Pokemon Vírus
7 Capitulo 7 - O maior Crime da História
Notas iniciais
Pokémon Vírus
Capitulo 7 — O maior Crime da História
“Acho que agora eu tenho um tempo livre...”
David Freeman forçava a se esquecer dos poucos minutos dentro daquela lanchonete, mas não conseguia. Tudo aquilo ainda martelava em sua cabeça, por mais fútil que fosse. A garota suspeita criando confusões, as batalhas suspeitas, seus treinadores suspeitos, o milk shake de chocolate, com seu suspeito sabor adocicado demais...
Não conseguia esquecer nenhum deles. Mas sabia que o que mais lhe deixava daquela forma era o velho amigo que encontrara.
“Joe...”
Ou o mundo era indubitavelmente muito pequeno, ou ele simplesmente gostava de brincar com a sua cara. Porque encontrar aquela pessoa, naquela lanchonete, naquele dia parecia ser mais que uma coincidência. Mas ele não conseguiu aceitar muito bem a segunda opção, teve que ficar com a primeira...
Procurava motivos para que Joe ainda estivesse naquela cidade. Já deveria estar muito longe dali, se já se passara vários dias que estivera em coma. Sabia que não era por ele. Se existia alguém naquele mundo mais cabeça dura que David, era o Willys. Nenhum dos dois iria voltar atrás.
- Olha por onde anda!!! – reclamou um homem de dentro de um veículo, ao mesmo tempo em que o som de várias buzinas preenchiam o ar.
Levou alguns segundos para que o garoto entendesse onde estava: o centro de uma avenida movimentada, o sinal de pedestres fechado. Correu aos tropeços para o outro lado, e logo já nem lembrava mais que Joe Willys existia.
Andava por Viridian. Era uma cidade tão grande, tão cheia de atrações. Mas ele não encontrava nada muito interessante naquele momento. Nem com número inacreditável de livrarias, sebos e bibliotecas, não sentiu vontade de entrar em nenhum deles.
Não quis fazer nada, simplesmente porque não sabia o que iria fazer.
Tinha saído de casa, querendo ser um treinador, sem pokémon nenhum, e continuava ali, depois de uma semana, sem pokémon nenhum. Estava livre, faria o que quisesse, mas estava sozinho. Não tinha companhia, ninguém para ajudá-lo. Perdia todos que estavam perto dele, mesmo que não tivesse culpa.
Devia ser alguma habilidade oculta, se afastar das pessoas naturalmente. Abandonara sua mãe, perdera um grande amigo, a oportunidade de capturar um pokémon...
Se perguntava se no futuro a vida lhe daria oportunidades para voltar e recuperar tudo o que deixava para trás. Se perguntava se não estava entrando em um caminho sem volta...
Um caminho sem volta. Acima de tudo isso, perdera seu pai.
O único que ele realmente perdera e tinha certeza que nunca poderia mais ver. Não poderia mais voltar. Não com aquilo. Estava ficando difícil suportar todo aquele peso e a culpa que acrescentava a si mesmo. Jogou-se em um banco, tentando organizar a mente.
Dois anos. Por dois anos, ele ficou preso em sua casa, inconscientemente esperando o tempo todo pela oportunidade de sair dali e ser alguém. E o que era agora? Um nada.
Todo esse tempo, nada.
Não, era pior que isso. Acabara ocasionando a morte de seu próprio pai. Ele era o culpado, por causa daquela sua idéia egoísta de ir treinar pokémon.
\"Olha onde eu estou agora...\", uma lagrima solitária rolou pelo seu rosto.
De novo, estava sendo egoísta. Estar ali agora parecia o mesmo que dizer: \"Eu quero ser um treinador, e não estou nem ai se meu pai morrer por isso\"
A culpa era toda sua.
Seu corpo agiu de forma involuntária, enquanto ele notava que já estava com aquela carta que encontrara a uma semana. E que há uma semana, mudara sua vida.
Quando você ler isso, provavelmente eu já estarei morto.
Certo. Ele iria morrer. E sabia disso.
Mas não é muito normal alguém saber o dia de sua morte. Principalmente se neste dia acontece uma catástrofe a nível mundial.
É bom mesmo você não se preocupar com isso hoje, pelo menos não no dia em que você começará sua jornada.
Também sabia que por algum motivo, seu filho não leria a carta no mesmo dia em que ele escreveu.
Inicialmente, aquilo parecia óbvio a qualquer um, porque uma criança no inicio de uma jornada é ansiosa demais para começar lendo cartas. Mas não David. Ele era a pessoa que começaria lendo cartas, se tivesse tido tempo ao menos de abrir o livro naquele dia fatídico.
Não poderei te ajudar no futuro, por isso, lhe deixo com esta carta alguns objetos que poderão ser úteis na sua aventura.
E ele iria aguardar ansiosamente o momento em que aqueles itens tão estranhos poderiam lhe ajudar.
A mão que não estava na carta agarrou a PokeNav em seu livro aberto, e tentou ligá-la algumas vezes.
Não importa o que os outros digam não se deixe influenciar por ninguém e seja apenas o que você quiser. O mundo poderá mudar bastante, mas se você quiser viver nele, viva, pois a vida é sua, é você tem o direito de seguir o caminho que quiser. Não desista de forma alguma dos seus sonhos.
Nesta parte, ele chegara à conclusão de que simplesmente seu pai tinha certeza absoluta de que ia acontecer alguma coisa naquele dia. Uma catástrofe, aliás, pelo que ele dizia.
\"Mas é claro, catástrofes acontecem com frequência. É normal um pai falar previamente de uma delas\", o garoto se surpreendeu quando percebeu que já estava se permitindo algumas ironias.
O que ele entendeu com aquilo tudo? A morte do seu pai fora proposital. O objetivo do assassino era matar seu pai, e não o professor Carvalho, como todos pensavam. Simplesmente foi uma coincidência o cientista estar lá naquele momento.
Riu um pouco com aquilo. Era irreal. Ele desconfiava de uma verdade que nunca seria conhecida pelo resto do mundo. Ele conhecia \"O segredo\".
Se perguntou quantas pessoas no mundo conseguiriam chegar a conclusões ao menos parecidas com as dele. Se perguntou se conseguiria encontrar algumas destas pessoas. Desta vez, ele desejou que o mundo fosse realmente muito pequeno. Suspirou.
“Então, alguém matou meu pai...”, analisava pela enésima vez tudo que tinha naquele livro, lutando contra as lágrimas que sempre insistiam em sair quando pensava em seu pai falecido.
E ele queria descobrir quem foi. Queria ser reconhecido por algum grande feito. Queria descobrir a localização do homem que matara seu pai, poder olhar nos olhos do assassino e dizer: Eu sei quem você é.
Finalmente, encontrara seu objetivo. Agora tinha o que fazer. Sozinho, com alguma companhia. Não importava, ele iria descobrir. E iria desmentir o maior crime da história.
Devolveu os objetos ao livro e pegou o caderninho de anotações. Mas não pôde escrever nada.
\"Minha caneta...\"
Não quis se demorar muito mais ali. Guardou seu livro na mochila, e voltou a vagar pela cidade, desta vez, procurando alguma fonte de pesquisa. Estava frustrado, por que desta vez não encontrava nada. Bibliotecas, livrarias, tudo havia sumido.
Tentou refazer seu caminho por onde viera, mas estava completamente perdido. Viridian era um lugar grande demais. Ansioso, despertou uma de suas piores manias: contar os próprios passos.
1, 2, 3,4...
Um grupinho de pessoas passou correndo por ele. Esbarrou em uns três. Não estava olhando por onde andava, simplesmente andava. Seus olhos se ocupavam em olhar os pés.
13, 14, 15,16...
Chutou a calçada quando não percebeu que ia de encontro a um hidrante.
27, 28,29...
Quase fora atropelado por um carro que não quis parar por causa de um garoto estranho que atravessava a rua na hora errada.
39, 40, 41,42...
Um Murkrow se viu obrigado a desviar seu vôo para não acertar o garoto, mas foi de encontro a um poste.
Ele estava no 78 quando tropeçou na maior biblioteca que já vira em toda sua vida. A construção ostentava um ar majestoso em todos os seus três, talvez quatro andares. Um numero enorme de janelas e um outro valor mais assustador de degraus na escadaria de mármore ainda ao lado de fora do prédio.
Entorpecido com a frente da biblioteca, ele não perdeu tempo correndo direto para seu interior. Mas claro, não sem antes cair umas duas vezes naqueles degraus, nunca tivera muita sorte com escadas.
Ficou ainda mais maravilhado com o que viu. O lugar era gigante. Ele olhava pelo corredor central, mas não conseguia ver o fim. Parecia que estava no melhor de todo os seus sonhos.
O numero de estantes, sessões, livros, artigos, textos e poltronas confortáveis ali dentro parecia ser infinito. E o melhor de tudo: Ele tinha todo o tempo do mundo para ler o que quisesse ali.
Os funcionários da biblioteca sorriram ao ver todo o encanto do garoto, mas não ousaram ir até ele e lhe direcionar aquela tão conhecida frase: \"Posso ajudar?\"
Sem saber por onde começar, David passou por uma primeira sessão. Já tinha parado, com o primeiro livro que achara. Era alguma coisa sobre Geografia e o continente Kanto. Se dirigiu com o livro na mão a uma das poltronas, sem tirar os olhos dele nem um segundo, quase atropelando um baixinho que carregava com dificuldade uma caixa do tamanho de uma geladeira.
A região de Kanto é uma é uma das mais \"puras\" do planeta. Situa-se praticamente ao meio dos hemisférios e, consequentemente, não sofre de condições climáticas extremas, com estações pouco definidas. Raramente também sofre de fenômenos da natureza...
David não se importou quando lembrou que já lera aquele mesmo livro. O ambiente incomensuravelmente agradável o prendia ao texto de tal forma que ele inclusive esquecera seu objetivo original naquela biblioteca. E ele não ia lembrar até terminar as paginas daquele exemplar que devorava com tanta voracidade. Ou até alguém o interromper...
Naturalmente, foi o que aconteceu. Sua leitura fora interrompida por um soco no rosto, onde seu agressor lhe acertou com tamanha força que o fez cair no chão.
-Ai!! — reclamou ele, fazendo barulho demais para quem está em uma biblioteca. O eco foi maior, acrescentado ao estrondo quando todo o seu corpo alcançou o chão.
Ainda nem tinha se virado para ver quem fizera aquilo, as mãos já estavam instintivamente no rosto, massageando a bochecha dolorida.
Descobriu ser a garota loira e desagradável que o importunara mais cedo na lanchonete. As mesmas roupas que antes, apenas o cabelo que agora estava solto, e seu olhar muito mais mal humorado que quando a vira mais cedo.
Desviou os olhos dela, com a desculpa de recuperar o livro que também havia caído com ele. A queda rendera alguns amassados e paginas rasgadas.
Recolocou furtivamente as folhas danificadas no lugar, esperando que ninguém tivesse notado o crime que fizera com um livro da biblioteca.
Voltou-se para a garota que aparentemente permanecera imóvel durante todo aquele tempo.
— Prazer – ela disse, logo quando teve a atenção de David. Agora, sua face carregava um sorriso adorável, uma expressão gentil e nem um pouco parecida com o que ela acabara de mostrar. Estendeu a mão, no intuito de ajudá-lo a se levantar — Me chamo Anna Ashwood.
O garoto a encarou, com medo. A julgar pelo olhar dele, ela deveria ser uma fera terrível e traiçoeira que só estava esperando o melhor momento para atacá-lo. Não era isso que parecia.
Qualquer um que assistisse a cena simplesmente veria uma menina com um sorriso de orelha a orelha tentando ajudar um garoto com cabelos bagunçados demais a se levantar. E inacreditavelmente, era aquilo que estava acontecendo.
Passaram-se vários segundos e ela não havia feito nenhum mínimo movimento. Continuava com sua mão estendida, esperando poder ajudar David.
— David Freeman — apresentou-se ele, por fim, aceitando a ajuda da garota.
Anna o levantou, sem nenhuma dificuldade, e gentilmente, guardou o livro dele na estante em que julgou ser a certa. Passado alguns segundos, ela parou e tornou a encarar o menino, com uma expressão de espanto.
— Freeman? — questionou ela.
— Sim... — David não entendeu o motivo de toda a ansiedade.
A loira ficou ainda mais espantada.
— Você é parente do homem que morreu no atentado de Pallet?!?!? — pigarreou ela, chamando a atenção de um bom numero de pessoas. Não só pela altura de sua voz, mas também pelo assunto em que tocara.
Ela admirou o que tinha feito. Gentilmente, conduziu David para um lado mais reservado na biblioteca, e ela continuou com seu assunto.
— Qual era o nome dele? Beto? Ele era seu pai? — começou ela, bombardeando o menino com perguntas.
A forma com que ela perguntava todas aquelas coisas deixava David um tanto preocupado. Como ela teria acesso a todas essas informações?
— Como sabe de tudo isso? – ele questionou, mas logo seu interesse fugira daquela sua própria pergunta. Suas atenções estavam exclusivamente em um livro sobre átomos...
— Li um artigo na internet... — explicou ela, despreocupada, ainda com sua estranha alegria — ele falava muita coisa que não foi noticiada na época do incidente...
Aquilo trouxe toda a atenção do menino à conversa novamente.
— Na época, eles criaram todo um sensacionalismo em torno do \"cientista falecido\" — prosseguiu ela — e censuraram muitos fatos importantes que trazem novas possibilidades para o que poderia ter realmente acontecido.
O livro dos átomos já fora largado na primeira estante a vista.
— Eu também notei isso – confirmou David, muito interessado — Eles se esqueceram de mencionar fatos muitos importantes...
- Tem o desaparecimento do corpo de um dos assistentes do professor...
- Na verdade foram dois – o garoto fez essa objeção, quase que automaticamente. As palavras simplesmente saiam, sem nenhum comando. Aquilo era muito interessante.
Ele teve que concordar que o mundo era realmente pequeno, e agradeceu por isso. Riu por dentro. A poucos minutos estava reclamando daquilo, mas estava lhe rendendo várias informações e, se não, uns bons minutos gastos com entretenimento.
Enfim, encontrara uma pessoa que chegaria às mesmas conclusões que ele?
— Você também parece saber muito sobre isso...
Aquela observação da Anna não foi muito interessante para o garoto, que hesitou em explicar.
— Eu... – todas aquelas lembranças que ele forçava a esquecer arderam em sua mente. Ainda conseguia ver nitidamente o sofrimento estampado no rosto das pessoas sofrendo e morrendo, sendo consumidas pelas chamas.
A loira aguardava pacientemente uma resposta, não imaginando nem de longe o que se passava pela cabeça de David naquele momento.
- Eu era uma das crianças que estava lá no dia – ele cuspiu todas as palavras de uma vez.
Anna pareceu ficar apreensiva.
— Sinto muito pelo seu pai...
Por um segundo eles se encaram, parecendo compartilhar aquele estranho sentimento de perda, cada um com seus motivos individuais. Mas sabiam que não adiantaria nada ficar daquela forma. Já acontecera. Aquilo não mudaria mais.
— O que mais você sabe sobre aquele dia? — ele não se demorou muito com a tristeza.
— Muitas coisas...
Atravessaram por aquele corredor até chegarem à seção de culinária, onde a menina os conduziu por um caminho à esquerda, talvez em direção a área de matemática e física. David foi puxado várias vezes, sempre que Anna percebia que ele ficara pra trás, grudado em alguma estante qualquer que ela julgava conter assuntos sem importância.
Mais alguns segundos até chegarem a um amplo laboratório de informática, a quantidade de computadores nem de longe tão exagerada quanto a de livros. À exceção de uma senhora de idade que parecia ter dificuldade em encontrar as teclas do teclado, a sala estava vazia.
Anna pegou o computador mais próximo.
- Com bases em algumas informações que encontrei, tenho quase certeza de que o verdadeiro alvo naquele dia não ser realmente o professor Oak... – ela falava, tão rápido quanto digitava uma série de textos em páginas de pesquisa.
David se surpreendeu com o quanto aquela garota sabia. E também estava surpreso com o senso de dedução e lógica dela. Parecia ter a mesma idade que ele, e mostrava toda uma complexidade em relação a si mesma. Primeiro aparecera como uma treinadora de pokémon mal humorada que queria a qualquer custo humilhá-lo. Agora, já era a menina gentil e amigável que simplesmente sabe tudo sobre o atentado em Pallet.
Mas ele não se questionou muito com aquilo. Sabia que não era mais normal que ela. E além disso, poderia conseguir uma boa ajuda.
— Aqui. Veja — mostrou ela, ao entrar em um link na internet, achando a noticia que procurava. A esta altura ela já encarava o assunto com mais seriedade, não tinha a mesma descontração do inicio — Na verdade, há uma boa chance de o assassino querer matar apenas seu pai...
Sim, estava diante de uma pessoa que chegara as mesmas conclusões que ele. A matéria não pareceu mais importante que seus pensamentos naquele momento, foi muito pouco o que ele aproveitou daquele texto.
\"Dois anos após o atentado terrorista na pequena cidade, muita coisa ainda não foi esclarecida...\"
Ele se perguntava como deveria estar sua mãe...
\"Com as atenções todas voltadas ao professor, não foi posta ao publico uma reconstituição dos fatos\"
O que ela estaria achando que ele fazia agora...
\"Oak pode não estar entre uma das verdadeiras vítimas do assassino, sendo que sua morte foi tida apenas como um acidente\"
Não sabia se ela iria achar divertido ter o próprio filho se empenhando em descobrir quem matara seu pai.
\"Nada foi dito sobre o assassino naquela época, mas eles omitiram a estranha aparição de um disco rígido que sobreviveu ao fogo, e nunca mais foi visto\"
— Aqui! Está vendo? — perguntou Anna, apontando um pedaço de texto que passou despercebido por David. Ela estava tão concentrada na leitura que nem notou que o garoto não prestava atenção
O garoto tentou voltar suas atenções para a tela também. Olhou de relance o site em que estavam. Ela acabara de acessar uma pagina com conteúdo confidencial do Instituto Internacional de Criminalística.
- O seu pai foi o primeiro a morrer, sendo baleado diretamente pelo assassino – a loira não dava trégua com suas explicações — Não acha isso um pouco estranho?
-Hum? – David resmungou, não acompanhando o racioncinio de Anna, que falava rápido demais pra ele.
- Quando uma pessoa quer matar outra, ela logo atira em sua vitima, e não qualquer outro menos importante sem relação alguma com o professor...
Alguns segundo pra que ele processasse toda a informação. Concluiu que o raciocínio dela não estava errado. Ainda assim, ele experimentou contrariá-la, para ver até onde iria.
- Você tem certeza disso? Não podemos esquecer que foi algo marcado na história. O assassino deve ter calculado cada pequeno passo. Matar primeiro os que poderiam lhe causar problemas deveria ser seu plano...
Ela nem parou pra pensar e já tinha sua resposta.
— Experimente olhar o número de balas disparadas pelo assassino.
David voltou para o texto e contou. Sete tiros.
- Acho que seu pai era importante o suficiente para receber toda essa “atenção” – e com sua conclusão final, fez o garoto se calar.
Os palpites dela estavam certos, claro. Ela só precisava de confirmações. As confirmações que ele possuía. Mas poderia confiar nela? Era estranho conversar com alguém que mudava de humor repentinamente. Perdeu-se em pensamentos, admirando as conclusões dela.
- David? – ela chamou, logo notando o silencio.
Ele não respondeu.
— David? Você tá bem?
Freeman suspirou, dando-se por vencido. Ele havia pedido por aquela situação. Se não a agarrasse, perderia mais algumas coisas importantes. Não ia deixar passar, já havia aprendido a lição.
- Eu tenho certeza absoluta que o alvo naquele dia era meu pai.
(...)
Provavelmente achariam o que aquele garoto fazia uma tremenda loucura. Isso, se alguém se importasse com o que ele fazia. Sim, talvez fosse por isso que ele fazia: era discreto, silencioso e estranho, provavelmente por isso ninguém notaria se ele estivesse carregando uma caixa de papelão do tamanho de uma geladeira pelos gigantescos corredores daquela biblioteca, e ninguém iria perceber que segundos mais tarde ele encontraria uma pessoa a quem entregaria aquele imenso recipiente, no canto mais isolado, oculto por uma infinidade de livros que você certamente não gostaria de ter na sua coleção.
- Me mandaram te entregar isso – disse o jovem com a caixa. Ele era baixinho e magro, cabelos escuros em um penteado impecável – o que aqui significa: lotados de gel e arrumados para o lado de um jeito um tanto excêntrico. Seus óculos fundo-de-garrafa evidenciavam um típico nerd. – E pediram que eu pegasse a resposta.
O segundo jovem, que até então parecia analisar um exemplar de Criptografia Quântica, recolocou o livro em uma prateleira e se voltou para o primeiro. Dono de uma estatura mediana, possuía um boné cobrindo parte de seu rosto, tornando impossível identificá-lo. As roupas, grandes demais para o corpo, também impossibilitavam qualquer tipo de reconhecimento.
- Não, eu não vou te entregar a resposta – disse ele, impassível, enquanto analisava a caixa, ainda de longe -Vou precisar de um tempo para ver isso ai – corrigiu, assim que entendeu a indignação grande demais nos olhos do outro, que poderiam facilmente levar a exposição de alguma informações que não deveriam vir a se tornar publicas.
- Muito bem então...
A caixa foi entregue ao destinatário, e o baixinho já ia se retirando, quando o segundo rapaz disse repentinamente:
- Quem te entregou esta caixa?
O nerd parou, hesitante. Fez menção de se virar, mas interrompeu seu movimento quando entendeu que seu nervosismo poderia denunciar qualquer coisa nele e fazer o outro desconfiar de sua resposta.
- Eu... não... sei...
- Assim é melhor.
Ambos, satisfeitos com as palavras do outro, tomaram rumos diferentes e desapareceram na imensidão da biblioteca.
A caixa, apenas continha um pedaço de papel muito pequeno.
Ataque-os. Acabe com tudo aqui dentro. Eles são perigo.
(...)
Pronto. David agora não era mais o único que sabia daquele assassinato. Nem era mais o único que sabia de sua própria história. Anna acabara de conhecer a ultima semana dele, e todo o conteúdo do livro que ele guardava.
O que faziam? Procuravam. Qualquer fato que os levasse ao assassino. Sites na Internet, livros de investigação criminal, fotos do acontecimento, artigos em jornais velhos, notas em revistas sem muito renome, o mínimo detalhe era útil pra eles.
- Você ainda não tem nenhum pokémon? – perguntou Anna, tentando quebrar o clima sombrio que há muito se estabelecera.
- Não
David sabia que aquele fato apenas existia por sua própria escolha. Porque oportunidade ele já tivera.
- Você não deve bater muito bem da cabeça, sair de casa sem pokémon nenhum...
“E você não deve bater muito bem da cabeça, mudando de humor a cada minuto”
A senhora parecia ter se cansado de caçar as letras no teclado para digitar qualquer coisa, se levantou da cadeira e passou pelos dois, lhes dirigindo um pequeno sorriso e um “Boa Tarde”.
- E você? – perguntou David, depois de julgar um tanto estranhos os atos da mulher, voltando ao assunto.
- Eu tenho dois... Um Bellsprout e um Pichu – ela respondeu. Não pareceu ter ligado para a senhora – Quando nós estivermos na rota 2, eu posso te ajudar a capturar um pokémon.
- Nós?
- Eu quero te ajudar, e eu já estou cansada de esperar o ginásio dessa cidade reabrir...
Ele pensou em dizer alguma coisa do tipo: “Se você ficar perto de mim estará em sérios apuros”. Mas ele não saberia o que dizer quando ela perguntasse: “Por que?”
“Por que eu sou muito propenso a problemas?”.
Não dizer isso não daria certo.
- Espero que saiba o que está fazendo... – foi o melhor que ele pôde falar.
Se ocuparam apenas com seus textos, embora no fundo soubessem que ambos preferiam continuar a conversa. Não mais que meio minuto e Anna já se manifestava novamente.
- David? Vem cá! Eu achei alguma coisa que pode nos ajudar!
Ele não hesitou em seguir até a garota, que lia uma pequena nota num jornal.
- Está vendo isso? – perguntou ela.
Não, ele não viu aquilo. Nem Anna pôde ver alguma coisa. As lâmpadas da biblioteca se apagaram, mergulhando os dois no escuro e no silencio. Os computadores também haviam sido desligados repentinamente.
- O que foi isso? – questionou David, não deixando de sentir medo.
- Já são sete horas! – conclui ela olhando para seu relógio – Eles devem ter fechado a biblioteca!
- O que?!?! Como eles deixam pessoas aqui dentro assim?!
- Num reclama David! – Anna assumira novamente seu temperamento mal humorado — Anda logo, vamos embora! Amanhã a gente continua isso!
Ela empurrou o garoto de forma nada gentil para onde julgou ser o mais perto da saída, mas eles estavam perdidos ali dentro. A biblioteca era extensa demais, não achariam a saída tão cedo. Atravessaram, correndo, dois corredores ao norte e quando viraram a direita, puderam ver uma luz.
Uma claridade forte demais, avermelhada demais. Quente. Fogo.
xXx
Notas finais
Até porque nem deve ter ninguém pra me matar, duvido que ainda tenham pessoas que viram esse troço aqui.
Mas tá né. Eu IMPLORO, se vc leu essa fic e gostou, comente! Se não gostou, comente também só pra dizer o que não tá legal! Façam de mim um autor feliz!
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