Apesar do Doutor Esmos saber do acontecido da última noite, duvidou fortemente que Joshua pudesse aparecer lá, ainda mais sozinho.

O Doutor convidou o jovem a entrar e puxou uma cadeira para que o mesmo sentasse.

— Bom, vamos lá. Preciso de um tempo pra entender isso. - Disse o Doutor ainda estonteado com a situação. — Você veio até aqui sozinho mesmo depois do ocorrido ontem? Eu poderia jurar que você iria querer se mudar ou iria sumir por muito, muito tempo. - Desabafou o Doutor.

— Eu estou cansado de fugir, Doutor. Antes eu fugi porque achava que não tinha que eu pudesse fazer, mas hoje… hoje é diferente. Vocês me fizeram acreditar que eu posso ser diferente, que eu posso fazer algo e é isso que eu quero. Eu não quero que ninguém veja o que eu vi, passe pelo que eu passei.— Proferiu Joshua num tom determinado.

Neste momento, a conversa entre eles foi interrompida por um dos aprendizes do Doutor.

— Doutor, algo aconteceu!!

Esmos e Joshua se entreolharam e foram atrás do pupilo do Doutor.

Steve é um jovem cientista que é aprendiz de Doutor Esmos há alguns meses. Está sempre com o jaleco que Doutores e Professores usam. Usa um óculos redondo e seu cabelo é grande o suficiente para que sua franja caia sobre os óculos. É um rapaz extremamente inteligente e atento, tem uma postura firme, diferente da maioria dos jovens cientistas e do que sua aparência transmite.

Continuando o caminho, descendo as escadas do laboratório, que ficava numa passagem escondida, eles chegaram até o subterrâneo. Era um laboratório a parte.

Era escuro, iluminado apenas pelas luzes emitidas pelos equipamentos. As paredes eram de concreto, sem acabamentos ou algo do tipo. Era possível ver vários equipamentos para pesquisa e vários frascos com elementos químicos e algo de pokémons como por exemplo pelo de Luxray, escamas de Feebas e outros.

— O que foi que houve, Steve?!
— Olhe isso, Doutor.

O jovem Steve parou em frente a uma cápsula com um líquido verde e lá dentro estava o Ursaring que havia sido alvejado pelo homem misterioso.

— O que é isso, Doutor Esmos? - Indagou Joshua.
— Depois que você ligou para nós ontem, viemos buscar o Ursaring. Realmente foi uma cena triste ver o pobre pokémon baleado. Mas trouxemos ele para o laboratório para ver se encontrávamos resíduos da bala que o atingiu.— Explicou.
— Mas encontraram algo? - Continuou Joshua.
— Sim, a bala foi encontrada inteira. Não atingiu o coração, mas foi suficiente para…— Esmos foi interrompido.
— Não, Doutor, ele não está morto.— Proferiu Steve.
— O que?!?!— Joshua e o Doutor perguntaram espantados.
— Eu andei avaliando a bala antes de mandá-la ao laboratório geral em Hoenn e constatei que ela não tem uma ponta perfurante. Ela é lisa. Não sei se isso tem algum significado. - Explicou o aprendiz.
— Mas então, por quê?— Questionou Joshua.
— Bom, não faço ideia. Só sei que a bala libera uma espécie de toxina que eu ainda não consegui estudar nada porque a substância entrou na corrente sanguínea do Ursaring assim que a bala o acertou.

Esmos estava nitidamente contente com o progresso de seu pupilo e mal podia esconder sua satisfação. Joshua estava cada vez mais interessado no assunto.

— A verdade é que se vocês olharem no monitor vão ver que os batimentos cardíacos dos Ursaring estão aqui. Fracos, mas estão. Ele está conosco.— Concluiu Steve, com um suspiro.

Joshua e Esmos se olharam e estavam extremamente contentes, não podiam conter a felicidade. Os dois abraçaram Steve juntos, amassando o jovem cientista.

— Hey, vocês vão quebrar meu óculos! - Disse o jovem com a voz abafada pelos abraços calorosos.

Ambos, Doutor e Joshua, soltaram o rapaz e se desculparam.
Steve se ajeitou e retomou a compostura, limpando a garganta.

— Mas então, precisamos ter paciência e deixá-lo se recuperar. Eu pus algo na cápsula dele que o fará se sentir melhor. Por enquanto vamos observá-lo. O projétil já foi enviado à Hoenn, Doutor. - Concluiu Steve.

— Ótimo, Steve, magnífico trabalho. - Se gabou, Esmos. - Vou lhe pedir um favor agora. Nosso querido amigo Joshua veio buscar seu Pokemon. Lembra que conversamos sobre isso?
— Com toda certeza, Sensei.

Os dois se entreolharam e Esmos deu aquele sorriso enigmático para Steve. O pupilo entendeu do que se tratava e retribuiu com um piscar de olhos.
Steve guiou Joshua de volta para a o andar de cima. Os dois foram andando e Joshua foi perguntando mais sobre o estado do Ursaring, mas Steve já tinha dito tudo que sabia sobre o caso e ainda não tinha novas informações.
Joshua insistiu para que eles trocassem telefones para que Steve pudesse atualizá-lo quando soubesse de alguma novidade sobre o assunto. Steve tentou se esquivar mas não conseguiu e acabou cedendo e passando seu número. “Sinto que vou me arrepender disso depois.”— Pensou o rapaz.

Eles foram andando por dentro do laboratório e chegaram aos fundos, numa caminhada rápida, já que o laboratório não é tão grande. Mas em compensação, Joshua foi surpreendido pelos fundos do lugar.

Era uma grande habitação contendo várias árvores e um lago muito bonito. Era uma espécie de gaiola, mas era tão grande que não passava essa impressão. Mas quando Joshua olhou para o alto pôde ver as grades da gaiola.
Tinham diversos tipos de árvores no lugar, com várias frutas nascendo e flores desabrochando.
Os dois rapazes caminhavam pela incrível habitação. Joshua estava maravilhado com a paisagem.

—É artificial? - Indagou o menino.
— Não, é de verdade. Existe um sistema de irrigação e a luz do sol consegue entrar tranquilamente. O Doutor quis criar um ambiente idêntico ao original para os pokémons que ele estuda. - Informou Steve.
— Tem pokémons aqui?!
— No momento não. Como estamos sofrendo muitos ataques dos homens misteriosos aqui, o Doutor Esmos achou melhor transferi-los.
— Ah, entendi… - Disse Joshua, cabisbaixo. Estava animado para ver pokémons e poder tocá-los e brincar com eles.
— Mas… tem um em especial. Guardamos ele pra você.— Contou Steve num tom animado.
— Sério?! Aonde?!
— Procure-o, oras. Ele vai ser seu afinal.

Joshua começou a procurar pela pequena floresta incansavelmente. Steve sentou-se no gramado e ficou observando o garoto em sua procura.

— Ah, aliás, o Doutor mandou te avisar que o seu pokémon já te conhece, então é natural que ele queira brincar de se esconder de você. - Adicionou Steve.
— Eh?! Ele me conhece? Como?— Continuou Joshua procurando o misterioso pokémon.
— O Doutor falou de você e mostrou fotos. Você sabe, pokémons entendem. Do jeito deles, mas entendem.

Joshua continuou buscando nas florestas e no lago e continuou fazendo perguntas para Steve sobre o tipo, caraterísticas e outras dicas e pistas sobre o pokémon.
Após longos quinze minutos correndo entre as árvores e mergulhando no lago, ele já estava cansado e reclamando. Tirou a camisa para mergulhar, deixando sua bermuda encharcada.

— Steve, estou cansado, cadê ele?— Perguntou Joshua. Suas pernas já começavam a doer.
— Continua procurando… - Respondeu Steve, deitado em baixo de uma árvore com um copo de suco, aproveitando a sombra.

Joshua percebeu o descaso de Steve e se cansou, deitando sob uma sombra próxima ao lago, fechou seus olhos e deixou que o vento o secasse.
Steve abriu seus olhos e viu Joshua repousando na sombra. Então ele acenou para uma árvore. Alguns segundos depois, as folhas balançaram e foi uma possível ver uma pequena silhueta em um dos galhos do topo da árvore que fazia a sombra em que Joshua estava deitado.
A silhueta pulou lá do alto se jogando sobre Joshua. O pequeno ser caiu em cheio sobre a barriga do garoto que levantou no susto sem ar.

— Mas que...?!— O garoto levantou em um pulo abrindo os olhos e quando olhou em seu colo estava um pequeno Chimchar. O pequenino o encarava com dois grandes olhos arregalados de animação.


Joshua olhou para trás na direção de Steve, que fez um sinal.

— É ele mesmo.— Antecipou Steve.

Joshua olhou de novo para o Pokémon e foi possível ver lágrimas em seus olhos. Chimchar se assustou e com suas pequenas mãos enxugou as lágrimas do rapaz.

— São de alegria, pode ficar tranquilo. — Disse Joshua com uma voz carregada. Logo em seguida o garoto abraçou seu mais novo amiguinho, que retribuiu o caloroso abraço.

Steve caminhou vagarosamente até a dupla e sentou-se ao lado de Joshua.

— Essa é a hora de dar um apelido pra ele se você quiser. - Explicou Steve.
— Não, não. Chimchar é um lindo nome.
— Muito bem então. Ele tem uma personalidade ótima. É extremamente carinhoso. Vocês vão se dar bem, ele vai acrescentar muito em sua vida.— Encerrou Steve.

Joshua ficou mais um pouco sentado sob a sombra conversando e admirando Chimchar. Steve ficou ao seu lado explicando algumas noções básicas sobre batalha e coisas do tipo.

Mais alguns minutos de conversa e Doutor Esmos entrou no local, vindo do laboratório. — Ora, vejo que já conheceu seu novo amigo.— Brincou Esmos.

— Sim, ele é ótimo, nos demos muito bem. - Disse Joshua levantando e indo na direção de Esmos com Chimchar em suas costas emitindo seus sons característicos. Ambos estavam muito animados.
— Ah, Joshua-kun. Irwing e Suho ficaram preocupados com você. Irwing não te achou na escola e Suho foi na sua casa e não te encontrou também. Achei que você tivesse os avisado.
— Não… me desculpe, eu estava realmente empolgado em vir aqui o mais cedo possível. - Esclareceu Joshua.
— Tudo bem, sem problemas. Eles estão vindo pra cá, devem chegar em poucos minutos. Mas venha aqui, vamos conversar sobre umas coisas. - Convidou o Doutor voltando ao laboratório.

Steve passou por eles dizendo que ia voltar ao subterrâneo para continuar acompanhando o quadro de Ursaring e fazer mais pesquisas. Joshua fez um agradecimento formal e o Doutor Esmos fez um aceno.
Esmos sentou-se em sua cadeira atrás de uma mesa e ficou olhando para a janela que dava para a pequena floresta e o lago. Alguns itens estavam sobre a mesa.
O Doutor parecia preocupado.
Joshua estava com o Chimchar em seu ombro ajeitando suas roupas recém colocadas e esperando que o Doutor começasse a falar.

— O que o aflige, Oliver? - Disse uma voz vindo do fundo.

Joshua e o Doutor viraram-se para ver.

Uma linda mulher entrava na sala. Mesmo jaleco branco, com um vestido amarelo por dentro e com um salto grande em seus pés. Tinha cabelos até pouco abaixo do ombro. Castanhos como o tronco de uma árvore em seu melhor estado. Seus olhos eram azuis como o céu. Era confiante. Seu andar inspirava isso.

— Vox? O que faz aqui?— Disse o Doutor em tom de surpresa.
— Estava por aqui e resolvi vir ver se você está andando com suas próprias pernas. - Zombou Vox.— Quem é o garoto?
— Ah, esse é Joshua. Joshua essa é Ava Vox. - Apresentou Esmos.
— Muito prazer, senh- Ele foi cortado por ela nessa hora.
— Não ouse terminar essa frase, garoto. Não sou isso que você ia falar. Mas muito prazer também.— Disse Ava, enfurecida.
— Desculpe… - Proferiu Joshua, envergonhado, abaixando sua cabeça. Chimchar fez o mesmo movimento.
— Deixa eu adivinhar, ele também? - Indagou a mulher.
— Sim… - Lamentou o Doutor.
— Onde estão os rapazes? - Questionou Vox.
— Estão a caminho.
— Ótimo. Ele vai fechar essa equipe? - Perguntou Ava apontando para Joshua.
— Sim, irá.
— Muito bom, assim eu já designo a localização deles três.
— Certo.
— Pode me deixar com ele um instante? Eu distribuo os itens.
— Ah, claro, tudo bem. Fique à vontade.
— Tô sempre à vontade. Quando sair fecha a porta.
— Abusada… - Resmungou Esmos.
— O que você disse, Oliver?!?! - Berrou a mulher.

Doutor Esmos apenas bateu a porta, deixando a sala.
Joshua percebeu que estava apenas ele, Chimchar e Ava na sala e ficou tenso.

— Calma, eu não mordo. - Brincou a mulher com uma voz mais calma. — Eu e Oliver estudamos juntos, nos conhecemos há algum tempo. E antes que você pergunte, ele foi estudar depois de velho. Eu tenho a idade que aparento ter, ok? - Concluiu a Doutora.

Joshua apenas assentiu, concordando com tudo que Vox falou.

— Bom, vamos ao que interessa.— Começou a Doutora. — Como Oliver já te adiantou, temos poucos treinadores em campo. E com o pouco que temos estamos formando times. Você, Suho e Irwing serão um time. Vocês sairão na jornada juntos. Vão treinar juntos e dividir o peso da jornada juntos. Se por alguma razão vocês se separarem, vocês terão isso aqui — Ela pegou um dos itens sobre a mesa. - Isso aqui se chama PokéRadar. Ele é uma espécie de chip que ficará acoplado na PokéDex. Mesmo se sua PokéDex quebrar, o chip não quebrará, mas se você perder a PokéDex não há o que fazer a não ser recuperá-la. Portanto, não perca. Suho e Irwing também têm. Vocês poderão ver a localização um do outro pela PokéDex. Até aqui você entendeu?
— Sim. - Respondeu Joshua de imediato.
— Ótimo. Próximo item. - Vox pegou a própria PokéDex — Essa é a PokéDex, como você deve conhecer. Ela serve para armazenar dados em geral de qualquer pokémon que você ver. Basta abrir ela próximo ao pokémon que ela te passará as informações.
— Que informações?
— Coisas como habilidade especial, as técnicas que ele pode aprender, evoluções seguintes e passadas, coisas assim. Entendeu?
— Sim.
— Por hora é o que vocês vão precisar. Os outros acessórios mais básicos ficam por conta do Steve.

Neste momento, houveram batidas na porta.

—Entre! - Berrou Vox.

Suho e Irwing entraram as pressas indo rapidamente na direção de Joshua para saber se o mesmo estava bem, ignorando a presença de Ava na sala.
Eles abraçavam Joshua e elogiavam o pequeno Chimchar enquanto Vox observava, perdendo a paciência.

— Ei!! Pirralhos!! Não estão me vendo aqui!! - Gritou a mulher.
—Desculpe-nos, sensei!! - Disseram os rapazes em uníssono.
— Estávamos preocupados com o Shua, ele sumiu, não conseguíamos achá-lo.— Explicou Suho.
— Tudo bem.— Disse Ava.— Estava dando os itens que vocês já receberam à ele. Ainda bem que vocês chegaram, vou designar a área onde vocês vão ficar. - Comentou a Doutora endireitando-se na cadeira do Doutor Esmos.
— Vocês têm a missão de combater essa organização, mas de qualquer forma, ainda é a jornada de vocês e todos os jovens que saem em uma jornada têm um propósito. Não queremos tirar a mágica de sair em uma jornada de vocês, mas queremos que tenham ciência de que vocês têm um objetivo e que precisam cumpri-lo. Vocês poderão batalhar nos GYMs, disputar Contests, fazer pesquisas, o que for do interesse de vocês saindo em uma jornada, certo?— Explicou Vox. Os rapazes concordaram. Pareciam entusiasmados. — Certo. Então, nós estamos em Floarama. Vocês vão estar juntos de qualquer forma, então vocês vão se dirigir até Eterna City. Vocês sairão daqui da cidade por cima e chegarão em Eterna pela Eterna Forest. Estamos entendidos?
— Sim, senhora!— Disseram os rapazes.
— Certo, então aqui eu tenho pra vocês algumas pokéballs, potions e um mapa de Sinnoh para cada um de vocês. Vão até suas casas e peguem suas coisas. Antes de partirem passem aqui. Eu e Oliver estaremos aqui para dar as últimas instruções. Estamos entendidos, pirralhos?! - Berrou a Doutora.
— Sim!! - Berraram os jovens de volta.



Os garotos despediram-se temporariamente dos Doutores e foram caminhando juntos para suas respectivas casas. Ficaram uma boa parte do caminho em silêncio. Era por volta de uma da tarde, o sol estava alto, mas o vento era forte e constante, criando um clima agradável para uma caminhada.
Quando os jovens chegaram na ponte, onde os últimos eventos haviam acontecido, Suho resolveu quebrar o silêncio.

— Então… vocês estão animados?
— Muito!! - Responderam Irwing e Joshua juntos.

Os meninos riram juntos e Suho agarrou os dois pelo pescoço, puxando-os para si.

— Estou tão animado para sair numa jornada com vocês também, vai ser tão legal!
— Ah, Suho, isso me lembra que eu não sei qual seu pokémon inicial. O do Irwing eu sei porque ele batalhou na escola. - Comentou Joshua.
— Oh, tem razão. - Respondeu Suho que já foi pegando sua única pokéball no bolso de sua calça. Deu um leve toque no centro da esfera, expandindo-a. Em seguida jogou-a ao alto, que abriu e liberou um feixe de luz prateado que deu forma a um Larvitar.
— Ah, quem é esse? - Indagou Joshua pegando sua pokédex. O aparelho foi prontamente dando as informações para Joshua.

Aquele era Larvitar, pokémon do tipo Rock/Ground. Era conhecido como pokémon pele de pedra. Larvitar estava bem animado. Chimchar desceu do ombro de de Joshua para cumprimentar o novo amigo.

— Hmm, que legal. Seu Larvitar é bem maneiro. - Falou Joshua enquanto abaixava para acariciar o pokémon de Suho.

— Eu acho que dei sorte. - Comentou Suho. — O professor disse que a maioria dos Larvitar costumam ser extremamente antissociais e sérios, mas o meu Larvitar é extremamente dócil e comunicativo.
— Heh, realmente você deu sorte. - Comentou Irwing pegando sua pokéball e trazendo Bulbasaur pra fora. O pokémon do rapaz correu até os outros dois para se enturmar.
Os rapazes ficaram observando os três pequenos juntos e ficaram felizes em ver que eles se davam bem.

— Dizem que os pokémon são o reflexo dos donos. Acho que somos bons amigos então. - Proferiu Suho.

Joshua e Irwing concordaram.

— Eu vou indo na frente, preciso conversar com minha mãe ainda. Vamos lá, Chimchar. Até depois, gente! - Disse Joshua, caminhando na frente. Chimchar se despediu dos novos amigos e veio logo em seguida, subindo no ombro de Joshua. O rapaz saiu correndo com seu mais novo companheiro, acenando para os rapazes que ficaram atrás.
Suho e Irwing também se despediram ali e seguiram caminhos opostos para suas casas, também andando com seus pokémon ao seu lado.

Joshua chegou em casa e já se pôs a explicar a situação para sua mãe. Explicou sobre a organização secreta que estava fazendo maldade aos Pokémon e comentou sobre a missão que lhe foi dada. E que essa missão envolvia vários outros novos treinadores.
Disse a sua mãe que nunca estaria sozinho, pois além de Chimchar, ele tinha Suho e Irwing.
A mãe de Joshua concordava em silêncio com as coisas que o menino dizia. Ela tinha medo por seu filho. Seu único menino saindo tão novo em uma jornada, num mundo cheio de medos e incertezas. Mas ela sabia que não tinha o que fazer. Conhecia o filho que tinha. Sabia que nada o faria mudar de ideia. Ela conseguia ver a chama da determinação nos olhos do menino.
Concordou em silêncio sobre ele sair na jornada, apenas com uma mexida de cabeça e um “tudo bem” carregado de emoções e sentimentos.
O garoto se encheu de alegria e deu um forte abraço em sua mãe que não pôde evitar escorrer uma lágrima.
— Eu vou ficar bem, mãe.— Disse o garoto com a cara afundada na barriga de sua mãe. A voz estava trêmula.
— Eu sei, meu amor. - Disse a mulher com a voz menos carregada, tentando passar segurança ao rapaz. — Vou arrumar sua mochila. Já volto. - Disse ela num tom baixo, pegando a mochila de Joshua e subindo as escadas até o quarto do menino.


Joshua sabia que aquele momento era só dela e que deveria deixá-la sozinha. Olhou para o lado e viu uma muda de roupas no sofá.
Pegou as roupas e foi tomar seu banho. Abriu bem o chuveiro e deixou que a água caísse completamente sobre sua nuca. Na sua mente passava um turbilhão de coisas. Ele não conseguia pensar com clareza em uma coisa só. Terminou de tomar seu banho, secou-se rápido e vestiu as roupas. Uma blusa branca com um trovão azul no meio. Sua calça preta favorita que tinha alguns detalhes no bolso esquerdo. Seu tênis branco com cinco listras pretas. Arrumou seu cabelo no espelho e ao terminar olhou bem fundo no seu reflexo no espelho e disse: — Vamos lá.

Saiu do banheiro e viu sua mãe em pé na sala segurando sua mochila. O rapaz foi até ela, deu um primeiro abraço e pegou a mochila. Ganhou um beijo na testa e um outro longo e forte abraço de sua mãe. Abriu a porta e olhou para trás com os olhos marejados. Sua mãe deu um sorriso confiante para ele, tentando passar segurança ao rapaz para que começasse sua jornada determinado. O garoto deu um grande sorriso, fazendo com que as lágrimas saltassem de seus olhos e disse:

— Estou indo!!

Notas finais
Foi muito difícil escrever a parte da despedida, eu sempre fico imaginando eu saindo de casa e indo morar sozinho e essa provavelmente seria a cena que eu viveria. Espero que sirva de reflexão pra vocês, caros leitores, aproveitem bastantes suas mamães. ♥