Pokémon - Candlelit Dinner (Season 1)
4 Capítulo 4 - O que define a sorte?
Notas iniciais
O pensamento do garoto não parava de girar em torno daquela conversa com Roxie. Ethan continuava enjoado com os movimentos do navio, mas sua concentração o distraía.
— Então, meu jovem — gritou por detrás do mastro o capitão do navio — Já sabe por onde vai começar a procurar?
Ethan olhou para trás e observou o pai de Roxie. O homem não era exatamente velho, mas não estava mais na flor da idade. Era muito simpático e amava velejar. Haviam se conhecido algumas horas atrás, graças ao imenso favor que Roxie achava que estava devendo a Ethan.
O menino pensou por uns instantes e enfim respondeu:
— Acho que vou para Castelia, lá é uma cidade grande, muito fácil de um líder de ginásio se corromper, né?
— Não tenho certeza, vai conseguir se dar bem? É uma cidade muito grande, tome cuidado! Além disso, você precisa se lembrar de não chamar muita atenção.
Não chamar muita atenção era completamente o contrário do que Ethan vinha fazendo recentemente. Pelo menos, se tivesse sido um pouco mais cauteloso, seu pai estaria a salvo e ele não estaria nessa empreitada para achar um líder de ginásio criminoso.
Ethan olhou para o horizonte e viu a silhueta longíqua de Castelia. Enquanto olhava para o que era considerado o mais belo horizonte urbano do mundo, Ethan começava a repassar a conversa da madrugada que acabara de ocorrer.
— Então, Ethan — começou Roxie, sentada no balcão de atendimento do porto de Virbank. Ela estava ainda com seu pijama e seu pai estava se arrumando em um quarto ao lado, os dois receberam com muita atenciosidade a visita de Ethan no meio da madrugada. -Preciso lhe explicar algumas coisas... Ouvi dizer, que há um tempo atrás, houve uma organização criminosa que disseminou o caos em um continente não muito longe daqui.
— Hm? — sondou Ethan por mais, com a curiosidade estapada no rosto.
— Seus planos foram frustrados e muitos deles foram presos, porém algums conseguiram escapar. Aparentemente, eles criaram uma nova organização agora, que começou a ser popular nas ruas "cobrando impostos" — Roxie falou fazendo aspas com as mãos -, seu nome é Grimm Grotto.
— Pelo que sabemos, eles não tem nenhuma trama muito importante para cumprir — disse o pai de Roxie, capitão do navio enquanto chegava no cômodo. — Mas eles não gostam muito da ideia de serem contrariados.
— Que foi o que eu fiz — comentou Ethan tristemente.
— E fez muito bem! — Roxie apressou-se em dizer — Mas infelizmente, eles são homens poderosos e para isso, eu acho que eles possuem influências em várias áreas. Suspeitamos até que eles estejam na AMBP.
— O que? Na Associação Mundial de Batalhas Pokemon?
— Porém, nada que possamos confirmar. A única coisa que podemos afirmar com certeza é que um líder de ginásio está envolvido com eles. — Roxie continuou.
— Isso quer dizer que se eu achar o Líder de Ginásio... — começou Ethan a entender a situação.
— Sim, você entendeu bem — respondeu o capitão do navio.
— Mas, como vou identificar o Líder? — a cabeça de Ethan começava a doer.
— Esse é o problema, eu não posso sair daqui por ser líder de Virbank e meu pai estar sempre ocupado com a navegação então não sabemos de nada que possa ser usado como referência para identificar. Mas se você achar, você estará a um passo de achar seu pai.
— Mas devemos dizer que isso é arriscado. Não está se envolvendo com trombadinhas. Está se envolvendo com um grupo extremamente perigoso. — falou o capitão.Ethan olhou dele para Roxie e perguntou:
— Se fosse seu pai no lugar do meu, você iria?
O silencio reinou no cômodo por alguns segundos pesados. O capitão foi o próximo a falar.
— Zarpamos em trinta minutos, você me convenceu.
O navio já partira quando Ethan entrou no centro Pokémon e reservou um lugar. Houve uma situação incomoda onde Ethan passou alguns minutos teimando que haviam se conhecido em Virbank e parabenizando-a por conseguir chegar ali mais rápido do que ele. Ethan só percebeu o erro quando a funcionária mostrou sua foto de família e ela possuía muitas irmãs praticamente idênticas.
Depois de dormir por algumas horas, Ethan resolvera sair com Litwick. As ruas de Castelia eram recheadas de prédios comerciais e prédios empresariais que davam dor de cabeça só de tentar enxergar o topo. Pessoas apressadas passavam por todos os lados. Apressadas para seus compromissos de trabalho e tudo o mais. Litwick foi chutada duas vezes até Ethan decidir colocá-la na mochila com o zíper aberto.
— Ei, vê se aquece esse ovo de pokémon, assim nós vamos ter uma companhia a mais. — falou Ethan para a pokémon rindo.
As ruas pareciam cada vez mais abarrotadas de pessoas e todas as lanchonetes estavam ocupadas. Assim sendo, além de ser difícil de andar em Castelia parecia impossível achar um local para descansar. E depois de andar por horas em ruas entupidas de pessoas carregando um pokémon na mochila e um ovo, descanso parecia uma palavra vinda do paraíso.
Cansado de levar troncadas, Ethan começou a procurar por uma saída, um local onde não tivesse tanta gente. Logo à sua esquerda, tinha um beco apertado que era o encontro de dois arranhacéus. Ethan se esgueirou por ali e se assustou com o barulho que um Pidove fez ao voar para longe do beco.O menino continuou se esgueirando até chegar do outro lado e ficou aliviado ao sair de lá quando percebeu que aquela pequena rua mal iluminada não estava movimentada. Na verdade, a rua só possuia quatro pessoas. Duas conversavam na porta de um bar, outra saía da rua enquanto a quarta estava olhando no chão procurando por algo.
— Senhor, gostaria de ajuda? — perguntou Ethan para o homem que praticamente deu um pulo ao som de sua voz.
— Não, obrigado. Eu só estava procurando isso — respondeu nervosamente o homem, mostrando um aparelho sem fio para orelha e entrou rapidamente no bar olhando para trás várias vezes.
A curiosidade venceu o bom-senso e Ethan entrou no bar logo atrás. Ethan entrou no local, bem iluminado e decorado. Uma leve música ao vivo vinha de perto do balcão, onde um homem com um violão cantava músicas sobre uma jovem que o havia abandonado. Ao lado do cantor, o homem suspeito estava ali, conversando com outra pessoa.
Ethan sentou-se no balcão, com o cantor entre ele e os dois homens conversando.
— Eu quero uma limonada — respondeu Ethan sem nem olhar no rosto do barman que o encarava.
"... o dinheiro?" a voz do suspeito veio do lado.
— Claro que vou querer o dinheiro, e agora, meu caro. — respondeu o outro homem.
— E você tem certeza que isso vai funcionar? — perguntou o primeiro — É um preço alto para se pagar por um produto defeituoso.
— Acredite, confie em mim. Ele só não funciona naqueles malditos pokémon shinys por enquanto. Mas daqui a algum tempo, a GG vai conseguir.
"Grimm Grotto?!" o coração de Ethan começou a bater mais depressa.
— Só acho que vocês deveriam andar mais rápido. Muito dinheiro está sendo investido nisso.
— Se for esse o caso, ainda temos muitos patrocinadores.
— Não, não! Eu compro! — o primeiro homem gaguejou nervosamente.
— Acho até que você deveria testar com o nosso participante da conversa não-convidado — falou o homem olhando exatamente nos olhos de Ethan.
Por um segundo, o menino não assimilou o que havia sido dito. No outro, Ethan já havia pulado do banco onde estava e corria com todas as forças, ignorando todos os gritos de aviso do barman sobre a limonada.
Ethan correu pelo beco, virou em outra rua que era tão mal-iluminada quanto a anterior, seguiu direto e virou a esquerda. Seu coração, que estava acelerado, parou quando viu a parede alta de tijolos em sua frente. Ele havia se encurralado e antes de virar para trás, já sabia que os homens estavam ali esperando-o com um sorriso de triunfo.
— Então, garoto — falou o segundo homem que possuia um cabelo loiro e escorrido pelas laterais do rosto. Uma barba rala fazia seu sorriso de triunfo incrivelmente assustador. — Achou mesmo que ia prestar atenção na conversa dos outros e sair tranquilamente?
Ethan ficou mudo. Não sabia como reagir a essa situação, na verdade, há dois dias atrás, essa situação estava fora de sua realidade. Dois dias antes, estava ele sentado na frente de seu computador, trocando e-mail com seus dois amigos à distancia. Queria poder ter isso de volta.
— Não vai responder? — o homem barbado deu uma risada seca — Engraçado, quando te vi xeretando, achei que fosse o menino de que andam falando. Pelo seu cabelo com essa cor idiota, e tal. Mas... Impossível você ser o menino que derrotou o batalhão do Snake.
Ethan continuava quieto. Olhava do homem barbado, para o homem do beco sem saber o que dizer. O semblante dos dois homens era completamente o oposto um do outro. Enquanto o barbudo ria, o homem do beco parecia acuado.
— Vamos lá, cliente, vamos ensinar ao pivetinho que não deve ficar longe do papai e da mamãe. — disse o barbudo liberando dois pokémons ao mesmo tempo.
A luz vermelha brilhante das pokébolas passou e mostrou um pokémon cobra de planta e um pequeno morcego azul.
— Snivy, Zubat, temos trabalho! — falou ele para os pokémons e percebendo que o homem ao seu lado tremia com uma pokébola na mão, gritou — ANDE! Solta logo isso e vamos dar uma lição no pivete.
— Eu já tenho o produto, ele não escutou nada demais... Eu... Eu... Eu tenho que ir — dizendo isso, apressou-se a correr e de tão desesperado e nervoso, deixou cair a pokébola que estava em sua mão.
— Vai, pokémon! — disse o homem, liberando a pokébola do outro.
Um pokémon que parecia um balão azul apareceu flutuando. Ele era uma bola quase perfeita, tirando por pequenos espinhos em sua superfície. O pokémon sorridente olhou confuso para os dois treinadores.
— O que?! Uma droga de Koffing SHINY?! — gritou o barbudo — Eu não preciso de você, porcariazinha!
O pokémon flutuou para longe do barbudo, em direção a Ethan. Ficou de frente para os dois pokémon rivais. Ethan olhou confuso para o Koffing, se perguntando o que estava acontecendo quando o homem começou a rir.
— Ficou ofendido?! HA HA HA! Patético! Olha, azulzinho, agora tem um pokémon pra te defender!
— Litwick, venha pra fora, vamos ajudar o Koffing — Ethan chamou a pokémon que estava dentro da mochila, preenchido com uma coragem que não conhecia, vinda do ato de Koffing.
A Pokémon pulou para frente e encarou os pokémons também, Ethan se preparou para dar uma ordem de ataque quando o barbudo sacou mais uma pokébola e liberou outro pokémon enquanto dizia:
— Dois contra dois? Isso me parece muito justo, assim você não vai ter nenhuma lição, garoto!
Da pokébola, saiu um pokémon cão. Era enorme e escuro. Lembrava muito um Poochyena, porém possuia uma expressão mais feroz e altiva. Os pelos negros do pokémon se eriçaram quando ele olhou Ethan nos olhos com aqueles olhos vermelhos.
— Qual é o seu problema?! Três contra dois? Isso é injusto! — Ethan gritou pro homem.
— Essa é a graça de ser quem eu sou. Eu posso ser injusto!
Ethan começou a suar frio, sem saber o que fazer. Não poderia colocar sua Litwick e nem mesmo o Koffing para entrar numa briga que eles com certeza iriam perder. Foi quando a sorte de Ethan novamente atacou.
Sua mochila começou a brilhar em um tom muito forte, a claridade gerada por ela, projetou uma sombra enorme para todos os lados enquanto o homem olhava horrorizado a cena, a duvida estampada em seu rosto. Ethan rapidamente tirou a mochila das costas pra ver o que era. Quando segurou a mochila em sua frente com as duas mãos, o brilho cessou e ela parecia mais pesada. Um som vindo da sua mochila o assustou.
— Vee — uma delicada voz saiu da mochila.
Ethan arregalou os olhos quando o pequeno Eevee recém-nascido colocou a cabeça para fora e encarou Ethan com animação.
— UM EEVEE?! — gritaram os dois ao mesmo tempo.
— Preciso reportar isso! Você era o menino do Snake! — falou o barbudo com os olhos arregalados.
A felicidade era absurda no peito de Ethan, tanto que não percebera o que acontecia ao seu redor. Quando levantou a cabeça para olhar para seu adversário — agora que estava em pé de igualdade — o homem havia sumido. Ethan estava no beco junto com Litwick, Koffing e seu novo Eevee. Depois de uns instantes olhando para onde antes havia um criminoso, Ethan se perguntou:
"O aparecimento do Eevee foi ou não foi sorte?"
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