Notas iniciais
Desculpe a demora, mas vamos com tudo!

Se você já sentiu dor na perna de tanto andar, não tem noção do que eu estava sentindo naquele momento, fora a fome, afinal eu já havia comido todas as barrinhas de cereal. Já havia tomado minha água e já via meus joelhos doerem. Já estava longe de casa e não queria mais dar um passo se quer para frente.

–Aonde você está indo está hora da noite Steve? Fugindo de casa? –A voz fina e irritante de uma menina esnobe. Jane me pegara saindo de casa.

–Eu estava dando um passeio...

Ela olhou para mim com desaprovação. Sabia que eu estava mentindo, precisava ser real.

–Estou saindo em uma jornada, ok? Vou te vencer e vou provar que ninguém desta casa poderá me vencer.

–Com certeza, principalmente pelo fato de você não ter nenhum Pokémon e já ter comido todas as barrinhas, que deveriam durar até Pewter, sem nem ter saído de casa.

É caro leitor, eu ainda estava dentro de casa, mas juro a vocês que estava a centímetros da maçaneta, juro com todo meu coração. Respirei fundo e abri a porta de vidro. Jane parecia horrorizada ao ver o pobre irmão realmente indo fazer algo. Encarei-a com desgosto e me estiquei para fora. Tinha Pokébolas, tinha minha vara de pescar e equipamento para dormir fora de casa da primeira qualidade.

Eu vou conseguir.

Já estou fora de Pallet se você quer saber e ainda não liberei meu Pokémon. Não é que eu não queria saber como ele é, mas eu não estava muito no animo, queria ficar um pouco só. Caminhar estava pior antes de eu sair de casa, mas com o tempo meu corpo já se acostumava. Pallet e Viridian eram realmente próximas uma da outra por culpa do crescimento das cidades. Minha cidade se tornara o foco de grandes inícios de Jornadas, principalmente por ter Ash como estrela local. Viridian crescia mais e mais depois de ter seu ginásio restaurado e um novo Líder.

O horário que eu havia escolhido para sair, nove da noite, era ideal para qualquer aventureiro, afinal as crianças que saiam em jornada não andavam nesses horários, elas saiam de manhã, então a rota não estava abarrotada de pessoas e muito menos Pokémons. Pera, vocês ouviram isso?

Um pequeno barulho de galhos quebrando chamaram minha atenção. Virei meu rosto para o Local e usei uma das minhas poucas habilidades como pescador. Olhar duas vezes para o local.

Vou explicar. Se uma criatura faz um barulho sem querer ela tende a ficar imóvel, por isso quando você vira o rosto, parece tudo normal, mas quando você desvira e olha de novo, você pega o movimento do ser e consegue capturá-lo em sua grande falha, que foi acreditar que estava tudo bem, e eu enxerguei quem eu procurava.

–Pode sair daí menina de rosa, eu já te vi.

O silêncio chegou a me assustar, mas o que me fez correr foi outro barulho, o de um arbusto se mexendo, mas atrás da direção que eu olhava. Pernas, ativar.

Corri feito uma menina. Assaltos eram coisas comuns em pessoas que não possuíam Pokémon e eu era um inexperiente neste ramo das batalhas, precisava correr, afinal Viridian não estava tão longe assim. Ouvia os passos atrás de mim, mas não tive coragem de olhar para trás. Mas minha história com toda a certeza seria muito clichê e eu tropecei.

Quando cai, sabia que estava perdido e nada poderia ser feito, me virei para ver meu adversário e encontrei uma menina correndo. Menina não, uma jovem. Cabelos loiros e olhos azuis, linda como uma Deusa. Sua roupa era praticamente como a minha: moletom e regata. Ela parecia assustada e corria cada vez mais para cima de mim.

–Por favor, não me mate... Onde você está indo?

Ela me ignorou e continuou correndo desesperadamente. Levantei-me e encarei aquela situação. Tico e Teco começaram a funcionar. Se ela não corria até mim, ela corria de algo. Virei-me e... Bem meus amigos; fiquei com medo. Um Pokémon roxo e com um chifre bem grande apareceu pela rota. Parecia nervoso e era provavelmente o maior Nidoran que eu já vi na minha vida. Era gordo e forte. Estava me encarando e pronto para atacar. Meus instintos me alertaram que fugir não era a melhor ideia. Respirei fundo e peguei minha Pokébola. Apertei o botão no centro e arremessei.

A esfera girou quatro vezes antes de bater no solo e se abrir. O laser começou a tomar forma e uma criaturinha pequena começou a surgir. Um ser vermelho e baixinho apareceu. Ele parecia ser corajoso e destemido, pois já encarava o adversário.

–Magby!

Certo, eu sabia um pouco sobre aquela criatura! Pokémon de fogo, bem amigável e corajoso. Mas não tinha tempo para conclusões sem noção Encarei a situação e comecei a me lembrar o que um Magby podia fazer. Qual era mesmo o golpe de fogo dele?

–Nidoran!

O adversário não esperou. Avançou com determinação contra meu pequeno Pokémon e usava seu chifre. Magby parecia esperar um comando, não podia deixá-lo parado.

–Magby esquive e depois... Cuspa fogo nele!

Ele confirmou com a cabeça e no último segundo pulou para o lado e cuspiu brasas extremamente vermelhas contra o Nidoran Macho. Brasas... Ember! Ember era o golpe do Magby, como pude esquecer?! Certo, eu não sabia direito também, mas... Foco.

Nidoran recebera o golpe com toda a força possível, tinha sido crítico, principalmente porque recebera em toda a lateral de seu corpo, onde a pele grossa estava queimada e começava a arder cada vez mais. Sorri contente, estava tendo sucesso, mas não esperava o que viria a seguir.

Se equilibrando apenas em duas patas o adversário deu um coice em Magby, que fora arremessado longe. O golpe foi forte e meu Pokémon começou a chorar. Mesmo um guerreiro, ainda era um bebê.

–Magby, concentre-se! Podemos vencê-lo! Use Ember em todo o solo e depois cubra tudo de fumaça!

Conhecia alguns golpes, sempre joguei a versão do Game, nosso The Sims. Magby usava SmokeScreen depois de lotar o solo de brasas perigosas, e a cada passo de Nidoran ouvia-se um grito. Sorri maléficamente, sabia que era o fim daquele adversário e sabia que esta luta tinha sido um sucesso, mas não contava com um espinho venenoso.

Nidoran, em seu sacrifício arremessou um pequeno espinho roxo direto em Magby que instantaneamente vomitou e caiu no chão. Arremessei uma Pokébola no adversário púrpura e corri até meu Pokémon.

–Magby, está tudo bem??

Estava nervoso, Magby parecia muito ruim e eu sabia o que era aquilo. Ele estava envenenado e precisava de tratamento urgente. Peguei todas as minhas coisas. A Pokébola de Nidoran, que nem tive tempo de comemorar sua captura, e coloquei Magby em meu colo. Precisava chegar a Viridian, que estava alguns passos de mim.

Corra Steve, corra caralho!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.