Pokémon: Johto Trails
5 5 - Adentrando a Rota 36! Nidoran!
Notas iniciais
Espero que gostem.
Desculpem-me, ele não está revisado. Eu postei meio que com pressa, porque no sábado eu viajo e aí serão dez dias sem capítulo. Eu irei escrevendo-os por lá, talvez consiga adiantar um ou dois capítulos, eu acho. E quando eu voltar, voltarei com força total kk.
Bem, boa leitura.
Capítulo 5 – Adentrando a Rota 36! Nidoran!
O relógio já devia marcar umas 3 horas da tarde enquanto Luke, Larvitar, Kimberly e Teddiursa caminhavam tranquilamente pela trilha no bosque. O sol estava alto no céu, enquanto os Pokémons faziam sua atividades tranquilamente. Pidgeotto’s traziam alimento para seus filhotes, Rattata’s e Sentret’s entravam e saíam de suas tocas e Stantler’s pastavam calmamente na grama.
Os dois treinadores caminhavam lado a lado com seus Pokémons, sempre checando o mapa no Pokégear de Luke. Pelo visto, estavam próximos de sair daquela rota e entrar na próxima. De lá, seria apenas seguir em direção a Violet.
– Falta muito? – perguntou Kimberly, visivelmente cansada de andar.
– Não. – respondeu o garoto – Eu acho que estamos quase lá. Faltam só alguns passos e... Pronto!
Eles pararam. A frente deles, nada parecia muito diferente. As mesmas árvores, os mesmos Pokémons, a mesma trilha... Mas uma pequena placa estava enfiada na grama, na qual se lia a indicação: “Rota 36”. Finalmente haviam chegado.
– Não parece muito diferente... – comentou a garota.
– Não mesmo... – Luke concordou, checando novamente o seu Pokégear – Mas o mapa está dizendo que aqui é o lugar certo então continuemos seguindo!
O menino continuou marchando para frente, confiante, enquanto Kimberly o seguia silenciosamente. Ela gostava de apreciar a paisagem, observando tudo ao seu redor. Teddiursa estava a acompanhando com passinhos longos, recolhendo com suas pequenas patinhas algumas pedrinhas de coloração leitosa na trilha, mas não conseguia segurar a todas e ia deixando algumas caírem pelo caminho.
– Quer ajuda para carregar todas essas pedras, Teddiursa? – Kimberly perguntou, recebendo um sinal afirmativo de cabeça do Pokémon. Ela então sacou uma simples sacola de tecido verde da mochila e entregou para o pequeno – Pode guarda-las aqui. Só tome cuidado para não ficar pesada demais.
O ursinho sorriu e tratou de jogar as pedrinhas brancas lá dentro. Pendurou a sacola no ombro e parecia um minúsculo aventureiro atravessando a trilha em busca de tesouros.
– Que gracinha... – sorriu sua treinadora, logo voltando sua atenção para o caminho a sua frente. As árvores ainda altas não permitiam a visão de nada além, não os dando sequer uma ideia de a qual distância estavam de Violet. Sua única pista era o mapa da Pokégear, que mostrava em que lugar estavam na rota, mas não mostrava os desafios que teriam que enfrentar. Encontrariam montanhas? Desfiladeiros? Rios? Kimberly não sabia dizer. E enquanto permanecia perdida em seus pensamentos, nem notou a silenciosa criatura que se aproximava por trás.
–X-
Teddiursa ainda coletava pedrinhas alegremente e com a sacola mais pesada, teve que parar para descansar. Botou o objeto no chão e sentou-se para recuperar a energia e juntar forças para continuar a carregar a sacola. Nesse meio tempo, os treinadores se afastaram um pouco, dando chance a um esguio Pokémon dar o seu bote. Um pequeno corpo de coloração roxa surgiu por trás de Teddiursa e repentinamente, o ursinho se sentiu apunhalado por trás. Soltou um enorme grito de dor, enquanto caía no chão, chorando.
Kimberly, no momento em que escutou o choro, olhou ao seu redor e constatou que Teddiursa não estava com ela. Virou-se para trás e viu seu pequeno Pokémon caído, berrando, enquanto outra criatura subia em cima deste, preparando-se para outro golpe. A garota não perdeu tempo e saiu correndo em direção aos dois.
– Teddiursa! – gritou ela, e sem pensar, desferiu um violento chute na criatura que havia atacado o seu Pokémon. O bichinho roxo foi arremessado em direção ao chão de terra, rolando alguns metros antes de bater em um tronco de árvore, quase nocauteado.
– Teddiursa! Ow, meu Arceus, você está bem? – a garota se agachou para junto de seu Pokémon. Ele estava pálido, tremendo e suando. Não parecia nada bem.
– Hey, Kim! – a voz de Luke gritou bem atrás dela – Por que você saiu correndo?
– Olhe só para o Teddiursa! – Kimberly respondeu, dando espaço para o amigo passar. O ursinho estava ficando pior. Seu nariz escorria com uma meleca verde e nojenta, e seus olhos ficavam cada vez mais vermelhos. O que quer que tenha acontecido, não era bom.
– O que aconteceu com ele? – perguntou Luke, surpreso.
– Eu não sei! – a garota pegou o ursinho nos colos e apontou furiosamente para a criatura roxa que tentava se levantar após o chute – Foi aquilo ali que deixou o Teddiursa assim!
– Mas o que é aquilo, exatamente?
Nenhum dos dois sabia dizer. Parecia ser uma espécie de roedor, com longas orelhas espetadas e grandes dentes incisivos. Uma coleção de espinhos enfeitava suas costas, enquanto um pontudo chifre estava perfeitamente afiado em sua testa. Seus olhos eram um misto de dor, confusão e raiva.
– Use sua Pokédex! – sugeriu Luke, com um pouco de inveja pela amiga ter uma e ele não. Ela lhe contara que por seu irmão ser um famoso coordenador em Sinnoh, conseguira convencer o Professor local, o senhor Rowan a dar uma Pokédex para Kimberly. Grande coisa... Como se ter um pai e um irmão líderes de Ginásio, uma tia rica e um tio ex-campeão da Liga já não fosse o suficiente para conseguir uma Pokédex de qualquer professor regional.
– Certo... – ela pegou o aparelho eletrônico da bolsa e apontou para o Pokémon roxo, que permanecia sentado no lugar, meio zonzo. A voz eletrônica rapidamente soou, dando as informações necessárias:
– Nidoran macho, um Pokémon Espinho Venenoso. Eles costumam patrulhar seus arredores levantando suas grandes orelhas acima da grama. Seu chifre tóxico é usado como proteção.
– Um Nidoran macho então... – concluiu Luke – Esse bicho vai ser meu! Vamos lá, Larvitar!
– Larvii... Larvitar! – negou a larvinha, olhando de um modo reprovador para seu treinador. Ele então se aproximou de Kimberly e apontou para o Teddiursa naquele péssimo estado. A batalha poderia esperar, mas o ursinho não. Precisava de tratamento urgente.
– Tudo bem, tudo bem... Eu ajudo a cuidar dele e aí a gente captura o Nidoran, beleza? – cedeu Luke.
– A Pokédex disse que o Nidoran tem um chifre venenoso. Ele pode ter usado isso para atacar o Teddiursa... – ponderou Kim – Nesse caso, o Teddiursa está envenenado!
– Ow, man... Agora a parada ficou séria... – reclamou o garoto, observando com o canto do olho o Nidoran se afastar cada vez mais. Se ele fugisse, Luke perderia uma ótima oportunidade de adicionar um bom membro no time. Até que teve uma ideia para resolver esse problema – Já sei! Talvez se levarmos o Nidoran com a gente, a gente possa usar o veneno dele para fazer algum antidoto, ou algo do tipo!
– Boa ideia! – concluiu Kimberly, sorrindo, o que fez com que seu amigo comemorasse internamente por ter conseguido enganá-la.
– Muito bem então. Vamos pegar esse bicho! Larvitar, Bite! – Luke ordenou e o movimento foi logo obedecido pelo seu Pokémon, que avançou e tentou desferir uma forte mordida no corpo de Nidoran. Mas o pequeno venenoso agilmente se esquivou, saltando e pelo alto, atacou com um forte Horn Attack, investindo furiosamente com seu chifre na cabeça de Larvitar. E antes que o Pokémon de pedra pudesse contra-atacar, Nidoran avançou mais uma vez com o Double Kick, atingindo o corpo do oponente com seus dois pés, chutando-o violentamente, até que Larvitar estivesse nocauteado.
– Nossa! – gritou Luke, surpreso enquanto recolhia seu Pokémon na Pokéball – Esse Nidoran é poderoso! Ágil, veloz e forte! Tenho que tê-lo em meu time!
– Niido! – grunhiu o roedor, apontando seu afiado chifre na direção do peito do garoto, logo depois correndo em sua direção. Estava preparado para mais um ataque, quando uma poderosa Shadow Ball atingiu-o na cabeça, fazendo-o recuar. Em seguida, uma estranha aura cor de rosa envolveu-o, fazendo-o flutuar alguns centímetros acima do solo. Por mais que Nidoran tentasse se mexer, não conseguia, sendo apertado ainda mais pela mística força conhecida como Psychic.
– Bom trabalho, Drifloon! – elogiou Kimberly, enquanto o Pokémon balão flutuava calmamente ao seu lado, sem demonstrar nenhuma reação. Apenas mantinha o foco para não permitir que o Pokémon venenoso escapasse de seu movimento.
– O que seria de você sem mim?- perguntou a garota, sentindo-se superior a Luke.
– Só bota logo a droga do Nidoran no chão para eu meter um murro na cara dele! – respondeu o garoto, irritado, mas ainda agradecido. Ele reconhecia: naquele momento, se não fosse por Kim, ele poderia estar com o peito perfurado pelo chifre do Pokémon tóxico.
–X-
– E aí, Nidoran? Quem é o machão agora? – Luke intimidava o pequeno, dando pequenos petelecos na cabeça do roedor, aproveitando que ele estava suspenso pelos poderes psíquicos de Drifloon. Realmente aquele Pokémon guardava bastantes surpresas, mas naquele momento, Luke nem ligava para isso. Estava mais preocupado em tirar uma onda com a cara do Nidoran.
– E aí? Cadê o seu chifrinho venenoso agora, camarada? Hein? – zoava ele, rindo da cara de medo que o Pokémon fazia.
– Parece que o Teddiursa vai ficar bem. Obrigada pelo Full Heall, Luke. – disse Kim, enquanto terminava de dar o spray na boca de seu Pokémon – Mas mesmo assim teremos que parar no próximo Centro Pokémon e assegurar se está tudo bem mesmo.
–Tudo bem... – Luke concordou, cansado de zoar com o Nidoran macho – E o que fazemos com ele?
– Bem, não podemos deixar ele por aí. Ele não pode ficar envenenando as pessoas e Pokémons desse jeito. Mas algo está me intrigando: se ele só usa o seu chifre para defesa, por que ele nos atacou?
– Será que invadimos o território dele?
– Acho que não. Se fosse isso, mais Nidoran’s teriam atacado. Ele deve ter algum outro motivo. – disse a garota, olhando pensativa para o Pokémon venenoso. Ele se debatia e tentava incansavelmente se desfazer da energia psíquica que o rodeava, mas sem sucesso.
– Nidoo! Nido-nidooo! Nido! Doran! – ele guinchava, mas não eram guinchos de fúria ou medo. Eram de preocupação. Luke sequer notou, mas Kim percebeu que o Nidoran macho não estava com raiva deles. Ele queria sair dali porque estava preocupado com outra pessoa.
– Nidoran... Você tem treinador? – ela perguntou, recebendo um aceno negativo do roedor. Aquilo a deixou mais pensativa. Se não estava preocupado com um treinador, seria com o que?
– Tem família? Filhos? – ela arriscou e recebeu a mesma resposta de antes.
– Pai? Mãe? Tio? Avô? – ela continuava tentando, mas a resposta era sempre a mesma: um sinal negativo de cabeça.
– Namorada? – quando ela perguntou isso, Nidoran estacou. Ele então começou a ficar ainda mais violento, tentando desesperadamente fugir do Psychic. Mas a força de Drifloon era bem maior e ele não permitiria que aquele ratinho escapasse tão fácil.
– Então é isso! – concluiu Luke, que só estava prestando atenção na conversa – Esse Nidoran é pegador! Ele tem uma namorada e tá doidinho para ir ver ela, né?
– Nidoo! – ele grunhiu, finalmente se aquietando.
– E onde ela está? – Kimberly perguntou. Nidoran não respondeu. Ficou estático no lugar, apenas grunhindo baixo. Mas algo nele chamou a atenção de Larvitar.
– Larvii? – indagou a larva, que foi respondida por um guincho triste do Pokémon venenoso. Parecia que conversavam. Drifloon, que até agora só escutava e mantinha o venenoso preso em sua energia psíquica, decidiu se aproximar e entrar na conversa.
Luke e Kimberly estavam apenas observando. Não conseguiam entender o que eles falavam, mas tinham total confiança em seus Pokémons e deixariam que terminassem de conversar para ver o que iriam fazer.
Até que após um tempo, Drifloon cessou o seu Psychic e Nidoran foi solto no chão. Ele chacoalhou o seu corpo e saltitou para os lados, como que para testar as pernas depois de elas ficarem muito tempo paradas. Os dois humanos ficaram atônitos.
– Drifloon, por que você o soltou? – Kimberly perguntou, afastando-se um pouco do roedor venenoso que se aproximava cada vez mais.
– Floon! – o balão respondeu, flutuando um pouco mais para trás. Larvitar deu um leve puxão nas calças de seu treinador e apontou para Nidoran, que logo soltou um grunhido e começou a caminhar para longe pelo mato.
– O que foi? – Luke perguntou, quando Larvitar se virou e começou a ir atrás do roedor.
– Talvez eles queiram que a gente siga o Nidoran... – sugeriu Kimberly.
Drifloon concordou com a cabeça e voou atrás dos outros dois Pokémons. Os dois humanos não tiveram escolha a não ser recolher suas coisas e segui-los para onde quer que eles fossem.
–X-
Os Pokémons logo chegaram a uma campina. Era bem larga e coberta com pequenas graminhas e poucos arbustos. Ao Norte, Oeste e Sul era cercada por árvores, enquanto que pelo Leste se juntava a Rota 36. No centro dela, um garoto treinava dois Pokémons que não podiam ser identificados devido a distância.
– Que lugar é esse? – perguntou Luke, chegando logo atrás.
– Nidoo! – grunhiu Nidoran, correndo pela grama na direção do outro garoto que treinava por lá. Kimberly e Luke o seguiram em silêncio. Estavam ansiosos para descobrir o motivo de Nidoran estar tão preocupado.
Assim que se aproximaram dele, o garoto parou seu treinamento. Agora seus dois Pokémons eram visíveis. Um deles tinha uma aparência de morcego. Seu corpo era completamente azul , exceto pelo interior das asas e das orelhas. Suas pernas eram atrofiadas, de modo que parecessem dois espetos. Sua boca aberta apresentava dois pares de presas, mas sua característica mais marcante era a falta de olhos. Era, obviamente, um Zubat.
Já o outro Pokémon era bem diferente. Sua cor era um azul pálido, enquanto tinha a aparência de um pequeno roedor. Dois espinhos enfeitavam as costas, enquanto grandes orelhas permaneciam abaixadas na cabeça, em sinal de tristeza. Seus olhos também apresentavam tristeza. Luke a identificou como sendo uma Nidoran fêmea.
– Nido? – grunhiu ela.
– Nido! Nidoran! – respondeu o macho.
– Quem são vocês? – questionou o garoto, secamente. Ele tinha cabelos negros caindo sobre os olhos castanhos. Vestia naquele momento uma camiseta bege com uma jaqueta negra. As calças jeans e os tênis eram cinzas, o que o dava uma aparência ameaçadora.
– Olá... Meu nome é Kimberly Morrison! – apresentou a garota – E esse é meu amigo, Luke.
– E qual o seu nome? – perguntou o treinador, se dirigindo ao estranho.
– Matew Sullivan. Agora sumam daqui.
Kim recuou. Não esperava aquele tipo de reação. Não sabia lidar com mal-educados, por isso, começou a virar-se para sair.
Mas Luke não se renderia fácil. Ele logo segurou com força no braço da amiga e virou-se para Matew:
– Não iremos sumir daqui. Não ainda. Primeiro, queremos saber porque o Nidoran macho nos trouxe aqui.
– Essa coisinha? – o garoto perguntou – Ele é um covarde. Eu estava por aqui tentando capturar um Pokémon e acabei encontrando a Nidoran fêmea. Nós batalhamos e eu venci justamente. Por isso a capturei. Um tempo depois, o Nidoran macho apareceu. Parece que eles são namoradinhos ou algo do tipo. Ele tentou me atacar, mas aí eu lancei meu Pokémon e batalhei contra ele. Venci justamente, mas quando eu ia captura-lo, esse medroso fugiu. Nem fui atrás porque ele não vale a pena.
Luke e Kimberly nada disseram. Não sabiam direito qual deles estava certo. Matew não fizera nada de errado. Apenas batalhara e capturara um Pokémon, como todo treinador. No entanto, era realmente uma crueldade retirar a parceira do Nidoran macho dele. Não sabiam o que fazer. Foi quando olharam para baixo e viram os dois Nidorans olhando um para o outro, tristes, solitários.
Isso não pode ficar assim!, pensou Kimberly. Eu tenho que fazer alguma coisa.
– Escute, Matew. – ela se pronunciou – Os dois Nidorans se sentem solitários sem a companhia um do outro. Por favor, liberte essa Nidoran fêmea para eles viverem felizes!
Friamente, o garoto deu as costas. Uma risada brotou em sua face.
– Você acha que eu vou perder um Pokémon que capturei legalmente por causa de um namoradinho otário? Nem! Ele que arranje outra. Essa aqui agora será minha Pokémon. Estará sob minhas ordens! Será uma das melhores Pokémons que o mundo já viu.
– Então batalhe comigo! – Kimberly respondeu, direta.
Luke acabou soltando uma exclamação de surpresa. O que aquela menina estava pensando, sendo que não tinham nada a ver com o caso? Queria dar uma de herói do dia? Eles não tinham tempo para isso. Tinham que chegar logo em Violet.
– O que disse? – Matew perguntou, mostrando interesse.
– Isso mesmo! Batalhe comigo. Se eu vencer, você libera a Nidoran fêmea.
O garoto pensou por um tempo. Então ele respondeu:
– E se eu vencer?
Kim foi pega desprevenida. Estacou, sem saber o que responder. Ela não havia pensado nisso. Percebendo isso, Matew sugeriu:
– Se eu vencer, o Nidoran macho deverá ser meu. Sem batalhar contra ele, sem nada. Apenas jogar a Pokéball e ele é meu. Combinado?
A garota pensou um pouco. Será que deveria fazer? Se perdesse, não só a Nidoran fêmea ficaria presa como o macho também. Sem saber o que decidir, virou-se para o Nidoran macho, explicando-lhe a situação.
– Bem, preciso de sua aprovação. – ela disse para o roedor venenoso- Você aceita esse trato? Se eu vencer, a sua garota volta para você. Mas se eu perder, você é dele...
Sem hesitar, Nidoran aceitou com a cabeça. Parecia ter uma enorme confiança em Kimberly. A menina sorriu em agradecimento e se posicionou na frente de Matew. O garoto fez o mesmo.
– Será uma batalha de um contra um! Sem limite de tempo. Vence o primeiro que nocautear o Pokémon adversário. – Matew ditou as regras.
– Por mim, tudo bem! – Kim sorriu – Drifloon, brilhe!
– Vá, Ekans!
Da Pokéball da garota, surgiu o pequeno Pokémon balão. Porém, da Pokéball do menino, surgiu uma estranha cobra de coloração arroxeada. Um chocalho adornava sua cauda, enquanto os olhos, com fendas verticais, estavam atentos, prontos para encarar qualquer oponente que aparecesse na sua frente.
– Drifloon! Use o Gust!
– Esquive-se e use o Acid!
Obedecendo as ordens de sua treinadora, o balão girou os dois fios que pendiam de seu corpo e logo criou uma poderosa rajada de vento que varreu o campo de batalha. A serpente, no entanto, rastejou para o lado e ficou fora de alcance daquele movimento. Em seguida, abriu sua boca e cuspiu uma grande quantidade de um liquido roxo que certeiramente atingiu a cara de Drifloon, fazendo-o recuar com o gosto de ácido em sua boca.
– Drifloon, não! Ataque agora com o Psychic! – gritou Kim.
– Impeça com o Glare e contra-ataque com o Bite!
O balão logo envolveu seu corpo em uma aparentemente poderosa aura psíquica de coloração rosa. Porém, antes que o golpe pudesse se prolongar até Ekans, a cobra criou um olhar extremamente intimidante em sua face, tão amedrontador que Drifloon se sentiu paralisada, incapaz de continuar seu movimento. Isso abriu ima brecha em sua guarda, aproveitada pelo Ekans para desferir uma violenta mordida na pele do Pokémon fantasma, causando-lhe uma dor enorme.
– Argh! Vamos tentar o Gust mais uma vez!
– Humpf... Até quando terei que aguentar essa iniciante? Ataque com outro Acid seguido de um Poison Sting.
Drifloon tentou seguir os comandos, mas por causa de sua paralisia, estava extremamente mais lenta, dando chances ao agora mais rápido Ekans vomitar outro jato de ácido e logo depois uma rajada de espinhos venenosos que certeiramente atingiram o balão. Este recuou alguns centímetros e mal conseguia manter seu voo, perdendo altitude de vez em quando. Obviamente não aguentaria muito tempo.
– Vamos, Kim, você tem que virar esse jogo! – sussurrava Luke para si mesmo. Larvitar pensava o mesmo ao seu lado, enquanto o Nidoran macho era o que mais sofria. Era a sua liberdade que estava sendo posta em jogo. E a de sua namorada também. Se aquela humana perdesse a batalha, ambos estariam sujeitos aos caprichos de um arrogante treinador.
– Patético. – acusou Matew – Você não vê que seu Pokémon não é tão forte quanto o meu? Ekans é o meu melhor, batalhando junto a mim a mais de um mês, enquanto seu Drifloon não parece ter mais do que uma semana de treinamento.
– Mas a força não faz um vencedor. Apenas o seu amor pelo Pokémon e o quanto ele retribui. Drifloon pode não ter treino, mas eu sei de algo que ele tem e o seu Ekans não: carinho. Isso sim faz um verdadeiro campeão.
– Não vejo esse “carinho” te ajudando agora, garota. O Ekans está mais do que preparado para vencer mais dez batalhas, enquanto o Drifloon não parece capaz de suportar sequer se manter voando. Mas eu acabarei com esse sofrimento agora. – virando suas costas, o moreno se virou – Finalize isso com o Poison Sting.
Sem sequer hesitar e observando seus oponentes com uma cara de puro desprezo, Ekans abriu sua boca e liberou uma dezena de espinhos venenosos. O movimento se chocou violentamente contra a frágil pele de Drifloon.
– Não! – apenas pode-se ouvir o berro choroso de Kimberly quando seu Pokémon caiu no chão, incapaz de continuar. Estava claramente nocauteado.
– E você é meu. – afirmou Matew, rapidamente sacando uma Pokéball de sua mochila e arremessando contra o pequeno Nidoran macho. Naquele momento, as emoções giravam em sua cabeça. Tristeza, solidão, ódio, raiva, agradecimento. Não sabia exatamente o que sentia por Kimberly: aquela humana que tentou o ajudar, mas falhou no processo. Não sabia o que sentia por Matew: o garoto que roubou sua amada, mas se provou um forte treinador. Aquele que iria dominá-lo pelo resto de suas vidas. Não sabia o que sentia pela vida: aquela que tanto deu a ele, mas também tanto tirou. Não sabia o que sentia pela Nidoran fêmea: seu maior amor, mas também aquela que o colocara em tal situação. Sem saber ao certo se sua cabeça, seu coração e seu corpo concordavam em alguma coisa, acabou não tendo forças para resistir. A Pokéball piscou sua luzinha no centro, indicando o sucesso da captura.
– Talvez eu veja vocês por aí, novatos. – Matew guardou a Pokéball de sua nova captura e acenou para os treinadores, logo dando as costas e marchando friamente rumo à cidade de Violet. Sua mente estava focada em apenas uma coisa: o próximo desafio que encontraria quando chegasse lá.
–X-
Após uma Potion e um Full Heall serem usados em Drifloon, ela parecia se sentir um pouco melhor em questão de saúde. Naturalmente, sua expressão facial não demonstrava qualquer emoção: tristeza, raiva, alegria, contentamento... Mas por dentro, suas emoções indicavam o mesmo que as de sua treinadora: decepção. Ambas haviam falhado. Tentaram ajudar o pobre Nidoran, mas perderam. Eram as culpadas pelo cativeiro dos dois roedores venenosos.
– Eu perdi... – murmurou Kimberly, sentada na fofa grama da campina, olhando para o horizonte com lágrimas nos olhos.
– Eu sei. – Luke respondeu, simplesmente – Mas, não foi sua primeira derrota. E nem a última. Ainda virão mais e você deve estar preparada para enfrenta-las. Assim como você deve estar preparada para enfrentar as vitórias que se seguirão. Aí a escolha é sua, Kim: continuará aí chorando por algo que não tem mais volta? Ou vai se levantar e continuar em frente comigo, em direção a Violet?
A garota levantou eu olhar, que se encontrou com os profundos olhos castanhos de Luke. Eles transmitiam confiança. Transmitiam experiência. Transmitiam mensagens.
– Tudo bem! – ela respondeu, se levantando – Duas derrotas, zero vitórias! Que tal mudarmos isso em Violet? Lá, eu vou chutar a bunda de alguns coordenadores no Contest!
– É assim que se fala! – o menino respondeu, sorrindo. – E agora, vamos continuar nosso caminho.
Kimberly assentiu, agora mais alegre. Recolheu seu Drifloon em sua Pokéball e acompanhou Luke, ambos caminhando decididamente em direção ao próximo destino.
Notas finais
As coisas novas desse capítulo serão adicionadas em breve no blog.
Reviews?
Ps: Ficha de Drifloon no blog editada.
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