Pokémon Enimia
2 Pré-Capítulo 2:Purple
Notas iniciais
Então, é minha vez de me apresentar? Ok, lá vai.
Eu acho que sempre fui um garoto comum, sem nada de especial, tudo que eu mais gostava de fazer era, em resumo, ser feliz. Gostava de comer os bolinhos que minha mãe fazia, gostava de ver as engenhocas que meu pai construía, mas acima de tudo, gostava de brincar com meu irmão. Ah! Que boa época aquela, eu e meu irmão brincando no centro de Pallet, procurando pelas redondezas algum pokémon pra mim, e até mesmo, enfrentando alguns valentões que tentavam caçoar de mim.
Mas esses dias acabaram, meu pai viu um grande potencial em meu irmão para a ciência, e o treinou desde cedo como seu assistente. Isso me deixou triste na época, não porque eu também queria aquela atenção e elogios de nosso pai, e sim porque queria brincar com meu irmão de novo. Minha mãe, por outro lado, sempre foi dócil e meiga comigo, ela era a única que me deu alguma atenção nessa época.
Eu sempre gostei de música, e desde cedo aprendi a tocar sax, e sempre chamava meu pai e meu irmão para assistirem as apresentações, mas no final, eles nem sempre iam, na verdade, só meu irmão, meu pai nunca foi mesmo. As coisas foram de mal a pior, meus pais se separaram, eu era pequeno, então quando eles discutiam, preferia ficar dentro do meu quarto deitado na cama, fingindo que nada estava acontecendo, fingindo que estava tudo bem, mas não estava.
Eu e minha mãe fomos para Johto, cidade de Ercuteak, era um lugar legal, tinha várias lendas e histórias que eram awessome! E também, tinha um teatro onde as pessoas apresentavam peças cantadas e dançadas, até me ensinaram a tocar pokeflauta lá, o que foi mais awessome ainda! Era bem legal, mas, nem tudo é perfeito, meu primeiro dia na escola marcou minha vida naquela cidadezinha.
Me lembro até hoje, da minha mãe colocando em mim aquela droga de uniforme, com aquela camisa amarela e aquele shortinho azul ridículo. Mas ela sorria, um sorriso sincero pra mim, dizendo para eu fazer muitos amigos. Eu nunca fui a criança mais sociável, mas pela minha mãe, eu juro que tentei. Mas assim que eu cheguei, algumas crianças olharam surpresas, algumas admiradas, outras acharam graça, começaram a perguntar se “alguém havia batido no meu olho”, eu tinha 8 anos, e era normal as crianças acharem meu olho direito estranho, mas não era algo que me deixasse profundamente triste, incomodava, mas tudo bem, minha mãe dizia que esse olho me tornava diferente dos outros, especial, e era um presente dela e de meu pai, *tsc*, como se aquele velho se importasse…
Mas de qualquer forma, acho que o que as crianças mais zombavam, era do fato de eu ainda não ter um pokémon. Minha mãe não queria isso e me comprou um, uma pequena e linda Mareep, ela era perfeita! Eu adorei, não sabia se era porque eu sempre quis um pokémon, seja ele qual fosse, ou se foi por ser um presente da minha mãe, mas de qualquer formar, eu amei! Dei o nome dela de Jazz, o primeiro estilo musical que eu gostei, pro meu primeiro pokémon.
Mas, eu era só uma criança, e queria amigos, esse foi meu maior erro. Me lembro até hoje, daquele garoto patético, se aproximando dos garotos descolados, todo bobo, dizendo que finalmente tinha um pokémon. Quando eu tirei a Jazz da pokebola, os garotos começaram a rir, falaram que era um pokémon de menina. Em partes eles estavam certos, era um pokémon muito cobiçado pelas garotas por ser fofo, e ele não era muito bom para batalhas, mas eu só queria um amigo, então não me importava com essas coisas. Quando eles começaram a rir e zombar, eu estourei. Eu não podia deixar eles falarem mal da Jazz, minha primeira pokémon e um presente da minha mãe. Nesse momento, uma voz rouca começou a falar no meu ouvido, não me lembro o que,ela dizia, mas sempre que ela falava algo, eu sentia uma vontade de trucidar aqueles moleques, and you know what? Foi exatamente o que eu fiz. O “líder” deles, viu que eu fiquei irritado, e começou a me chamar para uma batalha, quando ele começou a tirar a pokebola do bolso, eu já estava gritando na frente dele, virando um soco com todas as minhas forças, depois eu pulei em cima dos outros sem medo, e derrubei cada um deles, que ficaram chorando no chão. Eu não parava de gritar, mesmo depois que eles caíram. Minha mãe foi chamada, e eu expliquei meu ponto da história, e minha mãe tentou usar como desculpa o fato dela ter se separado recentemente, por isso eu não levei nenhum tipo de punição, mas fui encaminhado para um psicólogo, não contei para ninguém sobre a voz, fiquei com medo de me acharem louco…
No dia seguinte, eu tava lá, sentado com a cara entre os joelhos, no canto mais escuro que eu pude achar, era a hora do recreio, eu tava muito triste, minha mãe sempre fez tudo por mim, e me pediu algo simples, fazer amigos, e mesmo assim, eu não consegui. Mas aí eu ouvi, alguém se aproximando de mim, pensei que ia ser mais alguém pra me chamar de aberração, mas aí eu ouvi a voz dela dizendo, “Eu achei seu pokémon bem legal”. Quando eu levantei a cabeça, eu a vi , Whitney, minha primeira, e talvez única, amiga da minha idade. Bem, não exatamente, nessa época ela tinha dez, era dois anos mais velha que eu, apesar de sempre agir feito uma criança. Whitney era uma garota popular, era gentil, meiga, gostava de esportes, todo mundo queria ser amigo dela, o oposto de mim, e por alguma razão, ela foi minha amiga. O tempo foi passando, eu tinha 13 anos quando Whitney me deu a noticia que ela ia se mudar para Goldenrod, ela disse pra mim não ficar triste, porque a cidade era perto e sempre que possível ela ia vir me visitar. *tsc* dumb girl… eu não fiquei triste, só… preocupado...é que ela sempre foi muito criança, e se eu não estivesse lá para protegê-la, ela poderia se machucar, mas ela provou não ser uma completa inútil, afinal, se tornou até a líder de ginásio! Bem, talvez, TALVEZ, eu tenha sentido um pouco de saudade da Whitney, afinal, nas minhas festas de aniversário, ela era a única convidada, eu sempre dava o primeiro pedaço pra ela e minha mãe fingia ter um ciuminho bobo ou falava alguma besteira sobre eu e Whitney sermos um casal, eu era mais jovem então sempre ficava sem graça e um pouco bravo, Whitney levava na brincadeira, aí assistíamos TV e brincavamos...humph...Whitney era uma boa amiga… mas enfim, voltando à MINHA história.
Depois que a Whitney se foi, eu não tinha mais amigos, se não, é claro, a Jazz. Mas as pessoas da minha idade, e até alguns professores também, ainda tinham um certo receio de se aproximarem de mim depois do que fiz com aqueles garotos. Acho que eu ainda tinha um certo desejo por atenção, ou queria fazer as pessoas se sentirem tão mal quanto eu me sentia, não sei ao certo, mas acho que pode se dizer que eu me tornei um “Buller”. Nessa altura do campeonato, Jazz já era uma Flaffy, e eu desafiava todos, derrotava eles, pegava o dinheiro deles, e tirava sarro deles, as vezes até agredia o treinador, nada muito sério, mas eu fazia. Mas ai teve um dia, em que a molecada ficou revoltada comigo, e toda a minha classe me desafiou a uma batalha, todos ao mesmo tempo, contra a minha Jazz. Eu não tive chance, e pra piorar, eles me bateram também, cara, acho que foi a maior surra da minha vida, mas o que mais doeu foi meu orgulho.
Meu psicólogo sempre me diz pra ir pra um lugar quieto e agradável quando eu precisar pensar, então eu fui para a Torre Queimada. Estava chovendo, e como não havia teto na torre, eu estava lá na chuva, quando eu vi, um pokémon raríssimo! um Cyndaquil! Mas, ele tava levando uma surra pra um bando de Ratatas, um ser tão forte, sendo derrotado por outros inferiores, só porque eles estavam e maior número, *sigh* sad, but true, ele tava na mesma situação que eu.
Salvei ele dos Ratatas mas ele tava bem machucado. Levei ele pra casa e cuidei dos ferimentos dele. Por alguma razão, enquanto ele tava no meu colo, rolando e brincando, eu comecei a falar, como se ele entendesse: “Você é patético, deixou um bando de fracotes tirarem o que é seu só porque eles estavam em maior número, e você tava sozinho. Sabe, NÓS somos patéticos, mas isso, é só o que os outros querem que a gente pense, a verdade é que, you rock!”, eu falei essa última frase fazendo carinho nele, e ele pareceu gostar, provavelmente mais do meu carinho do que da frase que eu disse para ele, mas de qualquer forma, eu decidi que ia ficar com ele, o chamei de Rock.
Eu queria provar pra todos que eu poderia ser forte, sem a ajuda de ninguém, e o melhor jeito de fazer isso, era derrotando os ginásios, e por sorte, havia um em Ecruteak! Decidi desafiar o líder de lá, Morty. Eu sabia que não ia conseguir vencer, mas mesmo assim eu tentei, mas eu perdi, várias vezes. Eu treinava antes de enfrentar ele, meus pokémon até pareciam mais fortes que os dele! Jazz já era uma Ampharos e Rock já era um Quilava a um certo tempo. Mas até EU canso de insistir em um erro.
Foi difícil admitir, mas eu perdia por que ELE era um melhor treinador que eu. Ele tinha vários efeitos negativos que ele combava com aquela droga de Hex, eu precisava melhorar minhas técnicas de luta, então fui, graças ao conselho do meu psicologo, para outro lugar que eu gostava muito, o “Teatro de Dança”, onde se encontravam as “ Garotas Kimono”, elas que me ensinaram a tocar a pokeflauta. Elas notaram que eu estava estranho, me perguntaram qual era o problema. Depois de explicar a situação com o Morty, elas me ofereceram um treinamento, eu obviamente aceitei.
Durante o período de treino, nos meus momentos de descanso, eu tocava a pokeflauta, e os pokémon se aproximavam para me ver tocar, era bem estranho, mas eu gostava daquilo. Um dia entre os pokémon que se aproximaram para me ouvir tocar, veio um Furret que estava envenenado por causa de alguma luta, eu estava sem antidotos, e ele estava muito fraco, eu tentei me aproximar para levá-lo pro centro pokémon, mas sempre que eu tentava, eu parava de tocar a flauta, e ele se assustava com minha aproximação e fugia, pra chegar perto, eu tinha que fazer isso tocando, mas ai eu não teria minhas mãos para carregá-lo, enquanto eu tocava tentando pensar em uma maneira de salvar o pequeno Furret, eu toquei uma certa sequência de notas, que fez com que a pokéflauta brilhasse com algum tipo de energia. Eu parei de tocar porque me assustei, mas quando olhei para o Furret, ele estava bem. Ai me liguei que, de alguma forma, eu poderia curar os efeitos negativos de uma batalha com minha flauta, assim, meu treino serviu tanto para batalhas, quanto para música.
Foi um treinamento difícil e a última etapa era derrotar cada uma das 5, e eu não esperava que elas fossem tão boas… Mas eu consegui! E elas falaram que se eu derrotasse o Morty, me dariam um prêmio!
Até eu terminar o treinamento delas, já havia se passado mais ou menos um ano, e eu já tinha 14, e novamente, eu desafiei o Morty. Eu joguei primeiro a Jazz, ela era bem resistente, e deixava os oponentes paralisados, usava Charge e depois Discharge, assim aumentava o dano do Discharge e ainda aumentava sua resistência. Jazz conseguiu derrotar 2 Haunters e 1 Gastly com essa estratégia, mas quando chegou o Gengar… *sigh* ficou ainda mais difícil. A Jazz foi derrotada, mas eu ainda tinha um ás na manga. Rock, que na época já era um Typlhosion. Eu lutei com tudo que eu e o Rock podíamos, foi uma batalha difícil, mas aí, o Rock foi atingido por um Lick, e ele ficou paralisado, e não conseguiu se mexer. O Gengar do Morty usou o Hex mas eu toquei a melodia certa bem a tempo, curando o Rock, que desviou do golpe e usou o Flamewheel, se transformou numa esfera de chamas que acertou o Gengar em cheio, aí pronto! Vitória pra mim!
As Garotas Kimono me deram um ovo de presente, dizendo que um pokémon raro nasceria dele, eu fiquei agradecido e me preparei para iniciar minha jornada, me lembro da minha mãe, o rosto em um misto de tristeza por me ver partir, mas também tinha orgulho, e foi isso que me incentivou por toda minha viagem.
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