Pokemon Vírus
2 Capítulo 2 - Inicio de Viagem nada Perfeito
Notas iniciais
Pokémon Vírus
Capítulo 2 – Inicio de Viagem Nada Perfeito
“Mãe,
Sei que depois do que aconteceu com o meu pai você quis que eu ficasse em Pallet e tentasse outra carreira, mas não era isso que eu queria.
Encontrei uma carta dele que me motivou a seguir em frente no meu sonho, e agora, vou persegui-o até alcançar meu objetivo.
Naquele dia, o mundo pode ter mudado, mas o meu sonho continuou o mesmo.
Espero que algum dia se orgulhe de mim
David”
-Entendo... – mas não era tão fácil pra mãe de David tentar compreender o filho, com a tristeza que sentia agora – Mas por quê? Porque você tinha que ir sem me avisar nada?
Ela olha pela janela. Os primeiros raios de sol invadiam o quarto do garoto.
-Será que era isso mesmo que seu pai ia querer?
Helena silenciou. Agora se podiam ver algumas lagrimas escorregando pelo seu rosto. A partir daquele dia, ela ficaria muito solitária, não sabia por quanto agüentaria antes de sucumbir à solidão. Preferiu tentar não pensar nisso, pelo menos não no momento em que já estava deprimida o suficiente com a repentina partida do filho.
“Seria tão bom poder ter me despedido antes de você ir, David...”
Com a TV inutilmente ligada, começou a limpar a casa, tentando não pensar no que seu filho havia feito, tentando imaginar que ele tivesse ido a algum curso matutino e só voltasse mais tarde, ou simplesmente fingir que ele estivesse na casa de algum amigo, como o Joe, por exemplo...
Mesmo com o barulho dos aparelhos domésticos, ela pode ouvir que alguém corria em direção a sua casa. Não pensou duas vezes, largou o que estava segurando e interrompeu o que estava fazendo, pois queria correr até a porta, abrir e gritar: “Filho! Que bom que você voltou!”, na esperança de encontrar David dizendo que desistiu da jornada. Afinal, quem poderia ir para aquela casa tão cedo num fim de semana?
- Helena! Helena! – Exclamou uma mulher, logo depois que a mãe de David abriu a porta. Era baixa, corpulenta, e aparentava ter a mesma idade que Helena – Helena! Meu filho! Meu filho foi embora!!
Imediatamente, ela começou a chorar, e literalmente se jogou em cima da Mãe de David.
- Como assim? – Helena dava leves tapinhas nas costas da mulher, tentando consolá-la, mesmo sem saber por que.
- O Joe! Ele foi embora! – respondeu a mulher em meio aos soluços. — A única coisa que ele deixou foi um bilhete dizendo que queria ser treinador e que iria correr atrás do sonho...
Helena sorriu. Aquilo era irônico.
- Me alegro em saber que meu filho não estará sozinho.
(...)
- Já chega, estou morto – disse um David que mal mantinha os olhos abertos – Preciso dormir
David Freeman e Joe Willys estavam numa pequena estradinha a caminho de Viridian. O Pidgey de Joe cortava os céus graciosamente, acompanhando seu dono do alto. David olha para o seu relógio. Já eram nove horas, e segundo os cálculos de seu amigo, eles já deveriam ter chegado à cidade há muito tempo.
- Não diga asneiras! – Joe estava tão determinado que nem ao menos olhava para trás para falar com o amigo, que a essa altura, já estava a alguns metros de distancia – Você já teve tempo para dormir
- Se você chama aquilo de dormir... – David se referia a algum momento naquela noite em que Joe, por insistência do amigo, deixou esse e seu pokémon descansarem não mais que trinta minutos – Vamos parar. Estamos caminhando há horas e nem sinal de Viridian.
- A essa velocidade não chegaremos lá nunca! – a determinação não deixava que ele se sentisse cansado – Ande mais rápido!
Joe acelerou mais ainda a sua caminhada, afastando-se consideravelmente do outro garoto.
-Vá se quiser! – exclamou David, parando e retirando a mochila das costas – Eu vou ficar e descansar!
Joe não olhou, para trás, continuou caminhando. Mas ele não era o único que queria parar. Pidgey se sentindo contrariado com a decisão de seu treinador, voou até ele, dando várias voltas ao seu redor. Quando teve certeza que tinha a atenção de seu treinador, foi em direção a David e pousou ao seu lado. Ele não teve escolha.
-Esta bem – disse, dando-se por vencido – Vamos parar um pouco para descansar e...
-E comer...
-E analisar os mapas novamente – prosseguiu Joe, ignorando David.
Os garotos se afastaram um pouco da estrada e montaram piquenique à sombra de uma pequena árvore. Apenas David comia, mais ainda assim tinha muita comida ali. Joe analisava seu mapa pela enésima vez, e pela enésima vez, fazia questão de repetir:
-De acordo com esse mapa, chegaremos a Viridian em menos de duas horas, se não fizermos mais nenhuma parada...
-Não me lembro de o caminho ser tão grande assim...
-É que... – o Willys hesitou – nós estamos na estrada errada...
David cuspiu tudo que estava em sua boca.
-O que!?! Há quanto tempo isso aconteceu? – questionou ele, assustado. Se aproximou do mapa de Joe para ter certeza do que acabar de ouvir.
-Desde o inicio da viagem...
-Como isso foi acontecer???
-A culpa não foi minha – se desculpou, embora soubesse que em parte a culpa era dele sim – Estava escuro e a lanterna não funcionava direito.
-Ainda chegaremos em Viridian?
-Em menos de duas horas – repetiu Joe, recolhendo seu mapa.
David havia parado de comer. Perdera a fome. Porque que sempre que ele tentava iniciar uma jornada algo ruim acontecia? Era simplesmente inacreditável. Retirou da sua mochila o grosso livro marrom, sem nome algum, e o destrancou, revelando todos aqueles objetos que da noite para o dia haviam se tornado importantes e valiosos para ele. Pegou seu pequeno caderno de anotações, e com uma caneta que sempre carregava em seu bolso, começou a escrever aquela questão tão inútil e ao mesmo tempo tão intrigante. Pensava se realmente poderia encontrar respostas para duvidas tão esdrúxulas. Aquela era mais uma dúvida...
Guardou o caderno. Pensar em duvidas não melhoraria sua situação em nada. E havia outros objetos ali.
Um relógio. Qual seria a utilidade de um relógio, se não informar as horas ao seu usuário? Seu pai havia escondido algo nele ou apenas quis dar um novo ao filho? Desta vez, não anotou nada em seu caderno. Apenas colocou o novo relógio no pulso e guardou o velho no livro.
Um mini dicionário. Se perguntava por que cargas d’água seu pai lhe dera um dicionário de latim. Obviamente, este serviria para tradução, mas o latim era uma língua praticamente morta, e de nada ele seria útil nas mãos de um treinador. Devolveu-o ao livro.
Um canivete. O pequeno objeto que aparentemente possuía várias funções não parecia ser muito útil em qualquer outra ocasião se não num acampamento. No momento certo, poderia usar uma de suas funções para algo extremamente importante? Guardou-o no livro.
Um cartão de banco. Como David poderia usar um cartão de banco, se tinha apenas doze anos? Certamente, seria barrado ao tentar entrar sem o acompanhamento de um adulto. E mesmo que pudesse, como movimentaria o dinheiro que seu pai havia lhe deixado, se não sabia a senha do cartão? Colocou-o novamente no livro.
Uma PokeNav. Enfim, algo que poderia ser útil. Seria muito útil, se suas baterias não estivessem a muito tempo estragadas. “Porque não abri esse livro antes?” Guardou-a no livro, depois de tentar ligá-la várias vezes.
A Dive Ball
“Adeus David, tenho certeza de que nos encontraremos em breve...”
A horas aquilo martelava em sua mente. David não conhecia aquele homem. Como ele poderia saber seu nome?
-O que é isso? – perguntou Joe
David estava tão preocupado com seus objetos que esqueceu que ao seu redor, o mundo ainda girava. Esse ato de voltar à realidade custou alguns segundos ao garoto, que foram tempo suficiente para Joe tomar-lhe a Dive Ball.
-Ei! Me devolve isso! – reclamou a vítima, tentando resgatar a esfera, mas Joe conseguiu se desvencilhar das mãos do garoto e se levantar. Agora o objeto estava fora do alcance do dono.
-Não antes de saber o que é! – disse, manuseando a esfera de forma descuidada.
Freeman não disse nada, apenas correu atrás de Joe. Queria sua Dive Ball de volta. Ele corria o máximo que podia, mas não era muito rápido, logo perdeu distância. Era uma cena engraçada: Joe corria, divertido com tudo aquilo, enquanto se esquivava facilmente de um David que não estava achando aquela a melhor das situações, mas não desistia da sua Dive Ball. Pidgey apenas observava a cena de longe, se lamentando. Continuava no mesmo lugar em que todos estavam sentados a poucos segundos.
-Tem certeza de que não vai me dizer o que é? – implicou Joe, com um sorriso maldoso. Ameaçava arremessar a esfera na floresta.
-Me devolva que eu falo!
Não era esta a resposta que o Willys queria, mas se contentou com ela. Voltou a David que lhe tomou a Dive Ball imediatamente, mas esperou a explicação.
-Esta é uma Dive Ball.
-Uma pokebola comum?
-Segundo o Manual de Captura, ela é uma pokebola especial construída exclusivamente para capturar pokémon na água.
O mais novo explicava enquanto voltavam para a sombra da árvore.
-Significa que seu primeiro pokémon será aquático?
-Provavelmente – replicou David ríspido, ainda com raiva da brincadeira. Mas agora pensava em outra coisa: qual seria o pokémon que logo estaria ali, dentro daquela pequena esfera em suas mãos?
-Como conseguiu ela? – Joe estava interessado
-Ganhei de um dos funcionários da livraria
-Qual deles?
-Um senhor de meia idade. 50 anos no máximo. Não reparei muito na sua aparência...
-50 anos? Tem certeza? Tenho um tio que trabalha lá. Visitei a livraria há dois dias e não tinha ninguém que parecia ter mais de 30 anos...
Aquilo era estranho. Ele não poderia ser um funcionário novo. Conhecia a loja, não demorou muito para achar o estojo. Qual era a explicação, se aquele homem não trabalhava lá antes?
-Que irônico. – comentou Joe, logo se esquecendo de seu assunto – Eu com pokémon mas sem pokebola e você com pokebola mas sem pokémon...
David riu. Certamente, não era o inicio de jornada que ele queria, mas tinha companhia. Aquilo já era suficiente. Ficou ali, rindo sem motivo algum com seu amigo por longos minutos.
-Então, vamos? – perguntou Joe, que mesmo sem a resposta já recolhia suas coisas espalhadas sob a árvore.
David olha para seu novo relógio. Se eles não se apressassem, chegariam lá só depois do meio dia.
-Eu quero um almoço decente em Viridian – continuou o garoto, justificando sua pressa.
-O que estamos esperando?
Rapidamente, eles terminaram de guardar o que tinham usado e voltaram a estrada, agora num ritmo mais acelerado.
-Perfeito – disse Joe – Se continuarmos nesse ritmo, chegaremos lá em menos de duas horas...
-Não sei por que, mas tenho a ligeira impressão de que já ouvi isso? – comentou David, ironicamente. Joe o ignorou – Se não pararmos mais para nada...
-Como assim? — ele por algum motivo, diminuiu o ritmo enquanto analisava alguma coisa não muito distante.
-Eu também quero um pokémon. Fazer isso na rota Pallet/Viridian seria uma ótima idéia...
-Tem certeza de que vai querer um pokémon aquático como inicial? – perguntou Joe, ainda admirando o que quer que fosse com uma curiosidade acima do normal.
David não demorou a perceber que o que ele observava era um emaranhado de folhas afixadas ao chão. Era possível perceber que as folhas se inclinavam na direção oposta à que o vento as deveria empurrar.
-Tenho, eu acho. Porque a pergunta? – disse, observando as folhas também.
- Então aquele Oddish ali é meu! – Joe foi correndo em direção as folhas.
- Espera Joe! Você nem ao menos tem uma pokebola! – exclamou David, mas o Willys não lhe deu ouvidos. Decidiu que era melhor assim, pois queria ver como seu amigo se sairia em uma batalha real.
- Vamos lá, Pidgey! – exclamou Joe, e o pokémon que até então estava num vôo altíssimo, desceu animado para a sua primeira luta – Use a investida nesse monte de folhas a minha frente!
O pássaro ficou um tanto confuso com a ordem de seu treinador, mas tentou obedecer: acertou o alvo – ou simplesmente, atravessou as folhas — com extrema perfeição. Infelizmente, não iniciou uma boa subida, acabando por raspar o bico em uma árvore, o que não deve ter sido uma sensação muito agradável. O suposto Oddish, depois de receber o ataque, balançou freneticamente suas folhas, sem sair da terra. Como não houve uma segunda investida, o pequeno pokémon planta parou.
- Mais uma vez! Ataque-o até ele sair dali!
Pidgey correspondeu ao pedido, e começou a atacar sucessivamente o Oddish ainda escondido na terra, enquanto este continuava a agitar suas folhas de forma acelerada. O pequeno de planta estava com medo. Queria sair dali, mas não sabia o que encontraria na superfície.
- Continuar atacando assim não vai adiantar nada. Faça algo que realmente tire o Oddish da terra! – aconselhou David.
- Sim. Mas o que?
Joe ordenou que seu pokémon parasse de atacar. Ficar atacando daquela forma não adiantaria nada mesmo. Mas o que ele poderia fazer? Seu Pidgey ainda estava num nível muito baixo para conhecer ataques bons o suficiente para tirar o Oddish da areia. Precisava pensar logo em uma estratégia ou ficaria ali o resto do dia.
Para a sorte de Joe, o problema se resolveu sozinho.Estavam todos em silencio, e talvez por esse motivo, o pokémon achou que seu inimigo já havia ido embora, achou que já era seguro sair e se mudar para um lugar mais protegido. Saiu tão bruscamente que fora impossível não perceber seu movimento. Pidgey, instintivamente, voou até o Oddish e o atacou com uma investida, que acertou seu alvo em cheio.
“Eu não mandei atacar...”
-Muito bem, agora use um tornado – disse Joe ao se pokémon, que por coincidência já voava em círculos em torno do pokémon apavorado.Ele girou cada vez mais rápido, formando um pequeno tornado de vento e poeira. Oddish não podia fazer nada a não ser ficar parado. Se ele tentasse fugir, seria acertado pelo tornado. Estava cercado pelas pequenas, mas furiosas correntes de vento que o pokémon havia criado.
- Pidgey! Tente manter o tornado enquanto ataca com a investida!
“Parece que ele melhorou muito...” David admirava a destreza do amigo. Quando eles jogavam nos simuladores, ganhava facilmente de Joe.
Pidgey fazia o que seu treinador ordenara. Em meio ao tornado, atacava com várias investidas consecutivas seu oponente que agora estava bastante machucado, e sempre que suas correntes de vento começavam a se extinguir, ele criava outras mais fortes. Oddish, cansado de tentar às cegas desviar dos ataques de Pidgey, se postou no meio do tornado e esperou o próximo ataque de seu inimigo. Se concentrou em tentar perceber o exato momento em que Pidgey chegaria com seu próximo ataque. Em uma ação simultânea, a ave entra em seu tornado, no mesmo instante em que Oddish pula o mais alto que pode, na esperança de conseguir se agarrar no adversário e sair dali rápido o suficiente para não receber dano nenhum.
Seu plano havia funcionado.
Oddish, agora em cima de um Pidgey que lutava para se manter no ar, usou a absorção, e imediatamente, o pássaro começou a perder altitude. A ave, antes cheia de energia, agora carregava um ar cansado, enquanto o pokémon planta, que estava cheio de machucados, se recuperava rapidamente. Se aquilo continuasse, Pidgey perderia a luta.
- Joe! Tem que tirar o Oddish dali! – exclamou David – Se continuar assim, Pidgey logo ficará sem energia!
- Pidgey! Use o tornado! – ordenou Joe ao seu pokémon, fingindo não dar atenção ao conselho de seu amigo.
Pidgey logo percebeu o objetivo de seu treinador, e utilizou o ataque. Novamente girava, com um pouco de dificuldade dessa vez, mas a velocidade e os ventos que se formavam foram suficientes para dar alguns problemas ao Oddish. Ele não agüentou se segurar por muito tempo, e caiu no meio de uns arbustos, onde pôde se esconder entre as folhas.
-Agora use o ataque de areia nos arbustos! – Joe estava determinado e confiante.
“Quando foi que ele melhorou tanto assim?”. David se perguntava se aquele era mesmo o Joe que ele conhecia. Admirava a forma leve, rápida e bela com que Pidgey realizava os movimentos ordenados por seu treinador. Era simplesmente perfeito.
Ao ouvir a ordem de Joe. Pidgey desceu a altura dos arbustos e começou a bater fortemente suas asas contra o chão, levantando uma grande nuvem de poeira. Conduziu a nuvem até os arbustos e no segundo seguinte, não se podia ver mais nada ali. Oddish não teve opção, saiu de seu esconderijo, tentando não ser percebido, mas foi em vão.
- Investida!
Foi mais um ataque da ave que acertou o adversário com extrema perfeição, atirando-o contra uma pedra. Oddish estava gravemente ferido, mas continuava lutando. Pidgey também já estava cansado, mas com certeza estava em melhores condições.
O pokémon planta, com alguma dificuldade, se levantou, preparado para usar seu ultimo recurso. Fechou os olhos e começou a se concentrar, e logo estava exalando algo que deixava o ar ao seu redor estranhamente rosado. Aquilo rapidamente se espalhava e de longe já se podia sentir um odor indescritivelmente bom. Era o ataque aroma doce.
- Cuidado Pidgey! Use um tornado e mande esse ataque para longe!
O pássaro hesitou. Ele não sabia fazer um tornado apenas batendo as asas, e se começasse a girar ai, poderia inalar o ataque do Oddish. Sabia que muito provavelmente seu esforço seria em vão, mas tentou. Agitou suas asas o mais rápido que pode, sem sair do lugar. Não foi grande coisa o que ele conseguiu, mas os ventos foram suficientes para repelir o ataque.
- Preste mais atenção no pokémon, e não nos ataques dele! – exclamou David.
Já era tarde. Pidgey havia concentrado todos os seus esforços na tarefa de desviar o ataque, dando tempo suficiente para Oddish preparar seu próximo movimento. Foi uma pena, porque seu próximo movimento era fugir...
E ele já estava muito longe, não conseguiriam alcançá-lo. Joe apenas observou o pequeno pokémon planta correr para longe daquele lugar, balançando alegremente as folhas em sua cabeça.
- Bela luta – comentou David. Tentava mudar a expressão insondável que contaminou o rosto de seu amigo.
- Vamos, Pidgey...- disse Joe, chamando seu pokémon, que pousou carinhosamente no ombro de seu treinador e deu leves bicadinhas em sua orelha.
Ele estava estranho. Nos simuladores, sempre que perdia uma luta, ficava mais determinado e partia logo para outra, mas agora, numa batalha real, ele não havia feito nada. Não era possível que aquele fosse Joe Willys. Sem dizer nada por um longo período, eles voltaram à estrada.
- A culpa é sua... – disse Joe, quase sussurrando.
- Hein??
- Se você não tivesse me atrapalhado eu teria pego o Oddish...
- Mas você nem tinha pokebolas... – disse David, inocente. Não estava entendendo o que fazia seu amigo agir assim.
- Foi porque você ficou ali me atrapalhando que eu não consegui capturá-lo – Joe demonstrava raiva pela sua voz, mas não olhava nos olhos de David.
- Eu!?! Te atrapalhar!?! – exclamou David. Não suportava ouvir reclamações desse tipo – Eu estava tentando te ajudar!
- Mas que ajuda...
- Eu tentei ajudar, mas a burrice falou mais alto!
E aquelas simples reclamações logo viravam uma discussão agressiva.
- Não preciso de ninguém pra me dizer o que fazer!!
- Parece que precisa! Não consegue nem lutar com um simples Oddish sem deixar escapar!
- Pelo menos eu posso lutar!
- Com um pokémon desses eu prefiro nem lutar – David sabia que também passava dos limites, mas ele odiava ter que aceitar alguma coisa quando pensava ter razão. A ave olhou para ele com desprezo e em seguida levantou vôo.
Eles discutiam tão alto que chamariam atenção de qualquer um que passasse ao menos perto de onde eles estavam
- Ao contrario de você, eu não acho que os pokémon são simples instrumentos de batalha!
- Eles são muito mais, quando você sabe treiná-los!
- Ficar calado nas horas certas ajuda bastante!
- Saber antes de agir também ajuda, sabia!?!
Nenhum dos dois se importava com o que recebiam de ofensa, só queriam mostrar quem tinha razão.
- Eu faço porque quero aprender, ou você acha que todo mundo já nasce sabendo!?!
- Se eu sei por que você não pode saber??
- Sei o suficiente pra perceber que se você não tivesse me atrapalhado eu teria vencido a batalha!
- NÃO ME CULPE PELOS ERROS DO SEU POKEMON!
- MELHOR TER UM POKEMON QUE ERRA DO QUE NENHUM!
David não disse mais nada. Não precisava dizer mais nada, não adiantaria dizer mais nada. Pegou sua mochila e partiu floresta adentro, se distanciando de suas ultimas esperanças de chegar em Viridian, se distanciando de alguém que até aquele momento se mostrara como amigo, mas que agora parecia não querer mais sua companhia. Aquele decididamente não era o início de jornada que ele queria.
Agora ele não sabia o que estava fazendo, não sabia onde ia parar. Seu rosto não mostrava sentimento nenhum, mas em sua mente, varias coisas se passavam. “Eu também posso ter um pokémon... E faço isso muito melhor que você...\"
Enquanto andava a passos acelerados, pôs as mãos no bolso, procurando sua Dive Ball. Estava decidido, iria capturar um pokémon, mas como poderia encontrar um lago ou qualquer outro ambiente aquático, se nem ao menos sabia onde estava? Queria que sua PokeNav estivesse funcionando...
David olha ao redor. Parecia uma floresta comum, exceto pelo fato de que em lugar nenhum se via pokémon. É nesse ambiente, deserto e silencioso, que lhe cresceu a sensação de estar sendo observado. Olhou para trás: nada. Ao seu redor: nada. Nada acima, e nem abaixo. Nada em lugar nenhum. Mas a sensação não cessava. Ele tinha certeza que estava sendo observado...
Estava com medo. Foi uma péssima idéia entrar na floresta sozinho. Porque tudo aquilo tinha que acontecer com ele logo no seu primeiro? Não queria nem imaginar os próximos...
- AAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!
Alguém ou alguma coisa havia emitido um som alto e abafado, um grito. Claro que ele não ficou para descobrir o que era, estava apavorado. Correu. Não sabia para onde, não sabia por que, mas não queria ficar ali.
Não estava progredindo muito. A mochila retardava sua velocidade, e ele já não era muito rápido. Em meio aos seus próprios passos, conseguiu ouvir outros mais rápidos, mais pesados. Ele não era o único naquele lugar, e não queria descobrir o que mais estava ali. No entanto, sua curiosidade falou mais alto, e ele precisou olhar para trás, e para a sua desventurada sorte, encontrou um pokémon. Um quadrúpede de grande porte, pelagem totalmente branca, exceto por alguns detalhes em seu corpo que possuíam cor mais escura. Seu traço mais marcante era o olhar calmo e sereno, também indicava o esforço quase inexistente daquele espécime para se locomover a mesma velocidade que David. Era um Absol.
O medo fez com que o garoto corresse mais rápido, e com menos atenção, o que foi crucial para seu erro.Era algo pequeno, assemelhava-se a uma esfera, mas este tinha cauda e duas pequenas patas.Era similar a um girino, exceto pelo fato de ser desproporcionalmente grande, e ter um corpo azul. Fora naquilo, que ele havia tropeçado, aquilo que o havia feito cair, aquilo que agora também estava no chão ao seu lado, com igual receio ao ver Absol.
David sentiu uma forte pontada em seu joelho esquerdo. A dor era tanta que ele urrava alto demais para quem consegue um simples machucado. Obviamente, ele havia fraturado algum osso.
O pokémon Absol, satisfeito com aquela situação, ignorou o pequeno Poliwag que lançava inutilmente alguns ataques de bolha. Investiu contra David e o jogou para trás sem piedade, deixando-o também com vários cortes pelo corpo. Ele não ia agüentar muito mais acordado.
Antes de fechar os olhos, ele ainda pôde ver Absol tomar um pouco de distância para logo em seguida acumular uma esfera de energia negra à frente de seu próprio rosto. Quando esta já estava no tamanho ideal, o pokémon a soltou, e acompanhou seu lento trajeto até David, que não tinha como se defender. Era a Bola Sombria...
xXx
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