Pokémon - Boundaries Crossed
2 Prólogo - Ky
Notas iniciais
Havia um pequeno tumulto no porto da cidade de Castelia. Um grupo furioso de pessoas berrava para um marinheiro, que não sabia como lidar com a situação.
–Ora, vamos, tenho uma reunião com alguns diretores de cinema em Virbank, preciso sair logo! — Dizia um homem de meia idade que vestia roupas verdes e uma boina em contraste com a barbixa.
–EU VOU PERDER O NASCIMENTO DA MINHA NETA! — Gritava uma mulher com muita raiva
–Acalmem-se, pessoal, estamos tentando resolver o problema...
O marinheiro que estava ali para conter o povo parecia muito sem jeito. Estava vermelho, olhava para baixo e gesticulava muito com as mãos. Apesar de estar falando alto, sua voz estava sendo soterrada pela avalanche de vozes em protesto.
Atrás da multidão, dois jovens estavam observando a confusão. A mais velha, uma linda jovem de cabelos loiros e óculos de armação grossa e vermelha, e que usava um chapéu exageradamente grande e verde junto com uma jaqueta laranja, estava na ponta dos pés para tentar ver o que acontecia lá na frente.
–Mas porque não estão embarcando? — Choramingou Bianca.
O outro jovem, de rosto sério e braços cruzados, parecia estar ficando irritado com aquele barulho. Com um suspiro, avisou a Bianca que iria ver o que estava acontecendo, e começou a empurrar todos naquele mar de pessoas usando os ombros.
Lá na frente de tudo, o marinheiro estava parecendo que ia chorar, de tão constrangido que estava. Recebia xingamentos a todo o momento, como se ele fosse o culpado pelo atraso, e constantemente abaixava a cabeça em reverência e pedia desculpas. O jovem, que finalmente conseguiu chegar na entrada do navio, colocou a mão no ombro encurvado do marinheiro. O garoto era alto, e quando falou, mostrou uma voz seca e sem emoção.
–Por favor, senhor, poderia me explicar o que está acontecendo aqui?
O marinheiro encarou os fundos olhos castanhos do menino e pareceu ter entendido a solidariedade do garoto. Colocou-se de pé e pareceu relaxar um pouco, mas quando foi falar, foi interrompido novamente pelos furiosos passageiros.
–Quietos. — Bradou o jovem. Cerrou os olhos, e os punhos, numa posição imponente, que fez todos em umas três fileiras se calarem na hora. — Continue, senhor.
–Hum, bem... — O marinheiro estava tentando não gaguejar. — Acho que quando atracamos no último porto de Sinnoh, antes de vir para cá, um Rotom entrou no nosso navio sem ninguém ver. Quando chegamos aqui, ele invadiu os sistemas, e agora não deixa nós controlarmos o navio. Temos sorte que ele ainda não sabe como controlá-lo, porque quando souber, estaremos ferrados.
–Tem certeza de que é só um Rotom? Bem, então eu dou um jeito nisso.
–Ei, mas você não pode entrar no navio sem autorização!
Mas o garoto pareceu não ter escutado. Pulou as correntes que impediam a passagem, apertou as luvas sem dedos enquanto subia as escadas, e desapareceu pelo portão principal do navio.
–Aonde ele vai? — Perguntou-se Bianca.
–-
–Odin, fique atento.
Estava o jovem e um enorme besouro azul, com um longo chifre e um rosto amigável, na sala de controle do navio. As luzes estavam apagadas, tendo só um feixe de luz iluminando a sala, que vinha do grande óculos de snowboard que o garoto tinha na testa. Os dois olhavam para os computadores, procurando por algum sinal do Pokémon fora de controle. Com um tom de desdém, o garoto disse:
–Pois é, Odin, parece que esse Rotom é medroso demais para nos encarar. Vamos embora antes de sermos contagiados pela covardia dele.
O plano pareceu ter funcionado. Um pokémon laranja e azul saiu dos computadores, soltando raios para todos os lados. Não parecia muito contente com as palavras do jovem. Ele avançou contra os dois com raios nos olhos, o jovem pulando para o lado e o besouro ficando em posição de defesa.
–Odin, distraia-o enquanto eu dou um jeito nele! Use Brick Break!
O Heracross, de apelido Odin, avançou contra Rotom com um soco para baixo, que atravessou o Pokémon fantasma, mas o deixou assustado por tempo suficiente para o garoto usar uma bomba de fumaça e deixar o local totalmente coberto por uma densa fumaça roxa.
O Rotom ficou confuso. Não via e nem escutava nada. Quando tentou avançar contra uma direção, sentiu-se sendo puxado por alguma força. Quando a fumaça abaixou, o garoto confirmou: uma pokébola estava rolando pelo chão. Após algumas balançadas, ela finalmente para de piscar, e o garoto havia capturado um novo Pokémon.
–Fácil deamais.
–-
As pessoas embarcavam. Todos ganhavam uma cesta de pães doces como pedido de desculpas pelo problema. Quando foi a vez de Bianca embarcar, o garoto estava esperando-a nos portões. O marinheiro que estava mais cedo nos portões presenteou-a com uma cesta de pães.
–Desculpe-nos pelo transtorno, senhorita. Esperamos que não fiquem chateados com o ocorrido!
–Ora, que isso! — Disse ela, rindo. -Estamos acostumados a problemas com pokémons. Somos assistentes de pesquisa da Professora Juniper.
–Ahá! Então é por isso que esse jovem conseguiu resolver tão rápido a situação! — O marinheiro deu um tapinha nas costas do jovem. -E por falar isso, ainda não perguntei o nome do nosso herói.
–Meu nome é Ky. E não me chame de herói. Só fiz meu trabalho.
Ele olhou por um momento para Bianca e enrubesceu.
–Bem, então vamos! Próxima parada, a cidade de Virbank! — Bianca gritou, levantando o punho em um gesto de excitação. Ky assentiu. Ambos entraram pelos portões do navio, enquanto o marinheiro gritava "Todos a bordo!", e o navio soltava nuvens repolhudas de fumaça pelas chaminés.
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