Notas iniciais
"Só existe uma visão mais triste que um jovem pessimista: um velho ótimista" -- Mark Twain Demorou quase um ano pra esse capítulo sair, mas saiu.

Wattson POV

Mesmo que o céu pareça preste a desabar sob nossas cabeças, ainda assim precisamos ser otimistas. Afinal, do que valem nossos sonhos se nos mesmos não acreditarmos neles?

Aquele garoto, Brendan. Espero que ele e seus amigos nunca percam a fé no amanhã.

— Quero lhe devolver-lo. Estou desistindo de ser treinadora — Pandora disse estendendo a pokébola para mim.

Há cerca de dois anos atrás a situação era oposta, eu que lhe entregava a pokébola com seu primeiro Pokémon. Agora ela estava o devolvendo para mim.

Pandora continuava parada diante de mim com a pokébola estendida. Vestida como uma prefeita treinadora, usando uma saia preta curta, blusa branca e jaqueta vermelha, Luvas que deixavam os dedos de fora e tênis já bem gastos. Seus cabelos esverdeados estavam soltos ao vento. Em seus olhos não havia brilho algum.

— Por favor, pense melhor a respeito — pedi-lhe.

— Já me decidi. Sempre acreditei que teria um grande futuro como treinadora e um dia meus esforços seriam recompensados, demorei demais para percebe que estava enganada — ela me entregou a pokébola.

— Você não pode desistir tão facilmente. O que aconteceu com aquela garota alegre cheia de sonhos?

— Ela descobriu o lugar dela — essa resposta partiu meu coração. Pandora jamais diria algo assim quando a conheci.

— Só precisa acreditar em si mesma. Não se desanime...

— Chega! — me interrompeu. — É tão divertido assim alimentar os sonhos de uma pobre infeliz como eu? O mundo é injusto. Não importa o quanto eu tente meus sonhos continuam distantes. Estou cansada da derrota. Que outra escolha eu tenho além de desistir?

A garota que um dia disse que venceria o mundo agora se dava por vencida. Acreditei nela até o ultimo momento, infelizmente ela mesma desistiu de seus sonhos.

— Você pode seguir em frente. Ainda há um longo caminho rumo á felicidade, se desistir agora tudo que passou em sua jornada terá sido em vão e não conhecerá o futuro que te aguarda.

Pandora sorriu, mas não havia alegria em seu semblante. Sua expressão transmitia a dor que sentia. Seus lábios curvavam-se de forma irônica como se ela debochasse de si mesma. Tomar aquela decisão definitivamente não fora sido fácil, a pobre garota estava no limite.

— Nunca considerei a possibilidade de fracasso. Por mais que todos em minha volta me dissessem que eu almejava alto demais, sempre tive fé que me tornaria campeã de Hoenn. Então te conheci, Wattson. Você acreditou em mim e ainda me presenteou com meu primeiro Pokémon. Durante esses últimos dois anos dermos o nosso melhor, treinando diariamente. Mas meu sonho continua tão distante de mim quanto sempre esteve. Não aquento mais. A vida como treinador não é um mar de rosas e diversão sem fim como mostram na televisão, ela é dura e cruel. Perguntei-me milhares de vezes porque não conseguia alcançava meus sonhos. Talvez sonhos sejam feitos apenas para serem sonhados e não vividos — desabafou o que se passava em seu coração.

Quis abraçar Pandora e consola-lhe, mas naquele momento nada podia diminui sua dor. O coração dessa garota quebrara-se em mil pedaços e nunca voltará a ser o mesmo. Sempre imaginei em Pandora como teria sido minha filha caso ela tivesse dito a chance de crescer, mas naquele momento era doloroso demais vê-la dessa maneira. A dor da garota era quase palpável. Ela suportou até chegar ao seu limite.

— O que fará agora que abandonou seus sonhos? — tive que perguntar.

— Lavar louça, limpar alguma vidraça ou um chão sujo. Espero que eu sirva ao menos para isso. — Pandora riu ironicamente, parecia mais um choro que risada. — Pode pegar isso de volta também. Ela só me traria lembranças desagradáveis — A insígnia Dynamo que uma vez dei a ela foi arremessada em minha direção, caindo aos meus pés.

— Apenas não se esqueça como se sorrir. Não viva em amargura. Seja feliz, Pandora. É tudo que te peço.

Ela virou-se e andou alguns passos lentos. Ainda de costa para mim ela disse: “Obrigado” e partiu. Fiquei feliz por suas ultimas palavras terem sido de agradecimento.

Guardei a pokébola no bolso de meu cassaco, recolhi a insígnia do chão e por fim fui embora carregando a cesta de piquenique que trouxera. Meu reencontro com Pandora havia sido bem diferente de como eu tinha imaginado.

Voltando ao meu ginásio encontrei um garoto discutindo com um homem calvo. Resolvi observar-los a distancia.

— Por favor, tio. Quero enfrentar-lo. Nós podemos vencer. — Aparentemente o garoto queria me desafiar para uma batalha. Ele era um jovem de aparência frágil, cabelos de um tom ainda mais verdes que os de Pandora, usando camiseta branca social. No demais, parecia um garoto normal.

— Uma batalha contra um gymleader não é algo tão simples, Wally. Sua Kirlia não tem experiência o bastante para isso. Além disso... Sua saúde. Não posso permitir que batalhe — Retrucou o tio.

— Treinamos bastante juntos! Sei que podemos vencer! — Ele estava determinado.

O tio de Wally suspirou ao ver que dificilmente conseguiria o fazer mudar de idéia. Foi então que o garoto de bandana verde apareceu.

— Hey, Wally. É você mesmo?

— Brendan?! — mais do que depressa Wally virou-se alegre ao reconhece a voz.

Os dois sorriram um para o outro. Seus olharem transmitiam uma infinidade de sentimento, os quais são impossíveis colocar em meras palavras.

— Queria muito te reencontrar, Brendan. O dia em que nos conhecemos mais parece um distante sonho louco.

— Foi uma festa e tanto. Deveríamos repetir qualquer hora — brincou, com um sorriso radiante em seu rosto.

— Conseguiu quantas insígnias?

— Duas e estou a caminho da terceira. Logo poderei derrotar meu pai — sua voz possuía um ar de vitoria e confiança.

— Uau. Não esperava menos de você. Quero desafiar o GymLeader de Mauville, mas meu tio não quer deixar — o homem calvo coçou a cabeça sem jeito. — Batalhe comigo, Brendan, por favor. Assim mostrarei ao meu tio que sou um poketrainer de verdade.

— Acho melhor não — Brendan disse com um sorriso triste.

— Por quê?! Você tinha me prometido que batalharíamos na próxima vez que nos encontrássemos — disse aflito.

— Não quero te vencer e não estou disposto a perder, é simples assim. — Wally então compreendeu o motivo da recusa de seu amigo.

Uma brisa suave sobrou. Wally sorriu timidamente para o amigo, envergonhado de si mesmo.

— Ganhar ou perder, isso não deveria importar entre amigos, se bem que não tenho tanta experiência em ter amigos. Quando fui ao ginásio do seu pai, mais do que um Pokémon para me fazer companhia, eu queria um amigo, e acabei conseguindo mais de um. Tudo graças a você — os cabelos verdes dele esvoaçavam ao vento e seus olhos brilhavam.

— Se você conseguiu amigos, foi graças a si mesmo e não a mim. Eu nunca tive amigos antes, então aprendi a ficar bem sozinho. Achei que não precisando de ninguém ficaria melhor. Antes de vim para Hoenn uma pessoa me disse que quando fingimos ser fortes, acabamos nos esquecendo quem realmente somos. Não quero me esquecer novamente quem eu sou.

— Não acredito em coisas como destino, mas sinto que não nos conhecemos por mero acaso. — Wally ergueu a pokébola. — Temos que ter essa batalha, Brendan. Não como rivais, e sim como amigos. No instante em que te conheci já quis ser seu amigo, e desde o momento que capturei meu primeiro Pokémon, quis te enfrentar numa batalha.

— Somos Poketrainer’s, afinal de contas. Batalhar e medi forças é irresistível demais para nós. Mas essa será uma batalha diferente... — Brendan tirou uma pokébola da mochila e a apontou para o amigo.

— Ganhar ou perder não importa. Daremos nosso melhor! — gritaram os dois juntos e arremessaram suas pokébolas.

O Pokémon de Wally era uma Kirlia com a mesma frágil e delicada aparência que a dele. O de Brendan era um Combusken com fogo no olhar pronto para a batalha. No momento em que Wally parecia preste a dá o comando a sua Kirlia, ele ficou paralisado, então suas mãos começaram a tremer e o garoto caiu de joelho no chão tossindo sangue. Brendan, o tio dele e até sua Kirlia foram ao seu socorro.

— Eu estou bem... Desculpe-me, Brendan. Queria muito essa batalha — falou coberto de sangue e tossindo.

— Idiota. Você precisa ir ao hospital, não me pedir desculpas — havia desespero no olhar de Brendan, suas mãos tremiam sob os ombros de seu amigo.

— De nada adiantaria ir ao hospital, eles não podem me curar, ninguém pode. — Wally levantou-se cambaleando. Quis ir o ajudar, mas ele tinha o tio e o amigo, além de sua Kirlia. — Só preciso descansar um pouco... Além disso, já não tenho mais medo dela. Se eu te contasse como ela é, você provavelmente nem acreditaria. — Mesmo não entendendo bem o que ele disse, me senti estranhamente assustado.

—Terminaremos essa batalha da próxima vez, certo? — o garoto da bandana verde mais parecia uma criança insegura quando perguntou.

— Claro. Não deixarei algo tão clichê quanto uma doença crônica me impedir. Vamos ter nossa batalha na próxima vez.

Sorrindo um para o outro, ou ao menos tentando sorrir, eles selaram esse acordo.

Após a partida de Wally e seu tio fui ao encontro de Brendan, que tentava inutilmente abrir a porta do meu ginásio com chutes.

— Por que essa merda não abre?! — perguntou irritado.

— Esta trancada. O GymLeader dessa cidade tirou o dia de folga, ouvi dizer que ele ia se encontrar com uma conhecida. — Ele se virou para mim.

— Achava que ser líder de ginásio era um trabalho em tempo integral, mas parece que só meu pai segue essa regra a risca — seu tom de voz carregava tanto ironia quanto tristeza.

— Seu pai é GymLeader?

— Sim e ele parece gostar mais de ser líder de ginásio do que pai. — Já imaginava quem era o pai dele. Somente um GymLeader de Hoenn era capaz de ignorar a própria família daquela forma.

— Então você é filho de Norman, perseguidor de sombras.

— Perseguidor de sombras? Então é assim que o chamam? — Brendan pareceu bastante surpreso com o codinome do pai.

— Ele era conhecido de outra forma antes, mas depois que recusou o titulo de Campeão é assim que vem o chamando. Pessoalmente falando, acho que ‘’tolo’’ é o nome que melhor o define. Enquanto ele persegue a sombra de Cynthia sua própria família é deixada de lado, por isso ele é um tolo, um grande tolo assim como eu também já fui um dia. — As memórias umedeciam meus olhos. Segurei-me para não desabar na frente de Brendan.

— Saí em jornada apenas para vencer-lo. Vou lembrar-lo que ele possui um filho da única forma que ele entende. Fizermos um acordo, para que ele aceite meu desafio preciso de quatro insígnias.

— Então você também é um tolo — deixei-o surpreso mais uma vez com minha resposta. — Se quer melhorar sua relação com seu pai existem outras maneiras. Não se resolve tudo com batalhas Pokémon. — Brendan riu de minhas palavras.

— Quem disse que quero melhorar meu relacionamento com meu pai? Só quero derrotar-lo.

Tal pai tal filho. Dois tolos. Se eles ao menos soubessem o que estão perdendo. Só espero que descubram antes que seja tarde demais.

— Já que o GymLeader não está, o que acha de fazer um piquenique comigo? — propus.

— Preferia um piquenique na companhia de uma garota bonita, mas já que você é tudo que tenho, eu aceito — brincou Brendan.

— Também preferia uma bela garota como companhia. — Para ser mais especifico Pandora. — Mas vou me contentar com a sua.

Rimos os dois e seguirmos para um parque lá perto. Estendi a toalha xadrez de piquenique embaixo de uma grande árvore. Seu tronco era tão grosso que precisaria de cinco pessoas para abraçar-la, e estendia-se tanto que parecia capaz de alcançar as nuvens. Os galhos dela espalhavam-se pelo céu, repletos de milhares de folhas. Aquela arvore era como uma velha amiga minha. Antes da fundação de Mauville ela já estava enraizada naquele lugar, e viveria para ver o que o futuro da cidade mesmo depois que eu morresse. Num mundo cheio de criaturas fantásticas como os pokémons, acabamos nos esquecemos o quanto as árvores também são magníficas.

— Por que não se junta a nós? — disse para a garota atrás da árvore, alto o bastante para que ela escutasse.

A garota apareceu por trás da árvore. Usando um vestido azul, com longos cabelos verdes. Sorria de forma envergonhada. Aproximo-se de forma tímida. Pude notar na bandana em sua cabeça o símbolo da equipe de malucos, o time Aqua, não que isso tenha me incomodado.

— Agora você faz piquenique com os lideres de ginásio? — a garota disse com ar de brincadeira.

— Esse velhinho legal é líder de ginásio? — Brendan disse surpreso, em seguida sacou uma pokébola. — Vamos batalhar!

— Não havia dito que tirei o dia de folga? Claro que as coisas não estão saindo como imaginava, contudo, continua sendo meu dia de folga.

Esperava estar ouvindo Pandora contando suas historias de viajem, entusiasmada e com um alegre sorriso. Perguntei-me se ela cumpriria o pedido que lhe fiz, ou se esqueceria para sempre como sorrir. Tentei conduzir-la rumo ao seu sonho, mas seu destino não estava em minhas mãos.

— Quando poderá batalhar comigo?! — ele quis saber.

— Com você? Nunca. — Eu estava o surpreendendo bastante.

A minha convidada de cabelos verdes caiu na risada ao ver Brendan boquiaberto com minha resposta.

— Como assim nunca? Ta brincando comigo?

— Estou falando sério. Não batalharei contigo. Existem outros ginásios por ai, se quer tanto uma insígnia vá até algum deles. — A garota de cabelos verdes sentou-se sob a toalha xadrez e passou acompanhar nossa conversa. Ela parecia se diverti com a situação.

— Por que não aceita batalhar comigo, seu velho maldito?! — perguntou irritado.

Dei um longo suspiro antes de responder-lo.

— Você não é um pokétrainer de verdade, só um garoto mimado desafiando o pai. Não tomarei parte nesta briguinha de pai e filho. — Retirei do meu bolso a insígnia que pertenceu a Pandora e o mostrei. — Essa é a insígnia Dynamo. Não importa suas habilidades em batalhas Pokémon, se a enxerga apenas como um meio para confrontar seu pai, não a merece.

— Tudo que vejo é um pedaço de metal dourado. Não trate isso como algo sagrado — disse com indiferença e incomodo.

— Olhe mais de perto — joguei a insígnia até ele, que a agarrou.

Após observar-la por um tempo disse:

— Está... Manchada?

— Não sei se por lagrimas ou suor. A antiga dona desta insígnia a carregava como um tesouro. Você a vê apenas como um pedaço de metal dourado, um caminho para poder batalhar com seu pai, mas para algumas pessoas isto representa a recompensa por um árduo esforço, algo que as aproxima mais de seus sonhos. Há cerca de um ano atrás conheci uma garota chamada Pandora. Ela não tinha ninguém além de si mesma. Nada para apoiar-se a não ser em um sonho. Tudo o que ela tinha era um sonho, e o mundo foi cruel o bastante para tirar isto dela. Ainda se considera digno desta insígnia?

Uma risada nos interrompido. A garota que se mantinha calada até aquele momento ria, como se eu tivesse dito uma grande piada.

— Desculpem-me. Não me contive — desculpou-se, cobrindo seu largo sorriso com uma mão.

— O que foi tão engraçado? — quis saber.

— Papai Noel, fadas, super-heróis, príncipes encantados, amor puro, amigos verdadeiros e sonhos, todas essas são mentiras que existem apenas em historias de ficção. Sonhos são algo para se buscar, não para alcançar. Pessoas têm sonhos apenas para provar a si mesmas que estão vivas. Eles não servem para nada além de motivar-nos a viver. Essa garota, Pandora, não é diferente de uma criança que acredita em Papai Noel. — Não esperava ouvi tais palavras daquela garota.

Brendan entregou-me a insígnia de volta e virou-se para a garota de cabelos verdes. Sua expressão parecia triste.

— Não sei quando as outras coisas, mas não diga que amigos verdadeiros não existem. Não é isso o que nos somos?

O rosto dela ficou corado e as palavras se perderam. Com certeza aquela garota não esperava por aquilo. Após alguns instantes ela esboçou um tímido sorriso e virou o rosto envergonhado para o lado.

— Talvez eu não mereça mesmo essa insígnia, e meu objetivo seja egoísta, ainda assim, ele é importante para mim — suas palavras eram cheias de convicção. — De qualquer forma, existem outros ginásios Pokémon por ai. Conheço um treinador merecedor dessa insígnia. Guarde-a até o dia em que ele voltará para te desafiar. — Sabia bem de quem Brendan falava. Ele e aquele garoto também eram verdadeiros amigos.

— Há momentos em que você parece um completo idiota, e outros em que você demonstra ter um coração magnífico — disse sorrindo para aquele peculiar treinador.

— Não quero estragar o momento pela segunda vez, mas tem um Zigzagoon roubando a cesta de piquenique — A garota de cabelos verdes nos alertou para o zigzagoon com metade do corpo dentro da cesta.

— O que?! — Brendan e eu gritamos ao mesmo tempo.

O zigzagoon saiu correndo com um sanduíche na boca e Brendan o perseguiu inutilmente. Após corre alguns metros atrás do ladrão de piquenique, o garoto da bandana verde voltou e se deitou sob a toalha xadrez.

— Pelo menos ele deixou a salada de cenoura — tentei animar-lo.

— Nem os Zigzagoons gostam disso.

— Não gosta de cenouras?

— Detesto.

— Se comer essa salada inteira te dou a insígnia... — Antes que eu pudesse dizer que estava brincando, Brendan partiu para cima da salada de cenoura e começou a comer sem nem mastigar direito. — Eu estava só brincando...

Brendan me olhou com a boca cheia de cenoura e então cuspiu tudo em mim. Lambuzado de cenoura e saliva imobilizei-o com um golpe e esfreguei sua cara no que restava da salada de cenouras. Foi um momento divertido. Rimos os três juntos, sem nos importar com o que tínhamos acabado de discutir. Era como se fossemos apenas três crianças brincando embaixo de uma grande árvore.

— Não deveriam brincar com comida — a jovem misteriosa nos corrigiu após o fim daquela brincadeira.

— Foi tudo culpa desse velho ai! — Brendan protestou. Ele estava com o rosto coberto de cenoura. Eu havia exagerado um pouco com ele.

A garota de cabelos verdes, com um sorriso, pegou um lenço na cesta e começou a limpar o rosto de Brendan.

— Eu posso me limpar sozinho! — protestou envergonhado.

— Por favor, me deixe fazer isso — ela pediu com um sorriso tão gentil e acolhedor no rosto, que tornava impossível recusar qualquer pedido dela.

Brendan permitiu que ela continuasse, embora bastante envergonhado com a situação. Quando terminou de limpar, aquela garota beijou o rosto dele.

— Aaaaaaah! Não faça esse tipo de coisa assim do nada! — a cara de assustado e envergonhado com que ele disse aquilo foi muito engraçada.

— É um agradecimento pelo que me disse antes... Mas não posso ter amigos, ou melhor, não quero ter amigos — os olhos da garota transmitiam um ar de tristeza, como se estivessem prestes a transbordar em lagrimas.

Brendan queria ter dito algo em resposta, mas calou-se e curvou sua cabeça.

O céu azul que estava límpido, de um instante para o outro foi tomado por tensas nuvens negras e raios.

— Parece que vamos ter uma tempestade — disse olhando para o céu cada vez mais negro.

— Receio que seja algo bem pior — a jovem misteriosa me alertou do perigo que estava próximo. De alguma forma eu podia sentir o mal que se aproximava.

Logo uma estrondosa chuva começou a desabar. Parecia que o próprio céu estava caindo sobre nos. Procuramos abrigo em um centro Pokémon.

— Olá, sejam bem vindos. Abriguem-se o tempo que precisarem — nos saldou a enfermeira assim que entramos.

— Sou só eu que acho essas enfermeiras meio estranhas? Todo centro Pokémon tem uma idêntica a essa, e tem horas que elas dizem coisas meio sem nexo — A duvida de Brendan era bastante comum entre turistas que vinham até hoenn.

— Isso é simples, elas não são humanas — respondi enquanto me secava.

— Olá, sejam bem vindos. Abriguem-se o tempo que precisarem — a enfermeira repetiu com sua voz artificial e expressão robótica.

— Estou aliviado. Quando ia embora depois de ter meus pokémons recuperados, elas sempre diziam querer me ver de novo. Cheguei a achar que essas enfermeiras queriam que meus pokémons se machucassem novamente.

— Olá, sejam bem vindos. Abriguem-se o tempo que precisarem — repetiu mais uma vez a enfermeira robô.

— Elas podem não interagir muito bem com as pessoas, mas quando se trata de salvar vidas não há ninguém melhor. Humanos cometem erros, maquinas não. Hoenn e Kanto já adotaram funcionários robôs tanto em hospitais quanto em centros Pokémon. É questão de tempo até que médicos humanos fiquem totalmente ultrapassados. — Olhando para a enfermeira robô me perguntei quanto tempo lavaria para todos nos humanos ficarmos ultrapassados.

— Olá, sejam bem vindos. Abriguem-se o tempo que...

— Já entendemos, monte de sucata idiota — a garota interrompeu irritada a enfermeira robô, que se curvou com um sorriso e foi para trás do balcão.

— Não acha foi um pouco rude? — Brendan parecia chateado com o tratamento dado a enfermeira robô.

— Como se palavras doces fizessem algumas diferença para ela. Temos preocupações mais importantes que os sentimentos de uma lata velha defeituosa. Um dos comandantes da equipe Aqua está vindo para cá, o pior deles — pelo tom de voz dela era bastante sério, quase temeroso.

— E como sabe que ele está vindo? — perguntei-a.

— De alguma forma, aonde quer que ele vá à chuva o acompanha. Há quem diga que ele tem o poder de controlar-la, outros que é uma maldição que o persegue.

— Não há como saber se ele vem apenas pela chuva. Está escondendo algo de nos? Você também faz parte da equipe, ate onde eu sei — desconfiei da garota, que sequer conhecia o nome.

— Tenha calma, ela já me ajudou antes, em mais de um momento. Se quiser proteger essa cidade, recomendo que a escute — jamais imaginei que aquele garoto pudesse dizer algo em tom tão firme. Ele realmente confiava nela.

— Okey. — Suspirei. — O que tem a me dizer, Aqua girl?

— Tentarei descobrir qual a missão dele e negociar, enquanto isso vocês dois levam os moradores para um local seguro. Na pior das hipóteses terei que batalhar contra ele.

— Discordo do seu plano. Eu sou o fundador dessa cidade, fui eu que a projetei e vi cada centímetro ser construído. Não estou disposto a deixar-la ser destruída. Vou deter qualquer um que ousar ameaçar-la. — Tirei uma pokébola do meu cassaco.

— Vamos acabar com esse cara juntos — disse Brendan erguendo uma pokébola.

— Estou surpreso. Pensei que só se importasse em derrotar seu pai. Você não tem nada a ver com a situação, tampouco tem algo a ganhar me ajudando.

— Garotas, essa é a resposta. Se eu der uma de herói e salva a cidade, um monte de garotas vão ficar apaixonadas por mim. A única coisa que quero mais que derrotar meu pai, é sem duvidas ter muitas garotas bonitas caidinhas por mim. — Para alguém que ficou tão envergonhado com um simples beijo no rosto, diria que ele não tem tanta experiência com mulheres.

Brendan podia ser um idiota, mas seu coração era como o que todo Campeão deveria ter. Se ao menos Wallace e Steven não tivesse esquecido os próprios corações há muito tempo.

— O nível de Rayyn é completamente diferente do seu, Brendan. Se quiser matar-se existem maneiras menos dolorosas — notei preocupação na voz da garota. Eles importavam-se mesmo um com o outro.

— Menos dolorosas, mas não mais divertidas — ele girou uma pokébola na ponta do dedo enquanto ao falava, depois a agarrou e piscou com um dos olhos para a garota. — Se não quer mesmo ser minha amiga, pare de demonstrar preocupação comigo. Posso acabar entendendo errado e achar que somos amigos.

— Esse erro pode custar sua vida. Não pense que sempre te salvarei quando você fizer alguma merda — dito isto, partimos.

Tensas nuvens cobriam os raios de sol, mergulhando a cidade em trevas profundas. As gotas de chuva fria e intensas nos atingiam como facas. Os relâmpagos no céu pareciam dança ao som dos trovões. Aquela sombria tempestade me lembrava tantas coisas, algumas eu sentia falta, outras tentava esquecer.

No meio da tempestade, na mesma praça onde fizemos nosso piquenique, estava o não tão temível membro da equipe Aqua. Ele não passava de um garoto, ensopado pela chuva, recostado em uma motocicleta customizada para se parecer com um Sharpedo. Seus longos cabelos azuis escoriam por seu rosto. O uniforme azul e cinza era semelhante ao de um soldado, com o A da equipe Aqua no peito esquerdo. Em seu pescoço uma bandana estampada com uma caveira.

— O que você faz aqui? — ele perguntou a garota que nos acompanhava.

— Quem deveria fazer essa perguntou sou eu. Não deveria estar agora cumprindo uma missão bem longe daqui?

— Não vim a mando da equipe Aqua, isso é pessoal. Um fragmento do cristal dos milagres encontra-se aqui. Eu o quero. — Meu estomago congelou ao ouvi-lo.

— De todos que conheço, achei que você seria o ultimo a acreditar nesse conto de fadas.

— Ás vezes há um fundo de verdade, até em contos de fada como esse. — Ele direcionou o olhar para mim. — Entregue o fragmento que possui, ou usarei violência, mesmo contra pessoas que não tem a ver com essa batalha — sua voz era fria e ameaçadora.

Nunca poderia imaginar o rumo que aquele dia tomou. Eu realmente tinha um dos fragmentos daquele cristal, mas não planejava entregar a ele. Ergui uma pokébola e dei um passo á frente.

— Afastem-se, vou ensinar uma lição para essa criança.

— Quer ficar com toda a parte divertida, velhote? — Brendan arremessou uma pokébola e seu Combusken surgiu ao seu lado.

— Rayyn é um dos mais fortes membros da equipe Aqua. O nível dele é totalmente diferente do seu, Brendan. É loucura o enfrentar. — A garota de cabelos verdes estava dizendo apenas óbvio, lógico que a preocupação dela apenas motivou Brendan ainda mais.

— Se eu não puder derrotar esse merdinha de cabelo azul, como vencerei meu pai? — Nada poderia fazer aquela cabeça dura mudar de idéia.

— Só não fique no meu caminho, cabeça dura. Será difícil controlar os ataques elétricos do meu parceiro nessa chuva. — Arremessei a pokébola do Alvorada, meu Manectric

Rayyn lançou duas pokébolas, colocando um Swampert e um Quagsire para batalharem. Seria um combate difícil. Os dois pokémons eram do tipo água/terrestre, os ataques elétricos do Alvorada fariam pouco efeito.

— Nos ficamos com o Swampert. Combusken, Duplo chute! — O Combusken de Brendan partiu pra cima e foi jogado para longe com apenas um soco do Swampert, o que deixou o garoto da bandana verde boquiaberto e sem reação.

— Pelo visto isso será mais difícil do que imaginei. — Olhei para o céu chuvoso e sorri. Perguntei-me quantas gotas de chuva caiam naquele momento, era um possível saber, da mesma forma que era impossível saber o numero de pessoas que matei durante a guerra. Não lembro seus rostos, mas ainda ouço suas vozes antes de dormi. Se elas estão implorando por ajuda, amaldiçoando-me ou perguntando o porquê as matei? Não sei dizer, apenas sei que elas sussurram algo pra mim em meus sonhos, e a voz de minha filha e esposa encontram-se no meio delas. — Alvorada, agora é como nos velhos tempos, use Trovão! Descarregue toda a energia de seu coração neles!

Alvorada soltou uma poderosa corrente elétrica nos dois pokémons de Rayyn. A chuva intensificou muito o ataque deles. As correntes elétricas pareciam dança pela chuva destruindo tudo em sua volta, mas os pokémons dele eram resistentes e seria preciso mais para derrotar-los.

— Swampert, use Mega Soco — Rayyn, ordenou com uma voz fria e sem emoção.

Alvorada desviou do Mega soco de Swampert, mas foi surpreendido pelo Quagsire que o agarrou e imobilizou. Com meu Manectric incapaz de mover-se, Swampert o atacou com Bomba de Lama. Quando o ataque vinha em direção ao meu Pokémon o Combusken de Brendan entrou na frente recebendo todo o dano.

— Usar dois pokémons contra um é uma estratégia desleal. Que tal eu equilibrar um pouco as coisas. — Não importa se o clima estava chuvoso, o olhar de Brendan seu Combusken radiava como o sol.

— Ainda está aqui, seu lixo insignificante? Desapareça junto com seu Pokémon. Swampert, destrua-o!

Swampert desferiu dezenas de golpes em Combusken, numa velocidade muito maior do que um Pokémon de sua espécie era capaz. Ainda que gravemente ferido, Combusken permanecia de pé.

— Para cada golpe que nos der, devolveremos outros dez. Acabe com esse Swampert e te deixarei no Day Care pra tu curti à-vontade, amigão. Dou um jeito até de te deixar junto com uma garota humana de verdade! — Brendan gritou motivando seu Pokémon. Combusken cuspiu uma espiral de fogo para o alto e urrou animado junto com seu treinador.

— Esse discurso motivacional seria melhor se terminasse antes dele citar o Daycare... — A garota da equipe Aqua disse envergonhada diante da asneira que Brenda dissera.

— É — concordei. — Espero que ele esteja brincando sobre a garota humana, existem algumas leis contra isso — Algo me dizia que ele falou sério.

Numa velocidade espantosa, Combusken desferiu uma serie de golpes. Quagsire soltou meu Manectric e tentou acertou um ataque pelas costas do Pokémon de fogo, mas neste momento, Combusken usou Duplo Chute, acertando um chute em Swampert e outro em Quagsire.

Era inacreditável. Um Combusken ferido conseguindo fazer aquilo com dois Pokémons de níveis superiores e com vantagem de tipos, ainda mais com a chuva o prejudicando. Não importavam as desvantagens, nada parecia suficiente para parar-los. Era exatamente assim que Pandora costumava ser. É uma pena que ela tenha se esquecido, assim como a maioria dos treinadores se esquece um dia, mais importante que ganhar ou perder é a razão pela qual batalhamos. Naquele momento Brendan não batalhava por insígnias ou pela atenção do pai, ele batalhava com seu Combusken para defender as pessoas de Mauville, pessoas que sequer conhecia, ele fazia aquilo simplesmente por achar certo.

Swampert e Quagsire iam contra atacar Combusken, quando do nada ficaram paralisados, lutando para tentar moverem-se.

— É a chance de vocês... Dêem o ataque final, rápido! — A garota de cabelos verdes de alguma forma conseguiu parar os dois pokémons de Rayyn, mas ela parecia machucada ao fazer aquilo.

— Pegue isso, Brendan — Joguei até ele a pokébola que pertenceu a Pandora. — Hora de terminamos essa dança. — Ele concordou com a cabeça e arremessou a pokébola.

Com os nossos dois Manectric em campo e nossos corações unidos, ordenamos o ataque final.

— Trovão!!!

As duas rasadas de energia se uniram numa monstruosa corrente de energia.

Mesma que Pandora tenha desistido de tudo, seu Pokémon ainda carregava o que restou de seus sonhos. Seu coração também estava unido aos nossos.

O ataque devastador nocauteou os dois pokémons de Rayyn.

Rain deu um pequeno uma pequena risada ao retorna seus pokémons para as pokébolas, depois riu caoticamente como se estive louco.

— Vocês... Conseguiram... Irritar-me... — cada palavra carregava uma indescritível raiva.

Raios começaram a cair por toda a cidade, destruindo a tudo. Um deles acertou a enorme árvore no centro da praça e um de seus galhos caia em nossa direção. A garota de cabelos verdes parecia fraca demais para mover-se, foi quando Brendan sem pensar duas vezes correu até ela e a emburrou para longe, salvando sua amiga, mas sendo atingido pelo galho em chamas.

Em desespero a garota se arrastou mancando até o galho e tentou o remover com as próprias mãos, sem se importar com as chamas. Fui junto com Combusken e os dois Manectric ajudar-la a salvar o Brendan. Levantamos o pesado galho enquanto ela tirava Brendan debaixo dele.

— Idiota! Idiota! Essa foi a maior idiotice que você já fez! — a jovem se debuxou sobre Brendan e batia no peito dele chorando. — Se você tiver morrido para me salva, eu nunca vou te perdoa! — Ela chorava desesperada. Por mais que relâmpagos caíssem por toda parte ela não se importava com mais nada.

— Ele ainda respira, só está desacordado. Ficará bem — disse segurando o ombro dela e tentando acalmá-la. — Não pense que esse cabeça dura se dará ao luxo de morrer, não antes dele derrotar o pai, ou de ter a batalha com o amigo, e sem duvidas ele ainda quer te ouvir dizer que vocês são amigos.

— Me entregue logo á merda desse fragmento de cristal, ou transformarei essa cidade em cinzas — Rain gritou irritado.

— Quando ele acorda, entregue isso para ele — deixei a insígnia Dynamo com a garota. — Você demonstrou ser merecedor da minha insígnia, garoto. Também quero que cuide do Manectric de Pandora. Eu ainda tinha algo muito importante para te dizer, mas o nosso tempo acabou-se, você terá que descobrir sozinho o que é — disse para o garoto inconsciente. A expressão dele era tão calma e serena.

De certa forma foi bom ter me despedido daquela maneira de Brendan. Se ele estivesse acordado, com certeza iria me seguir.

— Tudo bem. O levarei até o fragmento, Rain...

Seguirmos até NewMauville, uma cidade subterrânea abandonada. Tinha planos de usar o fragmento do cristal como fonte de energia para a cidade, mas aquela energia era muito volátil e perigosa, por isso selei o fragmento no nível mais profundo de NewMauville, onde ninguém teria acesso. Esperava que aquele lugar caísse nos esquecimento e que eu nunca precisasse voltar lá, infelizmente á ganância daquela criança me levara de volta.

Levei Rain até o Fragmento. O pequeno cristal encontrava-se protegido apenas por uma pequena redoma de vidro, ao menos era o que aparentava. Quando Rain arrancou a redoma e pegou o cristal, sirenes começaram a tocar e tudo em volta desmoronava.

— Que merda ta acontecendo aqui?!

— Um dispositivo acionou a autodestruição assim que o fragmento foi retirado. Eu sabia que caso esse cristal saísse daqui, cedo ou tarde ele cairia em mãos erradas e seria usado para causar dor destruição, por isso criei essa armadilha. Ninguém deve possuir tamanho poder, principalmente alguém como você.

— Tolo! Você também morrerá! — ele cuspiu as palavras desesperado.

— Sacrificar-me para proteger outras pessoas, de todas as formas que eu poderia morrer, essa é a que mais me agrada.

Uma parte do teto desabou em cima do garoto ganancioso. Tudo em minha volta estava ruindo enquanto eu permanecia parado e sorrindo. Antes de tudo desmoronar, vi meu Manectric, Alvorada, entrando e correndo em minha direção. De alguma forma ele deve ter se libertado da pokébola e vindo até mim, não sei se para tentar me salvar ou para morrer ao meu lado. Pensei dizer: “Seu Pokémon, idiota! Por que veio aqui?!”. Mas se iam ser minha ultimas palavras, preferi agradecer-lo:

— Obrigado por ter sido um amigo tão legal.

Tudo desabou. Minha dor durou menos de um segundo e eu já estava morto.

...

...

...

Tudo em minha volta era escuro. Não havia nada além de escuridão, foi quando uma garota de cabelos brancos como a neve surgiu diante de mim. Ela tinha uma expressão triste. Seus olhos azuis eram tão melancólicos. Seu vestido era branco e sem mangas, já os seus sapatos eram vermelhos. E também... Ela segurava uma foice.

— Você é um anjo? — Ela balançou a cabeça negando. — Não me parece que você seja um demônio. Julgando pela foice, diria que é a morte, estou certo? — Ela confirmou balançando a cabeça. — Você é bem diferente de como eu imaginava... Vai me lavar pro inferno agora?

— Talvez.

— Matei muitas pessoas na guerra. Destruir muitas vidas. Não existe lugar para mim em nenhum paraíso.

— Lembra-se de uma garota que você encontrou revirando lixo. Você entregou um Pokémon e a incentivou a seguir seu sonho, por que fez isso? — ela perguntou ingenuamente.

— Todos têm o direito de sonhar, não é mesmo?

— E você não tem o direito de sonhar em reencontrar sua família? — Lágrimas encheram meus olhos.

— Eu não mereço isso... Elas morreram por minha culpa. O assassino delas era o pai de um garoto que torturei e matei para obter informações durante a guerra.

— Sabe o que as vozes sussurravam para você em sonhos?

— Não...

— Te perdoarmos.

Vi a imagem de minha filha e esposa acenando para mim de um indescritivelmente lindo campo de flores. Alvorada, meu fiel Pokémon estava junto delas.

A shinigami de cabelos brancos despediu-se de mim com um sorriso e corri para minha família.

Notas finais
O final pode ter sido vago e o capítulo deixou algumas pontas soltas. Creio que terão que deduzir por si mesmos certas coisas e outras irão ser reveladas em capítulos futuros. O próximo capítulo não vai demorar tanto, não que alguém se importe se ele saíra ou não rsrs brincadeira, sei que vocês se importam sim.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.