Pokemon: Ametista e Ébano
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Notas iniciais
Sinnoh, Rota 217
4:12h
Faltavam poucas horas pro sol nascer e a nevasca finalmente tinha parando, parece que as coisas estão melhorando afinal. Eu olhava fixo para o pé do relevo para me certificar que aquele Mega-Abomasnow tinha mesmo ido pra vala. Depois de alguns segundos sem ouvir nada, fiquei tranquilo.
Eu desci das costas da Mexie sem nem fazer o cafuné de baixo da terceira escama de prata nas costas dela, como eu costumo fazer. Juro que depois faço isso(Juro que dessa vez o juramento é jurado, Juro!), por que aquela Combusken estava em um estado crítico!
Corri na direção dela sem olhar nem pra trás e nem pros lados -Graças há Arceus eu não tropecei em nada, surpreendente já que vivo tropeçando por aí.- Pelo estado daquela bichinha, eu não sabia nem dizer se duraria muito ou pouco.
Mas foi só me aproximando, que eu percebi a presença de uma humana -Até por que ela me empurrou que nem um caminhão, me jogando na neve. -Me levantei rápido e percebi que ela tava falando comigo.
Garota: SAI DAQUI SEU TARADO!!! A AXEL TÁ MORRENDO!!! SÓ POR QUE ME SALVOU ACHA QUE TEM ALGUM DIREITO DE- -Ela travou loucamente na hora que eu coloquei a mão na cintura dela... e empurrei.
Eu: Moça, com licença, por favor!! -Ufa! Cheguei no bicho a tempo! (E ainda existem Ateus no mundo? Como pode?!) -Fica calma, tá? Vai ficar tudo bem... -Eu dizia, me agachando e colocando uma mão sobre a testa dela e acariciando o "topete" de penas vermelhas da tal Axel.
Garota: EI, SEU MALDITO- -Ela levantava-se da neve, mas parece que, quando me viu, acabou se acalmando. -O que cê tá fazendo? Tem algum medicamento ou tá só fazendo propaganda de Antídoto?
Axel: Com...Bus...Ken... -Ela estava relaxando, graças à Arceus eu fiz direito!
Eu: Pronto, pronto... A dor já passou né?
Garota: Ela... Parou de chorar... -Caía de joelhos, tentando olhar mais de perto.
Meus gestos estranhos de carinho à um pokemon que eu nunca vi eram contemplados pela treinadora da Combusken. Faz um tempo que não ando com humanos, mas não deve ter se tornado normal alguém chegar, se debruçar e abraçar seu amigo, curando-o no processo... (Né? Ah, não sou padrão pra muita coisa.) Tenho certeza que ela acharia esquisito como a maioria das pessoas, mas, pelo menos, a bichinha dela tava segura agora.
Axel (Acho que é esse o nome que a menina falou.) ficava sonolenta e, por sorte a menina não me bateu e nem nada durante o processo de cura (poderia dar muito errado). Dava pra ver algumas memórias da pequena... As duas estavam juntas há muito tempo, a ligação delas é realmente muito, muito forte.
E dá pra ver pelo físico dela também, ela foi muito, muito bem treinada. Na verdade... Acho que só conheci uma pessoa que treinava os pokemons tão bem assim, faz tanto tempo que não lembro direito quem era. Mas, agora que a Combusken caía no sono, novamente saudável, e voltava ao mundo real. Aí que eu finalmente percebia a garota com calma.
Garota: Você... Tá chorando? E eu achando que eu era doida...
Eu: Hã? Ah! Não, não é nada, não... -Não tinha percebido as lágrimas escorrerem pelas minhas bochechas. Eu limpava com as mãos enquanto me levantava pra conversar como gente(ou quase). -Você... Você treinou ela muito bem.
Garota: Que?! A Axel... Qual erva você usou? — (EITA, GURIA, TÁ ME ESTRANHANDO?! Tenho lá cara de Snoopy Granbull pra andar com erva?!) Ela se aproximava e acariciava um pouco a galinha (A Axel, gente, não pensem bobagem.) assim que eu dava espaço. -Não lembro de nada que cure veneno, mas faça dormir. -Ela falava em um semblante de dúvida, é claro (Por que o dia que alguém me achar normal, vou saber que tem algo de estranho.)
Eu: Não, não... Na verdade não foi nenhuma erva nem nada foi tipo... "Amizade tem poder?" (O pessoal sempre cai na conversa do My Little Ponyta, tomara pra mim também funcione! *Cursa os dedos mentalmente*)
Garota: Ahn... Okay, se eu ainda tivesse 8 anos, acreditaria em ti -Ela me encarava com um olhar quase intimidador. -Mas já que a minha melhor amiga está bem por sua causa, vou até deixar passar. -Ela balançava a cabeça com um sorriso radiante no rosto, que, diga-se de passagem, conseguiu fazer o meu frio passar por alguns minutos. — Muito Obrigada!! Moço... Menino... Garoto...?
É, acho que essa é a hora que eu falo o meu nome né? Não é a toa que não interajo com as pessoas a eras, sou muito esquisitão pra qualquer ser humano. (E até para alguns pokemons também...)
Agora que a correria tinha acabado, eu podia reparar nos detalhes dela. A moça era bem nova, estava usando um sobretudo levemente cor de rosa cheio de botões pretos. A roupa caia muito bem nela, já que o casaco combinava com os olhos e até com o brilho dourado do longo e esvoaçante cabelo, preso do lado direito por um elástico.
Eu: Ah -Confesso que eu realmente travei ao ver aquele sor- DIGO, aquela SOmbra de ter vivido tanto tempo longe das pessoas! Aí as vezes esqueço de como interagir... É isso sim... Não que eu tenha achado os olhos violeta dela lindos nem nada! — N-Noah! Meu nome é Noah. (Se me lembro bem era isso...) Essa é a minha amiga Mexie! É um prazer, moça.
Maxie: Agrooon!
Garota: Noah? É um nome estranho, se bem que combina com você! -Ela apertava a minha mão e balançava. -Me chamo Liberty, mas, se quiser, pode me chamar só de "Li" mesmo! Noah... Posso te fazer uma pergunta? Por que estava no meio de uma nevasca SEM UMA CAMISA?!
Noah: O que? Ah isso? Não sei na verdade. Sempre que eu fico com frio, peço para algum amigo me esquentar. -Eu tentei dar um riso meio forçado, mas, como esperado, não é muito efetivo. Então resolvi falar a verdade pra ela. -É que... Faz muito, muito tempo que eu vivo com os pokemons.
Liberty: Nossa... Sério? Okay, vem comigo! -Ela falava começando a andar na direção das pedras depois de ter pego o outro pokemon dela.
Noah: Quê?! Pra onde? (Menina doida!)
Liberty: "Hã, Prãn ondi?" -É com essa imitação que você quer o Poke-Studios Oscar? -Pra cidade ué! Você ajudou a minha melhor amiga e eu, vou retribuir o favor! Hee hee!
Noah: Que isso?! Não precisa de-
Liberty: Escravo de H- Quer dizer Bibarel! Escalar Pedras! -Ela dizia enquanto descia a elevação. -Você não vem, garoto?
Noah: Droga, volta aqui! Mexie, me dá uma força aqui, por favor? -Não é a toa que estou longe das pessoas há tanto tempo, só os pokemons parecem ter sanidade! -Tem um negócio que eu quero te perguntar!
Depois de descer, ela retornava o Bibarel pra Pokebola, que, por sinal, não via uma dessas há anos... A Maxie nos seguia meio que nos vigiando de longe.
Liberty: Hã? O que quer me perguntar? -Por um segundo achei que ela tinha corado. Nha! Devo estar vendo coisas.
Noah: Sua Combusken, Axel, né? Como ela ficou envenenada em um lugar como esse? Considerando a nevasca forte, os únicos pokemons selvagens que você deveria achar por aqui eram os Abomasnows mais saudáveis.
Liberty: Eu tava procurando o- -Ela tá tentando esconder algo... É evidente. -Não, não! O Mega-Abomasnow usou tóxico! É, foi isso sim, Noah... -Ela falava desviando o olhar.
Noah: Hm... -Eu encarava ela esperando que ela contasse a história verdadeira. Mas como não veio, vamos ter que trabalhar com isso mesmo. -Pra ele ser um Mega, quer dizer que tem um treinador, ainda mais se aprendeu Tóxico... Por acaso... Você deve dinheiro pra alguém ou roubou o namorado de alguma adolescente?
Liberty: QUÊ?! Não!! -Agora sim ela corou, hehe! -Mas eu também pensei nisso... Selvagem aquela coisa não podia ser, então alguém queria me pegar, mas eu não tive nenhum sinal de qualquer ser humano. Mas não tenho nenhuma passagem! No máximo um rival, mas...
Noah: Graças à Arceus! Nesse caso, isso me cheia a Equipe Galáctica, se você quer saber. Não duvido que sejam eles que estejam por trás disso...
Liberty: Equipe... Galáctica? Cara, há quanto tempo tu está isolado? A Equipe Galáctica foi derrotada há 7 anos...
Noah: DERROTADA?! -Mal dá pra acreditar...-Sério? E... Nossa... As coisas devem estar bem diferentes mesmo por aqui...
Liberty: Ah, sim! O que mais foi esquisito foi há uns 3 anos quando os professores descobriram um novo tipo! Tipo, "Preste atenção, Clefairy! Agora você não é mais normal, você é uma fada! Por que agora as crianças voltaram a acreditar em fadas! O que quer dizer que os ataques lutadores agora são fracos contra você, não fortes! E, por sinal, todas as fadas são imunes a dragões, isso por que, veja bem...(Insira aqui fórmulas científicas gigantescas pra explicar essa imunidade.)..."
Continuamos conversando por algumas horas, que, sinceramente, eu nem senti passarem. Liberty me contou muito sobre como o mundo tinha mudado e confesso que cheguei a me assustar. Ela com certeza falava muito, mas era bem engraçada e animada, sem contar que tem conversas bem interessantes.
Ou eu que costumo conversar com a Maxie sobre qual pedra é metamórfica ou qual é sedimentar... Okay, mundo, confesso que eu precisava mesmo de um pouco de contato humano.
—
Sinnoh, Cidade Snowpoint
6:24h
A cidade já não estava tão fria como de costume. Provavelmente digo isso por ter acabado de sair de uma das piores nevascas dos últimos anos. Mas Snowwpoint era elegante como sempre, coberta de neve, todo canto refletia um pouco da luz da manhã, um fenômeno raro por lá.
Liberty: FINALMENTEEE! -Ela dizia enquanto se espreguiçava. -Só precisa colocar sua Agron na pokebola e vamos direto para o Poke-Mart pra comprar umas roupas pra você!
Noah: Pokebola...? Então, eu meio que não tenho uma.
Ela fez uma expressão de surpresa que eu nunca devo ter visto na vida. Será que disse algo muito ruim?
Liberty: S-se você não capturou a Mexie... ELA NÃO É SUA?!
Noah: Minha?! Você tá louca, menina? Ela é minha amiga, não minha escrava em lutas de galo!
Liberty: Nossa... Sério que pensa assim? Eu só não vejo o problema de usar uma pokebola...
Noah: Não é que tem algum tipo de problema. -Eu fazia um sinal pra ela se aproximar e entrar na cidade com a gente. -Mas eu não vejo motivo pra colocar ela lá dentro, entende? Se bem que a Axel carece estar gostando da soneca ai dentro.
Ela deu uma risada e concordamos. Chegamos a conclusão de que não teria muito problema andar pela cidade com a Mexie solta, desde que ela não entrasse em nenhuma casa nem nada. Fiz questão de trazer um belo lanche pra ela depois que saímos do Pokemart.
Sinnoh, Cidade Snowpoint
10:47h
Pelo menos os mercados ainda funcionam 24 horas por dia. Eu ainda não me sentia muito confortável de deixar a Liberty comprar roupas novas pra mim, mas ela insistiu tanto que eu acabei cedendo. Se bem que ela tinha um ótimo argumento também. Minhas roupas estavam velhas e, se eu fosse ficar algum tempo na cidade, teria que andar que nem gente.
Um casaco cinza um pouco mais longo que o normal, uma camisa preta com vermelho estampada com um charmander escrita "Burn't Up" e uma nova calça jeans já que essas nunca saem de moda. Com exceção do casaco e de luvas de couro pra não machucar as mãos ao montar nas costas da Mexie, eu escolhi tudo.
Confesso que quando saí do Centro Pokemon, depois de fazer as compras, descansar, tomar um belo de um banho quente e pentear meu cabelo, eu tive vontade de abra- Quer dizer, agradecer à menina!
Noah: Hey, Li. Fala uma coisa, você veio pra Snowpoint pra enfrentar o ginásio, não é? -Perguntava pra ela enquanto nós comíamos um lanche andando em direção ao sul da cidade.
Liberty: Hihihi! Se quer saber, moçoilo... -Ela me mostrava a Insígnia de Sincelo, com um sorriso confiante no rosto. -É, eu sei, eu sei... É impressionante né?
Noah: Realmente! Considerando sua Combusken e, por tipo, ataques e pontos de EV, a Candice seria a líder mais fácil de você derrotar já que a Axel consegue cobrir todos os pokemons dela! Deixa eu adivinhar... Seu próximo alvo é a Gardenia?
Enquanto conversávamos chegamos no porto onde os barcos que atravessam o gelo desembarcam. Liberty achou um lugar pra encostar as costas e então soltou a Axel. Agachou e fez um pouco de carinho nela depois de falar alguma coisa sobre espírito de vitória.
Liberty: ISSO! Nossa, você entende muito de batalhas, Noah! Normalmente eu tenho que explicar meus esquemas pra todo mundo.Mas antes da Insígnia da Floresta, tem mais alguém que eu quero enfrentar em Snowpoint antes! Dizem as más línguas que essa pessoa vai chegar aqui amanhã ou até hoje! (Okay, isso é meio stalker... Crianças, seguir seus amiguinhos pela cidade não é legal.)
Noah: Hm... Agora entendi por que me trouxe pro porto. Mas quem seria-
Liberty: O barco chegou!! -Ela levantou e saiu correndo na direção da porta de saída. Meu Arceus, como essa mulher gosta de me fazer correr atrás dela!
O pessoal começava a desembarcar, Liberty e Axel já estavam na cara da saída com um guardinha segurando elas. Admitindo a época do ano, a Cidade de Snowpoint está na época de menor fluxo de turistas, por isso quase ninguém descia do barco.
Depois de alguns minutos a Liberty virou pra mim decepcionada já que a pessoa que ela esperava parecia não ter vindo com esse barco. Mesmo que essa fosse uma possibilidade esperada, eu senti que ela ficou bem triste, afinal, só pelo treino que ela tava dando pra Axel, dá pra ver que a expectativa era alta.
Liberty: Ela não veioooo!!! -Ela veio triste pro meu lado. Eu ofereci um abraço e ela aceitou. (Pelo menos esse costume não é estranho!)
Noah: Calma, calma... Amanhã o cara vai chegar, Liberty... E eu sei que você e a Axel vão acabar com ele! Eu e a Mexie aqui vamos torcer com toda força para vocês! -Tomara que erga a moral dela...
Liberty: Você acha?
Noah: Não acho. Eu sei! Uma passarinha me contou que você é uma ótima batalhadora! Não é Axel?
Axel: Combuskeeeen!!!
Liberty: É, tem razão! -Ela saía e olhava pra Axel com fogo nos olhos. Graças à Arceus eu consegui animar a menina! Ela fica muito melhor sorrindo... -Amanhã a gente vai prova-
A princípio, não soube dizer por que ela parou a fala, mas depois comecei a ouvir uma voz feminina distante. Ela dialogava alguma coisa com o marinheiro sobre algum amigo ou namorado, sei lá. Ironicamente aquela voz me parecia levemente familiar, mas eu não consegui identificar direito, mesmo depois dela se aproximar.
Liberty: É ELA!!! Vem, Axel!!! -Liberty disparou na direção da ultima passageira do barco. Pelo visto essa era o alvo.
Aquela mulher... Os cabelos loiros e compridos, voando com o vento, uma franja que cobria o olho direito dando um tom misterioso. Um sobretudo preto com mangas e gola felpuda, calça e salto em outros tons do mesmo preto.
Não sei por que... Mas a presença daquela mulher me dava calafrios. Não que eu sentisse mal sendo emanado dela, mas um mistério... Era como se eu pudesse entrar na mente no coração e na alma dela só com uma troca de olhares. Com certeza algum mistério muito sombrio circunda essa mulher... Mas, que diabos poderia ser?
???: Hã? Quem seria você, senhorita?
Liberty: Campeã Cynthia!!! EU TE DESAFIO PARA UMA BATALHA!!
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