Pokemon Vírus

3 Capítulo 3 - Um dia Melhor


Notas iniciais
Atrasado, de novo ¬¬'

Título nem tem muito a ver com o capitulo u.u

Pokémon Vírus


Capitulo 3 – Um dia Melhor

O sol ainda estava alto, mas os relógios indicavam que já era quase cinco horas da tarde. Era horário de verão, o sol ainda lutaria um bocado contra a noite.

Um garoto com cabelos num estranho tom azul escuro andava por uma das ruas da cidade de Viridian, na companhia de seu pokemon pássaro. Tentava se focar na estrada, mas seus pensamentos voavam distantes...

“Então, agora eu estou sozinho...”

“Será que tudo aquilo era necessário?”

“Parecia que... parecia que não era eu...”

“Não..., não posso voltar atrás. O que fiz está feito. Só espero que tudo esteja bem...”

Subitamente, ele pareceu ganhar mais confiança. Procurou apressar o passo, pois estava ficando tarde e ele precisava reservar um quarto para passar noite.

Alguns Murkrows voando, e algum pokemon felino revirando uma lata de lixo, apenas. De resto, a rua estava deserta e escura, graças aos imensos prédios que a sombreavam. Não ficou para admirar o lugar.

Seus passos rápidos e sonoros, não lhe fazia ficar mais a vontade ali.Poderia não ter notado, mas há algum tempo ele já estava sendo observado. E seu observante, havia decidido que já poderia aparecer sem chamar a atenção de ninguém. Afinal, não havia ninguém...

- Olá Joe – pronunciou o sujeito, aparecendo inesperadamente ao lado do jovem. Pela voz, pôde-se identificar que era um homem. Era alto, e usava roupas totalmente negras que, mesmo sob a luz do sol, fazia daquele um individuo assustador. Um chapéu exagerado no topo da cabeça, cobrindo seu rosto de tal forma que até a pessoa com a melhor visão do mundo enxergaria praticamente nada daquela face.

- Quem é você? Como sabe meu nome? – perguntou o garoto, amedrontado. Enquanto recuava a passos lentos – e indiscretos — , segurava seu Pidgey nos braços, apertando tão fortemente que quase esganava o pobre pássaro.

Um breve momento. Nem na mais estranha das situações, o garoto poderia imaginar que aquela pausa era simplesmente porque o homem decidia se ia ou não direto ao assunto.

- Tenho uma proposta para lhe fazer – e por baixo do capuz, era possível perceber que ele abria um largo sorriso.

(...)

- Poli...Whirl?

- Squirtle... squirtle, squirtle…

- Wag!

David Freeman ainda estava de olhos fechados, mas conseguia ouvir tudo ao seu redor. Tinha certeza de que havia vários pokemon ali.

As vozes dos pequenos pokemon aquáticos eram as únicas que ecoavam por ali. Era uma área grande e vazia. O garoto notou que não estava numa maca ou algo do tipo, pois seu corpo estava bastante dolorido, além de extremamente desconfortável. O ambiente era úmido, podia-se ouvir água caindo em vários lugares...

Ele não sabia se devia abrir os olhos ou continuar ali, daquela forma, e esperar até se sentir seguro o suficiente. Mas provavelmente, logo iriam percebê-lo, resolveu descobrir logo onde estava.

Felizmente, pode constatar que ao redor dele estavam apenas os pokemon aquáticos que ouvira. E só. O Absol que quase acabara com sua vida não estava entre eles.

- Squirtle! — pronunciou uma das tartarugas, querendo dizer algo na linha de: “Veja! Ele está acordando!”. Dito isto, todos os pokemon que estavam naquele lugar se aproximaram mais do garoto. Eles eram dois Squirtles – uma fêmea – um Poliwag, um Poliwhiril e um Marill.

-Âhm... Onde eu estou? – David quis saber, enquanto tentava se levantar. Logo voltou ao chão: sentiu uma forte dor no joelho esquerdo, e lembrou que o havia machucado – Como eu vim parar aqui?

Os aquáticos se encararam esperando alguém tomar a iniciativa e responder.

-Whirl, whirl, poliwhirl — explicou o maior deles, querendo dizer algo como: “Você desmaiou com os golpes daquele pokemon, então trouxemos você pra cá”.

-Hein!?! – Fora uma explicação e tanto. Pena que pelo menos até onde ele sabia, os pokemon não falavam sua língua. E David não entendia a deles.

- Wag... — lamentou o pequeno girino. “Não vamos conseguir explicar tudo tão cedo...”

(...)

- Vocês são uma espécie de... Equipe de resgate?

- Marill — falou o pokemon, meio que afirmando. “Pode-se dizer que sim”

Aquilo mais parecia um jogo de adivinhação e mímica. Vendo de longe, parecia tão mais fácil entendê-los, era pior do que David pensava. Desejava enormemente que os pokemon falassem sua lingua. Para ele, era estranho: se os pokemon entendiam o que os humanos falavam, porque eles também não poderiam falar como nós?

- Legal... – disse, não se importando muito – Como eu saio daqui?

Aparentemente, não existia nenhuma saída naquela caverna.

- Wag — respondeu o pokemon, apontando para algo que parecia ser uma pequena poça de água.

- Ali?

Os outros balançaram a cabeça positivamente.

David sentiu um frio percorrer sua espinha.

- Não vão me dizer que isto aqui é...

- Whril. Poli, poliwhirl. — “Sim, nós estamos debaixo d’água, mas não é muito difícil de sair”.

- Eu quero sair daqui – foi só o que ele conseguiu dizer. Nem tinha entendido o que conseguira como resposta, mas não importava. Odiava ficar em lugares muito fechados ou de difícil acesso. Tinha claustrofobia.

- Wag! — exclamou o girino, provocando risos em todos os seus amigos. “Medroso!”

- Muito engraçado... – isso ele conseguiu compreender rapidamente.

Apenas a Squirtle não compartilhava da mesma graça que seus confrades. Agia de modo indiferente àquela situação, aliás. Parecia se preocupar mais com suas unhas do que com seus companheiros.

“E eu nem sabia que Squirtles tinham unhas...”, David também nem tentava mais adivinhar que tipo de zombaria estava recebendo.

Os outros não paravam de rir. E riram mais um pouco, da estranha expressão no rosto do garoto, que misturava um pouco de medo, insatisfação e desgosto, quando ele voltou a notar os pokemon brincalhões.

- Squirtle — disse a fêmea, quando muito provavelmente concluiu que não havia nada de errado com sua aparência. Imediatamente, todos os outros pararam de rir. “Te levaremos a superfície”.

David olhou para os outros pokemon, esperando uma resposta. Não entendera o que a tartaruga havia dito. Concluiu por si só que ela queria ajudar.

- Ainda não entendo muito bem o que vocês dizem...

“Será que é tão difícil assim entender um pokemon?”, pensou o Poliwag

“Seria mais fácil se vocês língua dos humanos...”, pensou David.

Durante alguns segundos, todos os ali começaram a se encarar, sem saber o que fazer. Ninguém tinha coragem de quebrar o silencio.

- Só uma pergunta. Como vocês me trouxeram pra cá enquanto eu estava inconsciente?

- Poliwhril — respondeu o pokemon, com uma certa confiança. “Vamos deixar as explicações para quando chegarmos lá em cima”

- Então vamos logo! – ele falou, tentando compartilhar da mesma confiança. Não a manteve por muito tempo — Só vou precisar de uma ajuda com a minha perna...

Prontamente, o Squirtle e o Marill carregaram o garoto até o poço, com uma velocidade e força anormais para dois seres tão pequenos.

- Uau – murmurou em voz baixa. “Os pokemon são mesmo criaturas muito fortes...”

- Squirtle? — perguntou o pokemon, enquanto literalmente jogava David à borda do poço. “O que você disse?”

- Nada – respondeu. Preferiu deixar seu fascínio apenas em pensamentos. Aproveitava a sensação de ter os pés debaixo d’água, enquanto pensava onde estariam seus tênis.

Agitava os pés debaixo d’água de tal forma que lançava um pouco de água nos pokemon ao seu redor. A Squirtle revidou, e por fim, estavam todos jogando água uns nos outros. Marill acabara de acertar um jato de água certeiro no rosto de David. Deitara no chão, de costas.

“Parecia normal viver num mundo sem pokemon, mas isso aqui... isso aqui é tão mais legal...”

- Os pokemon são criaturas fantásticas. A maioria consegue se adaptar facilmente a um novo estilo de vida, além de que, quando treinados pelos humanos, ficam mais fortes e evoluem.

Ele possuía apenas seis anos. Certamente, ao ouvir aquilo, ficaria muito mais interessados pelos pokemon. Ele ainda estava descobrindo todo aquele mundo, repleto de criaturas fantásticas.

Deitado em sua cama, David ouvia atentamente a explicação do pai sobre pokemon, enquanto se encolhia embaixo do cobertor. Era mais uma daquelas noites de inverno em Kanto. Um frio absoluto, mas nenhuma neve ou gelo.

- Pai, algum dia as pessoas vão entender completamente o nosso mundo?

- Talvez... Quem sabe algum dia nos ainda não descobrimos se Jirachi pode mesmo realizar desejos? Primeiro acho que deveríamos saber se ele existe... –completou a frase, contrariando a si mesmo.

O pai de David era um homem forte, um dia fora líder do ginásio de Cianwood, e sempre utilizou pokemon lutadores. Seu favorito era um Hitmontop. Beto e Gray — seu Hitmontop -, a dupla mais famosa daquela pequena cidadezinha costeira.

Pai e filho tinham muito pouco em comum: enquanto um interessava-se pelos esportes e tudo relacionado a movimento, o outro preferia ficar sossegado em seu canto, lendo seus primeiros livros, que apenas continham histórias infantis fictícias.

- Porque os pokemon evoluem? – questionou David, ainda não satisfeito. Muitas duvidas rodeavam sua mente. “Ele será sempre assim...”, pensava seu pai.

- Talvez pelo mesmo motivo que as pessoas crescem... – respondeu o homem, um tanto confuso consigo mesmo – As pessoas mudam sua aparência, ficam maiores e mais fortes. Isso também não seria evoluir?

David não disse nada, aquela resposta, mesmo vindo com mais duvidas, já aliviou sua crescente sede de informações. Em sua infância, ele sempre foi um garoto muito solitário, preferindo ficar sozinho em seu canto, se fechando em seu próprio universo, com seus pensamentos anormais para a idade.

- Bom, já está um pouco tarde, não? – conclui Beto, enquanto brincava com o filho. Todas aquelas perguntas só ajudavam a confundir sua mente. E ele também tinha outros assuntos para resolver. Um em especial, muito importante ainda naquela noite – Você já devia estar dormindo...

- Mas pai! Ainda está cedo! E você não me disse por que o céu é azul! – David podia pensar de modo um pouco diferente dos outros da sua idade, mas ainda era uma criança, e naturalmente, tinha os mesmos costumes que uma.

- Sem mais – disse o pai, severo.– Já está na hora de dormir.

- Tudo bem...

Nem mais uma palavra. De ninguém. Beto arrumou o cobertor sobre seu filho. Despediu-se com um simples gesto, e foi para o seu quarto, em silencio.

David procurou ar. Mas não encontrou nada. Acabara de acordar da sua lembrança, e também acabara de perceber que seu corpo agira de forma involuntária, levando-o para água. Se apavorou instantaneamente. Não via quase nada ao seu redor, e em qualquer lugar que tentava tatear muito mais longe que seu corpo, só achava paredes. A claustrofobia lhe atacou outra vez.

Mas ele estava sendo puxado por alguma coisa ou alguém. Ficou enormemente aliviado em constatar que eram os pokemon aquáticos que o conduziam por aquele caminho.

No inicio, era uma passagem estreita. Foi se alargando aos poucos, até que o medo abandonou o jovem por completo.

Não tinha mas nada parecido com paredes. Apenas água. Mais alguns poucos segundos debaixo d’água, mas tempo suficiente para se poder observar alguns Goldeens que seguiam um majestoso casal de Seakings, um Psyduck que parecia não saber nadar muito bem e talvez uns três Woopers, mas estes últimos estavam longe demais para se ter certeza do que eram.

- Poliwhril — disse o pokemon que acabara de emergir. “Aqui estamos”

David olhou ao redor, admirado com a visão que tinha: estava em um lago não muito grande, onde suas águas, vistas pela superfície, pareciam muito mais claras do que estando embaixo delas. Era um lugar lindo. No entanto, não era muito rico em pokemon. Apenas um ou outro passavam por ali, e a maioria eram aquáticos ou aves.

- Squirtle!! — exclamaram ambas as tartarugas em uníssono, puxando o garoto pelos braços para uma das extremidades do lago. “Por aqui!”

Saiu da água, quase que se arrastando. Sua perna ainda doía muito. Sentou, tentando encontrar uma posição em que a dor não fosse tão intensa. Admirava o quão inchado já estava seu joelho e percebia vários outros cortes em seu corpo.

Um pouco mais recuperado, se lembrou. Não sabia onde estavam seus tênis e sua mochila. Mais que isso, queria saber se seu livro ainda estava intacto. Imaginava se alguém o havia roubado enquanto estava inconsciente.

- Onde estão minhas coisas? – perguntou aos pokemon, que pareciam estar todos ocupados mexendo em alguns lugares peculiares.

- Wag! — disse o pequeno, trazendo a mochila da garoto de trás de uma árvore. David viu de longe que seu pesado livro com capa escura não estava ali. E não gostou daquilo.

- Marill! — este trazia, desajeitado, seu par de tênis que até então estava onde parecia o ninho abandonado de o Hoothoot. Mas ver seus tênis não o deixou melhor. Teria perdido o livro enquanto fugia do Absol?

- Whril! — trouxe sua Dive Ball, escondida sob um pequeno amontoado de folhas. Mas agora, ela não era importante. Queria saber das outras coisas. Queria o seu livro.

- Squirtle! — enfim, se sentiu aliviado. O livro, estava ali, a salvo, sem qualquer dano. Ficou mais feliz quando viu que seu conteúdo também permanecera intacto. A carta, o canivete, a PokeNav, o caderno, o cartão de banco, o mini-dicionário e seu antigo relógio. Tudo ali.

David respirou fundo, menos preocupado. Nem ao menos sabia por que estava tão preocupado com aquele livro. Ele não tinha nenhum valor material. Talvez o cartão de banco, mas ele era inútil pra qualquer um. Nada ali dentro teria tão grande valor a ponto de ser o motivo do ataque de um Absol. Ou teria?

- Marill, marill? -, perguntou o pokemon rato. “Como você vai fazer para andar, com a perna desse jeito?”

- O que?

Bastou que apontassem para sua perna, e ele imediatamente respondeu:

- Bom, devo ter alguma coisa para imobilizar minha perna até chegar na cidade... – vasculhou sua mochila, até que por fim, encontrou o que desejava – Aqui.

Era uma maleta de primeiros socorros. Embora soubesse que muito provavelmente não pudesse encontrar, abriu a maleta, esperando achar uma tala ou algum gesso. Descobriu uma placa de alumínio de tamanho mediano, com certeza iria servir. Imobilizou sua perna com todo cuidado que poderia ter, seguindo à risca os procedimentos que uma vez havia aprendido em um livro.

Analisou suas condições. Fora salvo por um grupo de pokemon aquáticos, que estavam ajudando-o com tudo, e ainda com eles tinha parcialmente uma proteção. Não poderia chamar todos aqueles acontecimentos de sorte, mas estava muito melhor do que o dia anterior...

“Falando nisso, quanto tempo eu fiquei desacordado?”. Seu relógio indicava que apenas um dia havia se passado. Joe teria conseguido chegar em Viridian? Ou ainda estava perdido naquela trilha? David esperava que ele ao menos estivesse longe de problemas, embora ao mesmo tempo quisesse não se importar.

- Poliwhril. Whril... -, o maior deles estava desconfortável fora d’água. “Então, acho que é isso. É melhor irmos logo...”

- Tudo bem. Eu só queria que um de vocês me acompanhasse até a estrada, para eu poder seguir viagem...

Todos imediatamente olharam para Poliwag.

- Wag? Poli, poli wag -, protestou o girino “O que foi? Não olhem para mim assim, eu não sou diferente de nenhum de vocês, qualquer outro pode levá-lo.”

- Squirtle? Squirtle — David não entendeu, mas percebeu que a tartaruga usava um tom persuasivo absurdo para um pokemon. “Porque você não o leva? Foi você que encontrou com ele primeiro.”

- Marill! — acrescentou. “E é a sua vez de pegar comida!”

Depois de muitos protestos, Poliwag acaba se rendendo:

- Wag! Poli poli! — disse amargamente “Tudo bem, eu vou com ele! Mas se acontecer alguma coisa comigo nessa floresta amaldiçoada a culpa vai ser de vocês!”

- Floresta amaldiçoada? – o Freeman exclamou mais por ter entendido o pokemon do que pelo que ele tinha dito.

- Wag — “Eu explico no caminho...”

Os outros não demoraram muito para se despedir. Logo eles também já estavam na água.

- Tchau! Espero vê-los novamente!! – exclamou o garoto para as criaturas que a poucos se perdiam de vista nas águas claras daquele lago.

- Poliwag? — perguntou o pequeno, impaciente “Então, vamos?”

- Sim, só vou terminar de ajeitar minhas coisas na mochila...

Rapidamente, ele guardou a maleta de primeiros socorros e o livro — cofre em sua mochila. Demorou apenas para calçar seu tênis: seus pés estavam imundos, e o calçado estava muito limpo. Manuseava-o com cuidado, para sujar o mínimo que pudesse.

“Lerdo...”, pensou o Poliwag.

Terminou de guardar suas coisas e se certificou de que não estava esquecendo nada. Deu uma ultima olhada naquele lugar, e prometeu a si mesmo que em outra ocasião – quando ele estivesse melhor de preferência — voltaria ali. Pouquíssimo foi o tempo em que ficou, mas se sentiu em casa. Era aconchegante, mesmo não podendo dispor de conforto quase nenhum.

Foi caminhando lentamente ao lado de Poliwag. Achou que entraria num lugar, como da primeira vez, escuro e deserto, mas aquele lado da floresta era mais iluminado, e alguns tímidos pokemon às vezes apareciam. As árvores eram baixas, mas ainda assim muito bonitas, coloridas com alguns pequenos frutos avermelhados.

- Poliwag? Você pode me explicar o que realmente aconteceu ontem lá com o Absol? – ele estava curioso. Não sabia por que um pokemon estaria tão interessado nele. Afinal, por que ele fora atacado? Por uma simples crise de raiva daquele animal?

- Wag — assentiu. “Poli, poli wag. Wag wag poli wag, poli wag...”

- Ele fez o que?

- Poliwag... — lamentou, meio que chateado. “Mais uma vez...”

Poliwag já andara por aquela floresta varias vezes, mas, naquela, em especial, estava nervoso. Tinha certeza de que alguma coisa estranha estava acontecendo: não via nenhum pokemon por ali, e freqüentemente ouvia sons estranhos, com se alguém estivesse sendo torturado. Não encontrava seus amigos, não encontrava o lago, não encontrava nada. Mas sentia que não era o único ali.

Por varias vezes, pensou estar sendo seguido. Por varias vezes, pensou ter ouvido passo atrás dele. Por varias vezes pensou ter visto um vulto de tamanho considerável passar por ele. Estava tudo muito errado, e ele tinha medo. Não queria ficar ali, sabia que alguma coisa o espreitava.

Sem pensar duas vezes, começou a correr. Não avançava muito, suas patas eram pequenas e seu corpo redondo só piorava as coisas. Subitamente, decidiu olhar para trás. Sabia que seria pego de qualquer forma, queria apenas saber o que estava perseguindo-o. Ficou surpreso, pois era um pokemon. Quadrúpede, de grande porte, corpo quase completamente coberto por uma pelagem clara. Um Absol. Não se esforçava nem um pouco para acompanhar o pequeno girino, que a esta altura, já estava completamente apavorado.

O pequeno se esforçava tanto para correr que nem ao menos via para onde estava indo. Um garoto, que também corria, parecia estar igualmente apavorado e desatento, e, sem notar o girino, tropeçou nele, fazendo ambos caírem. Agora eles encaravam a mesma criatura, mas o interesse dela se voltava para o garoto. Absol atacava o menino sem piedade, e na esperança de ajudá-lo, Poliwag lançou alguns ataques de bolha. O quadrúpede pareceu nem notar o ataque.

O garoto já estava completamente machucado, mas o Absol não parava. Continuava atacando, cada vez mais forte. Se continuasse daquela forma, ele iria morrer. Subitamente, ele tomou distancia para o próximo e ultimo ataque: uma esfera de energia negra que crescia assustadoramente em frente à boca aberta do pokemon. Era a Bola Sombria.Poliwag sabia que para um humano, aquele ataque seria fatal, mas ele também sabia que não poderia fazer nada. Para piorar, o garoto acabara de desmaiar.

Tudo dava errado, o que mais poderia acontecer? O ataque estava quase alcançando os dois, e ambos estavam no chão, caídos, sem defesa. Quando o ataque ia colidir com eles, um turbilhão de água passou sobre suas cabeças, acertando e repelindo o ataque. Eram os pokemon amigos de poliwag, que tinham acabado de salvar sua vida.

“Whril!” exclamou o maior deles. “Tudo bem, nós resolvemos agora!”

Absol, vendo que estavam todos preocupados com seu ataque, aproveitou para tentar furtar um grosso livro com capa marrom que estava na bolsa do garoto. Poliwag não deixou, e mirou um ataque de bolhas certeiro nos olhos dele, que, atordoado com o movimento do girino, soltou o livro imediatamente. Agora, todos os pokemon presentes combinaram seus jatos de água para formar algo equivalente a uma Hidro Bomba, que foi o suficiente para mandar o Absol para longe e sair dali a salvo.

Explicar tudo para David exigiu muita paciência de Poliwag. Por varias vezes, ele entendia alguma coisa errada, e o pokemon tinha que recomeçar tudo que já havia dito, se utilizando de alguma referencia para explicar corretamente. No fim, entendeu tudo, mesmo que de forma bem superficial.

Ele não entendeu muito bem o que aconteceu no final. Também, nem prestara atenção. Estava muito mais preocupado analisando a concordância do verbo “dizer”.“A maioria dos pokemon diria, ou a maioria dos pokemon diriam?”

- Poliwag? — perguntou, notando o garoto distraído. “Você está me ouvindo?”

- Hã? O que!?!

“Sonso...”

- Desculpa. Ultimamente ando pensando em coisas muito importantes – mentiu. Ou a concordância verbal um dia ainda salvaria o mundo?

-Wag, Poliwag... — comentou o pequeno, mudando de assunto. “Sabe, você até que é legal...”

- Idem – disse David, limitando-se a uma palavra. Ainda estava no verbo “dizer”, e acabara de chegar à conclusão de que o certo era: “A maioria dos pokemon diria” – O verbo neste caso deve concordar com...

- Wag??? – o pequeno gritou “O que?”

Só então o menino percebeu que começara a falar sozinho.

- Nada – ele replicou, um tanto encabulado.

- Poli poli, wag!?! - exclamou, agora aborrecido. “Será que da pra prestar atenção em mim!?!”

- Sim – respondeu o garoto, vago.

David acabara de lembrar que ainda não havia se apresentado. “Nossa, que pessoa legal eu sou, me despedi pra nunca mais ver aqueles pokemon e eles nem ao menos sabem o meu nome! Mas olhando por outro lado, se eles não vão mais me ver, para que falar meu nome? Mais cedo ou mais tarde eles iam esquecer mesmo...”

- Hã!?! Espera ai! Você disse que o Absol estava atrás de você, e que só depois ele me encontrou e começou a me atacar?

- Wag — afirmou, inocente.

- Você tem certeza disso?

O pokemon assentiu novamente.

- Não pode ser – David não estava acreditando naquilo. Como um pokemon poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo?

No entanto, ele nem deu muita atenção a isso. Desde que havia iniciado a sua jornada, coisas estranhas aconteciam aos montes. Um homem que apareceu uma única vez numa livraria e nunca mais foi visto, a mudança repentina de comportamento do seu amigo, e agora isso. E o mais estranho, é que o Absol realmente queria pegar o seu livro. Precisava tomar cuidado, aquele livro continha alguma coisa valiosa, e alguém queria o que estava ali dentro.

- Poliwag, wag? – o pokemon falou, mais afirmando que perguntando. Desta vez, transmitiu um ar mais sério – e talvez um pouco sombrio. “Você também o viu, não foi?”

David não respondeu. E nem precisava, o pokemon já havia entendido. O que fora aquilo? Porque ele foi atacado por um Absol? E Porque ele queria o seu livro? Aquele pokemon voltaria? Eram muitas as suas perguntas. Eram muitos os seus pensamentos. Pensamentos, que foram rapidamente apagados de sua mente, quando ele ouviu o som de passos.

Eram passos pesados e rápidos, passos de um ser que no dia anterior quase lhe tirara a vida.

- Não pode ser... – murmurou, receoso.

Agora, um vulto acabara de passar ao seu lado, provocando uma pequena rajada de vento.

- Isso não está acontecendo... – seu medo só aumentava.

Uma figura acabara de se materializar na frente de David. Um pokemon. Um Absol.

xXx

Notas finais
xD Que final emocionante!
Tá, eu gostei, pelo menos =P
Vocês já devem imaginar o que vai acontecer no episódio seguinte...
Reparem nas minhas tentativas de acrescentar comédia à história, com umas piadinhas sem nexo e sem graça. Comentem. Se elas estiverem muito absurdas eu paro @_@

Ah, e malz pelo atraso! É que eu to de ferias e só hj eu fui encontrar lugar pra usar a net.