Pokemon Vírus
5 Capitulo 5 – Um Problema Chamado Absol – parte 2
Notas iniciais
Pokemon Virus
Capitulo 5 – Um Problema Chamado Absol – parte 2
Subitamente, Absol encerrou seus ataques, fazendo todas as suas replicas desaparecerem. Analisou as condições de seu adversário: estava fraco demais para tentar contra-atacar. Melhor assim, ele pensava, teria mais tempo para seu próximo movimento. Deu um gracioso salto para trás, tomando distancia e, começou a reunir lentamente uma carga de energia em frente a sua boca, preparando o movimento que destruiria seu oponente.
Poliwag acompanhou cada movimento de Absol, tendo certeza de que seriam a ultima coisa que veria em sua vida. Pela primeira vez ele realmente sentiu que ia morrer. Sentiu que para ele, não teria mais nada depois daquilo. Tudo acabaria ali.
Por que sua vida já chegava ao fim tão cedo? O que ele tinha feito de errado para merecer isso? Não. Só iria sofrer muito mais se pensasse nisso em seus últimos momentos. Procurou qualquer outra coisa que pudesse fazê-lo esquecer das suas atuais condições.
“Ele tem um bom coração”, pensou, assim que seus olhos encontraram o garoto, também estirado no chão. Se conheciam fazia nem um dia, mas o menino já tentara fazer até o que não podia para salvar a vida dele.
David olhava para o ataque de Absol, se perguntando o porquê de ele ser tão... azul. Suas condições não eram muito melhores que as do pequeno anfibio, então, devia estar um pouco mais preocupado.
— Wag... — murmurou Poliwag, embora naquele momento o garoto estivesse muito mais preocupado com alguma coisa no ataque do pokemon noturno para ouvi-lo. “Obrigado...”.
O girino olhou de relance para o ataque, apenas se perguntando quanto tempo ainda tinha e, logo para David novamente. O garoto retribui, mas seu olhar não era de preocupação ou qualquer coisa do gênero. Seus olhos eram tão perdidos que poderia até estar concentrado.
“Realmente, eu fiquei louco...”, o garoto pensava. Olhou para o pokemon que preparava o ataque e para a vitima varias vezes. Se perguntava se o que o que passava pela sua mente naquele momento era realmente necessário. “Não estou muito longe dele...”
Poliwag também olhava e se perguntava o que ele estava planejando. Não acreditou quando, para seu horror, viu um jovem coberto de hematomas e machucados vindo na sua direção, literalmente rastejando.
— Wag??? - ele perguntou, emitindo muito menos som do que esperava. “O que você esta fazendo???”.
— Tentando salvar a sua vida... – foi o que ele recebeu como resposta. David Freeman não cogitava a idéia de diminuir seus esforços.
— Poliwag! — o pokemon se perguntava o por que de o garoto estar tão despreocupado quanto ao ataque de Absol. Se aquilo já era fatal para um pokemon, se inquietava com os estragos que seriam com um humano. “Para com isso, você vai morrer também!”
David ia responder ao pokemon, mas não teve tempo. Quando se virou novamente para o pokemon noturno, viu que o ataque já se projetara na direção de Poliwag. Não tinha mais que dois segundos, era tarde de mais para tentar tira-lo de lá.
Fechou os olhos, e em seguida, fez algo que — em suas atuais condições — imaginou não ser possível: levantou-se sobre as duas pernas, impulsionando-se para frente, no intuito de alcançar o pokemon indefeso.
E num piscar de olhos, tudo o que se via era água.
Mais um ataque inusitado de Absol: Hidro Bomba. Ele sentiu a força daquele movimento, mas como havia pensado, estava sendo muito mais fraco do que o planejado.
“Eu sabia...”, pensava, enquanto prendia a respiração. “Ele tomou distância demais para atacar...”
Talvez ele não pensasse em nada disso, se na semana anterior não tivesse lido dois livros de física. O ataque do pokemon poderia ter sido muito mais forte, se ele tivesse atacado mais de perto.
“Qualquer matéria que se movimento no vácuo mantém sua potencia original...”. Conseguiu sorrir, em meio ao turbilhão de água que lhe acertava. “Mas neste caso, eu não estava no vácuo, tinha a gravidade ao meu favor”.
Eles não precisaram agüentar ali por muito tempo, pois o ataque logo cessou, revelando um Absol em um estado quase tão ruim quantos os outros dois. Mas nenhum deles reparava em suas condições.
— Poli?? — perguntou Poliwag, sentindo seguro o suficiente para abrir os olhos e se soltar do garoto. “Por que você fez isso?”
— Porque eu percebi que aquele ataque não ia funcionar como ele queria.
— Wag? — ele queria saber muitas coisas. “Como soube que nós não iamos nos machucar?”
— Era... azul – respondeu, com uma careta. Logo se recompôs – E ele estava longe de mais. O ataque ia perder força.
O pequeno não respondeu. Encarava o garoto, que olhava para lugar nenhum, novamente com o olhar perdido. “Você é estranho...”
David analisava os estragos que o pokemon causara: poças de água em todos os lados, árvores caidas, e até fogo em alguns lugares. Absol não era o pokemon que atraia desastres. Ele era os desastres.
David e poliwag tentaram se sentar. O menino no entanto, encontrou muito mais dificuldade ao fazer isso. Sua perna não doía. Era pior. Ele não sentia mais a perna.
— Poliwag — “Vou ficar te devendo essa”.
— É, vai sim... – ele replicou, ainda analisando o estrago em seu joelho e tentando inutilmente mexer os musculos. Não ficou muito tempo naquilo, ainda não tinha acabado. O inimigo deles não tinha sido derrotado. – Vai precisar de ajuda com ele?
-...Wag — ele admitiu. Sua pele azul o camuflou quando ele ficou levemente corado.
— Então vamos lutar. Dessa vez juntos – se sentiu um tanto infantil ao completar aquela frase.
Um pouco mais animado, Poliwag se levantou, imediatamente preparado para alguma ordem. Sentiu que o ataque aquático de Absol o havia revitalizado. Estava um pouco melhor agora, poderia lutaria sério.
— Ok... Tente o ataque de bolhas – experimentou David, sem muitas opções. Desconhecia os ataques daquela espécie.
O anfibio obedeceu, lançando um enorme numero de bolhas, talvez bastante para que um pokemon como ele mesmo fosse acertado com 100% de precisão. Mas Absol não era como ele. Conseguiu desviar da maioria delas mesmo com o cansaço de seu ultimo ataque.
“Parece que ele não vai desistir tão cedo...”
Agora era a vez de o adversário atacar. O noturno optou por ataques do seu próprio tipo, e notou que o girino desviava de seus golpes, com igual facilidade.
Poliwag ria. Mais parecia um Totodile feliz, pulando de um lado para o outro, esquivando-se dos ataques e caçoando de quem os lançava.
“Ele se recuperou rápido...”, pensava David. Se não estivessem em uma situação de risco, ele até poderia achar aquilo hilário. O pokemon, que a pouco sofria pela velocidade excessiva de Absol, agora era o que tirava proveito desse mesmo recurso.
Absol se enfurecia com as brincadeiras de Poliwag. Não era pra menos, o pequeno estava se saindo tão bem quanto ele na luta. Seria imperdoável perder para uma criatura tão... insignificante.
“Não vai adiantar muita coisa se ele ficar só desviando...”, mas David não sabia o que fazer. Ainda encontrava alguma dificuldade em tentar decifrar que tipo de ataque o pokemon possuía. “... Ou vai?”
— Poliwag! Vá pra perto do Absol! – ele exclamou, só conseguindo deixar o pokemon confuso.
“Apenas faça, por favor...”, ele pensava, encarando o girino com uma expressão suplicante.
O pokemon ainda olhava para o garoto, esperando que ele dissesse que aquilo foi algum equívoco, que era pra ele continuar o mais longe possível do oponente. Mas nada veio. Se ele fosse pra perto do inimigo, este poderia acertá-lo com uma facilidade muito maior. Mesmo assim, ele obedeceu, receoso.
“Espero que saiba o que esta fazendo...”.
Absol ficou perplexo, mas igualmente satisfeito. Não entendeu porque o garoto ordenara ao pokemon que se aproximasse, e muito menos porque ele obedeceu, seria praticamente cometer suicídio. Mas por outro lado, era tão conveniente, aquele pokemon indo ao seu encontro. Poderia atacá-lo como quisesse sem gastar toda a energia que ainda lhe restava.
Esperou que ele chegasse perto o suficiente para cessar seus ataques noturnos e tentar golpes físicos, como, no caso, um ataque rápido.
Poliwag teve o cuidado de não ir rápido demais para perto do oponente, pois assim poderia ter alguma reação quando este tentasse qualquer movimento. Se sentiu aliviado ao ter feito aquilo, quando viu que Absol vinha atacá-lo com um ataque rápido.
David sentiu que seu plano funcionava. Enquanto os pokemons estivessem proximos, Absol não sentiria necessidade de usar ataques especiais, o que facilitaria para o pequeno pokemon aquático, que não receberia tanto dano. E ele ainda poderia bolar alguma estrategia para acabar com o inimigo com seus proprios golpes.
O girino desviou da primeira investida, pulando, e instintivamente mandando um fraco ataque de bolhas na direção do adversário, que recebeu o golpe como se não estivesse acontecendo nada. Quando veio uma resposta do noturno, ele não teve tanta sorte. Como já estava no ar, não poderia se esquivar mais. Foi atingido nas costas, indo imediatamente de encontro ao chão.
— Poliwag!?!?! – exclamou o garoto, logo que viu que o girino se demorava no ato de levantar. Se sentiu um completo inútil. Queria se levantar dali, pegar Poliwag e tentar fugir, mas nas condições em que estava agora, não podia fazer nada.
— Wag — murmurou o pokemon, sua voz cheia de uma falsa tranqüilidade inadequada para a ocasião. Tentou levantar-se de forma a parecer não ter sido muito afetado pelo ataque, mas falhou ao fazer isso. “Eu estou bem”.
Ele precisou de alguns segundos para recuperar a estabilidade, e quando a conseguiu de volta, direcionou um longo olhar de fúria a Absol. O noturno tentou retribuir o olhar de ameaça, mas tudo que conseguiu foi provocar um sentimento estranho de tristeza em quem o encarava.
Com raiva, Poliwag jogou mais uma vez as bolhas, mas seu ataque estava fraco demais, quase não funcionou.
David sentiu a subita sensação do medo voltar a invadí-lo. Acabara de se lembrar de algo que descobrira a não muito tempo sobre habilidades dos pokemon. Aquela era a razão dos ataques de Poliwag acabarem tão rapidamente.
Pressure. A habilidade natural de Absol, que faz com que os ataques dos pokemon adversários se esgotem duas vezes mais rápido. Agora ele tinha certeza absoluta que não iam ter chance nenhuma.
— Poliwag, pare de atacá-lo! – exclamou David, concluindo que não teria nenhum plano melhor. O pokemon que nem atacava mais apenas se distanciou um pouco – Mas procure ficar o mais perto dele que puder – teve que acrescentar, vendo a reação do girino.
Que conveniente, pensava Absol. Agora, também, sem atacar. Aquele garoto era absurdamente ignorante. Mas não fazia muita diferença mesmo, se ele estivesse atacando, também não conseguiria nenhuma vantagem.
“Ele vai destruir nós dois”, pensou Poliwag, mas mesmo assim obedeceu, sabendo que suas chances iam ser as mesmas se estivesse lutando sozinho.
Aconteceu tudo novamente: Absol voltou a usar ataques físicos, e Poliwag voltou a desviar deles, agora, sem revidar com nenhum ataque.
Talvez aquilo ali também funcionasse. Se continuassem daquela forma, em algum momento eles iriam cansar tanto que não conseguiriam mais lutar, e ai ele poderia fazer alguma coisa. O problema era simplesmente que ele não sabia qual dos dois iria agüentar mais tempo.
Absol não hesitou nem um segundo. Investidas, ataques rápidos, arranhões, mordidas... Usava tudo que estava ao seu alcance para infligir dano em Poliwag, mas este, mesmo sendo muito inferior, não era um alvo fácil. O girino conseguia desviar de quase todos os golpes, para o seu desgosto.
“Talvez com isso eu consiga pelo menos ganhar tempo...”. David não tinha tanta certeza de que o pequeno anfibio agüentaria mais que Absol. Começava a pensar em algum outro plano alternativo.
O girino abusava de qualquer recurso que tinha. O noturno vinha com uma investida, ele desviava. Atacava com arranhão, ele pulava. Preparava um ataque rápido, ele se escondia. Quando Absol veio tentar morde-lo, acabou passndo direto sem nem ver o que Poliwag tinha feito para se esquivar.
Ambos interromperam seus movimentos. Estavam os dois, ofegantes e cansados, mas a julgar pelos olhares um tanto ameaçadores, não pareciam querer parar. Poliwag foi quem desviou o olhos primeiro, encarando David como se esperasse alguma ordem.
David retribuiu ao olhar do girino, pensativo. Até que lembrou de um outro ataque básico daquela espécie. Seu trunfo.
— Hipnose – disse ele ao pokemon, em uma voz calma e breve. Também era aparente uma tímida confiança.
Poliwag assentiu, e logo voltou a encarar Absol, agora com um novo propósito.
De inicio, o noturno não entendeu o que estava acontecendo. Precisou prestar um pouco mais de atenção até compreender o que era aquilo que girava em ritmo constante na barriga do girino. Entendeu que era um redemoinho. Provavelmente era algum tipo de ataque do oponente, mas ele não conseguiu parar de olhar ali, começando a se sentir sonolento.
“Isso já é uma grande vantagem...”, pensava o garoto, enquanto assistia seu adversário cambalear de um lado para o outro, procurando — sem muito sucesso — não adormecer.
A esta altura, Poliwag já havia cessado seu ataque, apenas observando a luta de Absol contra si mesmo. Esperou que David indicasse algum outro movimento.
— Arma de água – Freeman falou, quase sem pensar. Não tinha certeza dos ataques do Poliwag, mas se ele era um pokemon aquático, obviamente saberia a arma de água.
E o pokemon conhecia sim aquele ataque. Com cuidado, ele mirou no Absol — que já havia se rendido ao sono e dormido — respirou fundo e atacou. Um movimento não tão potente quanto deveria ser.
Mas aquilo era o de menos. O garoto não tinha ordenado para Poliwag atacar para tentar nocauteá-lo, não conseguiria isso nem que fosse seu real objetivo. Ele queria apenas ter certeza de Absol realmente havia adormecido – e para a sua sorte, ele dormia em seu mais profundo sono. Agora, ele poderia ir embora, seguro de que não seria interceptado outra vez pelo pokemon que lhe causara tantos problemas.
— Poliwag? – David chamou.
O girino se virou.
— Vamos embora.
Poliwag concordou imediatamente. Não tinha porque discordar daquilo. Logo, ajudava o menino a se levantar.
— Obrigado – disse, enquanto admirava a velocidade em que o pokemon o tinha posto de pé. O pokemon era dono de uma força anormal.
Sem dizer nada eles andaram – ou mancaram, no caso de David – indo para o mais longe que conseguiam àquela mínima velocidade.
“Tem alguma coisa errada”, pensava o garoto, enquanto tentava se equilibrar com apenas uma perna. Olhou para trás, onde a alguns metros estava o Absol, aparentemente dormindo. “Isso foi... fácil demais”.
Desviou os olhos do pokemon. Não estava se sentindo muito a vontade ali. Calmo demais. Isso sempre lhe dava a sensação de que alguém o observava. Mas o pior é que nunca era apenas a sensação...
— Wag... — comentou o girino. “Acho que ainda não acabou...”.
\"E eu tenho certeza\"
David fechou os olhos, procurando refletir sobre o que acontecia, mas sua mente não ajudava. Já estava cansado demais pra ficar pensando naquilo. Também não teve sucesso quando tentou ocupar seus pensamentos com qualquer outra coisa, porque o que lhe veio foram todos os seus problemas dos dois últimos dias.
— Wag? — Poliwag mostrava-se muito preocupado. Mas sua preocupação estava quase completamente voltada para alguma outra coisa que com certeza não era David. “Você está bem?”
Ele negou, silencioso. Teve a impressão de que o pokemon teria prestado muito mais atenção em sua resposta se tivesse se utilizado das palavras, porque Poliwag não demonstrou nenhuma reação quando ele respondeu.
— Poli? – perguntou o girino sem olhar para o garoto, ainda preocupado com alguma outra coisa. “O que aconteceu?”
— Hum... – David hesitou, pensando se era mesmo necessário responder – Não é nada...
Poliwag pareceu ignorar novamente a resposta. Mas tinha seus motivos. Estático e apavorado eram as palavras que o definiam, enquanto seu olhos continuavam pregados no que quer que estivesse à frente deles.
A cor sumira da face de David. Tinha certeza que pela ansiedade do anfibio, não devia ser alguma coisa muito boa. Hesitou em olhar. No entanto, não precisava de coragem quando a curiosidade sempre falava mais alto.
Não, não foi nada que ele desejou ver . Um humanóide de cor amarela, não muito alto, permanecia ali, lhe encarando com um olhar curioso. Ele possuía alguma coisa branca envolta em seu pescoço, e um nariz que chamava muito a atenção. Hypno.
Acabara de se lembrar. Havia visto esse mesmo espécime pulando da árvore que quase acabara com a sua vida a poucos minutos. O que ele estaria fazendo lá?
— Poliwag? – o pequeno tentou dizer com cautela, como se qualquer palavra fosse deixar o garoto pálido novamente. Mas tinha que ter cuidado também com o pokemon ali, pois não sabia se ele representaria qualquer tipo de ameaça. “O que quer que eu faça?”
— Esteja pronto para a luta. – respondeu David imediatamente – Mas não o ataque, apenas tome cuidado – ele tinha esperança de que o pokemon na iria machucá-lo se ele também não fizesse nada.
O girino assentiu, e deu alguns passo à frente. Hypno o ignorou, com seu olhar tão cheio de curiosidade voltado exclusivamente para o menino. Deu alguns passos na direção dele, mas Poliwag impediu. Então, de longe, eles o encarou, até que resolveu erguer o pendulo que carregava. De longe, uma moedinha dourada, balançando de um lado para o outro, tão fragil e inofensiva. Mas era claro que os objetivos de Hypno não eram nada frageis e inofensivos.
\"Hipnose\", ele conclui, sem conseguir desviar os olhos. Já era tarde demais quando ele percebeu que era aquilo que estava bloqueando seus movimentos o tempo todo naquela luta.
-Wag!?!? – o girino logo notou o que estava acontecendo. Não perdeu tempo, atacando o Hypno com um Jato de Água que, infelizmente, de pouco adiantou...
David perdera completamente os movimentos. O pokemon hipnótico ainda continuava com seu pêndulo, mas seus objetivos não se restringiam apenas ao bloqueio dos movimentos. Tortura.
Um som rouco escapou do garoto. Soou tão estranho que talvez ninguém tenha percebido que aquilo era um grito. Ele estava sofrendo. Sua cabeça, estava ponto de explodir, acrescentada a sensação de ter cada centímetro de seu corpo perfurado por agulhas.
Poliwag viu aquilo, paralisado. A cena que presenciava era tão indescritivel que por um momento ele simplesmente se esquecera como mover os musculos.
David gritou mais uma vez. Sua voz mal saiu.
Incapaz de se conter, o girino nem pensou duas vezes antes de sair correndo na direção de Hypno, para logo depois tomar-lhe aquele maldito objeto e fugir. Isso não agradou muito o psíquico, que pela primeira vez se mostrou enfurecido, e foi perseguir o ladrão, correndo de forma estranha e desengonçada.
David, no chão, sentiu alivio. Agradeceu imensamente por seu momento de tortura ter sido tão breve. Mesmo que seu corpo relutasse em esquecer completamente aquela sensação...
Se sentou, onde estava, para fazer mais nada senão assitir aquela cena deplorável dos pokemon. E ele quase riu vendo aquilo: Poliwag era mais rápido, fugia com pendulo na boca, e já estava a uma boa distancia de seu perseguidor, que a cada passo parecia que ia tropeçar e desabar no chão.
Hypno parou. Correr não era seu forte e ele tinha outros métodos de recuperar seu objeto. Era o que iria fazer. Usou Psiquico, erguendo o anfíbio a uns dois metros do chão. Uma fração de segundo antes de antes que o girino não pudesse mais se mexer, ele conseguiu arremessar o pêndulo para David.
Fora uma bela idéia de Poliwag, pensava o garoto. Muito embora naquele momento o pokemon só pensava em manter aquele objeto terrivel longe de seu dono. Aquilo lhe serviria como vantagem, mas precisava agir com cautela: o inimigo agora tinha um refém.
-Hypno! – ameaçou o pokemon, erguendo uma de suas mãos para o garoto, enquanto com a outra meio que torturava o outro pokemon. “Devolva isso ou ele morre!”
David não encontrou muita dificuldade em entender aquilo.
— E se ele morrer você nunca mais vai ver seu precioso pêndulo — ele falou rapidamente, tentando parecer tão frio e ameaçador quanto o pokemon. Rezou para que Hypno não pensasse muito naquele momento, pois sabia que ele não tinha nenhum meio de destruir o objeto.
O psiquico riu. Ele não iria desfazer de sua ameaça, e sabia que o menino também não. Era uma situação como aquela que ele precisava, onde poderia ficar parado e ao mesmo tempo cumprir sua missão: ganhar tempo.
Obviamente, para David era impossivel compreender as atitudes daquele ser. Tudo bem. Não estava compreendendo as atitudes de ninguém naquele dia — nem as suas proprias...
Mas ainda assim, na posição de Hypno, ele poderia fazer muitas coisas ao seu favor, mas ele continuava ali parado. Ninguém fez mais nada, aliás. Ficaram congelados naquele jogo de paciência apenas esperando que o outro viesse com algum movimento para que pudessem revidar. Até Poliwag pareceu interromper seus lamentos de tortura, enquanto ele aguardavam.
Até que alguma coisa muito diferente do que eles esperavam aconteceu.
Algum ser voou na frente de David a uma velocidade assustadora, conseguindo uma consideravel ventania. Demorou para que ele percebesse que agora não estava mais sobre a posse do pêndulo. Isso, quase ao mesmo tempo em que algumas outras criaturas – menores e menos rápidas – acertaram Hypno e libertaram seu refém.
Pouco depois, quando todos aqueles seres pararam, pôde-se entender o que aconteceu. E não era de todo mal. Absol voltara, mas os outros pokemon aquáticos também chegaram lá.
“Acho que isso sim é o que se pode chamar de luta justa”.
Ninguém aguardou qualquer coisa para começarem a lutar. Não muito tempo e já tinham ataques voando para um lado, pokemon voando pro outro...
E David, novamente o inutil no meio daquilo tudo. Nem ir para um lugar um pouco mais seguro ele conseguiria, não tinha condições nem de se levantar. Teve que se jogar para o lado, quando uma squirtle em meio a um giro rápido passou a centímetros da sua perna machucada.
— Poliwag! – pediu o pokemon, de qualquer lugar que não foi possível identificar. “Ajuda a gente aqui!”.
— Poliwag! Tem que atrair os dois pro mesmo lugar! – David entendeu que a forma mais fácil de acabar com os pokemon era derrotar os dois ao mesmo tempo. O que não significa que isso realmente era fácil.
Mas agora ele poderia contar com a ajuda não só do Poliwag, mas de todos os outros, e o Absol já estava muito desgastado depois de tanto tempo de luta. Poliwhril foi ajudar Poliwag com Absol, enquanto Marill e as Squirtle foram contra o Hypno.
Não demorou muito. Os aquáticos aos poucos conseguiam aproximá-los, mas não era nem de longe uma tarefa muito facil. Eles lutavam usando todo o pouco poder que tinham.
Hypno usava o psíquico em qualquer um que tentasse se aproximar. Umas duas vezes teve que criar ataques simultâneos, porque os inimigos eram muitos. Absol literalmente explodia em ataques noturnos, sem nem saber o que atacava, vários desses ataques acertaram os pokemons, mas uma quantidade muito maior terminou com o pouco de floresta que ainda existia ali.
— Usem uma combinação com seus jatos de água
Os pokemon se recuperam do esforço que estavam fazendo, enquanto se juntavam num único ponto para atacar do modo que faziam melhor. Uma combinação de ataques tão forte quanto uma Hidro Bomba, que conseguiu encobrir os oponentes, aparentemente os mandando para longe. Não cessaram o ataque até terem certeza de que nada viria como resposta. Quando encerraram seus esforços, não viram nenhum quadrúpede de olhar sereno ou algum humanóide com o nariz grande demais.
Eles não estavam mais lá.
— Acabou? – perguntou David, tendo certeza de que aquele ainda não era o fim. Vasculhou tudo ao seu redor, procurando algo que indicasse que os pokemon não tinham ido embora, ou que ia aparecer algum outro.
O silencio.
— Whirl. Poli Poli – replicou o grande anfíbio, gentil – “Acho que sim. E se não tiver acabado, nós damos um jeito”.
Um minuto foi necessário, para que todos ali entendessem que não havia mais perigo.
“Foi... Tão rápido...”, pensou o garoto, sem dar muita atenção a resposta – que ele nem conseguiu entender – de Poliwhirl. Realmente, aquele final tinha sido um tanto inusitado. Havia se acostumado com a luta complicada, e analisando a forma simples como terminou, teve dificuldade em aceitar a realidade. Tentou ficar feliz, então. Seus problemas diminuíram, e ele podia dizer que estava melhor.
Não estava em condições muito boas. Aliás, suas condições nunca estavam boas, mas ainda assim se sentiu bem.
(...)
— Então... obrigado, por tudo – David queria mais é se desculpar do que agradecer. Todo o apuro que os pokemon passaram naquele dia tinha sido culpa dele – e me desculpe por...
— Squirtle! – falou o macho. “Nos já sabemos e não precisa se preocupar com nada!”
— Whril, poliwhril... – comentou. “E além do mais aquilo foi legal, eu estava precisando de um pouco de ação...”
O garoto sorriu junto com o Poliwhirl otimista.
— Squirtle? – perguntou a fêmea, preocupada. “Tem certeza que não precisa de nada?”
— Não se incomode tanto comigo... – mas era natural se incomodarem, vendo o estado em que ele estava.
Trocaram despedidas, alguns pedidos de desculpa e vários olhares tristes que aparecem quando um amigo vai embora. Mas David ainda não falara com Poliwag, que acabou ficando por ultimo.
— Então... Tchau. Espero vê-lo de novo algum dia. – descobriu que tinha desenvolvido um amizade peculiar por aquele espécime.
— Wag – despediu-se o girino. Esperou que o garoto dissesse algo mais.
— Tchau – falou David. Esperou que o pokemon dissesse algo mais.
Trocaram olhares cheios de esperança, imaginando que a qualquer momento o outro diria o que ele não tinha coragem de dizer. Mas nada veio.
Então, David se foi, caminhando de forma lenta e desajeitada. Mancava muito com a perna esquerda...
Marill deu uma risada estranha, depois que o garoto já estava longe demais para ser alcançado.
— Wag? – questionou, curioso com aquilo.
— Mar marill... – explicou. “Esquecemos de devolver a caneta dele...”
(...)
— E então, qual é a sua resposta? – perguntou o homem com roupas negras, ainda mais sombrio naquele inicio de noite.
— Eu aceito – respondeu o jovem que o acompanhava, uma expressão insondável em seu rosto.
Do alto, um pidgey os seguia, voando em círculos acima da cabeça dos dois...
xXx
Notas finais
Mas por favor! Mandem review xP
E me desculpem pela falta de acentos e por algum erro que eu deixei passar. Estou sem o word e num tinha ninguém pra revisar...
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