Pokémon Magister

6 Capítulo 005


Notas iniciais
Esse é o quinto capítulo, porém já escrevi e publiquei o sexto, em outros locais. Aqui no Nyah! a história não está cumprindo seu papel de entretenimento (pois, aparentemente, não há leitores - os ultimos dois capítulos não tiveram reviews), por isso vou parar de postá-la aqui.

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Sabe aquela sensação de ter esquecido alguma coisa importante? Johan sentiu isso quando deixou seu apartamento em Goldenrod, e agora, ali no meio da rota 29, a lembrança veio como um Tauros selvagem.

– Meu barbeador! – Ele exclamava, enquanto via num espelho de mão a sombra que se formava em torno de seu rosto – Eu esqueci meu barbeador!

– Ah... Que ruim... – Tony comentou, sem ter noção de quanto um barbeador era importante, afinal, ele quase não tinha barba ainda, apesar de seus 16 anos.

Johan, pelo contrário, não conseguia passar um dia sem se barbear, e o esquecimento do objeto tão precioso o deixava desconfortável.

Naquela manhã de quarta-feira, Johan, Tony e seus novos companheiros Alan e Leo rumavam a Cherrygrove. Leo era um rapaz grande, tanto em estatura quanto em peso, mas não chegava a ser obeso, e tinha cabelos castanhos e lisos, com um corte militar. Ele e Alan já viajavam juntos há algumas semanas. Os dois se conheceram em Violet, tinham acabado de perder a batalha para Falkner, o lider do ginásio local, e resolveram treinar juntos nos arredores de Cherrygrove.

Os quatro passavam por uma alameda de cedros e carvalhos, árvores majestosas que reinavam sobre as vegetações menores, e que juntos, formavam um bosque magnifico. Johan lembrou-se de ter lido em alguma revista de turismo que aquele trecho da rota 29 era um dos mais bonitos de Johto, e agora ele confirmava com os próprios olhos.

– Pelos meus cálculos – começou Alan – Vamos chegar em Cherrygrove lá pelas quatro horas da tarde.

Tony e Alan pareciam ter se identificado: Os dois falavam bastante, eram cheios de energia e gostavam de pokémons voadores. Leo já era mais quieto, durante quase todo o percurso não falara mais do que o necessário, isto é, quando lhe perguntavam alguma coisa. Não parecia ser tímido, mas sim, sério. Enquanto os demais riam de uma piada que alguém contou, ele no máximo esboçava um sorriso. Johan o achava misterioso. E caras misteriosos, para ele, eram fortes. Que pokémons ele teria? Será que já possuia insignias?

Em dado momento, pararam para almoçar. A bela alameda havia terminado, e dava lugar para uma mata mais híbrida, mas não densa. Então eles pararam embaixo de uma árvore grande. Fizeram um círculo de pedras e acenderam ali dois fogareiros. Em um colocaram uma panela com arroz, e no outro um pouco de carne seca com um molho esquisito que Alan trouxera.

Os treinadores soltaram seus pokémons também, para respirarem um ar puro e se alimentarem. Além da Hoothoot, Alan também possuia um Sentret, assim como Tony, e um Gloom, que tinha sido seu inicial quando ainda era um Oddish. Apenas Leo não tinha liberado os seus, e Alan insistiu para que ele o fizesse.

– Está bem – Foram as únicas palavras do rapaz, e ele liberou uma pokébola que continha um Poliwag, cujo nome era Luigi.

Tony reparou que aquele pokémon aquático era um pouco menor que os outros de sua espécie. Concluiu que deveria ser um bebê. Leo, porém, percebeu a feição de Tony e justificou:

– Luigi é um anão. Quando eu o encontrei ele era bem menor.

Alan já sabia disso, obviamente, e assentiu com a cabeça, sorrindo.

– Mas não o subestimem! – Disse, tirando o gorro de sua cabeça descabelada – Esse carinha é bem forte.

Fazia tempo que Johan não via um Poliwag, então a princípio não tinha notado a \"deficiencia\" daquele. Lembrou-se de uma vez em que era adolescente, e junto com seus amigos em Mahogany, ia espiar as batalhas no Ginásio local. Um dia uma treinadora chegou lá com um Electabuzz anão. E era um pokémon muito bizarro, Johan e seus amigos ficaram rindo e zoando. Grande foi a surpresa quando o pequeno acabou com o Piloswine de Pryce.

– E o Ron? – Perguntou Alan a Leo, possivelmente sobre um outro pokémon dele.

– Ele está bem – e não disse mais nada.

Johan e Tony não se importaram e nem perguntaram sobre isso. Estavam entretidos vendo os dois Sentrets brincarem, escalando árvores, saltando e atrapalhando os outros pokémons que comiam suas rações. Eles eram muito rápidos, e nem o furioso Cyndaquil, cujo almoço fora interrompido, conseguia alcançar eles.

Hansi, quieto, também estava ali. Ele não gostava de se enturmar com outros. Johan, de certa forma, ficava preocupado com isso, mas não passava de uma característica dele, ser introvertido.

*

Já era quase fim de tarde e o sol, cada vez mais lateralmente, iluminava de forma explêndida as cerejeiras que ornamentavam a entrada de Cherrygrove. Era uma cidade relativamente pequena e bem desenvolvida verticalmente. No centro, a predominancia era de prédios, comerciais e residenciais, e um tráfego intenso. O subúrbio não era muito extenso e a quase não haviam prédios. De certa forma, era uma mini-metrópole. Só não crescia mais por causa da Lei de Retenção Urbana, que ha 7 anos impedia que as cidades se expandissem a ponto de tomar as áreas verdes e selvagens. Se não fosse por isso, 80% de Johto seria cidade, e as rotas seriam auto-estradas.

O Centro Pokémon possuia duas sedes, uma ao Norte, perto da saída para a rota 30, e outra ao leste, que foi a que Johan e os outros se hospedaram. Todos estavam cansados e decidiram ficar por ali mesmo naquele resto de dia. Os pokémons deles foram todos recolhidos para uma avaliação e recuperação. Mesmo que algum deles estivesse descansado e nem tivesse saído da pokébola, era importante que as enfermeiras e médicos dessem uma checada.

Depois de ter entregue Hansi, Johan esperou no pequeno saguão do Centro os seus amigos. Era uma sala de arquitetura circular, bem limpa e clara. Os móveis, como sofá, mesa de centro e balcão de atendimento, acompanhavam a curvatura das paredes, de forma simétrica. Havia um televisor LCD bem grande que ficava suspenso, atrás do balcão de atendimento, e umas três pessoas sentadas no sofá circular assistiam ao noticiário das sete. Tony, Alan e Leo ainda estavam no balcão falando com a atendente. Johan ia se sentar para também assistir a televisão, mas então viu um cartaz pregado em um mural, que lhe chamou a atenção.

\"Campeonato Municipal de Batalhas Pokémon – Nivel 1\"

Era um cartaz vermelho, com desenhos de pokébolas e Chikorita, Cyndaquil e Totodile como mascotes, desenhados em posição de ataque.

Também estavam escritos a data, que seria dali a quatro dias, e o local, em um ginásio extra-oficial no centro da cidade. Antes que Johan pudesse terminar de ler, Leo se aproximou silenciosamente.

– Vai participar? – perguntou ele.

– Capaz... Acabei de começar, e aliás, nunca batalhei.

– Não tem problema, olha – Leo apontou para onde estava escrito \"Nível 1\" – Isso quer dizer que apenas treinadores iniciantes podem participar. Ou seja, um treinador que não possua insignias.

Por um momento, Johan achou que seria algo interessante. E construtivo. Mas ainda assim, achava melhor não se expor tão cedo. Ou melhor, não expor o seu companheiro deficiente. Sabe-se lá o que poderia acontecer.

– E você, vai? – Perguntou Johan a Leo.

O quieto rapaz apenas afirmou balançando a cabeça. Nisso, Alan e Tony, que estavam no balcão, se aproximavam.

– Haha, acredita que me confundiram com outro Alan Tinker? – Disse o próprio, sorrindo – Mas já está tudo resolvido.

Então Alan viu o cartaz, e incentivou seus novos amigos a participarem. Tony logo se empolgou, e não pensou duas vezes: Iria participar. Dessa vez, venceria Alan.

– Eu não posso participar – Respondeu o rapaz, recolocando seu gorro – Já tenho uma insignia, a Colmeia. Mas não seja por isso. Tony, Johan, as inscrições são aqui mesmo no Centro, porque não fazem já?

Johan pensou mais um pouco e se decidiu. Ainda teriam três dias inteiros para treinar, e um torneio de iniciantes era algo qua não se encontrava facilmente. Segundo Alan, era apenas Cherrygrove que promovia esse nivel, e os campeonatos eram feitos apenas de seis em seis meses. Tony já estava falando com a atendente, que lhe passou um formulário para ser preenchido. Johan foi na sequencia, e se inscreveu.

Tinham combinado: No dia seguinte, os quatro acordariam cedo e treinariam juntos na rota 29. E assim foi. Quando era 10 horas da manhã, já estavam em um trecho mais afastado da rota, mas ainda próximo da cidade, onde haviam colinas e bosques. Não haviam muitos arbustos no chão, de forma que dava para ver com clareza onde pisavam. Era seguro ali.

Alan sugeriu que liberassem todos para um aquecimento. O próprio começou a dar instruções para os pokémons que ali estavam. Flexões, polichinelos, corridas, e sugeriu que os treinadores também o fizessem. Hansi não parecia muito contente. E Johan achou que aquele tipo de treinamento não era muito adequado. Cyndaquil e os Sentrets, porém, pareciam bastante empolgados e determinados.

Mais tarde, dividiram os pokémons em grupos: Normal e Especial. No primeiro entram aqueles com físico mais desenvolvido para ataques corpo-a-corpo, e no segundo os que tem mais vantagem em ataques especiais. No primeiro entraram Cyndaquil, Hansi e os dois Sentrets, e no segundo entraram Gloom, Hoothoot e Luigi, o Poliwag.

Leo se encarregou do segundo grupo, ele já sabia como devia treiná-los pois Alan lhe ensinara.E este era o cabeça, adorava montar técnicas de treinamento, e Johan e Tony ficaram também acompanhando ele no primeiro grupo. Tony se perguntou se o Cyndaquil não ficaria melhor treinando suas habilidades de fogo, mas Alan alegou que ele tinha um grande potencial em agilidade, e era importante trabalhar isso o quanto antes.

Os exercicios propostos eram simples. Começaram com uma brincadeira de pega-pega. Os Sentrets eram mais rápidos do que os demais. Cyndaquil também era veloz, mas não à altura deles, e isso o deixava um pouco irritado. Hansi, porém, não parecia disposto àquele treinamento, e ficava parado, simplesmente. Alan, que reparou nisso, ficou com pena, pensando se não era um treinamento inadequado pelo fato de ele ser cego. Na verdade, Hansi achava aquilo tudo uma tolice, e por isso não participava.

Johan não soube o que fazer. Sabia que Hansi estava pensando que aquele treinamento não era para eles. Mas também não sabia que tipo de treinamento seria mais adequado. Nem poderia dizer que conhecia o seu Smeargle.

Alan resolveu mudar o exercício. Agora os três teriam que jogar pedras contra seus pokémons, e estes teriam que desviar. Cyndaquil e os Sentrets estavam animados com o treinamento. Saltavam, abaixavam-se e se esquivavam com perícia. Johan segurava uma pedra na mão e olhava para seu companheiro cego. Hesitou em arremessar, estava com medo de feri-lo.

Por fim jogou. Por um instante, pensou que deveria ter avisado o pokémon antes. Agora era tarde. Johan tinha uma boa pontaria, mas errou. O projétil passou raspando em Hansi, que nem se moveu. Talvez inconscientemente o rapaz tivesse errado. Catou outra pedra. Quando voltou a olhar para Hansi, este lhe fez um sinal de positivo, e Johan entendeu que era para acertá-lo pra valer. Dessa vez, confiante, arremessou com força, na direção do peito do Smeargle, que evadiu perfeitamente. Johan jogou outra pedra, e outra, e mais outra. Cada vez mais rápido e mais forte, e todas as vezes Hansi desviava. Como ele fazia isso? Tony parou por um instante o treinamento com Cyndaquil e Sentret, para assistir aquela proeza, e Alan também.

Quando finalmente pararam, os dois estavam ofegantes. Mais uma vez, Hansi tinha sido subestimado.

O treinamento continuou durante aquele dia. Johan e Hansi, porém, o fizeram à parte, entre eles. Alan era bom, mas não sabia de tudo, e seus treinamentos não podiam ser aplicados a todo e qualquer pokémon.

Ja eram quase sete horas da noite quando retornaram ao Centro, todos exaustos. Deixaram seus pokémons com a enfermagem, para se recuperarem para o próximo dia de treinamento, e foram se deitar.

Johan, em seu quarto, pensava. Ele tinha sido honrado em ter como primeiro pokémon um Smeargle, que pelo visto nunca era levado muito a sério, mas que poderia ser extremamente poderoso se fosse treinado da maneira certa. O problema era encontrar tal maneira.

Mas Johan estava certo de que a encontraria. E teria que fazer isso sozinho com seu pokémon.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.