Pokémon - Candlelit Dinner (Season 1)
16 Capítulo 13- Feliz Ano Novo (?) - Parte 2
Notas iniciais
Segunda parte do capítulo de ano novo e ainda não é o final da confusão.
— Droga, ajuda! Alguém me ajuda! – a voz de Ethan falhava terrivelmente enquanto ele a forçava mais e mais.
— E... – Alice começou a falar do seu lado.
— Ali, eu... – ele olhou para o lado, de onde sua voz vinha – Eu queria muito poder te ajudar, eu queria muito poder quebrar a minha cara por deixar você numa situação dessas.
— Ethan, eu... – ela falou e ele sentiu o choro em sua voz.
— Não, me deixa falar. – ele falou tentando se acalmar, a garganta doía de tanto gritar. – Eu não suporto a ideia de te ver aqui, mas também não suportaria te deixar pra trás, ok? Eu não sei, eu simplesmente não ia conseguir. Eu só me importo demais com você.
— Ethan... – ele sentiu algo na voz dela, mas não conseguia dizer o que era e a escuridão não permitia que ele visse sua expressão. – Eu estou feliz por estar aqui com você. Eu simplesmente tinha que estar aqui, ta? Nenhum outro lugar seria certo.
— Por que?
— Eu... não sei.
Dave sentou-se e observou a mesa de jantar impecável que estava na sua sala e percebeu que seu pai não poderia ter feito aquilo tudo. Ele havia comprado aquilo? Dave sempre soube que, na verdade, seu pai cozinhava tão mal quanto era enorme. E ele era incrivelmente enorme. Olhou para aquilo tudo e percebera que a mesa era muito grande só para seu pai e o amigo.
— Pai, minha irmã vai vir? – ele gritou para o pai que estava na cozinha.
— Não, Dave. Por quê? – ele colocou a cabeça para fora da cozinha olhando para o filho – Se incomoda de passar o ano novo só comigo e meu amigo?
Dave desviou o olhar e disse:
— Não, não mesmo. Só... Estou com saudade da mana.
— Eu também estou, e de sua sobrinha, Iris – disse ele voltando para a cozinha.
Dave sentiu um peso no corpo quando percebeu que seu pai sempre soube que ele voltaria. Seu pai brincara com ele, como se ele fosse um simples bonequinho. Tinha algo errado e logo ele se arrependera de ter voltado. Como faria para fugir daquilo?
— Pai, vou pegar algo no meu quarto e já volto, ta? – falou Dave planejando dar uma passeada escondida pela casa.
— Claro, pode ir.
Ethan não conseguia manter uma linha constante de pensamento. As dúvidas martelavam sua cabeça de maneira irracional. Ele estava à beira de uma crise de ansiedade e sua perspectiva de tempo estava sumindo. Logo sua respiração ficara inconstante e ele começou a ficar com medo de acabar com o oxigênio do local.
— Ali, me desculpa – ele se sentia um fracassado e na verdade todo o peso da culpa caía em cima dele e isso o fazia sofrer. – Eu só queria...
A sensação dos lábios de Alice em seu pescoço o fez estremecer e se calar. Ethan sentiu calor imediatamente e deu graças por não poder ser visto naquela escuridão.
— Relaxa, nós vamos dar um jeito. Você é a pessoa mais sortuda que eu conheço.
Dave estava sem ar. Ele acabara de sair do quarto de seu pai. Nunca havia entrado lá, em todos os seus quatorze anos de vida. Sempre teve um medo respeitoso de seu pai. Mas dessa vez não. Ele precisava entrar. Precisava confirmar que tinha algo de errado. Dave não achara nada. Percorreu com o olhar o antigo quarto de sua irmã só para constar que ele continuava vazio. Nada, nenhuma cama, nenhuma mesa, caixas. Era um quarto vazio. Janelas fechadas, chão de tábua corrida. Só.
Dave desceu as escadas num misto de decepção e conforto. Não sabia ao certo se queria provar que o pai era culpado, mas precisava por um ponto final naquela história. O garoto parou ao pé da escada e olhou para a parede em sua frente. Será que estava enganado? Poderia ser somente uma coincidência e seu pai ser inocente?
Dave olhou para a porta que ficava embaixo da escada e refletiu um pouco. Não se lembrava daquele local na casa, será que era tão distraído assim? Olhou bem e pensou um pouco. Aproximou-se e tentou abrir a porta. Estava trancada.
Seu coração disparou enquanto ele tentava forçar a maçaneta, mas ela não cedia. Será que estava ali o que ele tanto procurava? Ele realmente queria achar alguma coisa?
— Você ta ouvindo? — perguntou Ethan para Alice no meio da escuridão.
— O barulho da porta? É alguém tentando abrir, eu acho – Alice respondeu e Ethan percebeu o medo em sua voz.
— Fica calma, Ali. A gente vai dar um jeito – Ethan começava a trabalhar com a cabeça. – Se pelo menos eu conseguisse alcançar minhas pokébolas.
— No que você ta pensando?
— Ali, vem aqui. Fica de costas pra mim. Minhas pokébolas estão presas no meu cinto, atrás. Vê se consegue pegá-las.
Os dois escutaram um rosnado forte e pararam no mesmo instante. Um par de olhos brilhava na escuridão, e os dois ficaram assustados com a visão. Tinha algum Pokémon ali dentro vigiando eles dois.
Dave pegou sua pokébola e pensou em soltar seu Heracross, mas muito barulho seria feito caso o Pokémon tentasse quebrar a maçaneta. Dave começava a pensar no que fazer quando seu pai lhe chamou.
— Anda filho, venha conhecer meu amigo. Espero começarmos o jantar antes de virar o ano.
Dave estremeceu e andou calmamente até a sala e viu o homem que acabara de entrar em sua casa. Era enorme, quase do tamanho de seu pai e possuía uma barba rala. O homem sorriu para Dave como um animal sorriria para uma presa. Dave aguentou o nervosismo e olhou-o nos olhos e percebeu que um de seus olhos possuía um resquício de um hematoma.
Dave quis rir, mas ao mesmo tempo ficara terrivelmente sério. Era o mesmo homem que Ethan havia descrito. Era o homem da Grimm Grotto. O nervosismo começou a tomar conta de Dave e ele quis correr, mas não poderia fazer nada. Além disso, começara a se preocupar em entregar Ethan com qualquer atitude.
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Os três se sentaram a mesa e começaram a refeição silenciosamente. Drayden não dizia nada, muito menos Dave, que nervosamente esforçava-se para manter uma expressão neutra. Thor parecia se divertir com a energia de pânico que Dave imaginava estar liberando.
— Então... – começou Thor e o som de sua voz fez Dave estremecer. – Seu pai havia me dito que você tinha saído para uma aventura como treinador de Pokémon.
— Sim, — Dave se questionava porque o pai havia mentido. – na verdade, eu fiquei aqui na cidade treinando um pouco antes de partir.
— Mas, você tem um cartão de treinador? – perguntou o homem de maneira educada.
— Não, não tenho. Aguentei usando o dinheiro que eu tinha – Dave não entendia o fluxo da conversa.
— Isso é algo incomum.
— Nem tanto, encontrei pessoas que faziam o mesmo – Dave comentou indiferente, seus pensamentos voaram para Ethan e Alice, mas o garoto forçou-se a pensar em outra coisa.
— Sério? – Thor olhou para Drayden de forma surpresa – Isso é interessante. Achei que os treinadores mantivessem o dinheiro dentro dos cartões de treinador.
Dave preferiu ficar quieto e voltou a comer.
— Dave, — Thor recomeçou o diálogo – eu estava conversando com pessoas do trabalho...
— Você trabalha no quê? – Dave interrompeu-o e percebeu que não havia sido discreto, xingou-se mentalmente.
— Ah – Thor pareceu interessado na pergunta – trabalho numa empresa que se divide em dois setores. Farmacêutico e Tecnológico. Nós procuramos a evolução dos Pokémon em níveis inimagináveis – o homem falava com um brilho vago no olhar e Dave percebera que ele já havia dito aquele discurso em vários momentos. – Imagine que o pai do presidente da empresa foi o homem que inventou o doce que aumenta o poder dos Pokémon. Nós procuramos de alguma forma sempre melhorar a capacidade dos Pokémon. Não sei, ajudar treinadores em seus sonhos.
Dave olhou-o nos olhos procurando algo escondido em sua expressão. Percebera algo em seu tom de voz, algo insinuante.
— Impressionante! Devem ajudar muitas pessoas – sorriu para o homem.
— Continuando... Estava falando com o pessoal do trabalho e percebemos que certo tipo de Pokémon sumiu de todos os cantos.
— Sério? Que tipos de Pokémon? – perguntou o garoto fingindo não saber o que o homem iria responder.
— Eevees – um peso se abateu em Dave com a expressão que o homem fez. – Não achamos em lugar nenhum e precisamos deles para fazer algo.
— Ué, estranho não achar Eevees. Sei que são Pokémon raros, mas para uma empresa grande como a sua deveria ser mais fácil.
— Sim, mas... Parece que alguém os está escondendo de nós.
— Acha que poderia ser outra empresa que esta tentando sabotar vocês? – Dave enrugou a testa.
— Talvez. Tínhamos um Eevee perfeito. O Pokémon havia passado por todos os testes necessários para nossa pesquisa e colocou um ovo, esse ovo era o que nós precisávamos. – O homem comentou olhando para Dave com uma expressão psicopata, procurando qualquer esboço de reação no menino. – Por uma fatalidade, perdemos esse ovo. Agora nós estamos procurando outros Eevees selvagens para começar a pesquisa, mas é um processo longo e complicado de ser feito e demora no mínimo alguns anos para conseguirmos o que queremos então nós temos um sério problema.
— Thor – Drayden falou de repente. – Tenho notícias boas sobre o que vocês têm procurado. Tenho a impressão de que consegui algo de extrema importância para as pesquisas da sua empresa.
Thor pareceu verdadeiramente surpreso dessa vez.
— O que?
— Sim. Está guardado em um local seguro. Poderemos ver depois do jantar.
Dave começara a ficar preocupado. Ele tinha a ligeira impressão que abrir a porta embaixo da escada agora era de suma importância e verificar. Logo teria que fugir dali. Sem dúvidas estava jantando com dois criminosos e um deles, para sua própria vergonha, era seu pai.
"O que será que ele escondeu?" a cabeça de Dave martelava enquanto ele ainda fingia calma. "Ele conseguiu algum Eevee?! Ai, mas que merda! Pelo menos Ethan ta bem. Longe daqui"
Dave soltou um som de enjoo sem querer e os dois homens a mesa o encararam.
— Esta tudo bem? – os dois perguntaram quase ao mesmo tempo.
— Ta sim... – Dave respondeu lentamente. – Só estou um pouco enjoado. Se me derem licença, irei ao banheiro.
— Não demore. Logo dará meia noite, filho.
Dave abraçou a barriga fingindo estar passando terrivelmente mal. Andou lentamente em direção ao banheiro que ficava próximo à escada e consequentemente, próximo à porta.
Rapidamente sacou suas duas pokébolas e seus dois Pokémon e pediu por silêncio assim que eles saíram da pokébola.
— Shinx, Heracross – ele sussurrou se ajoelhando pra falar com eles – tenho algo para fazermos. Mas isso pode ser perigoso, então teremos que ser cautelosos. Tudo bem?
Os dois Pokémon assentiram e Dave começou a sussurrar o plano rapidamente para eles dois. Alguns segundos depois, seu relógio deu dois apitos, anunciando meia-noite. Dave olhou para Heracross e acenou com a cabeça.
— Agora – Dave disse enquanto os fogos de artifício eram soltos por toda Opelucid e deixando qualquer som abafado.
A pata dianteira de Heracross brilhou e ele usou o Quebra Telha na maçaneta, ao mesmo tempo em que o Shinx começava a brilhar usando Carga. O novo Pokémon de Dave começara a brilhar e entrou através da porta que Dave abriu e iluminou o local.
Logo após a porta, havia uma escada e ao fundo, dois vultos amarrados com um Pokémon vigiando. Dave reconheceu o Fraxure de seu pai e não hesitou em comandar:
— Shinx, use Spark nele – comandou calmamente sabendo que teria que ser rápido.
Seu pequeno Pokémon desceu as escadas correndo enquanto o brilho em seu corpo se tornava eletricidade. A velocidade adquirida foi tal que em instantes Shinx virou um brilho amarelo que entrou em choque com o Pokémon dragão no pé da escada.
Dave desceu as escadas e percebeu que o ataque de seu Pokémon havia paralisado o Pokémon de seu pai. Enquanto descia as escadas comandou:
— Hera, use o Quebra Telha de novo.
O Pokémon saltou dos degraus e desceu o a pata brilhando em cima da cabeça do Fraxure de seu pai. O Pokémon não aguentou e desmaiou na hora. Dave sabia que havia sido covardia, mas era o momento de se preocupar com outras coisas.
Ao pé da escada Dave identificou seus dois amigos e pulou os últimos degraus da escada. Ajoelhou-se e tratou de desatar os nós que prendiam os dois enquanto o cérebro trabalhava.
— O que vocês dois estão fazendo aqui?! – perguntou ele percebendo que o ritmo dos fogos do lado de fora diminuía enquanto eles estavam ali.
— Dave, é uma longa história – exclamou Ali e os outros dois perceberam o tom de culpa em sua voz.
— Cara, sinto muito. – Ethan falou – nós viemos investigar.
— Por que fizeram isso?! Era perigoso demais! – Dave reclamou enquanto ajudava Alice a se levantar.
— Depois conversamos sobre isso, temos que sair daqui! – Alice falou.
— Sim, mas como vamos passar todos nós pelo meu pai? – Dave perguntou.
— Não precisamos passar – Ethan falou enquanto soltava o seu Zorua. Olhou discretamente do Zorua para Dave para que só Alice visse o que ele estava fazendo. – Ali, chame seu Abra, ele pode nos teleportar daqui.
— Isso! Como pude me esquecer?! – Alice olhou para Dave e depois para Ethan, o garoto confirmou com a cabeça.
— Então é melhor retornar meus Pokémon. Por que soltou o seu Zorua? – perguntou Dave desconfiado.
— Nada demais – Ethan dizia enquanto o Abra aparecia.
— Abra, preciso que você nos teleporte de volta para o Centro Pokémon que estávamos. Você pode fazer isso? – Ali perguntou para seu Pokémon. Ele confirmou com a cabeça. – Ótimo, então vamos lá.
Dave deu a mão para o Pokémon e Alice aproximou-se sem tocar o Pokémon. Ethan percebeu que ela queria ficar. Mas não poderia permitir isso.
— Agora, Abra, teleporte! – Alice comandou enquanto Ethan dava um discreto passo para trás e dizia:
— Manda ele de volta, Ali – e empurrou a garota para cima do Pokémon enquanto os três sumiam graças ao teleporte de Abra.
Ethan olhou para o seu Pokémon e disse:
— Nossa vez de trabalhar, né amigo? – sorriu para o Zorua. – Preciso agora que você se transforme no Dave, consegue fazer isso?
Ethan observou o brilho roxo dominar seu Pokémon e aparecer uma réplica de Dave na sua frente encarando-o com um sorriso travesso.
— Agora, nós teremos a melhor piada do mundo pra fazer.
Notas finais
Próximo Capítulo:
O que será a brilhante ideia de piada de Ethan?
Como o garoto sozinho irá lidar com os dois homens perigosos que o aguardam lá em cima?
E como Alice irá reagir a ação inesperada de Ethan?
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