Notas iniciais
Opa tranquilo galera? Desculpa a pequena demora a postar esse capitulo, mas vez ou outra eu e o Novus mudávamos nossas ideias e tudo mais para ver se melhorávamos as ideias e deixar o capítulo mais legal pra vocês e tudo mais. Nem todos os personagens aparecerão ainda, estamos botando-os aos poucos e dando um destaque sempre que eles aparecem. Esperamos que gostem bastante do capítulo e que continuem a nos acompanhar. Boa leitura a todos.

“Após uma noite de sono tranquila e com direito a ventos frios, o sol finalmente fazia sua aparição. Apesar do clima criar a expectativa de um dia comum e bonito, na verdade, será cansativo e desafiador. Os tão temíveis exames de admissão estavam a pouquíssimas horas de começar e imagino que, assim como eu, os demais estão tentando se preparar psicologicamente e fisicamente. Hahahaha quem estou querendo enganar? É óbvio que irei passar, afinal, esse teste é coisa de criança: um exame físico bobo e um exame teórico no qual supõem que não aprendemos nada sobre as vantagens de tipo... no final, a funcionalidade da sociedade é a única coisa que realmente me interessa. Passar 3 dias na floresta para encontrar o ponto de encontro? Parece tão fácil que nem parece um teste”, pensou com uma cara um pouco decepcionada, como se quisesse algo a mais. “Hmm... acho que apesar de não gostar muito da ideia, o Mario e o Magnite vão conseguir passar nesse teste também... e quanto aos outros... qual era o nome deles mesmo? Hmm... bom, não realmente importa... o Pidgey e o Sandshrew também devem ser aprovados, apesar de que se dependesse de mim, o segundo iria acabar desistindo. Aquele outro... Po... Poliwag?! Esse nem preciso pensar muito: ou vai desistir durante o exame teórico ou acabar sendo morto pelos selvagens... será que estou sendo muito otimista? Talvez nem passe no exame físico”, completou o pensamento dando um leve suspiro e, após verificar que não conseguiria mais dormir, decidiu olhar para o relógio digital que ficava ao lado de sua cama para confirmar o horário, eram 5:45 da manhã.

– Bom, acho que ainda tenho tempo que comer algo antes de ir para o Instituto – falou para si mesmo enquanto se dirigia para a porta de seu quarto.

Antes de sair, decidiu dar uma parada para conferir seu estado no espelho do seu quarto e percebeu que não estava em sua melhor forma, talvez por ter acabado de acordar? Seus olhos eram dourados e vibrantes, assim como os de sua mãe... suas orelhas eram largas e, como procurava estar atento a todo momento, sempre eretas. Sua pele estava rígida e possuía coloração roxa, assim como seu pai... e sua altura era um pouco maior que os demais, algo em torno de 60 centímetros. Obviamente, sabia que não era o mais alto em comparação com as demais raças, mas como não podia fazer nada quanto a isso, resolvia ignorar esse detalhe.

Após esse pequeno ritual, decidiu continuar seu caminho em direção ao piso inferior, percorrendo as escadas sem pressa. Quando chegou na cozinha, fez sua verificação cotidiana em busca de possíveis visitantes e, para sua decepção, era o único naquele ambiente.

– Parece que ainda não voltaram daquela missão, talvez estejam de volta durante o exame – exclamou com um tom misto de tristeza e esperança... no fundo, queria que seus pais estivessem ali, torcendo por ele e vendo-o superar as adversidades que a prova poderia lhe proporcionar, seu momento de brilho.

Numa forma de tentar se distrair daquele pensamento, pegou alguns biscoitos que havia guardado em um pote e se serviu com suco misturado de Pecha Berry e Oran Berry. Acreditava que aquilo seria o suficiente para lhe dar energia durante a manhã, em seguida, lavou o copo e saiu de casa fazendo uma leve reverência antes de fechar a porta. Começou a caminhar tranquilamente até o Instituto Miyama da cidade de Pallet, uma cidadezinha que possuía certo charme por ser tranquila e pacífica dotada de uma paisagem bonita, já que para todo lado que se olhava poderiam ser vistas planícies imensas e algumas casas dos habitantes locais. Geralmente, quem se muda para a cidade, ou procura o Instituto trazendo os filhos que aspiram se tornar aventureiros ou desejavam uma vida chata e sem graça. Esse segundo motivo o fazia querer sair daqui, não aguentava tanta tranquilidade, além de que não acreditava que seria capaz de ficar tão ou mais forte que seus pais ficando ali.

Para sua tristeza, a cidade estava bem mais agitada do que o normal já que o exame de admissão será realizado. A cada ano, o exame é realizado em um dos Institutos localizados em toda região de Kanto, escolhidos através de sorteios e, dessa vez, Pallet fora escolhida. Por conta disso, todos os outros pokemóns se reunirão aqui, provavelmente cerca de 6500 alunos realizando as provas ao mesmo tempo. “Quantos sobreviverão a todos os exames!? Bom, só o tempo irá dizer. É engraçado pensar que terão alguns caras que são tão velhos e ainda assim estão tentando novamente o teste, preferia que aceitassem de uma vez que eles não servem para serem aventureiros, mas sei que a ganância de alguns poucos é realmente grande e só pensam no ‘salário’... se querem ter alguma utilidade de verdade, trabalhem limpando vidros de prédios ou como lixeiros, ser um aventureiro não é para molengas e isso me deixa realmente irritado!”.

Quando voltou sua atenção para a estrada, já dava para notar o prédio do Instituto. Era, com certeza, a construção que mais se destacava, já que parecia ser de uma tecnologia avançada quando comparado com às casas simples da cidade. Ao longe, também já dava para ver alguns ônibus estacionados próximos ao local e, se virasse para analisar a rodovia, poderia ver outros que ainda estavam chegando com os demais alunos que realizarão a prova.

“Chegaram mais cedo do que eu esperava, vou dar uma acelerada para não acabar ficando no meio de uma multidão perdida”, pensou já dando uma acelerada nos passos, não gostava de tumultos, e faria qualquer coisa para evitá-los.

Assim que chegou, mostrou sua identidade e fora instruído por um dos supervisores a aguardar na sala 104 para o início do exame. Procurou o local que lhe fora indicado e sentou-se na última cadeira do lado esquerdo, exatamente ao lado da parede. “Se me sentar aqui, só precisarei me preocupar com os estudantes que se sentarem na minha frente e ao no meu lado direito, sem falar que posso encostar a minha cabeça na parede... sem dúvidas, é o melhor lugar desta sala!”, pensou enquanto mostra-se orgulhoso de sua decisão e, como forma de encerrar esse pensamento, decidiu analisar a mesa à frente de sua cadeira. Nela havia um painel eletrônico que seria usado para fazer a prova teórica com botões coloridos com as letras “a”, “b”, “c”, “d” e “e” escritos em sua parte superior... “Antigamente era uma prova escrita pelo que saiba... imagino que como nem todas as raças possuem dedos, então tiveram que mudar o método de prova”. Olhou para o relógio na parede da sala e ele apontava 06:30 da manhã, então teria mais meia hora para relaxar até o início da prova... como não tinha nada melhor para fazer, olhou para o resto da sala enquanto procurava por algum de seus “colegas”, mas só encontrava rostos desconhecidos de alunos “normais” com mais ou menos a mesma idade que ele. Como se estivessem esperando por esse momento, um Haunter e um Slowbro abriram a porta e entraram na sala... ambos, com certeza, eram mais velhos e aparentavam estar nervosos, o que dava a impressão de que essa não era a primeira tentativa deles. "Os tios que não perceberam o passar do tempo chegaram...", preferiu esquecer o quanto aquilo o irritava e, por fim, preferiu dar um pesado suspiro, fechar os olhos e encostar a cabeça na parede.

“Que perda de tempo! Só quero receber o celular do Instituto e cair fora daqui! ”. Pensou um pouco inquieto por ser obrigado a realizar tudo isso apenas para se tornar um aventureiro credenciado. Vinte minutos haviam se passado, quando abriu um dos olhos para dar uma última olhada nos arredores... ainda faltavam dez minutos e a sala já estava lotada: “Pelo menos são pontuais”. Nessa última checada, dentre os 50 presentes, dois alunos chamaram sua atenção: um Scyther por suas marcas de arranhões passando pelos olhos e uma Ponyta por possuir uma espécie de “chapéu de crânio” em sua face. O primeiro não parecia que havia ficado cego, mas a marca em si se destacava o bastante para atrair a atenção de alguns curiosos... como se não bastasse, ainda possuía uma cicatriz na foice esquerda. “Parece que teve uma vida dura, huh?”, pensou rapidamente antes de fechar os olhos, permanecendo naquela posição até finalmente ouvir uma voz chamando a atenção de todos os alunos.

“Por favor, a atenção de todos em mim”, pediu a orientadora, uma Ninetales que aparentava ter entre 45 a 50 anos, dotada de uma pele lisa e bem cuidada. Oito de suas caudas mostravam um amarelo intenso e brilhante, enquanto uma delas era de uma coloração um pouco diferente, um tom de rosa? Sentou em sua cadeira e deu as ordens que guiariam os estudantes para a prova: “Meu nome é Sayuki e serei a fiscal de vocês pelas próximas quatro horas, serei bem breve para não perdermos muito tempo. Se olharem para as suas mesas, encontrarão cinco botões com letras diferentes escritas em sua superfície, cada letra é correspondente a uma das alternativas de resposta que aparecerão na prova. Serão apresentadas aos senhores 50 questões através de uma projeção aqui na frente do quadro, se acertarem 70% delas, ou seja, 35 então terão sido aprovados nesse exame e serão instruídos sobre os próximos passos que deverão realizar pelos fiscais que estiverem nos corredores. Será feito um intervalo de cinco minutos depois de duas horas de prova para que possam ir ao banheiro, beber água ou tomar um ar, portanto, não serão aceitas saídas em outros momentos... ao final de cada pergunta, será dado um determinado tempo para que possam pensar e escolher a alternativa que julgam correta, então o aproveitem bem e lembrem-se que não serão aceitas mudanças, uma vez escolhida a alternativa, ela não poderá ser modificada. Quando o tempo for finalizado, a resposta correta será demonstrada e, caso não concordem com ela, após o exame submetam um recurso online e a banca examinadora verá se seus argumentos são válidos”. Sua dicção era calma e pausada, e de alguma forma, era capaz de acalmar os estudantes, mas a possibilidade de saber que foi reprovado no decorrer da prova causou um pequeno pânico no interior de cada presente.

“Não precisam ficar nervosos. Se no decorrer da prova, descobrirem que cometeram erros demais e não é mais possível ser aprovado através do número de respostas corretas...”, sua expressão ficou obscura e um pequeno sorriso malicioso foi formado em seus lábios... “Ainda há uma forma de serem aprovados, isto é, se forem capazes de utilizarem um método diferente. Se puderem fazer com que 2 outros pokemóns aqui presentes desistam da prova ou sejam eliminados por mim, você será aprovado!”. A bomba havia sido lançada, todos os presentes ficaram mudos naquele exato momento. A possibilidade de conseguir ser aprovado prejudicando os demais não era uma opção muito ética, mas... não é melhor do que ser reprovado? Então, meio que se aproveitando da dúvida geral, a fiscal deu suas últimas palavras: “Mas é claro que também não serão permitidas ações muito óbvias ou o candidato será reprovado automaticamente por cola e não poderá fazer a prova novamente pelos próximos 3 anos.”

“Ou seja, está nos dizendo para mostrar nossas habilidades sem sermos notados pelos outros. De qualquer forma, eu não pretendia colar desde o início, mas terei que ficar de olho nos demais para que não tentem nada contra mim“, pensou Axel. Só por garantia, resolveu analisar os alunos que estavam ao seu redor: à frente um Gastly, à direita dele e sua diagonal um Shelder e ,ao seu lado, uma Slowpoke. “Terei que ficar de olho nesse cara da frente e nessa garota ao meu lado, são os que representam a maior ameaça por causa de suas habilidades fantasmagóricas e psíquicas”.

“Então, iniciaremos a prova! ”. Avisou a fiscal e a projeção com a primeira questão foi apresentada no centro da sala. “Dentre os seguintes golpes, qual seria inútil quando utilizado num Caterpie? ”.

Ember;

Tail Whip;

Razor Leaf;

Toxic;

Guillotine.

O clima de tensão estava evidente, afinal, não era uma questão tão simples assim. “Ember é um golpe efetivo em pokemóns tipo inseto, logo, essa não é a opção correta”, mas a palavra “inútil” tornava a escolha de uma habilidade mais difícil. Enquanto todos fraquejavam e pareciam não conseguir eleger uma escolha, o tempo parecia se esgotar cada vez mais rápido, até que chegaram os últimos dez segundos. “Caterpie é de primeira evolução e não possui muita defesa, B! ”, “Razor Leaf quase não causa dano, quem usaria esse golpe num tipo grama? C! ”, “Toxic vai causar envenenamento e deixar um dano tão baixo que é inútil, D!” ou “Guillotine tem uma chance de acerto tão baixa que pode ser considerado desprezível, E!”. Esses foram os pensamentos distribuídos ao redor da sala, cada um decidiu escolher o que lhe parecia o caminho mais correto e a marcou torcendo para que fosse a alternativa correta.

“O tempo para a eleição de resposta está encerrado, a alternativa correta será apresentada agora”. O projetor fez um pequeno som indicando que o mecanismo estava em processo de alteração, a tela foi desligada por cerca de 3 segundos e a resposta foi apresentada à toda a sala “D”. “Mas, mas, o envenenamento causará danos! ”. E muitas outras contestações foram formadas nas mentes dos estudantes, porém não é como se reclamar fosse surtir algum resultado naquele momento, se a questão estivesse errada era só submeter um questionamento ao comitê avaliador e torcer para que fosse anulada.

“Os candidatos número 795 e 1253 estão desclassificados, 129 pode arrumar as suas coisas e retirar-se da sala, a senhorita está aprovada! ”. Essas palavras conseguiram elevar ainda mais a tensão no local, ainda na primeira pergunta alguém foi capaz de fazer outros dois desistirem e ser aprovado? No fundo, quase todos ali queriam que a fiscal estivesse brincando ou provocando a turma no momento que citou a segunda forma de aprovação. Uma formosa Bellsprout levantou-se da cadeira, pegou sua mochila e encaminhou-se até a porta, aparentemente, era a primeira a ser aprovada no exame teórico deste ano. Aquele momento foi uma morte lenta na mente de cada estudante ali presente, vê-la em movimento lento e cambaleante se dirigir para a porta com cerca de 2 minutos de prova? Assim que abriu a porta, fez uma espécie de reverência e um Machoke entrou na sala. Aquela cena foi capaz de aumentar ainda mais o terror na mente dos alunos, afinal, não é muito normal ou agradável vê-lo pegar um Nidoran (fêmea) e um Koffing, ambos em sono profundo, colocar em seus braços e, levá-los para fora da sala sem a menor explicação ou aviso.

“Usar-se do fato que estava debaixo do ar-condicionado e usar o vento para espalhar os pólens soníferos do Sleep Powder ... ela não hesitou e mereceu a aprovação!”, pensou a fiscal. Usar-se das condições que foram dadas e aceitar condições malucas como aquelas sem passar mais tempo do que uma questão? Era necessário ter mente forte, no mínimo. “Bem, espero que os senhores não se abalem, o Miki entrará e pegará os candidatos que não estiverem mais em condições de continuar e os levará para um local mais adequado... não podemos perder mais tempo, então... Segunda questão!”. O mecanismo automaticamente foi ativado e uma nova questão foi apresentada: “Qual das seguintes Berrys é capaz de acordar um pokemón?”.

Berry;

Mint Berry;

Wake Berry;

Bitter Berry;

Sitrus Berry.

Uma questão relativamente mais fácil que a anterior e, sem surpresas, foi demonstrada a resposta “B” na projeção. Parece que essa questão foi capaz de acalmar um pouco os ânimos dos estudantes, já que era possível ver um semblante mais otimista em seus rostos. “Talvez... a primeira pergunta tenha sido um ponto fora da curva e essas são as questões que serão cobradas no decorrer do teste!” era o pensamento mais popular entre os estudantes.

Desde então, o teste progrediu sem nenhum outro evento de destaque. As perguntas mantinham-se num nível intermediário, de forma que todos que tivessem estudado bastante para a prova pudessem acertar maior parte das questões, caso do Axel, enquanto a maioria parecia oscilar entre respostas certas e erradas. Na verdade, cinco pokemóns até ali haviam acertado todas as perguntas até esse momento, o Scyther misterioso, o Mr. Mime sentado na diagonal dele que conseguiu usar Mimic para copiar todas as respostas até ali, o Pidgey que estava sentado na cadeira mais próxima à porta de saída, o Pinsir sentado na cadeira à frente da mesa da fiscal e um Dratini sentado no meio da sala.

“Pois bem, agora será mostrada a vigésima primeira questão, boa sorte”. Alertou a fiscal já apresentando cansaço em sua voz, afinal, conseguir prestar atenção em 47 pokemóns submetidos a uma situação de estresse como aquela requeria bastante concentração por parte dela e o pior, sem movimentos que pudessem causar alerta... achava isso estranho, já estavam caminhando para metade da prova e ninguém mais parecia interessado na forma alternativa de passar? A sua diversão passou a consistir em ver a reação das pessoas quando acertavam ou erravam as perguntas que eram mostradas. O mecanismo fez o seu som característico e a questão foi apresentada na projeção, nesse mesmo segundo, o tédio dela foi quebrado, motivo pelo qual comemorou em sua mente.

“Candidato 362, por favor, levante-se e retire-se da sala... você foi pego tentando atrapalhar outro pokemón durante o decorrer do teste, motivo pelo qual será eliminado e punido com a proibição de realização da prova pelos próximos 3 anos”. Todos os presentes estavam “congelados”, pela primeira vez alguém havia sido pego e buscavam encontrar quem poderia ter sido o azarado que conseguiu tal façanha. Após cerca de cinco segundos naquela situação, o Slowbro levantou-se e foi em direção à porta enquanto chorava... era seu oitavo teste e último teste, seu sonho de se tornar um aventureiro estava sendo destruído na frente de outras 45 pessoas. Finalmente, abriu a porta e foi embora, fazendo com que a sala voltasse a ficar em silêncio absoluto. Como esse momento atraiu a atenção de muitos estudantes e o tempo da pergunta não foi prolongado ou restituído, vários não conseguiram respondê-la a tempo, contabilizando mais um erro.

“Parecia um senhor com experiência de vida, mas devia estar desesperado. Pelas reações até aqui, parecia que havia sido eliminado pela quantidade de erros e, no final, decidiu que poderia se classificar usando Yawn nos pokemóns ao seu redor... por conta da situação, acabou utilizando o golpe 3 vezes seguidas, infelizmente, como fiscal era obrigada a eliminá-lo... apesar disso, pergunto-me como os alvos dos golpes dele poderão sair dessa situação”. A fiscal parecia ter recuperado seu fôlego, afinal, a sala tinha se tornado mais interessante. Os pokemóns alvos do golpe foram: Scyther, Cubone e Voltorb. Quanto tempo seriam capazes de suportar até caírem no sono ou como poderiam manter-se acordados, havia tanto para especular e isso a animava.

O teste prosseguiu sem maiores eventos até a vigésima terceira questão, quando Cubone e Voltorb não foram capazes de se manter acordados e, finalmente, sucumbiram ao sono. Naquele momento, o Scyther mal conseguia manter suas pálpebras abertas, era questão de uma ou duas questões até não conseguir aguentar mais. “Você lutou tanto, estudou durante todas aquelas noites para ser eliminado de forma tão ridícula? Concentre-se! Se não for capaz de superar uma situação dessas, nunca vou ser capaz de me tornar um Scizor!”. O espírito de luta na mente do Scyther parecia estar aceso, mas seu corpo não parecia estar na mesma sintonia e, sem outras opções, decidiu tomar uma decisão arriscada. “O único golpe que conheço que não envolve chamar muita atenção é o Focus Energy, mesmo que possa me desconcentrar da prova é a única coisa que posso fazer para tentar contornar essa situação”. A habilidade Focus Energy baseia-se em entrar em um estado de concentração máxima afim de atingir o oponente com um ataque crítico para abatê-lo, nesse caso Scyther pretendia usar a habilidade para manter o foco total na prova como se nada mais existisse para evitar o sono.

Fechou seus olhos, respirou fundo e concentrou parte de suas forças na prova esquecendo de tudo. Lentamente, sentia que suas pálpebras já não estavam tão pesadas quanto antes, mas... teria de manter-se em estado de concentração constante, afinal, a sensação de sono era causada por uma necessidade do seu cérebro, manter os olhos abertos era apenas uma medida emergencial. “Quanto tempo poderei me manter concentrado dessa forma?”. Esse pensamento o assustava, já que a prova ainda não estava nem em sua metade e o desgaste mental seria absurdamente alto... havia outra escolha? Perguntava-se em busca de ideias enquanto o tempo parecia passar cada vez mais devagar e o suor começava a escorrer por sua face.

“Finalmente estamos chegando à vigésima quinta questão, assim que terminarem e a resposta for mostrada haverá o intervalo”. A fiscal deu o aviso e muitos alunos suspiraram demonstrando cansaço e, é claro, uma forma de alegria já que poderiam pegar um pequeno tempo para respirar. “Esse vai ser o momento chave da prova, devo juntar minhas energias e ficar atenta ou posso acabar perdendo algum evento. Espero que sejam mais criativos do que os alunos do ano passado” – pensou a fiscal enquanto realizava uma última checada na sala. Assim que a resposta foi mostrada, um contador apareceu na projeção, indicando o tempo de 5 minutos.

Muitos aproveitaram para se levantar e movimentar o corpo, outros decidiram beber água e ir ao banheiro. A fiscal preferiu ficar na sala, assim como: Axel, que estava debruçado sobre a mesa com olhos fechados enquanto tentava tirar um rápido cochilo; Scyther já que queria evitar movimentos que pudessem romper sua concentração e permitir que entrasse em sono profundo; Slowpoke que buscava evitar sair para não quebrar o golpe Mimic já que poderia ter dificuldades para se conectar ao Scyther novamente; Ponyta que parecia estar mais focada em seus pensamentos do que interessada em dar um passeio. Quando o cronômetro marcou a escala de 30 segundos para o reinício da prova, todos os estudantes já haviam voltado para a sala e estavam sentados em seus respectivos lugares.

“O tempo do intervalo está encerrado, prosseguiremos com a vigésima sexta questão”, alertou a fiscal. O projetor mostrou os dados e o processo recomeçou sem surpresas... “Admito que estou um pouco decepcionada até aqui” era pensamento que não saía da cabeça da Ninetails já que, segundo suas previsões, deveria estar com cerca da metade da sala vazia nesse momento. A prova parecia transcorrer sem problemas até a trigésima segunda questão, quando suas expectativas, finalmente, foram cumpridas.

“Os candidatos 132, 198, 647, 669, 791, 915, 1043 estão aprovados; 144, 155, 171, 190, 200, 205, 264, 304, 351, 408, 515, 516, 574, 615 foram reprovados, mas poderão prestar o exame ano que vem; 708 e 1054 não poderão prestar o exame pelos próximos três anos... peço que os citados se levantem e saiam de sala, os que não estiverem em condições de se mover serão retirados pelo Miki”, foram as palavras proferidas pela fiscal. Naqueles meros segundos, todos perderam suas concentrações na questão que estava sendo demonstrada pelo projetor e passaram a olhar para os pokemóns ao seu redor. “Quem foi aprovado?”, “O que aconteceu?”, “Por que tanta gente?” eram alguns dos pensamentos mais comuns entre os estudantes cujos números não haviam sido chamados. Após cerca de cinco segundos, vinte dos citados se levantaram e foram em direção à porta formando uma fila indiana.

Assim que todos saíram da sala, o Machoke, com um crachá com o nome Mikael, entrou e colocou três pokemóns em seus braços: um Machop e um Geodude que aparentavam estar despertos, porém não conseguiam mover seu próprio corpo (paralisia) e um Kabuto que não parecia estar em bom estado mental, talvez estivesse preso a uma ilusão? Assim que todos foram removidos, sobraram 23 estudantes restantes na sala, o que gerou espaços vazios evidentes, já que alguns dos que restaram estavam sem nenhuma outra pessoa ao seu redor. “Agora esta sala do jeito que deveria estar”, pensou a fiscal enquanto analisava os alunos restantes. “Foram muitos eventos ao mesmo tempo, parece até que foi um ato planejado... será que utilizaram o intervalo para definir uma espécie de ataque em massa? Se tiverem feito isso, foi uma atitude bem pensada, afinal, que fiscal seria capaz de manter-se completamente atento a várias habilidades ao mesmo tempo? No final, mesmo eu não fui capaz de fazer a leitura de todos os golpes, mas, para minha sorte, fui capaz de conectar os resultados obtidos aos realizadores da ação... a parte ruim é que só pude eliminar os candidatos cujos métodos foram absurdamente óbvios, como o Caterpie usando o String Shot ou o Grimer que utilizou o Poison Gas, algo muito óbvio já que é possível ver a fumaça roxa sair de seu corpo... dos que conseguiram eliminar os demais só pude ver o Gastly que conseguiu usar Hipnose em um Slowpoke e um Shelder, todos localizados no fundo da sala no lado esquerdo e um Exeggcute que utilizou Stun Spore nos pokemóns ao seu lado... no final, ter várias cabeças realmente ajuda quando tudo que é preciso fazer é assoprar. Os demais não posso explicar bem o método utilizado... isso é mau! Se descobrirem vão suspender o meu salário!”, os pensamentos da Ninetails pareciam estar muito agitados depois de tais eventos.

Depois disso, a prova continuou sem maiores destaques. No máximo, o que mais chamou a atenção foi que uma Ponyta, vestida com uma espécie de chapéu feito de ossos, quase quebrou a bancada na qual estava sentada quando o tempo da última questão estava acabando. Pode-se especular que, para ela, seu futuro na competição seria definido se a acertasse, mas ficou presa entre duas alternativas e não conseguiu se decidir até o último segundo. Para sorte dela, o chute que escolhera era a alternativa correta e com isso foi capaz de acertar exatamente 35 questões, o mínimo para passar. Outro destaque foi um Scyther que na quadragésima quinta questão acabou dormindo em cima de sua bancada, mas como havia acertado todas as perguntas até ali já havia sido aprovado... apesar disso, a fiscal foi obrigada a pedir que o Machoke o levasse para a enfermaria, já que não acordava de jeito nenhum... outra curiosidade é que o equipamento eletrônico de sua mesa passou a apresentar mal contato, principalmente na letra “E” já que foi a região mais contaminada pela sua saliva.

A prova terminou pontualmente às 12 horas, como o previsto. Por volta das 15 horas, os resultados dos estudantes que terminaram a prova teórica respondendo todas as perguntas foram pregados num mural com a posição em que haviam terminado. Axel esperou por cerca de meia-hora: “tempo necessário para que os demais vissem suas notas, chorassem ou rissem com as dos amigos e fossem embora” e, finalmente, se dirigiu ao mural para descobrir a posição em que havia ficado. Chegando lá, encontrou vários rostos familiares, seus “amigos” do Instituto, e, sem hesitar, tratou de se esconder na parede mais próxima para que não o vissem, já que não estava com disposição o suficiente para aturá-los naquele momento. Cerca de quinze minutos depois, todos haviam ido embora e, finalmente, ele poderia ver o seu número e ir embora.

“Nonagésimo terceiro? Bem, de fato não é uma posição ruim” – falou em tom baixo– “Bem, só por diversão... o quão abaixo de mim o Magnite está?”.

– Se quer procurar a minha posição, vai ter que olhar para cima – avisou a voz que ele menos queria ouvir naquele momento.

– Pensei que você já tinha ido embora – confessou Axel enquanto virava-se na direção da pessoa indesejada. Para sua surpresa, todos os membros do Instituto estavam lá... parece que estavam o esperando e como imaginaram que ele não viria enquanto estivessem ali, fingiram ir embora e voltaram quando ele apareceu.

– E perder a chance de ver a sua cara me vendo cinquenta posições acima de você? – provocou Magnite.

– Cuidado para não quebrar o pescoço quando for procurar por nós! – afirmou Mario entrando na brincadeira.

– Meu amigo, você conseguiu a façanha de ficar abaixo do Poliwag – comentou o Pidgey enquanto ria.

“Abaixo do Poliwag? Não! Não! Não! Não! Tem algo errado! Será que ele colou ou o leitor da minha mesa tinha problema?”, pensava Axel enquanto encontrava a colocação dos demais: “Magnite – 53; Mario – 61; Pidgey – 69; Sandshrew – 73; Poliwag – 82”.

– Bem, que diferença faz a colocação em que você ficou? – respondeu enquanto revirava os olhos em tom de ironia.

– Você não sabe? Tem um aviso na entrada e todos os fiscais estavam encarregados de avisar... os que passarem no teste teórico usando-se da opção de respostas corretas receberão itens melhores, de acordo com a posição no ranking, para o teste de sobrevivência – avisou o Machop.

“Aquela... Ninetails!”, pensou.

– Bom, isso é bom... a chance de estarem vivos para me pagarem uma refeição é maior – respondeu Axel com um sorriso cínico.

– Já recomendo ir juntando dinheiro... nenhum de nós pretende pegar leve com você – ameaçou o Pidgey.

Passaram mais alguns minutos trocando provocações até que chegou a hora de ir embora. A sensação de decepção era inevitável para o Nidoran, nem nos seus piores sonhos teria imaginado que ficaria em último no teste teórico... talvez dormir durante o período de todas as aulas não tenha sido a melhor escolha. Após alguns minutos caminhando, chegou à sua casa. “Estou em casa”, exclamou assim que abriu a porta... e mais uma vez não houve resposta... não era exatamente uma surpresa que seus pais não haviam voltado, mas... não podia deixar de acreditar que um dia chegaria e seria recebido por eles, ouviria histórias sobre suas viagens e jantariam como faziam nos velhos tempos. Como estava com fome, foi para a cozinha e colocou a torta congelada de Oran Berry no micro-ondas, não queria fazer nada que lhe desse trabalho, não depois desse dia. Depois de jantar, subiu para seu quarto, tomou um banho e desmaiou em sua cama, indicando assim, o fim do primeiro dia de testes.

Notas finais
Espero que tenham gostado tanto quanto nos dois o fazendo e mudando tudo XD. Bom até o próximo capítulo onde teremos finalmente as primeiras batalhas. Prólogo - O exame físico.