Pokétrip

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Título: Pokétrip
Autor(a): Lune Kuruta
Classificação: 14 anos
Palavras: 2183 (este capítulo)
Personagens/Casais: Máscara da Morte de Câncer, Afrodite de Peixes, Aiolia de Leão, Kiki de Appendex, Misty de Lagarto e outros.
Gêneros: Gen, humor.
Resumo: Crossover Saint Seiya/Pokémon. Pode até não ter sido a manhã mais longa da vida de Máscara da Morte, mas definitivamente foi a mais esquisita.
Disclaimer: Saint Seiya é de propriedade de Masami Kurumada e Toei. Todos os direitos reservados.
Por sinal, a ideia de fazer ISSO com o Máscara da Morte veio de um tema sugerido pela Nemui. Todos os créditos por essa ideia são dela XD
Notas: História escrita para o Festival Máscara da Morte, um amigo oculto de fanfics promovido pela comunidade Saint Seiya Super Fics Journal (capítulo originalmente postado na comunidade em 21/05/2012).
A princípio não se trata de um shonen-ai, ok? Mas se alguém quiser enxergar algum interesse amoroso, fique à vontade, huahuahau!
*Localização temporal: Pós-Hades, todos revividos por Atena.

Após aquele inusitado som, outra voz se fez ouvir no Templo de Câncer: uma gargalhada quase histérica, em que se misturavam a hilaridade e o choque. Afrodite caiu de joelhos, às lágrimas, parecendo incapaz de parar de rir.

Mas o quê? Que porra é essa, Afrodite?

Mas, novamente, apenas sílabas estranhas abandonavam sua boca, o que parecia piorar o ataque do colega. Máscara da Morte automaticamente tentou cruzar os braços, irritado – foi quando percebeu que seus braços não se encontravam. Estavam muito mais curtos. Olhou para si e quase entrou em choque, arregalando os olhos.

Que bruxaria é essa?

Afrodite aos poucos se acalmava, erguendo-se. Passado o choque inicial, pôs-se a observar aquela estranha figura: uma criaturinha pequenina, a maior parte do corpo inserida em um ovo – como um filhotinho que ainda não tivesse força suficiente para romper por completo a casca – envolta em uma cueca boxer preta obviamente grande demais para ela. Pezinhos pequeninos despontando do ovo, que era branco com pequenos triângulos coloridos. Bracinhos que mal conseguiam circundar a casca. Uma cabecinha com protuberâncias triangulares, como uma coroa. E um rostinho...

Máscara da Morte não entendia o que estava acontecendo. Tentou ir até Afrodite, mas seus pés desajeitados tropeçaram na cueca que vestia antes. Máscara caiu e acabourolandopelo chão da Quarta Casa, indo parar bem diante de Afrodite. Agitava os pezinhos tentando alcançar o chão, sem sucesso. Era uma cena patética, até. Mas a carinha da criatura – que Máscara jurava que era de um homem muito irritado – causava um efeito diferente no pisciano...

Afrodite nunca havia ousado imaginar Máscara da Morte tão... fofo.

O que está esperando, seu idiota? Me ajude a ficar em pé!

- Prrrriiiiii...

- Sua carinha até dá dó agora, Máscara – O sueco passou a circundar o desafortunado colega, a expressão divertida contrariando o que dizia – Bom, eu avisei que poderia acontecer algo estranho, não é? Mas você resolveu desafiar... e olhe só pra você! Já imaginou se mais alguém o vê assim?

Afrodite retirou do bolso um pequeno espelho – objeto indispensável – e mostrou a Máscara da Morte sua nova aparência. Esperava, claro, um verdadeiro chilique do italiano, o que iria diverti-lo bastante. O sorriso praticamente escorreu de seu rosto, porém, quando a criaturinha no chão, ao ver sua própria imagem refletida, agitou pés e braços e... sorriu.

- To-ge, to-ge!

- Você está... feliz? – O tom outrora cínico de Afrodite se tornou definitivamente confuso – Você está... sorrindo! O que deu em você?

Obviamente Afrodite sequer fazia ideia de que, naquele momento, a mente de Máscara da Morte acabava de bater o recorde de palavrões proferidos por segundo. E era isso que matava o canceriano de raiva: queria extravasar, chutar tudo, mandar Afrodite à p... que pariu, mas tudo o que conseguia fazer era se agitar e emitir ruídos fofos e extremamente vexatórios.

E, para seu horror, uma parte de si estava realmente gostando de se agitar e emitir ruídos fofos. Era uma sensação quente, arrebatadora, que animava os movimentos de seus membros e fazia sua boca se contorcer em um sorriso estranho, aquele tipo de sorriso meigo e fofo ao qual Máscara nem de longe estava acostumado.

-Deve ser a fome – Concluiu um atordoado pisciano – Venha, mas não se acostume, hein? Vai ter de aprender a se mexer com esses pezinhos mínimos, não sou babá. Só acho que você não vai querer mais os ovos fritos...

Assim que Afrodite tocou em Máscara, erguendo-o do chão, um arrepio correu sua espinha. Máscara o fitou com aqueles olhinhos pequeninos, brilhantes... e soltou um "To-ge-prrrrrriiiiii" agudo, agitado, feliz. Afrodite chegou a corar de... ternura? Talvez o mais próximo disso a que o cruel cavaleiro de Peixes se permitia chegar.

Afrodite colocou Máscara sobre a mesa, registrando internamente que é muito mais fácil equilibrar um ovo quando este tem pés. Divagou um pouco sobre o fato de a presença dos pés indicar que se tratava agora não de um ovo em pé, mas de um ovo sentado, o que era deveras surreal. Sacudiu a cabeça para afastar esses pensamentos. Não se lembrava de ter reflexões tão absurdas desde sua tenra infância.

- Você não come nada especial, come? – Murmurou, oferecendo-lhe um pedaço de fruta. Viu Máscara da Morte olhar para seu gesto... olhar...

- Togeprrrrrriiiiiiiii! – Emitiu um guincho feliz, aceitando a fruta e comendo todo... fofinho.

- E olhe que você nem gosta tanto assim de frutas... – Comentou Afrodite, observando-o com um ligeiro sorriso.

E eu não gosto! Aliás, eu nem quero! Mas deve ser a fome, já que você ficou me enchendo o saco e acabei não comendo no meu estado normal. Hum, isso é gostoso...

- Bom... agora que você já está mais calmo, vamos às negociações... – Afrodite mordeu uma maçã tranquilamente – É muito provável que esse tenha sido o seu castigo por ter se recusado a me escutar. Não sei quanto tempo esse aspecto planetário vai durar, e mesmo quando ele se desfizer, não sei se você voltará ao normal. Você pode passar o resto da vida como um ovo saltitante, já imaginou? – Sorriu divertido.

- To-ge?

- Ah! E imagine a cara dos outros ao descobrirem que o sanguinário Máscara da Morte se transformou nessa coisinha patética! Vai ser bastante divertido... seu cosmo praticamente desapareceu, Máscara, então acho que eu mesmo teria de contar...

A carinha da criatura exprimia inocente interrogação; entretanto, por dentro, Máscara da Morte estava fumegando. Na qualidade de um ovo parcialmente eclodido, chegou a recear um eventual risco de cozimento espontâneo.

Filho da...!

Afrodite conjurou uma rosa branca e a girou entre os dedos, distraidamente.

- Eu até posso guardar segredo... somos amigos, não somos? – A expressão irônica – Posso até levar seu problema a Shion e Atena, que poderiam resolvê-lo. Mas isso é bem trabalhoso e chato. Acho que mereço uma recompensa pela minha fidelidade. Até porque você me tratou muito mal hoje, Máscara, tsc, tsc... sendo assim, acho que irei adotá-lo como minha mascote por tempo indeterminado. Sempre quis ter um cachorrinho...

(A autora prefere não transcrever os palavrões que inundavam a mente de Máscara da Morte naquele momento. Apenas acreditem em mim: o recorde foi novamente quebrado)

Alheio à verdadeira enxurrada de impropérios mentalmente dirigidos à sua pessoa por trás daquela carinha inocentemente curiosa, Afrodite pegou Máscara nos braços.

- Não vou treinar hoje, essa manhã está sendo bastante atípica. Vamos pro meu templo, eu não fico nesta Casa horrenda nem morto! E se você tiver de subir as escadarias para me servir, só chega a Peixes no ano que vem...

Afrodite deixou a Casa de Câncer, Máscara da Morte "tranquilamente" nos braços. Foi quando, na altura da Casa de Leão, deparou-se com uma cena estranha: Aiolia sentado no alto da escadaria, cabisbaixo, conversando com ninguém menos que Kiki, o pequeno aprendiz de Mu de Áries.

- Aconteceu alguma coisa? – Ninguém se deixou enganar pela expressão pesarosa e pela voz preocupada, pois sabiam que Afrodite não se importava realmente e estava apenas curioso. Mas Aiolia não parecia em condições emocionais para brigar.

- O Olinhos sumiu – Informou o nunca discreto Kiki, referindo-se ao filhote de gato que Aiolia ganhara de seu recém-ressuscitado irmão mais velho.

- Ah, lamento – Afrodite disse casualmente – E você não pensou em, sabe... sair pra procurar em vez de ficar aí choramingando?

Um "amor" de pessoa, esse Peixes. O coitado perdeu um filhote de gato e o Afrodite ainda faz troça pra cima dele? Hum... ei, eu também faria, numa situação dessas! Por que diacho estou preocupado com esse idiota? Acho patética essa cara de moleque chorão, abandonado, que perdeu o gatinho e... tadinho... digo, bem-feito, pra largar de ser trouxa! Mas que é triste, é...

O que aconteceu a seguir pareceu a Máscara da Morte quase automático. Agitou os pezinhos e os bracinhos, libertando-se dos braços de Afrodite e indo para o chão. Só naquele momento Aiolia e Kiki notaram a criaturinha.

- Mas isso... senhor Afrodite, onde conseguiu um Togepi? – Os olhos de Kiki estavam arregalados.

- Togepi?

- Sim! – Exclamou o garoto, assombrado, enquanto rodeava o ex-cavaleiro de Câncer – É... nossa, parece de verdade!

- O que seria um "Togepi"? – Afrodite revirou os olhos, impaciente. Detestava crianças hiperativas.

- Não sabe? É um Pokémon. "Pocket Monster" – Acrescentou o menino, ao ver Afrodite arquear uma sobrancelha – São monstrinhos... a senhorita Saori me deu um joguinho deles e já vi o desenho na TV. Lá no Japão passa um monte de animes, é bem legal!

Afrodite conteve a vontade de rir. Máscara da Morte havia se transformado em um personagem de desenho infantil? Teve sua atenção novamente voltada para Máscara, que naquele momento estava na frente de Aiolia.

- Um Togepi, é? – Murmurou Aiolia, deprimido – Que coisinha curiosa você encontrou, Afrodite. Podia aproveitar e encontrar o Olinhos também...

Sai dessa fossa, bichano! Qual é...

- To-ge, to-ge, togeprrrrrrriiiiii! – Exclamou o Togepi, saltitando e agitando os bracinhos diante de Aiolia. O leonino abriu um pequeno sorriso.

- Que bonitinho... tentando me animar, pequeno? – Pegando-o no colo. Acabou por soltar uma risadinha – Olha que adorável!

Kiki sorriu ao ver a nítida melhora no humor do grego.

- Caramba, é um Togepi de verdade!

- Sim! – Riu-se Aiolia, aninhando-o nos braços fortes – Parece um bichinho, não é um brinquedo... nossa, eu me sinto bem melhor!

- Pelo que sei, um Togepi é um Pokémon extremamente feliz – Contou o pequeno lemuriano aos mais velhos – Ele pode compartilhar felicidade com as pessoas à sua volta, principalmente quando é bem-tratado. É por isso que o senhor Aiolia parece mais feliz.

Afrodite arregalou os olhos, apreendendo a ironia da situação. Máscara da Morte estava aprendendo a zelar pelos outros na marra. Olhou para o Togepi que se aninhava sorridente nos braços do colega. Apesar de não sentir a cosmoenergia característica de Máscara da Morte na criatura, podia perceber uma leve energia, cálida, envolvendo-o e se irradiando até Aiolia.

- Sim, eu me sinto ótimo! – Aiolia se levantou, parecendo renovado – E você tem razão, Afrodite, eu preciso procurar o Olinhos e não vou descansar até encontrá-lo! Não é, baixinho? – Alisou a cabecinha do Togepi, que emitiu um guincho de alegria – Ah, Afrodite, posso ficar com ele? Ele é adorável!

- NÃO! – Afrodite pegou Togepi de volta em um impulso, surpreendendo os outros dois – Eu... digo... é que... – Corou um pouco ao perceber que agira como uma criança pegando o brinquedo de volta. Era um tanto vergonhoso. Sentiu Máscara relaxar em seus braços e bufou baixinho pelo próprio comportamento.

- Agora entendi! – Kiki sorriu – Você por acaso foi o primeiro a ver esse Togepi?

- Bom... – Afrodite hesitou – Em certas circunstâncias, sim.

- Hehehe, tá explicado... o Togepi sempre pensa que a primeira pessoa que ele vê é a mãe dele. Deve ser por isso que vocês são tão ligados...

O queixo de Afrodite caiu. Máscara não sabia se ria da cara do sueco ou se ficava desesperado em ter o venenoso amigo como "figura maternal". Afinal, Afrodite não era flor que se cheirasse, com o perdão do trocadilho.

- Está tudo bem, cara, calma, não precisa ciumar com a cria! – Aiolia sorriu, erguendo as mãos em rendição – Vou procurar Olinhos. Mas logo vou até Peixes revê-lo, baixinho! E levo o Olinhos também, pra vocês brincarem...

Aiolia saiu e Kiki foi junto para ajudá-lo na busca. Máscara da Morte os viu se afastarem com um sentimento muito estranho de dever cumprido.

Eu estou enlouquecendo... deuses! PRECISO voltar ao normal! Estou ficando um frouxo!

Esperou por um comentário zombeteiro de Afrodite – ser transformado em um Pokémon ia além da capacidade de sua imaginação sádica. Todavia, ao erguer o olhar para o pisciano, percebeu-o entre pensativo e preocupado. Ao perceber que era observado, Afrodite sacudiu a cabeça.

- Acho mais razoável evitarmos ao máximo encontrar outras pessoas por enquanto – Murmurou – Melhor aproveitarmos que a maioria está na arena e correr até Peixes. Você dá muito trabalho, carcamano!

Bufou, seguindo apressado pelas escadarias.

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Kiki parou por um momento, pensativo.

- Algo errado? – Perguntou Aiolia enquanto vistoriava uma moita à procura de Olinhos.

- Eu tô com a impressão de que me esqueci de dizer alguma coisa ao senhor Afrodite... – Kiki colocou um dedo no queixo, tentando se lembrar – Bom, deixa pra lá...

Continua...

Notas finais
Notas adicionais (nota de postagem no LJ):
Oi de novo! Espero que esteja curtindo, Nemui!
Neste capítulo o Máscara está se sentindo prisioneiro de uma criatura totalmente diferente dele, não? Imaginem o nosso "querido" carcamano saltitando para animar Aiolia... com certeza entraria pra galeria de "piores pesadelos" do Máscara, se fosse um sonho, claro x.x
Pois é, acabei me lembrando daquela história do Togepi enxergando a Misty como mãe e dando mais este "probleminha" para o Afrodite. Na verdade, achei uma forma mais fácil de estreitar o relacionamento entre eles. Mas vamos ver como o pisciano aproveita esse status de "Mamãe Togepi".
Ah, claro: "Olinhos" foi uma homenagem meio vexaminosa do Aiolia ao irmão mais velho. Não resisti, ok? Desculpem T.T
Próximo capítulo é o último, pessoal. Kissus e até a próxima!
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NOTA DE POSTAGEM NO FFN E NO NYAH! FANFICTION: Como eu disse, não se trata de uma "mescla" de universos. Kiki fala que o Togepi pertence a um game/anime, ou seja, não é uma criatura "natural" do universo da fic. Por isso, por mais que eu tenha classificado como crossover, não achei justificável postá-la na seção correspondente do FFN.
Agradecimentos especiais à Tuany pelo comentário. Espero que continue acompanhando! =3
Espero que continuem gostando, e amanhã postarei o último capítulo!
Lune Kuruta (20/07/2012)