Pokemon - Pink Ribbon

9 Capítulo 9 - A jornada continua


Kazumi deixou o ginásio de Cerulean com Ryan e Uzui. Como sempre a morena e o menino loiro discutiam, até que uma explosão os interrompeu.

— Parece que veio de lá. — Ryan disse.

— O que estamos esperando? — Kazumi inquiriu. — Vamos lá ver.

Uzui nem sequer tentou acompanhar os dois. Sabia que não tinha a menor chance de ser tão rápido quanto sua irmã gêmea, que corria como o vento.

Assim que chegou ao local de onde viera o som de explosão, Kazumi se deparou com um homem vestido num uniforme negro muito familiar.

— Equipe Rocket! — A morena exclamou num rosnado. — Vocês de novo?!

— Ora, ora ... — O homem de uniforme negro que usava uma boina abriu um sorriso malicioso. — É a pirralhinha do Monte Lua. Dessa vez seu irmãozinho não está por perto. Vou lhe ensinar uma lição.

— Sonhe. — Kazumi rebateu. — Pega ele, Lucius!

— Vão nessa, vocês dois.

O Nidorino de Kazumi foi cercado por um Machop e um Drowzee. O Pokemon Superpoder atacou com Golpe Baixo, derrubando o oponente para que o Pokemon Hipnose pudesse atacá-lo com um super efetivo Onda Psíquica.

— Ei! — A voz de Ryan soou, mais próxima de um rugido do que Kazumi jamais ouvira. — O que pensa que está fazendo?! Vai, Pidgeotto, Ataque Rápido!

O Pokemon Pássaro entrou na batalha como um borrão, tão rápido que parecia quase invisível enquanto Ryan se postava ao lado de Kazumi.

— Não preciso da sua ajuda. — A menina disse friamente.

— Não estou ajudando você. — O loiro rebateu, corando violentamente. Só ensinando uma lição a um covarde que batalha dois contra um. Ataque de Asa, Pidgeotto!

Kazumi tentou esconder, mas estava sorrindo ao ordenar que Lucius atacasse Drowzee com Ataque de Chifre. Juntos os dois treinadores rivais acabaram com o membro da Equipe Rocket, que fugiu correndo a toda velocidade.

— Nada mal. — Ryan disse. — Você até que sabe o que faz. Essas Insígnias não foram só sorte.

— Claro que não. — Kazumi rebateu com insolência. — Mas obrigada de qualquer jeito. Não que eu precisasse de ajuda, mas Pidgeotto realmente facilitou a batalha para nós.

— Não há de quê. — O loiro respondeu. — E aí, que maluquice é essa de Equipe Rocket?

— Não sabemos. — Uzui, que os havia alcançado e estivera assistindo a batalha, respondeu. — Sabemos que causam problemas onde quer que apareçam, isso é tudo.

— Pois para mim parecem um bando de fracotes.

— Pois é. — Kazumi concordou enfaticamente. — Fracotes patéticos. Viu como acabamos com eles, Uzui?

— Eu vi. — O garoto moreno assentiu. — E caramba, eu nunca tinha visto um trabalho em dupla como esse. Vocês foram demais!

— Não é? — A menina deu uma risadinha, dirigindo a Ryan um raro sorriso. — Acho que somos mesmo uma boa dupla.

O loiro retribuiu o sorriso, estendendo uma das mãos. Kazumi hesitou apenas por um instante antes de bater a palma da mão na dele, cumprimentando-o com entusiasmo.

— Não se acostume. — Ryan disse. — Nem sempre vou estar por perto para salvar você.

— Da próxima ... — Kazumi retribuiu jocosamente. — Sou quem vai salvar esse seu traseiro magrelo patético.

— É o que veremos.

— Isso aí. Espere e vai ver mesmo, idiota.

— Ei. — Uzui interrompeu antes que os dois começassem mais uma de suas intermináveis discussões. — É melhor irmos, ou não vamos chegar a tempo para a festa no SS. Anne.

— Tem razão. — Kazumi assentiu. — É melhor irmos andando, meninos.

O trio seguiu caminhada para fora da cidade, enfim alcançando a famosa Passagem Subterrânea que levava à cidade de Vermillion. Lá, na escuridão, Kazumi deixou escapar um breve soluço, quase baixo demais para que pudesse ser ouvido.

— Uzui ... — A menina chamou quase num sussurro. — Tem ... Tem Zubats por aqui?

— Acho que não. — Seu irmão gêmeo respondeu. — Não deveria haver nenhum, pelo menos ...

— Ah, isso é ridículo! — Ryan exclamou. Vai, Abra, e use Iluminar.

O Pokemon Psi saiu de sua pokebola e estendeu as mãos à sua frente, criando um facho de luz brilhante que permitiu ao trio ver ao redor. O garoto loiro riu zombeteiramente ao ver Kazumi agarrada à mão de seu irmão gêmeo.

— Melhor agora, Zumi? Ryan inquiriu jocosamente.

Kazumi abriu a boca como se fosse lhe dar uma de suas já familiares respostas ácidas, mas tudo o que disse foi um simples "obrigada". Ryan não conseguiu esconder a surpresa enquanto caminhavam juntos, finalmente atingindo o final do túnel e saindo para a luz do sol na rota 6.

— Ei, vocês! — Um menino chamou a certa altura, correndo ao encontro dos três treinadores. — Vocês são treinadores?

— Pode apostar, garoto. — Ryan respondeu.

— Somos sim. — Kazumi completou.

— Awn ... Não, na verdade não. Uzui disse, um tanto sem jeito. — Sou mais tipo um pesquisador.

— Ah. — O menino disse sem interesse, voltando-se para Kazumi e Ryan. — Vocês dois querem batalhar?

— Depende, garoto. Ryan respondeu. — Você é bom?

— Com certeza! — O menino sorriu orgulhosamente, tirando um Squirtle da pokebola. — Sou muito bom.

— Esse Squirtle parece de nível bem baixo. — O loiro comentou ironicamente. — Desculpe, menino, só aceito batalhas de treinadores fortes.

— Então eu vou batalhar com você. — Kazumi disse rapidamente, vendo os olhos do menino se encherem de lágrimas. — O que acha?

— Tá bom! — A criança imediatamente se alegrou. — Vamos nessa, Squirtle!

Ryan infelizmente tinha razão, o Squirtle do menino tinha um nível bem baixo. Flora, a Oddish de Kazumi, não levou mais do que um ou dois minutos para vencê-lo. Ao se ver derrotado, a criança começou a chorar.

— Ei. — Uzui se adiantou e pousou uma das mãos no ombro do menino. — Não chore. Aposto que esse Squirtle vai ser muito bom depois que treinar um pouquinho.

— Não vai não! — O menino protestou. — Esse pokemon é fraco, eu não devia ter escolhido ele!

— É mesmo? — O irmão gêmeo de Kazumi se ajoelhou ao lado do menino, tirando seu Wartortle da pokebola. — Olhe para o meu parceiro aqui. Ele também já foi um Squirtle, sabia? Que tal voltarmos ao Centro Pokemon para curarmos Squirtle, daí eles podem batalhar e você vai ver do que eu estou falando?

— Tá bom. — O menino assentiu, limpando as lágrimas e esboçando um pequeno sorriso.

Kazumi e Ryan, sem paciência para manter o ritmo mais lento da criança, decidiram ir na frente. Caminharam lado a lado, porém sem conversar, até chegarem a Vermillion.

— Pensei que você quisesse ser um Professor Pokemon. Kazumi disse enfim, quando já haviam alcançado o Centro Pokemon.

— Eu quero. — Ryan respondeu. — Mas isso lá quer dizer que não posso ser forte, também?

— Eu ... Não tinha pensado nisso. — Kazumi respondeu baixinho, corando. — Bom, é melhor irmos pegar um quarto e subirmos para nos arrumar.

— E você lá tem algum vestido para usar, seu garotinho?

Kazumi meramente riu, batendo o ombro contra o de Ryan num gesto quase de flerte enquanto tomava a frente para falar com a Enfeira Joy que administrava aquele Centro Pokemon.

Cerca de uma hora depois, Uzui ergueu os olhos do livro que lia, ouvindo a porta do banheiro do quarto que estava dividindo com sua irmã gêmea no Centro Pokemon se abrir. Seu queixo caiu quando Kazumi saiu do cômodo. Acostumado com a menina sempre usando jeans e camiseta, vê-la de vestido foi uma surpresa por si só.

— E aí? — Ela inquiriu com rispidez, corando violentamente. — Está tão ruim assim?

— Uh ... — O menino passou os dedos pelos cabelos, sem jeito. — Não. Não, de jeito nenhum. Você está ótima.

A expressão tensa da menina se desfez em um pequeno sorriso enquanto ela alisava a saia rodada de seu vestido lilás com mangas estilo princesa. Na cintura uma fita prateada terminava em um delicado laço na base de suas costas. Nos pés, sapatilhas também prateadas. Seus lábios brilhavam com um tom de pêssego e seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo alto que balançava a cada movimento seu.

— Tem certeza? — Kazumi inquiriu. — Acho que a mamãe exagerou. Pedi pra ela me enviar só um vestido simples, não uma roupa de boneca.

— Não surta, mana. — Uzui rebateu. — Você parece uma boneca, mas pelo menos é uma boneca bonita.

— Valeu ... Eu acho. — A menina sorriu novamente, um gesto hesitante. — Bom, é melhor eu ir antes que perca o começo da festa.

— Espera. — O moreno chamou. — Tenho uma coisa pra você.

De sua mochila o garoto tirou um colar macramê feito à mão. Kazumi não se surpreendeu, sabia que seu irmão tinha ótimas mãos para artesanato. O que a surpreendeu foi ver o que Uzui tinha usado como pingente.

— Isso é uma Pedra da Lua!

— É sim. — Seu irmão gêmeo assentiu. — Eu ia te dar no nosso aniversário, mas pensei que talvez ... Sei lá .. Talvez possa ser útil hoje.

A menina abriu um sorriso sincero pela primeira vez naquela noite e, num gesto raro, se inclinou e deu um beijo na bochecha de seu irmão.

— Obrigada, Uzui. — Ela disse enquanto o garoto fechava o colar ao redor de seu pescoço. Serviu perfeitamente, com a Pedra da Lua aninhada confortavelmente na base de sua garganta. — Você acertou em cheio.

— Que bom que você gostou.

— Eu adorei. — Kazumi sorriu mais uma vez, já se encaminhando para a porta. — Bom, agora tenho mesmo que ir.

Kazumi e Ryan se encontraram no píer, em frente ao famoso SS Anne. O queixo da morena caiu. Por um momento, ao vê-lo com uma camisa de botões azul clara e jeans pretos, seu vizinho desajeitado quase pareceu bonito. Balançando a cabeça para se livrar desse pensamento indesejado, a menina aceitou a mão que Ryan estendia e os dois rivais embarcaram juntos no luxuoso navio.

— Ouvi dizer que eles tem uma arena para batalhas no deque superior. — Kazumi disse. — É pra lá que Lucius e eu vamos.

— É sério, Zumi? — Ryan inquiriu com um pesado suspiro. — Você não pensa em nada além de batalhas e pokemon?

— Eu sou uma treinadora agora. — A menina respondeu simplesmente. — No que mais deveria pensar? Faça o que bem entender, ok?

E, sem prestar mais atenção ao garoto loiro, Kazumi quase correu na direção da tão falada arena de batalha. Lá descobriu que estava havendo um concurso, para o qual se inscreveu sem pensar duas vezes. Logo derrotou os oponentes de menor classificação, em sua maior parte marinheiros que usavam Tentacool e Machop. Em menos de meia hora a menina era estrela da noite, tendo subido na classificação mais rápido do que qualquer outro. Sua maré de vitórias parecia não ter fim.

— É isso aí! — A menina comemorou após sua trigésima vitória seguida. — Continue assim, Lucius!

O Nidorino a olhou por sobre o ombro, abrindo um sorrindo selvagem em resposta enquanto mais um oponente dava um passo à frente para enfrentá-los. Era um adolescente ruivo com olhos do verde mais escuro que Kazumi já havia visto na vida.

— É um prazer, senhorita. — Ele disse, curvando-se em uma mesura cheia de cavalheirismo. — Meu nome é Ian. Ian Price.

— Kazumi Nakamoto. — A menina respondeu educadamente. — É um prazer, Ian.

— O prazer é meu, senhorita. Então, pronta para batalhar?

— Sempre. — Kazumi sorriu. — Lucius, é com você!

O Nidorino rugiu ao pisar novamente no campo de batalha. Ian enviou seu pokemon, um belíssimo cavalo com crina e rabo feitos de puro fogo que relinchou alto em desafio ao ver seu oponente. Kazumi ergueu sua Pokedex, seus olhos se arregalando em espanto e admiração ao ver o pokemon desconhecido.

Espécie: Rapidash

Designação: Pokemon Cavalo de Fogo

Número: #078

Tipo: Fogo

Gênero: Masculino

Habilidade: Fogo Luminoso

Observação: Extremamente competitivo, este Pokemon perseguirá qualquer coisa que se mova mais rápido do que ele mesmo. Em galope livre seus cascos mal tocam o chão devido a sua incrível velocidade. Pode atingir a velocidade de 241 quilômetros após correr apenas dez passos. Quanto mais galopar, mais longa se torna sua crina flamejante.

Uau!, a morena pensou consigo mesma. Ainda bem que estamos batalhando em um espaço fechado.

— Vai Lucius, use Ataque de Chifre.

— Pisão.

Sendo mais rápido, é claro que Rapidash atacou primeiro. O golpe fez Lucius hesitar, impedindo seu ataque.

— Já que é assim ... — Kazumi disse. — Ferrão Venenoso!

— Dissipe-o com Redemoinho de Fogo.

O ciclone de chamas formado por Rapidash neutralizou completamente o ataque venenoso, fazendo Kazumi e Lucius cerrarem os dentes de frustração.

— Lucius, tente de novo. Não pare até acertar.

Uma chuva de ferrões venenosos caiu sobre o magnífico cavalo tipo Fogo, até que um enfim atingiu. Rapidash relinchou de dor ao sentir o veneno começar a agir.

— Boa! — Kazumi comemorou. — Chute Duplo!

— Use Chute Duplo também!

Os cascos de ambos os pokemon colidiram, porém as pernas fortes de Rapidash lhe deram vantagem, fazendo com que o Nidorino fosse lançado para o outro lado da arena.

— Levante! — A morena ordenou. — Para cima dele com Ataque de Chifre!

Lucius obedeceu, rosnando ferozmente. Rapidash, no entanto, rapidamente encerrou a batalha com uma Explosão de Fogo.

— Parece que nós vencemos. — Ian disse, aproximando com a mão estendida para um cumprimento. — Boa batalha.

Boa nada. — A menina rebateu amargamente. — Nós perdemos.

— Porque meu Rapidash é totalmente evoluído e de um nível muito mais alto. — Foi a resposta. — Mas você é forte, com certeza.

— Obrigada. — Kazumi disse, esboçando um sorriso enquanto aceitava o aperto de mãos do menino ruivo à sua frente.

— É apenas a verdade. — Ian rebateu gentilmente. — Será que você me concederia a honra de uma dança, Kazumi?

— Eu ... — A morena hesitou por um momento, sua mão ainda sobre a do rapaz. — Sim. Eu adoraria.

Ian sorriu enquanto a conduzia de volta para dentro, para o grande salão de baile no aposento central do navio. Havia uma orquestra e eles tocavam uma suave valsa.

— Eu ... — Kazumi se odiou por gaguejar, odiou-se com todas as forças. — Eu não danço muito bem.

— Não tem problema. — Ian respondeu gentilmente, pousando uma das mãos na cintura da menina. — Deixe que eu conduzo. Apenas relaxe.

A morena assentiu e deixou-se conduzir. Ian era um excelente dançarino e, seguindo sua direção, valsar não foi uma tarefa tão difícil. Logo os dois se viram conversando, dançando música após música, totalmente esquecidos de tempo ou espaço. Estavam em um mundo próprio, completamente envolvidos. Kazumi não pôde evitar sentir-se um pouco como uma princesa de contos de fadas.

Ian foi cavalheiro o bastante para acompanhá-la de volta ao Centro Pokemon. Quando disseram boa noite na frente do edifício, Kazumi lhe pediu que esperasse mais um momento.

— Quero que veja uma coisa. — A menina disse.

Do pescoço ela tirou o colar que Uzui lhe dera e da pokebola Lucius, o Nidorino. O pokemon tipo Veneno pareceu fora de si de tanta felicidade ao ver a Pedra da Lua nas mãos de sua treinadora. Tinha sede de poder, aquele lá.

Assim que Lucius tocou a pedra com a ponta de seu chifre, começou a brilhar. Quando o brilho da evolução esmaeceu, lá estava: com 1,40 metro e um rosnado assustador, o Nidorino agora havia se tornado um Nidoking.

— Quando nos encontrarmos de novo ... — Kazumi disse. — Vamos batalhar. E da próxima vez não vamos perder.

— Combinado. — Ian sorriu e mais uma vez estendeu uma das mãos. — É uma promessa.

— Sim. — A morena assentiu, aceitando o aperto de mãos do garoto. — Uma promessa.

Num gesto inesperado Ian curvou-se e depositou um beijo nas costas de sua mão, fazendo a garota corar violentamente.

— Foi um prazer conhecê-la, Kazumi. — O ruivo disso. — Realmente espero que nos encontremos de novo.

Após dizer isso e com um último aceno de despedida, o adolescente se afastou, logo sumindo ao virar uma esquina. Somente então Kazumi colocou Lucius de volta na pokebola e entrou no Centro Pokemon, sentindo como se caminhasse nas nuvens.

Para sua surpresa, Ryan a esperava no saguão, de braços cruzados e com cara de poucos amigos.

— Então esse era o tipo de "batalha" em que você estava interessada. — O loiro disse amargamente.

— O que diabos você quer dizer? — Kazumi rebateu acidamente.

— Nada. — Ryan rosnou. — Esqueça! Você é a pessoa mais burra que eu conheço, Kazumi! Será que não vê ... ? Ah, esqueça! Nem vale a pena.

— Que diabos deu em você hoje? Parece que gosta de estragar tudo sempre que estou feliz!

O rosto de Ryan ensombreceu ao ouvir aquelas palavras. Ao invés de raiva, sua expressão agora era de profunda mágoa.

— É isso mesmo que você acha?

— É sim! — Kazumi rebateu, enraivecida. — Seu pentelho idiota!

— Sua garota mimada, cega e burra! — Ryan rebateu. — A sua cabeça é mais dura do que um Onix!

— Vá se danar, seu retardado!

Após rosnar essa última resposta a menina virou as costas e subiu para o quarto que estava dividindo com o seu irmão. Surpreendeu-se ao encontrar Uzui ainda acordado.

— Não precisava ter me esperado. — A morena disse, jogando-se na cama do lado oposto a de seu irmão gêmeo. — Se quer ouvir sobre a festa, não estou a fim de falar sobre isso.

— Credo, que mau humor! — O menino exclamou. — Que bicho te mordeu, mana?

— Ryan. — A menina rosnou em resposta enquanto soltava os cabelos e atirava os sapatos no chão aos pés da cama. — Aquele idiota! Por que ele sempre estraga tudo?!

Uzui não respondeu imediatamente, simplesmente encarou sua irmã gêmea com um olhar que ela não soube interpretar.

— Kazumi ... — Ele disse enfim, lentamente. Parecia estar falando de má vontade. — Caramba, você não entende nada mesmo.

— Ah, vá se danar você também! — Kazumi quase gritou, se pondo de pé e indo para o banheiro anexo para trocar de roupa. — Eu sabia que você ia ficar do lado dele!

Uzui observou sua irmã fechar a porta atrás de si e balançou a cabeça. Como alguém tão inteligente podia ser tão imatura?