Pokemon Esmeralda – Jornada Por Outros Olhos
3 Capítulo III: Roxanne POV
Notas iniciais
Roxanne POV
"Seja forte e inabalável como um rochedo..." Foram estas as palavras que meu pai me disse no dia que assumir o posto de líder do Ginásio de Rustboro. Lembro-me delas sempre que batalho contra um desafiante.
Aquele garoto de bandana verde chegou ao meu ginásio cheio de confiança e piadinhas, até me convidou para um encontro depois que batalhássemos. Bastou dois ataques de meu Nosepass para que ambos os pokémons dele fossem nocauteados junto com suas confiança e piadinhas. Pensei que não o veria tão cedo novamente. Foi uma supressa e tanto quando encontrei-o na classe onde eu dava aulas de reforço.
Desde pequena sonhava e me torna professora, infelizmente esse não era meu destino. Diferente dos demais ginásios de Hoenn, o título de GymLeader de Rustboro é passado de pai para filho, ou filha como foi no meu caso. Nasci predestinada a ser GymLeader. Apesar de não pode ser professora, me voluntariei para dar aulas de reforço no meu tempo livre. No começo foi difícil, tanto lecionar como ser líder de ginásio, mas com o tempo peguei o jeito de ambas as coisas. Já nem vejo tanta diferenças entre meus pokemons e meus alunos.
Inesperadamente naquela tarde encontrei em meio aos meus habituais alunos o garoto que havia sido derrotado por mim de manhã. Ele estava sentado numa das cadeirinhas de meus alunos, com braços cruzados e uma expressão irritada. As crianças olhavam curiosas para ele e não paravam de fazer perguntas, mesmo que ele não respondesse nenhuma.
— O que faz aqui? Eu leciono apenas para crianças do fundamental – Perguntei ao garoto de bandana verde.
Assim que notaram minha presença, meus alunos correram em minha direção para cumprimentar-me e me abraçarem. Aquelas crianças realmente ficaram apegadas a mim. Como eu dava aulas de reforço era minha a tarefa de ajudá-los em suas dificuldades, mas acabei percebendo que em muitos casos são fatores extremos que os fazem irem mal na escola. As vezes era necessário ajudá-las não apenas com a matéria, como também com seus problemas pessoais e familiares. Acho que me apeguei a elas assim como aos meus pokemons, embora meus pokemons não façam tanta bagunça.
— Vim a desafia para uma revanche – disse o garoto de bandana após meus alunos se afastarem de mim. – No seu ginásio me disseram que te encontraria aqui.
— Isso não será possível agora. Me perdoe, mas tenho que dar aulas e possuo outros compromissos mais tarde. Volte ao meu ginásio amanhã pela manhã. – Ele não ficou satisfeito com minha resposta.
— Tudo bem você ter recusado meu convite para um encontro, mas preciso da sua insígnia. Quero batalha por ela agora. Não tenho tempo a perder. – Se aquele garoto batalhasse tão bem quanto conseguia me irritar, ai sim seria um oponente a altura.
— Se tem tanta presa procure outro ginásio. Não posso dedicar todo meu tempo batalhando. Existem outras coisas importantes mim, uma delas são meus alunos. – O garoto riu como se eu tivesse dito uma piada. – Qual a graça?
— Conheço alguém que discordaria de você. Não existe nada importante para meu pai além do seu ginásio. Ele nem me ligou no dia do meu aniversário. Nunca passeamos juntos ou qualquer coisa do tipo. Ser líder de ginásio é tudo que importa na vida dele. As vezes acho que ele esqueceu-se que tinha uma família, por isso quero lembrá-lo da minha existência. Quero derrotá-lo e preciso conquistar sua insígnia para isso. – Agora eu começava a reconhecer os traços de seu rosto. Havia em Hoenn um GymLeader bem parecido com aquele garoto, mas não era qualquer GymLeader.
— Por acaso... Você seria o filho de Norman? – Já suspeitava que ele fosse, apenas queria confirma.
— Não por vontade dele – Aquelas palavras me eram tristemente familiares.
Quando era pequena, certa vez meu pai recebeu a visita de um velho amigo, ambos ficaram conversando e relembrando o passado até tarde da noite. Acordei de madrugada e enquanto ia beber água acabei ouvindo parte da conversa deles sem querer.
— Sua filha Roxanne será a primeira mulher a comandar o ginásio de Rustboro, correto? – Tinha dito o amigo de meu pai. Me escondi atrás da parede para ouvir o resto da conversa, só fiz isto por estarem falando de mim.
— Não por minha vontade – respondeu meu pai de forma áspera. – Minha esposa morreu ao dar a luz minha filha, dessa forma nunca poderei ter um filho homem. A melhor coisa que Roxanne pode me fazer é pari um menino e o quanto antes. Você sabe que mulheres não foram feitas para batalhas pokémon. As batalhas de um homem são travadas ao lado de pokémons, já as de uma mulher são numa cama trazendo crianças a esse mundo. Além do mais ela não leva jeito pra coisa, ficar o dia todo com a cara enfiada nos livros lendo histórias idiotas. Se depende de mim, Roxanne jamais será GymLeader.
Depois de ouvi aquelas palavras fui para meu quarto e quis muito chorar, mas não me permitir derramar nenhuma lágrima. Prometi a mim mesma que seria forte e mostraria a meu pai que era capaz de comandar um ginásio. Treinei incessantemente para consegui derrotá-lo e me tornar a líder do ginásio de Rustboro.
Como o garoto de bandana verde parecia decidido a ter sua revanche e me identifiquei com sua história, resolvi aceitar batalhar.
— O que me dizem crianças, querem ver a professora de vocês batalhando? – Os gritos de euforia deixam claro a escolha deles. Perderíamos apenas alguns minutos de aula, não seria necessário mais que isso para derrotar aquele garoto.
Conduzir meus alunos em fila até o pátio da escola onde a batalha aconteceria. Mais que apenas uma batalha, seria uma aula. Tanto meus alunos como aquele garoto aprenderiam algo importante.
— Roxanne Sensei! Limpa o chão com a cara dele! – Gritou um de meus alunos, mas não pude identifica qual.
— Por favor crianças façam silêncio durante a batalha e acima de tudo respeitem meu desafiante, entendido?
— Sim Roxanne Sensei! – Responderam em coro.
— Treinou bem esses catarrentinhos. Vai chover lágrimas e ranho quando eles verem a professora deles ser derrotada – ele sorriu e pegou uma pokebola. Preferir ignorar as palavras dele, afinal eu deveria ser um rochedo.
— Como estamos no pátio da escola e ainda tenho que dar aula, será uma batalha de um contra um. Sei que você já se apresentou antes, porém, como não me recordo seu nome, peço que apresente-se novamente.
— Não lembra meu nome? – Ele pareceu meio decepcionado. – Sou aquele que vai te derrotar, isso é tudo que precisa saber. Vá Torchic! Vamos queimar tudo! – A pokebola foi lançada e em poucos instantes o pintinho de fogo estava diante de nos. Meus alunos olharam admirados para o pequeno pokémon de fogo.
— Seja forte e inabalável como um rochedo... – Murmurei e lancei minha pokebola. Mesmo falando para ficarem quietos meus alunos não puderam evitar gritar de emoção ao verem meu pokémon.
— Essa coisa nariguda deve ser o pokémon mais feio que existe. Use Picada Torchic! Quebre esse nariz de preda! – Foi ordenado o ataque ao meu Nossepass. A Picada praticamente não surtiu efeito mesmo tendo sido um forte ataque.
— Não conseguirá me vencer apenas com pura força. Use Tumba de Rochas e acabe com isso Nossepass. – Dezenas de rochas se chocaram contra o corpo do pequeno pokémon de fogo o nocauteado instantaneamente. O garoto da bandana verde correu ao socorro de seu pokémon. Pelos olhares cheios de dúvida meus alunos não esperavam que a batalha terminasse tão cedo. – Foi uma boa batalha. Volte a me desafia outro dia. Se me permite tenho que lecionar para meus alunos. – Seguir com meus alunos para a sala de aula, o garoto ficou em silêncio no pátio ao lado de seu pokémon.
A princípio as crianças ficaram muito agitadas após a batalha, felizmente logo conseguir acalma-las. Fiquei até um pouco envergonhada ao ouvi-los dizer que eu era a mais incrível das líderes de ginásio. Após as aulas ainda permaneci na classe por mais um tempo preenchendo alguns papéis e programando a próxima aula. Pude observa pela janela o garoto da bandana verde me esperando no pátio da escola. Já tive outros outros desafiantes persistentes, mas tinha algo de diferente nele, talvez fosse algo estranhamente familiar.
— Roxanne, a inabalável, é assim que te chamam, certo? – Disse uma mulher com longos cabelos verdes usando um vestido azul com fenda que deixava a perna exposta, com uma bandana azul estampada com o A da equipe aqua desenhado com ossos.
— Você faz parte daquela equipe de malucos que querem inundar o mundo? – Recentemente as organizações criminosas Aqua e Magma haviam ganhado grande notoriedade, mas era a primeira vez que ficava cara a cara com um de seus membros.
— Não compartilho os ideais de Archie. Assim como eu, a maioria dos membros da equipe Aqua está lá apenas por não ter outro lugar onde ir. De qualquer maneira, não é sobre isso que vim conversar. O que achou do seu último desafiante? – Os olhos dela eram como duas esmeraldas. Por alguma razão aquela jovem mulher me transmitia uma estranha sensação de paz.
— Hum... Ele tem muito o que aprender, muito mesmo. Apesar das falhas tenho que admitir que ele é persistente. – A mulher de cabelos verdes sorriu olhando para a janela depois direcionou seu olhar e sorriso a mim.
— Vocês dois tem muito em comum, ambos tem a cabeça dura feito pedra e o coração mole como manteiga. Por favor, o ensine a ser um grande treinador, Roxanne Sensei. – Dito isto ela caminho para a saída. Aquela mulher parecia no mínimo peculiar. Me perguntei qual relação teria ela e o meu desafiante.
Após terminar meu trabalho e trancar a sala de aula, me encontrei com o garoto de bandana. Esperava que ele fosse me desafiar novamente, entretanto eu estava enganada.
— Por que disse que foi uma boa batalha? Só por ter me derrotado com apenas um ataque? – Perguntou com o orgulho ferido.
— Realmente foi uma boa batalha. Você e seu pokémon deram o melhor de si.
— O nosso melhor não foi suficiente... Existe alguém que quero derrotar. Se eu não consegui sua insígnia não poderei sequer enfrentá-lo.
— Se esse alguém for Norman, seu pai, talvez seja melhor desistir.
— Nunca – respondeu com convicção, deixando claro que desistir não era uma opção.
— Normalmente alguém torna-se Campeão após vencer a elite dos quatro e o antigo Campeão, ou por própria indicação do Campeão antecessor.
— Aonde quer chegar? – Protestou.
— Steven Stone, o antigo Campeão de Hoenn, abandonou tudo sem dar explicações ou proclamar um sucessor. A decisão de quem sucederia Steven coube a uma assembléia entre os GymLeaders e a elite dos quatro. A assembléia foi unânime em escolher seu pai como novo Campeão, o único problema é que ele recusou. – O garoto olhava espantado para mim. Deveria ser a primeira vez que ele ouvia aquela história.
— Por que ele recusaria?
— Foi o que todos o perguntaram. Ele respondeu que só aceitaria o título de Campeão no dia que fosse um treinador tão forte quanto Cynthia a Campeã de Sinnoh. Naquele momento todos souberam que Norman nunca seria Campeão, ninguém é capaz de se igualar a Cynthia. – O garoto sorriu.
— Não importa o quanto meu pai queira se igualar a essa Cynthia, meu desejo de vencê-lo é ainda maior. Fizermos um acordo, se eu conseguir quatro insígnias poderei desafiá-lo. Não importa se ele tem o nível de um Campeão, vou transforma meu objetivo em realidade, vou derrotá-lo, tenho certeza disso. – Com tanta convicção assim, talvez ele quem merecesse ser chamado de Inabalável.
— Tem certeza que é isso mesmo que quer? Nunca tentou compreende melhor seu pai?
— Não há o que compreende! Ele sempre quis um filho mais forte, mais parecido com consigo mesmo. Nunca conseguir o agradar em nada. Vou mostrar a ele que não sou fraco nem covarde!
— O posto de líder do ginásio de Rustboro é passado de geração em geração entre os membros de minha família. Meu pai nunca quis que eu fosse GymLeader, simplesmente por eu não ter nascido com um caterpie no meio das pernas. Prometi que o derrotaria e provaria meu valor, mas nunca tentei o compreende. Meu avô era um homem benevolente demais, que entregava suas insígnias a qualquer treinador, independente de ter sido vencido ou não. Por toda Hoenn os treinadores zombavam do meu avô dizendo o quão fácil era conseguir sua insígnia. Meu pai teve que restaurar sozinho a honra do nosso ginásio e isso acabou tornando o coração dele duro com pedra. No fundo meu pai só achava que estava me protegendo. Tente só por um momento ver as coisas pelo ângulo de seu pai.
— Força, é tudo aquilo que meu pai acredita ter valor. Ele me considera fraco e covarde e isso é tudo aquilo que meu pai mais despreza. – Vi uma grande tristeza no fundo do olhar do garoto.
— Vou visitar uma aluna que vem faltando as aulas, se quiser me acompanhar...
— Tipo um encontro? – Disse todo alegre.
— Claro que não! – Respondi duramente.
— Mas podemos andar de mãos dadas? – A profunda tristeza foi substituída por duas estrelinhas brilhando nos olhos do garoto.
— Você já é bem grandinho não precisa andar de mãos dadas comigo!
— Tem chances de rolar um beijinho? – Insistiu.
— Obviamente não! Já estou até me arrependendo em ter o convidado!
— Desculpe. Não é sempre que tenho a chance de estar na companhia de uma garota tão bonita, ai eu tenho que arriscar. – Sem perceber acabei sorrindo ao ouvi-lo dizer que eu era bonita.
— No momento não estou interessada em romance, mas podemos ser amigos, o que me diz?
— Será um prazer ter uma amiga como você. Apesar dos seus pokemons serem do tipo pedra, seu coração parece ser bem mole.
— E você já não parece tão irritante quanto antes, só um pouco... Na verdade ainda é bastante chato. – Rimos os dois. – Se vamos ser amigos, preciso saber seu nome.
— Eu me chamo Brendan.
— É um lindo nome. Agora vamos. Ainda temos que pegar um bolo na confeitaria.
Seguir junto a Brendan para a confeitaria. Um dia antes havia encomendado um enorme bolo com um "Sentimos sua falta" escrito em glacê. Esperava profundamente que aquele bolo pudesse arrancar alguns sorrisos daquela garota, desde que a conhecia nunca a vi sorrindo. A pequena era filha de Wallace o atual Campeão de Hoenn, aparentemente o pai não dava muita atenção a ela, o pior de tudo foi a recente perda da mãe. A pobre garota se trancou dentro de si mesma, insolando-se de todo resto, inclusive da avó com quem vivia.
Chegando a confeitaria peguei a caixa do bolo e mandei Brendan a carregar.
— Agora eu sei o motivo para ter me convidado. Tem chumbo nesse bolo? Não é possível que um bolo normal seja tão pesado... – Brendan reclamou sem parar durante o caminho, até passamos pela vitrine de uma loja e ele vê algo que o interessasse. – Hey Roxanne. Olha lá na vitrine. Acho que sua aluna vai gostar. – Olhei e vi um Zigzagoon de pelúcia.
— Não tenho certeza... Zigzagoons não são lá os pokémons mais populares entre as crianças.
— Não estava falando do Zigzagoon! Olha do lado dele. – Olhei para o lado e vi um amável Torchic de pelúcia.
— Ah sim. Ele é memo muito fofinho. Acho que vou comprar para...
— Não, não, não – Me interrompeu. – Como o Torchic foi o meu primeiro pokémon, eu mesmo quero comprar para ela de presente. Segura o bolo. – Ele me entregou o bolo e entrou na loja, minutos depois voltou com o Nokémon de pelúcia nas mãos. Naquele momento pensei que no fundo Brenda tinha um bom coração, mas quando fui o devolver o bolo para ele carregar as reais intenções dele foram reveladas. – Já to carregando o Torchic de pelúcia, você pode levar o bolo – disse sorrindo, quase rindo por eu ter caído em sua armadilha.
— Não me diga que comprou o Torchic só para não precisar carregar o bolo?
— Talvez...
— O que? Eu realmente pensei que você se importasse com a menina! Ora, você me paga por essa! – Sair correndo atrás de Brendan por mais de um quarteirão, me admira muito que o bolo não tenha caído.
Após correr atrás de Brendan e dar um belo corretivo nele. Voltamos a caminhar em direção da casa de minha aluna, dessa vez eu quem carregava o Torchic de pelúcia. Chegamos ao local junto ao entardecer. A avó de minha aluna nos recebeu com um caloroso sorriso e vários agradecimentos por nossa visita, já a recepção de minha aluna foi muito diferente. Ela permaneceu no quarto e veio nos ver apenas após muita insistência da avó. Ela sempre foi uma criança inconfundível, os cabelos que herdou da mãe era vermelhos com o fogo, já os olhos eram como os do pai, um oceano verde. Está era Solana, minha aluna.
— Olá Solana. Os seus colegas de classe sentem sua falta e eu também – a garota ficou em silêncio olhando para baixo e com a cara emburrada.
— Veja Solana, eles trouxeram um bolo e um lindo Torchic de pelúcia para você – disse a avó tentando alegrá-la.
— Não os quero – respondeu a menina. – Não quero nada nem ninguém! – gritou. – Eu odeio todos vocês! Odeio todo mundo! As pessoas fingem gostarem de mim mas na verdade só ligam para elas mesmas! – Solana pegou o Torchic de pelúcia e arremessou contra a parede em seguida pegou o bolo e jogou em Brendan o lambuzando por completo. As lágrimas a garota correu e se trancou no seu quarto.
— Me desculpem! Mil perdões! Me deixe ajudá-lo a se limpar – disse a avó imediatamente após o ataque de fúria da neta.
— Para um bolo tão pesado até que aquela garotinha conseguiu o arremessar forte – ironizou Brendan rindo da situação, de todos ali era ele o único que não estava tenso. – Gostei dessa garota! Ela daria uma excelente treinadora.
— Não incentive o comportamento dela. Esse tipo de atitude nunca trás nada de bom – diverti o Brendan.
— Perdoem minha neta. Ela é uma boa menina, apenas está passando por um momento difícil. A morte da minha filha a afetou muito e o pai dela é muito ocupado. – Pelas histórias que ouvi de Wallace as principais ocupações dele eram: Festejar, fazer filhos e batalhas pokémon até a morte. Meu pai era um homem duro, mas até ele era um pai melhor que Wallace. A pobre Solana fui cruelmente ignorada pelo pai a vida toda.
— Como professora meu dever é ajudá-la. Me sinto falha vendo ela se isolando de todos... Se eu pudesse a alcançar de alguma maneira – desabafei.
— Posso falar com ela por um instante? – Perguntou Brendan. Sequer suspeitávamos o que ele poderia falar com Solana.
— Bem... É melhor deixá-la quieta durante um tempo – a avó estava insegura.
— Não vou demorar – Brendan seguiu em direção ao quarto de Solana e eu o acompanhei.
Bati três vezes na porta e Solana respondeu gritando:
— Vão embora!
— Hey. Carreguei aquele bolo por metade da cidade o mínimo que você podia fazer era não ter jogado ele em cima de mim.
— Não pedi bolo nenhum! Vão embora logo! Não quero ver ninguém! – Gritou Solana em resposta.
— Você não pode simplesmente se esconder dentro de seu quarto e se isolar do mundo, sei o que estou falando. – Nem parecia o mesmo Brendan. Talvez ele estivesse vendo a si mesmo naquela garota rebelde e isso tenha aberto seu coração.
— Não! Você não sabe nada! Não quero ver ninguém, nunca mais. As pessoas são ruins, mentem e maltratam umas as outras. Ficar ao lado de outras pessoas só me machuca! Estão todos sempre me abandonando e deixando sozinha – Solana disse aquilo que estava em seu coração.
— Já percebeu que você quem está machucado as outras pessoas? Sua avó, Roxanne e até mesmo seus colegas de classe, você quem está abandonando e magoando eles! Sua mãe não iria querer isso. Abra os olhos. Você está agindo igual as pessoas que diz que odeia! – Disse o garoto de bandana verde, Brendan.
Ocorreu um longo instante de silêncio após as palavras de Brendan, então ouvimos um fraco som de choro vindo do quatro de Solana. Não pude deixar de notar a ironia. Eram os três filhos grandes treinadores que não eram pais tão bons.
— Hey, Roxanne. Você não me contou como venceu seu pai e se tornou líder de ginásio – disse meu desafiante enquanto esperávamos que Solana saísse do quarto.
— Quem disse que eu venci? E isso é história para outro momento. Talvez ainda tenhamos tempo para mais uma revanche hoje, o que me diz?
— Apenas me der tempo de tomar um banho e tirar esse glacê todo de cima de mim. Sabe... Um velho gordo certa vez me disse que o mais importante não era vencer meu oponente e sim vencer a mim mesmo, apesar das palavras dele parecerem uma gigantesca baboseira, estou começando a entendê-las. Conheci algumas pessoas que não quero derrotar, gostaria de poder vencer junto delas. Bem já vou indo para o Centro Pokémon, te vejo no ginásio Roxanne Sensei. – Brendan se despediu da Avó de Solana e foi embora.
Pouco depois que Brendan partiu, Solana abriu a porta de seu quarto e saiu correndo. A pequena pegou o Torchic de pelúcia e correu para o lado de fora na esperança de encontrar Brendan. Agarrada ao pokémon de pelúcia ela observou a figura do treinador se perder no horizonte enquanto o sol se punha. Brendan não a viu pois em nenhum momento olhou para trás.
Horas mais tarde encontrei com meu desafiante no ginásio. Sorrimos um para o outro ao nos vermos, então erguemos as pokebolas.
— Antes de começamos quero te contar sobre a batalha com meu pai... Fiz um acordo com ele, caso eu perdesse desistiria de ser GymLeader e me casaria com o primeiro pretendente que aparecesse, foi necessário para que ele aceitasse meu desafio. Desde o começo eu sabia que ele me menosprezaria e tentaria acabar com a batalha o mais rápido possível, meu pai não admitiria ouvi que dei trabalho para ser derrotada. Usei meu simples Nosepass o que apenas aumentou a confiança na vitória dele. Para me vencer o mais rápido possível meu pai usou seu pokémon mais forte, um Aerodactyl chamado Terror Aéreo. Permaneci calma durante toda batalha, em contraparte cada ataque falho ou que meu Nosepass suportava deixava meu pai ainda mais furioso. A raiva fez com que meu pai vacilasse e me deu a oportunidade de paralisar Terror Aéreo com o Onda Elétrica de meu Nosepass. Impossibilitado de voar e bastante cansado, bastava um ataque para nocautear Aerodactyl, mas vencer já não importa mais. Retornei meu pokémon e parabenizei meu pai pela batalha. No começo ele não entendeu bem a razão deu ter feito aquilo, apenas olhou pasmo para mim. Foi naquele dia que me deram o codinome de Inabalável. Meu pai compreendeu que eu era capaz de comandar o ginásio e desde dessa batalha nossa relação melhorou drasticamente. Uma verdadeira vitória esmagadora é conquistada com humildade. Não se esqueça disso quando for enfrentar seu pai.
— Não me esquecerei. Você disse que lecionava apenas para crianças do fundamental, mas está me ensinando muito também. Obrigado por tudo Roxanne Sensei. Vamos ter uma bela batalha! Vá Torchic! – A pokebola foi lançada e o pequeno pokémon de fogo posto em combate.
— Seja forte e inabalável como um rochedo... – sussurrei e lancei a pokebola de meu Nosepass.
Torchic começou a batalha usando Brasa, o ataque surtiu pouco efeito em meu pokémon. Ordenei que Nosepass usasse Tumba de Rochas, o pequeno pokémon de fogo agilmente desviou das rochas, porém foi ferido numa das patas. Torchic tinha dificuldades para permanecer de pé. Brendan olhou preocupado para seu pokémon e por um momento pareceu que iria retorná-lo. Eu tinha que incentivá-los a continuar.
— Vamos Brendan! Se o Torchic tiver metade da sua perseverança duvido que ele se renderá com apenas um ataque! – Treinador e pokémon se motivaram.
— Torchic quer vencer tanto quanto eu e ele também te acha uma visão encantadora!
— Se ele não achasse acho que não seria um pokémon seu. Ao menos ele é bem mais atraente que o treinador dele isso eu tenho que admitir – brinquei.
— Vamos lá Torchic vença e ganhe um beijo da Roxanne!
— Espera ai! Eu nunca disse que iria beijá-lo. – Era impossível não me alegrar ao batalhar com aqueles dois.
Torchic avançou novamente contra Nosepass, dessa vez para compensar a perna machucada ele pulou em espiral usando Picada. O ataque em parafuso dessa vez surtiu mais efeito. Ordenei que meu pokémon usasse Tumba de Rochas, Torchic desviou pulando no ar e rodopiando enquanto desviava das rochas.
— Agora é tudo ou nada! Faça as chamas beijarem o nariz do Nosepass para assim ganhar o beijo da Roxanne!
— Um beijo meu não é algo tão fácil de se conseguir! Não permita que ele se aproxime Nosepass, use novamente Tumba de Rochas!
Centenas de pedras foram arremessadas em direção do Torchic. O pokémonzinho de fogo usando sua perna boa pulou de rocha em rocha se aproximando de meu Nosepass por cima. Era como se ele fosse capaz de voar. Uma chuva de brasas atingiu meu Nosepass o queimando e ao fim dela o pequeno Torchic caiu em espiral usando Picada em meu pokémon. Foi um ataque crítico. Meu pokémon desmaiou e ficou fora de combate. Retornei Nosepass para a pokebola e caminhei em direção ao Torchic.
— Mesmo não tendo prometido nada, Torchic merece um prêmio por seu esforço. – Me aproximei e beijei o pokemonzinho de fogo. O corpo dele começou a brilhar e a mudar, ele estava evoluindo para um Combusken.
— Uau viu só o que um beijo pode fazer? Por falar nisso tenho um Poochyena e tava querendo evoluir ele, tem como dar um beijinho nele também? – Na verdade Torchic havia evoluindo pela experiências ganha em batalha, embora talvez meu beijo tenha ajudado.
— A batalha de verdade começa agora. – Caminhei de volta a outra ponta do campo de batalha e arremessei uma segunda pokebola, o pokémon que surgiu foi Terror Aéreo, o Aerodactyl que herdei de meu pai junto com o ginásio. A enorme criatura pré história já havia passado por incontáveis batalhas, assim que Brendan o viu, teve certeza que não poderia vencê-lo. – O que fará agora? – Perguntei prestando atenção em cada detalhe no rosto de meu desafiante.
— Foi uma boa batalha – me respondeu sorrindo. – Ainda preciso treinar muito para chegar ao seu nível, Roxanne Sensei. De qualquer forma foi uma boa batalha, meu pokémon evoluiu e aprendi muito. Obrigado. – Ele retornou o Combusken para dentro da pokebola.
— "Seja forte e inabalável como um rochedo, mas não permita que seu coração torne-se uma pedra. Nunca se esqueça de ser humilde e gentil", Foram essas as palavras que meu pai me disse no dia em que assumir o ginásio. – Caminhei em direção ao garoto da bandana verde lhe estendi a mão o entregando a insígnia de pedra.
— Mas eu não ganhei... Não mereço ela – disse confuso e timidamente.
— Nunca se tratou de ganhar ou perder a batalha. Cada ginásio possui suas regras e particularidades. O verdadeiro teste para consegui a insígnia de Pedra não se consistia apenas em força. Você mostrou respeito e humildade. Conheceu seus limites e percebeu que derrotar seu oponente não é necessariamente o mais importante. Isso o fez merecer a insígnia de Pedra. – Num primeiro momento ele excitou, só após alguns segundos de reflexão ele pegou a insígnia.
— Você é uma treinadora e professora incrível... Não me esquecerei do que aprendi, sua insígnia sempre me lembrará.
— O único a quem deve superar é a si mesmo. Aqueles que tornam-se obcecados pela vitória acabaram se esquecendo daquilo que realmente importa. Seja forte e inabalável, mas não permita que seu coração transformasse em pedra.
— Um dia, quando eu for um treinador melhor... Quero batalhar novamente com você, Roxanne Sensei. Diga a Solana que voltarei para visitá-la. A ensine a ser uma grande treinadora pokémon e faça com que ela nunca se sinta sozinha. – Dito isto Brendan partiu.
Muitos obstáculo e desafios aguardavam o treinador pokémon da bandana verde. Estava extremamente feliz em ter o conhecido. Sei que meus ensinamentos o acompanhariam em sua jornada.
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