Notas iniciais
Não quis fechar um capítulo inteiro. Pra fazer isso, teria que já interligar a história dos protagonistas. Então, escrevi um pequeno prólogo, para apresentar o segundo protagonista da fic. Espero que curtam!

Havia um pequeno tumulto no porto da cidade de Castelia. Um grupo furioso de pessoas berrava para um marinheiro, que não sabia como lidar com a situação.

–Ora, vamos, tenho uma reunião com alguns diretores de cinema em Virbank, preciso sair logo! — Dizia um homem de meia idade que vestia roupas verdes e uma boina em contraste com a barbixa.

–EU VOU PERDER O NASCIMENTO DA MINHA NETA! — Gritava uma mulher com muita raiva

–Acalmem-se, pessoal, estamos tentando resolver o problema...

O marinheiro que estava ali para conter o povo parecia muito sem jeito. Estava vermelho, olhava para baixo e gesticulava muito com as mãos. Apesar de estar falando alto, sua voz estava sendo soterrada pela avalanche de vozes em protesto.

Atrás da multidão, dois jovens estavam observando a confusão. A mais velha, uma linda jovem de cabelos loiros e óculos de armação grossa e vermelha, e que usava um chapéu exageradamente grande e verde junto com uma jaqueta laranja, estava na ponta dos pés para tentar ver o que acontecia lá na frente.

–Mas porque não estão embarcando? — Choramingou Bianca.

O outro jovem, de rosto sério e braços cruzados, parecia estar ficando irritado com aquele barulho. Com um suspiro, avisou a Bianca que iria ver o que estava acontecendo, e começou a empurrar todos naquele mar de pessoas usando os ombros.

Lá na frente de tudo, o marinheiro estava parecendo que ia chorar, de tão constrangido que estava. Recebia xingamentos a todo o momento, como se ele fosse o culpado pelo atraso, e constantemente abaixava a cabeça em reverência e pedia desculpas. O jovem, que finalmente conseguiu chegar na entrada do navio, colocou a mão no ombro encurvado do marinheiro. O garoto era alto, e quando falou, mostrou uma voz seca e sem emoção.

–Por favor, senhor, poderia me explicar o que está acontecendo aqui?

O marinheiro encarou os fundos olhos castanhos do menino e pareceu ter entendido a solidariedade do garoto. Colocou-se de pé e pareceu relaxar um pouco, mas quando foi falar, foi interrompido novamente pelos furiosos passageiros.

–Quietos. — Bradou o jovem. Cerrou os olhos, e os punhos, numa posição imponente, que fez todos em umas três fileiras se calarem na hora. — Continue, senhor.

–Hum, bem... — O marinheiro estava tentando não gaguejar. — Acho que quando atracamos no último porto de Sinnoh, antes de vir para cá, um Rotom entrou no nosso navio sem ninguém ver. Quando chegamos aqui, ele invadiu os sistemas, e agora não deixa nós controlarmos o navio. Temos sorte que ele ainda não sabe como controlá-lo, porque quando souber, estaremos ferrados.

–Tem certeza de que é só um Rotom? Bem, então eu dou um jeito nisso.

–Ei, mas você não pode entrar no navio sem autorização!

Mas o garoto pareceu não ter escutado. Pulou as correntes que impediam a passagem, apertou as luvas sem dedos enquanto subia as escadas, e desapareceu pelo portão principal do navio.

–Aonde ele vai? — Perguntou-se Bianca.

–-

–Odin, fique atento.

Estava o jovem e um enorme besouro azul, com um longo chifre e um rosto amigável, na sala de controle do navio. As luzes estavam apagadas, tendo só um feixe de luz iluminando a sala, que vinha do grande óculos de snowboard que o garoto tinha na testa. Os dois olhavam para os computadores, procurando por algum sinal do Pokémon fora de controle. Com um tom de desdém, o garoto disse:

–Pois é, Odin, parece que esse Rotom é medroso demais para nos encarar. Vamos embora antes de sermos contagiados pela covardia dele.

O plano pareceu ter funcionado. Um pokémon laranja e azul saiu dos computadores, soltando raios para todos os lados. Não parecia muito contente com as palavras do jovem. Ele avançou contra os dois com raios nos olhos, o jovem pulando para o lado e o besouro ficando em posição de defesa.

–Odin, distraia-o enquanto eu dou um jeito nele! Use Brick Break!

O Heracross, de apelido Odin, avançou contra Rotom com um soco para baixo, que atravessou o Pokémon fantasma, mas o deixou assustado por tempo suficiente para o garoto usar uma bomba de fumaça e deixar o local totalmente coberto por uma densa fumaça roxa.

O Rotom ficou confuso. Não via e nem escutava nada. Quando tentou avançar contra uma direção, sentiu-se sendo puxado por alguma força. Quando a fumaça abaixou, o garoto confirmou: uma pokébola estava rolando pelo chão. Após algumas balançadas, ela finalmente para de piscar, e o garoto havia capturado um novo Pokémon.

–Fácil deamais.

–-

As pessoas embarcavam. Todos ganhavam uma cesta de pães doces como pedido de desculpas pelo problema. Quando foi a vez de Bianca embarcar, o garoto estava esperando-a nos portões. O marinheiro que estava mais cedo nos portões presenteou-a com uma cesta de pães.

–Desculpe-nos pelo transtorno, senhorita. Esperamos que não fiquem chateados com o ocorrido!

–Ora, que isso! — Disse ela, rindo. -Estamos acostumados a problemas com pokémons. Somos assistentes de pesquisa da Professora Juniper.

–Ahá! Então é por isso que esse jovem conseguiu resolver tão rápido a situação! — O marinheiro deu um tapinha nas costas do jovem. -E por falar isso, ainda não perguntei o nome do nosso herói.

–Meu nome é Ky. E não me chame de herói. Só fiz meu trabalho.

Ele olhou por um momento para Bianca e enrubesceu.

–Bem, então vamos! Próxima parada, a cidade de Virbank! — Bianca gritou, levantando o punho em um gesto de excitação. Ky assentiu. Ambos entraram pelos portões do navio, enquanto o marinheiro gritava "Todos a bordo!", e o navio soltava nuvens repolhudas de fumaça pelas chaminés.