Notas iniciais
Essa demorou, mas espero que leiam q

— Você tem certeza que quer fazer isso, garoto? – perguntou Antonio, o cabelereiro mais famoso de Icirrus.

— Claro que tenho, moço. Pode fazer! – respondeu o cliente.

Antonio olhou para o jovem de cabelos negros em sua frente e respirou fundo. Não conseguia entender o gosto dos jovens. Maldita televisão que fazia os jovens com pensamentos desse tipo. Antonio olhou pela ultima vez o cabelo do menino e começou a cortar.

Ethan e Alice chegaram ao alto do morro que escalavam fazia duas horas e pararam para admirar a vista.

Icirrus era uma cidade muito bonita. Possuía uma elevação embaixo das casas, era uma cidade acima do nível do mar. A cidade se destacava de longe, por ser mais alta que o horizonte e a cobertura de neve deixava a visão mais incrível ainda. A chegada do natal tornava tudo mais belo. Os dois ficaram aliviados ao perceberem que logo estariam na cidade e não teriam que passar a noite fora, pois começava a esfriar seriamente.

— Então, pronta? – perguntou Ethan para Alice.

— P-p-pronta – respondeu a menina tremendo de frio.

— É, ta meio frio, não está? – perguntou o garoto olhando para a amiga tremendo. Sua consciência pesou e ele tirou seu casaco e estendeu a ela – toma, veste. Não quero que você fique doente.

O comentário arrancou um sorriso da menina e ela abraçou Ethan na hora, deixando-o sem graça. A garota parecia ter o dom de deixa-lo sem graça, sempre que queria.

— Você é um fofo – ela respondeu, deixando Ethan vermelho.

As pessoas andavam apressadas nas ruas, correndo de um lado para o outro. Entravam em lojas e saiam cheias de bolsas e corriam para outras lojas. As vitrines estampavam diversos tipos de brinquedos, roupas. O natal em Icirrus parecia meio rústico, mas ao mesmo tempo era bonito.

Ethan e Alice se encaminharam para o Centro Pokémon que ficava no meio da cidade e entraram. Ethan chegou quase até o balcão quando percebeu que Alice havia ficado para trás. Girou olhando para os lados e a viu no balcão da loja do Centro Pokémon.

— Ali? – perguntou o garoto olhando para ela.

— Eu tenho umas coisinhas pra fazer, vai falando com a enfermeira Joy – a garota sorriu.

Ethan andou até o balcão e disse:

— Bom dia, eu gostaria de fazer uma pergunta.

— Diga, meu jovem – a enfermeira sorriu.

— Eu gostaria de saber se um amigo meu veio para cá esses dias... – Ethan olhou-a nos olhos. – O nome dele é Dave.

— Olha, desculpa... Eu gostaria de ajudar, mas... Nenhum Dave apareceu por aqui – a enfermeira desviou o olhar enquanto respondia.

Ethan sabia que ela estava mentindo, mas acusa-la de mentirosa e gritar apontando o dedo para o rosto dela não iria ajudar muito, então ele tentou de novo.

— Mas você tem certeza? Nem deu uma olhada no computador – ele falou com o tom de voz que usava para pedir as coisas para os pais. – Olha, eu preciso muito falar com ele! Ele me mandou um recado, dizendo que fugiu de casa e veio para cá. Tenho quase certeza de que veio para esse centro Pokémon.

— Olha, outros integrantes do seu grupo já vieram aqui, e eu disse que ele não está – a enfermeira respondeu nervosamente. – Acho que ele simplesmente foi para outra cidade, não acha?

— Ahn... Que grupo? – Ethan ficou confuso. – Pera, a senhora não acha que eu sou da Grimm Grotto não, né?! – perguntou horrorizado.

— Não fale esse nome tão alto, garoto! – ela respondeu mais nervosa ainda. – você realmente não é do grupo?

— Não – ele respondeu com os olhos arregalados. – ó, eu tenho até um Eevee... – disse ele mostrando a mochila para a mulher enquanto Vee colocava a cabeça para fora e sorria para ela.

— Isso não prova nada, garoto – ela disse.

— Aparentemente, eles querem Eevees e ninguém sabe o porquê. – Ethan respondeu – Eles vêm tentando pegar o MEU Eevee e isso é terrivelmente frustrante.

— Bem... – a enfermeira Joy falou calmamente – Ele está hospedado aqui sim. Mas saiu cedo, não disse aonde ia e nem avisou que horas voltaria. Só sei que vai voltar, pois deixou suas coisas no quarto.

— Ta, então eu vou fazer uma reserva aqui para dois quartos – Ethan falou enquanto Alice chegava ao balcão.

— Um para você e um para sua namorada? – perguntou Joy sorrindo.

— Ahn... nós não somos... – Alice falou sem graça.

— Ah, me desculpe! – a atendente logo tratou de se desculpar – É uma pena. – e logo voltou a mexer no computador.

— Eu não entendo por que as coisas aqui tem que ficar tão no alto! – resmungou Alice enquanto eles passavam na frente das vitrines de Icirrus.

A neve caía aos poucos, fina e leve, deixando uma pequena camada branca em quase tudo. Ethan havia trocado o boné pela toca de Banette que continuava jogada na mochila e estava vestido com um blusão quadriculado por baixo do casaco que Alice havia lhe dado. Alice, ao seu lado, usava animadamente outro blusão dele, e parava em cada vitrine com artigos de natal.

— Nem pense nisso – comentou ele rindo.

— Mas são tão lindos! – ela olhou para ele com os olhos brilhando – Quero comprar tudo!

— Nós quase não temos dinheiro, por que gastar com essas coisas? – ele respondeu andando.

Mais um pouco a frente, uma pequena multidão se formava. Pessoas se juntavam em um círculo e bloqueavam a visão dos dois do que estava acontecendo. Ethan puxou Alice pelo braço, que fez menção de parar novamente em outra das lojas natalinas.

Os dois se enfiaram entre as pessoas paradas e viram que era uma batalha Pokémon. De um lado, um menino moreno com um casaco enorme controlava um Ralts. Do outro lado, havia um menino com cabelo verde que estava raspado na esquerda controlando um Heracross.

Ethan pegou a Pokédex e mirou para os dois Pokémon.

— Heracross, o Pokémon com um Único Chifre. Heracross é um Pokémon do tipo Inseto-Lutador e possui uma carcaça muito resistente. – A agenda eletrônica anunciou e algumas pessoas ao redor olharam para ela – Ralts, o Pokémon sensitivo. Esse Pokémon pode usar seu chifre para ler sentimentos humanos, normalmente, um Pokémon muito tímido.

Ethan sorriu ao lembrar-se de onde conhecia o primeiro garoto e gritou:

— Ei, Greg! Quanto tempo! Vai lá, cara!

O outro garoto pareceu irritado com a torcida repentina e comandou rapidamente:

— Heracross, Quebra-Telha! – o Pokémon-besouro saltou em direção do Pokémon psíquico com uma pata dianteira brilhando.

Greg, distraído com o chamado repentino, não conseguiu comandar rapidamente algo e seu Pokémon foi acertado em cheio. O efeito do ataque foi catastrófico e a luta se encerrou naquele movimento.

O garoto de cabelo verde sorriu e gritou:

— Eu disse que ganhava de você, cara! Resolveu se meter comigo no dia errado.

— Ah, cara! Foi você que se meteu comigo, caramba! – respondeu Greg, e então olhou pra cara de Ethan irritado – Por acaso eu te conheço?!

Ethan pensou em responder, mas achou melhor não. Algumas pessoas olhavam para ele e se perguntavam se o menino era Hilbert mesmo. Ethan se esquecera desse detalhe. Então simplesmente achou melhor não falar nada. O garoto de cabelo raspado aproveitou a chance para falar:

— E então, existe alguém aí que aceita me desafiar?! – todos ficaram em silencio – vamos lá, galera. Natal, ninguém quer? Ó, vão ganhar mil pratas de mim! Que tal, ahn?

Alice olhou para Ethan e disse:

— Por que tenho a impressão de que o conheço?

— Não sei, mas vamos lá, acho que eu vou enfrentar ele – Ethan falou e deu um passo a frente. – Ei, qual é o seu nome?

— Eu não vou falar meu nome! – respondeu o outro garoto.

— Vamos fazer o seguinte, se eu ganhar, você me fala seu nome também? – perguntou Ethan, estranhando a atitude do garoto.

— Claro, como se isso fosse possível! – o garoto riu.

Ethan sacou a pokébola e jogou para frente.

— Vai, Litwick! – ele chamou sua Pokémon fantasma.

A pequena vela saiu e levantou os braços olhando para o Pokémon adversário. Todos ficaram em silencio e a expressão arrogante do garoto mudou para irritado. Ethan sorriu para ele e falou:

— É impressão minha, ou essa é uma luta vencida?

— Cala boca, garoto. Heracross, Soco Focalizado!

O Pokémon inseto obedeceu e realizou o movimento enquanto Ethan observava impassível o ataque atravessar Litwick. O garoto, irritado, começou a comandar uma série de ataques ao mesmo tempo.

— Soco Dinâmico, Quebra-Telha, Combate Próximo! – o Pokémon obedeceu todos os ordenados e Litwick olhou para Ethan, confusa, isso causou uma série de risos no público. – MEGA CHIFRE! – o garoto gritou.

— Evasiva – comandou Ethan rapidamente e sua Pokémon pulou para o lado – Agora, Litwick! Explosão de Fogo!

Um jorro de fogo voou em direção ao Pokémon inseto do adversário. Heracross estava caído quando as chamas sumiram, mas mesmo assim ele corajosamente levantou e ergueu a cabeça.

— Isso aí, Heracross! Vamos lá, Mega Chifre de novo! – gritou o outro garoto.

— Litwick, Roda de Fogo! – Ethan comandou e sua Pokémon foi envolta por chamas roxas que cobriram um círculo ao redor de seu corpo e sua Pokémon partiu em direção do Heracross.

O chifre brilhante do Pokémon entrou em contato com a roda de fogo de Litwick e os dois foram arremessados para trás. Litwick caiu em pé, mas Heracross ficou desacordado no chão. Ethan olhou nos olhos do garoto e esperou para ver o que ele ia fazer. Os olhos do menino brilharam e ele chamou seu Pokémon desmaiado de volta para a pokébola.

— Parabéns, Litwick! – Ethan e Alice disseram ao mesmo tempo. Ele olhou para trás e sorriu para a garota.

— Vamos lá falar com ele – Ali disse enquanto a multidão ia se dissipando.

Os dois foram andando em direção ao garoto quando ele do nada exclamou:

— Ali?! – ele olhava diretamente para a garota.

— É, decididamente vocês se conhecem – Ethan falou olhando para Alice – Então, eu queria saber seu nome...

— Espera, eu conheço sua voz! Como não percebi antes! Ethan! Ethan é você! – ele começou a gritar olhando para os dois.

— Ahn... – Ethan exclamou e começou a buscar na memória de onde conhecia aquela voz. Uma lembrança antiga, meses antes, quando chegara do jardim e sua mãe disse que tinha uma ligação para ele – DAVE?!

Alice arregalou os olhos e abraçou o menino. Ethan olhou para eles e se sentiu levemente desconfortável. O garoto estendeu a mão para ele apertar e eles trocaram um rápido abraço.

— Finalmente achamos você – Ethan exclamou.

— Estavam me procurando? – Dave perguntou, sua expressão ficando sombria. – Duvido.

— Dave, temos muita coisa para conversar – falou Alice.

O garoto de cabelo verde colocou a mão no bolso e estendeu um bolinho de notas para Ethan.

— Feliz natal, cara – Ethan não pegou o dinheiro – Vamos, pega. Tem muito aí, e, além disso, eu prometi.

— Natal não é hoje – Ethan falou sorrindo.

— Mas tá chegando e eu cumpro minhas palavras.

Ethan pegou o dinheiro de má vontade e guardou no bolso.

— Nós realmente precisamos conversar.

Os três entraram no quarto que Ethan havia reservado para ele no Centro Pokémon e Eevee logo tratou de sair da mochila e pulou para cima da cama, tomando posse dela.

— WOW, você tem um Eevee! – exclamou Dave.

— Sim, mas isso é um segredo. Nós temos seriamente que conversar. – Ethan fechou a porta do quarto rapidamente.

Alice sentou-se na cama e colocou Vee no colo, o Pokémon pareceu ficar extremamente confortável ali. Dave puxou a cadeira da escrivaninha e sentou-se. Ethan abriu a janela e sentou-se no apoio dela.

— Então, posso saber por que me abandonaram? – Dave olhava de um para o outro.

— Dave, preciso te contar umas coisas... – e dizendo isso, Ethan começou a narrar a mesma história que contou para Alice. Acrescentou, é claro, os fatos que ocorreram desde que ele e Alice se encontraram e Dave pareceu entender a mudança física de Ethan. – Entendeu tudo?

— Na verdade, não muita coisa. Tem algumas coisas que eu quero saber – respondeu Dave – A primeira é: Por que não insistiu para lutar com Elesa? Tem algo de errado nisso, que tipo de treinador Pokémon é você que não faz nada, além de seguir em frente?

— Eu disse que estou sendo perseguido, não posso parar – Ethan falou nervosamente. – Mudei de visual, mas aparentemente, um dos caras sabe quem sou eu.

— Mesmo assim, tem algo de errado. Por que você não fala com a polícia, ou qualquer coisa? Tem algo te impedindo?!

— Não – Ethan começava a ficar com medo de ficar sem argumentos, pois sabia que aquilo iria acontecer alguma hora. – É só que Roxie disse para não confiar na polícia.

— Desde quando ela sabe de tudo? – dessa vez quem perguntou foi Alice. Ela parecia ofendida, mas Ethan não conseguiu entender com o que. Sua expressão demonstrava desdém.

— Ela não sabe de tudo, mas foi ela quem me ajudou quando... – Ethan se segurou, cometera um erro absurdo ao começar a frase dessa maneira.

“Bosta, bosta, bosta, bosta, bosta!” pensou o garoto.

— Quando...? – Dave perguntou.

— Quando a Grimm Grotto começou a me seguir – respondeu Ethan aliviado por pensar rápido.

Um silencio incomodo dominou o lugar e Ethan sabia que a desculpa não tinha colado. Sabia que alguma hora, colar cacos com chiclete daria errado, mas mesmo assim respirou fundo e manteve a expressão de serenidade que estava fazendo.

— Essa conversa ainda não acabou – Dave falou.

— Eu sei – Ethan respondeu de forma triste.

Dois dias depois, veio o Natal. E com ele, veio a necessidade de comprar presentes. Ethan partiu cedo na manhã do dia 24 e comprou presentes para os dois amigos. Enquanto andava de volta, refletiu sobre como parecia que Dave estava escondendo alguma coisa. Os dois dias com o amigo haviam sido estranhos. Os dois treinaram quase o tempo todo, e quando não estavam treinando, Ethan ficava junto de Alice, que parecia se divertir fazendo desenhos de Pokémon.

Ethan guardou os dois presentes na mochila e se encaminhou para o quarto, colocou os dois lá e chamou Eevee. O Pokémon pulou para dentro da mochila e eles foram para o campo reservado do Centro Pokémon para treinar.

Depois de duas horas, Dave desceu e começou a treinar com eles. Ethan e ele pareciam ter uma barreira emocional invisível que os afastava, mas mesmo assim, Ethan se importava demais com o garoto. Dave, de certa forma ainda culpava Ethan e Alice por terem deixado ele para trás, sem nem avisar, mas mesmo assim, parecia fazer um esforço para entender o lado deles e Ethan conseguia enxergar isso.

— Precisamos conversar – Dave falou do nada e sentou-se no chão.

Ethan sentou ao seu lado e esperou que ele começasse.

— Sabe, você até agora não perguntou porque fugi de casa.

— Eu achei que fosse me dizer quando estivesse pronto – Ethan olhou para o amigo. – Achei melhor respeitar o seu espaço.

— Então, — o garoto continuou, olhando para o chão de terra da Área Reservada – minha mãe morreu há um tempo e desde então, meu pai está de certa forma obcecado. Ele, desde então, tem tentado arrumar todas as maneiras de deixar seus Pokémon mais fortes. – o olhar de Dave estava perdido na história contada – Minha irmã começou a me chamar para morar com ela e minha sobrinha. Mas eu achei que não deveria. Ainda tinha uma esperança de que meu pai mudasse.

Ethan olhou para o amigo e ficou em duvida se deveria dizer alguma coisa ou não, então preferiu ficar em silencio.

— Com o tempo, ele começou a ficar mal e sumir. Ele sempre dizia que ia sair com um amigo, mas nunca conheci nenhum dos amigos dele. Ele começou a não ir aos encontros da Liga e coisas do tipo. Uma vez, escutei uma conversa dele em que ele falava que seu emprego estava ameaçado. Aparentemente, ele fez alguma coisa para intimidar os outros líderes. – Ethan entendeu o motivo de Dave ter começado a conversa. – Eu comecei a querer sair de casa, mas meu pai não deixou. Ele estava paranoico e achava que eu ia morrer também. Então, você e Ali sumiram.

— Me desculpe por isso – Ethan falou com um aperto no coração.

— Eu resolvi fugir – continuou Dave ainda no transe da história. – No dia que tentei fugir, Burgh foi lá em casa e tentou convencer meu pai a enfrentar alguém. Esse alguém era a Grimm Grotto. Meu pai disse que não queria tomar partido, então Burgh foi embora. Tinha alguém escondido lá em casa. – a voz de Dave começou a falhar. – Ethan, acho que meu pai é o traidor.

Notas finais
Divirtam-se e comentem.