Pokémon Evolution
7 Capítulo 7 - Apaixonados...
Finalmente o primeiro final de semana de folga da Tech. A última semana parecia ter se arrastado, de tantas pesquisas, treinamentos e anotações. Liv, Bob, Lyo e Dylan estão no campo de batalha anexo à casa de Lyo (modesto quintal) e os Pokémon estão soltos.
Como bons criadores, Liv e Bob examinam cada Pokémon do Lyo para checar se estão em boa forma e bem treinados. Bob trabalha em um Arcanine.
Bob (faz um carinho) – Bom garoto! ( O Arcanine retribui com uma lambida) Legal, Lyo, seus Pokémon estão em ótima forma!
Liv, que estava examinando um Noctowl, fica prestando atenção em Bob e no jeito como ele brinca com o Arcanine e esquece o bicho com o bico aberto ao se perder em pensamentos. Mal humorado, Noctowl solta um pio alto para lembra-la que ele ainda está ali.
Liv volta do transe e se vira para esconder a cara vermelha.
Liv: É, é, sim Lyo, todos ótimos!
Lyo sorri, mas fica o tempo todo olhando para o portão. Dylan chega ao lado do irmão e começa a sessão de perguntas indelicadas.
Dylan: Você tá esperando a Cindy?
Lyo: Ãn? Como você sabe?
Dylan: Porque quando você pensa nela, fica com essa cara de bobo... Você gosta dela, né?
Lyo: Claro que eu gosto dela, é minha melhor amiga...
Dylan (sério): Lyo, você entendeu minha pergunta. Eu disse que você GOS-TA dela...
Nessa hora, Cindy vem correndo ao encontro deles. Os cabelos soltos, jeans e blusinha de gola japonesa azul. Lyo mal pisca. Na mesma hora, um sorriso surge em seu rosto, seu dia acabara de ficar bem melhor.
Cindy: Oi! Desculpe a demora, eu precisei pedir ao meu avô para me mandar meus Pokémon, eles estavam lá pra um check-up...
Dylan corre e pula no colo de Cindy.
Dylan: Bom diaaaaaaaaa!!!
Cindy: Bom dia, meu fofinho! Que animação!
Dylan: Eu adoro quando você vem, o Lyo fica de ótimo humor e me deixa repetir a sobremesa!
Lyo cora furiosamente enquanto Cindy solta uma risadinha. Dylan tinha o dom de ser indiscreto com suas perguntas e comentários.
Lyo (mudando de assunto): Então, mostra pra gente o que você tem aí...
Ela solta os Pokémon. Um Eevee, um Teddiursa, um Ampharos, um Dragonite e...
Liv e Bob: UM NINETAILS SHINY!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (correm pra cima do Pokémon).
É um lindo Ninetails completamente branco, com belos olhos azuis. Liv e Bob se revezam examinando o bicho, fazendo comentários sobre seu pelo brilhante, o belo porte e as caudas bem alinhadas.
Lyo: Ótimo, agora eles têm distração por horas...
Cindy: Que bom que gostaram...
Dylan: Uma treinadora bonita assim, só podia ter Pokémons lindos também...
Lyo achou graça no comentário. Ele mesmo tinha pensado em falar isso, mas foi melhor Dylan ter dito. Isso o poupou de uma cara vermelha e um coração disparado.
Na verdade, desde aquele dia na pista de patinação, Lyo percebeu que alguma coisa estava diferente. Ele olhava para a amiga de outra maneira. Começou a reparar mais no jeito como ela ria e como era linda sorrindo, mostrando aquelas covinhas.
Estar ao lado dela trazia uma chuva de sentimentos e sensações que ele nunca tinha experimentado antes. Todas ótimas, mas o deixavam confuso. Coração disparado, mãos trêmulas, um sorriso que teimava em sempre aparecer simplesmente ao ouvir o som da sua voz e frases que saíam de sua boca automaticamente, que com certeza ele não diria se tivesse pensado nelas antes. Fora os sonhos que andava tendo e que ele agradecia aos Céus de que ninguém pudesse ler sua mente.
Liv se aproximou do primo, mais uma vez com o olhar fixo em Cindy, que estava colocando Dylan em cima do Ninetails. Ela também já tinha reparado no modo como ele olhava para ela, e fez o teste final.
Liv: Ela é muito bonita, né?
Lyo: É, linda demais...
Liv (sorrindo): Você viu como o pelo dela brilha?
Lyo (estalo): Ãn, pelo?
Liv (rindo): Lyo, eu to falando da Ninetails...
Lyo (vermelho): Ah... Bom, eu também, ué... É que...
Liv: Priminho, não tenta disfarçar... Tá na cara que você tá apaixonado pela Cindy...
Lyo (ri sem graça): Magina, Liv, você tá imaginando coisas...
Liv: Tá, então quer dizer que seus olhinhos brilhando de felicidade quando ela chega são imaginação minha? Essa sua carinha vermelha e esse sorriso estampado aí também são imaginação?
Lyo tenta disfarçar o sorriso, mas não consegue e suspira olhando para a prima. Liv sorri pra ele e bagunça seu cabelo.
Liv: Lyo... Você é um irmão pra mim, e eu tô vendo o quanto você tá mudado. Está mais feliz, mais brincalhão, sorridente... Antes você era bem mais sério... Isso tudo depois que a Cindy voltou. Você acha mesmo que consegue me enganar? (o celular dela toca) Alô? Oi pai!... Sim, tá aqui... Ah, tá bom, eu tô indo então... Beijo.(desliga) Eu vou ter que ir agora...
Lyo: Aconteceu alguma coisa?
Liv: Não, mas meu pai pediu para gente ir lá que ele tem que ensinar a gente a fazer a manutenção das Pokébolas que o Kurt nos mandou e ele vai precisar sair...
Lyo: “Pra gente”?
Liv (cora): É, ele tá ensinando o Bob também...
Lyo (¬¬): Hum, tá passando bastante tempo com o Bob agora, hein? Se alguém me perguntasse, eu diria que tem mais alguém com um brilho diferente no olhar ultimamente...
Liv (roxa): Magina, Lyo, você tá imaginando coisas... (sorri pra ele e chama Bob para irem).
Lyo vai até Cindy, com a cabeça girando com as coisas que a prima disse.
Lyo: Bom, vamos começar?
Cindy se vira e fica surpresa de ver Lyo tão próximo dela, e sente um calorzinho no estômago. Ela também estava diferente desde a pista de patinação. Sempre achou Lyo um rapaz bonito, e sempre gostou de ficar perto dele, conversando, mas desde aquele dia, tinha alguma coisa a mais acontecendo. Esse “calorzinho no estômago” não era só quando ele estava por perto. Só de pensar nele, já começava. Fora o fato de, sem perceber, ela sempre se arrumar na hora de sair, torcendo para encontra-lo no jardim, ou mesmo na janela de casa. E esse bendito calor subia para seu rosto e ela tinha certeza que ele notava cada vez que isso acontecia.
Encarar aqueles olhos verdes estava se tornando mais difícil, pois cada vez que ela o fazia, sentia o coração bater tão alto que ela tinha medo que Lyo pudesse escutar.
Cindy: Tá, tá bem. (respira fundo e vai para o outro lado do campo)
Lyo: Dylan, você fica aqui na varanda, eu não quero que aconteça nenhum acidente.
Dylan: Tá bom, mas fecha a boca quando olhar pra ela, senão vai começar a babar... (Lyo fecha a boca) E ainda fica negando que tá caidinho por ela (vira as costas e vai pra varanda)...
Lyo (balança a cabeça): Bom, Cindy, vamos fazer assim: Meus Pokémons são treinados para lutar por contra própria, então, você vai batalhar com eles e eu vou anotando seu desempenho. Quando acabarmos, a gente senta e estuda certinho seus pontos fortes e fracos, tudo bem?
Cindy: Tá ótimo.
Lyo: Então, vamos lá! (ele faz sinal com a cabeça para seu Nidoking entrar no campo de batalha, enquanto Cindy chama seu Eevee.)
A batalha ia bem. Lyo fazia anotações em seu tablet e Dylan, da varanda, vibrava a cada ataque dos Pokémon. De repente, do nada o céu fica completamente negro e uma chuva grossa desaba sobre eles. Lyo corre a chamar seus Pokémons de volta para a Poké-bola e Cindy faz o mesmo. A tempestade engrossa, e raios cortam o céu e iluminam o campo. Lyo e Cindy correm para dentro de casa.
Encharcados até os ossos, eles se olham e riem.
Lyo: Nossa, mas de onde veio essa tempestade?
Lyo fica olhando para ela, completamente molhada e mesmo assim, linda. Cindy retribui o olhar dele sorrindo.
Cindy: Eu devo estar ridícula, né?
Lyo: Claro que não...
De repente, tudo fica escuro. Acabou a luz. Lyo pega na mão de Cindy e a puxa para dentro de casa. Ela perde o chão. Sorte estar tão escuro, assim ele não veria que nesse momento ela estava simplesmente roxa.
O belo dia de sol se transformou numa tarde de tempestade e muito frio. Lyo, Cindy e Dylan estão na sala. Lyo acende a lareira.
Lyo: Eu vou buscar umas toalhas para nós (sobe).
Cindy nunca tinha entrado na casa. Ficou impressionada em ver como era tudo tão bonito e organizado. Ao lado do sofá, um violão encostado. Será que Lyo sabia tocar? Dylan desce do sofá agarrado no seu Pikachu de pelúcia e senta ao lado dela.
Dylan (cochicha): Posso te contar um segredo?
Cindy (cochicha também): Pode.
Dylan: Eu tenho muito medo de tempestades e de escuro...
Cindy: Eu posso te contar um segredo também? (ele faz que sim) Eu também tenho medo de tempestades e escuro...
Dylan: Nossa, eu achei que só crianças tinham medo... O Lyo não tem medo de nada...
Cindy: Você tem sorte de ter seu irmão por perto em dias assim, então...
Dylan: Mas se vocês namorassem, podia ter ele todos os dias também...
Cindy (cora e fica sem graça): Ah, Lan... Nós somos amigos...
Dylan: E amigos não podem namorar?
Cindy: É... podem, mas...
Dylan: Então? Sabe, se eu pudesse escolher uma namorada pro Lyo, eu ia escolher você...
Lyo chega com toalhas e uma blusa de agasalho sua. Ele dá a blusa pra ela.
Lyo: Achei que eu tinha alguma coisa da minha mãe ou da Liv aqui para você, mas não achei nada, então coloca minha blusa, assim você não fica com essa camiseta molhada.
Cindy (vermelha): Ah, imagina, Lyo, não precisa... Só a toalha nas costas tá bom...
Lyo: De jeito nenhum! Olha, você tá gelada... Eu não vou me perdoar se você ficar gripada... Vai ficar um pouco grande, mas pelo menos vai ficar quentinha...
Cindy: Tá... Obrigada... (coloca a blusa por cima da sua)
Lyo (olha pela janela): Pelo jeito essa chuva vai demorar a passar...
Dylan: Eu tô com fome! Lyo eu quero hambúrguer!
Cindy: Você sabe cozinhar?
Lyo: Bom, eu não morro de fome...
Dylan: Tá brincando, o hambúrguer que ele faz é o melhor do mundo!
Lyo: Tá bom, eu faço...
Eles vão para a cozinha e enquanto Lyo faz o hambúrguer, Cindy faz seu famoso brigadeiro. Eles comem felizes em frente à lareira, Lyo já devorando o 5° copo de brigadeiro enquanto Dylan, de barriga cheia de hambúrguer e chocolate, dorme no sofá. O tempo passou tão depressa que eles nem se deram conta que tinha anoitecido. Ainda sem luz e a chuva forte caindo lá fora, fazendo barulho contra a janela, raios e trovões.
Cindy, com uma coberta nas costas, está encolhida, ainda com medo da tempestade. Ela não quer deixar transparecer, mas Lyo percebe e puxa o violão.
Lyo: Que tal uma musiquinha pra acalmar? (senta ao lado dela e começa a dedilhar bem baixinho pra não acordar Dylan)
Cindy: Que legal, eu sempre quis aprender a tocar...
Lyo: Eu posso te ensinar, se você quiser...
Ele começa a tocar. Estivera pensando em que música poderia tocar para ela ouvir, e meio que por costume, já estava tocando “wonderwall”, só porque aquela era sua música favorita. Quando ele chega na parte: “I don’t belive that anybody fells the way I do about you now” e olha para Cindy sorrindo, ele se dá conta. Realmente ele não acredita que ninguém sente por ela o que ele está sentindo naquele momento. Aquela música conseguia descrever tudo que ele estava sentindo.
Lyo (pensando)– Liv estava certa, eu a amo demais... Como eu não notei isso antes, é tão forte...
Ele para de cantar, mas continua a tocar, enquanto Cindy termina a canção.
Agora estava muito claro. Vendo ela ali do seu lado, sentindo seu corpo quente tão próximo, ouvindo sua voz tão suave cantando sua música preferida, sentindo seu perfume delicado, era mais do que óbvio, ele estava completamente e loucamente apaixonado por ela.
Mas como seria agora? Será que ela sentia a mesma coisa? Olhando para ela, sentiu um aperto no coração. E se ela não sentisse o mesmo por ele? O que ele faria? Não queria perde-la novamente...
Lyo (olha pela janela): Melhor você passar a noite aqui, essa chuva não vai passar e eu não vou deixar você ir embora...
Cindy (vermelha): Não, de jeito nenhum, eu não quero atrapalhar você, Lyo...
Lyo (sorri): Você nunca me atrapalha... Eu vou buscar uns travesseiros e cobertores e a gente acampa aqui na sala, tá? (ele sobe para o quarto)
Cindy sabia bem o que estava sentindo por ele. O modo como ele a tratava, tão carinhoso e o jeito que ele a deixava segura. Essa noite somente tinha comprovado o que ela já sabia há tempos: ela estava apaixonada por Lyonard. Estar ali, tão perto dele, era como um sonho do qual ela não queria acordar. Desejou do fundo do coração que aquele momento não terminasse nunca. Olhando para o alto das escadas, ela pensou se teria coragem de dizer o que sentia. Agarrou o coração da sua correntinha que há muito ele havia lhe dado e teve medo. E se ele não sentisse o mesmo? Como iria conseguir encara-lo de novo? Mas por outro lado, algo lhe dizia que ele também...(sorri)
No quarto, Lyo pega o celular e manda uma mensagem para Liv.
Lyo: “Você tinha razão, estou apaixonado... completamente louco por ela... mas o que eu faço agora? E se ela não gostar de mim do mesmo jeito?”
Liv: “Há, eu sabia! Mas não se preocupe, Lyo, pelo jeito que ela te olha, ela também gosta muito de você...”
Lyo: “Você acha? Ela tá aqui em casa, estamos presos por causa da chuva...”
Liv: “Tá esperando o que, então? Vai lá e fala com ela... Depois me fala o que aconteceu... Não esquece de escovar os dentes hein? Rsrsrsrsrrss...”
Lyo desliga o celular, rindo. Liv tinha razão, ele tinha que falar pra ela... Ele pegou as cobertas, os travesseiros e desceu, nervoso, decidido a contar tudo, a declarar para Cindy, o quanto ele a amava...
Chegando na sala, ele a vê sentada no tapete e debruçada no sofá, dormindo. Lentamente, ele se aproxima. Cobre Dylan, dormindo a sono solto, e delicadamente, coloca a coberta nas costas dela. Ele joga uma coberta nas costas e senta ao lado dela, sem fazer barulho. Ele poderia ficar ali a noite toda, só olhando ela dormir, tão serena. Pega o violão e começa a cantar baixinho (“ love someone” https://www.youtube.com/watch?v=J74Y6kDDTkM )
Iria falar com ela sim, mas teria que ser de um jeito especial. E ele já sabia quando e como...
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