Pokemon Vírus

6 Capitulo 6 - Seres Estranhos


Pokemon Vírus

Capitulo 6 — Seres Estranhos

\"Então, eu estou em Viridian...\"

Viridian. Mais uma cidade naquele vasto continente, um pedaço mínimo naquele mundo irrevogavelmente grande. Um pedaço mínimo que se mostrava um belo exemplo de cidade movimentada até altas horas da noite, mas ainda assim, um lugar que você não iria querer conhecer às duas da manhã.

Carros mantiam um fluxo calmo, quase que ritmado, sem muitos a mais ou a menos. Algumas varias lojas abertas, bares em sua maioria, abrigavam os que se aventuravam até tão tarde. E um numero ainda maior de pessoas nas calçadas, em becos escuros e em ruas sem saída, do tipo que você não gostaria de conhecer.

O Centro Pokemon não era um prédio muito difícil de encontrar, uma vez que se destacava entre as minúsculas lojinhas fechadas e aos tantos outros botecos. Até porque era o único que tinha tantas luzes para se deixar acesas. Não teria nenhuma dificuldade de se chegar lá também. Claro, se você não estiver querendo alcançar o lugar com fome, sede e sono. Não seria nenhum sacrifício, se você não estiver cansado, sujo, com uma perna quebrada, e acima de tudo, vulnerável.

Afinal, nas condições atuais de David, aquilo chegava a ser doloroso. E ele nunca havia se sentido daquela forma. Poderia ser um alvo fácil para ladrões, assassinos, e quaisquer outros do gênero, não queria nem pensar.

— Ei, garoto! — algum sujeito o chamou, de um beco escuro.

David ignorou. Ou ao menos tentou ignorar.

— Eu conheço o seu amigo! Ele está aqui! — o sujeito falou, num tom estranhamente animado e infantil.

Como se isso ainda fosse possível, Freeman acelerou o passo. Atravessou a rua mal iluminada, único caminho até o hospital para pokemon, deixando o beco e o individuo para trás. Mas se viu seguido pelo homem, que ainda dizia qualquer coisa que não era processada pela mente do garoto.

Tentou continuar o caminho, sem ter certeza do que estava fazendo. Não sabia se aquele era o lugar certo. Nas condições em que estava, devia estar procurando um hospital para humanos...

Não teve mais tempo para refletir, quando já estava na porta do Centro Pokemon. Ainda tinha o sujeito estranho em seu encalço, a poucos metros de distância.

— O garoto com cabelo azul escuro! — o homem gritou, quase que apavorado.

David só teve tempo de apertar o botão ao lado da porta para abri-la, mas seu dedo escorregou para baixo, assim como todo o seu corpo. Não viu mais nada depois disso.

\"Ele está esperando por você. Ele disse que precisava de sua D...\"

(...)

— Joe? — a mulher baixinha e corpulenta perguntou, sem nem encostar o fone no ouvido.

Um momento de silencio, sem nenhuma resposta do outro lado da linha.

Ângela não conseguia se sentir tranqüila com aquilo. Ser acordada no meio da madrugada com um forte pressentimento de que alguma coisa não muito boa iria acontecer naquele dia, e logo em seguida receber uma ligação de um estranho que hesitava em dizer qualquer coisa era frustrante.

A sala sem luz alguma não deixava o ambiente mais agradável. Ela estava se sentindo em um daqueles filmes onde um Serial Killer maligno inventava qualquer jogo bizarro pra jogar com sua vítima. Um frio na espinha, ao pensar nisso.

Tentou acreditar que nada ruim iria acontecer, e aguardou a resposta do outro lado da linha.

- Olá.

Aquela voz tão conhecida encheu seus ouvidos. Todo o medo e preocupação se extinguiram por completo, dando lugar a um sorriso inacreditável, enquanto ela começava com a série de perguntas que qualquer mãe muito provavelmente faz quando está sem noticias do filho durante uma semana.

— Onde você está? Quem está ai com você? – ela questionou, sem saber o que falar ou fazer — O que aconteceu? Precisa de alguma coisa? Você está com fome?

Mais um pouco de silencio, a preocupação ainda nítida no rosto da mulher. Pensou em perguntar mais coisas, mas sabia que estaria sendo idiota.

- Eu estou bem, não se preocupe.

Ela poderia esperar qualquer resposta, menos aquilo. Com certeza queria ouvir qualquer coisa do tipo: “Eu não quero mais ficar aqui”, ou então “Eu estou com fome”. Talvez até um “Eu estou morrendo” fosse melhor do que aquilo.

Porque ela queria motivos pra ir atrás de seu filho.

— Não! Não está não! — ela berrou, histérica — Fique onde está, eu estou indo ai te buscar!

Ângela bateu o telefone no gancho e correu para pegar as chaves do carro, tropeçando em seus próprios passos. Não as encontrava em nenhum lugar, então decidiu que acender as lâmpadas seria mais eficaz. Assim, é claro que ela conseguiu acha-las rapidamente.

Mas sua angustia não cessou. Já estava com as mãos na maçaneta, quando se lembrou de que estava de pijama. Subiu as escadas correndo, tropeçando mais algumas vezes antes de chegar ao quarto. As portas de seu guarda roupa também fora uma das vítimas de sua ansiedade, abertas bruscamente por mãos apavoradas. Pegou as primeiras peças de roupa que encontrou.

\"Ele está bem...\", era o que ela tentava pensar, embora duvidasse disso mais que tudo. Ele não podia ligar se estivesse tudo bem. Ele fora sem avisar nada, pra que avisar agora? \"Ele não está bem...”.

Ela queria encontrá-lo. Só o que importava. Era torturante todo aquele tempo sem seu filho. Não conseguiria aguentar sem te-lo por perto. Era uma das coisas mais preciosas de sua vida, e só não tinha alertado a maldita policia, porque a maldita policia não lhe dava ouvidos.

Olhou-se de relance no espelho, antes de sair dali. Uma blusinha rosa berrante cheia de detalhes em azul turquesa e uma calça corsário cinza, simples e que parecia estar ao contrário. Não se importou. Correu para ligar o carro.

Tentou, uma, duas, três vezes. Mas o motor não ligava. Até parecia que não queriam que ela fosse encontrar o filho. Era absurdo como as coisas davam errado. Tinha que ser assim?

Bateu a cabeça no volante, logo se assustando com o barulho horrendo da buzina cortando a tranquilidade daquele fim de madrugada.

Ergueu-se, tentando parecer decidida. Suspirou, antes de partir para mais uma tentativa, procurando ficar calma. Mas era impossível lutar contra suas mãos tremulas que relutavam tanto em encaixar a chave na ignição. Também não consegui pensar com clareza. Aquela ligação de seu filho abrira as portas para uma mulher completamente descontrolada.

De repente, as luzes do painel ofuscaram seus olhos, e o barulho típico de motor de carro soou em seus ouvidos, muito mais forte que o normal. Demorou alguns segundos para ela perceber que seu pé estava no acelerador.

Bateu a cabeça no volante mais algumas vezes, criando uma sinfonia estranha com aquele som idiota.

\"Mas como eu sou uma burra!!\"

Enfim, notara que não poderia ir a lugar nenhum. Algo conseguira a prender ali, torturando mais um pouco sem saber onde seu filho estava. Porque o problema era justamente esse: ela não sabia onde ele estava.

Permaneceu mais um pouco dentro do carro, decidindo se voltava ou não para casa e entendia de uma vez que não poderia prender seu filho ali para sempre. Aquilo acontecera há dois anos, que razões ela teria para acreditar com coisas semelhantes aconteceriam agora, simplesmente porque Joe resolvera sair de casa?

Deu-se por vencida. Desligou o motor, muito lentamente, como se a qualquer momento fosse se lembrar de algum fato que a fizesse prosseguir com seu plano maluco de ir procurar seu filho às 4:00 da manhã. Não teve sucesso.

Olhou para a construção que a abrigava a um bocado de tempo, pensando. Estava enjoada daquilo. Mas nada podia fazer. Entrou em casa.

As luzes já estavam acesas. Se esquecera de apagá-las quando saiu. Por um momento teve pena de sua conta de luz. Mas não estava muito bem para se preocupar com a energia.

Foi imediatamente para o telefone, e o ficou encarando, como um predador encara sua presa, esperando a menor reação para aplicar seu golpe fatal. Mas ela não era um predador terrível e nem iria aplicar um golpe fatal em um telefone. Só tinha esperança de que ele tocasse, mais uma vez, e de que fosse seu filho, mais uma vez.

Poderiam ter se passado horas, ou talvez poucos segundos, quando ela resolveu aplicar o golpe, vendo que sua vitima já estava morta.

Agarrou o telefone e admirou o que ainda não havia percebido. Sua caixa de mensagens não estava mais vazia. Sentiu-se novamente idiota, por não ter percebido antes. Mais a pontada de alegria que a invadiu superou aquilo, e seu dedo já estava apertando o minúsculo botão para ativar a mensagem de voz.

Reconheceu imediatamente o autor daquilo.

\"Está frio lá fora. Leve um casaco.\"

(...)

- Chansey? – perguntou a pokemon rosada. “Quanto tempo acha que ele ainda vai ficar assim?”

Aquilo não tinha muita explicação. Quatro dias era muito para aquele paciente, que já estava curado de todos os seus ferimentos. Aparentemente, não tinha mais nada de errado com ele. Não tinha motivo para ele não ter acordado ainda.

- Eu não sei... – admitiu a médica que também estava no quarto. Ela era loira, seus cabelos lisos se estendiam até não muito mais que seus ombros. – Ele pode acordar a qualquer momento, mas pode continuar assim por meses...

Chansey assentiu, também sem muitas esperanças e trocou o medicamento do jovem.

- Deixe que eu termino com isso – disse a mulher, logo assumindo a tarefa da pokemon. A expressão insondável em seu rosto, sempre que ficava pensativa.

Não conseguiu não ter pena por aquele garoto. Chegar num lugar, e só ter tempo de avisar que está ali antes de entrar em coma deveria ser um feito desagradável. Passou a mão sobre sua cabeça, meio como uma mãe faz com um filho.

– Busque um antitérmico, ele está com um pouco de febre.

Logo a pokemon já estava de volta, e ajudava a loira a aplicar o remédio.

Aquele quarto era tudo, menos agradável.A cama era desconfortável, os aparelhos conectados ao corpo incomodavam até quem estava em coma, o cheiro não era dos melhores, e o barulho de todas aquelas maquinas que indicavam o estado do paciente era irritante. Principalmente a que indicava os batimentos cardíacos, com aquele seu som alto ritmado e incessante, que apitava preguiçosamente sem indicar mudança alguma no coração do garoto.

Mas as que se encontravam na sala notaram que o jovem aos poucos ganhava mais vida, enquanto seus batimentos adquiriam a freqüência normal. A mulher sorriu. A qualquer momento ele estaria acordando...

Ele não acordou.

Seus batimentos começaram a subir a uma velocidade absurda, e o menino tremia. A loira sabia que não ia parar a não ser que ela fizesse alguma coisa.

- Chansey! Precisamos do desfibrilador!! – gritou ela, preparando qualquer procedimento que pudesse ajudar com aquilo. Sem demoras a pokemon apareceu com o aparelho – Rápido, ele vai ter um ataque cardíaco!

O coração do garoto atingiu o máximo, e um segundo depois ele tinha parado.

- Agora! – ordenou a mulher, que já estava preparada. Chansey ligou a máquina num sincronismo perfeito.

Um primeiro choque. O coração bateu uma única vez e parou novamente.

- Mais uma vez! – o aparelho novamente preparado – Agora!

Segundo choque. Dessa vez, nada.

- Nós vamos perder ele! Aumente a frequência! – a esta altura ela já não se preocupava mais com as consequências. Quatro dias foram suficientes a ela para adquirir algum sentimento pelo garoto.

Não queria que ele morresse.

Chansey hesitou. A ultima tentativa. Ou ele iria viver, ou morreria ali. Mas então, não tinha mais nada a fazer, seguiu as instruções da mulher.

- Agora!

Um barulho ensurdecedor, causado pela maquina e por toda a agitação ao redor da maca do hospital. O choque. Tão forte que o garoto levantou da cama bruscamente, mas logo caindo nela outra vez. Felizmente, seus batimentos tinham normalizado...

- Onde eu estou? – quis saber David, assim que abriu os olhos. Sua voz estava rouca e ele notou que suava muito.

O garoto novamente se levantou. Estava um tanto ansioso pra continuar deitado.

- Por favor, David, deite-se – pediu a mulher, depois de sinalizar para Chansey guardar o aparelho que acabara de salvar a vida do menino. Não conseguia conter um sorriso. Estava feliz por ele – Você ainda não está em boas condições...

E ele teve que concordar, vendo que sua cabeça latejava insuportavelmente e sua visão começava a embaçar.

- Como sabe meu nome? Há quanto tempo eu estou aqui?

- Quantas perguntas! – a loira conversava, e também examinava seu paciente – Uma coisa de cada vez!

David assentiu, mas não deixou de esperar por respostas.

- Aqui é o Centro Pokemon de Viridian.

“Estou sendo tratado num hospital para pokemon?”

— Sei o que deve estar pensando, mas isto faz parte de um novo projeto do governo – explicou a moça, de forma adorável. Gostava de falar daquilo – Agora, nos Centros Pokemon você também vai encontrar hospital e um sistema de hotel, onde- você poderá alugar um quarto e passar a noite se quiser...

- Por que ainda não tinha ouvido falar disso ainda? – David era um tipo que não se sentia a vontade quando alguém lhe explicava alguma coisa.

- Na verdade, você é o primeiro a saber disto. A construção do hospital nem chegou ao fim...

O menino olhou ao redor, só então notando que aquela era a única maca no quarto imenso.

- Isso vai ficar bem legal...

A mulher assentiu, em silêncio.

- O que aconteceu para você ter chegado aqui nesse estado? – ela quis saber, enquanto cuidava de alguns ferimentos que ainda não tinham cicatrizado – Se eu tivesse demorado um pouco mais você teria uma hemorragia interna...

David hesitou, pensando o quão perto da morte chegara nos últimos dias, sem nem notar a gravidade do que lhe acontecia. Agora que estava entendendo aquilo, não se sentiu muito a vontade pra compartilhar com alguém.

- Bem é..., A questão é que... Eu tive um problema e... – gaguejou ele em resposta.

A loira riu com o rosto levemente corado do menino.

- De qualquer forma David, você facilitou muito o meu trabalho. Os seus “primeiros socorros” me pouparam de uma cirurgia em sua perna e inicialmente de alguns curativos nos machucados mais feios. Onde aprendeu essas coisas todas?

- Já li alguns livros sobre isso... – replicou. Lembrou inclusive que um destes estava em sua mochila naquele momento. Mas estranhou quando percebeu que era a segunda vez que a médica o chamava de David – Como sabe meu nome?

- Ah, me perdoe por ter mexido nas suas coisas – desculpou-se ela, logo lhe devolvendo um cartão – Eu precisava do seu plano de saúde...

O garoto pegou seu cartão e o admirou. Finalmente o plano de saúde milionário que sua mãe havia feito após a morte do pai se tornava útil novamente. Agradeceu a ela, em pensamentos.

- Pronto. Está tudo certo com você – conclui a médica ao terminar seu exame – Só vou lhe dar um remédio que você precisa tomar duas vezes ao dia...

- Eu já estou liberado? – perguntou David, se sentando na cama e já não sentindo mais a cabeça latejar. Apenas uma pontada no joelho esquerdo... – Mas e a minha perna?

A mulher levantou e desapareceu atrás de uma cortina.

- Não está tão ruim assim – ela disse, de longe – O que me surpreendeu, porque pelo que percebi você andou muito até aqui...

David lembrou de todo esforço que fez naquele dia contra Absol. Se tivesse feito qualquer mínimo movimento errado, poderia estar com sérios problemas agora. Quis escrever qualquer coisa em seu caderno de anotações. Pegou o livro cofre em sua mochila, que descobriu estar em uma mesinha ao seu lado.

- O que é isso? – perguntou a mulher interessada, assim que o menino revelou o interior peculiar de seu grosso livro com capa marrom.

Se sentiu incomodado, quando percebeu que ela também mexera ali.

- Nada muito importante...

Ignorou a mulher e retirou do livro seu pequeno caderno. Logo desistiu daquela idéia quando não encontrou sua caneta, que estava em lugar nenhum.

“Devo ter deixado cair quando estava lá com os pokemon aquáticos...”.

David descobriu que era quase onze horas, e ele não tinha muito mais o que fazer ali. Guardou suas coisas e despediu da médica, também conseguindo dela um pequeno sermão para tomar cuidado...

(...)

- Por favor! Eu quero dois hambúrguers completos, três batatas fritas médias, uma Coca-Cola grande, um Milk-shake de chocolate...

- O mundo está acabando e ninguém me avisou? – questionou o funcionário, sem senso de humor algum. Ou ele não estava nem um pouco a fim do seu trabalho ou não percebera que o pedido do menino lhe renderia algum dinheiro extra.

“Ou vai ver ele faz parte da mínima fração socialista da sociedade, e queria olhar para a cara de mais pessoas antes de não ter mais nada pra vender...”.

- E um cheese-burguer pequeno – completou David, rindo anormalmente da piada do homem que ainda relutava em anotar seu pedido.

Ele nem tinha culpa de estar comendo tanta coisa. Estava com muita fome, e cinco dias de estômago vazio não é algo que deva ser feito...

- Tem certeza que é esse o seu pedido?

- Não – concluiu o garoto inocentemente – Talvez, quem sabe, mais um sundae de...

O homem que o atendera nem estava mais ali.

David analisou a lanchonete em que estava. Concluiu que era demasiado estranha: Cada parede fora pintada e decorada com base em uma cor, mas o contraste entre essas ficava tão intenso e absurdo que não deixava a loja nem um pouco convidativa. Ele só tinha entrado ali porque achara os lanches – e os preços – muito convidativos.

Não se arrependeu, quando começou a comer. Estava tudo realmente muito bom. Ou talvez fosse apenas a sua fome excessiva que fizesse com que tudo parece mais gostoso...

Mas ele se perguntava por que era o único naquele lugar. Todos que entravam na lanchonete nem se davam ao trabalho de sentar em uma das mesas, logo desaparecendo em uma passagem que levava aos banheiros.

- Tem certeza de que é aqui?

- Certeza absoluta. É naquele corredor ali atrás...

Os enésimos jovens passaram por David e foram para o mesmo lugar que todos os outros. Sabia que não devia ficar ouvindo conversa alheia, mas ele queria saber o que estava acontecendo.

- Qual deles você vai usar? – perguntou o menino baixinho ruivo ao outro.

- Eu ainda não sei... – este outro tinha pelo menos o dobro da idade do primeiro, mas o cabelo era da mesma cor. Irmãos – Eu trouxe todos, vou decidir na hora.

David continuou sem entender o que estava acontecendo. Tudo o que conseguiu foi notar uma certa agitação naquele mesmo corredor em que os dois garotos entraram. Então, tenho que usar seu ultimo recurso. Segui-los.

Já tinha terminado seu lanche, só sobrara o milk-shake, que ainda estava em suas mãos quando ele atravessou o corredor, sentindo que o som se tornava mais alto. Também continuou com ele, quando depois de passar por duas portas, uma indicando feminino e outra masculino, chegou onde descobriu ser a origem de todo aquele movimento nos fundos da lanchonete. E ainda se deliciava com o sabor adocicado do leite misturado ao sorvete quando finalmente entrou na sala, satisfazendo sua curiosidade e seu estômago ainda não completamente saciado.

Se surpreendeu com o que encontrou ali. Era um salão amplo, suficiente para caber duas notáveis arenas de batalha e seus competidores ansiosos. Nas extremidades, arquibancadas acomodavam espectadores inquietos que assistiam as lutas e, a cada movimento dos pokemon, manifestavam de forma escandalosa suas emoções.

Ele olhou para a porta de onde acabara de sair, pensando no lugar em que estava. Mas ainda não estava arrependido de ter comido antes de entrar ali. Aliás, pensava em voltar para pedir o seu sundae de chocolate...

“Como que eu não percebi tanto barulho?”, pensou, quando em uma das lutas um Vulpix acabara de derrotar um Bulbasaur. O lugar todo praticamente explodiu em gritos.

Ele olhou para a outra arena: um pequeno pokemon de fogo que possuía chamas em suas costas usava um ataque brasa contra um voador muito comum. Imediatamente reconheceu a segunda espécie. Pidgey.

Conhecia muito bem aquele pokemon. Conhecia aquele pokemon. Aquele pokemon, e aquele seu dono.

A ave desferia seus golpes com extrema habilidade e destreza. Mais que isso, os ataques eram lindos. Cada investida que ele desferia, cada tornado que ele criava, cada simples giro no ar, tudo perfeito. Não pode deixar de sentir inveja do treinador que o comandava, mas não concordou consigo mesmo, sabendo quem estava ali.

Ainda de longe, ele conseguia o reconhecer. O cabelo preto que poucos percebiam ser azul escuro. As roupas escuras com acessórios brilhantes, prateados...

- Você também é um treinador? – uma voz feminina soou atrás de David.

Ele se virou, um tanto confuso, sem ter certeza que falavam com ele.

- Hum? Olá! – começou o menino, gostando da desculpa para não prestar mais atenção naquela luta.

A garota tinha sim falado com ele. Era alguns poucos centímetros mais alta que David, seus cabelos longos e loiros estavam presos por uma bandana vermelha estampada com qualquer tipo de figura que o menino não identificou. As roupas se assemelhavam as de uma colegial.

- Você é um treinador pokemon? – ela tornou a perguntar, impassível e mal humorada.

Um momento de silencio, enquanto ele a encarava, curioso.

- Sim, eu acho...

A garota o analisou de cima em baixo, e soltou um grunhindo debochado. É claro que ninguém gosta de ser avaliado, mas ainda quando você é reprovado pelo seu observador.

- O que você quer? – questionou David, com o humor já não tão bom.

- Nada. Você definitivamente não serve como treinador...

David lhe lançou um olhar de reprovação, mas logo quis ignorá-la. Voltou sua atenção para a batalha, tentando esquecer quem estava no comando do pokemon pássaro. O pokemon de fogo, Cyndaquil, ainda não desistira de seus ataques brasa, que vez ou outra acertavam o oponente.

- Seus pokemon devem ser tão fracos quanto você – continuou ela, agora ao lado do menino, fingindo também assistir a luta.

Pidgey derrotou seu inimigo, finalizando a batalha com um ataque rápido. Não é preciso dizer que aquilo provocou mais uma reação ruidosa da platéia. O garoto pode aproveitar aquele demorado minuto ensurdecedor, sem ouvir nada da menina que lhe importunava.

— É uma pena que não saiba lutar... – continuou ela, assim que todos silenciaram, ansiosos para descobrir os treinadores e pokemon que iam lutar agora. Definitivamente, estava querendo irritar David — Eu estou entediada de tantos amadores que eu vejo...

As pessoas eram assim mesmo? Ou vai ver ficar alguns dias apenas na companhia de pokemons acabe psicologicamente com alguém que tenta se relacionar com humanos. Principalmente se qualquer vida que você encontrar for algum ser estranho que age de forma estranha e te trata como um completo estranho.

Não demorou para que um Freeman enfurecido aparecesse.

- SERÁ QUE DÁ PRA VOCÊ CALAR A SUA BOCA!?!?! – explodiu ele, sua voz se destacando no meio da confusão dos espectadores.

- Não, não dá não! – retrucou ela, num tom imperceptivelmente mais moderado.

- Então vai atazanar a vida de outro!

As atenções de todos se voltaram para os dois ali.

- Para de reclamar, você nem sabe o que está fazendo aqui!

- E você, por acaso, sabe de alguma coisa?!?!

Até os pokemon que lutavam pareceram notar os dois ali, interrompendo sua luta para prestar atenção na discussão.

- Sei que você está com medo de perder de mim em uma batalha!

- E eu não quero lutar! Energúmeno!

Discutiram mais um bocado ali, até que se tornassem um problema tão grande que a única solução seria retirá-los dali. As pessoas se aglomeraram em volta dos dois, e no meio de todos ali, David ainda pôde ver de relance o dono do Pidgey, com seu cabelo azul escuro, lançando-lhe um olhar apreensivo – que acompanhou uma pequena ponta de felicidade.

Alguns seguranças se destacaram no meio da multidão de pessoas, lançando-lhes um olhar intimidador. Eles não tinham escolha.

Mesmo assim, não pararam. Só terminaram de reclamar quando um dos seguranças resolveu agir de verdade. Saíram emburrados, reclamando o caminho todo. A garota gritava e esperneava como se o mundo estivesse acabando

- Ah, que ótimo. Agora por sua culpa eu num posso mais lutar. Satisfeito?! – reclamou a garota.

- Claro, estou muito satisfeito – e estava mesmo — Além disso, você também me tirou de lá, se não percebeu.

- Eu vi sim. Não sou tão idiota quanto você.

Um pequeno momento, em que os dois se ignoraram.David com olhar perdido, que logo encontrou uma pessoa que ainda o encarava antes de sair da lanchonete. Um sorriso estranho naquele rosto.

Um Joe estranho.

xXx

Notas finais
Oh, meus queridos leitores! Tem me faltado tempo por causa da escola...

Mas calma, nem tudo é o apocalipse xD

Já adianto que o capitulo sete já está quase pronto. É porque era pra ser tudo no seis, mas fico muuuito grande, ai eu tive que dividir. Então, o que eu tenho que fazer mais é só dar uma revisada.

Então, já adiantando, o proximo capiutlo se chama: "O Maior Crime da História" =D

E não esqueçam de comentar! Podem esculaxar a vontade seu eu tiver escrito alguma coisa absurda lá na parte do hospital, pq eu num sei nada de hospital. *morre*