Pokémon Enimia
20 Cap. 15: O Campeão Invicto!
Notas iniciais
Sootopolis, 14:24
Skull e Lisia haviam acabado de chegar na cidade. Ela era localizada dentro de uma grande cratera no meio do mar, parecia algum tipo de cidade secreta. Até mesmo Skull não pode negar a beleza do lugar.
Ambos caminhavam pelas casas até pararem em um grande casarão branco, flores de várias cores no jardim. Lisia vai até a porta e bate na mesma algumas vezes, mas ninguém atende.
—Ele deve estar no ginásio!- dizia a garota com um tom de otimismo
—Então mostra o caminho guria, num tenho muito tempo a perder aqui não. Me disseram que tem uma base Noise por aqui perto, morô!?
—Eu ainda não entendo por quê você quer arranjar problemas com esses caras, há muito mais nesse mundo do que batalhas pokémon!
—Tipo…?
—Já ouviu falar nos concursos pokémon!? Eles são extremamente famosos e divertidos!
—Nem começa, num sou marica não guria, morô!?
—Não é coisa de marica! Meu tio participa!
—Adivinha quem tem o tio marica?- Dizia Skull entre risadas e se abaixando um pouco para ficar com o rosto próximo ao da garota.
A garota prendeu ar na boca, inchando as bochechas como uma criança descontente, depois começou a falar brava para Skull-Não tem nada de errado em concursos pokémon! Por que você acha que a única coisa para se fazer é lutar? Minha mãe me dizia que luta ou guerra nunca é a resposta, pois depois de uma batalha, as pessoas sempre ficam com cicatrizes!
Skull para de andar por um segundo, Lisia retira a expressão de irritada, e o encara por um curto tempo, temendo ter dito algo de errado, até que o rapaz diz para a garota- Da onde eu vim, tudo o que sabemos fazer é lutar, lutar para sobreviver. Talvez seja por isso que eu tenho tantas cicatrizes…
Lisia olha para o rosto do garoto, e vê apenas pano e um óculos, numa tentativa desesperada de se esconder, ela perceba as marcas em alguns pontos onde a pele é exposta. Quando conheceu Skull, a garota pensava que ele usava a bandana e o óculos por puro estilo, agora ela percebera que aquele rapaz misterioso escondia seu rosto por vergonha ou necessidade. Ela se sentiu culpada por ser tão ingênua, era uma característica que todos diziam ser boa nela, mas as vezes ela se odiava por isso.
O silêncio permaneceu durante toda a caminhada até o ginásio, o rapaz que ela achava ser algum tipo de herói podia ser bem assustador quando quieto, era impossível saber como ele se sentia ou o que expressava por debaixo da máscara.
Quando finalmente chegaram no ginásio, um dos treinadores estava na porta para avisar que não teriam desafios hoje, pois Wallace havia sumido, ninguém o via já tinha um bom tempo. A garota começa a ficar preocupada, Skull coloca a mão no ombro dela e diz que vai ficar tudo bem, pois em breve o tio da garota apareceria. Enquanto esperavam, os dois jovens foram para um hotel local, Lisia, que era uma estrela, pagou para ambos, afinal, Skull era um foragido que a alguns dias não descansava. O rapaz nunca havia sentido tanta falta de deitar em uma cama aconchegante sem que policiais ou noises viessem atrás dele. Pelo menos ele ainda não estava sendo procurado em outras cidades que não Mauville.
O rapaz decide ligar para uma conhecida, ele liga a câmera do pokénav, e liga para Flannery. A ruiva atende e não consegue esconder a felicidade ao ver o amigo.
—Skull! Que bom te ver! Já estava ficando preocupada, fazia um tempo que eu não tinha notícias suas!
—Seria melhor que você não tivesse mesmo, ruiva. Sou foragido até eu encontrar os Noises e provar que foram eles que eles me incriminaram. Dizer que foi eu quem matou o Buck… esses caras sabem mesmo como deixar alguém bravo…
—Bem… você ter fugido da delegacia pulando a janela também foi meio suspeito…
—A situação ta preta pro meu lado, eu sei…
—E-eu podia te ajudar!
—Já disse que não, ruiva. Num quero você no meio disso, já num gostei do velho agir como meu informante.
—Mas… como você acha que eu vou me sentir se algo acontecer com você?
—Num vai acontecer nada comigo… prometo.-O garoto estava feliz por ter uma amiga tão próxima, mas não podia pedir a ajuda dela, nem de ninguém. A conversa se estende, Flannery comenta sobre pessoas que desafiaram o ginásio, e um pouco sobre sua vida pessoal. Skull sente um pouco de inveja da amiga, uma vida simples. Emprego fixo, um lar só seu, uma vida comum, a parte que mais doía Skull era que ele poderia ter tudo isso se não tivesse se envolvido com gente que não devia. Se tivesse escutado o velho Wattson e tentado trabalhar no ginásio com ele. Mas o garoto era impulsivo demais, queria soluções rápidas.
Quando acabou seu devaneio, a sua amiga já havia acabado de falar, e perguntou do amigo. Lutas, lutas e mais lutas, era a única coisa que aconteceu recentemente com o rapaz. Ele queria paz, tanto em sua alma, vingança pelo seu amigo, quanto em sua cidade, um fim ao reinado de medo dos Noises. Então ele sabia que não podia choramingar, ele estava nessa guerra por escolha própria. Depois de jogar conversa fora por mais algum tempo com sua amiga, eles se despedem, Flannery com um misto de felicidade e tristeza, por saber que seu amigo estava bem, mas poderia ser a última vez que via o garoto.
Lisia estava demorando muito, Skull estava ficando preocupado. Afinal, uma das características mais marcantes do jovem era seu espírito de irmão mais velho, ele sempre protegia os menores que ele. O rapaz sai do hotel para procurar a pequena. Após caminhas por poucos minutos, ele percebe uma movimentação, vê uma mulher suplicando para que o homem devolvesse seu filho e um Noise apontando uma arma para ela, rindo e dizendo palavras de assédio, que se ela o satisfizesse, ele devolveria a criança. Skull é tomado por fúria, um calor indescritível em seu peito, ele retira sua arma e atira na nuca do homem, sem nem dar tempo do capanga ver de onde sua morte veio. A mulher está olhando para o corpo do capanga, ela não consegue dizer quase nada, Skull se aproxima dela e diz.-Eu vou achar seu filho.
O rapaz andava pelas ruas e via Noises por todos os lugares, a polícia trocava tiros com eles, as pessoas fugiam e gritavam, em pouco tempo, tudo estava no caos. Era impressionante, colocar alguns Noises em uma cidade era como explodir uma bomba, de um segundo pro outro, tudo fica confuso, e a única coisa que se tem certeza é que as pessoas ficam em pânico.
Skull enfrenta alguns capangas no caminho, ele está indo em direção a praça central, ele tinha visto a mesma no caminho até o hotel, era um lugar com uma grande árvore e que se ligava com a ponte para o ginásio. Ao longe, Skull viu fumaça vindo de lá, e seu instinto o disse que ele deveria ir para lá, talvez se encontrasse a origem de tudo isso, encontrasse Lisia.
Dito e feito, ao chegar na praça central da cidade, Skull vê Wave, a mulher de roupas estranhas que havia salvo Blaze no último segundo da última vez que o homem tinha enfrentado Skull. Ela segurava Lisia pelo cabelo, a garota chorava.
—Olha só! Finalmente você chegou! Me diga Skull… por que faz isso? Você acha que vai se redimir? Que os outros vão te ver como um herói!? Você é só um trombadinha qualquer! Se daria bem se continuasse trabalhando conosco, mas aquele velho estúpido te deu sonhos, sonhos esses que você não vai alcançar!- Skull escutava pacientemente a mulher, apenas a encarando, sério. Pensando em como ia salvar Lisia.- Ou… você acha que todos esses seus “amigos” gostariam de você se soubessem quem você realmente é!? Você é nosso campeão Skull, arriscou a vida de seus pokémon e matou muitos no seu caminho por fama, não se esqueça de quem você é “Campeão Invicto”! As cicatrizes que você causou, são grandes demais para que possam ser curadas salvando uma garotinha qualquer!- Dizia a mulher com um prazer sádico na voz, ela gostava de jogar na cara de Skull todos os erros que ele cometeu. Ela puxava Lisia pelo cabelo, a garota choramingava que estava doendo, mas Wave não se importava. Skull dá um passo a frente e responde para a mulher.
—Vamos por partes, sua cadela maldita. Primeiro: Eu não sou um herói, só tô muito afim de meter meu pé na bunda de vocês, morô!? Segundo: Eu jamais trabalharia pra escória como vocês, até um “trombadinha” tem alguma dignidade. Terceiro: Você vai se arrepender de estar machucando a guria.- Skull é interrompido. Wave retira uma das argolas que ficam ao redor de seu braço, aperta um botão na mesma e a arremessa em direção ao jovem. A argola libera jatos de aguá giratórios de alta pressão, fazendo a água cortar como uma lâmina. Skull desvia a cabeça no último instante, impedindo danos fatais. Porém, um grande corte foi feito em sua bochecha, cortando a bandana que ficava na frente de seu rosto, fazendo a mesma cair no chão. Skull está de cabeça baixa, olhando para a bandana, e tapando o rosto com a mão. Ele toma coragem e retira o óculos de solda, e olha para frente. Lisia para de choramingar ao olhar para o rosto do rapaz, Wave da algumas risadas e solta um simples “Minha nossa…”, o rosto do rapaz é extremamente desfigurado, várias cicatrizes em diversos ângulos, queimaduras em quase todo o rosto, gerando várias protuberâncias, mas a característica mais marcante do rapaz, era que seus lábios foram completamente queimados anos atrás, logo, os dentes do rapaz eram expostos o tempo todo. Os olhos do jovem eram escarlate, como sangue, e ele olhava enfurecido para a mulher.-... E quarto: não me venha falar sobre cicatrizes. Morô!?
—Ta certo, garotão. Me mostra o que cê sabe fazer. O chefe tava louco pra testar essas belezinhas.
Ao dizer isso, Wave faz sinal. E Três Noises que estavam em cima de algumas casas, ligam máquinas grandes e estranhas. Elas disparam um tipo de cápsula metálica, e de cada uma delas, saem criaturas metálicas estranhas de forma humanoide. Um deles tinha uma cabeça com uma grande protuberância na parte de trás, como uma estaca, seus braços eram tentáculos finos e estava escrito M.E.C.H.A SPD no peito dele. O outro tinha uma cabeça com três pontas e com 4 tentáculos, dois de cada lado do tronco, como braços e em seu peito estava escrito M.E.C.H.A ATK. E o último tinha uma cabeça cilíndrica, colocada com o resto do tronco, como se não tivesse pescoço, e seus braços eram como folhas planas, dois de cada lado do tronco, e em seu peito M.E.C.H.A DEF estava escrito. Skull não sabia, mas aquelas eram réplicas das formas de velocidade, ataque e defesa de um pokémon raríssimo que veio do espaço, Deoxys!
—Não tenho medo dos brinquedinhos de Prankster.
—Que bom! Então nos ajude a descobrir o potencial dessas coisinhas.-Wave solta a garota, mas os robôs estão entre ela e Skull. Wave se vira e começa a ir embora. Skull mira a arma para ela, mas o robô da forma velocidade ataca o garoto em um piscar de olhos, o desarmando.
Skull retira duas pokébolas, uma em cada mão, ele as arremessa, Beat e Rhyme saem das mesmas. O Hitmontop e a Manectric estão ao lado de Skull, ele abre uma terceira pokébola, o raio vermelho vai até o ombro do jovem, e Shadow aparece se segurando em seu treinador. Apesar dos três pokémon serem pequenos, Skull confia neles, tamanho não é documento. Lisia estava preocupada com o amigo, mas Skull solta apenas um “Se manda guria, eu cuido de tudo por aqui”. Ela se lembrou do porque ela tinha visto um herói no garoto pela primeira vez. Skull é destemido, e coloca os outros acima dele mesmo. Era como se mesmo com a máscara ela pudesse ver quem o garoto realmente era. Confiando em seu amigo, Lisia se levanta e corre em direção ao ginásio.
Skull fica observando seus oponentes, o MechaAtk começa a carregar um Hyper Beam e o arremessa no jovem com seus pokémon. Eles saltam para os lados, mas a explosão os machuca e os joga para o alto. Skull já havia sido alvejado por golpes de pokémon antes, mas nenhum se comparava com um Hyber Beam. Ele estava deitado no ar devido a explosão, e em um instante, MechaSpd aparece na frente do garoto e tenta acertá-lo com um chute, ele coloca seus braços na frente do torso para amenizar o dano, mas a dor é inevitavél. Enquanto cai, MechaDef está bem abaixo do garoto, e seus olhos mecânicos e vermelhos brilhavam em uma tonalidade roxa e poderes psíquicos param o garoto no ar.
Ao perceber a presença de poderes psíquicos, Skull torce para que as criaturas mecânicas tenham tipos, assim como pokémon. E dá o comando para um Crunch e um Pursuit. Rhyme corre para morder o robô e Beat pula rodando em energia negra em direção do robô. Ambos acertam a criatura metálica, mas uma voz robótica sai da mesma e ela grita “COUNTER”. Os braços da criatura brilham e em um giro, ela acerta os dois com seus braços, devolvendo em dobro o dano que eles haviam causado.
Mas, com isso o robô parou de se concentrar em Skull, que caiu girando em direção a máquina e desferiu na mesma um poderoso chute. O robô cambaleou para trás, mas quase não saiu do lugar. Skull caiu agachado, ele coloca a mão sobre o pé que chutou a criatura, a dor palpitava, a criatura era realmente resistente, não era uma máquina comum.
MechaSpd aparece atrás de Skull, mas o jovem já espera um ataque por trás e deu o comando para Beat usar Mach Punch, assim que Spd apareceu atrás do garoto, Beat veio girando em grande velocidade a acertou um golpe no rosto da criatura metálica. O hitmontop não parou, e com o comando de seu mestre usou um Triple Kick, girando mais uma vez, com força acertando o rosto do inimigo com seus dois pés e com sua cauda com forma de esfera. Porém, MechaAtk gritou com voz robótica “PSYCHOBOOST” e arremessou uma grande rajada de energia psíquica em Beat, a mesma o acertou em cheio o pokémon lutador, que levou um golpe super efetivo, nocauteando o pequenino com um único golpe e o lançou para longe. Vendo o potencial de ameaça de MechaAtk, Skull segura Shadow pela nuca e o arremessa como um projétil em direção do robô enquanto grita o comando.
—FOUL PLAY!- Se Shadow acertasse esse golpe, utilizaria a força do robô contra ele mesmo, uma técnica baixa, porém efetiva.
Mas estava claro que os robôs estavam programados para ajudar uns aos outros, pois MechaSpd tentou ajudar seu companheiro. Mas um ChargeBeam lançado por Rhyme foi em direção do mesmo, o acertando em cheio. Uma energia negra começou a sair de MechaAtk e ia em direção de Shadow, se acumulando em seu pequeno punho. O robô tentou se esquivar, mas sua tentativa foi em vão, Shadow lhe acertou um soco com a força roubada do robô, o soco estourou a cabeça da máquina em vários pedaços de metal retorcido e circuitos voando para todo lado.
—Um a menos…- dizia Skull para si mesmo, ele não se sentia tanta tensão em uma batalha já tinha um bom tempo. Ele não estava afetado pela pirofobia, ele estava realmente incerto se a força dele seria o suficiente para derrotar essas máquinas, apenas uma havia caído, e ele já possuía ferimentos por causa da explosão, e seu Beat já havia caído.
Enquanto estava perdido em seus pensamentos, MechaSpd apareceu ao lado do garoto, ele balançou seus braços de chicote para acertar Skull, porém, com uma incrível agilidade, ele se abaixa um pouco e faz um bico de papagaio, desviando do golpe e chutando a cabeça do inimigo. Enquanto o inimigo perdia o equilíbrio e ia para trás, MechaDef correu na direção do garoto, sua testa brilhava com energia roxa, ele estava usando zen headbutt.
Os pokémon de Skull tentaram impedir o robô, porém ele era resistente demais, ignorou os golpes e acertou o garoto enquanto ele saia da acrobacia, ele levou o golpe em cheio em seu tórax, e começou a ser arrastado.
Skull viu que o robô iria bater com ele em uma parede de uma casa próxima, e decidiu lutar de volta. Ele se agarrou no robô, colocou os pés no chão, e começou a fazer força para parar o avanço do inimigo. Quando Skull está prestes a bater na casa, ele para o robô. então ele começou a socar o inimigo, mas a cada golpe na resistente carapaça metálica do monstro fazia com que seus punhos doessem. O jovem percebeu uma esfera cristalina no peito do robô, parecia bem mais fácil de quebrar, então ele tentou a sorte. Mas para o azar dele, ainda era bem resistente e mesmo com dois socos, o rapaz não conseguiu quebrar a esfera no peito do robô.
Depois de tanto tempo naquela troca de golpes a curta distância, Skull se sentiu cansado e isso abriu uma brecha, o MechaDef levantou um de seus braços e socou o garoto para longe. Seu peito doía muito pelo golpe direto, agora sua cabeça também estava machucada, ele estava quase sem forças, então deu o comando para seus pokémon atacarem o inimigo, Rhyme com um thunderbolt e Shadow com uma shadow ball. Assim que ambos arremessaram seus golpes, o vulto de MechaSpd passou por eles, acertando ambos. Assim que os golpes acertaram MechaDef, ele disse com voz robótica “Mirror Coat” e devolveu com o dobro de força o dano que levou, porém apenas em um alvo, e esse foi Rhyme. A energia psíquica que voou na direção da manectric a acertou em cheio. Rhyme atinge uma casa próxima, quebrando a parede da mesma. Ela estava caída entre os entulhos, sangrando, com várias feridas abertas em seu corpo, parecia estar com uma pata quebrada e inchada. Skull a recua para a pokébola. Ele salta em direção de Shadow que também salta na direção do jovem, agora Skull estava agachado ao lado de seu pokémon, cercado pelos inimigos. Ele retira uma pokébola com sua mão esquerda, mas antes que conseguisse abrir a mesma, MechaSpd balança, em um movimento de chicote, sua mão e acerta o pulso do garoto, o mesmo abre como se tivesse sido cortado por uma lâmina. O pulso de Skull começa a sangrar muito e ele tem dificuldades em mover a mão. Ele pensa em fazer o mesmo com a outra mão, mas até mesmo Skull sabia que não era uma boa idéia.
—É isso…? Eu cheguei até aqui pra perder? Droga… pelo visto não serei mais o Campeão Invicto… pelo menos… eu tentei… não vou morrer… como um covarde!- As lágrimas caíam pelo rosto de Skull, ele se lembrava de seus amigos, ele não os veria de novo. Entre as palavras ele respirava fundo para suportar a dor, mas era em vão. Tudo estava ficando turvo. Skull lutou a vida inteira, já não estava mais aguentando lutar.
De repente, cai na frente do jovem, uma pulseira de couro com uma pedra brilhante e spikes metálicos e um soco inglês metálico com uma pedra brilhante e pequena bem na parte do dedo médio. Ele olha para cima e vê Lisia em cima de Ali. A jovem grita para o rapaz:
—Skull! Coloca o bracelete no sableye! Confia em mim!
—Lisia…?- Foi tudo que o garoto conseguiu dizer para si mesmo.
—Por favor! Não desista agora!-A garota dizia entre choros e soluços por ver o estado de seu amigo.- Por favor, não morra! Você não disse que queria tornar esse mundo melhor para aqueles que você ama!?-Essa última frase sendo usada com certa raiva ou talvez indignação pela garota.
Esse último grito ascendeu algo em Skull, como uma pequena chama. Ele se lembra de todas as pessoas que ele recusou ajuda, e prometeu que voltaria.
—Mas que porra de marica eu sou!? Eu lutei minha vida toda… e eu sempre ganhei! Eu…-Skull colocou o soco ingês e MechaDef começou a correr em sua direção.-...não vou perder…- Skull corre contra o MechaDef.-... PRA VOCÊS!-Skull usa a mão com o soco inglês para perfurar a esfera de cristal no torso do robô, o jovem socou com tanta força, que com apenas seu braço direito, ele conseguiu levantar o robô para o alto com seu braço, nem mesmo ele sabia que poderia ser tão forte.- MORÔ!?
Lisia apenas sorri, contente que seu amigo, não havia desistido de lutar. Ele era especial, não era como um herói perfeito de uma história em quadrinho, ele tinha falhas, mas isso não o impedia de proteger todos que passassem em seu caminho. Ele dizia proteger apenas seus amigos, mas salvou a cidade de Lilycove e ajudou aquela garotinha que ele nem conhecia na primeira oportunidade que teve. Lisia queria ser forte como Skull, mas o medo a dominava, ela mal havia conseguido derrotar os capangas que estavam no ginásio, sua altaria estava ferida, ela estava com medo, e ela sabia que Skull estava ainda pior mas não desistia de lutar. Era isso que Lisia, e todos que conheciam o rapaz, gostam tanto nele.
MechaSpd olha para seu aliado derrotado, e diz com voz metálica “Iniciar modo de autodestruição”. O robô começa a brilhar e soltar faíscas . Skull, prevendo o que ia acontecer, arremessa o robô para o lado, não estava mais aguentando o mesmo, sua força passou junto com a raiva. Ele apenas olha para o robô, e mostra seu dedo do meio, enquanto diz.
—Vá se foder!-E sorri para seu oponente, ele iria achar uma saída, não podia desistir agora. Então, uma luz forte sai da pedra no dedo médio do soco inglês, o rapaz por impulso, esperando que algo aconteça, soca o chão com suas últimas forças, e uma energia colorida pulsa por todo seu corpo, a mesma energia toma conta de Shadow, que evolui para um Mega Sableye! O Sableye salta para frente de seu treinador, Skull se agacha atrás da pedra do pokémon, e Mecha Spd explode.
Lisia olha preocupada, ela havia tentado chegar a tempo para salvar Skull da explosão, mas tudo aconteceu muito rápido e a explosão jogou Lisia para trás quando ela estava quase no chão, nocauteando Ali que sofreu a maior parte do dano. Lisia recua seu pokémon e olha atenta para a fumaça.
Skull está de pé, com sua mão direita levantada, seu pé direito em cima dos restos metálicos de MechaDef, Shadow está do seu lado.
—Quem vocês acham que eu sou, seus merdinhas? Contínuo invicto. Rex...peita…
O jovem cai de costas no chão. Lisia corre para ver seu amigo. Ela está muito preocupada devido a quantidade de sangue que saia do pulso do rapaz. Tentando amenizar o sangramento, ela rasga um pedaço de seu vestido e amarra no pulso de Skull, ela percebe que ele ainda está acordado, ofegante. Lisia não se contém, e começa a chorar.
—Eu sinto *Sniff* muito, Skull… Eu queria ser tão forte quanto você, queria poder lutar contra esses caras… mas eu…- A garota se põe aos prantos antes mesmo de terminar de falar. Skull coloca a mão na cabeça da garota e começa a acariciar ela, como se ela fosse uma criança.
—Do que cê ta falando, guria? Você num tem que ser como eu, você é muito maneira sendo quem você é. Num se preocupa, que quando eu acabar com os Noises, ninguém mais vai ter que lutar do jeito que eu lutei hoje. E quando esse dia chegar, todos vão olhar pra você e curtir essa tua vibe de coordenadora pokémon. Você vai mostrar pra eles que a luta, nem sempre é a melhor opção. Morô? Além do mais… se não fosse por você, eu estaria morto, eu teria desistido. Valeu Lisia.- o garoto tinha dificuldade para sorrir, afinal, ele não possuía lábios, era difícil fazer expressões, mas ele tentou o máximo sorrir para a garota.
Era a primeira vez que ele havia chamado Lisia pelo seu nome. A garota para de soluçar e sorri de volta para o grandalhão e o abraça com força.
—Foi mal, minha cara deve ta te assustando, né!?
—Quem se importa em como você se parece Skull!? Você é demais!
Skull nunca havia sido tão elogiado. Sua maior vergonha era sua aparência, ouvir isso deixou o rapaz muito feliz.
Lisia o ajuda a se levantar e começa a contar para ele que os homens que eles tinham visto mais cedo eram capangas Noises disfarçados, e que o tio dela estava sendo feito refém, porém, ela o ajudou a escapar. O soco inglês que ela deu para Skull foi “encomendado” por Wattson, por isso já estava pronto, nem Lisia esperava por isso. Ela disse que Wallace, seu tio, ia ajudar o resto da cidade com seus treinadores de ginásio, e como ela não ouvia mais os tiros, e sim o som de jatos da água por vários pontos da cidade, ela estava com um bom pressentimento.
Enquanto Lisia contava a história para ele, o som de uma arma sendo destravada é ouvido, e por instinto, Skull se coloca na frente de Lisia para protegê-la. Então, ele vê um rapaz, um pouco mais velho que ele, apontando uma pistola semi-automática.
—Parado meliante. Você vem comigo.-Dizia Amber.
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