Pokemon Vírus

9 Capítulo 9 - Fragmentos de um Mesmo Destino


Notas iniciais
tá aqui após um tempinho .-. Não reclamem, pelo menos tá aqui (y) Então, espero que gostem desse, vai esclarecer MUITA coisa na história... sem mais delongas #edit: dels, o nyah tá mentindo, num tem tanta palavra assim nom è_é ou vai ver eu copiei alguma coisa duas vezes quando passei pra cá, quem ver algum erro ai fala nos comentários .-.

Capitulo 9 – Fragmentos de um Mesmo Destino

Anna Ashwood sabia que não deveria ficar parada no meio de um incêndio que ameaçava não só a sua vida, mas a de outros também. E mesmo assim, demorou-se ali, ainda atordoada com as ultimas informações.

Ela simplesmente não sabia o que fazer.

Teria que fazer uma escolha, e deveria fazer rápido. Certificar-se de que ela e David sairiam vivos dali, ou recuperar os fatos que desmentiam tudo o que se entendia até então como verdade à respeito da morte de um dos mais renomados cientistas do mundo – e que a esta altura, já poderiam estar completamente destruídos.

Não era fácil. Ela nunca fora boa em escolhas, e agora era pressionada a fazer uma que poderia simplesmente mudar tudo. Hesitou, por mais alguns segundos, enquanto uma infinidade de coisas passavam por sua mente,

Decidiu-se, por fim. Era mais importante que a sua vida...

- Anna!? O que está fazendo?? – ela ouviu alguém dizer.

Sua mãe.

— Mãe? – ela questionou, também surpresa – O que você está fazendo aqui!? É o meu quarto!

Ela tinha não mais que onze anos, seu rostinho adorável e inocente, escondendo seus verdadeiros sentimentos.

— O que você ainda está fazendo? – a mulher, alta e bela, compartilhava dos mesmos cabelos loiros da filha, mas os seus eram maiores, mais claros. Talvez um pouco grisalhos...- Já devia estar na cama! – ela completou, incapaz de ser realmente severa com a garota.

A menina não podia contestar. Ela era sua mãe, e estava mais que certa. Quase meia noite e a jovem Ashwood ainda pregada em seu computador. Não ousou responder, mas também não parou com o quer que estivesse fazendo.

— Hum? – sua mãe perguntou, um tanto curiosa – O que está fazendo ai?

— Hackeando... – retrucou, como se fosse o mesmo que assistir TV ou falar ao telefone.

A matriarca, de inicio, não acreditou. Sua reação foi rápida.

— O que!?!?

Anna olhou para sua mãe, enquanto esta olhava para o computador, preocupada. A garota não entendia a razão de ter uma mulher tão preocupada ao seu lado.

— Como você fez isso?? Porque está fazendo isso?? O que são esses arquivos todos? – a mulher não parava para respirar – Onde conseguiu tudo isso?? QUEM É O HOMEM NAQUELA FOTO???

A jovem, a esta altura, mais assustada que a mãe, não falou nada.

— Por favor me diga – a mulher agora segurava sua filha, seu olhar suplicante – Como conseguiu tudo isso??

— Internet... – foi só o que ela disse

A mãe olhou novamente para o computador, soltando a menina. Tantos fatos. Tantas provas de crimes. Tantas especulações. Tudo, todos as circunstâncias que ela não conseguiu provar, tantos crimes sem solução.

E a resposta ali, com sua filha.

— Pra que você tem tudo isso? – ela perguntou.

— Eu... gosto de tentar resolver tudo isso. São crimes que eles abandonam por falta de provas – a garota admitiu, mais uma vez com sua naturalidade extrema – eu consigo os fatos que “eles” geralmente escondem da mídia...

— Por que você faz tudo isso? -

— É divertido...

Aquilo realmente deveria ser um problema de família. Sandra, a mãe da garota, tinha toda uma paixão por investigação criminal, que nunca manifestava na frente de sua filha ou de seu marido. Mas era como uma segunda vida, que ela levava em segredo. Talvez um segredo grande demais. Algo que nunca deveria ser dito, nem pensado.

— Mãe? – Anna perguntou. Já se recuperara do repentino ataque da mulher, mas ainda estranhava as atitudes de sua mãe, que agora estava calada e parecia estar com os pensamentos muito longe.

A mulher lembrou. Sua filha não entenderia por que ela estava assim. E não deveria entender. Mas ela teria que contar.

— Eu tenho que lhe contar uma coisa... – ela falou, pela primeira vez realmente séria com sua filha.

E disse, não apenas sua história com a investigação, mas algo que nunca deveria ser passado a diante.

Anna riu de si mesma, quando finalmente chegou a ala dos computadores. Lembrou-se de um fato muito peculiar de seu passado.

“Estou arriscando minha vida simplesmente porque é divertido...”

Enfim, os computadores. Ficou enormemente surpresa – e agradecida – por ter encontrado aquele espaço intacto. Não fazia a menor idéia de como aquilo ainda estava inteiro. Era apenas mais uma sala reservada na enorme biblioteca, e que não parecia ter nada de tão especial que impedisse o fogo de alcançá-la.

Não se importou.

Forçou-se a lembrar o que fazia ali. As provas que desmentiam o maior crime da história.

(...)

A pequena saleta onde se encontravam os dois homens subitamente pareceu muito mais sombria e mórbida, enquanto o silencio prosseguia. O homem de pé, Bragi, sabia que deveria se preparar para alguma coisa.

— Foi você? – o outro homem, sentando em sua cadeira, perguntou subitamente. Como de praxe, não se dera ao trabalho de olhar para seu subordinado.

Bragi sentiu imediatamente o peso daquelas palavras, entendia que estava sendo acusado, e que a partir de agora deveria tomar o máximo de cuidado com o rumo daquele diálogo.

-Não – ele disse simplesmente. Sua voz não transpareceu calma, e nem um pouco de confiança.

Silencio. Ambos sabiam que aquela resposta não era nem um pouco convincente, apesar de nenhum deles ter se pronunciado mais. Aguardavam os motivos e as oportunidades certas para falar.

Bragi viu de relance uma garota loira em uma das telas. Anna acabara de alcançar a ala dos computadores e já recolhia todos os papeis e a bolsa que foram esquecidos ao lado de um dos aparelhos.

O homem da cadeira finalmente tomara uma decisão. Pela primeira vez, em muito tempo, ele se virara. Pela primeira vez, em muito tempo, ele e encarava uma pessoa nos olhos. Pela primeira vez em muito tempo, ele falava realmente muito sério. E pela primeira vez em muito tempo, pôde-se ouvir o som horrendo de uma cadeira giratória que há muito não exercia sua principal função.

— Por favor – o homem disse, as poucas formas visíveis de seu rosto eram insondáveis. Mantinha-se sério, apesar de tudo – Eu preciso saber a verdade.

Alexander Volk era um homem de cinqüenta e dois anos, mas que evidenciava ter não mais que quarenta. Era verdade, seus fios brancos o denunciavam, mas seu rosto mantinha-se sempre firme, uma expressão de determinação incomum. Era um visionário. Um homem de inteligência acima do normal, que conseguia entender as pessoas, e as manipulava.

Era enorme a quantidade de recursos e artifícios que ele possuía, e quando era necessário, nunca hesitava em usá-los. Agora, se utilizava de uma das suas mais preciosas armas. O medo.

Bragi imediatamente notou uma pokebola nas mãos do outro homem, que brincava com ela discretamente, aguardando uma resposta. Um aviso. Uma ameaça.

-Você sabe o quanto eu prezo pela vida desse garoto – foi obrigado a admitir. Aquilo simplesmente explicava tudo, não havia mais necessidade de dizer mais nada. E no entanto, ele se sentia na obrigação de prosseguir – Eu... eu não conseguiria fazer isso.

Alexander acompanhou as palavras de seu subordinado, que ainda hesitava em suas explicações. Claro, não era como se ele fosse ficar mais aliviado em saber que não fora um de seus homens que pusera fogo na biblioteca. Quase sempre, sua vontade de saber a verdade pisava nos princípios de certo e errado.

Bragi, por sua vez, se sentia completamente mortificado. Nunca imaginaria que um dia seria obrigado a dizer aquelas palavras, não devia demonstrar os sentimentos daquela forma. Mas era a verdade.

Tudo bem, afinal ambos sabiam que em algum momento seria realmente necessário silenciar aqueles garotos, mas não havia necessidade de tudo aquilo. Atrair as atenções para um grande incêndio criminoso era uma estupidez enorme.

E Alexander teria sérios problemas se a mídia e a polícia demorassem demais a encontrar a quem culpar por tudo aquilo. Seria muito mais simples pra eles, criar um imenso sensacionalismo e relacionar tudo àquela empresa.

Chegava ao ponto em que seus problemas eram tantos que o dono de tudo aquilo começava a se questionar as próprias motivações pra seguir em frente.

Não havia completado nem uma semana, mas já pareciam meses confinado ali naquela sala, elaborando planos, gastando quantidades imensas de dinheiro, fazendo tudo o que podia simplesmente para sustentar aquele projeto.

Suas motivações, mais uma vez estavam sendo distorcidas. Mais uma vez, ele estava se deixando vencer pelo cansaço...

\"Com tantos outros lugares bem melhores pra se tomar um café da manhã, ele tinha que escolher logo Pallet. Odiava aquele lugar, mas amava aquele lugar. Tudo ali, cada estrada, cada passo que ele dava, lhe lembrava seu passado. Gostava de caminhar por ali. Era tranquilo, divertido. Caminhava, quase que alegremente pela praça, seus próprios pensamentos a respeito de tudo o que acontecera nos ultimos dois anos. Ele se questionava quanto ao que viria em seguida, o que aconteceria, uma vez que seus motivos para seguir em frente já estavam se esgotando.

O que procurava, era praticamente impossível encontrar, ele sabia, e ainda assim prosseguira durante todo esse tempo. Agora, ele questionava os próprios motivos.

\"Não há mais porque continuar com isso...\"

— O que!?!?

Um garoto gritara, ao longe, chamando a atenção de todos ali.

O homem, naturalmente, se virou também para ver o que acontecia, e encontrou dois jovens à beira do lago, discutindo qualquer coisa em baixo de uma árvore. Um possuía cabelos pretos e o outro castanho um pouco mais claro, uma pequena pilha de livros ao lado do segundo. E olhando para aqueles dois, ele foi atingindo por uma nuvem de compreensão e novas idéias.

\"É ele!\"

Prosseguiu em seu caminho pela pequena praça, mas sempre fixo nos dois jovens. A esta altura o celular já estava em mãos, enquanto ele discava nervosamente um numero de telefone complexo.

Do outro lado da linha, uma mulher atendeu imediatamente.

— Aconteceu alguma coisa?

Em Pallet, o primeiro homem percebeu um dos garotos, o de cabelo preto saindo, e deixando o outro sozinho com os livros.

— Nossos planos mudaram.\"

-Volk? – chamou uma voz impaciente. Uma voz masculina, rouca e de certa forma, ameaçadora. Seu dono, um homem de não mais que vinte e cinco anos, aguardava ha algum tempo de pé, ao lado da porta. Usava roupas escuras e seu típico chapéu exagerado sobre a cabeça, além de uma discreta pasta em suas mãos.

Alexander tão logo despertou de seus pensamentos e já compreendera tudo que havia acontecido. Mas não era muito difícil perceber: Bragi se retirara da sala e agora se encontrava ali aquele outro indivíduo.

Um sujeito que aliás, ele não fazia a mínima questão de encontrar naquele momento.

— O que você quer? – ele logo questionou, sem se importar com formalidades.

A simples presença daquele homem ali o irritava profundamente.

O outro exibiu um sorriso atípico, e respondeu:

— Eu não quero nada – agora, ele ousava andar pela sala, analisando as imagens exibidas pelas telas de computador – Nós dois sabemos que eu só estou aqui porque você quer.

Se havia um homem no mundo que realmente conseguia deixar Alexander Volk irritado, aquele homem certamente era Daniel Parker. De fato, um minuto na mesma sala com os dois era demais para qualquer um. Eram ambos muito orgulhosos, e não desistiriam de seus pensamentos nem que estivessem à beira da morte.

Talvez, o mais curioso na relação entre os dois, era que este segundo adorava provocar seu superior. O que o fazia perder a cabeça com facilidade.

E apesar disso, Volk era obrigado a aceitá-lo do seu lado. Por indicação de uma valiosa amiga, descobrira então aquele homem com grandes qualidades para continuar com aquele projeto. Ele odiava admitir, mas tinha ali o que poderia ser um belo sucessor.

— Não me lembro de tê-lo chamado aqui – suas palavras foram seguidas por um suspiro cansado, enquanto fingia se ocupar monitorando o que acontecia em uma grande biblioteca em chamas.

— Só pensei em passar aqui e fazer um relatório da nossa atual situação – o segundo homem continuava da mesma forma despreocupado, parecia sempre carregar um pouco de ironia em tudo o que dizia – Situação que aliás, não está me parecendo muito favorável...

O homem em sua cadeira permaneceu em silêncio.

Daniel percorreu a sala rapidamente com os olhos, e depositou a pasta que carregava em uma pequena mesinha ao lado da cadeira de Alexander, que por sua vez dirigiu um vago olhar para o objeto.

O superior soltou mais um longo suspiro.

— E então? – ele questionou, sem olhar nos olhos do outro.

O homem do chapéu, foi tomado por uma sensação estranha.

— E então o que?

Pela segunda vez naquele dia, via-se o dono de uma grande empresa multinacional dirigindo o olhar a um dos seus subordinados. E no entanto, dessa vez era muito mais fácil perceber o que ele sentia. Ele não fazia nenhum questão de esconder a raiva dessa vez.

Os homens se encaram demoradamente naquela batalha psicológica, e prosseguiram por um bocado de tempo, mesmo sabendo que não sairia nenhum vencedor dali.

— Você sabe do que estamos falando – então, Alexander subitamente resolvera se pronunciar, salpicando sua voz com tantas ameaças que tudo o que ganhou depois daquilo foi mais do seu próprio silencio mortificante.

Parker hesitou pela primeira vez ao ouvir aquelas palavras. O homem que tinha a sua frente não era qualquer um, e sem duvida alguma possuía um enorme talento manipulando as pessoas, e até mesmo ele ficava desconcertado em sua presença.

Tentou abrir a boca para dizer qualquer coisa umas duas vezes, mas não conseguiu produzir nenhum som.

O outro esboçou um sorriso, satisfeito, e logo se virou novamente para os computadores. Admirou de relance um jovem de cabelos castanhos em uma das telas, que continuava parado perigosamente no meio do incêndio, junto de dois pequenos pokemons que pareciam não fazer nenhuma diferença naquilo tudo.

Daniel não disse nada, e também não manifestou nenhuma reação. Apenas observava pacientemente Alexander mexer em alguns botões complicados nos aparelhos à sua frente

— Você está com \"ele\"? – o mais velho em sua cadeira prosseguiu, voltando ao assunto como se nada tivesse acontecido.

O mais jovem realmente sabia do que eles estavam falando.

— Não – respondeu, simplesmente. Já recobrara seu tom despreocupado e irônico.

Volk hesitou, finalmente concluindo que não haviam regras quando se tratava daquele homem. Não existia uma maneira correta de continuar com aquele assunto, e ele próprio já não tinha vontade de prosseguir.

Após um suspiro, perguntou a primeira coisa que lhe veio a mente.

— Por que você não o trouxe?

— E porque eu tinha que trazer alguma coisa pra você? — rebateu o outro imediatamente.

Mais uma vez, o silencio.

Palavras não eram mais necessárias, o assunto estava encerrado. Alexander resolveu se ocupar com a pasta que Daniel acabara de trazer, e este decidira então se retirar.

— Ele está do nosso lado, se é o que quer saber – o homem disse, pouco antes de passar pela porta da sala – “O garoto do cabelo azul”

(...)

— Wag?Poliwag!?! — O pokemon gritava, sua voz se destacando em meio a todo estardalhaço das chamas

Mas David não se mexia.

— Wag!! – ele implorava. O garoto nem sequer piscava. Era como se estivesse congelado no tempo, enquanto todo o mundo ao seu redor continuava a girar, indiferente.

E os apelos de poliwag não valiam de nada. Simplesmente desapareciam em meio a fumaça de uma biblioteca em chamas. Milhões de livros ali, desapareciam, e tão logo eles seriam os próximos. O pequeno não se preocupava mais com os ataques do sujeito misterioso – que à esta altura, já desaparecera, não deixando nada que provasse sua existência.

Em uma última tentativa desesperada, o pokemon mirou um Arma de água no rosto do garoto, e apesar de não ter se preocupado em moderar o ataque, não conseguiu resultados muito satisfatórios. Não tinha mais forças.

E David aliás, não manifestou nenhum sinal de vida

Continuaria ali parado, sem notar o que acontecia, e provavelmente só iria notar quando estivesse morrendo. Quando estivesse queimando.

Poliwag estremeceu ao pensar naquilo, e rapidamente tentou afastar aqueles pensamentos, concentrando nas suas opções naquele momento. Mas era difícil fazer qualquer coisa. Não tinha como tirar o garoto dali, estava fraco demais pra isso.

Sua outra opção era abandoná-lo. Puniu-se mentalmente só por ter cogitado a possibilidade. Ele não podia fazer isso, não com quem já havia salvo sua vida duas vezes. Pensar naquilo era errado. E além do mais, ele não aguentava as imagens que lhe vieram, do garoto de cabelos castanhos gritando, seu corpo em chamas...

“Tudo bem, ele vai morrer”, o pokemon pensou. “Mas eu vou estar do lado dele até o fim”.

E mesmo que a sanidade dentro dele gritasse com todas as forças: “saia daí!! Salve sua vida, ele já está morto” , ele permaneceu lá, com seu inúteis esforços para salvar o jovem petrificado.

“Um sujeito que aparece misteriosamente em meio a um incêndio, começa a criar granadas do nada, tenta me matar, e desaparece sem deixar vestígio algum? É, acho que é só isso...”

Uma semana. Em uma semana, David Freeman conseguira a vida mais desgraçada e anormal do universo. Aquilo aliás, podia dar um ótimo livro. Como morrer em uma semana.

Ele sabia que só iria piorar dali pra frente, e tinha suas dúvidas se conseguiria enfrentar tudo o que viria. Aquela aventura agora parecia um grande erro, e o arrependimento por todas as ultimas escolhas pesou mais uma vez.

Pensou em sua mãe. Arrependeu-se por te-la abandonado, por ter sido egoísta e deixado a mulher que o amava e zelava por ele pra trás, simplesmente para perseguir um sonho que agora não parecia nem um pouco convidativo.

Pensou em Joe. O motivo dele ter decidido sair de casa, de ter começado tudo aquilo. E eles nem ao menos estavam mais juntos. David deveria estar com raiva, mas naquele momento não pode evitar ser tomado por uma estranha preocupação com o outro. Arrependeu-se por tê-lo deixado pra trás.

Pensou em Anna. E pensou em como havia sido estúpido em deixá-la participar de tudo aquilo, fazendo-a arriscar a própria para no fim acabar daquela forma. Ele não queria nem imaginar o que poderia estar acontecendo com ela.

Enfim, pegava-se pensando em seu pai.

-Pai? – o garoto, David, chamou, escondido debaixo de seu cobertor. Cabelos castanhos, como sempre desarrumados, e o rosto de um jovem de não mais que oito anos.

Ele não obteve resposta. Mas sabia que seu pai estava ali, provavelmente mexendo nos livros do garoto e se perguntando de onde havia saído aquela coleção: “Equações – Mil e uma soluções”.

— Pai? – ele chamou novamente.

O homem, que realmente estava ali, murmurou qualquer coisa em resposta, ainda preocupado com a vasta coleção literária de seu filho. Questionava-se se encontraria ali alguma coisa que garotos comuns da idade dele costumavam ler...

— Hum... – David também murmurou, quando percebeu que por mais que tentasse não conseguiria total atenção de seu pai. E a curiosidade era muito sufocante para ele esperar o homem terminar de checar sua pequena biblioteca – Porque nós vivemos?

A pergunta congelou Beto de tal forma que ele simplesmente não tinha como responder. Ele não sabia o que responder. Abriu a boca algumas vezes, mas não saiu nada.

O silencio não diminuía a ânsia de informações de David.

— Reprodução? – experimentou ele, ainda completamente coberto pelos lençóis – Perpetuação da espécie?

O homem, surpreso, colocou o livro em sua mão de volta em seu lugar, e se sentou ao lado do filho na cama. Era fato que sempre se surpreendia com as perguntas –e respostas – de seu filho, mas nada se compara àquilo.

— Pai? – o menino chamou uma terceira vez, sem nenhuma resposta. Aquilo era demasiadamente desconfortável

Beto resolvera responder, com toda a sinceridade.

-Eu... – ele falou, um tanto relutante – Eu não sei.

Contudo, ele também tinha seu palpite. “somos todos parte de algo maior, não?”

David não disse mais nada. Provavelmente, se seu pai tivesse transformado em palavras seus últimos pensamentos, ele concordaria, e diria em seguida alguma coisa como: “Deve haver algum sentido, algum propósito. Algo por que lutarmos, para podermos fazer alguma diferença”

Mas as palavras não foram pronunciadas.

Trocaram olhares e ainda sem dizer nada, concordaram que ainda haviam perguntas que por enquanto deveriam permanecer sem resposta.

Subitamente, alarmes de incêndio começaram a soar dentro do prédio, e os irrigadores foram finalmente acionados.

A água acordara David de seus pensamentos, e se misturara a algumas lágrimas que rolavam pelo seu rosto. Logo que ele conseguira recobrar a consciência

— Wag? — o pokemon chamou, só para ter certeza de que o garoto recobrara a consciência. \"David?\"

— Vamos sair daqui — ele disse, só então percebendo o estado sério em que se encontrava o pequeno anfíbio.

O pokemon não só teve que aguentar todo esse tempo fora d\'água, como estava lutando no fogo. Agora ali, ele lutava para se manter de pé. Cambaleou, ameaçando cair, mas David o segurou antes que qualquer coisa acontecesse.

— Me desculpe por tudo isso — as lágrimas continuavam descendo, imperceptíveis.

— Poliwag! — o pequeno fingiu não se importar. “Nós temos que ir agora!”

David sorriu.

-Você fez um bom trabalho.

— David! — uma voz feminina o chamara.

— Anna — ele disse como resposta.

A garota apareceu ao lado dele, mas foi direto ao seu pokemon, que ainda estava no chão, chorando. Alguns segundo se passaram até que finalmente ela o pôs na pokebola, e se voltou para o garoto que ainda estava com o poliwag nos braços.

Nenhum dos dois disse nada. A bolsa foi entregue ao seu dono, e este checou todo o conteúdo, encontrando sua Dive Ball.

— Obrigado — ele dissera, se voltando novamente para Anna.

E silenciosamente, Poliwag entendeu o convite mudo de David, entrando na Dive Ball.

David e Anna se encararam, ambos entendendo que precisavam urgentemente sair dali. A loira auxiliou o garoto, e caminharam, agora podendo enxergar claramente a saída daquele lugar. Os irrigadores ainda descarregavam água sobre a biblioteca, e as chamas agora eram apenas alguns poucos pontos luminosos.

Ao longe, eles podiam ouvir os carros dos bombeiros, auxiliando no controle das chamas do lado de fora, e umas duas ambulâncias com seu som característico das sirenes.

(...)

O garoto com o cabelo no tom incomum de azul escuro admirava o caos do outro lado da rua, na grande biblioteca em chamas, e se perguntava o que teria acontecido lá dentro. O pidgey em seu ombro, ambos sérios, olhando fixamente para o prédio.

As pessoas já se reuniam próximas ao local, provavelmente tão mais curiosas que ele, sem saber o porque de tudo aquilo. A imprensa acabara de chegar, e uma mulher narrava o incidente para uma câmera a sua frente.

\"Estamos aqui ao vivo, direto do centro da cidade, onde como vocês podem ver, o incêndio acontece neste momento na biblioteca nacional. Os bombeiros já chegaram e estão tendo sucesso em conter as chamas, e Gary, o líder do ginásio também está aqui auxiliando o trabalho. A área foi isolada e duas ambulâncias também estão aqui, atento para o caso de feridos, mas o chefe da delegacia de policia afirma que o prédio foi evacuado minutos antes de o fogo começar. Voltamos a qualquer momento com mais informações, Claúdia...\"

Ao longe, Joe percebeu que o líder do ginásio acabara de entrar ao prédio, junto de seu Blastoise e mais dois bombeiros. Com aquilo, ele fez seu pokemon levantar vôo e desapareceu discretamente no meio da multidão de curiosos.

(...)

— Ei vocês! — Gritou um homem ao longe.

David e Anna imediatamente se viraram, procurando a origem da voz. Não encontraram de imediato, mas em poucos segundo puderam ver aquela figura de um homem vindo na direção deles. A iluminação precária que vinha apenas das grandes janelas quebradas tornavam o homem assustador.

Ambos os jovens sentiram um receio enorme, enquanto viam o sujeito se aproximar rapidamente. Mais ainda quando notaram o imponente blastoise ao lado dele.

Pensaram em correr, fugir. Contudo, a situação deles não era muito favorável. Mas, acima de tudo, de alguma forma, eles pensaram: “estamos salvos”.

O homem os alcançou, e David reconheceu imediatamente o líder do ginásio, sorrindo ao vê-lo.

Gary surpreendeu-se ao encontrar o jovem Freeman.

— David? – enquanto falava, se empenhava e retirar os dois jovens dali – Já faz algum tempo, não é?

Anna encarou a situação com incredulidade. “Esse garoto conhece todo mundo”.

Dois bombeiros chamaram o líder do ginásio, tendo dificuldades para encontrá-lo em meio aos escombros. Gary fez menção de gritar para os homens, mas David o segurou.

— Não queremos problemas com a mídia – ele sussurrou, encontrando alguma dificuldade pra falar – Só iria piorar a situação.

Anna concordou imediatamente.

— Vai ser complicado explicar porque dois jovens estavam presos dentro de uma biblioteca em chamas.

O homem pensou por alguns segundos, mas assentiu, em seguida jogando uma pokebola no ar, liberando um pequeno Umbreon. Instruiu o pokemon a despistar os bombeiros e prosseguiu, auxiliando David e Anna por uma porta discreta numa das extremidades da biblioteca

Uma saída dos fundos, os garotos concluíram. Saíram em uma ruela longe de toda a agitação e o caos na frente do prédio. O lugar não era dos melhores, mas a sensação de que podiam respirar bem novamente trouxe uma felicidade indescritível aos dois.

Estavam salvos. Haviam recuperado as provas e conseguiram sair vivos. Claro, ainda haviam várias dúvidas, várias questões a serem resolvidas, mas podiam esperar

— David, seu preto! – Anna exclamou, rindo, quando notou o estado em que o garoto se encontrava.

— Posso dizer o mesmo de você! – o garoto caçoou.

Eles realmente estavam pretos, o que tornava a situação mais engraçada.

Gary disse aos dois para esperarem ali, e voltou com seu pokemon para dentro da biblioteca. David não fez nenhuma cerimônia e imediatamente se sentou no chão de qualquer forma, enquanto que a garota apenas se encostou na parede.

E eles esperaram. Esperaram que o líder logo voltasse e os levasse para um lugar seguro. Esperaram que as coisas enfim poderiam começar a dar certo. Mas não estavam preocupados, não naquele momento. Ali, eles apenas aproveitaram, e riram.

Afinal, eles estavam bem. Não era a melhor das situações, mas para aquele capítulo na história, já podia ser um final feliz.

(...)

Alexander Volk naquele momento se retirava da sala de controles discretamente. Não avisara a ninguém onde estava indo, e nem porque saíra de repente. Na mão esquerda, um molho de chaves discreto. Na direita, um celular de ultima geração, com os mais variados recursos, apesar de mal ser usado para fazer ligações.

Ajeitou seu blazer e saiu apressadamente por um corredor. Digitou rapidamente a sequência numérica que retirou de um papel em seu bolso no telefone e aguardou alguma resposta do outro lado da linha.

Do outro lado do papel, uma foto amassada e já desgastada com o tempo, mostrava três pessoas felizes, sorrindo para a câmera. Dois homens e uma mulher. Pareciam grandes amigos.

Volk suspirou e disse, para si mesmo, enquanto aguardava o elevador:

— É sammy. Pelo jeito você me deixou alguns problemas bem complicados pra resolver...

xXx

Notas finais
Então tá ai, pessoinhas, postado. só um pedido: COMENTEM. Prometo que se vcs forem bons leitores e comentarem bonitinho eu trago uma surpresa no próximo capítulo O/ E não, não é comida .-.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.