobriu suas orelhas e tomou o máximo de fôlego possível, soltando um berro ensurdecedor bem acima da cabeça de Purrloin, que cedeu, desmaiando. – Fora de combate.

– Tsc... Volte. – disse N apontando a poké bola para o gato, que desaparecia diante de um raio vermelho. Nessa hora, uma rajada de energia atingiu Minccino, que desmaiou-o também. – He he...

– Minccino! – a mulher correu para ver o Pokémon. Logo Minccino também desapareceu sob um raio vermelho. – Quem está aí? – gritou ela para a floresta. Olhava ao redor, mas não via nada anormal, até aparecerem dois olhos azuis dentro da escuridão. Deles vinha um ronronar e o eco abafado de passos na grama.

– Demorou, não? – disse N em um tom de deboche.

– Há quanto tempo... – um olho vermelho apareceu na sombra, ao lado dos olhos azuis. – Professora Juniper.

– Ghetsis Harmonia. – um sorriso de raiva apareceu no rosto de Juniper ao dizer esse nome. – O que faz aqui? – o tom de raiva transparecia facilmente pela sua voz.

– Ora, ora, Juniper. Não é assim que se tratam os velhos amigos. É? – Ghetsis retribuía o sorriso, mas era um sorriso de desapontamento. Logo depois, sua expressão mudava para séria. – Estou aqui para livrar os Pokémon do sofrimento.

– Você não tem esse poder. Não tem como criar dois mundos diferentes. Como o fará?

– A Equipe Plasma, a qual meu lorde é líder, está procurando as antigas lendas de Unova. Já achamos vários vestígios delas em vários pontos do continente e logo, logo você terá uma grande surpresa. Você verá uma lenda viva. Porém, lamento informá-la de que você a verá apenas por instantes, pois é a partir desta lenda que iremos separar nossos mundos... – o homem tinha um tom glorioso na voz e no rosto. Olhava para o céu, sonhador, de braços abertos. – O mundo de humanos e Pokémon.

– Ninguém irá deixá-lo fazê-lo. – retrucou a mulher num tom alto de desgosto.

– Não estou pedindo permissão. – Ghetsis ficou sério novamente. – Liepard, mais um Hyper Beam. – dito e feito. O Pokémon leopardo, ao lado de Ghetsis, lançou outra rajada de energia massiva. Uma explosão aconteceu, levantando muita poeira e fumaça.

– Vamos, N. – e se foram... Na escuridão, Ghetsis disse algo, parecendo saber que Juniper estava viva. – Lembre-se: logo chegará o dia da salvação.

Horas se passaram. A Equipe Plasma, N e Ghetsis já tinham saído da casa de Fennel, porém, deixaram-na amarrada. O equipamento intacto indicava que talvez quisessem usá-lo novamente, ou apenas era o convite a deixar a garota presa, lá no misterioso e novo mundo. Finalmente quando conseguiu se desamarrar correu para o computador e foi verificar a posição de Juniper. A mulher estava bem próxima do portal onde entrara. Em questão de minutos a professora estava de volta ao Mundo Real. A polícia estava de prontidão na porta da casa. A experiência seria mantida em segredo, para que tal crime na residência não causasse tumulto.

Mesmo depois de tudo tranqüilizado, uma questão ainda ficara na cabeça de Juniper, martelando. O que seria essa salvação?